quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Era uma vez 29 - Caso ou compro uma (bicicleta) passagem de avião???

Eu morava em São Paulo há quase um ano e o Fer tinha se mudado pra lá há 6 meses. Eu morava com meu irmão + um primo + um tio, num apartamento perto da avenida paulista. Ele morava num apartamento em Santana, que só tinha uma geladeira, um fogão e um colchão, onde tinha uma população flutuante, durante a semana (tios e primos que precisavam de um lugar em Sampa pra dormir). Era longe pra caramba, um lugar do outro. Mas, tudo bem. TUDO BEM!!! Eu e a minha mania de Poliana não podíamos deixar de pensar que, pelo menos, a gente estava na mesma cidade! Então, estava tudo bem!!!

E estava mesmo. A gente sempre dava um jeitinho de se encontrar, no final do dia, quase todo dia! E começamos a ficar em São Paulo, em alguns finais de semana, ao invés de voltarmos pro interior (onde teríamos que nos dividir entre as famílias, que moravam em cidades próximas, mas diferentes).

Até que, um dia, eu recebo um telefonema. Da Sophie!

(volta no tempo, urgente, agora!)
Uma das minhas irmãs encasquetou que queria aprender a falar francês. E não tinha francês na nossa cidade (Jaú). Mas, em Bauru, onde eu fazia faculdade, tinha. Dentro da minha faculdade, inclusive! Só que, pra isso, ela teria que viajar num ônibus de estudantes de faculdade, por 1 hora, uma noite por semana, fazer 1 hora de aula e... ficar na faculdade, de bobeira, esperando o ônibus pra voltar pra casa! Com 15 anos!!! Ló-gi-co que ela queria MUITO tudo isso!!! Mas, meu pai, que não era bobo, nem nada, decidiu que “tudo bem SE você convencer a sua irmã (no caso, eu) a fazer o curso com você e SE você for pra casa dela depois da aula, até a hora do ônibus voltar”. Então, ela veio correndo falar comigo, fez biquinho, pediu, implorou, me comprou muitos chocolates pretos de suborno e... eu já tinha topado quando ela veio só falar comigo!!! Adoro, simplesmente adoro aprender outras línguas! É sério! Tenho um problema com isso!!! Então, quando ela me apareceu com aquela proposta indecente, eu topei na hora!!!!!!

A nossa professora de francês era a Sophie, uma francesa legítima, cheia de sotaque e com um humor tipicamente francês (Sophi, je t´aime, quando même!!!!). Encurtando a história, eu empolguei (pra variar) e fiz 1 ano e meio de francês, aplicadíssima!!! E a minha irmã? Parou depois de 6 meses e nunca mais falou francês... Coisas da vida...

Enquanto eu fazia francês, virei amiga da Sophi. Ela teve um filho fofo! Eu comprei presentinhos pra ele. Nós fizemos algumas jantinhas em casa. E ela sabia que eu era apaixonada por línguas, viagens, culturas, que tinha muita vontade de morar um tempo em algum lugar que falasse outra língua. E já tinha me convidado, algumas vezes, para participar de programas de intercâmbio, do tipo “você vai ser baba em outro país e pode falar que você morou lá fora”. Tá bom... hoje isso está mais comum. Mas, no meio dos anos 90, isso era raríssimo! E chique! Mas, eu não queria ser chique. Eu queria morar fora, provar comidas diferentes, ficar fluente em outra língua, aprender outros jeitos de ver o mundo. Então, eu tinha recusado todas as vezes que a proposta era “morar na França, por um ano, estudando francês”. Eu dizia que não ia pegar meus dois diplomas de faculdade, colocar na gaveta e ir morar um ano na Europa só pra dizer que tinha ido. Eu nem tinha grana pra isso! Nem meus pais tinham. Então, não fui...

(acabou a pausa. Volta pra 1997)

Sophie: “oi Mirrrrrys!”
Eu: “oi Sophi! Que saudade! Tudo bem, mulher?”
Sophie: “Mirrrys, seguinte: tô em Paris, visitando meus pais. Você ainda quer vir pra cá SE for pra estudar?”
Eu: “Como assim, Sophi?”
Sophie: “Seguinte: a faculdade de Paris está com matrículas abertas para o DSU, que é um tipo de mestrado aqui, para o curso de Direito. Mas, você não tem dinheiro para ficar aqui, então teria que ser babá, mesmo assim, pra se manter. E pra ser babá, você vai ter que estudar francês numa escola daqui e morar com uma família. E eu não sei se a família que te escolher vai aceitar você fazer francês E direito. E as inscrições vão só até quinta. E tem só 20 vagas para estrangeiros e mais de 6000 inscritos. Mas, você quer?”
Eu: “EU QUERO!!!!”
Sophie: “Então, pega um papel e anota todos os documentos que você tem que me mandar, até quinta, às 4 e meia da tarde, daqui de Paris. Tem que vir tudo com tradução juramentada.”

Era muita coisa. E as chances eram muito pequenas! E tinham os complicadores: uma parte dos meus documentos estavam em Jaú (casa dos meus pais), parte em Bauru (casa da minha vó, minha última casa), parte em São Paulo, comigo. E traduzir tudo ficava uma grana horrorosa!!! E eu tinha que conseguir 2 cartas de recomendação, em francês ou inglês. Uma família tinha que me escolher e aceitar que eu fizesse mestrado além do curso de francês (o curso de francês é obrigatório e, geralmente, a babá frequenta esses cursos enquanto as crianças estão na escola). E a escola de francês tinha que me aceitar. E a faculdade de direito tinha que me aceitar, dentre muitos mil candidatos.... Será, será, será????

Quando desliguei o telefone, o Fer perguntou o que estava acontecendo (ele sabia que a Sophie estava na França e estava preocupadíssimo porque ela tinha me ligado de lá. Ele sabia que aquela francesa não era de ligar para falar de amenidades ou ficar batendo papo...). Eu contei. E ele empolgou. E nós começamos a correr atrás da papelada, sem nem pensar muito (não dava tempo! A gente tinha 5 dias). Quando postamos tudo no DHL (uma espécie de FEDEX, que leva coisas bem, mas beeeeeeeeem rápido, pra Europa), sentamos pra conversar....

Cenas do próximo capítulo aqui.

Cenas do próximo capítulo aqui.

7 comentários:

Adriana Engelmeyer disse...

haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrgggg

cenas dos próximos capítulos.....é para roer as unhas das mãos e dos pés......
Tô adorando.....beijos

Kinha disse...

Hein? Ele topou assim de cada e de boa você passar um ano longe dele, lá na França?

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Mirys, rs...rs. E daí??? Estava preso na leitura e ao mesmo tempo fazendo manutenção em dois computadores de clientes. De repente... acabou?!
Amanhã continua, né?
Beijos e bençãos.
Manoel.

Nana disse...

Dessa parte, eu já começo a lembrar da história por conta própria...qdo a irmã mais velha da minha melhor amiga ia pra França por um ano e eu achei super chique!!! Kkkkk....tinha uns 14 anos...Bj e fiquem c Deus.

Alinne Zuca disse...

eu quero sabeeeeeeeer

Helo disse...

Quero mais, quero mais...

Megs disse...

Nossa, lendo tdo isso (que eu nao sabia) me lembrei muiiiiiiiiiiiiito da Sophie.... gente finissima.....
Nos tomavamos sol juntas la na faculdade, na parte da tarde, onde lea se dizia 'esticada como uma lagarrrrrtixa'............ tunel do tempo............
Saudd de td.... bjs