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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hora H 15 - Catorze vezes!!! (Diário da Mirys)

No final de janeiro, comecinho de fevereiro de 2012, o H também passava por algumas importantes na sua vida. E a gente começou a conversar sempre sobre... tudo! Vida, projetos, amizades, filhos, trabalho, viagens e também sobre problemas. Eu torcia para que ele resolvesse os dele da melhor forma. Ele torcia por mim. Coisa de amigos, sabe?

Só que a gente nunca tinha sido tãããão amigo assim. A gente só se “conhecia”. A vida inteira tínhamos orbitado, um perto do outro, mas qualquer envolvimento um com a vida alheia. E eu tinha uma ideia meio “formada” dele, da minha época de novinha, quando ele era o cara mega paquerado, mega descolado, mega líder e eu era a...bom, eu era a menina muuuuuito mais nova e só. Talvez, ele me considerasse simpática. Talvez! Nem isso eu sei...

Eu só sei que EU tinha uma ideia dele como a de uma pessoa quase que inatingível, de um universo diferente do meu. Eu achava que a gente não combinava em quase nada até para sermos só amigos. Mas, a cada dia em que a gente conversava, eu desfazia uma pré-ideia (ou um pré-conceito, assim, no literal) que eu tinha dele. Engraçado isso... engraçado e curioso porque era JUSTAMENTE isso que eu vinha pedindo em oração. Eu não queria mais me envolver emocionalmente com ninguém que não tivesse uma perspectiva de futuro pra mim (pra quem acredita em Deus, ninguém que não estivesse no plano Dele pra mim). Claro que eu não esperava que alguém me pedisse em namoro sem nem ter saído comigo uma vez! As coisas não funcionavam mais assim... Claro que eu não esperava pedido de casamento em uma semanal! Óbvio que eu não pensava em casa + comida + roupa lavada, assim, pra ontem! Logicamente que não!!! Eu tinha uma noção de realidade e sabia que conhecer alguém e gostar de alguém leva tempo. Decidir-se a ficar na vida de alguém demanda sintonia, muita conversa e afinidade. E essas coisas levam tempo. Mas, nenhuma delas acontece sem VONTADE! Então, era isso que eu queria: queria me interessar por quem tivesse VONTADE DE FICAR, queria ficar com alguém que podia até não dar certo, mas que estava disposto a tentar no mesmo tanto que eu!

Desde o começo do ano, as crianças tinham mudado o final da oração delas. Uns meses depois do acidente, elas passaram a terminar todas as orações com um “manda um beijo pro papai, que está aí no céu, com você”! Fazia tanto tempo que eu ouvia aquela frase que ela nem me fazia chorar mais (a não ser em alguns dias, em que eu estivesse muito emotiva. Porque... para pra pensar nela!!! Agora, faça o link de que essa frase vinha da boca de duas crianças de 6 e 4 anos!!! Não é pra chorar, mesmo?). Mas, há umas semanas (acho que foi no Natal, a primeira vez), a frase tinha mudado para “querido Deus, manda um papai novo pra gente, por favor” (olha lá, eu, chorando, de novo!).

Do mesmo jeito que da outra vez, eu não recriminei o Guigo e a Nina por “pedirem” um pai novo. Afinal, como eu podia pedir para eles ficarem sem pai, pela vida inteira, só porque o deles, infelizmente, tinha morrido, se eu mesma adorava o meu pai e considerava uma das pessoas mais importantes da minha vida!?!? Então, eu entrei na dança com eles (porque eu sempre oro, também, depois deles, em voz alta) e comecei a frase “por favor, mande um papai novo pra gente que AME MUITO O GUILHERME E A HELENA”. E assim nós fizemos, por noites, e noites, e noites, e noites...

Numa dessas noites, no início de fevereiro, eu estava deitada com a Nina fazendo orações, pedindo pelo tal pai novo que a amasse muito, e acabei dormindo. Fazia tempo que eu não dormia assim. Exausta. Sem nem me trocar. Acordei na manhã seguinte, assustada, sem despertador, tomei um banho e fui pro serviço. Quando cheguei no trabalho, vi que meu celular estava sem bateria e coloquei pra carregar.

Tiriri!
Aquele barulhinho de que eu tinha uma mensagem tocou. Mas eu estava abrindo o computador, digitando senhas e não peguei o celular.

Tiriri!
Uns segundos...

Tiriri!
Mais uns segundos...

Tiriri!
Eu olhei pro celular e pensei: “tá, você só pode estar de brincadeira comigo...” e tiriri!!!

Ele apitou catorze vezes. Leia de novo: CA-TOR-ZE! Foram tantos “tiriris” que se eu fosse escrever um por um, aposto que alguém mais nervosinho já ia reclamar... porque... vamos combinar... catorze???? É muita mensagem para uma manhã só! Quando eu abri o celular, vi “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H” (tá. 14 vezes. Vocês já entenderam). Ele perguntava por mim, perguntava porque eu não respondia, dizia que precisava falar comigo naquela madrugada, afirmava que ia ficar acordado até eu responder, que era importante.

Eu, amiga (e lenta!), não tinha ideia de onde ele estava, na hora em que peguei as mensagens – pleno horário útil, e achei melhor não ligar. Só respondi. Disse que tinha adormecido com a Nina e perguntei se estava tudo bem. E esperei a resposta...

Cenas do próximo capítulo aqui.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Interlúdio 11 - choro e exigências (Diário da Mirys)

Depois de um tempo (mais de um ano e meio, no meu caso), eu comecei a ficar muuuuito triste de estar sozinha. Mas, entendam o muito como “muito x 1 milhão, elevado à décima potência”. Algo do tipo....

Era um fato pra mim que eu não gostava de viver a vida assim, vôo solo, sem ter ninguém com quem compartilhar. Eu não nasci pra isso, como diz meu amigo W. Eu sou uma pessoa de relacionamentos! Não que isso me resuma (como “ser mãe” não me resume. Eu ADORO, mas eu não sou só isso. Ninguém é tão simplório assim, para ser uma coisa só....), mas isso me definia também: eu queria ser o amor de alguém. Eu queria amar alguém.

A vida de “avulsa” é beeeeem mais simples, confesso. É porque você não tem que avisar ninguém de nada, não tem que pedir permissão, não tem que ser ver “vai dar” pra outra pessoa ir em tal compromisso com você. Não, você decide. Então, se eu recebia um convite, numa quinta à tarde, pra ir pra Campo Grande, eu decidia que ia, abastecia o carro, fazia as malas, viajava umas 9hs com as crianças na sexta (feriado) e chegava no Mato Grosso do Sul a tempo de tomar uma cerveja! Se a minha sogra falasse que estava com saudades das crianças, eu colocava os dois no carro, viajava um pouquinho, almoçávamos com a vovó, eu ia pro cinema (pra deixa-los sozinhos um pouco, só se curtindo), pegava os 2 e voltávamos pra casa, no dia seguinte. Pif-paf-pum. Resolvido! Era simples.

Mas eu não queria o simples. Eu queria alguém pra falar “tem jeito de resolver a sua agenda e a gente ir pra Campo Grande?”. Alguém pra compartilhar, pra dividir a vida, pra sonhar e planejar junto, pra ajudar a decidir até aquelas horas vagas (“esse filme ou um vinhozinho?”).

E eu comecei a chorar, toda noite, porque eu não aguentava mais ficar sozinha....

Eu via casais ao meu redor. Curiosamente, eu comecei a ver SÓ casais ao meu redor! E até o braço do meu cunhado, passando atrás das costas da minha irmã, no banco da frente do meu, me incomodava. Porque eu não tinha aquilo! Era tão pouco, era tão insignificante, era “só” um braço nas costas. Sem carinho, sem beijos, sem nada demais... mas eu não tinha nem aquilo! O que eu tinha era MENOS do que aquilo. Era zero.

O “problema” é que eu não “precisava” de ninguém. Eu já tinha aprendido a viver sozinha. Eu cuidava do carro, da roupa e da louça. Eu pagava as contas. Eu sustentava as crianças. Eu redecorava a casa. Eu decidia o jantar, eu fazia o jantar, eu comia o jantar. Ponto. Então, eu fiquei exigente, porque alguém que viesse teria que vir pra acrescentar, pra trazer um algo a mais, pra trazer cor, música, emoção pra vida.

E toda noite, quando eu chorava, eu orava. Em partes, eu orava direito: “Deus, SE o Senhor quiser e QUANDO o Senhor quiser, eu quero ter outra pessoa comigo. O Senhor sabe que eu não aguento mais ficar sozinha, que eu estou muito triste. Mas, se o seu plano for outro, eu entendo.” A partir de então, minha oração ficava parecida com uma análise de curriculum, num departamento de recursos humanos: “mas eu quero alguém que goste de crianças, que não tenha uma história anterior (eu achava que a minha já era pesada demais para uma relação), eu quero alguém que NÃO me conheça de antes, eu quero alguém que seja resolvido financeiramente (eu não fazia a menor questão de ter alguém que pagasse minhas coisas pra mim porque eu mesma pagava. Só não queria alguém que ficasse comigo PORQUE EU pagava as coisas pra ele), eu quero alguém assim e assado”.

E eu continuei orando e chorando, por muitas e muitas e incontáveis noites...

Cenas do próximo capítulo aqui

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ensina a criança (Diário da Mirys)

Ontem, fui buscá-los correndo para levá-los pra escola. É semana de casamento da minha linda irmã número 5 e eu estou na maior correria (como o resto da família), pois ainda temos muitos detalhes (a família AMA DETALHES) para resolver até sábado. Outra vez, fiquei sem almoço...

Cheguei em casa e a ajudante me conta que o Guigo não obedeceu. Foram pra casa de um amiguinho que mora no prédio e ele não quis vir embora, quando ela chamou. A Nina veio, ele não. Tive que dar bronca, fazer papel de mãe, saber da história pela boca dele (confirmadíssimo - ele desobedeceu!) e fazê-lo pedir desculpas para ela. Isso porque eu tinha 5 míseros minutos para entrar em casa, pegar os 2, as malinhas e levar pra escola!!!

No caminho, fomos conversando sobre obediência e respeito. Eis que chegamos na porta da escola, eles descem, e eu me lembro que o Guigo tinha prova. A PRIMEIRA PROVA!!! Eu tinha feito toda uma programação, oraria com ele antes de sair de casa, etc, etc, etc. E não tinha feito nada disso!!!!

"- Guigo! Filhote! Vem aqui na janela do carro!" (fiquei estacionada no lugar de desembarque de crianças mais um minutinho... sorry outras mãmis!)
"- Oi mãmi?"
"- Filhote, me dá a mão..."
Fechei os olhos e mandei bala. Nem avisei. Jà fui logo falando com Deus para protegê-lo e estar com ele, durante a prova; e para que fosse feita a Sua vontade. Amém. Quando abri os olhos, ele estava com as duas mãozinhas sobre as minhas, com os olhos fechados, orando mesmo!

"- Tchau, filhote. Boa aula."
"- Tchau, mãmi. Bom trabalho. Deus te abençõe!", uma piscadinha e lá se foi o meu pequeno.

E eu vim trabalhar com a frase na cabeça "Deus te abençõe"... "Deus te abençõe"...
Já abençoou, filho. Já abençoou!!!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O 2o dente de leite... ou cai-não-cai! (Diário do Guigo)

Amigos, como é duro ter seis anos!!!! Vejam só o drama:

* você começa a ter tarefas TODOS OS DIAS, na escola;
* você senta confortável (torto) e sua mãe acha que vai resolver o problema da sua vida, e que vai resolver AGORA, e fala 1.324.540.847 vezes para você ficar reto;
* nem dormindo você tem sossego porque a sua querida mãmi fica lá, olhando você e pensando "as costas parecem retinhas, assim, deitado... mas as pernas, aaaahhhh! as pernas, vão precisar de bota ortopética, cer-te-za!";
* você vai tomar banho e sua mãmi encasqueta (maneira sutil de falar "fica neurótica") que o seu cabelo está no olho, então ela pega a tesoura e tchum! Tchau franja! e a sua irmã mais nova fica falando que antes estava melhor... porque parecia o Justin Bieber (hello???!!!);
* se você precisa, começa a usar óculos... se precisar meeeeesmo tem que começar a usar tampões também (ufa! Dessa eu me livrei);
* você vai, gradativamente, perdendo seus dentes de leite e os outros nascem... UM DE CADA VEZ! Então você fica com uma boca linda, super-ultra-maxi-mega alinhada, com um dente de cada tamanho, em cada lugar, e uns buracos aqui e ali...

Ou seja, aos 6 anos a melhor coisa que eu tenho para falar da minha aparência é que a Helena me acha parecido com o Justin Bieber com o cabelo molhado! Humpf!!!

Mas, o meu caso é mais grave (SE é que isso é possível). Meu primeiro dente de leite caiu dois dias depois do casório da tia Yayá (novembro/10). No domingo avisei a minha mãe "mãmi, veja isso!!!"; na segunda, no meio do almoço, já fui mostrar para a mãmi meu dente caído, na palma da minha mão "mãmi, veja isso!!!". Foi pá-buf! Pensou, caiu. Simples assim.

E então que nós chegamos em Paris (janeiro/11). Tudo lindo, maravilhoso, mãmi felicíssima, crianças empolgadas. E eu anuncio, logo na chegada (acho que sou filho da minha mãe mesmo... a-do-ro um drama!): "mãmi, veja isso!" e aponto meu segundo dente de leite mole!!! É o segundo de baixo que fica mole. Esse é do lado direito (para mim), bem no meinho da boca. A mãmi já fala, toda empolgada, crente de que meu dente cairia tão rápido quanto o 1o: "uau, Gui! Que chique! Pensa, filho, seu segundo dente vai cair EM PARIS!!! Não é o máximo?????" (por que seria, mãmi?)

Porém, para tristeza geral da nação, passamos 13 dias em Paris e nadica de nada do dente cair! A mãmi até tentou dar uma força, pedia para ver (com a mão!!! E balançava, balançava, para dar uma ajuda ao dente). O pior é que o dente permanente que é o dono daquele lugar ainda ocupado JÁ ESTÁ NASCENDO! Atrás do de leite e virado para dentro!!!

Chegamos no Brasil e eu contei para todo mundo do meu dente "que não quis cair em Paris". A mãmi pedia para todo mundo olhar COM AS MÃOS. Quem sabe se a família toda (umas 20 pessoas, no mínimo) desse uma forcinha... o abençoado resolvesse sair dali e abrir espaço para o próximo? Só que não deu certo. Depois de uma semana no Brasil, mamãe marcou dentista, preocupadíssima. Como se usar aparelho fosse o meu único problema existencial (leiam acima!)... A dentista disse para esperarmos completar um mês (da percepção do dente mole, ou seja, dia 15.02). E garantiu para a mãmi que o de trás (permanente) volta sozinho para o lugar SE o outro cair logo.

Ontem, no meio do ensaio do coral (voltaram os ensaios! Yupi!), eu mostrei meu dente para todo mundo e até eu já estava pedindo para o povo colocar a mão e balançá-lo. O danadinho não quer cair!!! No final do ensaio, tem os pedidos de oração. Um monte de adultos pediu um monte de coisas. Foi um compartilhar lindo. Daí, a mãmi pegou o microfone e não pediu: só agradeceu as orações que todos fizeram por nós no ano passado. Quando, de repente, plim!, eu tive uma ideia!!!

"Mãmi, deixa eu falar???", e a mãmi agradecendo o povo, "mãmi, olha pra mim! Deixa eu falar?", e a mãmi agradecendo o povo, "mãmi, olha pra mim! Deixa eu falar?". Mãmi olha pra mim, pergunta pra regente do coral se tudo bem dar o microfone para uma criança de 6 anos. A regente deixa (um beijo, tia Lú!).

"Gente, boa noite!" (suspiros por todos os lados) "Eu tenho um pedido. É que eu tenho um dente que não quer cair. Tá molinho mas não quer cair. Vocês podem orar e pedir para ele cair?"

Beijos e bençãos.
Guigo

OBS da mãmi: na hora, eu morri de rir, mas depois fiquei toda orgulhosa. "Ensina a criança no caminho em que deve andar...". É bom saber que meus filhos se sentem queridos e aceitos, pelo grupo do coral e por Deus, para fazer pedidos de oração em público. Obrigada, amigos, por todo o amor demonstrado para conosco!!!

domingo, 15 de agosto de 2010

Um mundo todo novo... das PALAVRAS!!! (Diário do Guigo)

Amigos, eu estou gostanto MEEEEESMO dessa coisa de ler! Após pouquíssimos meses que eu descobri que podia fazer isso, eu já me sinto "super experiente" em leituras e até desafio a mãmi: "-vamos ver se você sabe ler o que está escrito ali! Eu já li! Fale o que está escrito para eu ver se você acerta!". Mas, ela sempre acerta....

Nesse sábado, que nós ficamos na casa nova, só nós três, nós "metralhamos" a mãmi com livros. Contamos histórias para dormir, na sexta, histórias quando acordamos, no sábado, histórias (muitas!!!) com a Maria Clara (do tio Emanuel e da tia Adriana!) no sábado à noite, enquanto a mãmi esperava a pizza, histórias para dormir, no sábado. É incrível!!! A gente não se cansa!!! E agora, como EU leio, eu dizia: "-mãmi, eu leio os títulos!" ou a gente dividia (1 página pra mim e 1 pra ela, se o livro fosse pequeno).

Tem gente que diz pra mãmi que ela "perde" tempo com tanta historinha. Que ela devia aproveitar melhor o tempo dela: organizar a casa, ler um livro pra ELA, assistir a filmes, responder e-mails, dormir, etc. Mas ela acha SUPER PRECIOSO esse momento da história! Desde que a gente era minúsculo (palavra nova que usamos muito)!

Ela acha que amor por livros se passa desde cedo! Ela ainda se lembra das histórias que o vovô contava (lendo ou inventando) para ela, quando era pequena. E assim nós vamos aprendendo palavras novas, a falar português direitinho, a ter imaginação, aprendendo fatos e histórias verdadeiras. Histórias nos levam a mundos diferentes dos nossos, super interessantes, sejam reais ou não!

Até inglês a gente já aprendeu (um pouco) pelas historinhas da hora de dormir. A mãmi cansou de contar a mesma história, "trinta vezes", todas as noites (porque criança é assim: quando gosta, só quer aquela!!!). Então resolveu evoluir. Conta a história a 1a vez, normal: "era uma vez, um leão e um tatu que viviam na grande floresta". Na 2a, ela já evoluia: "era uma vez, um lion e um armadillo que viviam na grande floresta". E o resto da história ia toda com o leão sendo chamado de "lion" e o tatu de "armadillo". Uns dias depois, ela já contava a versão com os nomes em inglês, na 1a vez. Na 2a, já dizia: "once upon a time, there was a lion and an armadillo que viviam na grande floresta!". Daí, ela ficava nessa versão, por uns dias, e evoluia de novo!

E pra que a gente percebesse que livros são legais mesmo, lá na casa de Jaú, a mãmi colocava um colchão no meio das nossas camas, lia alto uma história para cada um (3 = uma minha, uma da Nina e uma escolhida por ela), nos dava um beijinho de boa noite, fazia orações e... ficava lá, deitadinha, lendo um dos livros dela, até a gente dormir e ela sair, de mansinho, do quarto (para levar um lanchinho pro pápa que estava no quarto da frente, lendo pro mestrado).

Então, devido a todo esse histórico, eu achei o máximo poder ler e saio lendo TUDO por aí! Placa de carro, outdoor, embalagem de pasta de dentes, capas de livros, tudo mesmo! O problema é que na nossa igreja, todo o roteiro do culto é transmitido no datashow e eu ficava lendo alto: "lo-u-vo-rrrrrr e a-do-ra-ção" (daí falava rápido "louvoreadoração!"), "me-n-sa-ge-m" ("mensagem!"), e a mãmi ficava "shuuu, shuuuu", explicando pacientemente que, na igreja, nós temos que falar baixinho. Mas, eu estava deslumbrado e lia tudo alto, mesmo! Ora, EU SEI LER!!!!! E isso é um grande acontecimento!!!

Mas, agora, que eu já leio super tranquilo, não fico mais falando as coisas alto. Eu me comporto. Só que hoje, no culto, teve uma hora de "oração silenciosa" e, depois de um tempinho, apareceu no telão "oração audível". Eu li, baixinho, virei pra mãmi que estava no banco de trás e perguntei (em alto e bom tom!!!!): "ôh, mãmi, o que que é oração au-dí-vel? Tá escrito lá, olha!"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Orações (Diario da Nina)


Ituverava, 22 de fevereiro de 2010.

Bom dia, galera! (depois do pápa e da mãma muito insistirem, agora, eu consigo falar “galera” certinho!)

Desde pequenininhos (claro, porque nós já somos grandes! Lembramos a mamãe disso a toda hora), nós fazemos orações. Pelo menos, três por dia: no almoço, na janta e na hora de dormir. No mínimo!!!

Geralmente, as minhas orações eram assim: “papai do céu, obrigada por esse dia, pela nossa família, pela comida. Em nome de Jesus, amém.”

As do Guigo são bem mais evoluídas: ele pede pelo “planeta” (será que ele sabe o que é?), pelas pessoas da Arábia, pelos insetos (depende do que ele estiver estudando na escola! Rsrsrs) , pelos amigos fulano e beltrano, pelos brinquedos. Só quando ele tá com preguiça que a nossa oração fica parecida.

Mas, faz um mês, mais ou menos, que eu mudei minha oração da hora de dormir. Depois que a mãma conta as histórias, ela apaga a luz e cada um faz uma oração. A minha tinha aumentado um pouquinho e ficado mais ou menos assim: “papai do céu, obrigada por esse dia, pela nossa família, pela comida. ‘Faz’ que a gente morra logo para ir morar aí no céu, com você e o papai. Em nome de Jesus, amém.”

A mãma nunca brigou comigo, nem questionou, até porque não faço oração triste: eu faço alegre, falo amém, dou um sorriso, um beijo na mamãe e me viro para dormir. Para mim não é problema nenhum eu querer que a gente fique todo mundo junto, de novo. E a mamãe acha importante a gente dizer o que sente (mesmo que ELA não goste).

Mas ontem, para a alegria da mãma, eu parei na porta do quarto e disse: “-mãma, eu não quero morrer, não. Quero ficar A-QUI” (e apontei para o chão). A mãma acha que é porque eu gosto muito (demais mesmo) da tia Lilla e ela disse que ela não quer morrer, que ela quer ficar aqui comigo, com o tio Jú, com o Guigo, com todo mundo. Que um dia, quando Deus decidir, a gente já vai morar no céu, mesmo, pra sempre (mais ou menos a mesma coisa que a mamãe fala), então, que ela queria ficar por aqui, agora, morando com tudo mundo. Então, eu decidi que também quero ficar aqui.

E deixei a mãma numa sinuca de bico: ela não quer vibrar para não parecer que era errado eu querer ir morar com o papai ou com Deus; ela não quer fingir que não escutou, porque adorou a minha mudança; ela não quer ficar brava ou triste, até porque ela sabe que querer ficar não é gostar menos do pápa. Então, ela teve uma boa idéia (minha mãma é bem boa, às vezes!).

O Guigo orou (pelo planeta, por todas as pessoas da família nominalmente, pelos bichos que ele conseguiu se lembrar...). Eu orei e disse que não queria mais morrer, não, que queria ficar aqui. E a mãma, para não deixar a gente “esquecer” do pápa (que, afinal, continua no céu, longe de nós), orou: “papai do céu, obrigada..... (por várias coisas). E, por favor, manda um beijo pro papai, que mora aí com você. Em nome de Jesus, amém”.

Agora, essa virou a oração da nossa família de 3: agradecemos por várias coisas, pedimos o que desejamos, e mandamos um beijo para o papai, pedindo para Deus entregar. Nós ficamos felizes e lembramos dele, todo dia. Ele fica feliz, porque mandamos nossos beijos. Questão resolvida!!!

Bjos e bençãos.

Nina + Guigo + mãma

domingo, 20 de novembro de 2005

Orai sem cessar! (Diário do Guigo)

Amigos amados!

A vida do interior tem sido uma loucura e nós estamos há vááááários dias sem aparecer... Mas, é por causa de um certo hospital da nossa city... onde algumas pessoas queridas resolveram passar uns dias "de spa" (e o resto do mundo ficou uma loucura!!!). Primeiro, foi a bisa Ida, que nos deu um susto e... lá foi a mamis, às 6hs da matina, para a casa dela + hospital + internação. Ela só voltou para casa, às 17hs, quando a tia Maris (Lila, para os íntimos) ficou um pouquinho com a bisa, para a mamis tomar banho. Como eu estava dormindo, nem a vi!!! Aí, ela saiu correndo, de novo, foi para o hospital + pegar a tia Marta na rodoviária + hospital + casa... nossa casa... às 19:30hs da noite!!!! E eu já estava reclamando....

Quando a "semana de spa" (como a bisa apelidou!) da bisa Ida terminou, já estava na hora da festa surpresa dela!!! Que seria no final de semana do feriado e que era de responsabilidade da minha mamis (que tinha animado o povo da família, dos cantos quentes e dos cantos frios do Brasil, a vir para cá). Começou a correria de novo: organiza o pessoal (quem dorme onde), compra as coisas para a festa ("santas" tias Maris e Tina que deram a maior força), arruma aqui, ajeita acolá, recebe visitas em casa (OBA!!!!! ).

Nós fomos PRESENTEADOS (com todas as letras maiúsculas) pela presença (leia-se dormilança) dos tios Marcelo e Lúcia, com os primos Lucas e Jonas, em nossa casa. Papis e mamis cederam o quarto para eles, felizes da vida, e acamparam no meu quarto. Foi a maior bagunça de família!!!!! Eu amei ter contato por vááááários dias com meus primos (que eu chamava, A TODO MOMENTO, de Lulu e nenê) e brincar bastante!!!! Papis e mamis adoraram gastar horas de conversa com os meus tios. Até um churrasquinho nós fizemos!!! E olha que a agenda do povo de Campinas estava concorridíssima, com visitas à casa da vó Miriam e da bisa Ida!!! "Sorte" dos meus tios que os meus primos acordam às 6hs da manhã, todos os dias (PS da Mamis: filhote, MUITO OBRIGADA POR DORMIR ATÉ ÀS 7:30HS!!! ).

No final das contas, até na quarta-feira pós feriado, tinha gente em Jaú. E na quinta... já era final de semana. "Ufa", pensou a mamis, "na segunda-feira eu escrevo um diário do Gui". Doce ilusão.... No domingo, a tia Mel começou a reclamar de dor de barriga. Reclamação vai, reclamação vem, descobriram (muito rápido!!! foi até assustador!!!) que ela estava com apendicite, e teria que operar, na segunda-feira, mesmo!!!! Lá fomos nós para o hospital, de novo...

Graças a Deus, correu tudo bem, e na sexta-feira a tia Mel foi para casa... chegou e saiu!!! Começou a não comer nada e... voltou para o hospital, para tomar soro. No sábado, ela ficou ótima "num passe de mágica" (olha a tia Maris em ação, de novo!!! ), e voltou para casa... toda serelepe!!! Nem parecia que tinha operado!!! Já estava para cá e para lá, contando os puns que fazia (rsrsrsrsrs). Para quem não sabe, depois de uma operação dessas, a gente fica na maior expectativa para o intestino funcionar de novo, e o da tia Mel resolveu fazer greve por uns dias.... Quando ela começou a soltar puns foi a maior vibração ("é isso aí, Mel!", "muito bem, Melzinha", "huummm, esse foi um dos bons!!!"). Vê se pode...?!

Nesse meio tempo, eu evolui em várias coisas e a mamis nem pode me curtir direito.... Mas, de uma coisa ela sabe: eu estou com "mania de oração"! Quando a gente ora, antes de comer, eu junto as mãos e falo "ção" (entenda-se oração) e a mamis começa a orar tudo de novo. Agradecemos a comida e comemos uma colherada. Agradecemos pela bisa e comemos outra colherada. Agradecemos pela Mel e comemos outra colherada. Agradecemos pelas vovós e comemos outra colherada. Agradecemos pelo tio Mu e comemos mais uma colherada. E assim vai.... oramos pela família toda!!! E olha que ela é grande!!! E o melhor é que eu agora falo "aamÉm", no final!!! Não sou lindo???

Outro dia o papis falou "agora, chega de oração" (até porque já era a enéssima oração do almoço), mas a mamis disse: "- Fê, é melhor orar bastante mesmo, tem muita gente precisando". Afinal, só estou seguindo uma ordem bíblica, ao pé da letra: orai sem cessar!!!!

Bjos e bençãos

Guigo + mamis! + papis

PS: não temos fotinhos, hoje, porque estamos na casa da vó Dina.
PS2: era para esse e-mail se chamar "saudades da Gica" do Tio Capê (porque estamos MORRENDO DE SAUDADES DELA), mas a mamis achou que seria super apropriado o "orai sem cessar"!
PS3: Neno, também estamos com saudades de você!!!! E obrigado pelo meu jacaré!!! Fez o maior sucesso!!!