Depois de ter feito aulas de fotografia, na faculdade de jornalismo, eu ganhei um presente do Fer: uma câmera semi-profissional + uma inscrição no curso profissionalizante do SENAC de São Paulo. Na época, o melhor que tinha!
Eu pirei! Eu voltei para aquele mundinho que eu tanto amava, eu comecei a ver tudo com outros olhos, tinha "trabalhos" pra fazer (que eu amava gastar todo o tempo do mundo fazendo), eu participava de saídas fotográficas. Minha hora preferida era a de entrar na "sala com a luzinha vermelha" (a sala de revelação). Siimmmm porque, há 7 anos atrás, as fotos P&B tinham que ser reveladas "à mão".
Primeiro, você retirava o filme da câmera, enrolava num tubo e revelava o filme. Colocava pra secar. Batia papo e discutia as fotos dos outros, enquanto os filmes revelavam.
Depois, a gente entrava na sala escura, que só tinha uma luz, pequena, vermelha, num cantinho. Isso tinha que ser assim para não "queimar" o papel fotográfico. Então, você colocava o seu negativo num tipo de lente de aumento, escolhia a foto, escolhia o tamanho, só então tirava uma folha de papel de dentro de um envelope e colocava ali, para queimar a sua figura naquele papel. Quando você tirava o papel dali, ela ainda estava branco.
Então, vinha o momento mágico. Aquele papel branco, aparentemente sem qualquer valor, ia para uma bandeja com um líquido (revelador). Você devia chacoalha-lo, lentamente, para lá e para cá, até que o rosto de alguém que você amasse começasse a aparecer no fundo daquela bandeja, gravado, para sempre, naquela folha de papel. Eu, simplesmente, amava isso! Era poético, era legal demais, era lindo, era AMOR! Pra mim, era amor.
Porque eu sempre gostei de fotos de pessoas. Então, me "especializei" nisso (não vão pensar vocês que eu sou uma especialista, não! Mas, era o tipo de foto que eu gostava de fazer). Gostava muito quando tinha que fotografar qualquer coisa (natureza, arquitetura, objetos, etc), mas AMAVA quando o trabalho era sobre pessoas! Fotojornalismo, eventos, crianças: qualquer tema com "gente" nele, me inspirava.
Até que, de tanto fazer as mesmas coisas, duas coisas acontecem: você acaba tendo uma marca registrada (um tipo de olhar que é só seu e que, quem conhece as suas fotos, sabe exatamente o que elas têm de diferente), mas você acaba fazendo e vendo só aquilo. Você não amplia. Você não evolui.
Porém, um belo dia (noite, na verdade), meu professor passou como tarefa de casa... assistir dois filmes. Pesadíssimos. Tristes. Mas, com um cenário lindo demais! E nós, alunos, ficamos lá, esperando pela parte seguinte: "olha, depois vocês devem fotografar tal tema" ou "depois, vocês devem fazer exercícios de profundidade, foco, etc". Não. Nada. Era só assistir os filmes.
Eu perguntei porque. A resposta foi "porque vocês precisam aumentar os arquivos visuais de vocês!" Segundo meu professor, todo mundo tem tipo um pequeno arquivo, na cabeça. Com cheiros, sons, pessoas, fatos e imagens. É por isso que, quando você sente cheiro de bolo de cenoura, você automaticamente se lembra da sua mãe (da minha sogra, no meu caso). É o tal arquivo.
E eu entendi que se a gente quer sempre ver o belo, temos que treinar nossos olhos, nós temos que conhecer novos "tipos" de belo, trabalhar nossos conceitos, aceitar o desafio do diferente. Desde então, de vez em quando, eu assisto filmes, folheio revistas, analiso detalhes só pra aumentar o meu arquivo visual. Mesmo que a coisa em si não seja "o meu tipo" (de filme, de livro, de revista, de objeto). Mas eu treino os meus olhos e a minha cabeça para novas possibilidades!
PS: abaixo alguns blogs/sites que eu sempre vejo quando quero aumentar o meu arquivo visual e meu arquivo pessoal (porque alguns são uma lição de vida, além de terem fotos divinas). Passe por lá também! E não se esqueça de comentar, ok? Todo mundo gosta! TODAS AS FOTOS DESSE POST FORAM RETIRADAS DE UM DESSES SITES
Be in the moment, da queridíssima Valerie, uma fotógrafa de mão cheia, que dá uma lição de vida impressionante em quem a acompanha! Não traduzi o nome do blog porque, senão, perde o sentido...(mas é algo como "esteja lá!", "participe", "aproveite o momento", só que não é, exatamente, nenhuma dessas opções. A tradução faz com que a expressão BE perca a força).
Under the Sycamore (Debaixo do sicômoro). O blog tem esse nome porque a Ashley, sua dona, tem uma árvore enorme no quintal da casa, onde toda a vida (e as fotos) acontece.
Hearts and Scars (corações e cicatrizes). A Chelsea é uma moça que teve câncer, na infância, e luta com ele até hoje. Ela tem uma visão peculiar da vida e um jeito pra fotografia que... afê! Ela é muito boa nisso!
Deb Schwedhelm. Além dela ter fotos incríveis, tem posts bárbaros, que fazem a gente pensar, como este
aqui.
Antoine Schneck, um fotógrafo sensacional que eu conheci, por acaso, num parque em Paris! Ele nos levou ao estúdio dele, nos mostrou sua arte, deixou as crianças brincarem com as fotos no computador. Ele faz "retratos" (de pessoas, de animais, de estátuas), de uma forma original e super criativa (que eu nunca tinha visto). Você precisa conhecer o trabalho dele!
Untamed Heart (coração selvagem)
(Gostou? Compartilhe! Porque todo mundo precisa de inspiração!)