Recebi da Nana (que já escreveu pra gente aqui e aqui).
1 - Como escolheu o nome do seu blog?
Há muito e muito tempo atrás, num reino muito muito distante, eu fiquei viúva. Como o Guigo e a Nina eram novinhos, eu não quis que a falta do pai mudasse demais a vidinha deles (mais do que já iria, obviamente, mudar). Então, continuei a viajar, passear, estudar, fazer tudo com eles. Estávamos sempre juntos! Sempre em trânsito! E, um dia, alguém disse: vocês são como os 3 Mosqueteiros! O Guigo adorou a ideia de vivermos de aventuras. Eu achei que aquilo "romantizava" um pouco a situação. Como eu já escrevia os "Diários do Guigo e da Nina", desde antes deles nascerem, resolvi que o nome do blog seria "Diário dos 3 Mosqueteiros"!
Há pouco tempo atrás, num reino muito muito próximo e feliz, eu me casei. Com alguém incrível, que também tinha mais duas pessoas no "pacote completo" dele. E não quis parar com o blog (porque, afinal, se ele é pra ser um reflexo da nossa vida real, na MINHA VIDA REAL existia um novo alguém) e decidi contar a minha história com o H, aqui. Mas, eu resolvi mudar o nome do blog (não o endereço, pra não criar confusão), pois agora temos mais 3 pessoas fazendo parte da nossa vida!!! Eles partilham o nosso amor, as nossas aventuras e o nosso espaço virtual! Então, o Diário virou "Diário dos (3+3) 6 Mosqueteiros"!!!
2 - Há quanto tempo tem seu blog?
O blog, desde o comecinho de 2010. Mas escrevo as histórias do Guigo e da Nina (e enviava por e-mail, para parentes e amigos), desde 2004, antes do Guigo nascer. Quando criei o blog, recuperei os e-mails anteriores e trouxe tudo pra cá!
3 - Como você divulga seu blog?
Eventualmente, eu aviso pros amigos, no facebook, que tem post novo. Mas, geralmente, eu não divulgo! Não sei de onde vem os quase 2.000 leitores diários, mas fico MUITO GRATA POR CADA UM DE VOCÊS!
4 - Quais assuntos têm mais visualização no seu blog?
As festas de criança, do tipo "feita em casa", fazem os posts mais populares!!! Todas as dicas de decoração, comidinha, adesivos, etc e tal! Mas as sagas da vida real, as histórias de amor que eu vivi, sempre bombam de comentários aqui e no facebook! A-DO-RO!!! rsrsrs
5 - O que motivou você a criar o blog?
Eu queria deixar registrado, em um lugar publico (caso eu também morresse antes que pudesse entregar isso para as crianças), a história da vida do Guigo e da Nina, com o pai F e depois sem ele. Nunca imaginei que teria essa repercussão toda... nunca imaginei que escreveria aqui a MINHA história posterior... No início, o objetivo era escrever pras crianças num lugar que pudesse ser facilmente acessado por eles, no futuro.
6 - Onde você mora?
Em duas cidades diferentes, no interior de São Paulo. Numa durante a semana (onde eu trabalho e as crianças estudam). Noutra onde chegamos sexta e vamos embora segunda, mas onde podemos ficar uma FAMÍLIA COMPLETA, as 6 pessoas que fazem parte dela!
7 - Quais os seus objetivos com o blog?
Conquistar o mundo??? (#MirysnaversãoCérebro) rsrsrs
Registrar nossas histórias para as 4 crianças (adoro histórias da vida real, que meu pai me contava pra dormir, desde bebezinha); ajudar quem infelizmente passar por esse turbilhão que é perder alguém tão próximo e tão jovem; divertir; escrever; ser lida.
8 - Quais blogs você visita frequentemente?
Vou listar só aqueles que não são em portugues (porque, senão, a lista ficaria imensa) - Be in the moment, Under the sycamore, A bit of sunshine. Leio todo dia!
9 - O que te inspira para criar os posts?
VIVER!!! (e ler os blogs acima listados)
10 - Além do blog, tem alguma outra ocupação? Se sim, quais?
KKKKKKK. Ótima pergunta! Quem me dera, viver de escrever... ai, ai... Digamos que, "nas horas vagas", eu tenho um trabalho regular, que paga as contas lá das casas! Sou formada em direito e em jornalismo. SEMPRE QUE POSSO, mexo com fotografia. Apesar de nunca ser remunerado (então, não deveria contar como "trabalho"), é uma das coisas que me "ocupa" que eu mais amo fazer!!! Registrar momentos inesquecíveis da vida das pessoas que eu amo! Escrever a história delas... com luz!
11 - O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Reunir família e amigos! Namorar o marido, brincar com as crianças, conversar com os primos, me encontrar com amigos... AMO DEMAIS! Se der pra encaixar um filme ou um livro bom, na programação, também vou adorar. Mas, "descansar" não faz parte dos meus planos...
12 - Gosta de café?
Adoro o cheiro, adoro o clima de aconchego quando todos se reunem pra "pausa café". Antes de ir morar na França (em 1997/1998, pra estudar e trabalhar), eu tomava todo santo dia! Por lá, também sempre tinha o cafezinho com UMA bolacha amanteigada, após o almoço. Mas o café era do tipo "café fraco" (não aguado!!!). Quando cheguei no Brasil, louquíssima por um pão de queijo (a única coisa que me fez falta), eu parei numa lanchonete e pedi "um pão de queijo e um expresso, por favor". E aquele expresso, depois de um ano bebendo café fraco, não caiu bem... Caiu mal! Muito mal!!! Nunca mais tomei café, depois daquilo... Até começar a namorar o H e tudo mudar na minha vida! Hoje, tomo um copinho a cada 3 ou 4 dias. Talvez menos. Mas continuo a adorar o cheiro e a confraternização do "vamos tomar um café?"!
13 - Pretende fazer algo, em 2013, para o blog?
Pretendo escrever duas sagas (uma sobre como adaptamos essa família completamente diferente, de um piloto de aviões + 2 filhos, com uma advogada + 2 filhos, que passa seus dias entre 3 cidades diferentes, e tem que gerenciar 4 pares de avós e avôs... e outra saga ainda é surpresa!). Pretendo continuar com os desafios de fotografia (mamarazzi week, 10 on 10, dicas de fotografia) e criar mais um. Pretendo fazer algumas partes deste blog virarem livro.... Fernandinha Reali e sua legião de adeptos do "você PRE-CI-SA transformar o blog em livro" estão me convencendo... Adoraria se isso acontecesse!
As regras da brincadeira são:
as blogueiras que receberem o selinho responderão às perguntas feitas pela blogueira que indicou seu blog e listarão 10 blogs para fazer o mesmo (não podem ser blogs famosos com mais de 800 seguidores, pois o intuito do selinho é divulgar blogs).
Assim sendo, os meus 10 blogs escolhidos são (considerando que vários outros que eu adoro JÁ participaram da brincadeira): céu azul após a tempestade, casa com detalhe, moça de família, balzaca materna, a mãe dos gêmeos, inventando com a mamãe, dress 2 impress, filha de josé, em nossas vidas e o divã delas! Divirtam-se!!!
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Era uma vez 37 - No aeroporto (Diário da Mirys)
No dia combinado, na hora combinada, eu fui pro aeroporto, esperar o Fer chegar. Aquele segundo semestre sem ele, na França, tinha sido terrível e eu não via a hora dele acabar! E a gente passearia, de novo, por Paris... e comeria crepes no meio da rua... e tomaria cafés e taças de vinho, conversando... e jogaria tênis em quadras públicas... e visitaria a minha preferida (a Notre Dame)... e ouviria música... e discutiria música... Fato era: eu queria ele por ali. Nem que fosse só pra brigar porque eu estava muito preocupada com a história da tal aluna linda que tinha, praticamente, pedido o meu namorado em namoro!
Além disso, a gente tinha que decidir nosso futuro! Porque eu tinha sido convidada para continuar os meus estudos ali, pra fazer um doutorado, pra ir além do que eu tinha me proposto a ir. E a minha família já tinha me falado que me queria, por mais um ano. Eu tinha lugar pra ficar, coisas pra fazer, carreira pra construir, trabalho para me garantir. E eu já tinha, até, arrumado um lugar pra ele. Faltava o trabalho, mas a gente daria um jeito. A gente sempre dava! Ou nós poderíamos ir pra Inglaterra e eu faria meu doutorado lá. Afinal, o inglês o Fer dominava!!! E a gente poderia arrumar um curso pra ele, também! Voltaríamos ambos pro Brasil com cursos, na Europa, no curriculum: seria o máximo!!!
Entre sonhos e projetos e planos, eu cheguei no aeroporto e fui pro local de desembarque. Vocês já sabem: tem aquela porta de vidro fosco (que você não vê quem está lá dentro, até que a pessoa esteja na cara da porta; tem aquela barra de metal, que cria um corredor razoavelmente largo, onde as pessoas que desembarcam passam, com seus carrinhos de bagagens; depois disso, tem espaço. Muito espaço. Espaço pra reencontros, abraços, beijos ou pra quem quer passar com malas e malas, correndo, pra pegar um taxi, atrasado pra algum trabalho, em algum lugar. Eu já contei como era aquele local, da primeira vez que o Fer foi pra França, naquela surpresa combinada com o meu pai...
Como eu cheguei cedo, fiquei na fila do gargarejo, bem na frente, grudada na barra de metal, pertinho da porta de vidro fosco, só esperando que ela abrisse e eu visse um rostinho conhecido lá dentro....
Abre a porta... não... fecha a porta.
Abre a porta... não, ninguém... fecha a porta.
Abre a porta... não, de novo... fecha a porta.
Até que a porta abriu. E o Fer estava do outro lado. Lindo, lindo, lindo (ou eu estava morrendo de saudades do rosto dele)... Ele saiu, empurrando o carrinho de bagagens e parou no meio do caminho, na minha altura, na barra de metal. Eu não tive dúvidas: passei por debaixo da tal barra e fui até ele. Foi o abraço mais loooongoooo da minha vida...
E o mais silencioso, também. Eu não falava nada... porque não conseguia... tinha muita coisa... tinha a saudade, tinha o gostar, tinha o ciúme, tinha a falta, tinha o comentário tão “nosso” sobre o jogo de futebol... e eu fiquei lá, procurando as palavras certas. E não falei nenhuma. E ele também não.
Quando a gente se desfez do abraço, se afastou só um pouquinho, eu consegui ver uma fila de pessoas atrás dele (da gente!), com a cara emburrada, querendo ir embora, mas a gente tinha parado com o nosso carrinho bem no meio do caminho! Ninguém passava por lado nenhum!!! E todo mundo devia ter alguém especial esperando para dar um abraço longo e silencioso, né?
“- Fer...” e quando eu ia completar a frase, ele colocou o dedo na frente da minha boca, num sinal de silêncio e sorriu. Se ajoelhou, tirou uma caixinha do bolso e eu pude sentir todas as caras emburradas atrás de nós se transformando em sorrisos! Porque o amor é assim: contagioso! Então, ele abriu a caixinha, pegou minha mão e me pediu em casamento ali, no meio do desembarque do aeroporto Charles de Gaule, em Paris. Num dia em que eu não estava arrumada pra isso, quando ele acabava de chegar de 12 horas de viagem, sem vinho, sem velas, sem flores – só eu e ele. E o mundo parado, ao redor, pra assistir a gente. Porque um casamento, pra durar, precisa só disso mesmo: duas pessoas que estejam a fim de ficarem juntas. Em qualquer lugar, em qualquer hora, em qualquer situação, de qualquer jeito.
“- Mirinha, você quer casar comigo?”
“- Quero...”
E então, ele me ergueu e me deu um beijo bom, daqueles pra lembrar pra sempre. Quando eu voltei pro chão, só ouvia os aplausos daquelas pessoas que assistiam à cena. Ninguém ali entendia português. Ninguém entendia as palavras que a gente tinha falado. Mas não dizem que o amor é a linguagem universal?...
Cenas do próximo capítulo aqui (sim!!! Porque ainda tem mais!!!)
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Era uma vez 36 - Concorrência forte... (Diário da Mirys)
O segundo semestre em Paris foi bem mais difícil que o primeiro, com relação ao meu relacionamento com o Fer. Porque, nos primeiros meses, tudo era novidade pra mim: a cidade, as cores, os sabores, os sons, os passeios, a língua. Mas, depois que o Fer tinha ido me visitar com a minha irmã, naquele Natal, tudo tinha ficado mais difícil. Paris, agora, pra mim, tinha espaços que “pertenciam ao Fer”. Parques que a gente tinha ido juntos, ruas onde a gente tinha caminhado, cafés onde a gente tinha gastado uma tarde ou duas, músicas que tinham tocado pra gente ouvir. Agora, eu sabia o lugar preferido dele, a comida favorita, o restaurante que ele gostava, a rota que enchia os olhos dele. E era complicado transitar numa cidade com tantas lembranças...
Porque eu precisava pra faculdade (e porque meus santos pais tinham me ajudado financeiramente), acabei comprando um laptop. Agora, eu tinha internet!!! Apesar de ser discada (estávamos em 1998, people!!!), já era muito mais rápido do que ter que enviar cartas ao Brasil e ficar aguardando ansiosamente pelo correio.
Não que eu tivesse deixado de ser sócia do “La Poste” (“Correios”, na França), não! Eu ainda mandava um milhão de cartas por semana!!! Anos depois (no ano passado, na verdade), eu recebi uma cartinha de uma prima minha, que mora fora, com um saquinho de chá dentro. Amo chá! Adorei aquele mimo! Mas, quando eu li a carta ela disse que tinha feito aquilo porque nunca tinha se esquecido que eu sempre mandava cartas da França, com sachês de chá diferentes dentro de cada uma. Era verdade! Eu mandava mesmo! E já tinha me esquecido disso... Mas aquela era uma forma que eu tinha encontrado de dividir um pouquinho o que eu estava experimentando naquele outro lado do mundo...
Mas, a internet facilitou o meu contato com o Fer. Agora, eu não gastava mais meu salário quase integral em 2 ligações telefônicas por mês... mas em algumas horas de contato internético semanal! Bem melhor, né?
Só que a internet tem seus problemas... Quando você se fala todo dia (ou quase), os “assuntos” importantes (tipo eu te amo, eu te amo, eu te amo e estou morrendo de saudades) não são mais suficientes e você tem que falar sobre outras coisas (tipo o que você estudou, o que comeu, o que aconteceu no seu dia, sua semana, seu feriado). Numa dessas, eu descobri algo que não precisaria ficar sabendo: tinha uma aluna do Fer dando em cima dele. No Brasil!!! Há centenas e centenas e centenas de quilômetros de mim!!!!!!!
Ele dava aula de inglês para algumas escolas, em São Paulo, e também tinha alunos particulares. E isso era ótimo! Era parte do nosso plano, para que ele conseguisse dinheiro e conseguisse voltar (agora, sem a ajuda do meu pai) para a França, nas próximas férias. Mas... numa das turmas, de uma das escolas... uma aluna se apaixonou por ele. O Fer sempre adorou música e sempre tocou muito bem. Então, ele achava que era uma boa ideia levar o violão pra sala de aula e ensinar músicas (Beatles e cia ltda.) pros alunos, que reforçassem o conteúdo dado em classe ou que trouxesse novas palavras ao vocabulário dos alunos. Lindo! Estupendo! Maravilhoso! Ideia genial! Se não fosse por um pequeno detalhe... dois, na verdade:
PROFESSORES GERAM UM CERTO FASCÍNIO SOBRE ALUNAS
MÚSICOS GERAM UM CERTO FASCÍNIO SOBRE GAROTAS
E daí que meu namorado era professor E músico! Dancei... Mas, como eu nunca fui ciumenta, eu levava tudo numa boa. “Que ideia bacana, Fer!”, “Legal isso de tocar nas aulas”, “Poxa, essas alunas estão cheias de dúvidas... que bom que você está ajudando”... Até que, um dia, uma delas veio falar com ele. Era a mais linda da sala. Da escola, talvez (e vocês já vão descobrir que eu não estou exagerando). Tinha acabado de terminar com um noivo... por causa do Fer!!!!! Estava apaixonadíssima e resolveu que seria um bom momento contar tudo aquilo pro MEU NAMORADO, enquanto eu estava do outro lado do mundo, há meses!!!
Então, ele me liga e me conta... que estava no final de uma aula... ela veio tirar “uma última dúvida”... e resolveu se declarar. E colocou o amanhã dela nas mãos dele. Tipo “se você quiser, eu quero. Já larguei do meu, você larga da sua e a gente segue feliz!”. E a menina era linda!!!! Já contei que ela era linda?????? Tão linda que, um dia, a gente viu um comercial numa revista, que estava suuuuuuper na moda, na época, e eu olhei, achando que ele fosse falar dele “fotograficamente” comigo (porque eu adoro fotografia e sempre fico analisando a luz, as poses, as composições...) e comentei: “mas, também, com uma modelo dessas, qualquer foto ficaria perfeita!”. Ele: “então, Mi... essa é a fulana...”. AFFFFFFFFFFFFFFEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!! Lembro direitinho da porcaria do comercial até hoje! %#$@&*%$ perfume...
E depois de saber dessa super novidade, e depois de não querer ir embora por causa das propostas para o doutorado, e depois de ter assistido “de camarote” o Brasil perder a copa do mundo pra França, eu ia esperar o Fer chegar, no aeroporto, no dia 13 de julho de 1998... Ele ia ter que ser muuuuito bom pra fazer alguma coisa mudar dentro de mim!...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Era uma vez 35 - Salve a seleção!!! (Diário da Mirys)
Sou louca por futebol!!!! Não contei isso, aqui, ainda? Mas sou! Maluquinha, maluquinha (ou, como diz um amigo meu, sou FANÁTICA!). Então imaginem que delícia quando eu percebi que a minha estadia de um ano em Paris iria coincidir com a Copa do Mundo de Futebol, que se realizaria... na França!!!!!!
Dei um jeito, arrumei uns adereços verde-e-amarelo, fiz pinturas na cara, coloquei bandeiras do Brasil pra todo lado e torcia mesmo! Muito!!!! Os gêmeos já tinham feito 08 anos (no dia 10.06.1998) e o menino não tinha qualquer ligação com futebol. Tenho a impressão de que NENHUM FRANCÊS TINHA QUALQUER LIGAÇÃO OU APREÇO POR FUTEBOL ANTES DA COPA DE 1998... Mas, podia ser só minha impressão...
Fato é que, em dia de jogo do Brasil, eu me arrumava, preparava as crianças, ligava a TV meia hora antes para acompanhar a escalação, grudava na tela e não saia por nada! Já levava um lanchinho pra todo mundo, na sala, que era pra não precisar sair mesmo. E gritava, e torcia, e (vergonha) xingava o juiz – tudo em francês!!! Kkk Assim, pelo menos, as crianças entenderiam como se torce, realmente, pelo seu país, quando o negócio é futebol! Afinal, eu era brasileira!!!!!! Pertencia ao melhor futebol do mundo!!!!
As crianças foram pegando gosto pela coisa de vários homens correndo atrás de uma bola, conforme a França foi avançando para os jogos finais. Oi???? A França???? Que expressão tinha o futebol francês naquele momento????? Até onde EU sabia, nenhuma expressão. Zero. “Zero negativo”, se possível. Para mim, aquele monte de gente nas ruas, assistindo aos jogos nos telões, era só por farra, porque eles nem entendiam o que estava acontecendo!!!!
Talvez quase todos os franceses não entendessem o que acontecia, mesmo... MENOS AQUELES QUE FORMAVAM A EQUIPE FRANCESA DE FUTEBOL. Sacolete... Os caras resolveram jogar! Na “hora errada” (pra mim, erradíssima)!!!!! E jogaram, e jogaram, e deram sorte (verdade seja dita) e chegaram na tão esperada final. Os franceses estavam no jogo final da Copa do Mundo!!! Era uma surpresa mundial!!! E contra quem? Nós, os brasileiros!!!!!
“Meu pai” de lá era apresentador de televisão (tipo um Gugu Liberato, com um programa diário e um de final de semana) e recebeu dois ingressos para ir pro campo, na ala vip, assistir à grande final! Ele levou o Pierre (filho – 8 anos) e a Julia (filha – 8 anos) ficou com a Anne (minha “mãe” de lá). Depois do jogo, quando a França, claro, se tornasse vice-campeã, o Philippe e a Anne tinham sido convidados a jantarem com os jogadores e outras pessoas da imprensa. E eu teria que trabalhar. Mas, tudo bem, né??? Trabalhar na casa de 4 franceses, vestida de brasileira, logo depois de ganhar a copa do mundo, não seria nada demais, né??? Eu estaria felicíssima e nem ligaria de passar a noite de comemorações com duas crianças!!! Até porque, o Fer chegaria no dia seguinte, na França, para “me buscar”!!!!!!
Felicidade geral da nação?????? Felicidade geral da nação, certamente!!!!
Mas o jogo começou e a França fez um gol. A FRANÇA FEZ UM GOL... a FRANÇA fez um gol. NO BRASIL!!!! Isso era inacreditável!!!! O Philippe ligou pra casa pra falar com a Anne. Ela pediu pra falar com o filho. Mas, o Pierre mal falou com ela e pediu pra falar... comigo! Não... aquele menininho de 8 anos, que quase tinha me feito desistir de toda a minha viagem por causa de um catchup, não queria tirar sarro da “tia/amiga” brasileira. “- Salut Miriane... você está bem?...” (hoje, anos depois, acho que aquilo foi o máximo da meiguice de uma criança!).
De repente, a França fez mais um gol. Isso era inacreditável demais!!! O ritual se repetiu: o Philippe ligou, falou com a Anne, que falou com o Pierre, que falou comigo. “- Salut Miriane... você está bem?... Aqui no campo está um pouco calor... você gosta de pipoca?...”. Mas a minha dor iria piorar e não tinha nada que aquele menininho de 8 anos pudesse fazer para resolver isso, a não ser entrar no meio do campo e atrapalhar completamente aquela partida até que alguém resolvesse anulá-la e recomeça-la num outro dia. Mas ele não entrou no campo... a partida não foi anulada... e a França fez mais um gol. ISSO ERA INACEITÁVEL!!!!! Já tinha passado de “inacreditável”, era inaceitável! Era uma falta de respeito! Era o fim do mundo! Era “uó”! Era... verdade... E, mais uma vez: Philippe – Anne – Pierre – eu. “- Salut Miriane...”. Tadinho. O Pierre não tinha mais nada pra me dizer a não ser “oi Miriane” porque ele sabia o quanto EU ligava pra tudo aquilo e como estaria chateada. Então, mesmo estando no campo na única vez em que a França conseguiu fazer esse milagre em dose tripla, ele não curtiu: ele ficou preocupado comigo. How adorable is that???
Então, aqueles que estavam no campo voltaram pra casa, os “meus pais” saíram para jantar com a equipe francesa de futebol, e eu fiquei com as crianças. Mas, naquele dia, eu não tinha clima para sessão cinema, para brincadeiras de rolar pelo chão, para leite quente e histórias de princesas todos amontoados na mesma cama. E aquelas duas pessoinhas de 8 anos entenderam isso. A Juju ficou na cama, quietinha, depois que eu a coloquei pra dormir (com leite, beijo, oração e coberta). Já o Pierre... teve leite, oração, coberta, beijo de boa noite... e “-Miriane?”. Eu já estava de pé e me abaixei pra ouvir melhor o que ele queria. Ele segurou dois punhadinhos dos meus cabelos, que foram pra frente, e ficou enrolando nos dedinhos, conversando fúteis, por loooongos minutos, até ter certeza de que eu estava bem, que eu não ia chorar, que ia ficar tranquila. Daí, ele me deu dois beijos estalados na bochecha, ele me disse boa noite, e dormiu. Com meus cabelos ainda enrolados nos dedinhos dele...
Eu fui pra sala mas não consegui assistir um filme (o que eu fazia toda santa vez que meus pais de lá saiam pra algum compromisso). Eu só chorei, chorei, chorei (sim... eu sou torcedora desse tanto de futebol!). Mas, o Fer chegaria no dia seguinte...
Cenas do próximo capítulo aqui.
Dei um jeito, arrumei uns adereços verde-e-amarelo, fiz pinturas na cara, coloquei bandeiras do Brasil pra todo lado e torcia mesmo! Muito!!!! Os gêmeos já tinham feito 08 anos (no dia 10.06.1998) e o menino não tinha qualquer ligação com futebol. Tenho a impressão de que NENHUM FRANCÊS TINHA QUALQUER LIGAÇÃO OU APREÇO POR FUTEBOL ANTES DA COPA DE 1998... Mas, podia ser só minha impressão...
Fato é que, em dia de jogo do Brasil, eu me arrumava, preparava as crianças, ligava a TV meia hora antes para acompanhar a escalação, grudava na tela e não saia por nada! Já levava um lanchinho pra todo mundo, na sala, que era pra não precisar sair mesmo. E gritava, e torcia, e (vergonha) xingava o juiz – tudo em francês!!! Kkk Assim, pelo menos, as crianças entenderiam como se torce, realmente, pelo seu país, quando o negócio é futebol! Afinal, eu era brasileira!!!!!! Pertencia ao melhor futebol do mundo!!!!
As crianças foram pegando gosto pela coisa de vários homens correndo atrás de uma bola, conforme a França foi avançando para os jogos finais. Oi???? A França???? Que expressão tinha o futebol francês naquele momento????? Até onde EU sabia, nenhuma expressão. Zero. “Zero negativo”, se possível. Para mim, aquele monte de gente nas ruas, assistindo aos jogos nos telões, era só por farra, porque eles nem entendiam o que estava acontecendo!!!!
Talvez quase todos os franceses não entendessem o que acontecia, mesmo... MENOS AQUELES QUE FORMAVAM A EQUIPE FRANCESA DE FUTEBOL. Sacolete... Os caras resolveram jogar! Na “hora errada” (pra mim, erradíssima)!!!!! E jogaram, e jogaram, e deram sorte (verdade seja dita) e chegaram na tão esperada final. Os franceses estavam no jogo final da Copa do Mundo!!! Era uma surpresa mundial!!! E contra quem? Nós, os brasileiros!!!!!
“Meu pai” de lá era apresentador de televisão (tipo um Gugu Liberato, com um programa diário e um de final de semana) e recebeu dois ingressos para ir pro campo, na ala vip, assistir à grande final! Ele levou o Pierre (filho – 8 anos) e a Julia (filha – 8 anos) ficou com a Anne (minha “mãe” de lá). Depois do jogo, quando a França, claro, se tornasse vice-campeã, o Philippe e a Anne tinham sido convidados a jantarem com os jogadores e outras pessoas da imprensa. E eu teria que trabalhar. Mas, tudo bem, né??? Trabalhar na casa de 4 franceses, vestida de brasileira, logo depois de ganhar a copa do mundo, não seria nada demais, né??? Eu estaria felicíssima e nem ligaria de passar a noite de comemorações com duas crianças!!! Até porque, o Fer chegaria no dia seguinte, na França, para “me buscar”!!!!!!
Felicidade geral da nação?????? Felicidade geral da nação, certamente!!!!
Mas o jogo começou e a França fez um gol. A FRANÇA FEZ UM GOL... a FRANÇA fez um gol. NO BRASIL!!!! Isso era inacreditável!!!! O Philippe ligou pra casa pra falar com a Anne. Ela pediu pra falar com o filho. Mas, o Pierre mal falou com ela e pediu pra falar... comigo! Não... aquele menininho de 8 anos, que quase tinha me feito desistir de toda a minha viagem por causa de um catchup, não queria tirar sarro da “tia/amiga” brasileira. “- Salut Miriane... você está bem?...” (hoje, anos depois, acho que aquilo foi o máximo da meiguice de uma criança!).
De repente, a França fez mais um gol. Isso era inacreditável demais!!! O ritual se repetiu: o Philippe ligou, falou com a Anne, que falou com o Pierre, que falou comigo. “- Salut Miriane... você está bem?... Aqui no campo está um pouco calor... você gosta de pipoca?...”. Mas a minha dor iria piorar e não tinha nada que aquele menininho de 8 anos pudesse fazer para resolver isso, a não ser entrar no meio do campo e atrapalhar completamente aquela partida até que alguém resolvesse anulá-la e recomeça-la num outro dia. Mas ele não entrou no campo... a partida não foi anulada... e a França fez mais um gol. ISSO ERA INACEITÁVEL!!!!! Já tinha passado de “inacreditável”, era inaceitável! Era uma falta de respeito! Era o fim do mundo! Era “uó”! Era... verdade... E, mais uma vez: Philippe – Anne – Pierre – eu. “- Salut Miriane...”. Tadinho. O Pierre não tinha mais nada pra me dizer a não ser “oi Miriane” porque ele sabia o quanto EU ligava pra tudo aquilo e como estaria chateada. Então, mesmo estando no campo na única vez em que a França conseguiu fazer esse milagre em dose tripla, ele não curtiu: ele ficou preocupado comigo. How adorable is that???
Então, aqueles que estavam no campo voltaram pra casa, os “meus pais” saíram para jantar com a equipe francesa de futebol, e eu fiquei com as crianças. Mas, naquele dia, eu não tinha clima para sessão cinema, para brincadeiras de rolar pelo chão, para leite quente e histórias de princesas todos amontoados na mesma cama. E aquelas duas pessoinhas de 8 anos entenderam isso. A Juju ficou na cama, quietinha, depois que eu a coloquei pra dormir (com leite, beijo, oração e coberta). Já o Pierre... teve leite, oração, coberta, beijo de boa noite... e “-Miriane?”. Eu já estava de pé e me abaixei pra ouvir melhor o que ele queria. Ele segurou dois punhadinhos dos meus cabelos, que foram pra frente, e ficou enrolando nos dedinhos, conversando fúteis, por loooongos minutos, até ter certeza de que eu estava bem, que eu não ia chorar, que ia ficar tranquila. Daí, ele me deu dois beijos estalados na bochecha, ele me disse boa noite, e dormiu. Com meus cabelos ainda enrolados nos dedinhos dele...
Eu fui pra sala mas não consegui assistir um filme (o que eu fazia toda santa vez que meus pais de lá saiam pra algum compromisso). Eu só chorei, chorei, chorei (sim... eu sou torcedora desse tanto de futebol!). Mas, o Fer chegaria no dia seguinte...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Era uma vez 34 - Eu não quero mais ir embora daqui!!! (Diário da Mirys)
Aquela temporada de 6 semanas com o Fer e a minha irmã, em Paris, foi ótima! Foi mais do que ótima, na verdade!!! Pra quem estava esperando passar um ano inteiro sem se ver, quebrar o ano no meio foi perfeito! Ou deveria ter sido... Porque DEPOIS que eu vi Paris COM o Fer, eu não queria mais ver sozinha...
Aquele segundo semestre na França foi bem pior do que o primeiro! Não que a cidade não me impressionasse mais (impressiona até hoje), mas eu já estava “acostumada” a tanta beleza. Não que as novidades nos museus, parques, praças não me atraíssem mais, mas eu não tinha ninguém presente pra dividir tudo aquilo, de novo. Não que as comidas tivessem perdido o sabor, mas a vida tinha... Porque não tinha beijo de boa noite, não tinha passeio de mãos dadas, não tinha brigar pela bola na partida de tênis numa quadra pública! Não tinha companhia e isso fazia TODA A DIFERENÇA!
Só na faculdade as coisas andavam melhores. Eu terminei o curso obrigatório de francês (para poder ser babá e morar lá), na Universidade Católica, e fui aceita no nível mais alto do curso de francês da Sorbonne. Além disso, numa classe de 20 alunos estrangeiros, após fazer 8 provas finais (7 orais e 1 escrita imeeeeeeeensa), eu tinha sido a segunda melhor nota da sala (perdi para um russo lindíssimo). E fui convidada para ficar e fazer doutorado.
A proposta era muito interessante: meu mestrado lá só valeria como especialização, aqui no Brasil, por causa da diferença de sistemática do curso. Porém, o doutorado valeria da mesma forma, lá e aqui! Eu também tinha a opção de fazer o doutorado em Londres, num “combinado de faculdades públicas”, onde o Fer poderia fazer um curso também (ele dominava o inglês, lembram?). E seria muito mais interessante pra mim, profissionalmente falando, voltar para o Brasil com um doutorado que valeria como doutorado do que com um mestrado que valeria como especialização. Com 23 anos de idade eu achava que ainda tinha muito, mas muito tempo mesmo pela frente! E que não custaria nada gastar mais um aninho (ou 2), na Europa...
Além disso, a minha família já tinha me convidado para ficar com eles. Apesar da briga horrorosa pelo catchup, no primeiro mês, a gente se amava! Muito!!! Eu era, mesmo, parte da família!!! Até mãmí e o papí (vovó e vovô) me mimavam! Eu adorava os finais de semana, quando “meus pais de lá” viajavam e os avós vinham. Ela cozinhava MUITO!!! Ele tinha participado das grandes guerras mundiais e tinha histórias para contar que eu nunca ouviria em outros lugares! Era simplesmente sensacional!!!!
Se eu não ficasse com a minha família de lá, eu já tinha outros 2 convites de casas para ir. É que, algumas vezes, já que eu iria ficar em casa, cuidando dos gêmeos, eu me oferecia para ficar com os filhos dos casais que sairiam com os “meus pais”. Eu acho que eu devia fazer alguma coisa muito certa com crianças porque todas jantavam direitinho, não brigavam durante toda a noite, nos divertíamos a beça e nenhuma queria ir embora, quando os pais voltavam! Rsrsrsrs Então, 2 casais amigos dos “meus pais” já tinham me convidado pra ficar um ano com eles, SE eu não fosse ficar com a minha família, mesmo.
O final do semestre chegou, a dor de ficar sem o Fer já tinha amenizado um pouco, eu tinha mil convites para fazer mil coisas interessantes com a minha vida, e a Copa do Mundo da França começou!
Cenas dos próximos capítulos aqui.
Aquele segundo semestre na França foi bem pior do que o primeiro! Não que a cidade não me impressionasse mais (impressiona até hoje), mas eu já estava “acostumada” a tanta beleza. Não que as novidades nos museus, parques, praças não me atraíssem mais, mas eu não tinha ninguém presente pra dividir tudo aquilo, de novo. Não que as comidas tivessem perdido o sabor, mas a vida tinha... Porque não tinha beijo de boa noite, não tinha passeio de mãos dadas, não tinha brigar pela bola na partida de tênis numa quadra pública! Não tinha companhia e isso fazia TODA A DIFERENÇA!
Só na faculdade as coisas andavam melhores. Eu terminei o curso obrigatório de francês (para poder ser babá e morar lá), na Universidade Católica, e fui aceita no nível mais alto do curso de francês da Sorbonne. Além disso, numa classe de 20 alunos estrangeiros, após fazer 8 provas finais (7 orais e 1 escrita imeeeeeeeensa), eu tinha sido a segunda melhor nota da sala (perdi para um russo lindíssimo). E fui convidada para ficar e fazer doutorado.
A proposta era muito interessante: meu mestrado lá só valeria como especialização, aqui no Brasil, por causa da diferença de sistemática do curso. Porém, o doutorado valeria da mesma forma, lá e aqui! Eu também tinha a opção de fazer o doutorado em Londres, num “combinado de faculdades públicas”, onde o Fer poderia fazer um curso também (ele dominava o inglês, lembram?). E seria muito mais interessante pra mim, profissionalmente falando, voltar para o Brasil com um doutorado que valeria como doutorado do que com um mestrado que valeria como especialização. Com 23 anos de idade eu achava que ainda tinha muito, mas muito tempo mesmo pela frente! E que não custaria nada gastar mais um aninho (ou 2), na Europa...
Além disso, a minha família já tinha me convidado para ficar com eles. Apesar da briga horrorosa pelo catchup, no primeiro mês, a gente se amava! Muito!!! Eu era, mesmo, parte da família!!! Até mãmí e o papí (vovó e vovô) me mimavam! Eu adorava os finais de semana, quando “meus pais de lá” viajavam e os avós vinham. Ela cozinhava MUITO!!! Ele tinha participado das grandes guerras mundiais e tinha histórias para contar que eu nunca ouviria em outros lugares! Era simplesmente sensacional!!!!
Se eu não ficasse com a minha família de lá, eu já tinha outros 2 convites de casas para ir. É que, algumas vezes, já que eu iria ficar em casa, cuidando dos gêmeos, eu me oferecia para ficar com os filhos dos casais que sairiam com os “meus pais”. Eu acho que eu devia fazer alguma coisa muito certa com crianças porque todas jantavam direitinho, não brigavam durante toda a noite, nos divertíamos a beça e nenhuma queria ir embora, quando os pais voltavam! Rsrsrsrs Então, 2 casais amigos dos “meus pais” já tinham me convidado pra ficar um ano com eles, SE eu não fosse ficar com a minha família, mesmo.
O final do semestre chegou, a dor de ficar sem o Fer já tinha amenizado um pouco, eu tinha mil convites para fazer mil coisas interessantes com a minha vida, e a Copa do Mundo da França começou!
Cenas dos próximos capítulos aqui.
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domingo, 11 de setembro de 2011
Era uma vez 33 - Inverno em Paris! (Diário da Mirys)
Tanto o Fer, quanto a minha irmã, tinham ido pra Paris ficar quinze dias comigo. Era só para passar o Natal. Não era muita coisa, mas, pra quem estava sem se ver desde o final de agosto, era um negócio da China!!!
Só que, para poder viver lá, eu trabalhava (era babá de um casal de gêmeos de 7 anos) e estudava, lembram? Pois é... Pra poder fazer a pós em direito, eu tive que negociar alguns horários com a minha família de lá e isso queria dizer “bye bye final de semana”! Não dava pra salvar tudo. E eu preferi ir e fazer o curso do que ficar no Brasil para “sabe-se lá quando” viajar pra outro país. Pelo menos, eu estudava, trabalhava, vivia em Paris. Vamos combinar?... Tá ÓTIMO, não tá, não???
O Fer chegou na França ainda mais magro do que quando eu o deixei, no Brasil. Ele sempre foi magrinho. Nunca teve muita tendência a engordar. Mas, dava pra ver no rosto (e no corpo) dele que aqueles últimos meses não tinham sido fáceis.
Daí (só daí) ele me confessou que “tinha muita raiva da França”. Raiva porque a França tinha “me roubado dele” (no raciocínio de um mocinho apaixonado de 23 anos). E que ele fingia, mas não conseguia curtir nada, nadica de nada, quando eu ligava pra São Paulo e contava pra ele tudo o que tinha visto, comido, vivido, experimentado. Ele não tava nem aí! Ele estava com raiva...
Mas, poucos dias em Paris bastaram para mudar RADICALMENTE a opinião dele. “Mirys, é mesmo cultural como você falou!”, “Mirys, as comidas são diferentes e pouco doces e deliciosas mesmo, como você falou!”, “Mirys, essa cidade é linda, exatamente como você falou!”. Porque Paris é assim: apaixonante!!! Pode ter barulho, pode ter trânsito caótico, pode ter alguns franceses emburrados (mas tem muito mais gente legal!), pode ter preços caros... mas, AINDA ASSIM, é uma cidade belíssima, que respira cultura, cheia de opções, com gente elegante pela rua, com cores, sabores, música por todo lado. É Paris...
Resumo da ópera: os 15 dias dos dois se prolongaram! A Mari (minha irmã) ficou por um mês e o Fer decidiu ficar um pouco mais (pra minha sorte), já que estava em férias das aulas, no Brasil. Ficou quase 2 meses...
Em duas semanas, ele já se dava ao luxo de corrigir meu sotaque de 5 meses morando lá!!! Aff! Como aquele “ouvido absoluto” me irritava, às vezes...
Nos finais de semana em que a minha irmã estava por lá, ele foi viajar com ela pela Inglaterra, Suiça e outras capitais que ela queria conhecer (ela não falava uma língua estrangeira, na época, lembram?). Mas, depois que ela voltou pra casa, os finais de semana eram só nossos. Então, tudo bem se eu trabalhasse até as 6 da tarde num sábado: a gente saia pra andar do lado do Sena (no maior frio da paróquia!!!), à noite, mesmo. E tomava um café. Dividia uma taça de vinho. Jogava uma partida de tênis em quadra pública. Ou via a tarde de domingo passar num parque qualquer.
Eu adorei dividir aquele pedaço da minha vida com ele! Toda a paixão que eu tinha por “chausson aux pommes” (um tipo de folheado de maçã), ele tinha por “pain au chocolate” (croissant de chocolate). Eu tomava vinho, ele preferia refri. Eu queria comer um panini (sanduiche prensado típico parisiense), ele escolhia McDonald´s (é... tem essa porcaria por lá, também! Fazer o que? Globalização, people! Rsrsrs). Mas a gente estava JUNTO!!!! Já pensaram???
Então... nós pensamos. Pensamos porque o tempo passou e o tempo dele em Paris chegou ao fim. Me lembro certinho de pensar, já no aeroporto, despedindo dele pela segunda vez, que eu nunca iria chorar tanto na vida!!! Ledo engano... Mas, naquela hora, eu não sabia do futuro e eu chorei os tubos! Chorei de dar vexame, chorei de passar mal. Choramos, na verdade. Mas, ele foi embora com uma promessa: voltaria pra me buscar, em julho.
Só que, até julho, muito tempo iria passar....
Cenas dos próximos capítulos aqui.
Só que, para poder viver lá, eu trabalhava (era babá de um casal de gêmeos de 7 anos) e estudava, lembram? Pois é... Pra poder fazer a pós em direito, eu tive que negociar alguns horários com a minha família de lá e isso queria dizer “bye bye final de semana”! Não dava pra salvar tudo. E eu preferi ir e fazer o curso do que ficar no Brasil para “sabe-se lá quando” viajar pra outro país. Pelo menos, eu estudava, trabalhava, vivia em Paris. Vamos combinar?... Tá ÓTIMO, não tá, não???
O Fer chegou na França ainda mais magro do que quando eu o deixei, no Brasil. Ele sempre foi magrinho. Nunca teve muita tendência a engordar. Mas, dava pra ver no rosto (e no corpo) dele que aqueles últimos meses não tinham sido fáceis.
Daí (só daí) ele me confessou que “tinha muita raiva da França”. Raiva porque a França tinha “me roubado dele” (no raciocínio de um mocinho apaixonado de 23 anos). E que ele fingia, mas não conseguia curtir nada, nadica de nada, quando eu ligava pra São Paulo e contava pra ele tudo o que tinha visto, comido, vivido, experimentado. Ele não tava nem aí! Ele estava com raiva...
Mas, poucos dias em Paris bastaram para mudar RADICALMENTE a opinião dele. “Mirys, é mesmo cultural como você falou!”, “Mirys, as comidas são diferentes e pouco doces e deliciosas mesmo, como você falou!”, “Mirys, essa cidade é linda, exatamente como você falou!”. Porque Paris é assim: apaixonante!!! Pode ter barulho, pode ter trânsito caótico, pode ter alguns franceses emburrados (mas tem muito mais gente legal!), pode ter preços caros... mas, AINDA ASSIM, é uma cidade belíssima, que respira cultura, cheia de opções, com gente elegante pela rua, com cores, sabores, música por todo lado. É Paris...
Resumo da ópera: os 15 dias dos dois se prolongaram! A Mari (minha irmã) ficou por um mês e o Fer decidiu ficar um pouco mais (pra minha sorte), já que estava em férias das aulas, no Brasil. Ficou quase 2 meses...
Em duas semanas, ele já se dava ao luxo de corrigir meu sotaque de 5 meses morando lá!!! Aff! Como aquele “ouvido absoluto” me irritava, às vezes...
Nos finais de semana em que a minha irmã estava por lá, ele foi viajar com ela pela Inglaterra, Suiça e outras capitais que ela queria conhecer (ela não falava uma língua estrangeira, na época, lembram?). Mas, depois que ela voltou pra casa, os finais de semana eram só nossos. Então, tudo bem se eu trabalhasse até as 6 da tarde num sábado: a gente saia pra andar do lado do Sena (no maior frio da paróquia!!!), à noite, mesmo. E tomava um café. Dividia uma taça de vinho. Jogava uma partida de tênis em quadra pública. Ou via a tarde de domingo passar num parque qualquer.
Eu adorei dividir aquele pedaço da minha vida com ele! Toda a paixão que eu tinha por “chausson aux pommes” (um tipo de folheado de maçã), ele tinha por “pain au chocolate” (croissant de chocolate). Eu tomava vinho, ele preferia refri. Eu queria comer um panini (sanduiche prensado típico parisiense), ele escolhia McDonald´s (é... tem essa porcaria por lá, também! Fazer o que? Globalização, people! Rsrsrs). Mas a gente estava JUNTO!!!! Já pensaram???
Então... nós pensamos. Pensamos porque o tempo passou e o tempo dele em Paris chegou ao fim. Me lembro certinho de pensar, já no aeroporto, despedindo dele pela segunda vez, que eu nunca iria chorar tanto na vida!!! Ledo engano... Mas, naquela hora, eu não sabia do futuro e eu chorei os tubos! Chorei de dar vexame, chorei de passar mal. Choramos, na verdade. Mas, ele foi embora com uma promessa: voltaria pra me buscar, em julho.
Só que, até julho, muito tempo iria passar....
Cenas dos próximos capítulos aqui.
sábado, 10 de setembro de 2011
Era uma vez 32 - Presente de Natal (Diário da Mirys)
Então que eu estava na França e o Fer tinha ficado no Brasil. A decisão tinha sido nossa. As promessas de manter tudo o que a gente tinha, mesmo à distância, eram muitas. Mas o dia a dia era difícil...
No Brasil, mesmo os amigos mais próximos falavam pra ele: “acorda! Vira a página. Sai com outra! Você ACHA que ela vai te esperar, lá na França?”. Ou outras coisas suuuuper incentivadoras do tipo “Ela vai ter vários namorados lá e você nunca vai ficar sabendo...” O pior é que esses amigos gostavam de mim (antes) e ainda gostam. Isso é uma coisa de menino, mesmo. Auto-defesa, preservação da espécie, atacar antes de ser atacado, sei lá! Chame do que quiser. Mas é uma coisa típica de meninos isso... Eu, pelo menos, não conheci NENHUM menino, na época, que tivesse pensado romanticamente como uma menina e dito: “cara, fica tranquilo, ela te ama, vocês combinaram de se esperar e vai dar tudo certo”. Nenhum. Enfim...
Apesar da gente não estar mais fisicamente juntos, o Fer continuava indo pra Jaú, visitar minha família, curtir meus irmãos gêmeos (recém-adotados), conversar com os “meus”. Ele passava a semana em Sampa, trabalhando com processos (poucos) e dando aula de inglês (muitas), e visitando nossas famílias, nos finais de semana.
Numa dessas, o “menino mais velho” mais incrível da minha vida virou e disse:
Meu pai: “Fer, eu tenho um problema...”
Fer: “Fala, seu Getulio” (tô inventando a conversa, obviamente, porque eu não estava lá – só fiquei sabendo dela, depois, pelo Fer)
Meu pai: “Eu vou mandar a Mari (minha irmã logo depois de mim) pra França, pra ficar com a Mirys, no natal.”
Fer: “Que legal! A Mirys vai adorar!!!”
E eu adorei, mesmo!!! Eu estava amando, amando, amando morar naquela cidade das luzes cor-de-rosa! Cheguei olhando pra tudo e achando “muito igual São Paulo ou qualquer outra cidade grande no mundo”. Pensava que não entendia o motivo de taaaanto drama sobre Paris. Não era, assim, tudo isso... Mas era!!! Pouco tempo me mostrou que aquela cidade tinha muitas coisas normais de cidade grande, mas... era LINDÍSSIMA, era romântica, era culta, era de uma gastronomia deliciosa, era perfeita. Era Paris, afinal de contas!!! A cidade mais visitada e mais linda do mundo todo!!!!
Porém, eu me sentia a pessoa mais egoísta do mundo porque “só eu” podia ver tudo aquilo, sentir aqueles cheiros, parar numa boulangerie e comer um pão de chocolate no final da tarde, ouvir aquela língua que parece música, gastar o fim de tarde lendo um livro bom numa praça qualquer, tomar vinho no almoço e no jantar, viver aquela experiência riquíssima! Da minha família, só eu tinha essa oportunidade. E não era justo!!! Eu tinha pai, tinha mãe (que nunca tinha ido pra Europa), tinha 9 irmãos, tinha muitos tios e tias, primos e primas, amigos amadíssimos como irmãos e só eu tinha a chance de ver e viver tudo aquilo. Eu me sentia injusta...
Quando meu pai me ligou e me disse que me mandaria minha irmã, no natal, eu vibrei no telefone!!! Finalmente! Finalmente eu iria poder dividir aquilo tudo com alguém!!! Finalmente!!!!!!!
Meu pai: “Filha, escolhe um presente, que eu vou te mandar pela Mari...”
Eu: “Paizinho, não precisa de nada, não! Imagina! O senhor já vai mandar a minha irmã pra cá! Tá perfeito!!! Pra mim, é mais do que suficiente!!!”
E o grande dia de buscar a Mari no aeroporto chegou. Quanta saudade!!! Quase 5 meses sem nos vermos. É muita coisa pra quem tinha vivido 22 anos juntas!!! Fui pro aeroporto preparada para carregar peso: tudo o que eu tenho de econômica em malas, a Mari tem de exagerada prevenida.
Lá fiquei eu... encostadinha naquela trave de ferro que separa as pessoas que esperam daquelas que são esperadas. E uma porta de vidro fosco se abre, e alguém amado por outro alguém sai de lá de dentro. Desembarca do avião e embarca nos braços de quem o espera. Lá estava eu. Esperando a Mari e suas mil malas. Num mega frio de dezembro em Paris. Quando....
(Tá bom. Vou continuar. Colher de chá! Mas é só desta vez, tá?)
Quando a tal porta fosca se abre e a Mari sai de lá de dentro. Com um carrinho com uma mísera mala. Mas, vestindo o casaco do Fernando. SACANAGEM!!!! Primeiro eu abracei e beijei muito a minha irmã. Depois, tive que fazer o comentário: “você PRECISAVA ter vindo justamente com essa blusa???? Não tinham agasalhos de menina, novo, rosa, lá no Brasil, não?????”
Mas, a porta fosca abriu de novo. E por trás de trezentas malas da minha irmã (agora sim!), o Fer empurrava um carrinho. Eu chorei. Eu sorri. Eu beijei. Eu chorei de novo. Eles tinham vindo, os 2, para passar quinze dias comigo.... Ah! 15 dias!!!
PS: o resto da conversa do meu pai com o Fer foi assim (segundo ele me contou)
Meu pai: “Então, FEr... vou mandar a Mari pra lá, mas ela não fala francês. Nem inglês...”
Fer: “Tudo bem, seu Getulio. Eu ensino inglês pra ela, as coisas básicas, rapidinho.”
Meu pai: “Mas... eu tinha uma outra ideia...” e estendeu uma passagem pro Fer.
Fer: “Mas, seu Getulio, eu NÃO POSSO ACEITAR esse presente. É muito caro, é descabido, o senhor tem outros filhos, é demais pra mim, é...”
Meu pai: “Fer, você não está entendendo. Esse presente não é seu. É da Mirys. Você é o presente. E eu preciso que você entre naquele avião...”
Depois de uns dias de confusão e indecisão por parte do Fer, com uma ajudinha básica da minha sogra para que ele aceitasse ser o meu presente, ele pegou a passagem, entrou no avião e não me avisou nada.
Cenas do próximo capítulo aqui
No Brasil, mesmo os amigos mais próximos falavam pra ele: “acorda! Vira a página. Sai com outra! Você ACHA que ela vai te esperar, lá na França?”. Ou outras coisas suuuuper incentivadoras do tipo “Ela vai ter vários namorados lá e você nunca vai ficar sabendo...” O pior é que esses amigos gostavam de mim (antes) e ainda gostam. Isso é uma coisa de menino, mesmo. Auto-defesa, preservação da espécie, atacar antes de ser atacado, sei lá! Chame do que quiser. Mas é uma coisa típica de meninos isso... Eu, pelo menos, não conheci NENHUM menino, na época, que tivesse pensado romanticamente como uma menina e dito: “cara, fica tranquilo, ela te ama, vocês combinaram de se esperar e vai dar tudo certo”. Nenhum. Enfim...
Apesar da gente não estar mais fisicamente juntos, o Fer continuava indo pra Jaú, visitar minha família, curtir meus irmãos gêmeos (recém-adotados), conversar com os “meus”. Ele passava a semana em Sampa, trabalhando com processos (poucos) e dando aula de inglês (muitas), e visitando nossas famílias, nos finais de semana.
Numa dessas, o “menino mais velho” mais incrível da minha vida virou e disse:
Meu pai: “Fer, eu tenho um problema...”
Fer: “Fala, seu Getulio” (tô inventando a conversa, obviamente, porque eu não estava lá – só fiquei sabendo dela, depois, pelo Fer)
Meu pai: “Eu vou mandar a Mari (minha irmã logo depois de mim) pra França, pra ficar com a Mirys, no natal.”
Fer: “Que legal! A Mirys vai adorar!!!”
E eu adorei, mesmo!!! Eu estava amando, amando, amando morar naquela cidade das luzes cor-de-rosa! Cheguei olhando pra tudo e achando “muito igual São Paulo ou qualquer outra cidade grande no mundo”. Pensava que não entendia o motivo de taaaanto drama sobre Paris. Não era, assim, tudo isso... Mas era!!! Pouco tempo me mostrou que aquela cidade tinha muitas coisas normais de cidade grande, mas... era LINDÍSSIMA, era romântica, era culta, era de uma gastronomia deliciosa, era perfeita. Era Paris, afinal de contas!!! A cidade mais visitada e mais linda do mundo todo!!!!
Porém, eu me sentia a pessoa mais egoísta do mundo porque “só eu” podia ver tudo aquilo, sentir aqueles cheiros, parar numa boulangerie e comer um pão de chocolate no final da tarde, ouvir aquela língua que parece música, gastar o fim de tarde lendo um livro bom numa praça qualquer, tomar vinho no almoço e no jantar, viver aquela experiência riquíssima! Da minha família, só eu tinha essa oportunidade. E não era justo!!! Eu tinha pai, tinha mãe (que nunca tinha ido pra Europa), tinha 9 irmãos, tinha muitos tios e tias, primos e primas, amigos amadíssimos como irmãos e só eu tinha a chance de ver e viver tudo aquilo. Eu me sentia injusta...
Quando meu pai me ligou e me disse que me mandaria minha irmã, no natal, eu vibrei no telefone!!! Finalmente! Finalmente eu iria poder dividir aquilo tudo com alguém!!! Finalmente!!!!!!!
Meu pai: “Filha, escolhe um presente, que eu vou te mandar pela Mari...”
Eu: “Paizinho, não precisa de nada, não! Imagina! O senhor já vai mandar a minha irmã pra cá! Tá perfeito!!! Pra mim, é mais do que suficiente!!!”
E o grande dia de buscar a Mari no aeroporto chegou. Quanta saudade!!! Quase 5 meses sem nos vermos. É muita coisa pra quem tinha vivido 22 anos juntas!!! Fui pro aeroporto preparada para carregar peso: tudo o que eu tenho de econômica em malas, a Mari tem de exagerada prevenida.
Lá fiquei eu... encostadinha naquela trave de ferro que separa as pessoas que esperam daquelas que são esperadas. E uma porta de vidro fosco se abre, e alguém amado por outro alguém sai de lá de dentro. Desembarca do avião e embarca nos braços de quem o espera. Lá estava eu. Esperando a Mari e suas mil malas. Num mega frio de dezembro em Paris. Quando....
(Tá bom. Vou continuar. Colher de chá! Mas é só desta vez, tá?)
Quando a tal porta fosca se abre e a Mari sai de lá de dentro. Com um carrinho com uma mísera mala. Mas, vestindo o casaco do Fernando. SACANAGEM!!!! Primeiro eu abracei e beijei muito a minha irmã. Depois, tive que fazer o comentário: “você PRECISAVA ter vindo justamente com essa blusa???? Não tinham agasalhos de menina, novo, rosa, lá no Brasil, não?????”
Mas, a porta fosca abriu de novo. E por trás de trezentas malas da minha irmã (agora sim!), o Fer empurrava um carrinho. Eu chorei. Eu sorri. Eu beijei. Eu chorei de novo. Eles tinham vindo, os 2, para passar quinze dias comigo.... Ah! 15 dias!!!
PS: o resto da conversa do meu pai com o Fer foi assim (segundo ele me contou)
Meu pai: “Então, FEr... vou mandar a Mari pra lá, mas ela não fala francês. Nem inglês...”
Fer: “Tudo bem, seu Getulio. Eu ensino inglês pra ela, as coisas básicas, rapidinho.”
Meu pai: “Mas... eu tinha uma outra ideia...” e estendeu uma passagem pro Fer.
Fer: “Mas, seu Getulio, eu NÃO POSSO ACEITAR esse presente. É muito caro, é descabido, o senhor tem outros filhos, é demais pra mim, é...”
Meu pai: “Fer, você não está entendendo. Esse presente não é seu. É da Mirys. Você é o presente. E eu preciso que você entre naquele avião...”
Depois de uns dias de confusão e indecisão por parte do Fer, com uma ajudinha básica da minha sogra para que ele aceitasse ser o meu presente, ele pegou a passagem, entrou no avião e não me avisou nada.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Era uma vez 31 - Vive la France!!! (Diário da Mirys)
Todo mundo foi me levar para o aeroporto, no dia 31 de agosto de 1997. Era um grandissíssimo evento, naquela época, quando um filho ia passar um ano fora! Então, meus pais alugaram uma mini van e lá fomos todos nós: pai + mãe + eu + 9 irmãos + Fer. Tenho fotos deste dia guardadas até hoje!... Claro que o aeroporto de Guarulhos nunca viu chororô igual àquele!!! Era a primeira filha que partia naquela família enorme, a irmã mais velha, a namorada/noiva. E todo mundo chorava. Muito!!!!
Eu e o Fer fizemos mil promessas, de escrever sempre, de ligar pelo menos 1 vez por mês cada um, de não ficarmos com outras pessoas. Mas, a gente sabia que seria difícil manter “nós dois” intactos por um ano. Não tinha celular, na época. Nem promoções para ligações internacionais. Nem a internet era o que é hoje. Eu nem tinha e-mail!!! Mas a gente prometeu, prometeu, prometeu. E chorou...
Depois da sala de embarque, encontrei com outras 3 garotas que viajariam comigo. Cada uma no seu momento de vida, cada uma por razões diferentes, mas todas as 4 viajando sozinhas, sem conhecer ninguém (nem a gente se conhecia!), sem saber francês fluente, cheias de expectativas. Quando fomos entrar no avião, achamos uma “janelinha” no corredor que leva até a aeronave e dava pra ver as janelas do aeroporto. Paramos eu e a Bic pra acenar pra família dela – toda no 3º andar, bem na altura da janela do avião, onde dava pra ver perfeitamente, junto com vários outros estranhos acenando também. Famílias de outras pessoas.
Eu: “É Bic... vamos. Que eu acho que a minha família já foi embora...”
Bic: “Vamos. PERAÍ!!! Mirys, olha ali! No andar de baixo!!! Não é a sua família????”
Só podia ser! 12 pessoas acenavam alucinadamente para o avião, mandavam beijos, falavam “tchau” por leitura labial, pulavam para serem vistas. Era a minha família!!!! E, no cantinho, tinha um moço magrinho, com uma das mãos apoiadas no vidro, só me olhando... Não falava, não mandava beijo, não pulava. Mas ele estava ali, me observando.
Eu descobri a vida daquelas outras 3 meninas, durante as várias horas de vôo. Uma tinha acabado de terminar o colegial e tinha perdido o pai – ia tentar uma vida longe e decidir qual profissão teria. Uma tinha terminado a faculdade e era fashion o suficiente para saber tudo de Paris e ter o sonho de morar lá – ia tentar uma vida única. Uma trabalhava numa biblioteca, era filha de um víuvo de muito tempo e tia de uma garotinha que tinha acabado de nascer - ia tentar uma vida com mais oportunidades. E eu! Incrível como as pessoas são diferentes e, mesmo assim, se encontram, não é? Então, fizemos nossas apostas, com base naquilo que conversamos no avião. 2 a gente tinha certeza de que voltariam para o Brasil, depois de um ano; 1 talvez voltasse, talvez não voltasse, talvez fosse morar em outro país; 1 não voltaria. Certeza. Eu era essa última, nas apostas das meninas. (PS: de todas, eu fui a única que voltou, depois de um ano! Há! A vida dá suas voltas...)
Chegando no aeroporto de Paris, pegamos nossas malas e... sentamos no chão! As 4! Umas choravam, outras estavam em transe. Mas nenhuma, nenhuma queria atravessar aquela portinha do desembarque!!! Porque, daí, seria oficial: uma vida nova começaria! Com gente que a gente nunca tinha visto antes, com comidas que a gente nunca tinha provado, numa língua que a gente não dominava, numa cidade que a gente não conhecia, sem recursos para ligar e gritar por socorro! Isso dá um embrulho no estomago... Mas, daí, uma de nós se levantou e disse: “a gente já veio até aqui, mesmo!”. Era verdade. E eu atravessei a porta e vi as duas crianças mais loiras da minha vida segurando uma plaquinha com o meu nome: “Mirrrriane”.
Passei um mês tendo dores de cabeça diárias! Porque estudar uma língua qualquer, duas vezes por semana, durante uma hora, é fácil, é simples, é bacana, a cabeça assimila. Agora, quando você precisa conversar com duas crianças EM FRANCÊS, comprar sua própria comida EM FRANCÊS, pedir para ir no banheiro EM FRANCÊS, assistir tv EM FRANCÊS, pedir uma direção na rua EM FRANCÊS, escutar música no rádio EM FRANCES, ir no cinema ver um filme do Tom Cruise EM FRANCÊS, a sua cabeça doi. Muito! (PS: os filmes são quase 100% dublados na França e em outros países da Europa. Acho uma idiotice, mas...) (PS2: prefiro miiiiiiiiiiiil vezes o Tom Cruise – amo, amo, amo! – com a voz dele, mesmo! Em francês, alemão ou espanhol fica ridículo! #prontofalei!)
No final daquele primeiro mês, eu tive uma briga com o Pierre (menininho de quem eu cuidava que, na verdade, era adorável! Mas, naquele dia, estava dificílimo). Por causa de um catchup. Foi horrível, horrível, horrível. Me senti incapaz de cuidar de crianças (isso porque eu sou a mais velha de 10! DEZ, people!!! Não é pouca gente, não!...). Me senti incapaz de me comunicar. Me senti incapaz de ficar aquele ano todo ali. Deu saudade... E eu chorei, e reclamei com o travesseiro, e briguei sozinha, e esbravejei. EM PORTUGUÊS. Ah!... Que alívio!!!! E liguei pro Brasil. Falei com o meu pai, que me acalmou. Falei com a minha mãe, que me incentivou. Não aguentei, gastei o meu salário do mês, e liguei para o Fer. Ouvi a voz dele e me acalmei.
Decidi que, dali pra frente, ia ser diferente! Eu SÓ tinha um ano em Paris! Não ia perder meu precioso tempo com coisas irrelevantes! Eu ia aprender, ia passear com as crianças, ia me familiarizar com o lugar, ia me inserir no contexto, ia VIVER em Paris. Ponto!
Com 4 meses morando lá, eu tive meu primeiro sonho em francês! Que conquista!!!! Naquela altura do campeonato, eu já falava tranquilamente a língua. Até com as minhas amigas brasileiras (apesar da vergonha). A gente se comunicava: não importava a língua. Mas, sonhar? Ah, sonhar é diferente! É incontrolável, não dá pra comandar. Então, quando eu acordei naquele dia de dezembro, tive uma ótima sensação de “ahá! Agora vai!!!”.
Mas, eu ainda teria que ficar ali por mais 8 meses... e o Natal chegava... a saudade apertava... e eu não tinha dinheiro pra voltar pro Brasil. Só que o Natal é uma festa de ficar perto de quem se gosta, de ganhar abraços e beijos...
Enquanto isso, no Brasil....
Cenas do próximo capítulo aqui.
OS: naquele dia 31 de agosto de 1997, a princesa Diana foi perseguida por fotógrafos, em Paris e acabou morrendo. Eu cheguei na cidade, no dia seguinte. Era impressionante e tocante ver o modo como pessoas do mundo todo, em pouquíssimo tempo, inundaram as ruas de Paris e deixaram inúmeras flores, mensagens e cartas para ela, no monumento que existe bem em cima do túnel onde ela veio a falecer. Algumas pessoas realmente deixam uma marca boa no mundo, não?
Eu e o Fer fizemos mil promessas, de escrever sempre, de ligar pelo menos 1 vez por mês cada um, de não ficarmos com outras pessoas. Mas, a gente sabia que seria difícil manter “nós dois” intactos por um ano. Não tinha celular, na época. Nem promoções para ligações internacionais. Nem a internet era o que é hoje. Eu nem tinha e-mail!!! Mas a gente prometeu, prometeu, prometeu. E chorou...
Depois da sala de embarque, encontrei com outras 3 garotas que viajariam comigo. Cada uma no seu momento de vida, cada uma por razões diferentes, mas todas as 4 viajando sozinhas, sem conhecer ninguém (nem a gente se conhecia!), sem saber francês fluente, cheias de expectativas. Quando fomos entrar no avião, achamos uma “janelinha” no corredor que leva até a aeronave e dava pra ver as janelas do aeroporto. Paramos eu e a Bic pra acenar pra família dela – toda no 3º andar, bem na altura da janela do avião, onde dava pra ver perfeitamente, junto com vários outros estranhos acenando também. Famílias de outras pessoas.
Eu: “É Bic... vamos. Que eu acho que a minha família já foi embora...”
Bic: “Vamos. PERAÍ!!! Mirys, olha ali! No andar de baixo!!! Não é a sua família????”
Só podia ser! 12 pessoas acenavam alucinadamente para o avião, mandavam beijos, falavam “tchau” por leitura labial, pulavam para serem vistas. Era a minha família!!!! E, no cantinho, tinha um moço magrinho, com uma das mãos apoiadas no vidro, só me olhando... Não falava, não mandava beijo, não pulava. Mas ele estava ali, me observando.
Eu descobri a vida daquelas outras 3 meninas, durante as várias horas de vôo. Uma tinha acabado de terminar o colegial e tinha perdido o pai – ia tentar uma vida longe e decidir qual profissão teria. Uma tinha terminado a faculdade e era fashion o suficiente para saber tudo de Paris e ter o sonho de morar lá – ia tentar uma vida única. Uma trabalhava numa biblioteca, era filha de um víuvo de muito tempo e tia de uma garotinha que tinha acabado de nascer - ia tentar uma vida com mais oportunidades. E eu! Incrível como as pessoas são diferentes e, mesmo assim, se encontram, não é? Então, fizemos nossas apostas, com base naquilo que conversamos no avião. 2 a gente tinha certeza de que voltariam para o Brasil, depois de um ano; 1 talvez voltasse, talvez não voltasse, talvez fosse morar em outro país; 1 não voltaria. Certeza. Eu era essa última, nas apostas das meninas. (PS: de todas, eu fui a única que voltou, depois de um ano! Há! A vida dá suas voltas...)
Chegando no aeroporto de Paris, pegamos nossas malas e... sentamos no chão! As 4! Umas choravam, outras estavam em transe. Mas nenhuma, nenhuma queria atravessar aquela portinha do desembarque!!! Porque, daí, seria oficial: uma vida nova começaria! Com gente que a gente nunca tinha visto antes, com comidas que a gente nunca tinha provado, numa língua que a gente não dominava, numa cidade que a gente não conhecia, sem recursos para ligar e gritar por socorro! Isso dá um embrulho no estomago... Mas, daí, uma de nós se levantou e disse: “a gente já veio até aqui, mesmo!”. Era verdade. E eu atravessei a porta e vi as duas crianças mais loiras da minha vida segurando uma plaquinha com o meu nome: “Mirrrriane”.
Passei um mês tendo dores de cabeça diárias! Porque estudar uma língua qualquer, duas vezes por semana, durante uma hora, é fácil, é simples, é bacana, a cabeça assimila. Agora, quando você precisa conversar com duas crianças EM FRANCÊS, comprar sua própria comida EM FRANCÊS, pedir para ir no banheiro EM FRANCÊS, assistir tv EM FRANCÊS, pedir uma direção na rua EM FRANCÊS, escutar música no rádio EM FRANCES, ir no cinema ver um filme do Tom Cruise EM FRANCÊS, a sua cabeça doi. Muito! (PS: os filmes são quase 100% dublados na França e em outros países da Europa. Acho uma idiotice, mas...) (PS2: prefiro miiiiiiiiiiiil vezes o Tom Cruise – amo, amo, amo! – com a voz dele, mesmo! Em francês, alemão ou espanhol fica ridículo! #prontofalei!)
No final daquele primeiro mês, eu tive uma briga com o Pierre (menininho de quem eu cuidava que, na verdade, era adorável! Mas, naquele dia, estava dificílimo). Por causa de um catchup. Foi horrível, horrível, horrível. Me senti incapaz de cuidar de crianças (isso porque eu sou a mais velha de 10! DEZ, people!!! Não é pouca gente, não!...). Me senti incapaz de me comunicar. Me senti incapaz de ficar aquele ano todo ali. Deu saudade... E eu chorei, e reclamei com o travesseiro, e briguei sozinha, e esbravejei. EM PORTUGUÊS. Ah!... Que alívio!!!! E liguei pro Brasil. Falei com o meu pai, que me acalmou. Falei com a minha mãe, que me incentivou. Não aguentei, gastei o meu salário do mês, e liguei para o Fer. Ouvi a voz dele e me acalmei.
Decidi que, dali pra frente, ia ser diferente! Eu SÓ tinha um ano em Paris! Não ia perder meu precioso tempo com coisas irrelevantes! Eu ia aprender, ia passear com as crianças, ia me familiarizar com o lugar, ia me inserir no contexto, ia VIVER em Paris. Ponto!
Com 4 meses morando lá, eu tive meu primeiro sonho em francês! Que conquista!!!! Naquela altura do campeonato, eu já falava tranquilamente a língua. Até com as minhas amigas brasileiras (apesar da vergonha). A gente se comunicava: não importava a língua. Mas, sonhar? Ah, sonhar é diferente! É incontrolável, não dá pra comandar. Então, quando eu acordei naquele dia de dezembro, tive uma ótima sensação de “ahá! Agora vai!!!”.
Mas, eu ainda teria que ficar ali por mais 8 meses... e o Natal chegava... a saudade apertava... e eu não tinha dinheiro pra voltar pro Brasil. Só que o Natal é uma festa de ficar perto de quem se gosta, de ganhar abraços e beijos...
Enquanto isso, no Brasil....
Cenas do próximo capítulo aqui.
OS: naquele dia 31 de agosto de 1997, a princesa Diana foi perseguida por fotógrafos, em Paris e acabou morrendo. Eu cheguei na cidade, no dia seguinte. Era impressionante e tocante ver o modo como pessoas do mundo todo, em pouquíssimo tempo, inundaram as ruas de Paris e deixaram inúmeras flores, mensagens e cartas para ela, no monumento que existe bem em cima do túnel onde ela veio a falecer. Algumas pessoas realmente deixam uma marca boa no mundo, não?
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Era uma vez 30 - "Eu te espero" (Diário da Mirys)
Podia ser que aqueles documentos nem chegassem em Paris a tempo!... E deixa eu te contar que, na Europa, não existe o tal jeitinho brasileiro!!! Se os documentos chegassem com um minutinho de atraso, estariam ATRASADOS e não seriam aceitos. Então, eu e o Fer colocamos tudo bonitinho, traduzidinho, arrumadinho no envelope da DHL, cruzamos os dedos e esperamos...
Os documentos chegaram, na casa da Sophie, às 4hs da tarde da quinta-feira. Ela saiu correndo e conseguiu fazer minha inscrição na faculdade de direito!!!
Quando ela ligou pra contar que os papéis pras inscrições (faculdade de direito, escola de francês e centro de intercâmbio) tinham chego, eu e o Fer sabíamos que era a hora de sentar e conversar sério sobre o assunto. Porque a gente vinha vivendo “como se isso não estivesse acontecendo”, como se fosse só um sonho, ainda, e não uma possibilidade.
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Tem taaaaanta coisa pra acontecer, ainda. A gente não precisa de desgastar já.”
Ele tinha razão. Ele sabia que eu SÓ iria se fosse pra fazer o mestrado. E, para isso acontecer, eu tinha que (a) ser aceita no mestrado, (b) ser aceita no curso de francês para poder encontrar uma família com a qual eu moraria e para quem trabalharia, (c) encontrar uma família que topasse não ter uma babá à disposição 100% do tempo, mas que estudaria numa faculdade também, (d) juntar dinheiro para pagar a passagem. Era muita coisa!!!
Fui ver minhas economias de trabalhar um ano quase em São Paulo. Quase dava! Então, meu chefe (aquele, o bravo), que tinha um coração maior do que ele, me disse que me mandaria embora e pagaria todos os extras que eu teria direito. O dinheiro dava!!!
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Ainda falta muita coisa...”
Numa tarde, chegando em casa, recebo uma cartinha da escola de francês: eu tinha sido aceita!
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Você não vai sem o curso de direito, vai? Ainda falta muita coisa...”
Noutro dia, a gente recebe a resposta da faculdade de Paris: eu tinha conseguido!!! Em meio a quase 10 mil candidatos, de vários países, eles tinham topado dar uma chance para essa brasileirinha que vos escreve! Era inacreditável!!! Mas, eu não teria como me manter lá, então...
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Sem a família francesa, você não tem dinheiro, nem onde morar. Ainda falta alguma coisa...”
Só que, numa tarde de sábado (que, graças a Deus, eu fiquei em São Paulo) o telefone tocou. Era uma francesa chamada Anne, mãe de gêmeos de 7 anos, que me ligou falando um francês devagar e fácil de entender. Conversamos também em inglês. Ela falando devagar, pausado, pronunciando cada palavra. Eu, pra variar, aceleradíssima! Era surreal aquilo de estar conversando com alguém do outro lado do mundo!!! Desligamos o telefone. E eu sabia que precisava conversar com aquele moço que nem me olhava no rosto, naquele momento... ele lia uma revista, no sofá, como se aquilo não fosse nada, nem fosse mudar radicalmente o nosso próximo ano. Porque uma coisa era morar em cidades separadas e ter que viajar por 3 horas, quando a saudade batesse. Outra coisa, bem diferente, era morar em continentes diferentes... por, no mínimo, um ano...
Eu: “Fer...”
Fer: “Eles ligaram, não foi?...”
Eu: “Foi...”
Fer: “E aí? Você gostou da voz, do que conversou?”
Eu contei a conversa.
Fer: “Você falou pra eles da faculdade de direito?...”
Eu: “Falei, Fer. Eles também fizeram direito. A casa deles é 4 quadras da faculdade.”
Fer: “E eles toparam??? Toparam você fazer seu curso extra??” (sinceramente feliz por mim)
Eu: “Ela me disse que a gente pode organizar os horários e eu posso ajudar na casa nos finais de semana, também. O marido dela é apresentador de TV e eles têm muitos convites para eventos aos finais de semana. Eu perderei meus sábados e domingos, mas... poderei fazer meu mestrado.”
Fer: “Que bom!!! Que incrível!!! Parabéns!!!!”
Silêncio...
Eu: “Mas, Fer... e a gente?”
Fer: “Pode ir, Mirys. É o seu sonho. Vai. Vai que eu te espero!”
Naquele dia, naquela frase, eu decidi que me casaria com aquele garoto!
Cenas do próximo capítulo aqui.
Os documentos chegaram, na casa da Sophie, às 4hs da tarde da quinta-feira. Ela saiu correndo e conseguiu fazer minha inscrição na faculdade de direito!!!
Quando ela ligou pra contar que os papéis pras inscrições (faculdade de direito, escola de francês e centro de intercâmbio) tinham chego, eu e o Fer sabíamos que era a hora de sentar e conversar sério sobre o assunto. Porque a gente vinha vivendo “como se isso não estivesse acontecendo”, como se fosse só um sonho, ainda, e não uma possibilidade.
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Tem taaaaanta coisa pra acontecer, ainda. A gente não precisa de desgastar já.”
Ele tinha razão. Ele sabia que eu SÓ iria se fosse pra fazer o mestrado. E, para isso acontecer, eu tinha que (a) ser aceita no mestrado, (b) ser aceita no curso de francês para poder encontrar uma família com a qual eu moraria e para quem trabalharia, (c) encontrar uma família que topasse não ter uma babá à disposição 100% do tempo, mas que estudaria numa faculdade também, (d) juntar dinheiro para pagar a passagem. Era muita coisa!!!
Fui ver minhas economias de trabalhar um ano quase em São Paulo. Quase dava! Então, meu chefe (aquele, o bravo), que tinha um coração maior do que ele, me disse que me mandaria embora e pagaria todos os extras que eu teria direito. O dinheiro dava!!!
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Ainda falta muita coisa...”
Numa tarde, chegando em casa, recebo uma cartinha da escola de francês: eu tinha sido aceita!
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Você não vai sem o curso de direito, vai? Ainda falta muita coisa...”
Noutro dia, a gente recebe a resposta da faculdade de Paris: eu tinha conseguido!!! Em meio a quase 10 mil candidatos, de vários países, eles tinham topado dar uma chance para essa brasileirinha que vos escreve! Era inacreditável!!! Mas, eu não teria como me manter lá, então...
Eu: “Fer, a gente precisa conversar sobre a França...”
Fer: “Calma, Mirys. Sem a família francesa, você não tem dinheiro, nem onde morar. Ainda falta alguma coisa...”
Só que, numa tarde de sábado (que, graças a Deus, eu fiquei em São Paulo) o telefone tocou. Era uma francesa chamada Anne, mãe de gêmeos de 7 anos, que me ligou falando um francês devagar e fácil de entender. Conversamos também em inglês. Ela falando devagar, pausado, pronunciando cada palavra. Eu, pra variar, aceleradíssima! Era surreal aquilo de estar conversando com alguém do outro lado do mundo!!! Desligamos o telefone. E eu sabia que precisava conversar com aquele moço que nem me olhava no rosto, naquele momento... ele lia uma revista, no sofá, como se aquilo não fosse nada, nem fosse mudar radicalmente o nosso próximo ano. Porque uma coisa era morar em cidades separadas e ter que viajar por 3 horas, quando a saudade batesse. Outra coisa, bem diferente, era morar em continentes diferentes... por, no mínimo, um ano...
Eu: “Fer...”
Fer: “Eles ligaram, não foi?...”
Eu: “Foi...”
Fer: “E aí? Você gostou da voz, do que conversou?”
Eu contei a conversa.
Fer: “Você falou pra eles da faculdade de direito?...”
Eu: “Falei, Fer. Eles também fizeram direito. A casa deles é 4 quadras da faculdade.”
Fer: “E eles toparam??? Toparam você fazer seu curso extra??” (sinceramente feliz por mim)
Eu: “Ela me disse que a gente pode organizar os horários e eu posso ajudar na casa nos finais de semana, também. O marido dela é apresentador de TV e eles têm muitos convites para eventos aos finais de semana. Eu perderei meus sábados e domingos, mas... poderei fazer meu mestrado.”
Fer: “Que bom!!! Que incrível!!! Parabéns!!!!”
Silêncio...
Eu: “Mas, Fer... e a gente?”
Fer: “Pode ir, Mirys. É o seu sonho. Vai. Vai que eu te espero!”
Naquele dia, naquela frase, eu decidi que me casaria com aquele garoto!
Cenas do próximo capítulo aqui.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Era uma vez 29 - Caso ou compro uma (bicicleta) passagem de avião???
Eu morava em São Paulo há quase um ano e o Fer tinha se mudado pra lá há 6 meses. Eu morava com meu irmão + um primo + um tio, num apartamento perto da avenida paulista. Ele morava num apartamento em Santana, que só tinha uma geladeira, um fogão e um colchão, onde tinha uma população flutuante, durante a semana (tios e primos que precisavam de um lugar em Sampa pra dormir). Era longe pra caramba, um lugar do outro. Mas, tudo bem. TUDO BEM!!! Eu e a minha mania de Poliana não podíamos deixar de pensar que, pelo menos, a gente estava na mesma cidade! Então, estava tudo bem!!!
E estava mesmo. A gente sempre dava um jeitinho de se encontrar, no final do dia, quase todo dia! E começamos a ficar em São Paulo, em alguns finais de semana, ao invés de voltarmos pro interior (onde teríamos que nos dividir entre as famílias, que moravam em cidades próximas, mas diferentes).
Até que, um dia, eu recebo um telefonema. Da Sophie!
(volta no tempo, urgente, agora!)
Uma das minhas irmãs encasquetou que queria aprender a falar francês. E não tinha francês na nossa cidade (Jaú). Mas, em Bauru, onde eu fazia faculdade, tinha. Dentro da minha faculdade, inclusive! Só que, pra isso, ela teria que viajar num ônibus de estudantes de faculdade, por 1 hora, uma noite por semana, fazer 1 hora de aula e... ficar na faculdade, de bobeira, esperando o ônibus pra voltar pra casa! Com 15 anos!!! Ló-gi-co que ela queria MUITO tudo isso!!! Mas, meu pai, que não era bobo, nem nada, decidiu que “tudo bem SE você convencer a sua irmã (no caso, eu) a fazer o curso com você e SE você for pra casa dela depois da aula, até a hora do ônibus voltar”. Então, ela veio correndo falar comigo, fez biquinho, pediu, implorou, me comprou muitos chocolates pretos de suborno e... eu já tinha topado quando ela veio só falar comigo!!! Adoro, simplesmente adoro aprender outras línguas! É sério! Tenho um problema com isso!!! Então, quando ela me apareceu com aquela proposta indecente, eu topei na hora!!!!!!
A nossa professora de francês era a Sophie, uma francesa legítima, cheia de sotaque e com um humor tipicamente francês (Sophi, je t´aime, quando même!!!!). Encurtando a história, eu empolguei (pra variar) e fiz 1 ano e meio de francês, aplicadíssima!!! E a minha irmã? Parou depois de 6 meses e nunca mais falou francês... Coisas da vida...
Enquanto eu fazia francês, virei amiga da Sophi. Ela teve um filho fofo! Eu comprei presentinhos pra ele. Nós fizemos algumas jantinhas em casa. E ela sabia que eu era apaixonada por línguas, viagens, culturas, que tinha muita vontade de morar um tempo em algum lugar que falasse outra língua. E já tinha me convidado, algumas vezes, para participar de programas de intercâmbio, do tipo “você vai ser baba em outro país e pode falar que você morou lá fora”. Tá bom... hoje isso está mais comum. Mas, no meio dos anos 90, isso era raríssimo! E chique! Mas, eu não queria ser chique. Eu queria morar fora, provar comidas diferentes, ficar fluente em outra língua, aprender outros jeitos de ver o mundo. Então, eu tinha recusado todas as vezes que a proposta era “morar na França, por um ano, estudando francês”. Eu dizia que não ia pegar meus dois diplomas de faculdade, colocar na gaveta e ir morar um ano na Europa só pra dizer que tinha ido. Eu nem tinha grana pra isso! Nem meus pais tinham. Então, não fui...
(acabou a pausa. Volta pra 1997)
Sophie: “oi Mirrrrrys!”
Eu: “oi Sophi! Que saudade! Tudo bem, mulher?”
Sophie: “Mirrrys, seguinte: tô em Paris, visitando meus pais. Você ainda quer vir pra cá SE for pra estudar?”
Eu: “Como assim, Sophi?”
Sophie: “Seguinte: a faculdade de Paris está com matrículas abertas para o DSU, que é um tipo de mestrado aqui, para o curso de Direito. Mas, você não tem dinheiro para ficar aqui, então teria que ser babá, mesmo assim, pra se manter. E pra ser babá, você vai ter que estudar francês numa escola daqui e morar com uma família. E eu não sei se a família que te escolher vai aceitar você fazer francês E direito. E as inscrições vão só até quinta. E tem só 20 vagas para estrangeiros e mais de 6000 inscritos. Mas, você quer?”
Eu: “EU QUERO!!!!”
Sophie: “Então, pega um papel e anota todos os documentos que você tem que me mandar, até quinta, às 4 e meia da tarde, daqui de Paris. Tem que vir tudo com tradução juramentada.”
Era muita coisa. E as chances eram muito pequenas! E tinham os complicadores: uma parte dos meus documentos estavam em Jaú (casa dos meus pais), parte em Bauru (casa da minha vó, minha última casa), parte em São Paulo, comigo. E traduzir tudo ficava uma grana horrorosa!!! E eu tinha que conseguir 2 cartas de recomendação, em francês ou inglês. Uma família tinha que me escolher e aceitar que eu fizesse mestrado além do curso de francês (o curso de francês é obrigatório e, geralmente, a babá frequenta esses cursos enquanto as crianças estão na escola). E a escola de francês tinha que me aceitar. E a faculdade de direito tinha que me aceitar, dentre muitos mil candidatos.... Será, será, será????
Quando desliguei o telefone, o Fer perguntou o que estava acontecendo (ele sabia que a Sophie estava na França e estava preocupadíssimo porque ela tinha me ligado de lá. Ele sabia que aquela francesa não era de ligar para falar de amenidades ou ficar batendo papo...). Eu contei. E ele empolgou. E nós começamos a correr atrás da papelada, sem nem pensar muito (não dava tempo! A gente tinha 5 dias). Quando postamos tudo no DHL (uma espécie de FEDEX, que leva coisas bem, mas beeeeeeeeem rápido, pra Europa), sentamos pra conversar....
Cenas do próximo capítulo aqui.
Cenas do próximo capítulo aqui.
E estava mesmo. A gente sempre dava um jeitinho de se encontrar, no final do dia, quase todo dia! E começamos a ficar em São Paulo, em alguns finais de semana, ao invés de voltarmos pro interior (onde teríamos que nos dividir entre as famílias, que moravam em cidades próximas, mas diferentes).
Até que, um dia, eu recebo um telefonema. Da Sophie!
(volta no tempo, urgente, agora!)
Uma das minhas irmãs encasquetou que queria aprender a falar francês. E não tinha francês na nossa cidade (Jaú). Mas, em Bauru, onde eu fazia faculdade, tinha. Dentro da minha faculdade, inclusive! Só que, pra isso, ela teria que viajar num ônibus de estudantes de faculdade, por 1 hora, uma noite por semana, fazer 1 hora de aula e... ficar na faculdade, de bobeira, esperando o ônibus pra voltar pra casa! Com 15 anos!!! Ló-gi-co que ela queria MUITO tudo isso!!! Mas, meu pai, que não era bobo, nem nada, decidiu que “tudo bem SE você convencer a sua irmã (no caso, eu) a fazer o curso com você e SE você for pra casa dela depois da aula, até a hora do ônibus voltar”. Então, ela veio correndo falar comigo, fez biquinho, pediu, implorou, me comprou muitos chocolates pretos de suborno e... eu já tinha topado quando ela veio só falar comigo!!! Adoro, simplesmente adoro aprender outras línguas! É sério! Tenho um problema com isso!!! Então, quando ela me apareceu com aquela proposta indecente, eu topei na hora!!!!!!
A nossa professora de francês era a Sophie, uma francesa legítima, cheia de sotaque e com um humor tipicamente francês (Sophi, je t´aime, quando même!!!!). Encurtando a história, eu empolguei (pra variar) e fiz 1 ano e meio de francês, aplicadíssima!!! E a minha irmã? Parou depois de 6 meses e nunca mais falou francês... Coisas da vida...
Enquanto eu fazia francês, virei amiga da Sophi. Ela teve um filho fofo! Eu comprei presentinhos pra ele. Nós fizemos algumas jantinhas em casa. E ela sabia que eu era apaixonada por línguas, viagens, culturas, que tinha muita vontade de morar um tempo em algum lugar que falasse outra língua. E já tinha me convidado, algumas vezes, para participar de programas de intercâmbio, do tipo “você vai ser baba em outro país e pode falar que você morou lá fora”. Tá bom... hoje isso está mais comum. Mas, no meio dos anos 90, isso era raríssimo! E chique! Mas, eu não queria ser chique. Eu queria morar fora, provar comidas diferentes, ficar fluente em outra língua, aprender outros jeitos de ver o mundo. Então, eu tinha recusado todas as vezes que a proposta era “morar na França, por um ano, estudando francês”. Eu dizia que não ia pegar meus dois diplomas de faculdade, colocar na gaveta e ir morar um ano na Europa só pra dizer que tinha ido. Eu nem tinha grana pra isso! Nem meus pais tinham. Então, não fui...
(acabou a pausa. Volta pra 1997)
Sophie: “oi Mirrrrrys!”
Eu: “oi Sophi! Que saudade! Tudo bem, mulher?”
Sophie: “Mirrrys, seguinte: tô em Paris, visitando meus pais. Você ainda quer vir pra cá SE for pra estudar?”
Eu: “Como assim, Sophi?”
Sophie: “Seguinte: a faculdade de Paris está com matrículas abertas para o DSU, que é um tipo de mestrado aqui, para o curso de Direito. Mas, você não tem dinheiro para ficar aqui, então teria que ser babá, mesmo assim, pra se manter. E pra ser babá, você vai ter que estudar francês numa escola daqui e morar com uma família. E eu não sei se a família que te escolher vai aceitar você fazer francês E direito. E as inscrições vão só até quinta. E tem só 20 vagas para estrangeiros e mais de 6000 inscritos. Mas, você quer?”
Eu: “EU QUERO!!!!”
Sophie: “Então, pega um papel e anota todos os documentos que você tem que me mandar, até quinta, às 4 e meia da tarde, daqui de Paris. Tem que vir tudo com tradução juramentada.”
Era muita coisa. E as chances eram muito pequenas! E tinham os complicadores: uma parte dos meus documentos estavam em Jaú (casa dos meus pais), parte em Bauru (casa da minha vó, minha última casa), parte em São Paulo, comigo. E traduzir tudo ficava uma grana horrorosa!!! E eu tinha que conseguir 2 cartas de recomendação, em francês ou inglês. Uma família tinha que me escolher e aceitar que eu fizesse mestrado além do curso de francês (o curso de francês é obrigatório e, geralmente, a babá frequenta esses cursos enquanto as crianças estão na escola). E a escola de francês tinha que me aceitar. E a faculdade de direito tinha que me aceitar, dentre muitos mil candidatos.... Será, será, será????
Quando desliguei o telefone, o Fer perguntou o que estava acontecendo (ele sabia que a Sophie estava na França e estava preocupadíssimo porque ela tinha me ligado de lá. Ele sabia que aquela francesa não era de ligar para falar de amenidades ou ficar batendo papo...). Eu contei. E ele empolgou. E nós começamos a correr atrás da papelada, sem nem pensar muito (não dava tempo! A gente tinha 5 dias). Quando postamos tudo no DHL (uma espécie de FEDEX, que leva coisas bem, mas beeeeeeeeem rápido, pra Europa), sentamos pra conversar....
Cenas do próximo capítulo aqui.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
Era uma vez 28 - Sampa (Diáro da Mirys)
O ano de 1995 terminou e, com ele, eu terminei a faculdade de Direito. Mas, ainda faltava terminar jornalismo porque eu tinha deixado o projeto de conclusão de curso para fazer depois. Intensa e empolgada como eu era, eu não iria fazer qualquer projeto: criei um programa de rádio (que até quis ser “comprado” por uma emissora de rádio de Bauru)! A ideia do meu projeto era juntar o que eu amava em direito (poder usar o conhecimento legal para ajudar pessoas) e o que eu mais amava em jornalismo – rádio (eu também gostava horrores de fotografia! Horrores!!! Mas não consegui pensar em nenhum projeto que unisse foto e direito. Alguém tem alguma ideia brilhante?). Só que, pra isso, eu tinha que fazer pesquisa de campo, o que significava entrevistar 600 pessoas! Lá fui eu, prancheta debaixo do braço, batendo de casa em casa.
Levei 6 meses para concluir todo o meu projeto, fazer pesquisas, organizar dados, criar o programa, gravá-lo (ai que delícia!!!), apresenta-lo pra minha banca examinadora. Tanto trabalho!!! Precisava sair perfeito!!!! Lembram da minha frase “se é pra fazer algo, faça bem feito ou, então, nem faça”? Era isso!
Só que eu terminei a faculdade de jornalismo um semestre antes do Fer terminar a dele de direito. Por causa do acidente, ele tinha perdido provas na faculdade e acabou atrasando para concluí-la. Então... eu fui pra São Paulo, onde meu padrinho tinha conseguido uma oportunidade do meu primeiro emprego pra mim, num escritório de advocacia.
Adorei morar em São Paulo!!! Eu camelava, pegava ônibus circular, todo dia, pra ir pra São Bernardo do Campo trabalhar. Eu era a mais nova de todos no escritório (teve até um cliente que se recusou, aos berros, a ser atendido por mim, porque “eu devia ter 16 anos! Se tivesse!!!”). Tinha um chefe enorme, com cara de bravo, que era, na verdade, bem bravo! Tinha colegas ótimos, com incríveis histórias jurídicas pra contar. Tinha uma sala pra mim. Minha primeira sala... Tinha uma caneta chiquérrima que tinha ganho do meu padrinho! Aliás, tinha a honra (e o pavor!!! #prontoconfessei!) de trabalhar com ele, algumas vezes na semana. O homem era uma máquina!!! Sabia muito!!! Dava até medo de discutir ideias com ele. E quando ele me oferecia carona pra voltar pra Sampa???? Eu entrava em pânico. Em parte por causa da arma que ele sempre mantinha no carro (eu sei que era legal, mas não era “legal” pra mim. Se é que vocês me entendem), em parte porque se eu tivesse que ouvir puxões de orelha... eu ouviria!
O melhor de tudo era a biblioteca daquele lugar! Meu sonho de consumo!!!! Pra ajudar, no prédio ao lado, tinha a biblioteca do meu padrinho, numa sala alugada, porque ele não tinha onde coloca-la, enquanto sua casa não ficava pronta. Sorte a minha! Li tanto naqueles dias!!!! Foi nessa época que eu fiquei irremediavelmente apaixonada por “Brumas de Avalon”, pela Morgana e sua turma!... Ah... (OS: você não leu “brumas” ainda????? O que está esperando???? Os 4 livros mais marcantes da minha vida!).
E, com o Fer, o namoro ia bem. Mas ia distante. Porque a gente passava a semana toda separados (muito separados por meu gosto) e, quando eu ia pro interior, tinha que me dividir entre ele e a minha família, nos sábados e domingos. E isso é dureza...
Quando, 1996 finalmente acabou, o Fer terminou a faculdade de direito e conseguiu um emprego. Adivinhem onde????? Adivinhem, adivinhem!!!! Vocês têm 3 chances... dou-lhe uma... dou-lhe duas... dou-lhe três... Acertou! A moça de vermelho, lá atrás do computador preto, acertou! São Paulo!!!!
Ele se mudou pra um apartamento dos pais dele, em Santana. O que era “do outro lado do mundo” pra nós, pois eu morava num apartamento da minha avó, perto da Avenida Paulista! Afê!!!! Longe, longe, longe, mega longe! Mas, tudo bem? Pelo menos, a gente tava na mesma cidade, né????
Sim... mas, não por muito tempo...
Cenas do próximo capítulo aqui.
Levei 6 meses para concluir todo o meu projeto, fazer pesquisas, organizar dados, criar o programa, gravá-lo (ai que delícia!!!), apresenta-lo pra minha banca examinadora. Tanto trabalho!!! Precisava sair perfeito!!!! Lembram da minha frase “se é pra fazer algo, faça bem feito ou, então, nem faça”? Era isso!
Só que eu terminei a faculdade de jornalismo um semestre antes do Fer terminar a dele de direito. Por causa do acidente, ele tinha perdido provas na faculdade e acabou atrasando para concluí-la. Então... eu fui pra São Paulo, onde meu padrinho tinha conseguido uma oportunidade do meu primeiro emprego pra mim, num escritório de advocacia.
Adorei morar em São Paulo!!! Eu camelava, pegava ônibus circular, todo dia, pra ir pra São Bernardo do Campo trabalhar. Eu era a mais nova de todos no escritório (teve até um cliente que se recusou, aos berros, a ser atendido por mim, porque “eu devia ter 16 anos! Se tivesse!!!”). Tinha um chefe enorme, com cara de bravo, que era, na verdade, bem bravo! Tinha colegas ótimos, com incríveis histórias jurídicas pra contar. Tinha uma sala pra mim. Minha primeira sala... Tinha uma caneta chiquérrima que tinha ganho do meu padrinho! Aliás, tinha a honra (e o pavor!!! #prontoconfessei!) de trabalhar com ele, algumas vezes na semana. O homem era uma máquina!!! Sabia muito!!! Dava até medo de discutir ideias com ele. E quando ele me oferecia carona pra voltar pra Sampa???? Eu entrava em pânico. Em parte por causa da arma que ele sempre mantinha no carro (eu sei que era legal, mas não era “legal” pra mim. Se é que vocês me entendem), em parte porque se eu tivesse que ouvir puxões de orelha... eu ouviria!
O melhor de tudo era a biblioteca daquele lugar! Meu sonho de consumo!!!! Pra ajudar, no prédio ao lado, tinha a biblioteca do meu padrinho, numa sala alugada, porque ele não tinha onde coloca-la, enquanto sua casa não ficava pronta. Sorte a minha! Li tanto naqueles dias!!!! Foi nessa época que eu fiquei irremediavelmente apaixonada por “Brumas de Avalon”, pela Morgana e sua turma!... Ah... (OS: você não leu “brumas” ainda????? O que está esperando???? Os 4 livros mais marcantes da minha vida!).
E, com o Fer, o namoro ia bem. Mas ia distante. Porque a gente passava a semana toda separados (muito separados por meu gosto) e, quando eu ia pro interior, tinha que me dividir entre ele e a minha família, nos sábados e domingos. E isso é dureza...
Quando, 1996 finalmente acabou, o Fer terminou a faculdade de direito e conseguiu um emprego. Adivinhem onde????? Adivinhem, adivinhem!!!! Vocês têm 3 chances... dou-lhe uma... dou-lhe duas... dou-lhe três... Acertou! A moça de vermelho, lá atrás do computador preto, acertou! São Paulo!!!!
Ele se mudou pra um apartamento dos pais dele, em Santana. O que era “do outro lado do mundo” pra nós, pois eu morava num apartamento da minha avó, perto da Avenida Paulista! Afê!!!! Longe, longe, longe, mega longe! Mas, tudo bem? Pelo menos, a gente tava na mesma cidade, né????
Sim... mas, não por muito tempo...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Era uma vez 27 - Nomenclaturas e títulos (Diário da Mirys)
Quando a gente contou pros meus pais sobre o nosso namoro, acabamos nos assumindo pra todo mundo. Era oficial: a Mirys e o Fer, os melhores amigos, namoravam!
Mas, como ele já tinha me falado de casamento, com quatro meses, a gente nunca se chamava de "namorados". Era engraçado... a gente sempre fazia uma bagunça com os "títulos" que a gente tinha, na vida um do outro: namorados, noivos, casados.
Quando éramos namorados, nos auto denominávamos "noivos"! Era "meu noivo" pra cá, "minha noiva" pra lá. Depois de um tempo, eu dei um up grade no título dele e comecei a chamá-lo de "Má" (de "marido"). Ele adorava!!! Tenho mil bilhetinhos guardados escritos pela "Mi" para o "Má".
Quando ficamos noivos (o que foi por um tempo curtíssimo!!!!), já nos chamávamos de "marido e mulher". Uma loucura tudo isso!!
Daí, depois do grande dia, estávamos casados... e nos chamando de "namorados"! Parecia mais romântico, mais gostosinho, mais íntimo, mais apaixonado assim. E eu comecei a receber botões de rosas endereçados "para a minha namorada". Não é lindo??? (PS: tenho certeza de que 90% das meninas que estão lendo isso vão concordar comigo!).
Mas toda essa miscelânia de nomenclaturas e títulos começou quando a gente desistiu de se chamar pelos nomes, mesmo. Bem no comecinho a gente era, simplesmente, "Fê" e "Mirinha". Porque "Fer" e "Mirys" eram muito comuns, chamamentos usados por muita gente. Nós queríamos algo mais nosso... até eu fazer uma grande bobagem. Clássica bobagem!...
Numa tarde, no primeiro ou segundo mês de namoro, nós estávamos no apartamento da família dele (lembram-se que eu ajudei a fazer a mudança para o tal apartamento, quando o vi beijar a ex namorada e fiquei MORRENDO de vontade????), tranquilos, curtindo uma noite qualquer, quando, de repente, no meio da conversa... eu o chamei pelo nome errado! Ai... Posso riscar essa parte da minha vida???? É terrível!!! Eu sei!!!! Mas é que o apelido que eu tinha dado pra ele ("Fê") era muito, mas muito parecido mesmo com o apelido que o ex namorado tinha... e eu me confundi... e falei o nome da pessoa errada! "Imbecilmente clássico esse erro"!
Eu tentei disfarçar, fingir que não tinha acontecido, e continuei a minha frase. Fosse ela qual fosse. Continei conversando normalmente. Ele respondendo. Tudo normal! E eu já me achando a rainha da cocada preta das enrolações: "putz... fiz a PIOR coisa que se poderia fazer no começo de um namoro... principalmente quando o novo namorado sabe do ex e morre de ciúmes... e saí ilesa! Sou muito boa, mesmo! Impressionante! Eu merecia um oscar de melhor atuação namoradística dos últimos tempos! Porque eu sou incrív..."
Ele: "Mirinha, só um minuto que eu vou pegar uma água. Quer?"
Eu: "Não, obrigada."
Ele foi. E não voltou. Depois de uns 10 minutos que ele não voltava (e a cozinha não era tão longe assim, num apartamento de 100m2), eu fui pra cozinha. E o encontrei encostado na parede. Com os olhos cheios d´água...
PS: pra me desculpar em grande estilo, quando a gente completou 100 dias juntos, fiz de presente uma caixinha com 100 bilhetes, escritos à mão, um por um: "FERNANDO, eu te amo!".
Cenas do próximo capítulo aqui.
Mas, como ele já tinha me falado de casamento, com quatro meses, a gente nunca se chamava de "namorados". Era engraçado... a gente sempre fazia uma bagunça com os "títulos" que a gente tinha, na vida um do outro: namorados, noivos, casados.
Quando éramos namorados, nos auto denominávamos "noivos"! Era "meu noivo" pra cá, "minha noiva" pra lá. Depois de um tempo, eu dei um up grade no título dele e comecei a chamá-lo de "Má" (de "marido"). Ele adorava!!! Tenho mil bilhetinhos guardados escritos pela "Mi" para o "Má".
Quando ficamos noivos (o que foi por um tempo curtíssimo!!!!), já nos chamávamos de "marido e mulher". Uma loucura tudo isso!!
Daí, depois do grande dia, estávamos casados... e nos chamando de "namorados"! Parecia mais romântico, mais gostosinho, mais íntimo, mais apaixonado assim. E eu comecei a receber botões de rosas endereçados "para a minha namorada". Não é lindo??? (PS: tenho certeza de que 90% das meninas que estão lendo isso vão concordar comigo!).
Mas toda essa miscelânia de nomenclaturas e títulos começou quando a gente desistiu de se chamar pelos nomes, mesmo. Bem no comecinho a gente era, simplesmente, "Fê" e "Mirinha". Porque "Fer" e "Mirys" eram muito comuns, chamamentos usados por muita gente. Nós queríamos algo mais nosso... até eu fazer uma grande bobagem. Clássica bobagem!...
Numa tarde, no primeiro ou segundo mês de namoro, nós estávamos no apartamento da família dele (lembram-se que eu ajudei a fazer a mudança para o tal apartamento, quando o vi beijar a ex namorada e fiquei MORRENDO de vontade????), tranquilos, curtindo uma noite qualquer, quando, de repente, no meio da conversa... eu o chamei pelo nome errado! Ai... Posso riscar essa parte da minha vida???? É terrível!!! Eu sei!!!! Mas é que o apelido que eu tinha dado pra ele ("Fê") era muito, mas muito parecido mesmo com o apelido que o ex namorado tinha... e eu me confundi... e falei o nome da pessoa errada! "Imbecilmente clássico esse erro"!
Eu tentei disfarçar, fingir que não tinha acontecido, e continuei a minha frase. Fosse ela qual fosse. Continei conversando normalmente. Ele respondendo. Tudo normal! E eu já me achando a rainha da cocada preta das enrolações: "putz... fiz a PIOR coisa que se poderia fazer no começo de um namoro... principalmente quando o novo namorado sabe do ex e morre de ciúmes... e saí ilesa! Sou muito boa, mesmo! Impressionante! Eu merecia um oscar de melhor atuação namoradística dos últimos tempos! Porque eu sou incrív..."
Ele: "Mirinha, só um minuto que eu vou pegar uma água. Quer?"
Eu: "Não, obrigada."
Ele foi. E não voltou. Depois de uns 10 minutos que ele não voltava (e a cozinha não era tão longe assim, num apartamento de 100m2), eu fui pra cozinha. E o encontrei encostado na parede. Com os olhos cheios d´água...
PS: pra me desculpar em grande estilo, quando a gente completou 100 dias juntos, fiz de presente uma caixinha com 100 bilhetes, escritos à mão, um por um: "FERNANDO, eu te amo!".
Cenas do próximo capítulo aqui.
domingo, 4 de setembro de 2011
Era uma vez 26 - Eu te amo! Mesmo! (Diário da Mirys)
Óbvio que todo mundo gosta de ouvir um "eu te amo". Ó-b-v-i-o! Talvez você não quisesse ouvir "daquela" pessoa, talvez você não tenha um "eu te amo também" pra retribuir, talvez você ache muito cedo ou muito tarde, mas dizer que NÃO GOSTA de ouvir a tal frase é difícil, né?
Eu não me lembro quando foi a primeira vez que o Fer falou isso pra mim (talvez, se fosse o contrário, ele se lembraria! A memória dele sempre foi muuuuuuitooooo melhor do que a minha!). Mas, me lembro que foi logo...
Talvez tenha sido numa noite em que nós fomos na casa de uma amiga nossa. Micro-casa, na verdade. Era uma kitnet minúscula, do tipo quarto-cozinha-sala-tudo-junto-em-4-metros-quadrados. Juro!!! Tiny, tiny, tiny!!! A gente foi pra lá só pra reunir e ir todo mundo junto pra balada. Mas, nós 2 desistimos de ir pra tal boate dançar... Eu estava meio doente... ou ele. Não me lembro bem.
Mas, me lembro da janela aberta, da noite fresquinha apesar de ser verão, da blusahorrível rosa e preta que eu usava, lembro dele me achar linda daquele jeito. Mas, sobretudo, me lembro da lua cheia... a luz da lua entrava pela janela da casa e dava um reflexo azul digno de fotografia nas costas dele. Meio coisa de filme, sabe?... A gente conversando, ouvindo música, namorando e a lua de testemunha. Ou cúmplice? Aquela noite virou mágica, pra nós dois, assim, por motivo nenhum... sabe quando você está vivendo um momento que já viveu várias outras vezes (tipo beijar o seu namorado / marido), mas, naquela noite, é especial? Você está mais sensível ou romântica ou qualquer outra coisa e tudo ganha uma intensidade diferente? Então... foi isso...
Aquela noite aconteceu no final da nossa primeira semana de namoro. Exagero da minha parte achar que ele me falou "eu te amo" na primeira semana de namoro? Talvez seja... Talvez não... Porque ele sabia que eu gostava de um exagero. E porque ele nunca teve problema em falar que gosta, que tem saudades, que quer por perto.
Eu sei que a gente terminou aquela primeira fase do namoro. E voltamos a ficar juntos uma semana depois! Então, a gente sempre contou nosso início de namoro desde o primeiro beijo, a primeira data. Como se o intervalo não tivesse acontecido...
E, quando tínhamos 4 meses de nós dois, numa noite que tinha tudo pra ser uma noite normal, ele me disse: "Mirinha, eu sei que eu vou casar com você. Você foi feita pra mim! Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Você casa comigo?". Aquilo, pra mim, foi como dizer "eu te amo! MESMO!"
PS: a minha reação? Eu ri! Eu sempre rio se fico nervosa!
Cenas do próximo capítulo aqui.
Eu não me lembro quando foi a primeira vez que o Fer falou isso pra mim (talvez, se fosse o contrário, ele se lembraria! A memória dele sempre foi muuuuuuitooooo melhor do que a minha!). Mas, me lembro que foi logo...
Talvez tenha sido numa noite em que nós fomos na casa de uma amiga nossa. Micro-casa, na verdade. Era uma kitnet minúscula, do tipo quarto-cozinha-sala-tudo-junto-em-4-metros-quadrados. Juro!!! Tiny, tiny, tiny!!! A gente foi pra lá só pra reunir e ir todo mundo junto pra balada. Mas, nós 2 desistimos de ir pra tal boate dançar... Eu estava meio doente... ou ele. Não me lembro bem.
Mas, me lembro da janela aberta, da noite fresquinha apesar de ser verão, da blusa
Aquela noite aconteceu no final da nossa primeira semana de namoro. Exagero da minha parte achar que ele me falou "eu te amo" na primeira semana de namoro? Talvez seja... Talvez não... Porque ele sabia que eu gostava de um exagero. E porque ele nunca teve problema em falar que gosta, que tem saudades, que quer por perto.
Eu sei que a gente terminou aquela primeira fase do namoro. E voltamos a ficar juntos uma semana depois! Então, a gente sempre contou nosso início de namoro desde o primeiro beijo, a primeira data. Como se o intervalo não tivesse acontecido...
E, quando tínhamos 4 meses de nós dois, numa noite que tinha tudo pra ser uma noite normal, ele me disse: "Mirinha, eu sei que eu vou casar com você. Você foi feita pra mim! Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Você casa comigo?". Aquilo, pra mim, foi como dizer "eu te amo! MESMO!"
PS: a minha reação? Eu ri! Eu sempre rio se fico nervosa!
Cenas do próximo capítulo aqui.
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sábado, 3 de setembro de 2011
Era uma vez 25 - Bilhetes, bombons e reuniões de família (Diário da Mirys)
Naquele show do Fer, eu não estava preocupada. Nem ficava encanada se outra menina qualquer, em algum outro lugar qualquer, desse em cima dele. Porque ele tinha um jeito todo especial de fazer eu me sentir importante. Amada. Respeitada. Única! PS: se tem algum menino me lendo, agora, levanta a mão e deixe seu pitaco nos comentários! saiba que TODA menina quer sentir isso, tá? É básico...
A gente se via, todas as manhãs, na faculdade. E adorávamos fazer as coisas juntos! Sempre gostamos! Não éramos de ficar "agarrados" na frente dos outros - o que importava pra nós era compartilhar o momento. Qualquer momento! Uma aula, um intervalo, uma partida de truco, buscar um livro interessante na biblioteca, dividir um suco...
Mas, depois que a aula acabava, o "nós" acabava, também. Fisicamente. Porque cada um almoçava na sua casa. Ele ia pro estágio. Eu ia pra algum curso de língua (eu fazia inglês e francês, na época). Depois, eu ainda tinha a faculdade de jornalismo, à noite. E ele fazia as outras coisas que os meninos fazem: saem com os amigos, bebem, dão risadas, estudam pras provas (oi???), ficam de bobeira, veem TV. Às vezes, mas só às vezes, a gente se via depois da minha segunda faculdade.
Só que os sábados eram nossos! Todos nossos!!! E a gente fazia o que todo casal jovem e sem grana gosta de fazer junto: qualquer coisa que não envolva dinheiro! A gente era "pobre-pobre-pobre, de-marré-marré-marré", mas adorávamos os sábados, mesmos assim. Conversávamos por hooooooras, namorávamos, viámos um filminho bom na TV, íamos a algum ensaio de alguma banda dele.
Às vezes, pintava um compromisso só pra ele: tipo um jogo de bola. Estávamos em casa, fazendo nada, e o telefone tocava:
"- Fer, vai ter jogo. Vamos?"
"- Peraí, cara, que eu vou fazer uma reunião de família e já te ligo!"
SEMPRE!!! Ele nunca assumia um compromisso sem falar comigo, antes! Ele sabia que eu não ia falar nada, que ele ia acabar no jogo de bola de qualquer maneira, que eu não tinha problema nenhum com meu namorado ter vida social. Mas, essa atitude dele demonstrava respeito comigo. Consideração. Me dava importância!
Então, e só então, depois de conversar comigo (coisa rápida como "Mirys, os meninos estão me chamando pra jogar bola. Tudo bem se eu for? Vai ser das 2hs às 4hs." "Claro, Fer. Vai nessa."), ele ligava pros meninos e falava para um deles vir buscá-los.
E daí começava a melhor parte do comportamento de namorado novo dele (confesso que, depois de casados, essas coisas rarearam muito... infelizmente... se eu pudesse fazer, de novo, faria diferente!)!!! Os meninos chegavam, ele me dava um beijo, pegava o elevador (eu morava num prédio) e ia. Um minuto depois, o porteiro me ligava "Dona Miriane, tem entrega aqui, pra senhora." E eu descia buscar...
Ele sempre tirava um minuto pra me escrever um bilhetinho, uma parte de uma música, um poema, me deixar um bombom (não me perguntem ONDE ele conseguia um bombom, assim, tão rápido! Eu não sei!!! Mas ele me deixou bombons na portaria do prédio vááááárias vezes) ou uma flor roubada (já disse que AMO flores roubadas?).
Ele nunca partia sem antes me deixar 100% segura de que ele era "meu", que adorava estar comigo, que eu era "a pessoa mais especial do mundo". E que voltaria pra mim, o mais rápido possível. Não dava para não ficar tranquila e "não ciumenta" com um namorado desses, dava?
Até que, um dia, quando a gente tinha 4 meses de namoro...
Cenas do próximo capítulo aqui.
A gente se via, todas as manhãs, na faculdade. E adorávamos fazer as coisas juntos! Sempre gostamos! Não éramos de ficar "agarrados" na frente dos outros - o que importava pra nós era compartilhar o momento. Qualquer momento! Uma aula, um intervalo, uma partida de truco, buscar um livro interessante na biblioteca, dividir um suco...
Mas, depois que a aula acabava, o "nós" acabava, também. Fisicamente. Porque cada um almoçava na sua casa. Ele ia pro estágio. Eu ia pra algum curso de língua (eu fazia inglês e francês, na época). Depois, eu ainda tinha a faculdade de jornalismo, à noite. E ele fazia as outras coisas que os meninos fazem: saem com os amigos, bebem, dão risadas, estudam pras provas (oi???), ficam de bobeira, veem TV. Às vezes, mas só às vezes, a gente se via depois da minha segunda faculdade.
Só que os sábados eram nossos! Todos nossos!!! E a gente fazia o que todo casal jovem e sem grana gosta de fazer junto: qualquer coisa que não envolva dinheiro! A gente era "pobre-pobre-pobre, de-marré-marré-marré", mas adorávamos os sábados, mesmos assim. Conversávamos por hooooooras, namorávamos, viámos um filminho bom na TV, íamos a algum ensaio de alguma banda dele.
Às vezes, pintava um compromisso só pra ele: tipo um jogo de bola. Estávamos em casa, fazendo nada, e o telefone tocava:
"- Fer, vai ter jogo. Vamos?"
"- Peraí, cara, que eu vou fazer uma reunião de família e já te ligo!"
SEMPRE!!! Ele nunca assumia um compromisso sem falar comigo, antes! Ele sabia que eu não ia falar nada, que ele ia acabar no jogo de bola de qualquer maneira, que eu não tinha problema nenhum com meu namorado ter vida social. Mas, essa atitude dele demonstrava respeito comigo. Consideração. Me dava importância!
Então, e só então, depois de conversar comigo (coisa rápida como "Mirys, os meninos estão me chamando pra jogar bola. Tudo bem se eu for? Vai ser das 2hs às 4hs." "Claro, Fer. Vai nessa."), ele ligava pros meninos e falava para um deles vir buscá-los.
E daí começava a melhor parte do comportamento de namorado novo dele (confesso que, depois de casados, essas coisas rarearam muito... infelizmente... se eu pudesse fazer, de novo, faria diferente!)!!! Os meninos chegavam, ele me dava um beijo, pegava o elevador (eu morava num prédio) e ia. Um minuto depois, o porteiro me ligava "Dona Miriane, tem entrega aqui, pra senhora." E eu descia buscar...
Ele sempre tirava um minuto pra me escrever um bilhetinho, uma parte de uma música, um poema, me deixar um bombom (não me perguntem ONDE ele conseguia um bombom, assim, tão rápido! Eu não sei!!! Mas ele me deixou bombons na portaria do prédio vááááárias vezes) ou uma flor roubada (já disse que AMO flores roubadas?).
Ele nunca partia sem antes me deixar 100% segura de que ele era "meu", que adorava estar comigo, que eu era "a pessoa mais especial do mundo". E que voltaria pra mim, o mais rápido possível. Não dava para não ficar tranquila e "não ciumenta" com um namorado desses, dava?
Até que, um dia, quando a gente tinha 4 meses de namoro...
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Era uma vez 24 - Namorada de músico!!! Ou rock n roll, baby! (Diário da Mirys)
Aquele presente de um ano de namoro, que nós ganhamos da minha vó, foi realmente especial. Porque nós dois gostávamos muito de música! Porque nós dois gostávamos muito de Marisa Monte! Porque nenhum de nós poderia ter ido naquele show com nossos próprios recursos (que recursos???? Eu fazia 2 faculdades e 2 cursos de linguas e não trabalhava! O Fer estagiava com a vó dele e ganhava como estagiário... vocês já entenderam!...).
Mas eu já tinha ido em outras apresentações de música. Algumas. Vantagens de se ter amigos músicos (ou que gostavam de música).
E, naquela época, o Fer tinha uma banda. Uma das muitas bandas que ele teve! Aquela era só de meninos e eu não me lembro exatamente quem estava naquele show de um clube, lá de Bauru. Acho que o irmão dele estava. Acho que o G. estava, também. E eu fui assistir...
Nunca fui ciumenta (para desespero da minha amiga Lú, que não se conformava - rsrsrs) e sempre encarei a banda como algo muito positivo. Então, eu ia pros shows e fazia o meu papel de namorada "descolada": eu assistia, eu vibrava, eu prestava atenção para comentar depois, eu ficava do lado de baixo do palco. Babando. Esse era o meu papel e eu A-D-O-R-A-V-A!!!
Graças a tudo, o Fer não era o vocalista. Nem tocava guitarra. Nem tocava bateria (tudo bem, Lú. Tenho que concordar com você, nesse ponto... bateristas chamam, sim, a atenção!). Na verdade, ele tocava todos esses instrumentos e sabia cantar. Mas, naquela banda, ele fazia o que sabia fazer de melhor: tocava contrabaixo e cantava backing vocal. Agora, falando sério, as atenções da maioria das meninas SEMPRE vão pro vocalista, pro guitarrista e pro baterista. FATO! Não entendo muito bem o poder que um microfone ou uma guitarra exercem sobre o universo feminino (mentira!), mas o meu namorado não tinha nenhum desses objetos de poder, naquela noite. Era só um baixista, tocando na dele, pulando, chacoalhando a cabeça e fazendo a 2a ou a 3a voz, de vez em quando, no canto esquerdo do palco (direito, pra mim).
Eu estava ali, naquele cantinho, perto do palco, assistindo o show e ele devia estar olhando com uma cara muito apaixonada praquele lado do salão... porque tinha um grupo de meninas, do meu lado, e elas ficaram COMPLETAMENTE encantadas com ele! E só comentavam:
"- Nossa, que cara lindo!"
"- Uau, como esse músico é g...!"
"- Olha aquele cara!"
"- Adoro quando ele canta" (não falei do tal poder do microfone)
E foram frases desse tipo (e piores! Rsrsrs) que eu ouvi, quietinha, a noite toda! E elas sorriam! E se empolgavam. E mandam olhares 43 pro palco. E acenavam. E gritavam "lindo" e outras coisinhas mais.
Uma delas até quis fazer amizade comigo: "- Você viu aquele cara ali? Com a guitarra? (BURRA!!!) Meu, ele é muito lindo, não é?". É, moça... é sim.
SE eu fosse como uma das minhas amigas namoradas de músicos tinha rolado o maior barraco. Juro!!!! Porque as meninas pegaram pesado, pesadíssimo, a noite inteira! E eu lá, com sangue de barata, ouvindo tudo aquilo...
Até que o show terminou, os meninos fizeram um "bis", agradeceram e se despediram. O Fer apoiou o baixo no suporte, abraçou os amigos, e veio pro
canto do palco onde eu e galera femininaque não beijava há séculos estávamos. Olhou pra mim, me chamou, colocou a mão no meu cabelo, me beijou e perguntou: "gostou do show". "Adorei!". "Vou me trocar, que eu estou pingando e já volto, tá?". Mais um beijo e foi pro camarim.
Eu virei pra trás, chacoalhei o cabelão (na cintura, na época), deixei todas as meninasarrasadas e inconformadas com um tchauzinho (malvada!) e fui pra porta. Eu sabia o quanto aquele menino gostava de mim (e não tem nada na vida melhor do que isso, tem?)... mas essa é a história de amanhã!
Cenas do próximo capítulo aqui.
Mas eu já tinha ido em outras apresentações de música. Algumas. Vantagens de se ter amigos músicos (ou que gostavam de música).
E, naquela época, o Fer tinha uma banda. Uma das muitas bandas que ele teve! Aquela era só de meninos e eu não me lembro exatamente quem estava naquele show de um clube, lá de Bauru. Acho que o irmão dele estava. Acho que o G. estava, também. E eu fui assistir...
Nunca fui ciumenta (para desespero da minha amiga Lú, que não se conformava - rsrsrs) e sempre encarei a banda como algo muito positivo. Então, eu ia pros shows e fazia o meu papel de namorada "descolada": eu assistia, eu vibrava, eu prestava atenção para comentar depois, eu ficava do lado de baixo do palco. Babando. Esse era o meu papel e eu A-D-O-R-A-V-A!!!
Graças a tudo, o Fer não era o vocalista. Nem tocava guitarra. Nem tocava bateria (tudo bem, Lú. Tenho que concordar com você, nesse ponto... bateristas chamam, sim, a atenção!). Na verdade, ele tocava todos esses instrumentos e sabia cantar. Mas, naquela banda, ele fazia o que sabia fazer de melhor: tocava contrabaixo e cantava backing vocal. Agora, falando sério, as atenções da maioria das meninas SEMPRE vão pro vocalista, pro guitarrista e pro baterista. FATO! Não entendo muito bem o poder que um microfone ou uma guitarra exercem sobre o universo feminino (
Eu estava ali, naquele cantinho, perto do palco, assistindo o show e ele devia estar olhando com uma cara muito apaixonada praquele lado do salão... porque tinha um grupo de meninas, do meu lado, e elas ficaram COMPLETAMENTE encantadas com ele! E só comentavam:
"- Nossa, que cara lindo!"
"- Uau, como esse músico é g...!"
"- Olha aquele cara!"
"- Adoro quando ele canta" (não falei do tal poder do microfone)
E foram frases desse tipo (e piores! Rsrsrs) que eu ouvi, quietinha, a noite toda! E elas sorriam! E se empolgavam. E mandam olhares 43 pro palco. E acenavam. E gritavam "lindo" e outras coisinhas mais.
Uma delas até quis fazer amizade comigo: "- Você viu aquele cara ali? Com a guitarra? (BURRA!!!) Meu, ele é muito lindo, não é?". É, moça... é sim.
SE eu fosse como uma das minhas amigas namoradas de músicos tinha rolado o maior barraco. Juro!!!! Porque as meninas pegaram pesado, pesadíssimo, a noite inteira! E eu lá, com sangue de barata, ouvindo tudo aquilo...
Até que o show terminou, os meninos fizeram um "bis", agradeceram e se despediram. O Fer apoiou o baixo no suporte, abraçou os amigos, e veio pro
canto do palco onde eu e galera feminina
Eu virei pra trás, chacoalhei o cabelão (na cintura, na época), deixei todas as meninas
Cenas do próximo capítulo aqui.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A parte boa da história (Diário da Mirys)
Desde pequenininhos, a gente torce por um final feliz numa história de amor! Mas, às vezes, não tem... Não tem um "viveram felizes para sempre". Mas, pode ter um "quiseram viver felizes pra sempre", podem ter muitas emoções no meio do caminho, muita vibração, separações e reencontros, surpresas, loucuras de amor!!!
Vocês já sabem o final desta história, mas ainda não sabem do que aconteceu antes, de como nós chegamos aqui! Não sabem de São Paulo, não sabem de Paris, não sabem do pedido de casamento... E dizem que a felicidade está no caminho, não é mesmo? Então... vem com a gente!!!
A série "Era uma vez" está de volta (e, desta vez, eu prometo chegar no final porque é um pouquinho dolorido pra mim ficar revivendo tudo isso. Mas, se isso puder mostrar para o Guigo que tipo de namorado ele deveria ser, para a Nina que tipo de pessoa ela deve procurar para compartilhar a vida, se servir para algum de vocês, como inspiração - já terá valido a pena!).
Perdeu o comecinho? Tá aqui:
Corre lá! Pega a pipoca que eu te espero, tá???? Não sei você, mas eu a-do-ro uma boa história "baseada em fatos reais"!
.
Vocês já sabem o final desta história, mas ainda não sabem do que aconteceu antes, de como nós chegamos aqui! Não sabem de São Paulo, não sabem de Paris, não sabem do pedido de casamento... E dizem que a felicidade está no caminho, não é mesmo? Então... vem com a gente!!!
A série "Era uma vez" está de volta (e, desta vez, eu prometo chegar no final porque é um pouquinho dolorido pra mim ficar revivendo tudo isso. Mas, se isso puder mostrar para o Guigo que tipo de namorado ele deveria ser, para a Nina que tipo de pessoa ela deve procurar para compartilhar a vida, se servir para algum de vocês, como inspiração - já terá valido a pena!).
Perdeu o comecinho? Tá aqui:
Era uma vez - explicações
Era uma vez 1 - Oi. Muito prazer.
Era uma vez 2 - O namorado n. 2
Era uma vez 3 - O namorado n. 3
Era uma vez 4 - Intensidade
Era uma vez 5 - Amigos
Era uma vez 6 - O lado dele...
Era uma vez 7 - Sendo beeeeeeem honesta
Era uma vez 8 - A viagem com a namorada dele
Era uma vez 9 - As minhas amigas e os amigos dele
Era uma vez 10 - As outras turmas
Era uma vez 11 - O acidente e a minha futura sogra
Era uma vez 12 - Entendeu a mensagem???
Era uma vez 13 - O segundo semestre de 1994
Era uma vez 14 - In English...
Era uma vez 15 - Mensagens corporais
Era uma vez 16 - Um cantinho, um violão, esse amor, uma canção...
Era uma vez 17 - Tempo
Era uma vez 18 - Dia 02 de dezembro de 1994
Era uma vez 19 - "Shiu! A gente tá namorando escondido!
Era uma vez 20 - Recomeçando
Era uma vez 21 - Terminados???????? Já????????
Era uma vez 22 - O retorno!
Corre lá! Pega a pipoca que eu te espero, tá???? Não sei você, mas eu a-do-ro uma boa história "baseada em fatos reais"!
.
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terça-feira, 21 de junho de 2011
Quem é o meu "anônimo"????? (Diário da Mirys)
Quando eu comecei a escrever a saga do "era uma vez" (preciso continuar... eu sei... eu sei...) teve alguém que deixou um comentário super intrigante, dizendo que estaria sempre por aqui e que, um dia, eu saberia quem era.
Então que, meses depois, ele (ou ela???) cumpriu a parte dele - parcialmente - e vira e mexe comenta algum post. Mas... esse "dia" da grande revelação, até agora, não chegou!!! Nada! NAdica! Zero! Zero grande e redondo!!!
Por isso, eu pergunto: "caro anônimo, quem é você????".
A minha curiosidade está me matando...
English version: "once upon a time"
Então que, meses depois, ele (ou ela???) cumpriu a parte dele - parcialmente - e vira e mexe comenta algum post. Mas... esse "dia" da grande revelação, até agora, não chegou!!! Nada! NAdica! Zero! Zero grande e redondo!!!
Por isso, eu pergunto: "caro anônimo, quem é você????".
A minha curiosidade está me matando...
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
Era uma vez 22 - O retorno! (Diário da Mirys)
Ficamos separados depois de termos acabado de começar a namorar. Foi realmente difícil. Mas... necessário! Pelo menos, a gente pensava assim. Sorte nossa que estava no final do ano e a faculdade iria, logo, terminar (para as férias de verão). Então, a gente passaria uns meses longe e tudo iria se ajeitar, até lá já teriam parado de inventar histórias sobre o Fer, sobre mim, sobre nós, até lá eu já teria quase um ano de término do namoro anterior, até lá....
Eu calculei tudo! Tu-do! Fiz todas as continhas, analisei todas as possibilidades, praticamente eu coloquei nossa vida no excell, fiz uns gráficos e estava super preparada para qualquer um que me viesse com qualquer pergunta! Era a senhora gerente da própria vida (e da alheia, no caso, a do Fer).
Só que eu me esqueci de uns detalhes: que nós éramos jovens (o que significa que não raciocinávamos assimmmmmm tão friamente), época em que os hormônios estão à flor da pele, eu era intensa, o Fer estava apaixonado há um tempo, eu tinha o meu “lema” de que tudo o que eu queria era beijar na boca e ser feliz, etc, etc, etc. Claro que isso tudo junto SÓ PODERIA resultar em bobagem! E nós não aguentamos muito! Eu peguei todas as projeções e gráficos e cálculos matemáticos que eu tinha feito e joguei pro espaço, quando o Fer veio conversar comigo, 5 dias após o “término”.
“- Mirys, não dá mais. Não quero ficar longe.”
“- Mas, Fer... vão falar coisas absurdas sobre você, por minha causa. Você vai sofrer, eu vou sofrer. E isso é injusto porque você não fez nada disso que estão comentando...”
“- Eu não me importo. Não quero ficar longe.”
“- Mas, Fer... vão falar de você pros meus pais! E eles nem te conhecem! E se eles nunca gostarem de você???? Não quero viver dividida entre pais (amor!) e namorado (amor!), de novo...”
Mas ele não se importava (não falei que a juventude tem as suas insanidades?). Com nada. Ele só queria ficássemos juntos, novamente. Só. E eu, sinceramente, até hoje não sei se resisti tanto porque estava realmente preocupada com ele e com a imagem que iriam fazer do meu novo namorado antes de conhece-lo ooooouuuuu se eu estava preocupada com o meu próprio umbigo e sentimentos (tudo estava muito novo, ainda, pra mim; esse negócio de beijar alguém que eu considerava como amigo e só... e gostar! Meus sais!!! Alguém me salva de mim mesma, por favor???).
E conversamos. E argumentamos. E ele pedia pra voltar. E eu dava desculpa atrás de desculpa. E ele me beijou.
Pronto! Ponto final.
O que vocês estão esperando? Achavam que eu ia resistir? Argumentar mais?
A-do-ro uma boa discussão, mas não sou boba!!! Please!!!
Depois que ele me beijou (com aquele beijo), de novo, é claro que eu mandei todas as preocupações pro espaço, recebi a bola no peito, mandei pro pé, chutei pro gol e... gooooooolllllllllllllllllllllll, saí gritando com a galera!!! “É goooooolllll, que felicidaaaaadeeeeee!...”, como naquela musiquinha da rádio.
Óbvio que não tinha nenhuma galera por perto quando a gente resolveu voltar. Na verdade, não resolvemos nada, assim, do verbo “sentar-pra-conversar-e-resolver”. Nós nos beijamos e pronto, estávamos oficialmente “voltados”. Simples assim!
Só que, muito espertos, como só alguém com uns 20 anos poderia ser, nós voltamos a namorar escondidos. DE TODO MUNDO, desta vez! Nem amigos próximos sabiam!!! Eu ia pra Jaú e fazia o maior dramalhão mexicano para as minhas amigas queridas (desculllllllpeeeeeeeemmmmm). Mas “combinado é combinado” na nossa família. E sempre foi assim. A gente combinou de não contar nada para absolutamente ninguém para ver se os comentários continuariam (ou se era gente próxima que estava falando mal da gente, mesmo). Ninguém mais falou nada...
E nós dois, escondidos de todo mundo, estávamos no maior romance. Pena que eu não podia beijar aquele moço em qualquer lugar, toda vez que me desse vontade!...
Eu calculei tudo! Tu-do! Fiz todas as continhas, analisei todas as possibilidades, praticamente eu coloquei nossa vida no excell, fiz uns gráficos e estava super preparada para qualquer um que me viesse com qualquer pergunta! Era a senhora gerente da própria vida (e da alheia, no caso, a do Fer).
Só que eu me esqueci de uns detalhes: que nós éramos jovens (o que significa que não raciocinávamos assimmmmmm tão friamente), época em que os hormônios estão à flor da pele, eu era intensa, o Fer estava apaixonado há um tempo, eu tinha o meu “lema” de que tudo o que eu queria era beijar na boca e ser feliz, etc, etc, etc. Claro que isso tudo junto SÓ PODERIA resultar em bobagem! E nós não aguentamos muito! Eu peguei todas as projeções e gráficos e cálculos matemáticos que eu tinha feito e joguei pro espaço, quando o Fer veio conversar comigo, 5 dias após o “término”.
“- Mirys, não dá mais. Não quero ficar longe.”
“- Mas, Fer... vão falar coisas absurdas sobre você, por minha causa. Você vai sofrer, eu vou sofrer. E isso é injusto porque você não fez nada disso que estão comentando...”
“- Eu não me importo. Não quero ficar longe.”
“- Mas, Fer... vão falar de você pros meus pais! E eles nem te conhecem! E se eles nunca gostarem de você???? Não quero viver dividida entre pais (amor!) e namorado (amor!), de novo...”
Mas ele não se importava (não falei que a juventude tem as suas insanidades?). Com nada. Ele só queria ficássemos juntos, novamente. Só. E eu, sinceramente, até hoje não sei se resisti tanto porque estava realmente preocupada com ele e com a imagem que iriam fazer do meu novo namorado antes de conhece-lo ooooouuuuu se eu estava preocupada com o meu próprio umbigo e sentimentos (tudo estava muito novo, ainda, pra mim; esse negócio de beijar alguém que eu considerava como amigo e só... e gostar! Meus sais!!! Alguém me salva de mim mesma, por favor???).
E conversamos. E argumentamos. E ele pedia pra voltar. E eu dava desculpa atrás de desculpa. E ele me beijou.
Pronto! Ponto final.
O que vocês estão esperando? Achavam que eu ia resistir? Argumentar mais?
A-do-ro uma boa discussão, mas não sou boba!!! Please!!!
Depois que ele me beijou (com aquele beijo), de novo, é claro que eu mandei todas as preocupações pro espaço, recebi a bola no peito, mandei pro pé, chutei pro gol e... gooooooolllllllllllllllllllllll, saí gritando com a galera!!! “É goooooolllll, que felicidaaaaadeeeeee!...”, como naquela musiquinha da rádio.
Óbvio que não tinha nenhuma galera por perto quando a gente resolveu voltar. Na verdade, não resolvemos nada, assim, do verbo “sentar-pra-conversar-e-resolver”. Nós nos beijamos e pronto, estávamos oficialmente “voltados”. Simples assim!
Só que, muito espertos, como só alguém com uns 20 anos poderia ser, nós voltamos a namorar escondidos. DE TODO MUNDO, desta vez! Nem amigos próximos sabiam!!! Eu ia pra Jaú e fazia o maior dramalhão mexicano para as minhas amigas queridas (desculllllllpeeeeeeeemmmmm). Mas “combinado é combinado” na nossa família. E sempre foi assim. A gente combinou de não contar nada para absolutamente ninguém para ver se os comentários continuariam (ou se era gente próxima que estava falando mal da gente, mesmo). Ninguém mais falou nada...
E nós dois, escondidos de todo mundo, estávamos no maior romance. Pena que eu não podia beijar aquele moço em qualquer lugar, toda vez que me desse vontade!...
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Era uma vez 21 - Terminados???????????? Já??????????? (Diário da Mirys)
Com uma semana de namoro (mesmo escondido), eu estava em alfa e todo aquele trauma das histórias mentirosas que contaram sobre mim e o ex já estavam ficando no passado... Eu já estava super compenetrada em conhecer aquela nova parte do meu melhor amigo: o lado namorado dele! E estávamos indo bem, felizes, até que o Guilherme chegou em casa...
O Gui (ninguém o chamava assim, mas prefiro não expô-lo) era um veterano muito amigo nosso – meu e do Fer. Ele tinha meio que sido adotado pela nossa turma!!! Tivemos uma festa memorável na casa dele, onde todo mundo acabou (jogado) na piscina, com roupa e tudo, abraçados num grande círculo, girando para lá e para cá! Voltar pra casa naquela noite foi uma aventura e tanto (lembra, M?)! Naquela época, o Gui saia com uma amiga nossa, meio escondido, também. E ela era louca por ele!!! E as conversas sobre os meninos (Fer e Gui) eram animadíssimas!!!
Anos depois, o Gui virou nosso padrinho de casamento, quando decidimos escolher uma pessoa (ou um casal) para representar cada um dos nossos círculos. E o Gui representou, com muita classe, os nossos amigos de faculdade! Quando nós fomos convidá-lo, ele custou muito a acreditar que estivéssemos falando sério porque, na cabeça dele, ninguém nunca iria convidá-lo pra padrinho de casamento!... A gente convidou!!!!
Mas, voltando... numa bela tarde, quando eu tinha UMA SEMANA de namoro, o Gui chegou na casa da minha vó, querendo conversar sério comigo. E só comigo! Ôh, ôh... Ele me confessou que, meses atrás, ele tinha ouvido falar muitas histórias sobre o meu ex e o nosso término (foi assim que eu soube de muitas das versões horrorosas que eram contadas sobre nós) e que ele viu como eu tinha sofrido quando algumas dessas versões foram parar nos ouvidos dos meus pais! E como eu tinha sofrido!!! Como você prova pras pessoas que algo que NÃO aconteceu, efetivamente, NÃO ACONTECEU??? Como você prova o não, o negativo, o que não existe? Não dá... Não deu, pra mim. E, sinceramente, eu estava no auge da minha sabedoria de juventude, achando que não devia explicar nada pra ninguém e que todo mundo “ia saber” o que não aconteceu porque eles me conheciam e sabiam que eu não aceitaria certas coisas!... Enfim...
Burrices minhas à parte, o Gui me contou que, naquela tarde, tinha ouvido histórias terríveis e semelhantes. A diferença é que, agora, o namorado que era espaçoso, que não me respeitava, que fazia e acontecia, era o Fer! O FER!!!! Aquele poço de timidez e bons modos chamado Fernando estava sendo acusado de fazer coisas absolutamente absurdas comigo / pra mim!!!
Eu entrei em desespero! Eu nem tinha apresentado o pobre ser para os meus pais!!! E se alguma dessas histórias chegassem aos ouvidos deles antes de conhecerem o Fer??? E os meus amigos que ainda não sabiam do nosso namoro: eu já ia ter que começar o namoro me explicando pra todo mundo??? “- Olha, gente, isso não acontece não, tá? O cara é bacana... Fiquem tranquilos... Ele não me maltrata, não me ameaça, nada... ”. NÃO! Definitivamente, não!!! Eu não ia passar por tudo aquilo, de novo! Era exaustivo demais! E eu não ia colocar o Fer naquela situação (que o ex tinha vivido, tinha reclamado e que eu sabia ser desleal demais).
Então... que brilhante decisão uma super adulta de 19 anos, bobinha de paixão no começo de namoro, bem madura e razoável, toma???? Termina o namoro, certo? Não! Erradíssimo!!!! Existiam mil outros jeitos de resolver a questão... Mas, eu, euzinha, chamei o Fer pra conversar, contei o que tinham começado a falar dele (ele, como melhor amigo, tinha acompanhado todo o drama e o climão que tinha sido com o ex), e que, para poupá-lo, eu iria TERMINAR O NAMORO! Ele pediu, argumentou, deu outras opções, mas eu estava irredutível: não iria passar por aquilo tudo, de novo! E, entre lágrimas e beijos, terminamos...
Cenas do próximo capítulo: aqui
O Gui (ninguém o chamava assim, mas prefiro não expô-lo) era um veterano muito amigo nosso – meu e do Fer. Ele tinha meio que sido adotado pela nossa turma!!! Tivemos uma festa memorável na casa dele, onde todo mundo acabou (jogado) na piscina, com roupa e tudo, abraçados num grande círculo, girando para lá e para cá! Voltar pra casa naquela noite foi uma aventura e tanto (lembra, M?)! Naquela época, o Gui saia com uma amiga nossa, meio escondido, também. E ela era louca por ele!!! E as conversas sobre os meninos (Fer e Gui) eram animadíssimas!!!
Anos depois, o Gui virou nosso padrinho de casamento, quando decidimos escolher uma pessoa (ou um casal) para representar cada um dos nossos círculos. E o Gui representou, com muita classe, os nossos amigos de faculdade! Quando nós fomos convidá-lo, ele custou muito a acreditar que estivéssemos falando sério porque, na cabeça dele, ninguém nunca iria convidá-lo pra padrinho de casamento!... A gente convidou!!!!
Mas, voltando... numa bela tarde, quando eu tinha UMA SEMANA de namoro, o Gui chegou na casa da minha vó, querendo conversar sério comigo. E só comigo! Ôh, ôh... Ele me confessou que, meses atrás, ele tinha ouvido falar muitas histórias sobre o meu ex e o nosso término (foi assim que eu soube de muitas das versões horrorosas que eram contadas sobre nós) e que ele viu como eu tinha sofrido quando algumas dessas versões foram parar nos ouvidos dos meus pais! E como eu tinha sofrido!!! Como você prova pras pessoas que algo que NÃO aconteceu, efetivamente, NÃO ACONTECEU??? Como você prova o não, o negativo, o que não existe? Não dá... Não deu, pra mim. E, sinceramente, eu estava no auge da minha sabedoria de juventude, achando que não devia explicar nada pra ninguém e que todo mundo “ia saber” o que não aconteceu porque eles me conheciam e sabiam que eu não aceitaria certas coisas!... Enfim...
Burrices minhas à parte, o Gui me contou que, naquela tarde, tinha ouvido histórias terríveis e semelhantes. A diferença é que, agora, o namorado que era espaçoso, que não me respeitava, que fazia e acontecia, era o Fer! O FER!!!! Aquele poço de timidez e bons modos chamado Fernando estava sendo acusado de fazer coisas absolutamente absurdas comigo / pra mim!!!
Eu entrei em desespero! Eu nem tinha apresentado o pobre ser para os meus pais!!! E se alguma dessas histórias chegassem aos ouvidos deles antes de conhecerem o Fer??? E os meus amigos que ainda não sabiam do nosso namoro: eu já ia ter que começar o namoro me explicando pra todo mundo??? “- Olha, gente, isso não acontece não, tá? O cara é bacana... Fiquem tranquilos... Ele não me maltrata, não me ameaça, nada... ”. NÃO! Definitivamente, não!!! Eu não ia passar por tudo aquilo, de novo! Era exaustivo demais! E eu não ia colocar o Fer naquela situação (que o ex tinha vivido, tinha reclamado e que eu sabia ser desleal demais).
Então... que brilhante decisão uma super adulta de 19 anos, bobinha de paixão no começo de namoro, bem madura e razoável, toma???? Termina o namoro, certo? Não! Erradíssimo!!!! Existiam mil outros jeitos de resolver a questão... Mas, eu, euzinha, chamei o Fer pra conversar, contei o que tinham começado a falar dele (ele, como melhor amigo, tinha acompanhado todo o drama e o climão que tinha sido com o ex), e que, para poupá-lo, eu iria TERMINAR O NAMORO! Ele pediu, argumentou, deu outras opções, mas eu estava irredutível: não iria passar por aquilo tudo, de novo! E, entre lágrimas e beijos, terminamos...
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