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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Na esquina... (Diário da Mirys)

Ela dirigia rápido pra casa, sem tempo pra muita coisa, sem prestar atenção em nada, repassando a lista de "coisas a fazer" na cabeça. De repente, o semáforo fecha, ela sai dos próprios pensamentos, e vê o beijo. Tranquilo. Apaixonado. Um beijo / abraço, sabe o tipo? Daquele que é desespero de ser o último (ou primeiro) e intimidade de ser "mais um".

Só que o casal era adolescente. 12 anos. 13 anos. No máximo! E ela pensou: "daqui a pouco são os meus (filhos) e eu não tô preparada. É muito cedo!" Porque era mesmo. Cedo demais pra alguém beijar assim.

"Modernidades...", pensou ela. E, quando o semáforo abriu, ela foi embora com mais uma coisa na lista enorme de coisas da cabeça: conversar com as crianças.

Tá bom. Duas coisas. Conversar com as crianças e ligar pro marido. Quando eles se encontrassem, ela queria um beijo daqueles...



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Hora H 29 - se apaixona por mim? (Diário da Mirys)

Jaú, 25 de novembro de 2012 (parte II).

Naquela noite, quando não dava mais pra adiar a conversa, ele passou me buscar, na porta da casa dos meus pais. Eu entrei no carro sem uma roupa chique (com o vestido cinza, lembram?), sem sapato de salto, sem maquiagem no rosto ou escova nos cabelos. E o melhor: entrei sem expectativas, sem máscaras, sem necessidade de ser uma pessoa interessante e bacana (daquele jeito meio artificial de todo primeiro encontro) porque ele já me conhecia!

E, pela primeira vez, eu vi isso como uma vantagem.

Antes, eu pedia por alguém que não me conhecesse de "antes", que não soubesse a minha história. E pedia por alguém que não tivesse uma história tão pesada quanto a minha: com filhos, relacionamentos longos anteriores, cicatrizes. No final das contas, o H não se encaixava em nenhum desses meus "requisitos" e eu pude perceber que isso era ótimo! Eu não precisava me explicar pra ele, não precisava falar sobre o acidente, nem contar como minhas crianças se chamavam e torcer para que ele se importasse e lembrasse o nome delas. Ele JÁ conhecia a minha história e a minha família! E ele também tinha a dele... o que tornava tudo incrivelmente mais simples pra mim! Porque, quando você já passou por um casamento, você sabe como eles funcionam. Você sabe pelo que vale a pena brigar e o que é só questão de orgulho. Você já reconhece as manias, as premissas, as regras do outro e consegue decidir mais facilmente se aceita ou não. Você já administra os problemas e, ao conhecer um defeito, você já sabe se consegue ou não conviver com ele. Porque pessoas perfeitas não existem... o grande segredo está em encontrar alguém com cujos defeitos você consiga conviver!

No caso do H, ele ainda tinha mais uma vantagem: ele já era pai. Ele sabia como ser pai. Ele não ia ficar olhando pra mim, esperando a minha atitude com relação às crianças, toda-santa-vez em que algo acontecesse (quem é pai e mãe sabe que todo dia você tem algo para resolver), com aquele olhar do tipo "os filhos são seus e você sabe o que é melhor". O fato dele ter essa experiência paterna me deixava muito mais tranquila! Porque o Guigo teria alguém com quem brincar de video-game, lutinha ou assistir corridas de F1, que fosse do sexo masculino e realmente CURTISSE isso tudo. Porque a Nina estaria por perto de um homem que já era pai, de uma outra menina, então saberia como se portar.

Mas, cá entre nós? Confesso que, quando entrei naquele carro, eu deletei todas essas informações racionais que, em qualquer outro momento de lucidez, fariam todo o sentido do mundo pra mim. Naquela hora, não. Naquela hora eu só pensava que eu estaria frente a frente com um cara louco por mim, sem saber, ainda, se eu estava preparada para tudo aquilo.

Como eu pedi para não irmos num lugar público (porque se alguma coisa não desse certo, eu não queria ficar me explicando para um monte de conhecidos, depois, o que que eu estava conversando com H, em plena madrugada), ele me levou pra uma casa onde ninguém morava. Um dia, tinha sido dele. Naquela noite, não era nada além de algumas paredes e uma TV. Sem nenhum móvel, nenhum enfeite, nenhuma decoração, nada, aquela casa se parecia muito comigo. Vazia, triste, esquecida... mas um espaço enorme para possibilidades!!! Assim como num dia de aniversário ou em 1o de janeiro, quando você decide que tem um ano em branco à sua frente e pode fazer o que quiser, eu vi a minha vida. Eu tinha virado as páginas da infância, da adolescência, da juventude, de um casamento de quase 12 anos, do luto, da solidão de estar viúva com 30 e poucos anos e tinha chego nas novas páginas da minha vida. Em branco. Prontas para serem escritas. Do zero. Livres para qualquer coisa que eu quisesse escrever. Uma longa história de amor ou uma noite bacana com um amigo. A caneta estava na minha mão... mas eu não conseguia movê-la.

Ele sabia disso. Então, colocou um DVD pra tocar. JQuest. Várias músicas que eu adorava, que eu conhecia a letra. E conversamos despretensiosamente sobre "n" coisas, como se ninguém esperasse por nada além, naquela noite. Até que chegamos no assunto "nós". A gente já tinha conversado no feriado de carnaval... eu já tinha exposto meus medos... por mim... por ele... pelas crianças (minhas e dele)... eu já tinha falado das dificuldades físicas de termos alguma coisa (morávamos em cidades diferentes)... e ele já tinha me dado RESPOSTAS PRA TUDO.

E quando ele percebeu que eu estava enrolando, que a neura ia começar toda, de novo... ele chegou mais perto. Eu fui pra trás. Eu ajeitou uma mecha do meu cabelo que caiu no rosto. E eu fui pra trás. Até que não tinha mais pra onde eu ir. A música "hoje" começou a tocar de fundo musical... ele riu e eu ri, tamanha a coincidência.

"Você ainda não me entende, Mi?"
"Não... como você pode querer namorar comigo..."
"Se eu ainda nem te beijei e nem sei se vou gostar? É esse o seu discurso, não é?"
"É... mas não é um discurso. Você não me beijou e pode ser que não goste. E, daí, vai ver que eu tinha razão e que não era tudo isso que você tinha planejado na sua cabeça e vai perceber de todas as minhas complicações e vai lembrar que eu sou um pacote completo e..."
"Eu VOU gostar, Mi..."

E ele chegou mais perto e eu nem tive tempo pra pensar em muita coisa.
Ele enroscou a mão dele na minha e me beijou! E foi um beijo tranquilo, suave, carinhoso, com todo o cuidado como se eu fosse algo muito precioso, que a qualquer momento pudesse se quebrar... E foi bom!... Foi muito bom! Como eu pude pensar que não iria gostar daquele beijo??? Então, ele parou, olhou pra mim, sorriu como que dizendo "eu te disse que eu ia gostar", soltou a mão dele da minha, perdeu os dedos no meu cabelo e me beijou, de novo. Nada tranquilo. Nada suave. Nada cuidadoso. Foi um daqueles beijos bárbaros de quem está esperando algo há muito, mas muuuuuuitoooo tempo, mesmo, e não tem um segundo a perder!!!

Nem sei dizer de qual versão eu gostei mais! Na dúvida, passei a noite testando as duas, só por garantia. E ele nem reclamou! Nós conversamos (de um jeito totalmente diferente, agora), dividimos a taça para o vinho (só tinha uma), trocamos olhares e descobrimos uma sintonia absurda, naquela madrugada!!! Sabe aquela sensação de que você já viveu um século ao lado daquela pessoa, que consegue conversar num olhar? Pois é... era isso. E eu não conseguia explicar "como" aquilo estava acontecendo. Mas eu nem me importava mais!

Eu tinha a impressão de estar voltando "pra casa", pra um espaço que era conhecido e era meu. Mesmo sem eu nunca ter morado naquela "casa", antes. Faltava pouco... faltava quase nada para eu ceder completamente aquela pessoa que estava ali, na minha frente, disposto a encarar o que quer que eu dissesse que era preciso enfrentar.

E, entre um beijo, uma conversa, outro beijo, um gole de vinho, ele alisa meu cabelo, me beija de levinho, antes de me beijar de verdade, e diz: "Mi... se apaixona por mim?.."

Tinha como não?


PS: hoje, nove meses depois, eu fui acordada com um desses beijos leves que te fazem acordar e sorrir pra vida. Ouvi que eu estava "linda", mesmo estando ainda escondida nos travesseiros. E sorri. E pensei que a vida pode ter momentos complicados e difíceis, sim. Mas que os planos de Deus são infinitamente melhores do que tudo que eu possa planejar...e os planos Dele pra mim foram um casamento delicioso + um marido apaixonado + uma nova pessoa pros meus filhos chamarem de pai e que merece totalmente esse título + duas crianças novas para eu amar + as aventuras e a falta de rotina de ser esposa de um piloto de aviões (e meu cozinheiro particular - adoro!!!) + a aprovação dos meus pais, dos pais dele e dos pais do Fer. Hoje, eu estou casada com Humberto Alves, o meu H. Se eu teria imaginado isso pra mim, no ano passado? Não. Com certeza não. Eu não chegaria tão longe!

PS 2: cenas da próxima HISTÓRIA aqui!



domingo, 25 de novembro de 2012

Hora H 28 - enfim sós! (Diário da Mirys)



Jaú, 25 de novembro de 2012.

Sem nenhuma pretensão, hoje acordei preguiçosa e coloquei um vestido cinza, bem molenga, daqueles perfeitos pra ficar em casa... E ele me lembrou de uma sexta-feira, quando eu o usei também...

Após ter passado muitas e muitas horas sem qualquer notícia do H, ele me ligou e disse que viria ao meu encontro! Sim, apesar de todas as vezes em que eu "fugi" dele, apesar de todos os "nãos", apesar de toda a minha confusão e indecisão, ele viria me encontrar. Ele disse que nem dormiria enquanto não falasse comigo! Ele tinha essa mania adorável de ser decidido e tomar todas as atitudes, quando eu me via plantada no chão, sem conseguir sair do lugar.

E eu só tinha 3 horas, mais ou menos, antes de conversar com ele, cara a cara. E eu não sabia por onde começar... Três horas podia ser pouquíssimo pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Ou podia ser um tempo interminável, pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Em suma: minha cabeça estava exatamente como o relógio - podia ser interpretada de qualquer um dos dois extremos. Eu não sabia o que fazer.

Então, não fiz. Eu cheguei em Jaú, fui pra casa dos meus pais, jantei, tomei um banho rápido, coloquei as crianças pra dormir, sentei pra conversar com a minha mãe. E um torpedo me tirou do transe: "me avise quando puder conversar comigo. H".

E eu pensei: "tudo bem. Ele é insistente. Eu já mostrei que eu não sou ideal pra ele, que eu sou completamente diferente das outras moças pelas quais ele costumava se apaixonar, que eu tenho um pacote completo comigo, que vai ser difícil, que vai ter torcida a favor e torcida contra, que eu venho cheia de neuras, medos, complicações. Mas, se ele quiser MESMO, essa é a noite de descobrir."

Por isso, não me arrumei ou troquei de roupa. Continuei com um vestido cinza, molenga, soltinho, que nada tinha de fashion e que não chamava a atenção pra mim. Continuei de sapatilhas (algo raríssimo! Porque adoro saltos ou andar descalça. Mas meu pai não gosta de pessoas descalças na casa dele... e eu estava de sapatilhas). Não fiz maquiagem, passei perfume, alisei o cabelo. Nada. Eu fui na versão mais básica de Miriane que eu poderia ir. "Se ele me quiser, vai ter que ser assim".

E passei um torpedo. Ele parou na porta de casa. Eu entrei no carro e dei minha condição: não quero ir a nenhum lugar público. Eu não sabia se ia beijá-lo ou não. Eu morria de medo de não gostar. Eu morria de medo que ele não gostasse. Eu não saberia lidar com outra complicação. Então, não queria ser vista. "Eu tenho um lugar pra gente conversar, então."

Bem no começo da conversa, eu descobri que ele tinha a mesma urgência que eu tinha. De viver, de recomeçar, de tentar de novo, de pertencer. Mas, tanta gente dizia que nós éramos tão diferentes, que não combinávamos... como é que ficariamos? Seria possível que um "eu" e um "você" se transformasse no NÓS? Mas, eu já estava tão desacostumada da ideia de fazer parte de um relacionamento, de decidir em conjunto, de dividir os dias... mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma necessidade de me permitir voltar a viver, de acabar com aquela fase de solidão que se segue ao luto... que estas dúvidas tão contraditórias me deixavam completamente indecisa!

Então parei e considerei as palavras de um e-mail que ele havia me mandado naquela manhã, mas que eu só tinha visto à noite, já em Jaú. Após nossa última conversa na noite anterior, quando ele disse que não iria mais entrar em contato comigo porque precisava que eu me decidisse, ele escreveu:

"M.

Ainda não consegui dormir! Logo depois que a gente se falou ontem à noite, peguei o carro e sai por ai, sem rumo, para poder pensar um pouco sobre tudo isso. Se eu ficasse aqui, acho que enlouqueceria. E quando voltei, fiquei na web revivendo cada mensagem, cada pedacinho das nossas conversas, desta história!

Não vim aqui para desfazer o feito, nem pra descumprir o prometido. Só que, agora, com um pouco mais de calma, venho pedir para que você tome sua decisão, o mais breve possível, porque não sei como vou aguentar mais isso, esta indefinição!

Esta avalanche de sentimentos que me invadiu nestas últimas semanas, especialmente nestes últimos dias, parece de certo modo tão absurda, que seria fácil desacreditá-la. Mas percebo que, ao longo deste breve tempo, você dominou tudo que poderia controlar: minha razão e meu coração. Percebo que, de uma certa forma, desde este último domingo, estava vivendo uma fantasia, um desejo, algo que não sei explicar, mas que regeu minha vida por inteiro, como se a gente já estivesse junto, e há muito tempo!

Desculpe por algo que tenha ficado mal dito ou mal interpretado, mas você sabe, conheceu meu coração e minhas intenções! Em nenhum momento fiquei chateado contigo, como você me mandou numa mensagem logo depois de nossa última conversa, pode acreditar em mim! Mas fiquei sim, chateado comigo mesmo, por não poder ter controlado melhor a situação!!

Enfim, não estarei longe de você, nem um segundo sequer, porque isto não seria mais possível para mim! Apenas estarei te dando o tempo que precisa para resolver tudo nesta cabecinha, que acredito mesmo ter provocado a maior bagunça!!

Te adoro, estou morrendo de saudades.
Estou te esperando.......I wish I could just make you turn around!

Um beijo bem no mais secreto lugar do seu coração!!"

E, como não poderia deixar de ser, ele me mandou uma canção, que tinha ouvido durante a madrugada:

Take a look at me now - Phil Collins

How can I just let you walk away, just let you leave without a trace
When I stand here taking every breath with you, ooh
You're the only one who really knew me at all
How can you just walk away from me,
when all I can do is watch you leave
'Cause we've shared the laughter and the pain and even shared the tears
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me,
just the memory of your face
Well take a look at me now, who has just an empty space
And you coming back to me is against the odds and that's what I've got to face
I wish I could just make you turn around,
turn around to see me cry
There's so much I need to say to you,
so many reasons why
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me, just the memory of your face
Now take a look at me now, 'cause there's just an empty space
But to wait for you, is all I can do and that's what I've gotta face
Take a good look at me now, 'cause I'll still be standing here
And you coming back to me is against all odds
It's the chance I've gotta take
Take a look at me now

Hoje faz 9 meses que isso tudo aconteceu, e quando dei por mim.... ele estava na porta de casa.

Cenas do próximo capítulo aqui.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hora H 24 - Louco por você! (Diário da Mirys)

Conforme ele tinha me anunciado, ele foi pra Atibaia, atrás de mim. Uma cidade a uma hora de distância de onde ele estava. E ele tinha 12 horas de “descanso” até que o chamassem pra voar, de novo. Então, tudo que a gente tinha eram 10 horas. E muita coisa pode acontecer em dez horas!!!

Ele chegou, me mandou o torpedo elogiando minha roupa, procurou alguns amigos de Jaú que estavam por lá, e ficou na dele. Almoçou, conversou, riu e passou a tarde com outras pessoas. Enquanto isso, eu levava as crianças pra andar de trenzinho ou na piscina ou contava estórias ou brincava no parquinho ou conversava com uma amiga, esperando os pequenos terminarem o sorvete. Já tinha passado por ele, dito “oi” e só. Nadica de nada a mais!

De repente, num momento entre sair do quarto, ir pro parquinho, voltar pro quarto buscar alguma coisa, voltar pro parquinho, eu acabei passando perto de onde ele estava, cercado de vários amigos nossos. E a conversa deles era a seguinte (não deu pra eu ouvir, ele que me contou, depois): “H, chega de ficar sozinho, né? Você precisa arrumar alguém... alguém bacana, que valha a pena, que curta suas crianças. Alguma namorada!” E estavam na maior discussão, citando miiiiiiil nomes de miiiiiiil pessoas do nosso círculo, como possíveis namoradas para ele, quando eu passei. E uma das nossas amigas disse: “Já sei! A Mirys! Olha lá! Ela é bonita, é legal, gosta de crianças, é perfeita pra você!”. Então, ele não conseguiu responder o “não... nada a ver...” que estava respondendo para todos os outros nomes que sugeriam pra ele. Ele sorriu. “A Mirys? Sério?” “É, H, a Mirys! Não seria legal?”

SEM SABER dessa conversa, quase uma hora depois eu consegui 5 segundos livres e parei com o pessoal todo (que ainda estava ali, batendo papo), pra conversar. Discretamente... saiu um... saiu outro... saiu o terceiro... e, aos pouquinhos, ficamos eu e o H. Só. Então, ele riu e me contou do processo seletivo que estavam fazendo pra namorada dele. Eu ri.

“Mas, EU já escolhi, né Mirys?...”

Fiquei branca! Passada! Não podia ser verdade... Ele estava ali, na minha frente, olhando pra minha cara e insistindo nessa ideia de que me queria para namorada!!! Sem nunca ter saído comigo antes!!! Independente de tooooodo o meu “pacote completo”!!!

E eu, que tinha certeza de que, quando ele olhasse pra mim, ele desistiria... fiquei sem ação.

E minha irmã me chamou: as crianças precisavam de mim, no quarto. Eu tinha que escolher as roupas da noite ou qualquer outra bobagem dessas. Mas, eu aproveitei a deixa, me despedi e parti.

Certeza que ele iria embora, agora. Cer-te-za! Qualquer cara, no lugar dele, iria. Mas ele não era qualquer cara... e quando eu subi pra jantar, vi que ele ainda estava por lá. E ficou até de noite, após a programação. E me mandou um torpedo: “será que eu consigo conversar com você, de novo? Porque não te falei o que eu vim te falar... Só preciso de 5 minutos.”

Eu esperei toda a programação acabar, desci pro quarto, coloquei as crianças na cama e respondi. “Se você ainda estiver por aqui, AGORA eu posso conversar. Mas as crianças estão sozinhas e eu não posso ficar longe do meu alojamento. Então, se você quiser, me encontre aqui na frente.” Ao lado da piscina. Debaixo de um poste de luz! Porque eu não podia correr o risco dele me beijar... eu não podia beija-lo... eu não estava com tudo resolvido... Então, pra evitar qualquer problema, eu dificultei ao máximo! Mas, pelo visto, “Amantededificuldades” deve ser o sobrenome dele...

Ele foi onde eu tinha pedido. Na frente do meu alojamento (onde estava o resto da minha família!). Ao lado da piscina. Debaixo do poste de luz. E começou a conversar comigo como se tudo aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Me senti ridícula por estar fazendo um homem de 40 anos passar por tudo aquilo e saí da porta do quarto. Fomos para a lateral da piscina (eu ainda podia ver as crianças, mas estávamos menos expostos) e... só conversamos.

Além de TUDO, o H tinha palavra: “eu não falei que eu não ia te beijar? Eu não vou. Eu quero. Muito! Mas eu não vou. Eu só vim conversar e te dizer ao vivo o que já devia ter dito há muito tempo: Mirys, namora comigo?

“Mas H... de onde surgiu isso? Você nunca me olhou, a gente nunca teve nada, eu não sou o seu estilo de garota, você nunca ficou comigo... como assim você quer NA-MO-RAR comigo?”

“Mirys, eu não sei o que aconteceu, de uns meses pra cá. Mas eu só sei que eu sou LOUCO POR VOCÊ...”. Alguém aí lembra de alguma oração que eu fiz???

Cenas do próximo capítulo aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hora H 23 - Fechando o cerco (Diário da Mirys)


E lá fui eu, passar o feriadão num retiro delicioso em Atibaia! Pra quebrar aquele calor absurdo de fevereiro, nada como o clima de Atibaia... eh coisa boa!

Eu viajo com os meus pais, pra este lugar, desde que eu era uma menininha. Tem um pessoal enoooorme da nossa igreja de Jaú que vai pra lá e a gente ia junto. Afinal, pra quem não gosta de bailes de carnaval, mas gosta de ter muita coisa legal pra fazer, o retiro é o lugar ideal! Tem uma comida di-vi-na (sério! Sou viciada nas panquecas com mel, que eles fazem! Os organizadores vieram dos Estados Unidos e trouxeram a receita de lá. Hummmmmm!), tem caminhada toda manhã (amo!!!), tem música por todo lado (e apresentações estonteantes), tem amigos, tem momentos a sós, tem várias piscinas, tem tempo livre pra colocar o assunto em dia, tem estudos super interessantes, tem filmes. O meu tipo de lugar! E, toda noite, temos jantares temáticos!!! É muito divertido porque a galera toda entra no clima e já leva a roupa pra cada jantar, separada na mala! Rsrsrs E na penúltima noite sempre tem o jantar romântico... (suspiros) (tenho a história PERFEITA desse jantar pra contar, que aconteceu no ano passado, e levou quase todo o retiro às lágrimas. Mas não é algo romântico assim, de namorados... então fica pra outra hora, tá? Mas foi inesquecível!!!).

A nossa família, assim como muitas das famílias da nossa igreja, sempre foi pra Atibaia, no feriado de carnaval. A do H também ia. Mas, daí, os integrantes das famílias vão crescendo... se casando... surgem filhos... e os programas com “todo mundo” vão ficando mais raros. Nós ficamos sem ir pra lá por uns bons anos. Mais ou menos, quando a família do H parou de ir, também. Mas, há 3 anos, nós tínhamos recomeçado a tradição. Meus pais resolveram levar os netos pra passear e todos os 10 filhos (e esposos) iam também! É fantástico ficar por dias perto das minhas irmãs!!! Claro que temos que dormir meio “empelotados” porque, afinal, somos uma família de quase 30 pessoas (divididas em 3 quartos). Só que a gente A-DO-RA o programa farofa!!! Desta vez, eu estava dividindo o quarto (+ Guigo + Nina) com a minha irmã Ti e o meu cunhado Thi. As crianças são loucas por eles e, de manhã, eu aproveitava o sono preguiçoso do meu cunhado, deixava as crianças dormindo no quarto e ia fazer a tal caminhada, com a minha irmã (quase sempre a gente voltava, uma hora depois, e nenhum deles ainda tinha acordado! Rsrs).

O H, naquele ano, não tinha ido. Nem ninguém da família dele. A família tinha outros programas e ele estava trabalhando durante o feriadão. Mas, como sempre, a gente se falava por torpedos o tempo todo!!! Coisas de amigos, coisas banais, mas a gente se falava sempre! Como ele conhecia o lugar, também, ele sabia exatamente o que eu queria dizer quando escrevia: “meus sais... hoje tem panquecas!!!”. Ele não é fã, como eu, mas ele podia até sentir o sabor daquele café da manhã diferente (afinal, sabores da infância são difíceis de serem esquecidos, não é, não?).

Passou a sexta, passou o sábado, e, no domingo, do nada, o H me escreveu: “Mirys, você ficaria muito brava se eu fosse praí, só pra te ver?”. Brava??? Claro que ninguém ficaria brava com uma coisa dessas, mas eu falei pra ele não ir! Porque a minha família toda estava ali, metade da nossa igreja (e dos nossos amigos) estavam ali, as crianças estavam ali, e seria muito esquisito ele aparecer assim, “do nada”, querendo conversar comigo, de uma hora pra outra! “Mas Mirys, você não precisa mudar em nada a sua rotina. Faça o que tiver e quiser fazer, mesmo. Normal. Fique com as crianças, participe das programações. Eu só quero estar por perto. SE, em alguma hora, der pra gente conversar e se você quiser conversar comigo, a gente conversa. Pode ser?”

Ai, ai, ai, ai, aaaaaaaiiiiiiiii!!!
Eu tinha fugido tanto desse moço, dessa conversa, desse olho no olho!!! Eu tinha fugido em Jaú, na minha cidade, em várias noites onde ninguém conhecido saberia quem era a pessoa que conversava comigo. Eu tinha sido tãããão prevenida. Eu tinha planejado tanto evita-lo em todos os lugares comuns, onde alguém poderia dizer “Olha! A Mirys está conversando com o H! Só pode estar rolando alguma coisa!”. Pra ele querer ir conversar comigo num retiro evangélico?????

E se ele tentasse me beijar ali e não desse certo???? Pânico!!! Como eu faria, depois, pra seguir a vida como se nada tivesse acontecido??? E se eu não gostasse (ou pior, se ELE não gostasse) como eu ia, depois, explicar pra todo mundo da minha família que eu, a Miriane, aquela que não “fica” com as pessoas, resolveu que, agora, ela “fica” e foi “ficar” bem com o conhecido H????

E, honestamente, eu achava que não ia rolar “só conversar” com ele. Não= por mim, não= por ele. Não, por mim, porque eu já estava segurando essa situação por tempo demais, esperando resolver outras coisas da minha cabeça, que eu já tinha percebido que não se resolveriam 100% antes que se passasse muuuuuito tempo (e antes que eu decidisse estar, de vez, com alguém). Não, por mim, porque eu já estava viúva há mais de 2 anos e queria, SIM, alguém na minha vida, mas estava, SIM, morrendo de medo de começar tudo de novo, da estaca zero. Não, por ele, porque... bem... porque ele já estava apaixonado por mim fazia tempo e porque, vamos combinar, ele não era mais nenhum adolescente. Então, na minha cabeça, ficava impossível separar a conversa (que incluiria um pedido de namoro ao vivo, conforme prometido) e o beijo.

Me senti com 15 anos! Talvez, 14 até!!! Não sabia o que fazer, não sabia o que pensar, e pra piorar a minha situação eu estava lidando com um homem altamente resolvido e decidido. E apaixonado. Mistura explosiva...

“Mirys, pode ser?”
“Mas, H... está todo mundo que a gente conhece aqui...e eu tenho que cuidar das crianças atéééé de noite...”
“Mirys, eu só quero ficar por perto, CASO você possa falar comigo. Não quero que você mude nada do seu dia, está bem? Então, eu vou, eu fico com o resto do pessoal, até me chamarem pra voar, de novo. Você faz o que você já ia fazer, mesmo. SE der pra gente conversar, a gente conversa. Na hora em que você quiser, onde você quiser.”

“Se você vier, vai ser por sua conta e risco. Não posso garantir NEM que eu vou conseguir falar com você...”
“Como assim, ‘nem que você vai FALAR comigo’? O que mais você iria fazer comigo?” e ele riu da minha insegurança.

“Mirys, você está achando que eu vou além de conversar com você? Você está com medo de que eu te beije porque você me falou como era possível que eu quisesse namorar você se nem tinha te beijado e não sabia se ia gostar? Mirys...se você for ficar mais tranquila, eu prometo que eu não beijo você, tá? Eu quero. Mas eu prometo que não beijo.” Ele riu mais um pouco, me deixou sem resposta, disse que me encontrava dali umas horas e desligou.

Eu fiquei como barata tonta, imaginando mil cenas na minha cabeça do que poderia acontecer. “Eu vou conversar com ele... eu vou, FINALMENTE, conversar com ele! Ah!... Mas acho que, na hora em que ele olhar pra minha cara, em que ele perceber que a moça com quem ele vem conversando e trocando torpedos sou EU, a Miriane, aquela magrelinha, viuvinha, nada fashion, encanadinha, mãe de dois, mais novinha do que ele, lá da igreja, ele vai PERCEBER a bobagem que está fazendo e vai desencanar. Certeza! Só pode! Quando ele perceber que ela, a do celular, sou eu, ele vai mudar de ideia...”

Estava tão perdida nos meus pensamentos, quando o celular vibrou, que tomei um susto! “O que foi, mamãe?” “Nada, não, filhote”. E li a mensagem “estou aqui. E você está linda de vestido longo. Roupas coloridas combinam com você. H”

Cenas do próximo capítulo aqui.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Interlúdio 19 - a pausa (Diário da Mirys)

Naquela manhã, depois do “recomeço” no Brasil, eu tinha um sorriso no rosto, de uma criança que ganha o doce que ela estava esperando por muito tempo... Eu não esperava que me ligassem, aparecessem na minha porta com botões de rosa, saíssem fazendo declarações de amor pra mim. Mas eu tinha dado um grande passo, na descoberta de mim mesma. Eu tinha provado pra mim mesma que era possível e que, um dia, quando eu estivesse pronta, alguém que realmente me quisesse poderia aparecer...

Só que eu estava errada e, horas depois, ele me ligou. Falei tantos “nãos” praquele moço, logo de cara, que eu não sei nem se EU MESMA teria insistido em mim. Mas ele insistiu. E nos vimos, de novo.

Eu pensei com os meus botões: “vou fazer como a minha amiga C. Vou falar tudo, logo de cara. A pessoa só fica se quiser muito! E claro que ele não vai querer muito, tendo ficado comigo só uma vez. Ele vai se assustar com esse bla-bla-bla de sou viúva, tenho filhos, etc e tal. É isso. Vou fazer assim.” Sem perceber, eu continuava a me boicotar. Eu estava uma confusão completa e quem quer que aparecesse, nessa fase, ia acabar suportando situações nada comuns em relacionamentos normais...

Mas, nós nos encontramos e conversamos sobre coisas banais e agradáveis. Quando eu contei a história da viuvez, ele só perguntou se eu queria falar sobre o assunto. Eu respondi que não. Ele perguntou se eu estava bem. Eu respondi que sim. Ficamos instantaneamente amigos. E combinamos de nos encontramos de novo, de um jeito meio ligth, do tipo “a gente vai se falando”. Nada com dia e hora marcado. Aquela coisa meio ao acaso...

Eu: “Mas, eu não quero namorar. Não quero relacionamento. Não quero nada público. Eu não estou preparada.”
Ele: “Tudo bem, Mirys. Eu também não quero. Só quero continuar conhecendo você.”
Eu: “Então, a gente faz assim: se vê quando der e quiser.”

E pensei alto: “Isso vai ser uma deliciosa pausa na minha realidade...”
Ele sorriu.
Então, ficamos assim: ele seria a minha pausa e eu seria a dele.

Cenas do próximo capítulo aqui

domingo, 29 de julho de 2012

Interlúdio 18 - indecisão (Diário da Mirys)

Voltei da viagem com as energias recarregadas, cheia de pensamento positivo na cabeça, realmente disposta a me dar uma segunda chance. E uma terceira. E uma quarta. Quem sabe? Eu, que sempre fui de “relacionamentos”, de repente, estava com o maior medo de me envolver. Eu queria, sim, sair com alguém, encontrar alguém + conversar + beijar, mas me relacionar, assim, no sentido verdadeiro da palavra, eu dizia que eu não queria, não! Eu estava bem consciente e não ia esperar que alguém me ligasse no dia seguinte. Eu já me preparei pra não me frustrar.

Talvez eu tivesse o medo estúpido de que a próxima pessoa morresse, também. Ridículo, eu sei. Irracional, também. Mas eu pensei tantas e tantas coisas sem sentido pra maioria da população normal, enquanto atravessava essa fase de viuvez, que um pensamento maluco a mais, um a menos, não faria muita diferença. Talvez eu não estivesse preparada para envolver as crianças, a minha família, a família do Fer, com uma nova história. Talvez (certeza!) eu ainda me sentisse casada e pessoas casadas não namoram! Nem deveriam encontrar + conversar + beijar outras pessoas, também!!! Mas eu me sentiria “menos infiel” se não namorasse....

Por isso voltei disposta a mudar de ares, sair todo final de semana, ser observada, observar. Pessoas diferentes. Uma vida mais descompromissada. Mas, eu tinha minha listinha de exigências (que eu tinha passado até pra Deus, nas minhas orações, lembram?) e algumas das mais importantes eram:

• Que a nova pessoa não me conhecesse de antes, não conhecesse o Fer, não soubesse da minha história de vida. Já imaginaram como seria ir num barzinho, ouvir uma música, (eu) lembrar do Fer, pensar (“poxa... o Fer gostava/não gostava dessa música”) e ouvir a pessoa com quem eu saia falar “poxa... o Fer gostava/não gostava dessa música...”??? Não ia dar! Mesmo que a pessoa não falasse, eu tinha a impressão de que sempre iria achar que ela estava PENSANDO exatamente naquilo e não me falava por dó / ciúmes. Enfim, não me conhecer era pré-requisito;

• Que a nova pessoa não tivesse uma história de vida, também. Claro que, com 36 anos, eu não ia encontrar alguém que nuuuunca tivesse beijado, antes. Claro que não! Mas, eu podia achar alguém que não tivesse ex, filhos, fosse viúvo, nem nada forte e marcante assim. De “histórias tristes e pesadas” bastava a minha!

Naquela época, eu não podia ver o quão errada eu estava. E essas eram as minhas exigências! Por isso, quando voltei da viagem e, uma semana depois, tinha 5 pessoas querendo se encontrar comigo, eu me senti... frustrada! Porque todas, t-o-d-a-s elas eram pessoas amigas de ANTES. Todas conheciam o Fernando, tinham acompanhado minha história. Todas tinham suas próprias histórias de vida: fortes e marcantes e complicadas. E eu descartei qualquer possibilidade, logo de cara!

Eu achava que, agora, com a minha mudança de atitude, eu encontraria zilhões de caras por aí. Mas... eu sou muito boa na teoria e péssima na prática! Eu não saia nos finais de semanas (tenho várias desculpas, tá?), eu continuava vivendo em torno das crianças e das famílias, eu era a própria definição do Chico Buarque “todo dia ela faz tudo sempre igual”. Como, COMO eu esperava que uma pessoa nova fosse aparecer se eu só circulava onde já me conheciam??? Sou uma lástima...

E num sábado, fui trabalhar, com fotos, para uma família que eu amo. Festa ótima, gente amiga, "trabalho" que eu amo. E eu ainda podia comer, dançar e comemorar, entre uma foto e outra, pois eu também era convidada da festa. Mas, às 6hs da manhã, chegou a hora de ir embora.

Foi quando a única pessoa que eu não conhecia na festa (e, consequentemente, não me conhecia) veio falar comigo. Que eu era muito bacana. Que eu era simpática (ôh sina!). Que ele estava impressionado de conhecer uma menina que gostasse (e conhecesse) Beatles e Legião. Que ele tinha me olhado a noite inteira. E pediu pra me beijar... e eu disse um sonoro “NÃO”.

Nos milésimos de segundos seguintes, eu vi um filminho da minha vida passar por mim: me vi namorando o Fer, me vi casando, me vi fazendo planos de “pra sempre”, me vi sentada na beira da estrada no dia do acidente, me vi viúva e chorosa, me vi orando pedindo pra não ficar mais sozinha, me vi recebendo CINCO contatos de meninos diferentes, me vi falando pra Deus “ah, esses eu não quero porque eles já me conhecem...quero alguém diferente”, e me vi falando “não” pra pessoa “diferente” que estava bem ali, na minha frente. Eu me senti completamente ridícula, mas posso afirmar, com uns 98% de certeza, de que eu me virei pra ele e disse: “olha, volta... que eu mudei de ideia”. Talvez tenha dito... talvez não...

Mas ele voltou e ficou comigo, até umas 8hs da manhã. E eu voltei pra casa leve. Eu tinha beijado alguém. No Brasil. Em Jaú! Alguém tão dentro dos meus padrões (ou seja, fisicamente parecido com o Fernando), mas que desconhecia totalmente esse fato. Ou o Fer. Ou a minha história. Alguém pra quem eu era só uma garota que ele tinha acabado de conhecer e que podia ser que ele nunca mais visse...

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sábado, 28 de julho de 2012

Interlúdio 16 - a sua atitude muda a reação das pessoas (Diário da Mirys)

Depois de ver partir aquela pessoa com quem eu prometi passar o resto dos meus dias, depois de ficar sozinha por quase dois anos, depois de já ter chorado e orado tudo o que eu podia, eu enfim conseguia ver aquilo que o resto do mundo falava pra mim: eu era muito nova pra que minha vida acabasse ali, naquele acidente, junto com o Fer. Eu ainda teria mais coisas, viajaria pra outros lugares, veria novas paisagens, gostaria de outras pessoas. Enfim, eu continuaria a viver. Apesar de.

E eu comecei a fazer li-te-ral-men-te as três primeiras coisas da lista acima: entrei num trem, sozinha, de noite, em Hagen (Alemanha) e acordei em Praga (República Tcheca). Me apaixonei por Viena. Vi o castelo da Cinderela. E Barcelona (e a minha irmã) me aguardava, pra fechar com chave de ouro aquela viagem de 2 semanas que mudaria a minha vida.

Eu, que nunca tinha “ficado” com alguém, na minha vida, tinha ido pro outro lado do mundo e beijado um alemão! Ora, ora, vejam só!... Eu pensava nisso e gargalhava, sozinha, dentro de todos os trens que eu tomei!!!!

Aquele moço não era perfeito no momento só porque ele era totalmente diferente do Fernando. Não, ele tinha um plus: ele morava em outro continente e eu nunca mais iria vê-lo! Então, eu tinha o direito de errar. Errar feio, se preciso fosse. Eu podia beijar errado, falar bobagem, não ser a melhor companhia do mundo que TUDO BEM. Eu não ia vê-lo mais... Mas acho que não fiz nada disso. Porque, na manhã seguinte, já recebi um torpedo dele. E mais outro. E mais outro. E fui passeando, na Europa, trocando torpedos com um alemão. Enquanto eu andava sob a chuva de Praga, ele visitava amigos em Hagen. Enquanto eu me encantava com Viena, ele palestrava em uma faculdade. Enquanto eu chorava, na frente do castelo da Cinderela, no sul da Alemanha, ele trabalhava pra terminar um projeto. E, dentre muitos torpedos, ele me mandou um assim: “adoraria tomar um café com você em Stgd”.

Ele morava em Stgd, uma cidade grande, no sul da Alemanha também, mas umas três horas de trem de onde eu estava. E eu fui pra estação comprar a passagem pro próximo destino. Eu podia conhecer o leste da Suiça, antes de partir pra Barcelona.... ou ir pra Stgd, e partir pra Barcelona de lá. E como eu acho que passar pela vida sem emoções (saudáveis e que não trazem prejuízo pra ninguém) é uma COMPLETA BOBAGEM, eu comprei a passagem pra Stgd! Eu não ia avisá-lo, é óbvio! Não queria que ele se sentisse na obrigação de me acompanhar, na “cidade dele”. Eu ia visitar a cidade! Mas, se desse certo....

Meu último torpedo com ele tinha sido na noite anterior. Eu tinha parado numa cidadezinha, no meio do caminho, e já estava no trem, pra segunda metade da viagem, quando ele me mandou uma mensagem: “estamos na loucura pra entregar esse projeto. Desculpa não te ligar antes. Como está? Onde está?”. ONDE está! Ele tinha perguntado ONDE eu estava. Bom sinal, aquele.... Respondi que estava no trem, saindo da tal cidadezinha. “E aí, senhorita insone, qual a próxima parada?”. Eu falei sobre o insone e não falei sobre a parada. Eu NÃO queria que ele fizesse nada por obrigação e eu ACHAVA que ele ia se sentir assim, se eu falasse de Stgd. “Mas, me conta, qual o próximo museu que você vai ver?”. E eu falei o nome de um dos museus da cidade dele. “Você está vindo pra Stgd?????” Eu comecei a escrever que sim, mas que ele não precisava se preocupar e bla-bla-bla, quando chegou outro torpedo (só eu sei o quanto eu gastei de torpedos Brasil/Europa, naquela viagem) “A que horas você chega? Em qual plataforma? Eu VOU te buscar.” Simples assim.... jogando todas as minhas neuras ao vento e ainda abanando, que era pra não deixar dúvida....

Quando eu o encontrei, na estação, ele usava blazer e jeans... e tênis verdes! Juro! Comecei a reparar no pé de todo mundo por lá e isso era bem normal – usar tênis e voltar pra casa andando, depois do trabalho. Então, tanto fazia a cor, porque não era pra combinar, mesmo... Deixamos minha mala num depósito e ele me disse “vem, quero te mostrar umas coisas”. E lá fui eu, conhecer o centro histórico de uma cidade que tinha vivido as guerras mundiais, a reforma da igreja, etc e tal, acompanhada de um arquiteto!!! Um arquiteto legítimo e local!!! Pra quem é apaixonada por história, como eu, conhecer todos aqueles prédios e praças, com alguém que entende porque tal telhado é assim, porque tal fachada é assado, como era antes e como ficou depois, foi um deleite! Gastamos horas e horas andando, conversando, trocando ideias sobre costumes, países, gostos. Quando falávamos sobre temperatura (eu adoro o frio, mas m-o-r-r-o de frio, no menor ventinho – e estava um ventão), passou por nós uma menina linda, com uma saia minúscula. “Viu? Eu não sei como vocês conseguem! Eu jamais poderia usar uma saia daquela com um frio desses...” “Que saia?” “Daquela menina, que passou por nós, agora.” “Que menina?”. Dá pra não se sentir linda e única, do lado de um cara com uma atitude dessas?

“Está com fome?” E ele me levou pra um restaurante ótimo, num bairro alto da cidade. Escolheu uma mesa perto da parede, me sentou e se sentou na minha frente. No meu campo de visão, toooodo o restaurante africano e todas as pessoas que estavam lá. No campo de visão dele, só eu. E tomamos vinho, e jantamos, e conversamos mais. Em nenhum momento a gente tinha falado da gente ou ele tinha tentado alguma coisa, mas ele já tinha deixado bem claro que estava comigo. Naquele momento, eu não estava mais sozinha...

Quando pegamos a mala no depósito, caminhamos, pelo meio de um parque. “Não é perigoso? Já é mais de meia-noite!...” Pra minha sorte, na Alemanha, não era perigoso. E, no meio do caminho, ele parou na minha frente, segurou no meu rosto e disse: “é uma pena que você more do outro lado do mundo...”. E me beijou.

Naqueles dias, eu entendi que, se uma parte minha tinha morrido junto com o Fer, ainda tinha uma outra parte que tinha ficado. Que eu ainda estava viva... que eu ainda era notada... que eu ainda poderia ser desejada (no melhor sentido da palavra) por outro alguém... Que aquela estória de só existir uma tampa pra cada panela não é 100% verdade. Algumas tampas não vão te servir de jeito nenhum. São grandes demais, pequenas demais, priorizam outras coisas. Mas, não é possível que, num mundo tão imenso desses, só existisse uma pessoa pra mim, que ela morasse exatamente na mesma cidade que eu e que, se ela morresse (ou me deixasse por qualquer outro motivo), eu estaria fadada a ficar sozinha para sempre e sempre...

Depois de uma semana que eu estava no Brasil, eu recebi QUATRO propostas para sair / jantar de novas pessoas + UMA proposta de um ex-namorado. Tudo o que não tinha acontecido em quase dois anos, acontecia, agora, tudo junto, em uma semana! E eu parei pra prestar atenção que eu estava me arrumando mais, depois da Alemanha; me cuidando mais; saindo mais; sorrindo (sinceramente) mais. E que o que eu sentia por dentro fazia toda a diferença no que as pessoas viam por fora! Ou eu comecei a olhar mais para o lado... sei lá! Só sei que a MINHA ATITUDE de decidir recomeçar, até brigando comigo mesma se preciso fosse, fez toda a diferença....

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Interlúdio 15 - eu, finalmente, me encontrei... comigo! (Diário da Mirys)

(Se prepara que essa é longa. Mas vale a pena!!!)

Em 30 dias, terminei meus trabalhos pendentes, arrumei malas, guardei dinheiro, renovei passaporte, organizei casa + crianças + escola + carro, e parti para o aeroporto internacional de Guarulhos!!! Da última vez que eu tinha estado lá, tinha ido chorando (muito por dentro, só um pouquinho por fora). Eu ia realizar o meu plano com o Fernando de levar as crianças para ver a cidade onde eu tinha morado (Paris)... mas eu ia realizar sozinha. Tudo o que foi dele, comigo, foi a certidão de óbito, o boletim de ocorrência e o nome dele na certidão de nascimento dos pequenos. Sem essa “companhia agradável”, eu não podia tirar meus filhos do País e leva-los pra passear. Vou te contar, viu? Ninguém merece....

Mas, agora, eu voava sozinha!!!!

Por um lado, eu estava petrificada! Eu sempre amei viajar. De avião, então!!! Tem coisa mais gostosa do que dormir num lugar e acordar em outro, cheio de expectativas pra ver paisagens diferentes, comer comidas diferentes, ouvir línguas diferentes??? Mas... viajar sozinha era um RISCO GRANDE DEMAIS e eu tinha aprendido a não correr NENHUM RISCO, nos anos de viuvez. COM as crianças, eu ia pra qualquer lugar! Se algo acontecesse, estaríamos juntos. Mas SEM as crianças... E se eu não voltasse? Eles já não tinham pai! Eu não queria correr nenhum risco de deixa-los sem mãe, também... (desculpem a neura, mas quando você fica viúva com 35 anos, você tem neuras inexplicáveis para pessoas normais...)

Por outro lado, era a primeira vez que eu ficava sozinha, totalmente, desde o acidente! 20 meses depois, longos 600 e tantos dias, eu ia ficar, finalmente, sem ninguém conhecido por perto! Podia chorar, podia rir, podia dançar no meio da rua e ninguém ia falar “que absurdo, ela chorando desse tanto depois de tanto tempo” ou “que absurdo, ela rindo desse tanto depois de tão pouco tempo”... Era a minha chance de ser SÓ a Miriane. Não a mãe do Guilherme. Não a mãe da Helena. Não a filha do médico ou da regente do coral. Não... lá eu seria só eu mesma! Eu podia me apresentar como Miriane, a advogada, mas também poderia ser Miroca - a prima da noiva, Miriane – a advogada, Mi – a brasileira (claro que ninguém ia conseguir falar Mi-ri-a-ne, assim certinho, na Alemanha) ou como Mirys – a fotógrafa! Se eu quisesse mudar até o meu nome, eu podia!!! Eu podia me apresentar como Laura, Carol, Luísa, Ana, Ernestina que NINGUÉM iria saber. Ah.... o doce gosto da liberdade....

Chegando em solo alemão, sã e salva (e livre da 1ª parte das minhas neuras de morrer no vôo – porque ainda teria a volta), eu só pensei na parte boa! Desci do avião conversando com um grego super simpático (que estava indo CASAR com uma alemã! Foca, people! Foca! Eu não ia beijar o primeiro que aparecesse no avião! Kkk) e a minha trupe já me esperava, com flores, papel com meu nome e muitos gritinhos. “Quem é esse?????”

Eu teria duas semanas na Europa: uma semana com a minha família, conhecendo a Alemanha; no sábado, o casamento; dali eu partia sozinha, para uma viagem minha comigo mesma. A primeira semana foi incrível, vi lugares bárbaros, me apaixonei por um país que nunca tinha pensado em conhecer (tem alguns flashes da viagem aqui, aqui, aqui e aqui). Falei horrooooooores em inglês (amo!), tirei inúmeras fotos (eu e meus tios brincamos de ter um curso de fotografia, “ao vivo”, durante as viagens, porque eles já acompanhavam as “dicas de fotografia” aqui do blog. Muito fofo, esse meu povo!). Mas quase não vi homens morenos na Alemanha.... e os loiros que me desculpem (gosto é gosto e não se discute), mas são os morenos que me atraem. E eu nem lembrei dessa parte minha, que continuava escondidinha láááá no fundo do baú...

E na sexta, dia do casamento civil, eu tinha um vestido lindo novo alemão (baratérrimo, da C&A de lá) pra usar, tinha tempo pra me arrumar (não tinha que vestir duas crianças), tinha um ar leve. E lá fomos nós pro cartório. A moça que ia fazer a tradução pro inglês, ficou na mesa, ao lado do cartorário, que falava em alemão. Eu fiquei do lado dos meus tios, pra traduzir pro português. Qual era o problema? Eu já tinha ido em váááários casamentos DEPOIS de ter ficado viúva. Eu aguentava, eu sabia. Então, o alemão falava, a alemã falava (em inglês) e eu falava. Lindo. Tranquilo. Sussa. Até que... chegou naquela abençoada parte do “pra sempre”, do “todos os dias da vida”, do “até que a morte os separe”. Eu engoli em seco....

Era verdade, eu já tinha ido a um monte de casamentos. Mas eu SEMPRE me entretinha com outras coisas, quando chegava nessa parte. Eu cuidava das crianças, eu ensinava o Guigo a fazer uma foto das velas acessas nos arranjos, eu arrumava o cabelo da Nina, eu saia de mim. Só que, agora, eu tinha que traduzir o casamento! Eu tinha que ouvir e entender, em inglês, e falar e entender, de novo, em português. Eu tinha que prestar atenção DUAS VEZES em cada uma daquelas frases das quais eu tanto fugia!!! E eu tinha que fazer tudo isso sorrindo, para que ninguém pensasse que eu não estava feliz pela minha prima. Porque eu estava feliz por ela. Muito feliz! Mas eu estava destroçada, por mim mesma.... E o esforço para se conciliar duas coisas tão intensas e tão diferentes era muito grande!

Acabada a cerimônia, nós fomos almoçar e eu sinto que eu só consegui voltar a respirar umas 5hs da tarde, quando tudo já se encerrava e todos começavam a se preparar para o dia seguinte (cerimônia religiosa e festa). Eu fui caminhando com os meus tios, da casa dos pais do noivo até a casa onde estávamos hospedados, peguei minha bolsa e saí: “gente, vou no correio e já volto!”. Não tinha mais correio naquela hora... todo mundo sabia disso...

Então, eu vaguei sem rumo por uma hora, talvez duas. Eu andava e andava, numa cidade minúscula de 3 mil habitantes (se tiver!), evitando uma meia dúzia de ruas, onde estavam as casas que poderiam ter pessoas que me conhecessem. Eu chorei até não poder mais! Eu senti tudo de novo, ali. Eu revi um filme. Eu chorei e orei e pedi muuuuito por aquele casamento e pelo casamento de todo mundo que eu conhecia. Que ninguém mais passasse por aquilo que eu passava! Porque era triste demais, difícil demais, intenso demais....

Quando eu voltei pra casa, minha tia (que também tinha ficado viúva, um ano antes de mim), me pegou pela mão e disse: “vamos comigo? Porque EU quero dar uma volta.” Ela era alguém que me entendia, que sofria a mesma dor, que vivia o mesmo dilema, que estava na mesma situação. E foi tão reconfortante conversar com alguém que me entendesse 100%...

Nós duas andamos por mais umas horas, até as pernas não aguentarem. E chegamos a seguinte conclusão: chega! Já tinha dado! Já tinha sido tempo suficiente pra mim! Eu tinha cuidado das crianças, do trabalho, da casa, dos meus sogros, tinha dedicado tempo aos meus irmãos, aos meus amigos, ao voluntariado...era tempo de cuidar DE MIM! E de namorar, de novo. Ela sabia que eu não sabia nem como começar, que eu não conseguia manter um olhar, que eu não conseguia responder a uma investida, que eu não tinha o menor ânimo de me arrumar e sair. Mas, me incentivou a PRATICAR! Eu decidi que aquela ia ser a minha palavra de ordem, dali pra frente: praticar!!!! Eu ia olhar, mesmo que desse vontade de chorar. Eu ia conversar, mesmo que me sentisse culpada (porque me sentia casada). Ninguém ia saber o que eu tinha por dentro se eu estivesse sorrindo por fora. Então, eu ia responder recados, aceitar convites, sair de casa. Eu IA. E ponto final!

Mas é incrível o que pouco tempo e minha personalidade fazem comigo... na manhã seguinte, eu já estava COMPLETAMENTE envolvida com o casamento religioso. Eu só me preocupava em fotografar a noiva, a família, os preparativos, em fazer o buque (verde e amarelo – lindo!!!), em organizar as lembrancinhas “brasileiras”, em traduzir conversas alheias, em ajudar todo mundo em qualquer coisa que eles me pedissem. E pensava: “amanhã, às 6hs da manhã, eu tenho um trem pra Praga! Só eu! Então, A PARTIR DE AMANHÃ, a nova Miriane começará!...” E lá fui eu, no meio de microfones, balões, fotos e cartões para os noivos, curtir o casamento.

Às 4 e pouco da manhã, quando a festa já tinha acabado, os noivos já tinham ido, só haviam no salão umas 6 ou 7 pessoas. Exatamente 7, na verdade. Dois casais alemães, duas irlandesas e um alemão. E eu. Exausta. E ainda tinha que recolher as lembrancinhas que tinham sobrado. As irlandesas foram embora. Os casais foram dormir. O alemão ficou me ajudando. E eu constatei que EU ERA UMA LÁSTIMA COMO MULHER, mesmo!!!! Precisei esperar todas as outras almas viventes ao redor irem embora para perceber que o moço alemão estava ali, olhando pra mim, conversando comigo até o fim da festa, ajudando a recolher pacotinhos vermelhos e não era só pra ser gentil (até porque os alemães não são, assim, os mais gentis da Terra)!!!!! Afe...

Eu morri de medo, eu travei, eu comecei a falar bobagens em inglês, a ter um sotaque absurdo, a rir (de nervosa). E ele lá, impassível, como todo bom alemão. Só me ajudando. Me acompanhou (carregando a caixa com as coisas) até a porta do quarto. E... nada! Então, eu bati na porta, para minha tia abrir (eu dividia o quarto com ela), e ela não veio. E o moço se aproximou. Deixou a caixa no chão. Arrumou meu cabelo. E eu só pensei: “que bom – ele é loiro, de cabelo meio comprido e liso, do meu tamanho no máximo. Ele é diferente do Fer. Ele tem a voz diferente, o cheiro diferente, tudo diferente.” Porque era pra ser assim, mesmo, diferente!!!! Pra eu não criar expectativa nenhuma pra hora de abrir os olhos....

E então... minha tia abriu a porta!
“Oi Mirys. Desculpa. Esperou muito?”
E ela abriu os olhos direito e viu o moço ali, comigo.
“AhMiryseutovoltandodormir.Entrequandoquiser” (leia tudo rápido porque ela falou assim mesmo, encostou a porta e saiu)

Ele sorriu, sem entender nada (a gente falou português).
Eu sorri, entendendo tudo. Dele, da minha tia, de mim mesma.
E eu fui beijada...

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Interlúdio 14 - que seja do outro lado do mundo, então! (Diário da Mirys)

E nessa toada de estar sozinha, sem querer estar, eu fui levando. 1, 2, 3, 6, 8 meses. Levando... Já ia fazer dois anos do acidente e a cronologia do meu estado emocional era, mais ou menos, essa: nos primeiros 13 ou 14 meses, eu não conseguia NEM PENSAR na hipótese de ter outra pessoa. Nos primeiros meses, na verdade, eu não podia nem falar no Fernando ou em qualquer outro relacionamento de homem / mulher... eu tinha que sorrir, pedir licença e sair de perto, procurando o banheiro mais próximo! Não riam! É sério! Ridículo, mas sério, falar nesse assunto (“relacionamentos”) era apertar alguns botões dentro de mim e ter ânsia e desarranjar meu estômago/intestino, na hora!!! Automaticamente!!! Não sei como não emagreci todos meus 50 e poucos quilos....

Lá pelo 15º ou 16º mês, a companhia das crianças já não me bastava mais (eu AMAVA ficar com eles, mas não era o suficiente, entendem?), o meu trabalho não me realizava completamente, os meus hobbies e distrações não me satisfaziam... faltava alguma coisa. Faltava algo IMPORTANTE! Faltava alguém, aquele alguém capaz de me fazer sorrir com qualquer bobagem que falasse, aquele alguém que me abraçasse, me beijasse, me quisesse, aquele alguém que fizesse meu celular tocar, meu coração acelerar, minha voz falsear, que tirasse tudo do lugar e rearrumasse de um jeito só dele. Alguém pra quem voltar. Alguém por quem esperar ansiosamente no fim do dia, da semana, de uma quarta-feira qualquer.

Eu queria viver tudo aquilo, de novo, mas não sabia nem por onde começar! Eu não sabia mais namorar (eu tinha ficado com o Fernando por 16 anos e tra-la-lá, até ficar viúva dele... e isso é tempo demais), não sabia nem olhar para o lado, não sabia ser a Miriane na versão solteira. Afinal, eu tinha me empenhado tanto em ser a melhor Miriane que eu conseguisse, na versão mãe, na versão filha, na versão nora, na versão irmã, na versão amiga, na versão profissional... eu tinha consumido tanto tempo e energia com isso, nos últimos anos. Até ser esposa eu sabia. Eu me lembrava! Porque “esposa” eu tinha sido, há pouco tempo atrás... mas namorada, não! Paquera, não!

Na verdade, eu MORRIA DE MEDO de um momento em especial: o depois do beijo. Na minha cabecinha confusa, eu pensava que eu podia “até beijar” alguém... mas eu não iria abrir meus olhos nunca mais! Porque e se eu abrisse os olhos, esperando ver o Fer, e não fosse ele quem estivesse lá?????? O que eu faria???? Crise de choro? Crise de riso (eu tenho isso quando fico super nervosa)? Sentiria um vazio maior ainda? Me sentiria traidora? Me sentiria abandonada? E eu sabia que não seria ele que estaria lá... é claro que não seria...

Perdida nessa minha loucura de viuvez, eu não beijei ninguém. E pior: eu achava que não beijava porque ninguém queria me beijar, sem perceber que a “culpa” era minha mesmo, e dos meus medos completamente irracionais...

Mais tempo se passou e uma prima amadíssima me ligou. Em resumo: “Mirys, vou me casar na Alemanha (com um alemão, claro!), com meu namorado da Irlanda. Mas eu não falo alemão e ele não fala português. Então, o casamento será todo traduzido pro inglês (língua que os dois falavam). Mas, meus pais vem pra cá e eles não falam nem alemão, nem inglês. Você pode vir pra traduzir?” Claro que esse pedido veio no meio de um monte de “Miroca, love you, baby”, “Miroca tô morrendo de saudades”, “Miroca, quero tanto te ver, de novo” – porque eu e as minhas primas somos assim, praticamente irmãs, mesmo!

E eu pensei que só teria um mês para organizar férias, dinheiro, passagem, trabalho, vestido. Que eu não sabia NADA de alemão e que nunca quis ir visitar a Alemanha. Que não teria ninguém para fazer a viagem comigo. Que teria que pedir para a minha mãe largar toooodas as coisas dela e vir pra minha casa, ficar com as minhas crianças, por duas semanas (e eu detesto tirar os outros do conforto deles para resolver as minhas coisas). Que eu não conheceria ninguém naquele casamento, além da minha prima e dos meus tios.

E eu pensei: WHAT THE HELL (tradução livre e light minha: “oras bolas, por que não?”). E eu fui. Quem sabe, lá na Alemanha, eu beijasse alguém?......

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Presentes" pra mamãe (Diário do Guigo)

Nova mania na área, pessoal!!!! A mãmi anda mais feliz, mais empolgada com a vida, mais "musical", mais (mais???) alto astral! E a gente resolveu entrar na onda e ficar saltando de alegria, também!

E uma das melhores maneiras de mostrar que você está feliz (e deixar as outras pessoas felizes, de tabela!) é abraçando e beijando. A mãmi é super ultra mega maxi ultra fã de beijos e abraços!!! Ela ama, ama, ama!!!

Então, aqui em casa, agora, o tempo todo é assim: "mãmi, tenho um presente pra você..." Corro, dou um super abraço nas costas dela (se ela estiver sentada ou deitada) e mando um monte de beijos!!! E vou contando: "um, dois, três, quatro, cinco! Pronto! Te dei cinco presentes!!!"

Só pra provocar, eu pergunto: "quantos presentes você quer hoje, mãmi?"
Só pra me provocar, ela responde: "trinta!"
E eu fico dando beijos nela o resto do dia, até a cota dela acabar!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mamarazzi - Friday (Diário da Mirys)

I know, I know... I should have posted this on Friday... I´m sorry!!! I have a quite busy day (weekend, actually). And I think better now than never, right?

I know, I know, these pictures should have a "mommy" on them. They don´t. But who could resist to a ballerina????? I don´t!!! When I saw her like this, I started to take pictures!

Eu sei, eu sei... eu deveria ter postado isso na sexta... desculpem!!! Mas eu tive um dia muito cheio (todo o meu final de semana foi uma loucura!). Então, eu acho que é melhor tarde do que nunca, né?

Eu sei, eu sei, a ideia do projeto era ter a "mãe" nas fotos. E essas fotos não tem a mãe. Mas... quem poderia resistir vendo a Nina arrumada assim??? Eu não consegui!!! Quando eu a vi de bailarina branca, linda linda, eu comecei a tirar fotos!!!
I was driving with one hand and holding the camera on the other hand, clicking, clicking (guys, don´t try that at home!). ´Cause I just have few minutes before she was inside the school. At a traffic light, when I saw the pictures, I saw an "attack"!!!

Eu estava dirigindo com uma mão e segurando a câmera com a outra, clicando, clicando (galera, não tentem fazer isso em casa!). Mas era só porque eu tinha apenas alguns minutos antes de deixá-la na escola. No semáforo, quando eu vi as fotos, eu vi um "ataque"!!!
"- Hey guys! What is that??? How sweet..."
And Helen answered me "- I don´t like... it is not fair... he NEVER ALLOWS me to kiss him..."

"- Ei galera! O que é isso??? Que lindo..."
E a Nina respondeu: "- Eu não acho... não é justo... ele NUNCA me DEIXA beija-lo..."

quarta-feira, 23 de março de 2011

Era uma vez 7 - Sendo beeeeeem honesta (Diário da Mirys)


O Fer sempre teve a namorada oficial dele. E eu respeitava isso. Até porque eu também tinha namorado.

Mesmo quando eu largava do meu (a gente deu um tempo um bilhão de vezes), eu não pensava no Fer como uma possibilidade. Porque ele tinha alguém! E, comigo é assim: namorado (noivo, marido, enrosco) de amiga minha, para mim, é mulher! E amigo meu com namorada (noiva, mulher, enrosco), também. Não dá. Pra mim, não dá! A pessoa fica, praticamente, asexuada, sabem?

Agora, sendo muuuuuuuuuuuuuuuuitooooooooooooooooo honesta, eu nunca quis o Fer (antes de ter algo com ele), mas já quis um beijo daqueles que ele dava muitas e muitas vezes. Eu e a torcida do flamengo! Eu tinha visto o Fer ficar com algumas meninas. Na minha casa, inclusive. Com a minha ajuda, inclusive. Nos períodos em que ele estava "dando um tempo" com a namorada.

Teve uma vez, na varanda da casa da minha avó, que ele ficou com uma amiga nossa. E eu e a M. estávamos por perto. As duas olhamos pra eles, na hora, olhamos uma pra outra e falamos (só com mímica labial, para eles não ouvirem, né?): "eu também queeeeroooo!". Que beijo era aquele, meus sais!!!!???????????? Sabe quando você vai pro cinema e vê um beijo cinematográfico na tela, daqueles que dão vontade, e você beija o seu namorado ali do lado ou não vê a hora de sair do cinema para ligar para ele? Então... foi um cinema ao vivo! Eu queria um daqueles!!! A M. também!!!

Não com o Fer, claro. Pois ele estava com a nossa amiga E nós duas tínhamos namorados. Mas, ficamos pensando (e discutindo por dias, depois) que aquele beijo devia ser muito bom... Anos depois, eu descobri! Há! Demorei, mas abalei!!!

Noutra vez, o Fer tinha terminado com a namorada e estava "namorandinho" uma moça enorme e maravilhosa (modelo), lá da cidade da faculdade, mesmo. Na mesma época, a mãe dele resolveu se mudar para aquela cidade e ele começou a fazer a mudança (da república para o apartamento novo), com o irmão dele. Eu, como boa amiga que era, fui ajudar na mudança. Eu e uma amiga, que já tinha tido umas quedas (de uns 40 metros) pro lado do Fer.

E lá estávamos nós, arrastando móveis, limpando coisas, procurando desesperadamente uma fita K7 para colocar no aparelho, organizando sala, quarto, cozinha, banheiro. Estávamos os 4 (eu, minha amiga, meu futuro cunhado e o Fer). Quando finalmente terminamos (aquele dia), pedimos uma pizza. A campainha tocou e não era a pizza. Era a namorada modelo e a irmã dela (também modelo).

Elas chegaram, sentaram no sofá (vulgo colchão) da sala e ficamos os 6 batendo papo. Até que, de repente, eles se beijaram (o Fer e a namorada). Eu olhei pra minha amiga, ela olhou pra mim e nós devemos ter feito uma cara de desespero total (eu estava há dias longe do meu namorado número 4) que uma entendeu a outra sem uma palavra. "Eu também queeeeerooooooooooo!". Meus sais... como aquele menino beijava bem (pra quem assistia, pelo menos. Que, na época, essa era toda a perspectiva que eu tinha!).

Ufa! Assumi! Me sinto mais leve!
Agora posso continuar a história sendo 100% honesta com vocês.
E lá fui eu viajar com a namorada oficial do Fer...

Para mim, o melhor beijo cinematográfico dos últimos tempos! Sério! Se você não viu Identidade Bourne (ou se não reparou na cena do beijo... peraí! Em que planeta você vive???), veja! É inspirador!... O melhor!!! Disparado!!!

Cenas do próximo capítulo aqui
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sábado, 27 de novembro de 2010

Minha namorada e a sogra dela (Diário do Guigo)


Que a Nina seeeeempre foi beijoqueira, todo mundo já sabia. Mas eu sou menino! E tenho 6 anos! Então, não sou muito de beijos e abraços, principalmente, em público. Antes, se a mãmi me desse um beijo, na porta da escola, por exemplo, eu já ia limpar e mandar um "-pára mãe..." calminho, educado, mas definitivo.

Só que as coisas mudaram por aqui e eu cansei de ouvir a mãmi elogiando toda santa vez em que a Nina dava um beijo nela (e isso acontecia um milhão de vezes por dia!). A Nina lascava um beijo na bochecha da mãmi e "-que delícia, filhota!"; a Nina dava um beijo na mão da mãmi e "-nossa! Pareço uma princesa ganhando beijos na mão!"; a Nina mandava muitos beijos no braço da mãmi e "-ai como eu adoro essa filha beijoqueira!". Depois de ouvir tantas e tantas e tantas vezes esses elogios, eu também quis alguns pra mim e... comecei a beijar muito minha mãe! Será que foi uma tática dela???

Daí, num dia desses, quando eu estava numa sessão "ataque de beijos" com a mãmi, com beijos e cosquinhas, rolando pela cama dela, a mãmi disse: "você pode ficar beijoqueiro assim pra sempre, que eu vou adorar!"

"-mas, mãmi, um dia eu vou ter que parar porque vou ficar grande..."

"-é verdade, filho. Quando você ficar grande, não vai mais querer dar beijos na mamãe, mas só na sua namorada... Então, deixa eu aproveitar agora!"

"-mas, mãmi, está tudo bem (mãmi ama essa frase!)", respondi levantando as sobrancelhas e balançando a cabeça. "-quando eu estiver maior e tiver uma namorada, eu vou explicar pra ela que preciso beijar a minha mãe, também!"

"-yuhuuuuuuu!!!!!" E tomei um ataque de beijos da mamãe!...