quinta-feira, 3 de março de 2011

Bullying (Diário da Mirys)

No ano passado, os dois chegaram em casa bem "prosas", contando as novidades da escola.
"- Mãmi, você sabe o que é bullying?????" Eu sabia (mas eu chamava de assédio moral) porque já tinha orientado alguns trabalhos de conclusão de curso na faculdade (! FA-CUL-DA-DE!!!) sobre o tema. Mas, confesso que me assustei com o uso do termo por um menino de 5/6 anos e uma garotinha de 3, quase 4...

Eles explicaram que a escola estava lançando uma campanha "anti-bullying" dentro de suas dependências, que era "a única da cidade" que não tinha bullying e mais um montão de coisas que eles tinham ouvido. Achei válido. Forte demais, pesado demais, mas válido. Afinal, eu crio os meus filhos ensinando o respeito e a consideração por TODAS as pessoas (iguais, diferentes, mais velhas, mais novas, etc), mas infelizmente nem todo mundo faz assim...

Os meus dois nunca tiveram problemas na escola. Nem em lugar nenhum! Eles, geralmente, têm um bom relacionamento com os outros e são bem quistos pelas professoras e pelas mães dos coleguinhas (o que é um ótimo sinal, não é não?). Eles nunca foram humilhados, desprezados, colocados de lado, da mesma forma que nunca foram mordidos ou apanharam na escola. Talvez eu tenha dado sorte... mas o fato é que ESSA É A MINHA REALIDADE!

É claro que eles não são perfeitos, que a Nina às vezes chora demais e sem necessidade, que o Guigo tem medo de um monte de coisas, que ambos fazem coisas erradas... mas são coisas normais, de criança, eles aprendem (aprendiam) um com o outro e seguiam a vida. Antes, a NIna chorava porque queria um brinquedo e o Guigo dizia: "-Helena, não seja chorona. Na nossa família a gente não chora, a gente CON-VER-SA.", do jeitinho que eu falava. Ela respirava, tomava fôlego, e pedia o que queria. E ganhava (ou não). E a vida seguia.

Acontece que essa história de bullying está super valorizada na escola deles. Tudo é bullying! TU-DO! E fala-se nisso o tempo todo! Até a camiseta das monitoras tem um grupo de crianças com a palavra bullying e um risco cortando (como uma placa de proibido estacionar). Eu, na minha modesta opinião, já acho que estão passando um pouco da conta... Uma coisa é ensinar, instruir, dizer o que é certo e o que é errado. Uma coisa é chamar a atenção de um aluno porque ele fez algo que não deveria ter feito. Mas, não dá para ficar falando disso, sempre, pra classe inteira, porque algumas crianças não se comportam (e não vão se comportar enquanto os senhores pais desses alunos não tomarem uma providência! Pronto! Falei!...).

Agora, lá em casa, estamos assim. Exemplo: a Nina chora porque o Guigo tomou o brinquedo da mão dela. Ele diz "- Não chore. Nina, converse". E logo vem um grito do banheiro "- Ôh mããããããeeeeee, o Guigo tá fazendo bullying!!!", e continua o biquinho e o chororô. Exemplo 2: o Guigo quer dormir de luz acesa (porque tem medo de escuro) e a Nina diz "- Não precisa ter medo. EU durmo de luz apagada. E você já é grande.", e logo vem um grito do quarto: "- Mããããããããeeeeee, a Nina está fazendo bullying"!

Se eu perguntar "quem fez isso ou aquilo", então, e o outro apontar o dedo para o autor da peripécia, aquele que foi apontado diz "não aponte porque isso é bullying!".

Sei lá... posso ser antiquadra... mas eu acho que isso está um exagero! Nem tudo é bullying. Nem tudo vai deixar um ser traumatizado para o resto da vida! Na minha época de 1a série (e na sua, e na dos meus pais, e na dos meus amigos), tinham crianças que entravam nos grupos e outras que não entravam naquele grupinho e achavam outros para elas. Se alguém fazia algo errado, os outros, questionados pelo professor (ou outra autoridade) apontavam. Se dois colegas brigavam, eles iam pra diretoria, ouviam um sermão, os pais eram avisados e a coisa se resolvia com quem tinha que ser resolvida. E não vejo ninguém super traumatizado por aí por causa dessas coisas de ajustes de seres humanos em desenvolvimento!

Acho que, dando a ênfase que está sendo dada, estamos transformando um problema (existente, não nego, mas não nessas proporções) em algo muito muito muito maior!

OBS: até eu já fui acusada de "fazer bullying", lá em casa, quando precisei dar uma bronca em um deles e disse que queria comportamento de criança da idade certa. Isso lá é fazer bullying ou é educar???? Alguém opine, por favor!!!

OBS 2: bullying é ato de VIOLÊNCIA física ou psicológica contra um indivíduo, feitos de forma intencional e repetidamente, querendo intimidar ou agredir alguém indefeso.

9 comentários:

Fabiana Pereira disse...

Sinceramente? Eu acho uma palhaçada o que estão fazendo com as crianças nas escolas ultimamente.

Ensinar a respeitar o outro, isso voce aprende em casa ou deveria, mas essa historia toda de bullyng está deixando as crianças neuróticas.

A minha filha menor de 11, desde que entrou na escola praticamente escuta essa ladainha, na nova escola, já trocamos algumas vezes de escola por conta de mudanças, um professor excelente, gente boa mesmo e qualificadíssimo, pra quebrar o gelo na primeira semana chama os alunos por apelidos que claro, remetem a a aparência fisica deles: lorinho, bochechudo, brancão, negão, tudo de forma descontraída e aceitável.

Pois nao é que a defensora dos fracos e oprimidos estava aqui em casa reclamando que o professor estava fazendo bullying?
Dei um chega pra lá rápido, expliquei que isso não é bullying e que ela nem deveria usar essa palavra que nem é nossa.
Que em nenhum momento o professor faltava com respeito ou constrangia alguém, era uma brincadeira. Não é ofensa vc chamar alguém bochechudo de bochechudo e nem um negro de negro, assim como não é ofensa chamar um branco de branco.

Ela ficou um pouco aliviada, mas a pressão que fazem enfiando livros e matérias sobre bullying o ano todo nas crianças é demais.

Mas sorte nossa que temos filhos em escolas particulares, nas escolas públicas a lavagem não é sobre bullying mais é sobre homosexualidade. Eu sou contra o estimulo sobre sexualidade para crianças não me interessa se é homo ou hetero. E tbm não entendo o pq as crianças serem ensinadas a admirar a condição de homosexual.

Por essas e outras a doutrinação aqui em casa só aumenta, usamos todas as brechas possíveis para dar "aulas" de vida pras meninas.

Boa sorte nessa difícil missão

beijo

Dayane Cavalcante disse...

Oi Myris!!Esse assunto é polêmico mesmo, e agora virou moda falar de bullying, cyberbulling e por aí vai...Concordo com você que falar demais, o tempo todo no assunto, acaba fazendo com que as crianças achem que tudo é forma de discriminar, oprimir...Tudo tem que ser na medida certa, mas o difícil é achar essa medida né...
Meu marido é professor e juro que ano passado não aguentava mais ele falando sobre bullying, fazendo atividades sobre o tema e bombardeando os alunos de informações o tempo todo, agora deu uma amenizada no assunto.Concordo em divulgar, falar, informar,mas não bombardear o tempo todo, porque se não tanta informação pode causar o efeito contrário e traumatizar a criança..isso que penso!
Bjim!!

Mirys + Guigo + Nina disse...

Fabi e Day:

UUUUUUUUUUUFFFFFFFFAAAAAAAAAAAAA!!!
Já estava me achando uma louca, desantenada, sem envolvimento com o que acontece "de verdade" com meus filhos...

Mais alguém tem uma opinião pra dar? Adoraria ouvi-la!!!

Bjos e bençãos.
Mirys

Nana disse...

Realmente, parece que as coisas - praticamente tudo - eram mais simples antigamente....
Bjs e fiquem com Deus.

Fer! disse...

Mirys, bom dia!

Sou professora e na escola onde trabalho fala-se duo bullying, mas não dessa forma massificada como você apresentou. Lá temos alunos com necessidades especiais, e tratar do bullying foi necessário para que fosse evitado desde o início qualquer tipo de brincadeira com eles, o que se aproveitou o gancho para abordar o assunto de maneira geral.
Acho que a escola dos seus filhos está "batendo demais na tecla", e isso acaba gerando deturpação por parte dos alunos em entender o conceito.
gostei do seu ponto de vista e concordo com ele!

Beijos

Lu disse...

Oi Mirys,
Para mim, o "bullying" só se caracteriza quando há perseguição de umas crianças contra outras, quando se ridiculariza persistentemente um colega.
Eu achava isso bobagem até ver acontecer com o filho pré-adolescente de um casal de amigos meus.
Os colégios têm que fiscalizar porque infelizmente nem todo pai/mãe ensina aos filhos o respeito ao próximo.
O filho desse casal, aos 11/12 anos, sofreu seriamente com bullying no colégio porque colegas o infernizavam a todo momento, o chamavam de monstro, feioso, ogro, etc. Aparentemente era uma bobagem, mas foi tão agressivo e persistente que ele ficou com problemas até nos estudos, suas notas caíram. E o colégio nunca se manifestou, embora os pais tenham procurado a direção e tudo mais.
Acho que esse assunto é realmente sério, mas concordo que nem tudo é bullying.
bjs

Raul disse...

Essa questão de bullying é uma característica dos E.U.A., onde a popularidade e aceitação no ambiente estudantil é um tabu muito mais complicado que aqui. Toda essa difusão do tema no Brasil, ao meu ver, é fruto de uma "americanização" desnecessária da nossa cultura.

Uma coisa são pessoas que passam anos sendo completamente isoladas e humilhadas pelos demais, mais ou menos como estamos acostumados a ver em filmes e seriados. Outra coisa completamente diferente é chamar os amigos por apelidos. Não tenho qualquer amigo que cresceu traumatizado por ser chamado de magrelo, boi, et ou algum outro desses apelidos que as crianças costumam colocar
Normalmente nem elas mesmas vêem maldade nisso. Acho que está mais na cabeça dos educadores, que mesmo querendo ajudar, acabam procurando pelo em ovo e chifre na cabeça de cavalo.

Carol Siqueira disse...

Olha Mirys, eu não gosto nada que exagere. Não gosto de religião em exagero, de trabalho em exagero, de vaidade em exagero e como você disse aqui no post a escola com certeza está exagerando e muito nesta questão do bullying. É igual quando vou trocar de canal aqui na TV de casa e passo naqueles religiosos onde falam mais do diabo do que de Deus. Eles reforçam a força negativa e é isso que está acontecendo na escola dos seus filhos. Para mim o bullying é quando a expressão vem da gozação tipo: OH! Sua menina gorda... sai da frente... E daí todas as crianças começam chamar a menina de gorda, baleia assassina, Xamú e etc...Mas não quando vc precisa corrigir e eles já acham que é bullying ou porque falam que um dorme no escuro e ou outro não também é bullying. Não gosto de lavagem cerebral e acho que vc deve fazer o seguinte:
- Primeiro, conversar com os seus filhos e explicar o que é exatamente o bullying. Exemplificar mesmo.
- O segundo passo acho que vc deve ir na escola mesmo e falar com os responsáveis. Vc deve explicar pra eles que as crianças estão exagerando em casa, estão até mesmo confusas. Que eles devem explicar sim, mas sem exageros como está acontecendo.

Bom, amiga! Esta é a minha opinião e se eu fosse vc faria deste jeitinho aqui. Eu nunca falei sobre bullying lá no blog porque até acho que nunca vivi isto ainda com o meu pequeno mas depois vou escrever um post e vou direcionar pra sua história aqui.
Bjos amiga e fiquem com Deus.

Alinne Rios disse...

CONCORDOCONCORDOCONCORDOCONCORDO! BJO MIRYS! MEGA SAUDADE!