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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Em resumo... (Diário da Nina)

Num resumo, beeeeeeeem resumido, o final das férias foi assim:









Explorações a vários lugares incríveis, muitos amigos jantando / dormindo em casa, distribuição de livros por aí, horas intermináveis de conversas e jogos de computadores, muitos filmes, preparação (e curtição) de aniversário de amigos, saudades de muitos queridos que não deu tempo de visitar, presença na gravação de um DVD de uma banda de rock, experimentos de comida japonesa (adorei sushi!), comemoração do primeiro ano de casamento da mamãe e do papai. Fotos, muitas fotos! Porque daqui uns meses (ou semanas), a gente quer reviver tudo isso!

Me segue no Instagram? http://instagram.com/mirianesegalla

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MAMARAZZI WEEK - maio / 2013 (quarta)



Adoro véspera de feriado. Adoro amigos em casa. Adoro ser tia!!!

MAMARAZZI WEEK - maio/2013 (terça)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MAMARAZZI WEEK alheio - Dani, Nayla e Vini (Diário do Guigo)

De vez em quando, a gente dá sorte - o MAMARAZZI WEEK inspira alguém que a gente ama muito, mas não mora perto o suficiente pra visitar toda hora! E a gente acaba recebendo fotos liiiiindas (tipo essas, da tia Mila, do blog super bacana "Casa com Detalhe") e acompanhando o crescimento de gente pequena que mora longe de nós.

Neste último mês, foi a vez da tia Dani presentear a mamãe! Elas são amigas desde a 4a série (tipo 7/8 anos de idade) e sempre participaram muito da vida uma da outra. Iam pra escola juntas, estudavam juntas, penduravam no telefone todas as noites. Quando cresceram e a mamãe mudou de cidade, elas se falavam por cartinhas (a MãMi a-do-ra um envelope chegando pelo correio...). Depois, quando eu nasci, elas voltaram a morar na mesma cidade, por 5 anos. Até que a gente se mudou, de novo.

A tia Dani teve uma bebezinha há 17 anos atrás e fez minha mãe virar "tia", com o peito cheio de orgulho, aos 20 anos!!! E, pra surpresa de todo mundo, minha tia teve o Vinícius muuuuuuuuuuuuuuito tempo depois. E eles viraram, assim, uma família maior, diferente da maioria, que mistura estudos pro vestibular com choro de bebê. Uma família completa!


(Segunda: Nayla "eu tinha acabado de voltar do ballet... Quando cheguei em casa, mamãe estava dando mamar para o Vini. Daí, depois tiramos a foto!")

(Terça: Nayla "Essa foi na hora do almoço, na casa da minha avó!")

(Quarta: Nayla "Feriadão! Tinha acabado de tomar banho pra sair, foi correria pra foto! Hahaha")

(Quinta: Nayla "Vini estava daaaando trabalho na hora do almoço.. Colocamos ele no colo pra foto, e ele saiu chorando mesmo.. O dia-a-dia é assim, né? Hahaha")

(Sexta: Nayla "O Vini estava quietinho na sexta, dando risadas, uma delícia!")


Pessoal, a gente ama MUITO vocês, tá? Obrigado por terem participado deste "mamarazzi week"!

PS: e você, participou? Mande suas fotos pra nós!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Amigas de infância! (Diário da Mirys)

Há muito tempo... num reino muito, muito distante... uma menininha de 8 anos mudou de escola. Foi para a 4a série (ainda era "série", pessoal! Olha a antiguidade desta lenda urbana! rsrs), numa escola pública, bem mais perto da casa dos seus pais. Ela vinha de uma escola particular, aprendia fácil e, por causa destes dois fatores, ela era... chatinha! E é muito difícil para uma criança chata fazer amizades. Mesmo praquelas que não são tímidas (e ela não era).

Já no primeiro dia, uma outra menina ficou por perto. Essa foi a primeira e única amizade daquela garota extrovertida por um booooom tempo.

O tempo passou e as duas meninas iam ficando cada vez mais grudadas. Passavam a manhã toda na escola, juntas. As tardes, faziam tarefas e estudavam pras provas, juntas. Às noites, não era raro o pai da menininha manda-la desligar o telefone (fixo, ainda... ôh antiguidade...) porque ela já estava há hooooooras conversando com a sua amiga.

As 2 cresceram e a vida (ah, essa engraçadinha...) deu um jeito de separar as amigas. Mas só fisicamente. Em lugares e épocas diferentes, elas viajaram, estudaram, tiveram filhos, casaram, enviuvaram, se formaram (na mesma faculdade, mas com anos e anos de diferença), trocaram de casa, de emprego, de sonhos. Ás vezes, ficaram separadas por ruas... outras por estradas (uma em cada canto do estado)... outras, ainda, por oceanos. Mas, sempre davam um jeitinho de participar da vida uma da outra!

A amiga já foi considerada "culpada", por muitas vezes, pelas bobagens que a menininha fazia (porque ela sempre estava por perto). Mesmo assim, seu apelido era "consciência" porque ela sempre foi mais sensata e centrada. A menininha não... ela era passional, sonhadora, se arriscava. Ela viajou por vários lugares e sempre tentava levar a amiga junto, através de inúmeros cartões postais e cartas de 4, 5 páginas! Com todos os detalhes que uma amiga poderia querer e que fazem as pessoas serem "elas mesmas", no meio de tanta gente.

Com 20 anos, a amiga sossegou: se casou, começou a trabalhar e deu o melhor presente que a menininha podia querer naquele ano - teve uma filha linda! Alguém que foi a primeira pessoa a chamar a menininha de "tia"!!! E como ela adorou aquele novo título!!!!!! Mas, ela ainda não tinha aquietado: faltava fazer uma pós, faltava morar fora do país, faltava conhecer mais pessoas, mais lugares, mais culturas... e a menininha só foi engravidar com 29 anos. Como ela torceu pra sua amiga ficar grávida junto!!! Não seria incrível???? Seria... mas não aconteceu. E a menininha engravidou, de novo, dois anos depois. De novo, a mesma torcida pra ter sua amiga na mesma experiência, no mesmo momento. Mas não era pra acontecer.

Mais (quase) uma década se passou e, numa bela tarde, a menininha recebe um torpedo: "você vai ser tia"!!!! Ela leu, releu, releu, releu, releu, releu, apertou o botão verde do celular (beeeeem mais moderna, agora, a nossa estória) e perguntou pra amiga se estava lendo o que estava lendo. SIM!!!! E de um menino!

E foi assim que (17 anos e) 9 meses depois, a menininha pode registrar esses momentos e participar, mais uma vez, da vida da sua amiga! Quanta honra!!!























Seja muitíssimo bem vindo, Viní!
Celebraremos o dia 26.02 pra sempre!!!
Eu JÁ te amo!!!
Tia Mi


Falem a verdade? Ela não ficou uma grávida LINDÍSSIMA?????? Eu acho!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Amiga não mais secreta - Blogagem coletiva (Diário da Mirys)

Eu curto uma festa! Curto uma comemoração! Curto muuuuito dar presentes! Curto conhecer gente nova! Curto celebrar meus amigos!

Então, no final do ano, quando alguém me convida pra um "amigo secreto" eu entro correndo!!! Porque é uma delícia preparar algo, com carinho, pra alguém... e ficar na expectativa pra ver QUEM te tirou!

Há dois anos, sou convidada pra participar do "Amigo Secreto das Blogueiras". Cada uma de um lado do Brasil, com maneiras de escrever diferentes, temas de blogs completamente diversos do meu... mas SEMPRE gente muito bacana pra ter por perto (nem que seja virtualmente falando)!!!

Desta vez, quem me tirou foi a... tcham - tcham - tcham - tcham.....

Já conto, após os comerciais!
rsrsrsrs

Primeiro vou mostrar um pouquinho do blog dela! LINDÍSSIMO!!!!! Pra quem gosta de ver umas casinhas lindas e se inspirar, ele é perfeito! Cheio de dicas interessantes para dar "aquele toque especial" no seu lar, doce lar! Quer exemplos? Estão aqui, ó! Sala, quarto, varanda, cozinha, banheiro, tudo liiiiiiindo numa "Casa com Detalhe"!!!













Além disso, de vez em quando, a dona do blog faz coisas mega fofas, só pra colorir / enfeitar / facilitar nossas vidas! Olha que mimo!!!



Se você já conhece o blog "Casa com Detalhe" sabe que eu estou falando da super talentosa MILA!!!! Se você ainda não conhece... corre pra lá!!!

E se quiser conhecer outras participantes da brincadeira e ver os presentinhos, é só seguir a lista! Tem muita gente fina, elegante e sincera por aqui!!!!

Ana - A mãe dos gêmeos (minha amiga querida - que eu tirei!!!) / Daia - Realizando um sonho em BH / Juliana - Miss Florinda / Karina - Melhor da Vida / Keilla - Casa da Dona Keilla / Lana - Surpresa para namorados / Lidi - Espaço Tilidi / Liz - Que baderna! / Marcelly - Má relicário / Mel - Artes da Mel / Michelle - A casinha da Mi / Pry - Uai, passa lá em casa / Sheila - A casa da Sheila / Tássia - Amo decoração / Tami - A casa da Tami / Valéria - Miscelânia em Artes


E os presentes SUPER A MINHA CARA, que eu ganhei da Mila, foram (sim, no plural! Porque ela não me mandou só um presente... eu não disse que ela era o máximo???): um álbum de fotografias (onde eu decidi guardar os 1.403.506.782 postais que eu recebo dos amigos queridos que nunca se esquecem que eu adoooooro receber coisas pelos correios) + dois vasinhos de pimentas (que já foram enfeitar a minha sala! Uhu! A MINHA casa ficou "com detalhe"... ai, ai...).







Obrigada, Mila! Amei!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um livro novo... (Diário da Mirys)

Algumas pessoas, nesta vida, a gente ganha de presente!!! Você não fez que fez pra conhecer, você não frequentou os mesmos lugares, você nunca viu e pediu o telefone, nada. Um dia, por um acaso, a sua vida se tromba com a de outra pessoa e, plim, uma amizade começa.

Com ele foi assim. Ele era amigo do amigo do amigo. Mas, um dia, a gente se trombou. A esposa dele estava junto e ela era adorável! Rolou uma amizade instantânea!!!

E quando eu estive no pior momento da vida, eles estavam lá! Com pouquíssimo tempo de amizade, mas eles estavam lá! E me ajudaram, e me apoiaram, e me receberam na casa deles, como se me conhecessem desde a infância... Muito sábios, eles já tinham conhecimento que AMIZADE não se mede só com tempo...

Hoje, eu recebo o texto abaixo, de autoria do E. Quando leio não posso deixar de pensar "queria tanto que EU mesma tivesse escrito isso...". Porque é exatamente assim que eu penso. E é tão lindo, é tão verdadeiro, é tão perfeito!

Quando 2012 começou, ele era todo seu.

Foi colocado em suas mãos...

Você podia fazer dele o que quisesse...

Era como um livro em branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração. Podia...

Hoje não pode mais; já não é seu, é um livro em fase final...

É um livro já escrito... Praticamente concluído.

Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo.

Estará fora de seu alcance.

Portanto, antes que 2012 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado.

Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo. Leia tudo...

Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo.

Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não, não tente arrancá-las. Seria inútil. Já estão escritas.

Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.

Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.

Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.

Não importa como esteja...

Ainda que tenha páginas ruins, entregue-o e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!

2013 está chegando...

Ser-lhe-a entregue outro livro, novo, limpo, em branco, todo seu, no qual você irá escrever a História que desejar...


Leio isso ao som de "if", num saxofone sendo praticado na sala ao lado... não é pra ficar pensativo?....

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nenhuma diferença (Diário da Mirys)

Uma história. De uma grande amiga. Como poderia ser a de qualquer outra pessoa, decidi traduzir em um texto...

"Eles se separaram. Uma dessas coisas normais que acontecem na vida. Mas ela pensava nele...e pensava se ele pensava nela. Até que, um dia, ele tomou coragem e ligou. Disse que estava com saudades da voz dela, das ideias dela sobre a vida, até das dicas de livro que ela lhe dava.

- Mas não quis ficar te ligando, toda hora...

(- por que não?) pensou ela.

- Porque eu me lembro que você achava ridículo quando o seu ex te ligava.

(- mas você não é o meu ex...)

- Mesmo você dizendo para ele não te ligar mais, como disse pra mim.

(- mas, pra ele, eu queria dizer exatamente isso. Pra você, era só charme...)

- E você dizia que não tinha condições de vocês terem um relacionamento, assim como disse pra mim.

(- com ele, eu não tinha, mesmo. Mas com você, eu só falei pra ver se você virava, num rompante, e dizia que você queria ficar comigo, de qualquer jeito, apesar de qualquer coisa...)

- E eu vi que entre ele e eu não tinha nenhuma diferença. Por isso não te liguei antes e não vou ligar mais.

E ela percebeu que, às vezes, as histórias são assim, mesmo, complicadas. Tão iguais por fora e tão diferentes por dentro. Mas ela esperou que ele percebesse a diferença que ele tinha e ligasse e insistisse e tentasse. Mas, ele não ligou... Talvez ele e o ex não tivessem, mesmo, nada de diferente, no que dizia respeito a 'gostar' dela."

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Hora H 22 - Quando você tem medo do desconhecido, tem sempre alguém que te leva pela mão (Diário da Mirys)

E chegou o final de semana, de novo. Será que agora, finalmente, nós iríamos conversar? Será que, finalmente, eu ia ouvir o pedido de namoro ao vivo e tomar uma decisão? Porque, até então, todas as nossas conversas e todas as declarações dele tinham sido por textos. Torpedos... e-mails... bilhetes... mas eu fugia de uma conversa cara a cara. E ele esperava o “meu momento certo”.

Mas o sábado passou, eu encontrei uma desculpa plausível, e não o vi. No domingo, quando eu não teria como escapar... eu escapei! Na saída da igreja ele pediu pra conversar comigo e eu disse que tinha coisas para arrumar, pois iria para um curso, em São Paulo, na semana seguinte. Coisa de trabalho, coisa importante, coisa que não dava para ele argumentar “resolva depois, por favor”. E eu fui embora. Na verdade, eu não tinha só a mala para arrumar... eu tinha a MINHA CABEÇA para colocar em ordem!

Fui pra Sampa, de madrugada, pensando um milhão de coisas, dentro do ônibus. Por que eu insistia no que não era pra ser? Por que eu não aceitava o que estava tão explicito, na minha frente? Por que eu orava e pedia por alguém que fosse louco por mim e, quando isso acontecia, eu ficava esperando alguém gritar “pegadinha!”? Por que eu achava tão impossível assim o H se interessar por mim? Por que eu achava que, na verdade, beeeem lá no fundo, ele não me queria tanto assim e que quando ele percebesse que eu era um “pacote completo” (eu + Guigo + Nina + neuras de viúva + família minha super presente + família do Fer + gato + cachorro + papagaio), ele ia sair correndo? Bom, pelo menos, eu ia ter uma semana pra pensar...

Melhor do que tempo, em Sampa eu tinha AMIGOS!!!! Muitos e queridos amigos!!! Com quem eu poderia conversar sobre as possibilidades, ver minha vida com outros olhos, colocar tudo sob um novo prisma! E foi exatamente o que aconteceu...

Entre uma pizza e outra, uma garrafa de vinho, anéis de cebola, passeios em livrarias (amoooooooooo livrarias em São Paulo), uma batida de pernas na 25 (pra comprar lembrancinhas pras crianças – eu faço isso SEMPRE que viajo. Eu trago nem que seja um lápis novo, só pra dizer, com algo concreto, “eu me lembrei de você”)...eu fui conversando, conversando, conversando. Contei os últimos meses para os amigos mais íntimos, falei sobre as minhas questões internas, sobre as minhas orações, sobre as reações das crianças, sobre tudo!

E, na última noite em Sampa, eu fui visitar meu primo (aquele músico, que me convidou pra ver os shows dele), a esposa dele e o filhinho, ainda na barriga dela. Falamos sobre crianças, dietas, choro de bebê, noites insones (pouquíssimas, no meu caso, graças a Deus!), relacionamento pós filho e todo esse mundo novo da maternidade / paternidade que começava pra eles. E entramos no “meu assunto”. E eu descobri que além de tooooodas as “neuras” que eu tinha com relação ao H, eu ainda tinha umas “neurinhas” com relação à profissão dele. Porque, sabe como é né? Piloto de avião... toda aquela fantasia no imaginário coletivo... uma vida muito diferente... uniformes... todo mundo viajando e conhecendo e vivendo em outros cantos... Como que uma pessoa assim ia se encaixar na minha vida “normal”, de casa, filhos, trabalho, conversas no final da tarde do tipo “oi, como foi o seu dia?”???

Pra salvar a minha ilustre e pensante cabecinha, a Vã, mulher do meu primo era... comissária de bordo! Ela também vivia aquela vida do H (de um jeito diferente, mas vivia! Muito mais próxima do “mundo dele” do que do meu), ela viajava, ela estava sempre arrumada, ela usava uniforme, ela convivia com pilotos! Aquela fantasia toda era a vida dela!!! E ela me apresentou, direitinho, o que era real e o que era só fruto da imaginação (fértil) coletiva. E meu primo estava casado com ela, vivendo um relacionamento estável e feliz (tudo bem que músicos também não têm nada de vida normal, nada de rotina, nada de brincar de casinha como pessoas ordinárias como eu! Eles também fazem parte do imaginário da juventude de qualquer um, com uma vida sem ritmo, sem rotinas, sem 7 dias no mesmo lugar, cheia de aventuras. Mas, mesmo assim, ele me serviu de parâmetro). Se dava certo pra eles, também poderia dar certo pra mim!!! Tudo era uma questão de tentar e dos DOIS estarem beeeeem a fim de fazer aquele relacionamento dar certo!

Só faltava o improvável dia da minha “conversa ao vivo” com o H, para eu discutir certas coisas, apresentar meus medos, ouvir o que ele tinha pra dizer, para poder ponderar o MEU caso! Porém, no final de semana que se aproximava seria o feriado de carnaval e eu ai, como todos os anos, para uma estância com a minha família. Um retiro evangélico. Um lugar delicioso, calmo, tranquilo, com programação para as crianças o dia todo, onde eu poderia ficar a sós comigo mesma, traçar planos, tomar decisões. Um lugar onde eu poderia encontrar amigos, inclusive os da minha própria igreja de Jaú (que eu via todo domingo, mas com quem eu não conseguia conviver).

Aquela não tinha sido minha primeira opção, mas as crianças insistiram tanto, meus pais fizeram programações, meus irmãos todos iam (e eu adoro passar tempo com eles), que eu decidi passar o carnaval assim, quietinha, montando frase a frase, na minha cabeça, a conversa que eu teria com o H, na oooooutra semana. Mal sabia eu que as coisas sairiam bem diferente do que eu tinha planejado...

Cenas do próximo capítulo aqui.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Hora H 18 - How could I keep the eye contact? (Diário da Mirys)

Nos dias seguintes àquele pedido de namoro escrito, o H me mandou um milhão de torpedos por dia. Exagero? Talvez... acho que, na verdade, eram só uns 200 por dia. Sério!!! A gente se falava o tempo todo, sobre tudo. E isso já acontecia há um tempinho, mas quando nós éramos “só amigos”.

Só que, agora, o tema da conversa tinha mudado e, vira e mexe, no meio de uma troca de sms, vinha uma mensagem do tipo “não consigo parar de pensar em você”. Meus sais!!!! Eu não estava preparada pra isso, pra alguém tão interessado assim em mim! Era uma delícia e eu já vinha pedindo por isso fazia tempo, mas... o H? O H sempre esteve lá, perto da minha vida, eu perto da dele, e eu nunca (smack, smack – beijo nos meus dedos, pra mostrar que é promessa prometida) tinha pensado na possibilidade e, agora...o H??????????

A ideia de discutir ao vivo sobre essa hipótese de um “nós” me assustava... A gente já tinha saído cinco vezes juntos. Naquele dia em que ele me passou o antídoto do repelente; no dia da briga da ex namorada do meu não namorado; no dia da proposta das Filipinas; no reveillon em que eu quase fiquei sozinha e mais uma vez em que ele tinha me ligado e dito que precisava muito conversar comigo. Fazia poucos dias. Eu, que achava ser só amiga dele, fui. Conversamos a noite toda, foi delicioso, mas a tal “conversa” que ele precisava ter comigo não aconteceu. HOJE, eu sei que não (porque hoje eu sei que ele queria me dizer o que estava sentindo). Mas, na noite, eu achei que ele só queria conversar amenidades, mesmo. Nem o abraço beeeeeeeeem demorado que eu ganhei quando fui entrar no meu carro, nem o olhar arrastado que eu recebi depois do beijo (no rosto) de “até breve” me fizeram perceber o óbvio...

Eu sei que eu tinha orado e pedido para me interessar só por quem tivesse alguma perspectiva de “ficar na minha vida”. Não queria ninguém pra amanhã, nem na próxima semana, que eu não era tão irracional ou ingênua assim. Só não queria investir meu tempo e emoções em alguém que não fosse pra ser... entendem? É claro que o ex me mandava mensagens, também... é claro que o moço da pausa também escrevia, diariamente... mas o H me “bombardeava” com torpedos e não tinha COMO não pensar nele!!! Pro ex, eu nunca respondia. Com o moço “não namorado” eu falava de amenidades, tipo o tempo, o trabalho, a programação (separados) do final de semana. Com o H eu falava sobre tudo: trabalho, estudos, vida, filhos, tempo, comidas, viagens, sentimentos, confusões de viúva (ele já conhecia a minha história, lembram?), sonhos, e, de repente, quando eu estava tão entretida conversando com o meu “amigo”, vinha algo do tipo “queria estar perto de você, agora” e uma tempestade se formava na minha cabecinha... O final de semana estava chegando e eu estaria em Jaú + ele estaria em Jaú + ia acabar rolando a tal conversa ao vivo + eu teria que subir no salto, manter o “eye contact” que o H tinha me ensinado a ter... só que com ele!!!!

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, após a surpresa do pedido de namoro?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, e saber que, dai pra frente, eu não poderia mais fugir dos fatos, que até então eram apenas hipóteses absurdas?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sem acreditar no que estava estampado?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, se as coisas começavam a ficar completamente explicitas?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sabendo que agora tudo estava escancarado, pra quem quisesse ver, inclusive pra mim, que ele queria ficar comigo?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, ciente que eu não teria como escapar mais do assunto?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H????????? Como? Como? Como?

Não poderia.... Então, quando o final de semana chegou, eu resolvi fugir!!!

Cenas do próximo capitulo aqui!!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hora H 15 - Catorze vezes!!! (Diário da Mirys)

No final de janeiro, comecinho de fevereiro de 2012, o H também passava por algumas importantes na sua vida. E a gente começou a conversar sempre sobre... tudo! Vida, projetos, amizades, filhos, trabalho, viagens e também sobre problemas. Eu torcia para que ele resolvesse os dele da melhor forma. Ele torcia por mim. Coisa de amigos, sabe?

Só que a gente nunca tinha sido tãããão amigo assim. A gente só se “conhecia”. A vida inteira tínhamos orbitado, um perto do outro, mas qualquer envolvimento um com a vida alheia. E eu tinha uma ideia meio “formada” dele, da minha época de novinha, quando ele era o cara mega paquerado, mega descolado, mega líder e eu era a...bom, eu era a menina muuuuuito mais nova e só. Talvez, ele me considerasse simpática. Talvez! Nem isso eu sei...

Eu só sei que EU tinha uma ideia dele como a de uma pessoa quase que inatingível, de um universo diferente do meu. Eu achava que a gente não combinava em quase nada até para sermos só amigos. Mas, a cada dia em que a gente conversava, eu desfazia uma pré-ideia (ou um pré-conceito, assim, no literal) que eu tinha dele. Engraçado isso... engraçado e curioso porque era JUSTAMENTE isso que eu vinha pedindo em oração. Eu não queria mais me envolver emocionalmente com ninguém que não tivesse uma perspectiva de futuro pra mim (pra quem acredita em Deus, ninguém que não estivesse no plano Dele pra mim). Claro que eu não esperava que alguém me pedisse em namoro sem nem ter saído comigo uma vez! As coisas não funcionavam mais assim... Claro que eu não esperava pedido de casamento em uma semanal! Óbvio que eu não pensava em casa + comida + roupa lavada, assim, pra ontem! Logicamente que não!!! Eu tinha uma noção de realidade e sabia que conhecer alguém e gostar de alguém leva tempo. Decidir-se a ficar na vida de alguém demanda sintonia, muita conversa e afinidade. E essas coisas levam tempo. Mas, nenhuma delas acontece sem VONTADE! Então, era isso que eu queria: queria me interessar por quem tivesse VONTADE DE FICAR, queria ficar com alguém que podia até não dar certo, mas que estava disposto a tentar no mesmo tanto que eu!

Desde o começo do ano, as crianças tinham mudado o final da oração delas. Uns meses depois do acidente, elas passaram a terminar todas as orações com um “manda um beijo pro papai, que está aí no céu, com você”! Fazia tanto tempo que eu ouvia aquela frase que ela nem me fazia chorar mais (a não ser em alguns dias, em que eu estivesse muito emotiva. Porque... para pra pensar nela!!! Agora, faça o link de que essa frase vinha da boca de duas crianças de 6 e 4 anos!!! Não é pra chorar, mesmo?). Mas, há umas semanas (acho que foi no Natal, a primeira vez), a frase tinha mudado para “querido Deus, manda um papai novo pra gente, por favor” (olha lá, eu, chorando, de novo!).

Do mesmo jeito que da outra vez, eu não recriminei o Guigo e a Nina por “pedirem” um pai novo. Afinal, como eu podia pedir para eles ficarem sem pai, pela vida inteira, só porque o deles, infelizmente, tinha morrido, se eu mesma adorava o meu pai e considerava uma das pessoas mais importantes da minha vida!?!? Então, eu entrei na dança com eles (porque eu sempre oro, também, depois deles, em voz alta) e comecei a frase “por favor, mande um papai novo pra gente que AME MUITO O GUILHERME E A HELENA”. E assim nós fizemos, por noites, e noites, e noites, e noites...

Numa dessas noites, no início de fevereiro, eu estava deitada com a Nina fazendo orações, pedindo pelo tal pai novo que a amasse muito, e acabei dormindo. Fazia tempo que eu não dormia assim. Exausta. Sem nem me trocar. Acordei na manhã seguinte, assustada, sem despertador, tomei um banho e fui pro serviço. Quando cheguei no trabalho, vi que meu celular estava sem bateria e coloquei pra carregar.

Tiriri!
Aquele barulhinho de que eu tinha uma mensagem tocou. Mas eu estava abrindo o computador, digitando senhas e não peguei o celular.

Tiriri!
Uns segundos...

Tiriri!
Mais uns segundos...

Tiriri!
Eu olhei pro celular e pensei: “tá, você só pode estar de brincadeira comigo...” e tiriri!!!

Ele apitou catorze vezes. Leia de novo: CA-TOR-ZE! Foram tantos “tiriris” que se eu fosse escrever um por um, aposto que alguém mais nervosinho já ia reclamar... porque... vamos combinar... catorze???? É muita mensagem para uma manhã só! Quando eu abri o celular, vi “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H” (tá. 14 vezes. Vocês já entenderam). Ele perguntava por mim, perguntava porque eu não respondia, dizia que precisava falar comigo naquela madrugada, afirmava que ia ficar acordado até eu responder, que era importante.

Eu, amiga (e lenta!), não tinha ideia de onde ele estava, na hora em que peguei as mensagens – pleno horário útil, e achei melhor não ligar. Só respondi. Disse que tinha adormecido com a Nina e perguntei se estava tudo bem. E esperei a resposta...

Cenas do próximo capítulo aqui.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Hora H 14 - A mulher da sua vida! (Diário da Mirys)

Eu comecei 2012 incomodada com algumas coisas que eu vinha vivendo, repensando várias áreas da minha vida, querendo definições, buscando organizar. Eu continuava naquela luta pra me encontrar, de novo - descobrir quem eu era "pós acidente", depois de ter vivido coisas que ninguém deveria, após ter a certeza de que as crianças (minha primeira opção) estavam bem.

Minha casa estava uma bagunça, meu trabalho não estava do jeito que eu queria, meus lazeres (livros, filmes, fotos) estavam beeeeem parados, o meu relacionamento não relacionamento estava indefinido. E cada dia que passava e tudo continuava igual me deixava mais...decepcionada comigo mesma!

Pra casa, eu comprei tapete, organizei espaços, doei coisas, trouxe plantas e me deliciei com flores! Eu virei "ladra oficial de flores de casamentos"! Todo casamento que eu ia (ou alguém da minha família ia), no final, quando todos já tinham ido embora, eu pegava flores e flores e trazia pra enfeitar minha casa. Afinal, as pobrezinhas seriam jogadas FORA, mesmo!!! Pelo menos, assim, elas alegrariam um outro lugar, por mais algum tempo.

No trabalho, eu fiz um pacto comigo mesma de me livrar daquele "B", no curriculum. E eu cumpri! Dos meus hobbies, eu só voltei pra fotografia... mas me joguei!!! Comecei a fotografar filho de amigo, gravidez de amiga, casamento de gente querida, aniversário de sobrinhos. Comecei a ensinar dicas e truques pro Guigo e pra Nina (até eles quebrarem - um pouquinho da - minha câmera, em junho) e ficava super feliz quando ouvia um "MãMi, olha só o que eu fiz!!!!".

Agooooora, a minha vida amorosa estava uma bagunça geral!!! Meu ex namorado (de quase 20 anos atrás!!!) tinha me mandado um torpedo, dizendo que tinha terminado com a namorada dele e me perguntando o que eu achava. O que eu achava???? Não respondi. Ele mandou mais uns 6 ou 7 torpedos dizendo, em síntese, que estava chateado por eu não ter escrito correndo de volta pra dizer que tinha achado "ótimo" ele ter terminado com a menina. Mas, que eu continuava sendo "a mulher da vida dele"! Como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, depois de vocês terem ficado tão separados e escolhido caminhos tão diferentes, depois de duas décadas???

Eu estava acostumada a ser chamada de "a mulher da vida do Fer". Aí sim, fazia sentido. Antes. Porque ele tinha casado comigo, tinha me escolhido pra mãe dos filhos dele, tinha vivido comigo até o dia do acidente, vivia proclamando aos 4 ventos que me amava. Aííííí, sim... Mas, como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não existe mais?...

E tinha o moço com quem eu saia. Que estava do meu lado, que brincava com meus filhos, que tinha sido apresentado pra toda a minha família direta (pais, irmãos, cunhados), que conhecia muitos dos meus amigos, que eu ficava esperando nas madrugadas de sextas / sábados / domingos (após o trabalho), que dizia que me amava até, mas que continuava a me ver "escondido" do pessoal dele. E ele me afirmava ou afirmava pra quem quer que perguntasse que... adivinhem... eu era "A mulher da vida dele"!!!! Só que, na prática, ele não queria ficar comigo oficialmente. Só que, nas atitudes e no discurso, ele queria viver outras coisas antes de me assumir publicamente. Problemas de quem tinha ficado muito tempo oficialmente (noivo) com alguém, antes, e acabado de descobrir a liberdade da solteirice, após anos... Eu juro que entendia! Não concordava 100%, mas entendia. Afinal, eu TAMBÉM tinha vivido por anos com alguém, antes, e também tinha acabado de descobrir minha solteirice. Eu também tinha medo. Eu também tinha outros planos. Só eu acho que se alguém encontra "A" pessoa, ela joga fora o medo, ela muda os planos, ela se arrisca. Mas, não. No nosso caso, não. Eu era "A" pessoa, mas tinha chego na hora errada. E como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não se decide POR você?...

Acabei ficando meio "de saco cheio" daquela frase, de ser "a pessoa idealmente perfeita" para um monte de gente e de não ser de ninguém! Porque ninguém demonstrava isso pra mim, que queria MESMO ficar comigo, que eu valia MESMO a pena, que apesar de todos os pesares eu era "A" pessoa certa!

Pra piorar, foi chegando perto do dia 23 de janeiro e eu comecei a entrar em pane! Na minha cabeça já não era mais inconcebível passar o dia de "aniversário" do acidente com alguém que não fosse o meu marido. Eu já não me sentia mais casada com o Fer. Mas, colocando as coisas na balança, eu me sentia fazendo uma troca... muito injusta, por sinal! Meus últimos dias 23 de janeiro eu tinha passado com uma pessoa que me adorava, que dizia não viver sem mim, que faria qualquer coisa pra estar do meu lado... e, do outro lado da balança, eu iria passar o próximo dia 23 de janeiro com alguém que estava lá, ao lado, estava bem, mas que não queria ficar. É muito, muito, muito complicado quando a sua cabeça vai parar em lugares que você não queria ir, pensa em coisas que você não queria pensar... e constata verdades que você não queria ver!

E eu fiz o que achava que tinha que fazer: larguei do moço. Não quer ficar comigo? Não fique. Sem braveza, sem neuras, sem brigas, sem chororô. Só constatações de que, na verdade, ele tinha os problemas dele pra gerenciar e não estava conseguindo fazer isso ao mesmo tempo que eu; só que eu tinha muita gente envolvida na equação (leia-se "crianças") pra ficar "tentando", até ver no que ia dar.

Na verdade, eu decidi fazer o que já deveria ter decidido fazer há muito tempo: eu seria A mulher da MINHA vida!!!! Aquela que resolve, que decide, que arruma, que quer, que luta, que curte, que VIVE!

No dia 23, eu fiquei "ilhada", pra conseguir colocar algumas coisas em dia. Eu não atendi telefonemas que diziam "eu sinto muito" (porque tudo o que eu iria responder era "eu tambem") - exceto dos meus pais e dos pais do Fer, eu escrevi a história do acidente (pra nunca mais precisar ficar contando pra quem perguntava), eu escrevi sobre o dia seguinte ao acidente (por motivos idênticos), eu coloquei meu quarta-roupas em ordem, eu doei as últimas coisas do Fer que ainda estavam por lá. E eu orei!

Mas, agora (na verdade, desde o início do ano, quando eu ouvi aquela frase da irmã do H), a minha oração era diferente. Eu não fazia análise de curriculum. Eu não pedia mais por uma pessoa que "não tivesse histórias" ou que "não me conhecesse de antes". Eu só pedia pra Deus me mostrar SE eu deveria ficar com alguém, agora, e QUEM seria aquela pessoa. Eu pedia pra ele me mostrar isso em atitudes das pessoas! Minha cunhada J diz que Deus não funciona assim... mas, eu respondi que, comigo, funciona! Ele sabe o que eu entendo, o que eu sinto, como eu vejo as coisas.

Então, minha oração ficou bem simples:

"Querido Deus, eu estou cansada de ficar sozinha e estou preocupada com as crianças quando eu 'saio' com alguém. Então, eu estou aqui, de novo, e vou esperar você me dizer SE e QUANDO eu vou ter alguém, de verdade, na minha vida. Mas, por favor, eu peço só três coisas: que ele seja fiel, que ele AME as crianças e que ele seja LOUCO por mim. Daí pra frente, é com o senhor. Amém"

Cenas do próximo capítulo aqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Hora H 13 - sozinha em pleno reveillon (Diário da Mirys)

Tenho que confessar que eu não levei aquele pedido de casamento a sério. Claro que não! Tudo bem que um monte de gente pode achar que era "óbvio" que ele estava a fim de mim há tempos, que era "óbvio" que ele dava vários sinais, que era "óbvio" que ele só não se declarava pra mim porque sabia que eu estava vendo outra pessoa... mas, pra mim, não era óbvio. Nada disso era tão cristalino e transparente assim... Porque eu vivo num mundo à parte, eu não "vejo" certas coisas nas pessoas, porque em nenhum momento ele tinha dito "Mirys, eu estou a fim de você" (issooooooooo seria óbvio), porque nós éramos amigos! A-mi-gos!

Ainda acha que eu sou ingênua demais, lentinha demais??? Que tudo aquilo não era muuuuito surreal pra ser verdade??? Ok. Então, vamos lá: levante a mão quem já foi num barzinho com um amigo e recebeu um pedido para se casar e se mudar para as Filipinas! Vamos... levantem as mãos... não sejam tímidos... Vamos, pessoal! Quem aqui já passou por isso??? Heim??? Heim??? Heim??? Ninguém?... rsrsrsrs

Mas, na verdade verdadeira, eu acho que o maior motivo pelo qual eu não "via" tudo aquilo acontecendo do meu lado era porque eu ainda estava traumatizada. Eu ainda me sentia viúva (o que já era um grande progresso! Após quase dois anos, eu não me sentia mais casada, eu me sentia, finalmente, viúva). Eu ainda achava que o amor não era mais possível, plausível ou óbvio pra mim. Eu achava que nunca mais alguém fosse querer ficar comigo, do tipo "querer de verdade"... nem a pessoa com quem eu estava saindo queria! Me diz como pensar de outro jeito se todos os fatos ao redor te levam a pensar assim?

Mas, naquele fim de ano, essa situação começou a me incomodar. Algumas coisas mudaram de estado e eu comecei a repensar aquele meu brilhante plano de "não namorar" ninguém. As crianças conheceram e começaram a se envolver emocionalmente com o moço com quem eu saia. Ele acabou participando de uma festividade nossa e foi apresentado pra toda a minha família. Ele frequentou alguns eventos comigo. A gente acabou se beijando em público (não perto das crianças. Nunca aconteceu perto das crianças porque a gente nunca se assumiu e eu achava descabido a "mãe do Guigo e da Nina" beijar um "amigo", enquanto as mães dos amiguinhos do Guigo e da Nina só beijavam os PAIS dos amiguinhos do Guigo e da Nina. Seria uma discrepância muito grande para se explicar.). Ele foi apresentado para quase todos os meus amigos, jantou na casa de uns, foi em festas na casa de outros, conversou com mais alguns em restaurantes. E eu na vida dele? Nada. Eu conhecia os amigos da balada (porque a gente encontrava com eles) e só. Não conheci pai, mãe, irmã, irmão, sobrinho, amigo de infância, nada. Eu "não podia" ser apresentada pra ninguém, ainda. Eu entrava escondida, eu saia disfarçada. Eu só conhecia os amigos dele com os quais a gente se encontrava, à noite, quando saíamos. Pessoal sensacional, aquele! Galera super alto astral, talentosíssima, que me tratava muito bem QUANDO me via. Eles apostavam muito na gente e viviam se referindo à mim como "a namorada", mas ele logo corrigia "a gente não tá namorando". E aquilo, em alto e bom tom, é meio chato de ouvir...

Enquanto isso, o H estava trabalhando. Muito!!! Alucinadamente!!! Mas vivia me mandando torpedos e mantendo contato por e-mail. Nada comprometedor, tudo tranquilo. Vez ou outra, ele perguntava "e o namorado?". E eu explicava que ainda estava com o moço, sem muitos detalhes. Eu perguntava de alguma mulher na vida dele e ele não tinha nenhuma. E a vida seguia...

Até que chegou o reveillon de 2011/2012! Eu estava em "mini-férias" desde um pouquinho antes do Natal e andava curtindo muito as crianças, viajando um pouquinho, descansando um montão, vendo e revendo um tanto enorme de gente que eu amo. Como qualquer pessoa normal, eu usei o final do ano para rever tudo o que tinha me acontecido, o que ainda estava acontecendo comigo e fazer planos para o ano seguinte. Normal, não é? Normal e delicioso, até que você percebe que está fazendo planos sozinha. Eu podia programar viagens com as crianças, colocar os dois no carro e ir. Eu podia programar ler x livros, compra-los e começar. Eu podia programar (pela milésima vez) começar um curso de italiano, encontrar um professor e mandar bala. Mas eu não podia programar "tentar um relacionamento de verdade" sozinha... Sabe aquela máxima: quando um não quer, dois não brigam? Pois é...

Aquilo começou a me entristecer, mas eu já tinha passado por coisa muito pior. INFINITAMENTE PIOR! Então, eu resolvi fazer o que eu tinha aprendido nesse tempo todo: seguir sorrindo, fazer de conta que não era comigo, que não incomodava e tocar o barco. Fingir que eu estava feliz com taaaaanta vontade que, numa hora, até eu mesma iria acreditar. Simples assim.

E na noite do reveillon, enquanto os meus irmãos tinham programas super sensacionais pra fazer, a casa de muitos casais amigos pra visitar (quase todos os meus irmãos já estavam casados, 2 anos depois do acidente. Lembra que eu falei que deu urgência em tudo mundo? Então, todo mundo se casou e, agora, saiam com outros casais), viagens pra fazer, eu tinha... nada! Pelo menos assim, nada de especial. Nada de emocional. Claro que eu tinha as duas crianças, claro! Claro que eu visitaria minha avozinha e curtiria (sem saber) o meu último reveillon com ela, claro! Claro que eu ajudaria nas compras e elaboração das comidas, claro! Mas, enquanto minha tia cortava tomates e recebia beijinhos eventuais do marido (mega carinhoso), ao meu lado, eu... cortava tomates. E só! Sem beijo, sem abraço, sem aperto de mão, tipo aquela criança que brinca de "salada de frutas", mas nunca é a escolhida e volta pra casa sem nada...

A noite chegou, nós jantamos na casa de uma tia, um pouco mais cedo do que o tradicional (por causa da minha avó). Meus irmãos jantaram conosco e partiram para outras casas (dos sogros, dos amigos, etc e tal). A meia noite chegou e os filhos da minha tia foram para uma mega festa, num clube da cidade. Quando eu percebi era, no máximo, meia noite e quinze e eu estava no meu sensacional reveillon, ao lado de (casais!!!) parentes da minha tia + minha avó + meu tio especial + umas 6 crianças. E fim. Deixei as crianças brincarem até uma da manhã e achei que já tinha ultrapassado todos os meus limites, peguei os dois e fui pra casa dos meus pais, coloca-los pra dormir. Sentei na frente da TV e comecei a procurar um filme porque eu me recusava a dormir naquele horário!!! Começou a chover forte, muito forte lá fora. E quando eu ia começar a chorar, minha mãe apareceu na porta da sala. Engoli. "Oi mãezinha" "Filha, e as crianças?" "Já estão deitadas. Eles estavam exaustos." "Você não vai dormir?" "Não tô com sono, mãe. Vou ver um filme." Ela me deu um beijo e foi pro quarto. Talvez fosse chorar por mim, também... porque deve ser triste, muito triste, você ver a sua filha mais velha (de 10!!!), que é super social, que adora estar em meio às pessoas, naquela situação... Nem a minha nona irmã ficou sem programação. Eu fiquei.

Mas, antes que eu começasse a chorar, o celular tocou: "Mirys?" Era o H. Ele já tinha me mandado um torpedo de "feliz ano novo". Eu já tinha respondido. Éramos amigos, afinal das contas.

"E aí, Mirys, onde você está?"
"Estou na casa da minha mãe..."
"NÃO ACREDITO! Fazendo o que??? Você não foi pra lugar nenhum?"
"Fui, sim. Jantei na tia C, mas ficou tarde, as crianças ficaram cansadas e eu vim colocá-los pra dormir..."
"E eles já dormiram? Tem mais alguém em casa pra ficar com eles?"
"Sim. Meus pais também estão aqui."
"Então, eu vou te buscar para você vir na festa em que eu estou. Você conhece todo mundo, aqui, e o pessoal vai adorar te ver!"
"Mas, H... eu já estou trocada (mentira!), eu ia ver um filme na TV..."
"Mirys, você NÃO VAI passar a noite de reveillon sozinha! A festa é aqui na esquina da casa dos seus pais. Você quer que eu vá te buscar ou você vem?"
"Eu não sei..."
"Mirys, se você não vier, eu vou te buscar. E vou ficar na porta da sua casa até você sair."
"Mas está chovendo..."
"E com chuva ou sem chuva você não vai ficar sozinha. Tô indo te buscar! Tchau!"
"Peraí, H! Pode deixar que eu vou. Vou pegar um casaco do meu pai e eu vou praí, tá?"
"Ok. Vou te esperar no portão, pra você não ter que tocar a campainha e ficar na chuva..."

A minha mãe tomou um susto quando eu entrei no quarto dela, dei um beijo e avisei onde ia. "Mas agora, filha?" Antes tarde do que nunca, não é??? Peguei um casaco do meu pai (que ficou enorme e me protegia inteira) e fui. Cheguei com o cabelo um pouco molhado na festa, mas fui. Cheguei atrasada na festa, mas fui. Cheguei tão empolgada que me esqueci de cumprimentar todo mundo (e eu, realmente, conhecia todo mundo), mas fui. Acho que eu iria até se estivesse chovendo granizo e eu tivesse que atravessar a cidade à pé!

Agora, eu não estava mais sozinha! Eu tinha amigos ao redor (casais, tudo bem, mas o H não estava de casal), tinha música ao vivo (muitos dos meus amigos tocam algum instrumento e eu A-DO-RO isso), tinha comida típica de ano novo (sou louca por castanhas e damascos - e isso tinha aos montes), tinha um monte de gente de branco, tinha vinho frisante, tinha... VIDA! E aquilo me fazia tão bem!!!

Fiquei por lá até umas 4hs da manhã, quando o povo começou a ir embora. E, na hora de sair, eu fui me despedir de todo mundo, beijei a irmã do H, o cunhado dele, alguns amigos em comum... e, de repente, eu ouço sem querer uma conversa do H e da irmã dele: "Quer dizer, então, que eu vou ser cunhada da Miriane? Quem diria..."

COMO ASSIM???????
Naquela hora, as fichas que não tinham caído até então... despencaram!!!! Foram caindo dentro da minha cabeça feito uma trovoada, fazendo um barulho ensurdecedor! Eu, cunhada de alguém???? Eu, cunhada da irmã do H que SÓ TEM ELE DE IRMÃO??? Eu, alvo de interesse do H a ponto da irmã dele saber??? Eu???? Eu????? Era uma informação muito importante para ser gerenciada e eu estava... bem... em choque! Feito alguém que tem 15 anos e nunca beijou na vida, sabe? Só que eu tinha 37... E já sabia como funcionavam essas coisas! Pra você ser cunhada de alguém, você tem que ser namorada/noiva/esposa de outro alguém!!! Porque "saintes" não tem cunhadas. "Ficantes" não tem relações familiares. E eu estava sendo chamada de "cunhada"!!!

Eu só me lembrei de quantas e quantas vezes eu tinha dito para diversas pessoas "Quem? O H? IMAGINA que ele está interessado em mim! Que absurdo! Somos só amigos! Nunca tivemos nada!". E a gente nunca tinha tido nada, mesmo. Zero. Nem uma olhadinha, nem uma palavra torta, nem nada. Até o dia em que ele revelou o antídoto do meu repelente. Até lá, a gente era menos do que amigo, até. A gente só se conhecia. Como as coisas podiam ter mudado tanto?????

Cenas do próximo capítulo aqui.

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