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terça-feira, 8 de outubro de 2013

BC Foto - para onde meus pés me levam

Hoje, a Daninha (do delicioso "Moça de Família"), nos convidou para uma blogagem coletiva nova: de fotografia. E o tema do dia é: "seus pés, apontando pra alguma coisa". Poxa, Dani!!! Eu tenho guardadas fotos minhas com o marido de TODOS os lugares para onde a gente vai, desse jeitinho que você pediu! Tenho até uma pasta exclusiva no face chamada "por onde for quero ser seu par"!


(foto dos nossos sapatos do dia do casamento - pra começar bem o álbum de fotos)
Amiga... ficou fácil!
Difícil vai ser escolher UMA FOTO pra colocar na sua bc...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MAMARAZZI WEEK - maio / 2013 (quinta)



Mini lua de mel...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Carta para a outra metade de mim (Diário da Mirys)



Há uns 380 dias atrás, eu estava esperando você voltar de uma longa viagem (de 36 dias), ansiosíssima. Quem era aquele cara que “voltaria pra mim”, de Manaus? Aquele que eu tinha aceitado namorar (depois de um loooongoooo e tenebroso inverno emocional), que eu tinha namorado por 8 dias e que o trabalho tinha levado pra longe? Aquele com quem eu tinha quase “zero” estórias, mas de quem eu sabia a vida toda por torpedos? Aquele com quem eu tinha conversado ao vivo poucas vezes, mas falava toda santa noite, por horas e horas e horas?

Além desse tumulto dentro de mim, comum no começo de qualquer namoro “normal” (imagine no nosso), eu sabia que você voltaria e, poucos dias depois, em 12 de abril, faria aniversário. Meus sais... E eu que sempre fui cheia de ideias, conhecida por fazer festas surpresas pra todo mundo (que não eram surpresa pra ninguém, mas...), eu que adorava dar presentes pros outros e não tinha qualquer problema pra decidir o que comprar, estava perdida! Eu não sabia por onde começar! O que fazer pra celebrar o seu aniversário...

Quando o dia certo chegou, pra piorar, eu estava trabalhando loucamente em outra cidade, há dias e dias, sem tempo nem pra almoçar, direito. Estava frustrada comigo mesma, por não fazer nada “especial” pra você...

Só que eu não contava com um fator: você não queria nada especial. Nada da minha definição de “especial” (com muitos amigos, comidas diferentes em lugares legais, uma viagem espetacular, um presente “comprável” e que colocasse em cifrões a sua importância pra mim). Você só queria ficar comigo.

Aquilo me parecia muito estranho e eu me lembro de pensar: “eu jamais ia querer ‘só’ isso de aniversário... eu ia querer alguma recordação em foto, estórias vividas com amigos pra contar em jantares coletivos, alguma celebração...”. Mas eu estava enganada. Completamente enganada. Porque o seu pedido de celebração a dois deu um novo sentido ao “só nós”, pra mim.

Sem presente, sem festa, sem multidões, sem fotos, nós passamos o seu aniversário conversando, namorando, dando atenção um ao outro, estreitando os laços. E que presente poderia ser melhor para se levar a vida inteira do que esse? O que pode trazer mais alegria (não daquelas passageiras, que um presente traz, mas daquelas perenes, que duram pra sempre) do que a certeza de que, mesmo que você não tivesse mais nada, você teria AQUELA PESSOA?

Porque você podia passar o ano sem festa, sem amigos, sem dinheiro pra esbanjar, sem uma viagem pra algum lugar exótico, mas não podia passar o seu ano sem mim! E essa mensagem foi o melhor presente que VOCÊ poderia me dar! Pra minha sorte, eu percebi o valor daquilo tudo bem rápido e (espero ter feito) fiz o meu melhor para que aqueles momentos fossem perfeitos!

Hoje é, de novo, seu aniversário.
Quando eu olho pra trás, eu vejo o quanto eu mudei nestes 300 e tantos dias. O quanto eu sou mais sua. Também vejo o quanto você se modificou e é mais meu. Hoje, eu rio daquela menina boba e insegura que fui no ano passado, que tremeu quando você disse que eu ia passar mais tempo como sua noiva do que como sua namorada (porque você já me pediu em noivado, no primeiro mês!, apesar de só ter oficializado, no segundo). Hoje, eu tenho 8 meses de CASAMENTO pra comemorar do seu lado! E uma lista infindável pra exemplificar o bem que você me faz.

Mas não pretendo fazer nada diferente do seu aniversário anterior (se bem que, você VAI ter alguns presentes desta vez, H!). Eu pretendo ser o seu presente e a sua comemoração, de novo. E quero que você seja a minha celebração, pelos próximos dias, meses e anos que estão por vir.

Por isso, não te falo só “feliz aniversário”, mas desejo que todos os seus dias do próximo ano sejam felizes, perfeitos, completos, apaixonados. Que você receba de mim, a cada dia, o melhor que eu puder ser! E, quando chegar 12 de abril do ano que vem, a gente repete tudo... só pra manter a tradição!

Amo você.
Sua Mi

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Blogagem Coletiva - Tag Selinho de Indicação

Recebi da Nana (que já escreveu pra gente aqui e aqui).

1 - Como escolheu o nome do seu blog?
Há muito e muito tempo atrás, num reino muito muito distante, eu fiquei viúva. Como o Guigo e a Nina eram novinhos, eu não quis que a falta do pai mudasse demais a vidinha deles (mais do que já iria, obviamente, mudar). Então, continuei a viajar, passear, estudar, fazer tudo com eles. Estávamos sempre juntos! Sempre em trânsito! E, um dia, alguém disse: vocês são como os 3 Mosqueteiros! O Guigo adorou a ideia de vivermos de aventuras. Eu achei que aquilo "romantizava" um pouco a situação. Como eu já escrevia os "Diários do Guigo e da Nina", desde antes deles nascerem, resolvi que o nome do blog seria "Diário dos 3 Mosqueteiros"!

Há pouco tempo atrás, num reino muito muito próximo e feliz, eu me casei. Com alguém incrível, que também tinha mais duas pessoas no "pacote completo" dele. E não quis parar com o blog (porque, afinal, se ele é pra ser um reflexo da nossa vida real, na MINHA VIDA REAL existia um novo alguém) e decidi contar a minha história com o H, aqui. Mas, eu resolvi mudar o nome do blog (não o endereço, pra não criar confusão), pois agora temos mais 3 pessoas fazendo parte da nossa vida!!! Eles partilham o nosso amor, as nossas aventuras e o nosso espaço virtual! Então, o Diário virou "Diário dos (3+3) 6 Mosqueteiros"!!!

2 - Há quanto tempo tem seu blog?
O blog, desde o comecinho de 2010. Mas escrevo as histórias do Guigo e da Nina (e enviava por e-mail, para parentes e amigos), desde 2004, antes do Guigo nascer. Quando criei o blog, recuperei os e-mails anteriores e trouxe tudo pra cá!

3 - Como você divulga seu blog?
Eventualmente, eu aviso pros amigos, no facebook, que tem post novo. Mas, geralmente, eu não divulgo! Não sei de onde vem os quase 2.000 leitores diários, mas fico MUITO GRATA POR CADA UM DE VOCÊS!

4 - Quais assuntos têm mais visualização no seu blog?
As festas de criança, do tipo "feita em casa", fazem os posts mais populares!!! Todas as dicas de decoração, comidinha, adesivos, etc e tal! Mas as sagas da vida real, as histórias de amor que eu vivi, sempre bombam de comentários aqui e no facebook! A-DO-RO!!! rsrsrs

5 - O que motivou você a criar o blog?
Eu queria deixar registrado, em um lugar publico (caso eu também morresse antes que pudesse entregar isso para as crianças), a história da vida do Guigo e da Nina, com o pai F e depois sem ele. Nunca imaginei que teria essa repercussão toda... nunca imaginei que escreveria aqui a MINHA história posterior... No início, o objetivo era escrever pras crianças num lugar que pudesse ser facilmente acessado por eles, no futuro.

6 - Onde você mora?
Em duas cidades diferentes, no interior de São Paulo. Numa durante a semana (onde eu trabalho e as crianças estudam). Noutra onde chegamos sexta e vamos embora segunda, mas onde podemos ficar uma FAMÍLIA COMPLETA, as 6 pessoas que fazem parte dela!

7 - Quais os seus objetivos com o blog?
Conquistar o mundo??? (#MirysnaversãoCérebro) rsrsrs
Registrar nossas histórias para as 4 crianças (adoro histórias da vida real, que meu pai me contava pra dormir, desde bebezinha); ajudar quem infelizmente passar por esse turbilhão que é perder alguém tão próximo e tão jovem; divertir; escrever; ser lida.

8 - Quais blogs você visita frequentemente?
Vou listar só aqueles que não são em portugues (porque, senão, a lista ficaria imensa) - Be in the moment, Under the sycamore, A bit of sunshine. Leio todo dia!

9 - O que te inspira para criar os posts?
VIVER!!! (e ler os blogs acima listados)

10 - Além do blog, tem alguma outra ocupação? Se sim, quais?
KKKKKKK. Ótima pergunta! Quem me dera, viver de escrever... ai, ai... Digamos que, "nas horas vagas", eu tenho um trabalho regular, que paga as contas lá das casas! Sou formada em direito e em jornalismo. SEMPRE QUE POSSO, mexo com fotografia. Apesar de nunca ser remunerado (então, não deveria contar como "trabalho"), é uma das coisas que me "ocupa" que eu mais amo fazer!!! Registrar momentos inesquecíveis da vida das pessoas que eu amo! Escrever a história delas... com luz!

11 - O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Reunir família e amigos! Namorar o marido, brincar com as crianças, conversar com os primos, me encontrar com amigos... AMO DEMAIS! Se der pra encaixar um filme ou um livro bom, na programação, também vou adorar. Mas, "descansar" não faz parte dos meus planos...

12 - Gosta de café?
Adoro o cheiro, adoro o clima de aconchego quando todos se reunem pra "pausa café". Antes de ir morar na França (em 1997/1998, pra estudar e trabalhar), eu tomava todo santo dia! Por lá, também sempre tinha o cafezinho com UMA bolacha amanteigada, após o almoço. Mas o café era do tipo "café fraco" (não aguado!!!). Quando cheguei no Brasil, louquíssima por um pão de queijo (a única coisa que me fez falta), eu parei numa lanchonete e pedi "um pão de queijo e um expresso, por favor". E aquele expresso, depois de um ano bebendo café fraco, não caiu bem... Caiu mal! Muito mal!!! Nunca mais tomei café, depois daquilo... Até começar a namorar o H e tudo mudar na minha vida! Hoje, tomo um copinho a cada 3 ou 4 dias. Talvez menos. Mas continuo a adorar o cheiro e a confraternização do "vamos tomar um café?"!

13 - Pretende fazer algo, em 2013, para o blog?
Pretendo escrever duas sagas (uma sobre como adaptamos essa família completamente diferente, de um piloto de aviões + 2 filhos, com uma advogada + 2 filhos, que passa seus dias entre 3 cidades diferentes, e tem que gerenciar 4 pares de avós e avôs... e outra saga ainda é surpresa!). Pretendo continuar com os desafios de fotografia (mamarazzi week, 10 on 10, dicas de fotografia) e criar mais um. Pretendo fazer algumas partes deste blog virarem livro.... Fernandinha Reali e sua legião de adeptos do "você PRE-CI-SA transformar o blog em livro" estão me convencendo... Adoraria se isso acontecesse!

As regras da brincadeira são:
as blogueiras que receberem o selinho responderão às perguntas feitas pela blogueira que indicou seu blog e listarão 10 blogs para fazer o mesmo (não podem ser blogs famosos com mais de 800 seguidores, pois o intuito do selinho é divulgar blogs).

Assim sendo, os meus 10 blogs escolhidos são (considerando que vários outros que eu adoro JÁ participaram da brincadeira): céu azul após a tempestade, casa com detalhe, moça de família, balzaca materna, a mãe dos gêmeos, inventando com a mamãe, dress 2 impress, filha de josé, em nossas vidas e o divã delas! Divirtam-se!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Retrospectiva 2012 - o melhor do Diário!

Desta vez, deu tempo (mesmo atrasados) e nós fizemos uma apuração do que mais bombou no blog, no ano passado!!! Pra você poder recordar o que já leu ou se atualizar no que deixou passar... Pra você se emocionar, se inspirar, rir, empolgar, tuuuuuudo, de novo!!!



Saga Hora H - essa história da vida real fez muita gente entrar na torcida, vibrar, chorar, se irritar (com a mocinha indecisa), suspirar (pelo pretendente insistente e apaixonado)... (ps: essa é a saga que explica onde nós, como família, estamos hoje! Se você não leu, corre se atualizar! rsrsrs)
Saga O que muda, em um ano? - série de reflexões de muitos escritores especialmente convidados sobre o que pode mudar, nas nossas vidas, em 12 meses!
Saga Interlúdio - como eu, Mirys, sai de onde estava (viúva precoce), enfrentei os medos, as dúvidas, as cobranças e cheguei onde estou hoje!
Saga Surtei! - apesar de ter começado em 2011, quando eu decidi que a minha casa não podia mais refletir a falta de propósito da minha vida pessoal, essa série que mostra uma transformação na decoração de um apartamento alugado para uma casa com a nossa cara ainda mexeu com muita gente!



O decor das festinhas infantis movimentou o blog!!! Sinal de que tem muita gente por aí buscando e dividindo inspiração!
Festa do Carrossel ou Festa da Escola - o post mais acessado do blog, em 2012!!!
Festa da Barbie, o segredo das fadas - a festa foi no ano passado, mas esse post só foi desbancado pelo da festa do carrossel!
Festa das Princesas da Disney - mais uma festa de meninas super acessada!
Faça você mesmo a decoração da sua festa infantil - post com dicas e truques pra você criar e arrasar na festa da criança mais próxima!!!



E os post mais acessados de decoração de casa foram:
Decoração de Natal - inspirações pra todos os gostos: barato, reciclável, com pinhas, com latinhas, com bolas, com palavras, árvores diferentes, enfeites "faça você mesmo", etc e tal!
Decoração de Sala - a nossa sala azul e verde deu o que falar!
Quarto de Menina Grande - o quarto de casal passou por uma revolução e todo mundo acompanhou as compras, as inspirações, a arrumação, a "mão na massa"...
Cozinha com contact - uma cozinha inteira nova com... CONTACT! Na geladeira, nos armários, na parede, na lousa de recados!!! Linda, linda, linda!




Esse blog não seria o MEU BLOG se não tivesse muita foto nele, né?
Dicas de fotografia - a série que ajuda fotógrafos amadores e fazer imagens com o "fator UAU!". Simples, indolor e qualquer um pode aprimorar! Vai ao ar todas as sextas (que eu consigo)!
MAMARAZZI WEEK - o projeto fotográfico que incentiva as mães-fotógrafas-de-filhotes-de-plantão a sairem de trás da câmera e aparecerem nas fotos!!! E criar lembranças lindas e deliciosas para sua família! Acontece toda última semana do mês!
Projeto "10 on 10" - um convite para você ver um dia comum do seu mês de uma forma especial! Todo dia 10, são 10 fotos, em 10 horas consecutivas - pra te fazer ver a beleza do seu dia a dia!


E aí, conta pra gente o que VOCÊ mais curtiu ver por aqui, em 2012???? Pra gente poder acertar, em 2013! ;)

Bjos e bençãos.
Mirys

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Hora H 29 - se apaixona por mim? (Diário da Mirys)

Jaú, 25 de novembro de 2012 (parte II).

Naquela noite, quando não dava mais pra adiar a conversa, ele passou me buscar, na porta da casa dos meus pais. Eu entrei no carro sem uma roupa chique (com o vestido cinza, lembram?), sem sapato de salto, sem maquiagem no rosto ou escova nos cabelos. E o melhor: entrei sem expectativas, sem máscaras, sem necessidade de ser uma pessoa interessante e bacana (daquele jeito meio artificial de todo primeiro encontro) porque ele já me conhecia!

E, pela primeira vez, eu vi isso como uma vantagem.

Antes, eu pedia por alguém que não me conhecesse de "antes", que não soubesse a minha história. E pedia por alguém que não tivesse uma história tão pesada quanto a minha: com filhos, relacionamentos longos anteriores, cicatrizes. No final das contas, o H não se encaixava em nenhum desses meus "requisitos" e eu pude perceber que isso era ótimo! Eu não precisava me explicar pra ele, não precisava falar sobre o acidente, nem contar como minhas crianças se chamavam e torcer para que ele se importasse e lembrasse o nome delas. Ele JÁ conhecia a minha história e a minha família! E ele também tinha a dele... o que tornava tudo incrivelmente mais simples pra mim! Porque, quando você já passou por um casamento, você sabe como eles funcionam. Você sabe pelo que vale a pena brigar e o que é só questão de orgulho. Você já reconhece as manias, as premissas, as regras do outro e consegue decidir mais facilmente se aceita ou não. Você já administra os problemas e, ao conhecer um defeito, você já sabe se consegue ou não conviver com ele. Porque pessoas perfeitas não existem... o grande segredo está em encontrar alguém com cujos defeitos você consiga conviver!

No caso do H, ele ainda tinha mais uma vantagem: ele já era pai. Ele sabia como ser pai. Ele não ia ficar olhando pra mim, esperando a minha atitude com relação às crianças, toda-santa-vez em que algo acontecesse (quem é pai e mãe sabe que todo dia você tem algo para resolver), com aquele olhar do tipo "os filhos são seus e você sabe o que é melhor". O fato dele ter essa experiência paterna me deixava muito mais tranquila! Porque o Guigo teria alguém com quem brincar de video-game, lutinha ou assistir corridas de F1, que fosse do sexo masculino e realmente CURTISSE isso tudo. Porque a Nina estaria por perto de um homem que já era pai, de uma outra menina, então saberia como se portar.

Mas, cá entre nós? Confesso que, quando entrei naquele carro, eu deletei todas essas informações racionais que, em qualquer outro momento de lucidez, fariam todo o sentido do mundo pra mim. Naquela hora, não. Naquela hora eu só pensava que eu estaria frente a frente com um cara louco por mim, sem saber, ainda, se eu estava preparada para tudo aquilo.

Como eu pedi para não irmos num lugar público (porque se alguma coisa não desse certo, eu não queria ficar me explicando para um monte de conhecidos, depois, o que que eu estava conversando com H, em plena madrugada), ele me levou pra uma casa onde ninguém morava. Um dia, tinha sido dele. Naquela noite, não era nada além de algumas paredes e uma TV. Sem nenhum móvel, nenhum enfeite, nenhuma decoração, nada, aquela casa se parecia muito comigo. Vazia, triste, esquecida... mas um espaço enorme para possibilidades!!! Assim como num dia de aniversário ou em 1o de janeiro, quando você decide que tem um ano em branco à sua frente e pode fazer o que quiser, eu vi a minha vida. Eu tinha virado as páginas da infância, da adolescência, da juventude, de um casamento de quase 12 anos, do luto, da solidão de estar viúva com 30 e poucos anos e tinha chego nas novas páginas da minha vida. Em branco. Prontas para serem escritas. Do zero. Livres para qualquer coisa que eu quisesse escrever. Uma longa história de amor ou uma noite bacana com um amigo. A caneta estava na minha mão... mas eu não conseguia movê-la.

Ele sabia disso. Então, colocou um DVD pra tocar. JQuest. Várias músicas que eu adorava, que eu conhecia a letra. E conversamos despretensiosamente sobre "n" coisas, como se ninguém esperasse por nada além, naquela noite. Até que chegamos no assunto "nós". A gente já tinha conversado no feriado de carnaval... eu já tinha exposto meus medos... por mim... por ele... pelas crianças (minhas e dele)... eu já tinha falado das dificuldades físicas de termos alguma coisa (morávamos em cidades diferentes)... e ele já tinha me dado RESPOSTAS PRA TUDO.

E quando ele percebeu que eu estava enrolando, que a neura ia começar toda, de novo... ele chegou mais perto. Eu fui pra trás. Eu ajeitou uma mecha do meu cabelo que caiu no rosto. E eu fui pra trás. Até que não tinha mais pra onde eu ir. A música "hoje" começou a tocar de fundo musical... ele riu e eu ri, tamanha a coincidência.

"Você ainda não me entende, Mi?"
"Não... como você pode querer namorar comigo..."
"Se eu ainda nem te beijei e nem sei se vou gostar? É esse o seu discurso, não é?"
"É... mas não é um discurso. Você não me beijou e pode ser que não goste. E, daí, vai ver que eu tinha razão e que não era tudo isso que você tinha planejado na sua cabeça e vai perceber de todas as minhas complicações e vai lembrar que eu sou um pacote completo e..."
"Eu VOU gostar, Mi..."

E ele chegou mais perto e eu nem tive tempo pra pensar em muita coisa.
Ele enroscou a mão dele na minha e me beijou! E foi um beijo tranquilo, suave, carinhoso, com todo o cuidado como se eu fosse algo muito precioso, que a qualquer momento pudesse se quebrar... E foi bom!... Foi muito bom! Como eu pude pensar que não iria gostar daquele beijo??? Então, ele parou, olhou pra mim, sorriu como que dizendo "eu te disse que eu ia gostar", soltou a mão dele da minha, perdeu os dedos no meu cabelo e me beijou, de novo. Nada tranquilo. Nada suave. Nada cuidadoso. Foi um daqueles beijos bárbaros de quem está esperando algo há muito, mas muuuuuuitoooo tempo, mesmo, e não tem um segundo a perder!!!

Nem sei dizer de qual versão eu gostei mais! Na dúvida, passei a noite testando as duas, só por garantia. E ele nem reclamou! Nós conversamos (de um jeito totalmente diferente, agora), dividimos a taça para o vinho (só tinha uma), trocamos olhares e descobrimos uma sintonia absurda, naquela madrugada!!! Sabe aquela sensação de que você já viveu um século ao lado daquela pessoa, que consegue conversar num olhar? Pois é... era isso. E eu não conseguia explicar "como" aquilo estava acontecendo. Mas eu nem me importava mais!

Eu tinha a impressão de estar voltando "pra casa", pra um espaço que era conhecido e era meu. Mesmo sem eu nunca ter morado naquela "casa", antes. Faltava pouco... faltava quase nada para eu ceder completamente aquela pessoa que estava ali, na minha frente, disposto a encarar o que quer que eu dissesse que era preciso enfrentar.

E, entre um beijo, uma conversa, outro beijo, um gole de vinho, ele alisa meu cabelo, me beija de levinho, antes de me beijar de verdade, e diz: "Mi... se apaixona por mim?.."

Tinha como não?


PS: hoje, nove meses depois, eu fui acordada com um desses beijos leves que te fazem acordar e sorrir pra vida. Ouvi que eu estava "linda", mesmo estando ainda escondida nos travesseiros. E sorri. E pensei que a vida pode ter momentos complicados e difíceis, sim. Mas que os planos de Deus são infinitamente melhores do que tudo que eu possa planejar...e os planos Dele pra mim foram um casamento delicioso + um marido apaixonado + uma nova pessoa pros meus filhos chamarem de pai e que merece totalmente esse título + duas crianças novas para eu amar + as aventuras e a falta de rotina de ser esposa de um piloto de aviões (e meu cozinheiro particular - adoro!!!) + a aprovação dos meus pais, dos pais dele e dos pais do Fer. Hoje, eu estou casada com Humberto Alves, o meu H. Se eu teria imaginado isso pra mim, no ano passado? Não. Com certeza não. Eu não chegaria tão longe!

PS 2: cenas da próxima HISTÓRIA aqui!



domingo, 25 de novembro de 2012

Hora H 28 - enfim sós! (Diário da Mirys)



Jaú, 25 de novembro de 2012.

Sem nenhuma pretensão, hoje acordei preguiçosa e coloquei um vestido cinza, bem molenga, daqueles perfeitos pra ficar em casa... E ele me lembrou de uma sexta-feira, quando eu o usei também...

Após ter passado muitas e muitas horas sem qualquer notícia do H, ele me ligou e disse que viria ao meu encontro! Sim, apesar de todas as vezes em que eu "fugi" dele, apesar de todos os "nãos", apesar de toda a minha confusão e indecisão, ele viria me encontrar. Ele disse que nem dormiria enquanto não falasse comigo! Ele tinha essa mania adorável de ser decidido e tomar todas as atitudes, quando eu me via plantada no chão, sem conseguir sair do lugar.

E eu só tinha 3 horas, mais ou menos, antes de conversar com ele, cara a cara. E eu não sabia por onde começar... Três horas podia ser pouquíssimo pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Ou podia ser um tempo interminável, pra alguém ansioso com um encontro, que já era esperado, desde o reveillon. Em suma: minha cabeça estava exatamente como o relógio - podia ser interpretada de qualquer um dos dois extremos. Eu não sabia o que fazer.

Então, não fiz. Eu cheguei em Jaú, fui pra casa dos meus pais, jantei, tomei um banho rápido, coloquei as crianças pra dormir, sentei pra conversar com a minha mãe. E um torpedo me tirou do transe: "me avise quando puder conversar comigo. H".

E eu pensei: "tudo bem. Ele é insistente. Eu já mostrei que eu não sou ideal pra ele, que eu sou completamente diferente das outras moças pelas quais ele costumava se apaixonar, que eu tenho um pacote completo comigo, que vai ser difícil, que vai ter torcida a favor e torcida contra, que eu venho cheia de neuras, medos, complicações. Mas, se ele quiser MESMO, essa é a noite de descobrir."

Por isso, não me arrumei ou troquei de roupa. Continuei com um vestido cinza, molenga, soltinho, que nada tinha de fashion e que não chamava a atenção pra mim. Continuei de sapatilhas (algo raríssimo! Porque adoro saltos ou andar descalça. Mas meu pai não gosta de pessoas descalças na casa dele... e eu estava de sapatilhas). Não fiz maquiagem, passei perfume, alisei o cabelo. Nada. Eu fui na versão mais básica de Miriane que eu poderia ir. "Se ele me quiser, vai ter que ser assim".

E passei um torpedo. Ele parou na porta de casa. Eu entrei no carro e dei minha condição: não quero ir a nenhum lugar público. Eu não sabia se ia beijá-lo ou não. Eu morria de medo de não gostar. Eu morria de medo que ele não gostasse. Eu não saberia lidar com outra complicação. Então, não queria ser vista. "Eu tenho um lugar pra gente conversar, então."

Bem no começo da conversa, eu descobri que ele tinha a mesma urgência que eu tinha. De viver, de recomeçar, de tentar de novo, de pertencer. Mas, tanta gente dizia que nós éramos tão diferentes, que não combinávamos... como é que ficariamos? Seria possível que um "eu" e um "você" se transformasse no NÓS? Mas, eu já estava tão desacostumada da ideia de fazer parte de um relacionamento, de decidir em conjunto, de dividir os dias... mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma necessidade de me permitir voltar a viver, de acabar com aquela fase de solidão que se segue ao luto... que estas dúvidas tão contraditórias me deixavam completamente indecisa!

Então parei e considerei as palavras de um e-mail que ele havia me mandado naquela manhã, mas que eu só tinha visto à noite, já em Jaú. Após nossa última conversa na noite anterior, quando ele disse que não iria mais entrar em contato comigo porque precisava que eu me decidisse, ele escreveu:

"M.

Ainda não consegui dormir! Logo depois que a gente se falou ontem à noite, peguei o carro e sai por ai, sem rumo, para poder pensar um pouco sobre tudo isso. Se eu ficasse aqui, acho que enlouqueceria. E quando voltei, fiquei na web revivendo cada mensagem, cada pedacinho das nossas conversas, desta história!

Não vim aqui para desfazer o feito, nem pra descumprir o prometido. Só que, agora, com um pouco mais de calma, venho pedir para que você tome sua decisão, o mais breve possível, porque não sei como vou aguentar mais isso, esta indefinição!

Esta avalanche de sentimentos que me invadiu nestas últimas semanas, especialmente nestes últimos dias, parece de certo modo tão absurda, que seria fácil desacreditá-la. Mas percebo que, ao longo deste breve tempo, você dominou tudo que poderia controlar: minha razão e meu coração. Percebo que, de uma certa forma, desde este último domingo, estava vivendo uma fantasia, um desejo, algo que não sei explicar, mas que regeu minha vida por inteiro, como se a gente já estivesse junto, e há muito tempo!

Desculpe por algo que tenha ficado mal dito ou mal interpretado, mas você sabe, conheceu meu coração e minhas intenções! Em nenhum momento fiquei chateado contigo, como você me mandou numa mensagem logo depois de nossa última conversa, pode acreditar em mim! Mas fiquei sim, chateado comigo mesmo, por não poder ter controlado melhor a situação!!

Enfim, não estarei longe de você, nem um segundo sequer, porque isto não seria mais possível para mim! Apenas estarei te dando o tempo que precisa para resolver tudo nesta cabecinha, que acredito mesmo ter provocado a maior bagunça!!

Te adoro, estou morrendo de saudades.
Estou te esperando.......I wish I could just make you turn around!

Um beijo bem no mais secreto lugar do seu coração!!"

E, como não poderia deixar de ser, ele me mandou uma canção, que tinha ouvido durante a madrugada:

Take a look at me now - Phil Collins

How can I just let you walk away, just let you leave without a trace
When I stand here taking every breath with you, ooh
You're the only one who really knew me at all
How can you just walk away from me,
when all I can do is watch you leave
'Cause we've shared the laughter and the pain and even shared the tears
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me,
just the memory of your face
Well take a look at me now, who has just an empty space
And you coming back to me is against the odds and that's what I've got to face
I wish I could just make you turn around,
turn around to see me cry
There's so much I need to say to you,
so many reasons why
You're the only one who really knew me at all
So take a look at me now, who has just an empty space
And there's nothing left here to remind me, just the memory of your face
Now take a look at me now, 'cause there's just an empty space
But to wait for you, is all I can do and that's what I've gotta face
Take a good look at me now, 'cause I'll still be standing here
And you coming back to me is against all odds
It's the chance I've gotta take
Take a look at me now

Hoje faz 9 meses que isso tudo aconteceu, e quando dei por mim.... ele estava na porta de casa.

Cenas do próximo capítulo aqui.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Hora H 27 - entre a saudade e o medo... (Diário da Mirys)

As horas passaram e passaram e passaram e eu estava EXTREMAMENTE INCOMODADA com a falta de notícias dele. Nenhum torpedo. Nenhuma ligação. Pra piorar, eu ainda estava trabalhando fora do escritório, então a internet e a telefonia celular não funcionavam direitinho... E eu culpava as duas pela falta de comunicação! Mas, sabia que não era... ele tinha dito que não ligaria, não mandaria torpedos, não faria nada, enquanto eu não me decidisse...

Mas eu estava tão na dúvida...

Antes de qualquer coisa começar, eu sabia que seria urgente e rápido. Fosse o que fosse! Se desse errado, se não rolasse, ia ser tentar - não rolar - parar por ali mesmo. Se desse certo, se valesse a pena, se eu empolgasse, ia ser "pra ontem"!!! E isso dava um medo tremendo!!!

Por que?

Porque eu tinha urgência em viver! Todo mundo ao meu redor sentiu essa mesma urgência, depois do acidente. É normal... quando você vê alguém jovem, saudável, no auge da vida, ir embora, assim, do nada, de uma hora pra outra, você percebe que a vida é PRA HOJE, que é um PRESENTE (não um futuro), que você não quer perder tempo com bobeiras. Das minhas 4 irmãs que poderiam se casar (solteiras, jovens, formadas, senhoras da própria vida), naquela época, AS QUATRO se casaram em 17 meses depois do acidente! Algumas já namoravam há um tempinho e viram que não "tinham que" esperar mais nada (casa nova e mobiliada, pós-graduação, etc e tal), que dava pra construir a vida juntos e se casaram! Uma delas tinha acabado de começar a namorar, mas percebeu que o meu cunhado era "O CARA" pra ela e, onze meses depois, estava casada! É... a morte tem esse poder... quando você percebe que ela não acontece só na casa ao lado, você vê que cada minuto de vida perdido é um precioso minuto perdido!!! E, definitivamente, não vale a pena!!!

Porque eu já tinha 36, tinha 2 filhos pra criar, tinha minha história anterior (de nunca ter sido "namoradeira"), não fazia o menor sentido começar a "sair" com caras, agora. Ou namorar vááááários, só pelo prazer de namorar pessoas diferentes. Se eu mudasse de país, talvez desse pra começar a minha história do zero e ser uma pessoa com um perfil com-ple-ta-men-te diferente do que eu sou (e sempre fui). Mas, essa não era uma opção: eu ia ficar por aqui. Na mesma cidade, com os mesmos amigos, na mesma família, participando da mesma igreja. Então, se desse errado, eu nem ia me expor ou expor a pessoa que estava comigo - ia ser rápido pra terminar. Mas, se desse certo, se a gente decidisse encarar todos os dedos apontados e comentários que fariam, beleza! Ia ser de peito aberto, olhando no olho, ouvindo o que precisasse ser ouvido. Mas ia ser de mãos dadas! Oficialmente.

E, principalmente, por causa das crianças, eu sabia que qualquer relacionamento ia ser rápido. Se desse errado, obviamente, eu não ia querer envolvê-los com alguém, criar uma rotina, um certo envolvimento, pra depois, lá na frente, falar "sabe o que que é? A mamãe não gostava muito dele." A MAMÃE!!! Eu era uma mãe!!! Eu tinha que pensar neles, também!!! Por isso, se não fosse pra alguém ficar, ele não ficaria na velocidade do Relâmpago Mcqueen! Mas... e se desse certo? A mãe do Guigo e da Nina ia ter um namorado? É. A mãe do Guigo e da Nina ia ter um namorado!!! Quando eu pensava nisso eu flutuava entre o "feliz demais da conta" e o "pânico total das crianças não aceitarem o namorado"!!! Eu já tinha conversado com o Guigo sobre o assunto... e ele tinha dito que era melhor eu ter só amigos, mesmo. Nessa época, o tio H ainda não era um assunto lá em casa porque os nossos torpedos eram trocados no horário de serviço ou tarde da noite... Mas, o próprio Guigo já tinha feito uma brincadeira comigo e me dito (ELE me disse! Então, a ideia partiu dele e isso foi bom demais!) que eu teria um namorado em breve. Acho que ele começava a se acostumar com a palavra.. sei lá... ou era Deus agindo (mais uma vez) e facilitando as coisas pra mim...

Fato é que eu estava entre o pânico de pensar em tentar alguma coisa com o H e a saudade absurda de um contato com ele! Eu passei o dia inteiro olhando pro celular e ele... nada! Nadica de nada! Naquele dia, nem minhas irmãs me mandaram mensagens! Zero! Nulo! Niente! Eu mal conseguia me concentrar no trabalho... Por que essa porcaria não toca????? Droga....

Até que, o tempo foi passando, passando, e a saudade do contato venceu, e EU MANDEI UM TORPEDO PRA ELE. Coisa de amiga, coisa light, só pra ver se ele se mexia e me mandava alguma coisa. Devo ter escrito algo do tipo: "só estou te escrevendo para saber se você está bem." Mas, na verdade, queria dizer "estou te escrevendo porque estou sentindo uma falta louca das SUAS mensagens!!!". Queria, mas não disse. Só mandei o torpedo de amiga, mesmo.

E ele... ele não respondeu.
Devia estar mesmo bravo.
Ou chateado.
Ou triste.
Ou, galanteador como ele tinha sido antes, devia ter ficado ofendido com o meu papel de difícil demais.
Ou trabalhando.
Ou doente! É... ele podia estar doente. Coitado... Será?
Será que ele queria escrever, que nem se lembrava da nossa conversa da noite anterior, mas só "não tinha podido" escrever por um motivo ridículo qualquer?

19hs da noite, eu em casa, conformada de que nada mais ia acontecer, meu celular toca! Era minha cunhada: "Mirys, estou na sua cidade. Você pode me dar uma carona pra Jaú, de volta?" Eu nem sabia se ia pra Jaú, naquele final de semana ou não, mas adoro minha cunhada e conversar com ela sempre me faz um bem danado. "Tá bom, J. Te pego na porta da faculdade, às 22hs."

E fui arrumar a mala. E o celular vibrou com uma mensagem. Olhei despretensiosamente para a tela, certa de que a mensagem seria da J.

"Me passe o seu endereço que, em duas horas, estou aí. H"
Aqui, onde????? Aqui, na minha casa???? Aqui, onde eu não ia ter ninguém pra ficar com as crianças e conversar a sós com ele??? Aqui de onde eu deveria sair em 3 horas pra pegar minha cunhada??? Ai, meus sais...

"H, eu estou de saída pra Jaú... vou levar a J, pra casa, depois da aula."
"Te pego, na casa dos seus pais, na hora em que você puder sair pra conversar comigo."
"Mas eu não sei nem SE vou sair, hoje..."
"Vai. Me liga e me avisa quando. Na hora e no lugar que você quiser. Mas eu não vou dormir enquanto não falar com você."

Cenas do próximo capítulo aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Hora H 26 - um tempo (Diário da Mirys)

Acabou o retiro, minhas mini férias em fevereiro, e eu voltei pra casa e pra rotina. Quarta-feira, tinha trabalho me esperando, malas pra desfazer, presentes pra embrulhar, casa pra organizar, livros pra ler (sempre compro muuuuuitos livros, lá em Atibaia). Além disso tudo, eu tinha muita coisa pra pensar.

A sensação que eu tinha era a de que eu estava pedindo pra vida começar, de novo, há muuuuuuuuuuuuito tempo... "vida, começa?", "vida, vamos tocar o barquinho adiante e parar com essa vida de viúva?", "vida, vamos mexer o doce?", "vida, dá pra acelerar um pouquinho nessa fase e entrar logo na próxima?", "vida, co-me-ce!!!!!"... mas, quando a vida veio e respondeu "vamos lá, Miriane, vamos viver uma nova história e começar a construir tudo de novo", eu gritei "mas JÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ??????????".

Tudo bem que eu não veria o H antes do final de semana (o que me dava 3 dias, pra pensar o que eu quisesse, pra decidir o que achasse melhor, pra mudar de opinião, pra ter uma surpresa inesperada). Só que aquela minha confusão toda, me deixava pensando que 3 dias era um tempico de nada! Pra ele, era tempo demais. Eu estava numa sintonia. Ele estava anos luz na minha frente! Eu estava encantada. Ele estava apaixonado. Tenho certeza de que se os papéis tivessem sido trocados, nada de concreto iria acontecer... porque meninas (do meu tipo) esperam e caras (principalmente os do tipo do H) dão o primeiro passo. E o 2o. E o 3o. E o 4o. E o 41o! Se o cara estiver realmente interessado, ele manda tudo pro espaço e corre uma légua inteira!!! Ele dá todos os passos que você precisar que ele dê.

Me perdoem, vocês, se me acharem repetitiva ou cansativa ou adolescente (ou maluca) demais, mas eu estava super indecisa, ainda. Porque namorar / ficar / sair com o H não era, simplesmente, só uma moça saindo com um cara e torcendo para que isso virasse alguma coisa, num futuro distante, que, talvez, um dia, a gente fosse programar. Não dava pra ser tão leve, tranquilo e descompromissado assim. Eu já tinha tentado isso: a falta de compromisso e de envolvimento, e não tinha dado certo. Por um simples detalhe: eu não era uma "moça" qualquer. Eu era um "pacote completo": era viúva, com duas crianças pequenas na bagagem, sogra, sogro, cunhado e toda uma família que fazia parte da minha vida, pra sempre. Eu tinha vivido coisas (boas e ruins) que a maioria das pessoas não vive! Eu tinha mudado... eu nem era mais a Miriane que eu tinha sido antes do acidente...

Mas, nisso tudo, no meio de todas essas pessoas, duas me preocupavam mais - o Guigo e a Nina. Aquelas que faziam orações e mandavam beijos pra Deus entregar "pro papai que mora aí no céu, com você", aquelas que tinham sido minha primeira (e única) opção por anos, aquelas que faziam presentes e desenhos pra mim - no Dia dos Pais, aquelas que já tinham se acostumado a responder, quando os outros perguntavam, que o pai delas tinha morrido e que, agora, eles só tinham mãe. Eu já tinha passado com os dois por 3 psicólogas diferentes (porque nós mudamos de cidade algumas vezes e toda escola nova, quando sabia da nossa história, pedia para avalia-los) e, EM TODAS AS VEZES, recebi retornos muito incentivadores e que derretiam meu coração: eles eram crianças perfeitamente saudáveis e ajustadas, eles não tinham trauma algum, eles estavam muitíssimo bem. A última delas, até chegou a brincar comigo, dizendo "não sei que milagre você fez com esses pequenos, mas eles são umas das crianças mais emocionalmente saudáveis que eu já conheci!". Eu também não sabia o milagre... mas eu queria continuar fazendo.

E me perguntava qual o impacto que um "namorado da mamãe" teria na vida deles. Seria alguém que "roubaria meu tempo"? Seria um novo amigo? Seria um delícia recebe-lo em casa e na nossa vida, como com todos os novos amigos que nós tínhamos feito, nos últimos tempos? Será que eles responderiam, tranquilamente, pros amiguinhos "esse é o namorado da minha mãe" da mesma forma que contavam, tranquilos, sobre o pai? Ou será que achariam estranho porque a mãe de nenhum amigo namorava, só a deles?

Na quinta, à noite, o H percebeu que eu estava muito esquisita, na troca de torpedos. Eu estava confusa, aflita, encanada...e ele percebeu. Então, resolveu me ligar. E eu contei tudo. Despejei, mesmo! Eu sabia que seria a gota d´água, mas era coisa demais pra guardar pra mim. Falei do Fernando, falei do "não namorado", falei das minhas decepções, falei das crianças, falei dos meus traumas, falei do pedido do Guigo para que eu não tivesse namorados (feito há meses atrás)... fui falando, fui falando, fui falando tudo o que se passava na minha cabeça, sem esperar que ele entendesse ou aceitasse. Porque quase ninguém entendia (salvo poucas amigas que já tinham passado pelos mesmos problemas e dores), mesmo...

"Mirys, você está confusa e indecisa demais. Você está triste, mas quer ficar sozinha. Eu não consigo te ajudar a se decidir e, de longe, não consigo te mostrar que pode ser tudo diferente, agora. Eu loto a sua caixa postal com mensagens e não sei se isso está te fazendo bem ou mal. Você precisa de espaço... Quanto a mim, eu já te falei e repeti que eu quero namorar com você, te ajudar com as crianças, enfrentar o que preciso for. Mas, você ainda não sabe se sim ou se não. Se arrisca comigo, se tenta outra pessoa ou se deixa pra lá. E eu acabo me machucando, no meio disso tudo. Mirys, eu precisa te dar espaço e deixar você decidir... Então, eu não vou mais te procurar, está bem? Eu vou te deixar fazer as coisas no seu ritmo, no seu tempo, antes que acabe sendo pior pra nós dois. Só não ache que eu desisti de você, está bem? Eu estou fazendo isso POR você. E pra não me machucar ainda mais..."

E o meu celular parou de avisar que tinha uma mensagem nova a cada 5 minutos...
E não tocou mais...
E eu fiquei com uma sensação de vazio tão grande... de que faltava algo... de que faltava alguém...

Mas, naquela noite, tudo o que eu consegui fazer foi chorar, chorar, chorar... Até a manhã seguinte.

Cenas do próximo capítulo, aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Hora H 25 - conversa de gente grande (Diário da Mirys)

A conversa, na beira da piscina, não foi mais "de amigos", como tinha sido tantas vezes. Já estava mais do que na hora da gente falar... de “nós”! E com um tema assim no ar, eu não conseguia parar de pensar: “meus sais... acho que ele vai me beijar... e se ele tentar?... o que eu faço?... mas ele PROMETEU que não tentaria...”. Só que, vamos combinar? Isso é promessa que se faça??? Que NÃO vai beijar uma garota??? Daí você vai e conversa com ela, a sós, num lugar na penumbra, sobre um possível namoro e mesmo assim não beija a moçoila????? Ora, ora!...

Mas quem tem palavra, tem. E o H não me beijou. Passamos um tempão conversando e ele não me beijou. Me abraçou, falou algumas coisas bem perto do meu ouvido, se declarou, mas não me beijou.

Eu poderia muito bem ter ficado encanada, com aquelas minhas neuras de viúva do tipo “ninguém me ama, ninguém me quer de verdade”, mas o H tinha tudo friamente calculado (ou, ao menos, pareceu ter). Ele deixou bem óbvio pra mim que só não tinha tentado me beijar porque eu não queria, porque eu ainda tinha coisas a resolver e porque ele tinha se comprometido. Porque ELE queria! E é uma delííííícia uma mulher saber que alguém QUER beija-la! Então, ele foi embora e já começou a me mandar torpedos na primeira curva do caminho: “você estava linda”, “agora você acredita em mim?”, “estou louco por você”.

E mandou mais torpedos na segunda. O dia todo. Alguns “de amigo”, só perguntando do meu dia, compartilhando da minha programação. Alguns “de interessado”... com assuntos que eu n em preciso contar pra vocês, né? E mandou váááááários na segunda, à noite, que era a penúltima noite do feriado e ele sabia que seria a noite do jantar romântico e que eu estaria sozinha, em meio a muitos casais. Ele estava em outra cidade, trabalhando, mas ficou comigo... a algumas teclas de distância e só!

Na terça de manhã, recebi mais vários torpedos dele. E, na terça, à tarde, ele me ligou. “Mirys, eu estarei de folga, hoje à noite, e estou querendo muito te ver, de novo.” Só que ele tinha trabalhado váááárias horas seguidas e nem tinha descansado. E não descansaria, se fosse pra Atibaia, me ver. E, na quarta, já teria que trabalhar, de novo. Mas... vocês conseguem falar “não” para um homem determinadíssimo e fazer ele te ouvir??? Pois é... eu não consigo. Eu tentei, eu falei, eu argumentei, mas eu acabei cedendo: “quer vir, venha. Mas vai ser no mesmo esquema. Eu tenho programação a noite toda e não quero conversar com você na frente de um monte de gente que a gente conhece.” Qual foi a resposta dele? “Tudo bem”. A resposta dele era sempre “tudo bem”!

Ele foi e ele me esperou. Eu participei das programações, comprei lembrancinhas para os filhos dos amigos (era a última noite do retiro), eu coloquei as crianças pra dormir, eu me liberei. Eu avisei por torpedo e ele foi me encontrar, no mesmo lugar. Na frente do meu quarto com os meus irmãos. Perto da piscina. Até que a minha irmã e o meu cunhado, que dividiam o quarto comigo, chegaram. E eu achei que aquela estória toda tava muito “coisa de adolescentes”. Tudo bem que eu não quisesse ficar desfilando com ele por aí, expondo todo mundo, pra minha própria proteção (pra não ter que aturar perguntinhas sobre minha vida pessoal, ainda mais num lugar onde eu estava com as crianças o tempo todo). Mas também eu não estava fazendo nada de errado e não tinha porque me esconder. Então, eu tava no “limbo”: não estava no meio do salão com ele, mas também não estava escondida. Estava na porta dos alojamentos! E decidi aproveitar que minha irmã tinha chego (e as crianças não ficariam sozinhas no quarto) e nós fomos pra outro lugar.

Ao lado da entrada do salão principal tem um parque e um parquinho infantil. Quem assistiu “a noviça rebelde” aí, levanta a mão! (#denunciandoaidade) Mas eu me senti no filme! Bem naquela cena onde o futuro namorado da moça de 16 anos vai conversar com ela, num banco de cimento, debaixo de uma árvore, à noite, e eles acabam dançando no coreto. Pois é... na minha história, só não teve o coreto! Ufa! Rsrsrs

Nessa noite, eu estava bem menos nervosa e a conversa foi mais séria. “H, eu tenho filhos e você tem filhos. Temos que pensar neles.” “Eu já pensei, Mirys. Podemos fazer assim, assim, assim.” “H, eu tive um relacionamento anterior que não vai ter como apagar da minha vida e eu não sei o papel que um namorado meu vai exercer nesse rolo todo. Afinal, nunca fui viúva antes, nem conheço alguém nas minhas condições, pra saber o que fazer ou o que esperar.” “Tudo bem, Mirys. Eu entendo. Respeito o Fernando e a história que vocês tiveram. Eu nunca teria me aproximado de você, se você estivesse com alguém. Mas ele não está mais aqui. E eu, não sei porque, me apaixonei por você.” “Mas, H, eu moro numa cidade A, nossos pais e seus filhos moram numa cidade B, e você trabalha numa cidade C!” “Eu sei, Mirys, já pensei nisso. A gente pode fazer deste jeito ou, se você preferir, daquele jeito.”

Em suma: foi a conversa mais honesta, difícil, aberta e adorável que eu tive com homem, nos últimos anos. Ele não negou nenhum dos meus medos, nenhuma das minhas preocupações. Ele não fez exigências (ainda que veladas) sobre o meu passado ou sobre como eu deveria me comportar com relação a isso. Ele já tinha pensado em todos os meus “problemas”, tinha levado em consideração todas as minhas neuras (ele lia o blog, tá?), sabia do que eu (e nós) enfrentaria na minha família, na igreja, no meu círculo de amigos com um “recomeço oficial”. Ele tinha solução pra tudo e, caso não tivesse, ele se comprometia a me ajudar a encontrar uma. Ele queria me deixar caminhar devagar, no meu ritmo, aguentando só o que fosse necessário para cada dia. Mas, ele queria me dar a mão e ir junto comigo... O único pedido dele era que eu deixasse que ele fosse junto, nesse percurso.

Aquela sensação de ver que alguém já tinha pensado tanto em mim, a ponto de buscar solução para todos os problemas e impasses que eu poderia ter, me deixou encantada. E eu chorei...

Ficamos por horas conversando e pensando em como poderia ser um futuro para nós dois... até que ele teve que ir. Ele se despediu, me deu um beijo na testa (#MirianeromânticamodeON), entrou no carro e foi embora. Na primeira esquina, me mandou um torpedo adorável, dizendo o quanto tinha sido bom conversar comigo... e eu fui má! Respondi assim:

“HOJE você não tinha me prometido nada...e não me beijou!!! Vou te contar, viu?... rsrsrs.”

Cenas do próximo capítulo aqui.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hora H 24 - Louco por você! (Diário da Mirys)

Conforme ele tinha me anunciado, ele foi pra Atibaia, atrás de mim. Uma cidade a uma hora de distância de onde ele estava. E ele tinha 12 horas de “descanso” até que o chamassem pra voar, de novo. Então, tudo que a gente tinha eram 10 horas. E muita coisa pode acontecer em dez horas!!!

Ele chegou, me mandou o torpedo elogiando minha roupa, procurou alguns amigos de Jaú que estavam por lá, e ficou na dele. Almoçou, conversou, riu e passou a tarde com outras pessoas. Enquanto isso, eu levava as crianças pra andar de trenzinho ou na piscina ou contava estórias ou brincava no parquinho ou conversava com uma amiga, esperando os pequenos terminarem o sorvete. Já tinha passado por ele, dito “oi” e só. Nadica de nada a mais!

De repente, num momento entre sair do quarto, ir pro parquinho, voltar pro quarto buscar alguma coisa, voltar pro parquinho, eu acabei passando perto de onde ele estava, cercado de vários amigos nossos. E a conversa deles era a seguinte (não deu pra eu ouvir, ele que me contou, depois): “H, chega de ficar sozinho, né? Você precisa arrumar alguém... alguém bacana, que valha a pena, que curta suas crianças. Alguma namorada!” E estavam na maior discussão, citando miiiiiiil nomes de miiiiiiil pessoas do nosso círculo, como possíveis namoradas para ele, quando eu passei. E uma das nossas amigas disse: “Já sei! A Mirys! Olha lá! Ela é bonita, é legal, gosta de crianças, é perfeita pra você!”. Então, ele não conseguiu responder o “não... nada a ver...” que estava respondendo para todos os outros nomes que sugeriam pra ele. Ele sorriu. “A Mirys? Sério?” “É, H, a Mirys! Não seria legal?”

SEM SABER dessa conversa, quase uma hora depois eu consegui 5 segundos livres e parei com o pessoal todo (que ainda estava ali, batendo papo), pra conversar. Discretamente... saiu um... saiu outro... saiu o terceiro... e, aos pouquinhos, ficamos eu e o H. Só. Então, ele riu e me contou do processo seletivo que estavam fazendo pra namorada dele. Eu ri.

“Mas, EU já escolhi, né Mirys?...”

Fiquei branca! Passada! Não podia ser verdade... Ele estava ali, na minha frente, olhando pra minha cara e insistindo nessa ideia de que me queria para namorada!!! Sem nunca ter saído comigo antes!!! Independente de tooooodo o meu “pacote completo”!!!

E eu, que tinha certeza de que, quando ele olhasse pra mim, ele desistiria... fiquei sem ação.

E minha irmã me chamou: as crianças precisavam de mim, no quarto. Eu tinha que escolher as roupas da noite ou qualquer outra bobagem dessas. Mas, eu aproveitei a deixa, me despedi e parti.

Certeza que ele iria embora, agora. Cer-te-za! Qualquer cara, no lugar dele, iria. Mas ele não era qualquer cara... e quando eu subi pra jantar, vi que ele ainda estava por lá. E ficou até de noite, após a programação. E me mandou um torpedo: “será que eu consigo conversar com você, de novo? Porque não te falei o que eu vim te falar... Só preciso de 5 minutos.”

Eu esperei toda a programação acabar, desci pro quarto, coloquei as crianças na cama e respondi. “Se você ainda estiver por aqui, AGORA eu posso conversar. Mas as crianças estão sozinhas e eu não posso ficar longe do meu alojamento. Então, se você quiser, me encontre aqui na frente.” Ao lado da piscina. Debaixo de um poste de luz! Porque eu não podia correr o risco dele me beijar... eu não podia beija-lo... eu não estava com tudo resolvido... Então, pra evitar qualquer problema, eu dificultei ao máximo! Mas, pelo visto, “Amantededificuldades” deve ser o sobrenome dele...

Ele foi onde eu tinha pedido. Na frente do meu alojamento (onde estava o resto da minha família!). Ao lado da piscina. Debaixo do poste de luz. E começou a conversar comigo como se tudo aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Me senti ridícula por estar fazendo um homem de 40 anos passar por tudo aquilo e saí da porta do quarto. Fomos para a lateral da piscina (eu ainda podia ver as crianças, mas estávamos menos expostos) e... só conversamos.

Além de TUDO, o H tinha palavra: “eu não falei que eu não ia te beijar? Eu não vou. Eu quero. Muito! Mas eu não vou. Eu só vim conversar e te dizer ao vivo o que já devia ter dito há muito tempo: Mirys, namora comigo?”

“Mas H... de onde surgiu isso? Você nunca me olhou, a gente nunca teve nada, eu não sou o seu estilo de garota, você nunca ficou comigo... como assim você quer NA-MO-RAR comigo?”

“Mirys, eu não sei o que aconteceu, de uns meses pra cá. Mas eu só sei que eu sou LOUCO POR VOCÊ...”. Alguém aí lembra de alguma oração que eu fiz???

Cenas do próximo capítulo aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hora H 23 - Fechando o cerco (Diário da Mirys)


E lá fui eu, passar o feriadão num retiro delicioso em Atibaia! Pra quebrar aquele calor absurdo de fevereiro, nada como o clima de Atibaia... eh coisa boa!

Eu viajo com os meus pais, pra este lugar, desde que eu era uma menininha. Tem um pessoal enoooorme da nossa igreja de Jaú que vai pra lá e a gente ia junto. Afinal, pra quem não gosta de bailes de carnaval, mas gosta de ter muita coisa legal pra fazer, o retiro é o lugar ideal! Tem uma comida di-vi-na (sério! Sou viciada nas panquecas com mel, que eles fazem! Os organizadores vieram dos Estados Unidos e trouxeram a receita de lá. Hummmmmm!), tem caminhada toda manhã (amo!!!), tem música por todo lado (e apresentações estonteantes), tem amigos, tem momentos a sós, tem várias piscinas, tem tempo livre pra colocar o assunto em dia, tem estudos super interessantes, tem filmes. O meu tipo de lugar! E, toda noite, temos jantares temáticos!!! É muito divertido porque a galera toda entra no clima e já leva a roupa pra cada jantar, separada na mala! Rsrsrs E na penúltima noite sempre tem o jantar romântico... (suspiros) (tenho a história PERFEITA desse jantar pra contar, que aconteceu no ano passado, e levou quase todo o retiro às lágrimas. Mas não é algo romântico assim, de namorados... então fica pra outra hora, tá? Mas foi inesquecível!!!).

A nossa família, assim como muitas das famílias da nossa igreja, sempre foi pra Atibaia, no feriado de carnaval. A do H também ia. Mas, daí, os integrantes das famílias vão crescendo... se casando... surgem filhos... e os programas com “todo mundo” vão ficando mais raros. Nós ficamos sem ir pra lá por uns bons anos. Mais ou menos, quando a família do H parou de ir, também. Mas, há 3 anos, nós tínhamos recomeçado a tradição. Meus pais resolveram levar os netos pra passear e todos os 10 filhos (e esposos) iam também! É fantástico ficar por dias perto das minhas irmãs!!! Claro que temos que dormir meio “empelotados” porque, afinal, somos uma família de quase 30 pessoas (divididas em 3 quartos). Só que a gente A-DO-RA o programa farofa!!! Desta vez, eu estava dividindo o quarto (+ Guigo + Nina) com a minha irmã Ti e o meu cunhado Thi. As crianças são loucas por eles e, de manhã, eu aproveitava o sono preguiçoso do meu cunhado, deixava as crianças dormindo no quarto e ia fazer a tal caminhada, com a minha irmã (quase sempre a gente voltava, uma hora depois, e nenhum deles ainda tinha acordado! Rsrs).

O H, naquele ano, não tinha ido. Nem ninguém da família dele. A família tinha outros programas e ele estava trabalhando durante o feriadão. Mas, como sempre, a gente se falava por torpedos o tempo todo!!! Coisas de amigos, coisas banais, mas a gente se falava sempre! Como ele conhecia o lugar, também, ele sabia exatamente o que eu queria dizer quando escrevia: “meus sais... hoje tem panquecas!!!”. Ele não é fã, como eu, mas ele podia até sentir o sabor daquele café da manhã diferente (afinal, sabores da infância são difíceis de serem esquecidos, não é, não?).

Passou a sexta, passou o sábado, e, no domingo, do nada, o H me escreveu: “Mirys, você ficaria muito brava se eu fosse praí, só pra te ver?”. Brava??? Claro que ninguém ficaria brava com uma coisa dessas, mas eu falei pra ele não ir! Porque a minha família toda estava ali, metade da nossa igreja (e dos nossos amigos) estavam ali, as crianças estavam ali, e seria muito esquisito ele aparecer assim, “do nada”, querendo conversar comigo, de uma hora pra outra! “Mas Mirys, você não precisa mudar em nada a sua rotina. Faça o que tiver e quiser fazer, mesmo. Normal. Fique com as crianças, participe das programações. Eu só quero estar por perto. SE, em alguma hora, der pra gente conversar e se você quiser conversar comigo, a gente conversa. Pode ser?”

Ai, ai, ai, ai, aaaaaaaiiiiiiiii!!!
Eu tinha fugido tanto desse moço, dessa conversa, desse olho no olho!!! Eu tinha fugido em Jaú, na minha cidade, em várias noites onde ninguém conhecido saberia quem era a pessoa que conversava comigo. Eu tinha sido tãããão prevenida. Eu tinha planejado tanto evita-lo em todos os lugares comuns, onde alguém poderia dizer “Olha! A Mirys está conversando com o H! Só pode estar rolando alguma coisa!”. Pra ele querer ir conversar comigo num retiro evangélico?????

E se ele tentasse me beijar ali e não desse certo???? Pânico!!! Como eu faria, depois, pra seguir a vida como se nada tivesse acontecido??? E se eu não gostasse (ou pior, se ELE não gostasse) como eu ia, depois, explicar pra todo mundo da minha família que eu, a Miriane, aquela que não “fica” com as pessoas, resolveu que, agora, ela “fica” e foi “ficar” bem com o conhecido H????

E, honestamente, eu achava que não ia rolar “só conversar” com ele. Não= por mim, não= por ele. Não, por mim, porque eu já estava segurando essa situação por tempo demais, esperando resolver outras coisas da minha cabeça, que eu já tinha percebido que não se resolveriam 100% antes que se passasse muuuuuito tempo (e antes que eu decidisse estar, de vez, com alguém). Não, por mim, porque eu já estava viúva há mais de 2 anos e queria, SIM, alguém na minha vida, mas estava, SIM, morrendo de medo de começar tudo de novo, da estaca zero. Não, por ele, porque... bem... porque ele já estava apaixonado por mim fazia tempo e porque, vamos combinar, ele não era mais nenhum adolescente. Então, na minha cabeça, ficava impossível separar a conversa (que incluiria um pedido de namoro ao vivo, conforme prometido) e o beijo.

Me senti com 15 anos! Talvez, 14 até!!! Não sabia o que fazer, não sabia o que pensar, e pra piorar a minha situação eu estava lidando com um homem altamente resolvido e decidido. E apaixonado. Mistura explosiva...

“Mirys, pode ser?”
“Mas, H... está todo mundo que a gente conhece aqui...e eu tenho que cuidar das crianças atéééé de noite...”
“Mirys, eu só quero ficar por perto, CASO você possa falar comigo. Não quero que você mude nada do seu dia, está bem? Então, eu vou, eu fico com o resto do pessoal, até me chamarem pra voar, de novo. Você faz o que você já ia fazer, mesmo. SE der pra gente conversar, a gente conversa. Na hora em que você quiser, onde você quiser.”

“Se você vier, vai ser por sua conta e risco. Não posso garantir NEM que eu vou conseguir falar com você...”
“Como assim, ‘nem que você vai FALAR comigo’? O que mais você iria fazer comigo?” e ele riu da minha insegurança.

“Mirys, você está achando que eu vou além de conversar com você? Você está com medo de que eu te beije porque você me falou como era possível que eu quisesse namorar você se nem tinha te beijado e não sabia se ia gostar? Mirys...se você for ficar mais tranquila, eu prometo que eu não beijo você, tá? Eu quero. Mas eu prometo que não beijo.” Ele riu mais um pouco, me deixou sem resposta, disse que me encontrava dali umas horas e desligou.

Eu fiquei como barata tonta, imaginando mil cenas na minha cabeça do que poderia acontecer. “Eu vou conversar com ele... eu vou, FINALMENTE, conversar com ele! Ah!... Mas acho que, na hora em que ele olhar pra minha cara, em que ele perceber que a moça com quem ele vem conversando e trocando torpedos sou EU, a Miriane, aquela magrelinha, viuvinha, nada fashion, encanadinha, mãe de dois, mais novinha do que ele, lá da igreja, ele vai PERCEBER a bobagem que está fazendo e vai desencanar. Certeza! Só pode! Quando ele perceber que ela, a do celular, sou eu, ele vai mudar de ideia...”

Estava tão perdida nos meus pensamentos, quando o celular vibrou, que tomei um susto! “O que foi, mamãe?” “Nada, não, filhote”. E li a mensagem “estou aqui. E você está linda de vestido longo. Roupas coloridas combinam com você. H”

Cenas do próximo capítulo aqui.