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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Como Alice, no país das maravilhas...



É incrível como a nossa vida é "diferente", fora da rotina, incomum. Duas pessoas como nós, que nunca antes imaginaram estar juntas, que teriam tantos obstáculos pra fazer isso acontecer, de repente decidem que vão tentar. E tentam. E percebem que os obstáculos são do tamanho que você quiser ver, que as "incompatibilidades" são coisas que complementam, que o impossível é, mesmo, só questão de opinião, pra quem quer fazer algo sair das ideias e vir pro mundo real.

Só que tem a parte física, de morarmos de cidades diferentes, da sua rotina sem programações, da inexistência de cotidiano como qualquer casal casado normalmente tem... Você nem sempre vai estar aqui pra comemorar comigo os nossos dias 25 (namoro), os nossos dias 04 (casamento), os nossos aniversários ou o dia dos namorados. E eu nem posso reclamar pois sabia disso ao aceitar me casar com um piloto de aviões...

Pois então, eu decidi fazer como Alice, no país das maravilhas, e comemorar todos os "desaniversários"! Todos os dias 01, 02, 03, 05, 06, 07, 08, 09, etc! Comemorar o dia 11 ou 13 de junho! Por que não os dois? Quer estejamos fisicamente juntos ou não! Porque nos meus pensamentos você sempre está. Nos meus sentimentos, também!

Feliz dia dos (não só) namorados, H.
Amo você!
Sua ESPOSA Mi.



terça-feira, 11 de junho de 2013

Porta retrato de prancheta - Como Fazer! (Diário da Nina)

Com o dia dos namorados chegando, a mamãe está cheia de projetinhos, aqui em casa, para agradar o papai (e para lembrar dele, enquanto está viajando)! E uma das maneiras mais fáceis de você se lembrar de uma pessoa é olhar para uma foto dela, certo? Então, numa noite você pode montar essa EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA PARTICULAR no seu quarto de casal! Já pensou que legal???



Você vai precisar de:



As nossas pranchetas nós compramos numa papelaria, junto com a fita dupla face "gordinha" (que é especial para colar quadros na parede, sem fazer furos e sem descascar a tinta). Daí, foi só escolher as fotos e montar a sequência, em cima da cama (é melhor olhar primeiro, pra ver se você gosta, ANTES de colocar na parede).



Montagem de fotos decidida? Mãos à obra!!! Apenas um pedaço de fita dupla face adesiva do lado de trás da prancheta já segura o objeto na parede. Isso porque as pranchetas e as fotos não são tão pesadas! Então, não coloque pedaços muito grandes (principalmente se a sua casa for alugada, como a nossa). Quanto mais fita você colocar na parede, mais fita vai ter pra desgrudar, depois, quando resolver mudar a decoração...



Agora é só subir numa escada, tirar a parte protetora da fita adesiva que ainda resta e "colar" o porta retrato de prancheta na parede! Voilá!




A sujeira que você vai fazer é minúscula! Dá pra recolher com a mão! Bem diferente de furos e pregos e quadros normais, né?



Gostou? Faz aí pro seu amor!!! Depois, vem mostrar pra gente?
Bjos e bênçãos.
Nina



PS: quer mais ideias de presentes românticos com fotos? Tem aqui, ó!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Dica de Fotografia # 31 - Presentes românticos com fotos! (Diário da Mirys)

Pessoal:

Hoje, não vai rolar dica de foto (porque o trabalho urge - e, se você trocar as letras de lugar, fica RUGE, o que também é verdade!!!). Mas, vai rolar dica de PRESENTES COM FOTOS! Porque o dia dos namorados ta aí, né? Logo ali, na esquina. Alguém já mandou um beijinho pra ele???

DICA DE FOTOGRAFIA # 31 = PRESENTEAR COM FOTO

Você pode começar pelo básico e fazer uma montagem com as fotos bonitas de vocês! A sua cara metade vai adorar!!!


Ou pode inovar e colar as fotos de vocês sobre uma tela interessante!


Se quiser, pode inovar ainda mais e arrumar essas fotos em jarros de vidro (não ficaria uma decoração linda pra um jantar romântico?)...


Pode usar as fotos de vocês e montar um marca páginas (para as metades viciadas em livros, tipo EU!).


Mas, se a tampa da sua panela for mais da turma do sofá (filme e pipoca), que tal uma almofada com uma foto de vocês???


Mas o meu presente preferido é esse: quadro com uma foto do casamento (namoro / noivado / viagem especial) com a letra da música de vocês! Lindo demais!!!


PS: adivinhem qual o descanso de tela do meu computador (olho pra ele to-da-san-ta-ma-nhã)?...


Quer lembrar das outras dicas? Estão todas aqui:

1a dica - pense na foto,
2a dica - regra dos terços,
3a dica - emoldure,
4a dica - dirija o olhar,
5a dica - linhas convergentes,
6a dica - esqueça o flash,
7a dica - fotografando pessoas,
8a dica - fotografando animais,
9a dica - fotografia de casamento I,
10a dica - fotografia de casamento II,
11a dica - crie imagens com palavras,
12a dica - férias na praia
13a dica - férias na cidade.
14a dica - no quintal de casa.
15a dica - cores!
16a dica - use acessórios.
17a dica - fotografando crianças.
18a dica - ligeiramente grávidos...
19a dica - detalhes nada pequenos
20a dica - baby photo
21a dica - comidas suculentas
22a dica - desfoque o fundo
23a dica - editores online gratuitos!
24a dica - poses para grupos/familias
25a dica - inclua um drama!
26a dica - fotos românticas
27a dica - auto retrato com crianças
28a dica - exercícios de foto
29a dica - lugares turísticos



E pra inspirar...



Bom fim de semana, people!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MAMARAZZI WEEK - maio / 2013 (sexta)

MAMARAZZI WEEK - maio / 2013 (quinta)



Mini lua de mel...

terça-feira, 5 de março de 2013

Razões do amor (Diário da Mirys)



Texto inteiro aqui.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } “Filho...a mamãe quer namorar. Pode?” (Diário da Mirys)



Capítulo 9.

Filha número 1: ok!
Resolvido, contado, caso encerrado, feito, deal, pronto. Ok!

Eu já tinha contado pra Nina que eu tinha começado a namorar. Agora, não ia dar pra enrolar mais: o Guigo precisava saber. Já! Mas, com ele, eu precisaria ser mais cuidadosa...

Ele tinha 5 anos, quando o acidente aconteceu. Ele tinha tido mais vivência com o pai, ele tinha lembranças por ele mesmo, ele nunca tinha me pedido uma foto para se lembrar do rosto do Fer (como a Nina fez por tantas e tantas vezes – ela tinha completado 3 anos). Além disso, ele já tinha me pedido para não chorar, ele era mais introvertido, ele sempre falou menos sobre ele mesmo (a Nina tagarela e se resolve), ele sofreu mais com detalhes tipo ver fotos do pai espalhadas num local e me pedir para não voltar lá. Ele era mais sensível e eu tinha que ser mais sensível com ele, também.

Nós já tínhamos conversado duas vezes sobre o assunto “namorado”. Eu só me arrisquei a falar sobre o assunto com ele, quando eu mesma me senti preparada para voltar a PENSAR em ter outra pessoa. E lá iam dois anos da minha vida... Na primeira vez que nós conversamos, ele foi categórico: era melhor eu ter só amigos, mesmo! Não sei se ele não sentia confiança na pessoa que tentava se aproximar de mim, não sei se ele estava numa fase “egoísta” e queria a mãe só pra ele, não sei se ele ainda não estava preparado para a mudança. Eu não sei... Por isso fiquei só com o que ele falou pra mim: melhor não. Não agora.

Deixei o tempo passar um pouquinho e nem toquei mais no assunto. Até que, num belo dia, ele mesmo anunciou: “mamãe, você VAI TER um novo namorado!” E disse feliz, sorrindo, em paz. E de cabelo molhado! (coisas de mãe... me lembro desse detalhe como se fosse hoje!)

Nessa altura do campeonato, o H já tinha deixado de ser “o amigo piloto do tio Math” (meu irmão), pra ser o “tio Humberto”. O Guigo via que eu recebia torpedos. Ele via que eu sorria e respondia. Ele viu várias das mensagens, quando eu estava na estrada e ele as lia pra mim. Naquela época, o H era só meu amigo e tentava uma aproximação, então os torpedos eram notícias do dia dele, perguntas sobre o meu, um filme, uma dica de comida, etc.

Mas, pra nenhum de nós (eu, Guigo e Nina) o H era um pretendente declarado! Era um amigo muito querido, alguém bem próximo com quem eu conversava todos os dias, mas nada de mais sério além disso.

Então, quando eu ia colocar as crianças pra dormir e elas terminavam a oração pedindo por um namorado novo pra mamãe, esse tal namorado nunca tinha um nome. Era uma possibilidade. Uma ideia. Uma torcida. Mas, sem nome...

Por isso que, depois de conversar com a Nina e contar a novidade, com as baterias recarregadas com a aprovação dela, eu me enchi de coragem e fui contar pro Guigo. Até acho que meus dedos deviam estar cruzados atrás das costas... porque eu sei que se ele me falasse “mãe, eu não gostaria... eu não estou preparado... eu não acho uma boa ideia...”, era muito provável que eu não fosse continuar com aquilo tudo. Então, eu só podia torcer pelo melhor!!!

Secretamente (e silenciosamente) eu orei: Deus, que o Guigo seja a minha resposta.

“Guigo... filho... eu queria conversar um pouquinho...”
“Claro mãe!”
“Lembra que a mamãe tava orando pra Deus mandar um namorado novo pra mim?”
“É mami, mas ele ia ter que gostar muuuuito da gente, lembra?”

Parei. Respirei. Assimilei. Pensei rápido: continuo ou não???? Decidi que aquela era a hora e não dava mais pra adiar.

“Isso filhote”, concordei. “E a mami queria namorar o tio Humberto... pode?”

...
...
...
...
O mundo parou por um instantinho. O MEU mundo, pelo menos.
...
...
...
...
As cartas estavam todas na mesa. O meu possível namorado tinha nome. Era alguém que o Guigo conhecia.
...
...
...
...
...
Isso tudo durou frações de segundo, mas não dizem que as coisas dependem do referencial?
...
...
...
...
Minhas palavras ecoavam: ““a mami queria namorar o tio Humberto... pode?”... pode?... pode?...
...
...
...
...



“Pode Ele gosta MUITO da gente!”, ele disse, me deu um abraço, um beijo no meio da barriga (do tamanho dele), e voltou, tranquilo, à brincadeira que fazia antes da nossa conversa.





Cenas do próximo capítulo aqui.

Obs: assim como a Nina, cheio de expectativa e com um sorrisão, ele me perguntou, na sequência, se o H tinha filhos, se eu ia me casar com ele e, assim, eles teriam novos irmãos! “A gente adoraria novos irmãos!”



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } “Filha, a mamãe queria começar a namorar...”



Capítulo 8.

Então era isso: ele já gostava de mim há tempos e eu nem desconfiava, ele se declarou, me pediu em namoro por torpedo, veio atrás do que queria onde quer que eu estivesse, até que conseguiu conversar comigo. O primeiro beijo e o “namoro oficial” começaram na mesma noite, no mesmo momento, porque ele não admitia nada menos do que isso. Cinco dias depois, ele recebe uma ligação e fica sabendo que vai pra longe, muito longe, sem um prazo definido pra voltar. Cinco dias depois, ele parte...

Não tinha dado o menor tempo pras coisas “burocráticas” a se fazer, do tipo contar para os filhos que estávamos namorando. Porque isso exigia tempo (pra contar, ouvir reações, atender a eventuais reclamos, tirar dúvidas, dar conforto e segurança) e nós não tínhamos tido tempo pra nada!!! Com esses “detalhes” de morarmos em cidades diferentes, das crianças serem pequenas, da rotina trabalho/casa/escola não parar, a gente só se encontrou em algumas dessas 10 noites, após as crianças já estarem cuidadas e na cama. Tempo era um artigo em extinção!!!

Ele era o meu primeiro namorado pós viuvez; eu era a primeira namorada dele pós divórcio. Ainda por cima, como os filhos eram novos, nós tínhamos que encontrar a linguagem “deles” pra explicar uma novidade dessas. Não dava pra dizer: “seguinte, galera, MãMi tá namorando, tá? Então, não estranhem se me virem beijando alguém. Agora, peguem as mochilas e boa aula. Mamãe ama vocês!”

Mas, quando ele colocou aquela correntinha no meu pescoço, eu SABIA que o que a gente tinha era sério. Não sabia, ainda, se ia dar certo ou não. Mas a tentativa era séria. O namoro era sério. E as crianças precisavam saber!

Perambulei alguns dias pelo nosso apartamento, sem encontrar o momento certo para dar a tal notícia. Eu não queria atrapalhar as tarefas da escola, não queria falar no meio da janta, não queria interromper a sessão cineminha no sofá. Até pensei em contar como uma estorinha, na hora de ir dormir: “era uma vez uma camponesa que tinha dois filhotes lindos e morava numa casinha, no meio da floresta...” Mas ia ficar faltando um lobo e/ou uma princesa e/ou um caçador e/ou uma bruxa má e/ou um ogro! E não se faz uma boa estória de crianças sem tudo isso!!!

De repente, eu percebi que a minha dificuldade vinha do fato de que EU MESMA ainda não tinha assimilado o meu novo status de namorada. Acho que passei muito tempo sendo viúva, que era difícil imaginar a cena... eu namorava. Eu. EU! Talvez seja ridículo pra quem tem uma vida normal pensar em tudo isso ou mesmo entender. Eu sei. Um começo de namoro deveria ser uma coisa tranquila pra uma mulher de 37 anos. Deveria! Mas, não era... pra mim, não era!

Sem querer, a minha ajuda veio das próprias crianças!!! Na hora de dormir, no final das orações, eles continuavam a dizer: “papai do céu, arrume um namorado pra mamãe, mas um que ame muuuuuuuuuuuito a gente. Senão, ela não quer. Em nome de Jesus, amém”. E eu nem estava prestando atenção nisso!!!! Talvez, ELES já estivessem preparados pra novidade! Quem não estava era eu!!!

E, finalmente, na manhã de sábado, eu criei coragem. O Guigo foi tomar banho e a Nina foi pro meu quarto, pra terminar o café da manhã que o irmão tinha trazido pra minha cama. Pensei: “melhor começar por ela, mesmo! Ela é mais resolvida, mais tranquila, era mais novinha na época do acidente. Ela é menina, acredita em contos de fada, em beijos de amor, em viveram felizes pra sempre, em encontrar o homem da sua vida enquanto você colhe flores! Ela vai receber melhor a notícia.”

“Filha, a mamãe queria começar a namorar...”
Nina: “O tio Humberto, mamãe?”
Aff!!!! Ela me desmontou!!! Respirei fundo, tratei de me concentrar (lembrei que ela via meu celular lotado de mensagens do “amigo piloto do tio Math”) e continuei.

“Ele mesmo.”
Nina: “A tá. Tudo bem. Depois a gente manda um torpedo pra ele, então!”

NÃO FALEI QUE ELA IA SER ESPETACULAR????!!!!! Minha garota!!!!

Depois de fazermos um brinde e tomarmos um golinho de suco, ela completa: “MãMi... ele tem filhos? Porque ia ser bem legal ter mais irmãos...”

Cenas do próximo capítulo aqui.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } Elos... (Diário da Mirys)



Capítulo 7.

Eu passei a tarde toda da sexta-feira olhando pra tela do celular e lendo a mensagem dele. Seria mesmo possível? Eu sabia que ele já gostava de mim desde meados do 2º semestre do ano anterior, mas... quais eram as chances disso ter se transformado tanto assim, em tão pouco tempo de convivência? Se qualquer amiga me contasse uma estória dessas, eu diria: “mulher! É claro que não! Essas coisas não acontecem!” Porque estar APAIXONADO era uma coisa! Fácil, plausível, impulsiva, aceitável. Mas AMAR... ah, amar eram outros 500!...

Por isso, eu precisava ouvir aquela frase. Não apenas ler, mas ouvir. Olhar nos olhos de alguém e escutar o que se tem pra falar. E, naquela noite, eu iria pra Jaú, jantaria com as crianças, colocaria os 2 pra dormir e iria me encontrar com o H... Ele disse que me falaria a tal frase e eu acreditei. Sem pestanejar. Eu esperava por aquilo. Porque eu sou assim: romântica, ingênua, crente. Eu acredito em contos de fadas, em felizes para sempre, em mudar o dia de alguém com uma canção... em um “eu te amo” dito, assim, num rompante. Eu acredito. Fácil, fácil!

Mas eis que a tarde passou, a viagem (da cidade 1 pra Jaú) foi feita, a janta aconteceu, as crianças dormiram, eu estava com o H e a tal frase, tão esperada, não vinha... A gente conversava, ria, se abraçava, falava, falava, falava e... “niente”! Nécas de pitibiriba! Nada da declaração.

“Miriane, sua bobinha...”, minha cabeça me acusava, “é claro que ele não te AMA. Amor é coisa séria. E dizer isso quando não se tem certeza amedronta, assusta, afugenta, não rola... Deve ser isso: ele GOSTA MUITO de ficar com você, de ter você por perto, dos seus mil lados. Ele está APAIXONADO por você. É bem diferente de ‘amar’... mas tudo bem! Você vai ter muito tempo ainda pra isso...”

E achei melhor deixar a noite correr tranquila. Afinal, ele iria embora, naquela madrugada, para Manaus, pra ficar sei lá quanto tempo. Eu é que não ia atrapalhar a nossa última noite por causa de um “detalhe”!!! Ora vejam! Eu tinha pedido tanto tempo por esse alguém, que faria algum sentido desconsiderar tudo o que já se tinha (a sintonia, o aconchego, a vontade de estar junto) só porque ele escreveu uma coisa sem refletir muito e não tinha coragem de falar isso olhando pra mim???? Algo que, eu sabia, ele iria acabar me falando, mais cedo ou mais tarde, se continuássemos juntos? Não, né?...

Resolvi aproveitar nossas últimas horas juntos (por um looooooongo tempo, depois) para conhece-lo melhor. Falamos do DVD que ele tinha escolhido pra tocar (o perfeito “Celine Dion – A decade of songs”), discutimos sobre gostos de filmes, perguntei sobre uma correntinha que ele usava (que tinha ganho do pai, quando fez 15 anos, e não tirou mais do pescoço), contei sobre o meu último Natal, ouvi sobre como é a vida de pilotos de aviões. E a noite passou: tranquila, gostosa, interessante, íntima.

Até quando o alarme tocou. Aqui começa a versão “Cinderela” da minha estória: ele precisaria ir embora, no soar das badaladas do gongo. Blem, blem, blem... (no nosso caso, algo bem mais moderno, do tipo “tutchi – tutchi – tutchi – tarara – tutchi – tutchi – tutchi” ou qualquer outro toque ‘dance’ que vem nos celulares, hoje em dia). Teríamos mais 15 minutos. No máximo! Tempo pra gente se despedir, ele se encontrar com o pai dele (que o levaria até o avião, que ele levaria pro Amazonas) e, plim, eu voltar a usar a roupa remendada, sem nenhum sapatinho de cristal, vendo a carruagem virar abóbora.

E, no meio do último beijo, ele passou a corrente (aquela que ele não tirava, não vendia, não emprestava, não alugava) do pescoço dele pro meu.

“Mas H...”
“Mi, eu quero que você fique com ela. Eu quero que você olhe pra ela e a sinta bem perto de você, em todos os dias que eu vou ficar longe. Porque eu amo você. E quero que você se lembre disso...”

Cenas do próximo capítulo aqui.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } Por escrito! (Diário da Mirys)



Capítulo 6.

Não fazia nem uma semana que eu tinha ficado com ele, pela primeira vez. 5 dias, pra ser exata. C-I-N-C-O! E a gente já ia se separar fisicamente, com aquele trabalho que ele precisava fazer, em Manaus, com dia previsto pra ir, mas sem data certa pra voltar. Ele podia ficar fora um mês, um e meio, dois... Na realidade, ninguém sabia quanto tempo ia ser...

Mesmo assim, ele não queria "mudar os planos" e voltar a ser meu amigo, até que ele voltasse. Ele já era meu NAMORADO desde o comecinho e não aceitava qualquer ideia diferente dessa. A gente só não tinha oficializado isso para as outras pessoas (pais, sogros, irmãos, filhos, etc) porque, simplesmente, não tinha dado nem tempo! Esse tipo de novidade, quando é muito boa, você não quer contar... você quer comemorar!!!! Só que nós dois sabíamos que a minha situação era, digamos, peculiar. Eu tinha sido viúva e tinha muita gente envolvida na minha vida, há muitos meses e anos... Por isso, contar "oi. Estou namorando" não seria simples e normal, como se eu fosse uma garota solteira de 20 e poucos anos. No caso dele, também tinham crianças envolvidas: dois filhos, uma menina de 10 anos e um menino de 3, que também veriam o pai namorar, pela primeira vez.

Mas o H parecia tão decidido, tão certo de tudo, que eu ficava tranquila. E seguia a vida normal, esperando pelo momento certo de fazer cada coisa. Vivendo um dia de cada vez, literalmente!

Apesar de termos nos despedido na quarta-feira, o vôo dele, que sairia na quinta, não saiu e foi postergado para o final de semana. Ele estava em Jaú, à disposição da empresa e eu estava na minha cidade 1, trabalhando, levando crianças pra escola, organizando casa, com o cotidiano normal. A rotina só era alterada pelos milhares de torpedos que trocávamos! Como eu a-do-ro palavras (escrever, ler, conversar), esse era o meu ponto fraco e a gente mandava mensagens sobre... tudo! Contava o nosso dia, discutia um filme, trocava dicas de cozinha, além de vários "estou com saudades", no meio do caminho.

Eu adorava aquilo tudo, aquela atenção toda, ver minha vida ganhar um lado romântico, de novo, ter "conversas de adultos" diariamente, dividir a vida. Eu estava no começo de um namoro e isso é sempre / sempre / sempre empolgante! Se não for, sinto te dizer, você está namorado a pessoa errada... Porque tem que ter aquela empolgação, a vontade de estar junto, o interesse em conhecer o outro e a vida que ele teve antes de você de um jeito mais detalhado do que aquilo que os amigos normais conhecem.

Voltando à estória, na tarde de sexta, eu notei que ele ficou um tempo sem escrever. Eu escrevia e não tinha resposta. Talvez por umas 2 horas, a gente não se falou. Tudo bem, nada demais, certo? Não era motivo nenhum pra eu fazer drama, então não fiz. Só estranhei. Quando ele me escreveu, de novo, eu percebi que tinha algo errado.... e tinha! Ele tinha tido um problema familiar, com as crianças, e estava super chateado e um pouco perdido, sem saber o que fazer. Dividiu o problema comigo e me pediu minha opinião.

Minha opinião??? Sobre crianças???? FÁCIL! Vamos lá! Afinal, se ele estava assumindo o meu "pacote completo" (o que eu morria de medo de ninguém nunca querer fazer, de vestir a camisa e ver minha família de 3 como a sua futura família, também), o mínimo que eu fazia era assumir o "pacote completo" dele, também. Eu sabia que ele tinha filhos antes de começar o namoro e eu não tinha problema algum com relação a isso. Eu sabia que eu teria que dar o espaço deles, que algumas vezes os programas a 2 se transformariam em programa coletivo, que teríamos que trocar um almoço romântico por uma ida ao McDonalds. E, honestamente, pra mim, isso era tranquilo! Mais do que tranquilo, era delicioso, era bacana demais, era divertido, era algo que eu faria sem qualquer problema e com um sorriso enorme no rosto!!! Afinal, eu ADORO crianças e venho de uma família enoooooorme!

E, tentando acalmar o H, eu acabei escrevendo que se ele não concordava com algumas coisas que aconteciam com os filhos, ELE poderia fazer diferente, do jeito que julgasse certo, quando estivesse com eles. Falei que as crianças o amavam (era óbvio isso!) e que eventuais tempestades iriam passar. Escrevi que elas precisam de estabilidade e constância, para se sentirem seguras e amadas. Ele me respondeu que não sabia se conseguiria fazer isso sozinho, que estava chateado demais, triste demais. Ele me pediu pra ajudá-lo, porque eu parecia ter experiência no assunto (crianças). E me pediu desculpas por estar trazendo problemas que eram "dele" pra relação. Eu respondi que estava tudo bem, que não existiam problemas "dele" ou "meus" mais, e que nós éramos uma família de 6, agora. O bom e o ruim era "nosso".

De repente, eu vejo aparecer na minha tela a resposta dele: "eu te amo."

Assim, sem letras garrafais de desespero. Assim, sem ponto de exclamação, mas só um ponto final. Assim, sem outros complementos. Assim, só um sereno, tranquilo, decidido, decisivo, claro, objetivo "eu te amo".

Eu fiquei olhando praquela tela, parada, dentro de uma farmácia, de mãos dadas com a Nina, lembrando que, uma vez, quando nós éramos apenas amigos ainda e falávamos sobre essa minha paixão por outras línguas, ele me mandou um e-mail com uma lista enorme de "como dizer eu te amo em 160 línguas diferentes". Na época, não tinha nada a ver com a gente (eu pensava... pois só descobri que ele gostava de mim meses depois), eu ri e respondi que essa era a única frase que eu preferia em português, mesmo. Então, a Nina me tirou do meu transe: "mamãe, você não vai pagar o remédio, pra gente voltar pra escola?"

Peguei o celular e só respondi: "não vale..."

H: "Eu sei que você preferiria que eu te FALASSE isso, ao invés de ESCREVER, quando fosse a primeira vez de te dizer isso. Mas, eu te amo, Miriane Segalla. Há muito tempo já. E não queria esperar mais pra você ficar sabendo disso. E não pense que é um impulso do momento ou que o problema com as crianças tenha algo a ver com isso. Porque não é e não tem. Quando eu te vir, à noite, eu te FALO essa frase e faço você entender que é exatamente isso que eu sinto por você."

Lá, na porta da escola da Nina, eu não sabia se ria, se chorava, se me preocupava porque eu não me sentia ainda assim. Mas, eu sabia que ele tinha começado a considerar e sonhar com o "nós" muito tempo antes de mim. Que ele tinha se apaixonado primeiro, há meses, e eu só tinha me sentido assim quando ele me pediu pra me apaixonar por ele, também. Eu sabia que eu estava num estágio do nosso relacionamento e ele estava anos-luz na minha frente. E, afinal, pra quem tinha sido pedida em namoro por torpedo, era até natural que o meu primeiro "eu te amo" fosse por escrito, também! E resolvi só curtir aquilo tudo, sem neuras, lendo e relendo a mensagem, durante toda a tarde. Ah, as palavras...

Cenas do próximo capítulo aqui.



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } Jantar romântico... (Diário da Mirys)



Capítulo 5.

Depois daquele telefonema, eu funcionei no modo FF (fast foward)!!! (leia BEM RÁPIDO, pois foi assim que aconteceu) Liga pra babá, combina, sai do trabalho, pega criança na escola, chega em casa, descarrega carro, coloca os dois no banho, pede uma janta pra eles, toma banho, veste a primeira coisa que encontrar na frente (um vestido preto), salto preto, escova dentes, passa um batom (foi tudo que deu), coloca brinco (eu vivo sem...), pega uma bolsa minúscula (eu precisava levar o celular, mas a minha bolsa amada salve salve é imeeeeeensa), joga o celular dentro, pega elevador, sai correndo pela portaria e...

Ele estava lá!
H.
Aquele H.
Aquele que todas as muitas das minhas amigas paqueraram por anos e eu nunca olhei.
Aquele que frequentava os mesmos lugares que eu, desde sempre, sem nunca notar minha presença.
Aquele com quem eu tinha passado horas ótimas, com uma sintonia incrível!
Mas, agora, ali, em pé, na calçada de casa, olhando pra ele do outro lado da rua, parecia tão... tão... "não meu". Sabe aquela sensação de que "fulano jamaaaaaaaaaaaaais sairia comigo e eu jamaaaaaaaaaaaais sairia com ele"? Não porque algum de nós era desinteressante ou ruim ou... mas, simplesmente, porque nós 2 juntos, antes, era inimaginável. A palavra era essa: inimaginável! Impossível de se prever! Improvável de acontecer! Só que, ali estava ele. Na minha casa. Esperando por mim.

E eu fiz questão de ME lembrar que nós dois, juntos, éramos, assim, "NOSSOS". A conversa fluía, os gostos eram parecidos, a risada vinha fácil, o toque arrepiava. Se eu olhasse pra nós dois, "de fora", eu diria que: "- nãããããã.... nana-nina-não... não combinam...". Mas, se ele olhasse pra nós do MEU ângulo, de dentro, eu sabia que a gente se completava!

Então, ele chegou perto, me deu um selinho, me levou até o carro e disse que iria me levar num restaurante que ele já tinha ido e gostado. Porque ele queria estar lá co-mi-go! Vejam bem... ele estava me levando para conhecer um barzinho na minha própria cidade!!!! Me senti uma adolescente completa, totalmente inexperiente!

Quando, finalmente, nós sentamos e começamos a conversar, a magia se fez, de novo! Aquele H, tão inacessível, era o mesmo H surpreendentemente aberto pra mim, que eu tinha visto no final de semana anterior. Nós rimos, nós comemos, nós nos divertimos, nós jogamos conversa fora, até a hora em que ele resolveu tocar no assunto da vinda dele pra a minha cidade: a temida viagem para Manaus, sem prazo pra voltar...

H - "Mi, a gente vai ter que rever alguns planos... porque eu estava pensando em contar pras crianças, sobre nós, no próximo domingo, quando nós estaríamos todos juntos. Mas, agora, eu vou voar e não sei como vamos fazer isso... Porque eu queria muito poder eu mesmo dar a notícia a eles! Queria ver a carinha deles! Queria tirar qualquer dúvida. Queria celebrar junto. Mas, não posso contar uma coisa dessas, que o pai delas está namorando, pela primeira vez, assim, de supetão, subir no avião e ir embora..."

"É... eu, também, ainda não contei nada pro Guigo e pra Nina... Só pra minha mãe. Ainda assim, por telefone."

H - "E não vai dar pra esperar que eu volte de Manaus, pra gente se assumir pras crianças..."

"Então, por que a gente não volta atrás? A gente só "namorou" por 3 dias! Podemos dizer pra qualquer um que perguntar que só saímos! Quando você voltar do Amazonas, a gente vê como fica. Afinal, você vai ficar lá por tantos dias... talvez nem esteja mais sentindo "tudo isso" por mim, quando voltar, e a gente podia...", eu falava sem respirar, pra não perder a coragem de desistir do namoro, antes mesmo de começar.

Só que ele me interrompeu: "Miriane, pára! Isso não é uma alternativa! Eu ESTOU namorando com você e não abro mão disso! Eu posso não ir pra Manaus, mas eu não posso mais ficar sem você! Então, se você não parar com essa hipótese absurda de achar que eu vou parar de sentir o que EU SEI que não vou parar de sentir por você, eu arrumo problema no meu emprego, mas eu não vou pra Manaus! Entre você / nós dois e a viagem pra Amazônia, eu não tenho a menor dúvida do que eu escolheria!"

Então, era isso. Ele iria pra Manaus. E eu ficaria aqui. Por sei lá quanto tempo ficaríamos fisicamente separados. Mas, oficialmente, estávamos juntos. Sem ter a menor ideia de que isso era uma ótima coisa pra nos acontecer...

Cenas do próximo capítulo aqui.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } 4.000 km de distância... (Diário da Mirys)



Capítulo 4.

E o namoro que começou numa sexta, de madrugada, chegou até o domingo daquele jeito de começo de namoro: tudo-junto-colado-misturado-sem-se-desgrudar!

Mas a segunda-feira chegou e eu tive que partir para a minha cidade 1, para trabalhar. Como já vinha acontecendo há muito tempo, a gente se falava o dia inteiro! Por torpedos, por e-mails, etc e tal. E, quando a noite chegava, a gente se falava pelo celular... durante hooooooooooooras! Rsrsrs. Abençoado seja aquele que inventou ligações entre celulares da mesma companhia por R$ 0,25, sem limite de tempo!!!!

Na quarta-feira, eu já começava a ter frios na barriga, de novo, só de pensar na sexta que se aproximava. Eu ia vê-lo... e tinha que me cuidar... fazer uma hidratação no cabelo, pintar as unhas, colocar as roupas mais bacanas em cima da cama pra escolher o que colocar na mala (pra voltar pra Jaú)... Afinal, namoro, quando está no começo é assim: tudo programado, tudo arrumado, tudo cheiroso, tudo friamente calculado! Não é?

Só que, no meio da tarde, ele me liga, super chateado...

H - "Mi, você pode falar?"
Eu - "Claro, H. Tudo bem? O que aconteceu?", perguntei, pois ele nunca me ligava durante o dia, enquanto ele sabia que eu estava trabalhando.
H - "Eu... preciso falar com você, uns 5 minutos... pode ser?..."

Ôh, ôh...

H - "Seguinte: há um tempo atrás, me falaram que iriam vender um avião para uma empresa de Manaus, e eles precisariam de um piloto para levar o avião."
Eu - "Ah, tá." Qual era o problema? Ele era piloto de aviões, não era? Só iria trabalhar, um dia, um pouco mais longe. Sem dramas.

H - "Naquela época, eu me ofereci pra ir, porque eu não tinha nenhum problema para ficar longe de São Paulo, por um tempo. Porque, quando um avião é vendido, só um piloto da empresa vendedora que pode pilotá-lo, até que todos os papéis estejam prontos."
Eu - "Ah, tá." Tudo bem, pensei... não seria UM DIA. Mas, também, não podia ser tanto assim... O que de mais complicado poderia acontecer? Ele trabalhar até sábado? Domingo? Tudo bem. Eu já tinha ficado sem namorado por uns 800 dias... ficaria por mais 3 ou 4! Sem dramas.

H - "Mi... só que essa papelada toda é demorada, Manaus é longe, e eu não vou conseguir voltar até que esteja tudo resolvido. Em média, costuma demorar uns 45 dias... mas eu não consigo te dar nenhuma certeza, porque não depende de mim. E eu tenho que levar o avião, amanhã..."
Eu - "Ah, tá..." NÃO!!! Não tá!!! Não tá nada!!!

MANAUS???
45 DIAS?????
COMEÇANDO AMANHÃ?????
Mas eu acabei de começar a namorar!!!

H - "Mi, eu vou pra sua cidade, hoje, à noite. Eu preciso te ver, antes de partir. Você consegue babá para as crianças, hoje, que eu queria ir jantar só com você...?"
Eu - "Claro. Fique tranquilo. Resolvo tudo."

Desliguei o telefone meio em transe. Tuuuuuudo bem que eu tinha começado a namorar um piloto de aviões e a rotina dele não teria nada de, digamos, normal. Tuuuuuuudo bem que eu estava ciente de tudo isso desde o começo. Mas eu ACHAVA que o universo ia se mover devagar, agora, até que eu me acostumasse com isso. Seria um namoro quase normal (fora que ele era de uma pessoa de 37 anos, com outra de 40, uma delas viúva, outra que trabalhava nos horários mais malucos possíveis, com 4 crianças para gerenciar, 4 famílias diferentes, em 3 cidades distintas - fora isso, eu achava que seria um namoro normal).

E ele vinha me encontrar à noite. Não, na sexta. HOJE! Em plena quarta-feira! Eu chegaria em casa às 18hs e, às 19hs, tinha que estar com aquela "listinha" de namorada novata toda pronta. Unha, cabelo, banho, maquiagem, roupa linda... Aff! Ele ia ter que gostar de mim do jeito que eu estava! Porque não ia dar tempo de resolver nada dessas "coisas pequenas"...

Cenas do próximo capítulo aqui.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } NA-MO-RA-DOS!!! (Diário da Mirys)



Capítulo 3.

A gente tinha passado aquele primeiro final de semana junto, praticamente "hibernando"... não me pergunte o que mais eu fiz, naqueles dias, porque eu só me lembro de estar com o H, conversar com ele, rir com ele, ouvir música ao lado dele, ser paparicada com as comidas que ele fazia pra mim! Em alguma outra estratosfera, devia ter o resto do mundo, vivendo. Mas o meu planetinha ficou só ali, naqueles dias, fora da rota normal dos planetas, girando num tempo e espaço que só eu mesma entendia...

Eu tinha tido "nada" durante tanto tempo e, agora, eu tinha tudo, de novo, de repente. E eu não estava acostumada... Nessa área, a minha rotina era a solidão, a viuvez, a ausência, o cotidiano era sentar sozinha pra ver um filme, tendo, no máximo, um balde de pipoca pra fazer companhia. E eu achava que nunca mais ia ser diferente daquilo, que eu não fosse mais me sentir à vontade na pele de namorada / mulher / alvo de carinho de alguém. Eu achava que seria estranho, que a conversa não iria fluir, que ficaria um "climão" no ar... mas foi tudo diferente. Com ele, as lembranças da adolescência/juventude eram divertidas porque elas iam pra antes da faculdade, do Fernando, do acidente; com ele, a conversa era fácil e eu não precisava parar e abrir um parênteses pra explicar minha vida anterior a todo momento; com ele, a sintonia foi imediata! Irritante, até! Não era possível que desse tão certo, logo de cara... não era pra ser "simples" e confortável assim... pelo menos, eu achava que não.

E, quando chegou o domingo à noite e a gente sabia que iria se separar (ele iria pro Quartel General dos pilotos, passar a semana voando, e eu iria para a minha cidade 1, trabalhar) ficou aquele "branco" de ninguém saber o que falar. Porque não dava pra falar "até amanhã", como eu tinha feito na sexta e no sábado. E eu não queria dizer "a gente se vê por aí", daquele jeito de sabe-se-lá-quando eu iria ficar com ele, de novo... Mas eu NÃO CONSEGUIA falar nada além do "então tá... ficamos assim... a gente se vê por aí"...

"- E então, como ficamos?..."
H "- Ficamos assim: você é minha namorada, vamos nos separar para ir trabalhar e nos veremos na próxima sexta, sem falta."

"- Namorada? H, eu não preciso de 'títulos' e..."
Ele nem me deixou continuar: "- Mi, eu NÃO VOU só sair com você." E, então, ele usou a minha frase contra mim: "- Eu conheço seus pais, você conhece os meus, eu convivo com a sua família e você com a minha, eu tenho filhos e você também tem. Não estamos no momento para 'brincadeirinhas' e não faria o menor sentido eu 'só sair' com você. E eu NÃO QUERO isso. Você não é menina 'pra sair'. E eu quero NAMORAR você!"

"- Mas, H... eu não sei se consigo... assim... ter um namorado... tão de repente..."
H "- Mi, pode me chamar do que você quiser. Mas, pra mim, você é a minha namorada! É isso ou paramos por aqui. Que eu não vou ter nada 'pela metade' com você..."

Ele jogou todas as cartas na mesa, fez as apostas dele e cruzou os dedos pra eu aceitar. Eu respirei fundo... revi um filme dos últimos anos na minha cabeça... olhei pra ele e disse "tudo bem. Mas, por enquanto, a gente mantém isso assim, discretamente, ok?"

Eu só me esqueci que discrição NÃO ERA o forte dele...

Cenas do próximo capítulo aqui.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } Chef particular! (Diário da Mirys)



Capítulo 2.

Eu passava as semanas na minha cidade 1, trabalhando, normalmente. Mas, nos finais de semana, eu quase sempre ia pra Jaú (cidade dos meus pais e irmãos). Cidade da família do H, também. E, naquela sexta, eu tinha ido pra Jaú...

E nós ficamos juntos na sexta...
Ele me buscou, no sábado...
No domingo, passamos o dia separados, com as famílias, até que chegou a noite. E, na saída da igreja, ele me dá aquela bola fora total! Vou contar, viu?... Discrição não era o forte do moço...

Em compensação, outras coisas eram totalmente a cara do H! Músicas boas, conversas interessantes, inglês aqui e ali (porque tem algumas expressões que ficam melhor em inglês, mesmo), um beijo muito muito bom. E, de repente, do nada, ele me dizia: "eu sei que eu te trouxe pra cá, sem você ter tempo de jantar. Então... o que quer comer?". E cozinhava. ELE COZINHAVA!!! Muito, muitíssimo bem!!!

(Pausa para a minha reflexão com os meus botões e Deus: "tudo bem... tudo bem... eu SEI que eu pedi por alguém com uma série de requisitos... eu sei que o senhor me atendeu... eu sei que ele demorou pra aparecer... eu sei que eu tava merecendo ser bem tratada por essa vida... mas precisava caprichar TANTO?????? Depois, eu fico mal acostumada...". #acabouapausa)

O problema maior era que até nisso a gente combinava! Vinhos + queijos + água com gás + frios + pão com azeite + omelete + massas... Não sei como eu não engordei!

Então, eu chegava na casa dele, ele preparava algo rápido pra gente comer e íamos pra beira da piscina conversar. Nas noites quentinhas de fevereiro. Cá pra nós, ele PRECISAVA mesmo me pedir pra me apaixonar por ele??? Não seria o óbvio??? Tudo propício: o cara certo, comida reconfortante, ambiente gostoso, música boa tocando, cenário lindo. O pacote completo!

E a gente foi nesse embalo o final de semana todo, nessa coisa gostosa de namoro novo, de olhar pro lado e ver que quem está ali é completamente inesperado mas totalmente bem vindo... e sorrir! Gargalhar, às vezes!!! E tudo ficava "maior" porque a gente estava ali "escondido". Não que eu tivesse nada pra esconder de ninguém... nem ele... mas o fato é que a gente tinha acabado de se beijar pela primeira vez e estávamos vendo no que isso ia dar. Até então, esse era um "relacionamento" só meu e dele. Ninguém sabia. Só que o domingo à noite chegou e eu ia embora, na segunda de manhã, pra trabalhar na minha cidade 1. Então, ele me deu um ultimato...

Cenas do próximo capítulo aqui.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } Discretos... (Diário da Mirys)

Capítulo 1.

Toda estória começa com um "num reino muito, muito distante...", o famoso "era uma vez" ou um alternativo "era um dia de inverno / outono" (porque, na primavera e no verão todo mundo se dá bem, então as estações do ano que sobram pra começar as estórias são o inverno ou o outuno, tadinhos...). Essa vai ser diferente.

Porque era verão. O reino não era nada distante; pelo contrário, era a cidade onde ambos tinha crescido. Nada "ERA uma vez"; porque ainda É! Mas, por falta de algo mais criativo, vamos usar as velhas fórmulas de estórias que fazem todo mundo se envolver...

Era uma vez, num reino muito, muito distante próximo, uma princesa rainha menina garota jovem ... Vai ficar difícil. Melhor começar de outro jeito.

Ela (eu!) tinha 37 anos. Dois filhos pequenos. Tinha ficado viúva há mais de dois anos. Eram quase 800 dias sozinha... 763 pra ser exata. Pros outros, isso tinha passado muito rápido, a vida tinha voltado ao normal, tudo seguia em frente, casa + família + estudos + trabalho nos eixos. Pra ela, eram setecentos e sessenta e três dias + setecentas e sessenta e três noites de recomeço. E isso doía e cansava.

Ele (H) tinha 40 anos. Dois filhos pequenos. Estava divorciado há muito tempo e já tinha tido seus dias e noites tentando estruturar a vida na cabeça, pensando sobre um futuro que parecia improvável de mudar, tocando a vida em frente do jeito que desse.

E o tempo, ah!... o tempo, esse brincalhão, que insistia em passar arrastado e fazer tudo ser visto sob lentes de aumento... Porque o tempo passa rápido ou depressa dependendo de quem o vê! Uma tarde de trabalho, com algo muito chato pra fazer, demora séculos pra terminar. Mas a mesma tarde, na beira de uma piscina, repleta de amigos, passa tão correndo que você nem percebe. Pois é... só que ambos estavam na fase do "algo muito chato pra fazer" e o tempo, a vida, o mundo se arrastava!

Eles se conheciam desde pequenos, pois frequentavam a mesma igreja, mas nunca tinham olhado pro outro e pensado em qualquer possibilidade. Até que um dia, um belo dia, ele olhou pra ela e pensou "por que não?". E o tempo começou a correr rapidinho! Ela, vivendo no mundinho dela, não percebia as gentilezas extras do "amigo" que ficava hooooooras conversando com ela, que a levava pra jantar, que sempre lhe mandava um torpedo pra alegrar seu dia, que estava por perto. O relógio interno deles funcionava em ritmos completamente diferentes... com ela tentando se ajustar, a cada dia... e ele se apaixonando, cada vez mais.

Meses e meses depois, ele teve a sua chance de falar com ela e pedir para que ela deixasse que a vida dos dois se entrelaçasse, que rodasse no mesmo tempo, que dançasse no mesmo compasso, que o tempo fosse medido pelos minutos entre um encontro e outro, um beijo e outro, uma conversa e outra. E, numa madrugada de fevereiro, a vida dela voltou a fluir e ela deixou que ele ajustasse os seus relógios internos.

Ela estava feliz! Feliz! Feliz!!!

E daí que eles tinham, juntos, 4 filhos e precisariam pensar nisso?
E daí que eles moravam em cidades diferentes?
E daí que ele era piloto de aviões e tinha uma rotina nada normal?
E daí que eles se conheciam desde crianças e nunca nunca nunca tinham pensado em ficar juntos?
E daí que o resto do mundo achasse que eles não combinavam?

O "resto do mundo" não tinha ganho o beijo que ela tinha ganho e sentido o que ela tinha sentido! O "resto do mundo" não precisava entender nada! Não ainda. Não agora. Agora, depois de tudo o que ela já tinha superado, ela só queria viver...

Mas, pra não chocar ninguém e também porque ela não sabia se aquela loucura toda ia passar daquilo ou se tudo seria apenas um sonho bom, ela pediu pra ele "discrição". Eles passaram a noite de sexta e a de sábado grudados, conversando, rindo, vivendo; mas no domingo à noite, eles iriam para a igreja. A mesma igreja! Os filhos estariam lá. Os pais estariam lá. Amigos em comum estariam lá. Então, ela aceitou encontrá-lo mais tarde, mas ali, em público, eles teriam que ser discretos (pois, se alguma coisa não desse certo, quanto menos gente soubesse, melhor).

Ele chegou e sentou em um canto. Ela chegou e sentou lá na frente. Tudo como sempre fora. Eles cantaram, oraram, ouviram. Tudo normal. O sermão chegou ao fim e ele estava conversando com um amigo, bem na saída. Ela passou por eles, para ir embora. Pensou: "cumprimento ambos, sorrio e saio rápido". Simples. Fácil. Indolor.

"Oi fulano." (o amigo em comum)
"Oi Mirys."
"Oi H"
"Oi minha linda."

Minha linda????? MINHA LINDA?????? EM QUE UNIVERSO QUE CHAMAR ALGUÉM DE "MINHA LINDA" É DISCRETO E SERVE PARA NÃO DEIXAR PARECER QUE VOCÊ ESTÁ COMPLETAMENTE APAIXONADO POR ALGUÉM?????????

Cenas do próximo capítulo aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Hora H 29 - se apaixona por mim? (Diário da Mirys)

Jaú, 25 de novembro de 2012 (parte II).

Naquela noite, quando não dava mais pra adiar a conversa, ele passou me buscar, na porta da casa dos meus pais. Eu entrei no carro sem uma roupa chique (com o vestido cinza, lembram?), sem sapato de salto, sem maquiagem no rosto ou escova nos cabelos. E o melhor: entrei sem expectativas, sem máscaras, sem necessidade de ser uma pessoa interessante e bacana (daquele jeito meio artificial de todo primeiro encontro) porque ele já me conhecia!

E, pela primeira vez, eu vi isso como uma vantagem.

Antes, eu pedia por alguém que não me conhecesse de "antes", que não soubesse a minha história. E pedia por alguém que não tivesse uma história tão pesada quanto a minha: com filhos, relacionamentos longos anteriores, cicatrizes. No final das contas, o H não se encaixava em nenhum desses meus "requisitos" e eu pude perceber que isso era ótimo! Eu não precisava me explicar pra ele, não precisava falar sobre o acidente, nem contar como minhas crianças se chamavam e torcer para que ele se importasse e lembrasse o nome delas. Ele JÁ conhecia a minha história e a minha família! E ele também tinha a dele... o que tornava tudo incrivelmente mais simples pra mim! Porque, quando você já passou por um casamento, você sabe como eles funcionam. Você sabe pelo que vale a pena brigar e o que é só questão de orgulho. Você já reconhece as manias, as premissas, as regras do outro e consegue decidir mais facilmente se aceita ou não. Você já administra os problemas e, ao conhecer um defeito, você já sabe se consegue ou não conviver com ele. Porque pessoas perfeitas não existem... o grande segredo está em encontrar alguém com cujos defeitos você consiga conviver!

No caso do H, ele ainda tinha mais uma vantagem: ele já era pai. Ele sabia como ser pai. Ele não ia ficar olhando pra mim, esperando a minha atitude com relação às crianças, toda-santa-vez em que algo acontecesse (quem é pai e mãe sabe que todo dia você tem algo para resolver), com aquele olhar do tipo "os filhos são seus e você sabe o que é melhor". O fato dele ter essa experiência paterna me deixava muito mais tranquila! Porque o Guigo teria alguém com quem brincar de video-game, lutinha ou assistir corridas de F1, que fosse do sexo masculino e realmente CURTISSE isso tudo. Porque a Nina estaria por perto de um homem que já era pai, de uma outra menina, então saberia como se portar.

Mas, cá entre nós? Confesso que, quando entrei naquele carro, eu deletei todas essas informações racionais que, em qualquer outro momento de lucidez, fariam todo o sentido do mundo pra mim. Naquela hora, não. Naquela hora eu só pensava que eu estaria frente a frente com um cara louco por mim, sem saber, ainda, se eu estava preparada para tudo aquilo.

Como eu pedi para não irmos num lugar público (porque se alguma coisa não desse certo, eu não queria ficar me explicando para um monte de conhecidos, depois, o que que eu estava conversando com H, em plena madrugada), ele me levou pra uma casa onde ninguém morava. Um dia, tinha sido dele. Naquela noite, não era nada além de algumas paredes e uma TV. Sem nenhum móvel, nenhum enfeite, nenhuma decoração, nada, aquela casa se parecia muito comigo. Vazia, triste, esquecida... mas um espaço enorme para possibilidades!!! Assim como num dia de aniversário ou em 1o de janeiro, quando você decide que tem um ano em branco à sua frente e pode fazer o que quiser, eu vi a minha vida. Eu tinha virado as páginas da infância, da adolescência, da juventude, de um casamento de quase 12 anos, do luto, da solidão de estar viúva com 30 e poucos anos e tinha chego nas novas páginas da minha vida. Em branco. Prontas para serem escritas. Do zero. Livres para qualquer coisa que eu quisesse escrever. Uma longa história de amor ou uma noite bacana com um amigo. A caneta estava na minha mão... mas eu não conseguia movê-la.

Ele sabia disso. Então, colocou um DVD pra tocar. JQuest. Várias músicas que eu adorava, que eu conhecia a letra. E conversamos despretensiosamente sobre "n" coisas, como se ninguém esperasse por nada além, naquela noite. Até que chegamos no assunto "nós". A gente já tinha conversado no feriado de carnaval... eu já tinha exposto meus medos... por mim... por ele... pelas crianças (minhas e dele)... eu já tinha falado das dificuldades físicas de termos alguma coisa (morávamos em cidades diferentes)... e ele já tinha me dado RESPOSTAS PRA TUDO.

E quando ele percebeu que eu estava enrolando, que a neura ia começar toda, de novo... ele chegou mais perto. Eu fui pra trás. Eu ajeitou uma mecha do meu cabelo que caiu no rosto. E eu fui pra trás. Até que não tinha mais pra onde eu ir. A música "hoje" começou a tocar de fundo musical... ele riu e eu ri, tamanha a coincidência.

"Você ainda não me entende, Mi?"
"Não... como você pode querer namorar comigo..."
"Se eu ainda nem te beijei e nem sei se vou gostar? É esse o seu discurso, não é?"
"É... mas não é um discurso. Você não me beijou e pode ser que não goste. E, daí, vai ver que eu tinha razão e que não era tudo isso que você tinha planejado na sua cabeça e vai perceber de todas as minhas complicações e vai lembrar que eu sou um pacote completo e..."
"Eu VOU gostar, Mi..."

E ele chegou mais perto e eu nem tive tempo pra pensar em muita coisa.
Ele enroscou a mão dele na minha e me beijou! E foi um beijo tranquilo, suave, carinhoso, com todo o cuidado como se eu fosse algo muito precioso, que a qualquer momento pudesse se quebrar... E foi bom!... Foi muito bom! Como eu pude pensar que não iria gostar daquele beijo??? Então, ele parou, olhou pra mim, sorriu como que dizendo "eu te disse que eu ia gostar", soltou a mão dele da minha, perdeu os dedos no meu cabelo e me beijou, de novo. Nada tranquilo. Nada suave. Nada cuidadoso. Foi um daqueles beijos bárbaros de quem está esperando algo há muito, mas muuuuuuitoooo tempo, mesmo, e não tem um segundo a perder!!!

Nem sei dizer de qual versão eu gostei mais! Na dúvida, passei a noite testando as duas, só por garantia. E ele nem reclamou! Nós conversamos (de um jeito totalmente diferente, agora), dividimos a taça para o vinho (só tinha uma), trocamos olhares e descobrimos uma sintonia absurda, naquela madrugada!!! Sabe aquela sensação de que você já viveu um século ao lado daquela pessoa, que consegue conversar num olhar? Pois é... era isso. E eu não conseguia explicar "como" aquilo estava acontecendo. Mas eu nem me importava mais!

Eu tinha a impressão de estar voltando "pra casa", pra um espaço que era conhecido e era meu. Mesmo sem eu nunca ter morado naquela "casa", antes. Faltava pouco... faltava quase nada para eu ceder completamente aquela pessoa que estava ali, na minha frente, disposto a encarar o que quer que eu dissesse que era preciso enfrentar.

E, entre um beijo, uma conversa, outro beijo, um gole de vinho, ele alisa meu cabelo, me beija de levinho, antes de me beijar de verdade, e diz: "Mi... se apaixona por mim?.."

Tinha como não?


PS: hoje, nove meses depois, eu fui acordada com um desses beijos leves que te fazem acordar e sorrir pra vida. Ouvi que eu estava "linda", mesmo estando ainda escondida nos travesseiros. E sorri. E pensei que a vida pode ter momentos complicados e difíceis, sim. Mas que os planos de Deus são infinitamente melhores do que tudo que eu possa planejar...e os planos Dele pra mim foram um casamento delicioso + um marido apaixonado + uma nova pessoa pros meus filhos chamarem de pai e que merece totalmente esse título + duas crianças novas para eu amar + as aventuras e a falta de rotina de ser esposa de um piloto de aviões (e meu cozinheiro particular - adoro!!!) + a aprovação dos meus pais, dos pais dele e dos pais do Fer. Hoje, eu estou casada com Humberto Alves, o meu H. Se eu teria imaginado isso pra mim, no ano passado? Não. Com certeza não. Eu não chegaria tão longe!

PS 2: cenas da próxima HISTÓRIA aqui!



domingo, 25 de novembro de 2012

Hora H 28 - enfim sós! (Diário da Mirys)



Jaú, 25 de novembro de 2012.

Sem nenhuma pretensão, hoje acordei preguiçosa e coloquei um vestido cinza, bem molenga, daqueles perfeitos pra ficar em casa... E ele me lembrou de uma sexta-feira, quando eu o usei também...

Após ter passado muitas e muitas horas sem qualquer notícia do H, ele me ligou e disse que viria ao meu encontro! Sim, apesar de todas as vezes em que eu "fugi" dele, apesar de todos os "nãos", apesar de toda a minha confusão e indecisão, ele viria me encontrar. Ele disse que nem dormiria enquanto não falasse comigo! Ele tinha essa mania adorável de ser decidido e tomar todas as atitudes, quando eu me via plantada no chão, sem conseguir sair do lugar.

E eu só tinha 3 horas, mais ou menos, antes de conversar com ele, cara a cara. E eu não sabia por onde começar... Três horas podia ser pouquíssimo pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Ou podia ser um tempo interminável, pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Em suma: minha cabeça estava exatamente como o relógio - podia ser interpretada de qualquer um dos dois extremos. Eu não sabia o que fazer.

Então, não fiz. Eu cheguei em Jaú, fui pra casa dos meus pais, jantei, tomei um banho rápido, coloquei as crianças pra dormir, sentei pra conversar com a minha mãe. E um torpedo me tirou do transe: "me avise quando puder conversar comigo. H".

E eu pensei: "tudo bem. Ele é insistente. Eu já mostrei que eu não sou ideal pra ele, que eu sou completamente diferente das outras moças pelas quais ele costumava se apaixonar, que eu tenho um pacote completo comigo, que vai ser difícil, que vai ter torcida a favor e torcida contra, que eu venho cheia de neuras, medos, complicações. Mas, se ele quiser MESMO, essa é a noite de descobrir."

Por isso, não me arrumei ou troquei de roupa. Continuei com um vestido cinza, molenga, soltinho, que nada tinha de fashion e que não chamava a atenção pra mim. Continuei de sapatilhas (algo raríssimo! Porque adoro saltos ou andar descalça. Mas meu pai não gosta de pessoas descalças na casa dele... e eu estava de sapatilhas). Não fiz maquiagem, passei perfume, alisei o cabelo. Nada. Eu fui na versão mais básica de Miriane que eu poderia ir. "Se ele me quiser, vai ter que ser assim".

E passei um torpedo. Ele parou na porta de casa. Eu entrei no carro e dei minha condição: não quero ir a nenhum lugar público. Eu não sabia se ia beijá-lo ou não. Eu morria de medo de não gostar. Eu morria de medo que ele não gostasse. Eu não saberia lidar com outra complicação. Então, não queria ser vista. "Eu tenho um lugar pra gente conversar, então."

Bem no começo da conversa, eu descobri que ele tinha a mesma urgência que eu tinha. De viver, de recomeçar, de tentar de novo, de pertencer. Mas, tanta gente dizia que nós éramos tão diferentes, que não combinávamos... como é que ficariamos? Seria possível que um "eu" e um "você" se transformasse no NÓS? Mas, eu já estava tão desacostumada da ideia de fazer parte de um relacionamento, de decidir em conjunto, de dividir os dias... mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma necessidade de me permitir voltar a viver, de acabar com aquela fase de solidão que se segue ao luto... que estas dúvidas tão contraditórias me deixavam completamente indecisa!

Então parei e considerei as palavras de um e-mail que ele havia me mandado naquela manhã, mas que eu só tinha visto à noite, já em Jaú. Após nossa última conversa na noite anterior, quando ele disse que não iria mais entrar em contato comigo porque precisava que eu me decidisse, ele escreveu:

"M.

Ainda não consegui dormir! Logo depois que a gente se falou ontem à noite, peguei o carro e sai por ai, sem rumo, para poder pensar um pouco sobre tudo isso. Se eu ficasse aqui, acho que enlouqueceria. E quando voltei, fiquei na web revivendo cada mensagem, cada pedacinho das nossas conversas, desta história!

Não vim aqui para desfazer o feito, nem pra descumprir o prometido. Só que, agora, com um pouco mais de calma, venho pedir para que você tome sua decisão, o mais breve possível, porque não sei como vou aguentar mais isso, esta indefinição!

Esta avalanche de sentimentos que me invadiu nestas últimas semanas, especialmente nestes últimos dias, parece de certo modo tão absurda, que seria fácil desacreditá-la. Mas percebo que, ao longo deste breve tempo, você dominou tudo que poderia controlar: minha razão e meu coração. Percebo que, de uma certa forma, desde este último domingo, estava vivendo uma fantasia, um desejo, algo que não sei explicar, mas que regeu minha vida por inteiro, como se a gente já estivesse junto, e há muito tempo!

Desculpe por algo que tenha ficado mal dito ou mal interpretado, mas você sabe, conheceu meu coração e minhas intenções! Em nenhum momento fiquei chateado contigo, como você me mandou numa mensagem logo depois de nossa última conversa, pode acreditar em mim! Mas fiquei sim, chateado comigo mesmo, por não poder ter controlado melhor a situação!!

Enfim, não estarei longe de você, nem um segundo sequer, porque isto não seria mais possível para mim! Apenas estarei te dando o tempo que precisa para resolver tudo nesta cabecinha, que acredito mesmo ter provocado a maior bagunça!!

Te adoro, estou morrendo de saudades.
Estou te esperando.......I wish I could just make you turn around!

Um beijo bem no mais secreto lugar do seu coração!!"

E, como não poderia deixar de ser, ele me mandou uma canção, que tinha ouvido durante a madrugada:

Take a look at me now - Phil Collins

How can I just let you walk away, just let you leave without a trace
When I stand here taking every breath with you, ooh
You're the only one who really knew me at all
How can you just walk away from me,
when all I can do is watch you leave
'Cause we've shared the laughter and the pain and even shared the tears
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me,
just the memory of your face
Well take a look at me now, who has just an empty space
And you coming back to me is against the odds and that's what I've got to face
I wish I could just make you turn around,
turn around to see me cry
There's so much I need to say to you,
so many reasons why
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me, just the memory of your face
Now take a look at me now, 'cause there's just an empty space
But to wait for you, is all I can do and that's what I've gotta face
Take a good look at me now, 'cause I'll still be standing here
And you coming back to me is against all odds
It's the chance I've gotta take
Take a look at me now

Hoje faz 9 meses que isso tudo aconteceu, e quando dei por mim.... ele estava na porta de casa.

Cenas do próximo capítulo aqui.