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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Perguntas normais. Respostas interessantes! (Diario da Nina)

O tempo tá corrido. Muito corrido. Super corrido!
Mas a mãmi achou um jeito de vir aqui, contar as últimas pra vocês!

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Hoje teve prova de história e geografia, na escola. É o meu primeiro ano de provas (o 2º ano do fundamental) e eu estou adorando a ideia!

- Mãmi, sabia que a professora já corrigiu as provas de hoje? Na nossa frente?
- É filha?... E como você foi?...
Faço cara de indignada e digo: - Ela corrigiu minha prova e disse que eu podia pegar minhas coisas e ir embora... (faço uma pausa dramática, abro o maior sorriso e grito) ir embora pro 3º ano, porque eu já sei tudo deste ano!!!

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A mãmi cortou o cabelo do Guigo. Curtíssimo! Ele queria comprido, mas estava feio e caindo nos olhos dele. A mamãe achou que ele ficou gato. Eu também! Mas ele não se convencia...

- Nina, sabe o que a minha professora falou? Ela perguntou o que tinha acontecido porque, ontem, eu estava um menininho e, hoje, ela tinha um rapaz, na sala de aula!

- Mamãe... o que é rapaz?, em pergunto.

O Guigo não dá chance pra mamãe e manda:
- Rapaz é um garoto que ri da paz! (faz uma cara teatral e continua) “HÁ! PAZ!!!”

E caímos na gargalhada!

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O Guigo está jogando computador e eu estou admirando (eu SEMPRE fico admirando meu irmão).

- Uau! Guigo! Muito bem! Você é fera, mesmo! Arrasa!

Até que aparece um novo personagem na tela.

- Guigo, o que é isso? Um herói voador?
- Não, Helena. Esse é um anjo. Um anjo do mal.
- E qual o nome dele?
- Gabriel. Esse é o nome do anjo do mal...

A mamãe está fazendo a janta (mas prestando atenção na conversa), e decide corrigir o Guigo.
- Não, filhote. Gabriel e Miguel são nomes de anjos BONS. O nome do anjo mau, na bíblia, é Lucifer.

Suspiro, aliviada, dando um toquinho no ombro do meu irmão.
- Ufa! Ainda bem. Tenho muitos amigos “Gabriéis”. Já pensou?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Como medir o tempo com crianças pequenas? (Diário do Guigo)



Se você tem crianças pequenas por perto de você, já deve ter ouvido frases do tipo "amanhã, eu fui..." ou "ontem, eu vou comprar...". Porque criança que é criança (ou seja: curiosa, principiante na vida e nas palavras, falante, agitada, empolgada, etc e tal) adora usar uma palavra nova, super chique, do tipo "amanhã", sem saber direito como usar! Porque falar "amanhã" é lindo, não é? Deixa a frase mais importante!...

Mas criança que é criança pequena NÃO SABE muito bem como medir o tempo. Não sabe, direitinho, o que quer dizer "ontem" ou "depois de amanhã" ou "daqui uma semana" ou "quinta-feira". A gente demora um pouquinho pra aprender certas coisas...

Só que nós, gente pequena, somos curioooooooooooooosos e perguntadores.
"Mamãe, quando é a festa do meu amiguinho?"
"Mamãe, quando nós vamos viajar?"
"Mamãe, quando vai ser o meu aniversário?"

Não adiantava: a resposta que viesse ("sábado", "daqui 3 dias", "depois de amanhã") a gente não entendia. "Mas mamãe.... QUANDO é sábado???"

E, numa bela noite, na hora de dormir, a mamãe teve uma ideia. Vamos contar! Sim!!! Porque a gente podia não saber os dias da semana, mas nós sabíamos contar!

"Mamãe, quando nós vamos na vovó?"
"Domingo, filhote. Daqui dois dias."
"Mas mamãe... falta muito tempo pro domingo?"
"Não filhote. É só você dormir e acordar, duas vezes. Assim ó: dormir e acordar, dormir e acordar, e PRONTO! Já chegou o domingo e nós já vamos na vovó, está bem?"

PS da mamãe: durante muuuuuuuuuuito tempo, o tempo aqui em casa foi medido assim - em quantas vezes teríamos que dormir e acordar até chegar alguma data especial ou um evento super esperado. Infelizmente, os pequenos cresceram e já entendem os dias da semana. Ainda bem que, agora, tem mais um membro pequeno na minha família e eu voltei a ouvir "amanhã, eu fui em tal lugar, sabia?". Ah, que delícia! Já estava com saudades!!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Morcegos me mordam, Batman!!! (Diário do Guigo)


Dois menininhos de 4 anos (que se auto intitulam "gêmeos"), brincavam no quintal da vovó! Um deles é a-p-a-i-x-o-n-a-d-o pelo Batman e estava usando a sua bat-máscara (que vai com ele pra qualquer lugar)! O outro se conformou, feliz, em ser o Robin!

"Vamos Batman! Nós precisamos ir!"
"Calma Robin!", responde bat-Johnny-man, pegando um pote de plástico enorme e azul, "primeiro eu preciso colocar minha AMARGURA!"

E eles saem correndo, deixando pra trás a Mãmi, o Papai e o tio Math, rolando de rir da estória da ARMADURA!

PS: não é a toa que a MãMi é apaixonada pelo Johnny.... rsrsrs.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hora H 21 - Só Hoje (Diário da Mirys)

(liga o som e vai: http://www.youtube.com/watch?v=fpAgEgTbRw4)

Há meses, ele gostava dela, em segredo. Há semanas, ele tinha revelado tudo e pedido para ela aceita-lo na vida dela. Mas ela era uma mocinha confusa e complicada, ela tinha passado por experiências difíceis demais, ela tinha assuntos inacabados para encerrar, ela tinha medo...

Ela tinha medo por ela, por recear não saber mais como “ter alguém”, como “ser de alguém”; medo de não saber gerenciar um novo homem na vida dos seus filhos; medo de não dar conta de ser mãe, filha, irmã, neta, nora, amiga, profissional E namorada, pois era gente demais para dividir o seu tempo; medo de não dar certo por qualquer motivo; medo de perder. De novo. Ela tinha medo de um novo “não” da vida. Ser viúva (depois de tanto tempo) parecia fichinha perto da nova experiência que se aproximava... Só porque ela já estava acostumada a ser viúva.

Ela tinha medo por ele, por trazer mais duas crianças para a vida dele (que também precisariam de atenção e amor), por ele ter que encarar o “pacote completo” que ela era, por tantas outras coisas. Mas, sobretudo, ela tinha medo por ele pelas comparações que inevitavelmente viriam com relação ao passado dela, pelos “julgamentos”, pelos pré-conceitos. Porque a morte tem esse “poder mágico” de apagar qualquer coisa de ruim, deixando na lembrança das pessoas só o que aconteceu de melhor...e ela era viúva e sabia que a concorrência dele ia ser fortíssima. Ele teria que provar ser “bom o suficiente” pra ocupar o lugar que pretendia na vida dela... por um bom tempo... para as mais diversas pessoas. Ele seria “cobrado” por isso e ela tinha medo do que ele poderia ouvir, ler, sentir...

E esse tipo de esforço extra, dedicação anormal, querer além do básico não se pede pra ninguém. Se ele quisesse, ele ficaria, ele insistiria nela, ele aguentaria, ele suportaria inclusive as crises que ela mesma teria com relação a tudo isso. Mas ele teria que querer MUITO!

Como ela não podia “pedir” por isso, ela torceu... “Tomara que ele perceba que eu preciso que ele insista. Tomara que ele perceba que não vai ser fácil, mas que ele esteja disposto. Tomara que entre as duas opções, entre me dar tempo e espaço pra eu pensar ou ficar por perto enquanto eu me organizo, ele faça a escolha certa.” Ele perguntou: fico ou me afasto um pouco? Ela não respondeu. Ele tomou a sua decisão e mandou sua resposta por torpedos, pro celular dela, numa manhã de trabalho normal, como sempre fazia...

“Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito, nem que seja só pra te levar pra casa, depois de um dia normal”

“Olhar teus olhos de promessas fáceis e te beijar a boca de um jeito que te faça rir”

“Hoje eu preciso te abraçar, sentir teu cheiro de roupa limpa, pra esquecer os meus anseios e dormir em paz”

“Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua, qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo”

“Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar, me dizendo que eu sou causador da tua insônia que eu faço tudo errado sempre”

“Sempre...”

“Hoje preciso de você com qualquer humor, com qualquer sorriso”

“Hoje só tua presença vai me deixar feliz”

“Só hoje”

E ela soube que ele percebia que ela precisava caminhar um dia de cada vez, vivendo momento a momento, desfazendo um medo por dia, sendo feliz nos detalhes. Então, ele mandou uma última mensagem dizendo que queria ser o “hoje” de todos os próximos “hojes” que ela tivesse pra viver...

Cenas do próximo capítulo aqui.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cultura chinesa (Diário do Guigo)

Depois de pedir, pedir, pedir, pedir, a MãMi nos levou pra comer comida chinesa (que a gente amaaaaaaaaaaaa!). Mas, a melhor parte é abrir o biscoito da sorte e ver o que podemos aprender:


"Se em vez de expandirmos o bolso expandirmos a mente, não seremos roubados!"



"As nossas necessidades são poucas, mas nossas carências aumentam com as nossas posses."

E foi um festival de perguntas:
"- MãMi, o que significa expandir?"
"- MãMi, o que quer dizer necessidade?"
"- MãMi, qual o significado de carência?"
"- MãMi, o que quer dizer posse?"

Eu olhei pra Nina... a Nina olhou pra mim... olhamos pra MãMi.

"- Ah!!! Entendemos!!!"
"- Profundo, né Helena?"

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

With love. From me. To you. (Diário da Mirys)

I know that it is hard to understand what seems inexplicable.... to face the impossible… to accept the unfair. I know. I´ve been there.

And it is difficult to see clearly when your eyes are wanting to release a river, that had been kept inside for so long. It is hard to find a purpose in all that mess.

But remember: the purpose is there! Because all the things cooperate for the good of those who truly love Him (and I know you do). All the things. All of them. Not just the part we can comprehend.

So keep going! Being the amazing person that you are, loving the ones you love, taking care of the ones who need you, showing with facts what can´t be put in words. Everyone who really matters will be with you, by your side, and they believe you.

With love. From Mi. To you.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hora H 10 - damn, damn, damn (Diário da Mirys)

Como qualquer ser humano (MULHER!!!!) normal, eu fiquei intrigadíssima com a conversa com a minha cunhada. Talvez, taaaaaaaaaaalvez, o H estivesse, mesmo, com algum interesse pro meu lado. Quem sabia???

Tinha hora que eu achava que sim, porque a gente tinha um contato até que razoável (apesar dele ter "sumido" durante setembro), ele sempre estava disposto a conversar comigo, e... afinal de contas, eu era mulher e ele era homem. Ambos sozinhos. Por que não? Mas, no segundo seguinte, eu ria sozinha daquela possibilidade impossível e ridícula do H, aqueeeeeele H, da minha adolescência, estar a fim de MIM! Claro que não, né?

E, numa (outra) noite, eu resolvi conversar com ele pela internet. Não ia, pra não dar "pano pra manga", afinal eu NÃO queria me envolver com ninguém (eu queria BEIJAR alguém, lembram?), muito menos ainda com alguém que me conhecesse de outros carnavais. Mas, não resisti quando abri o facebook e tinha a seguinte "atualização" do meu amigo: um clipe de uma música da Avril Lavigne e um pedacinho da letra (vai traduzida abaixo porque eu quero que todo mundo possa entender).

Damn, damn, damn (droga, droga, droga)
What I'd do to have you (o que eu faria pra ter você)
Near, near, near (perto, perto, perto)
I wish you were here (eu queria que você estivesse aqui)


Eu pus o "tico e o teco" pra funcionar e cheguei na única e brilhante conclusão que qualquer pessoa chegaria: ele tinha postado aquilo pra alguma EX dele!!!! Claro!!! Não era óbvio? (não?... #fail... achei que fosse...)

Juuuuuuuuuuro que eu achei que fosse pra alguma EX e, em nenhum segundo, me passou pela cabeça a possibilidade de que aquela música podia ser... pra mim! Então, puxei conversa e fui logo tirando um sarrinho: "uhu, tem alguém apaixonado por aí! E então, me conta, qual das ex é a sortuda, alvo dessa música?". Ele disse que não era pra nenhuma ex (mas também NÃO FALOU que era pra mim). Eu insisti. Ele negou, de novo. Eu brinquei e falei que ficava parecendo que era pra alguma ex, sim. Ele desconversou e disse que "só gostava da música".

Nós terminamos a conversa sem maiores comprometimentos, naquele velho clichê do "a gente se fala". Eu já tinha saído com alguém que era do jeito que eu achava que tivesse que ser: alguém sem histórias fortes e que não me conhecesse anteriormente. Alguém novo. A gente não tinha nada de sério porque nenhum dos dois queria e aquele era o nosso trato: sermos pausa. E eu ia manter tudo assim, tranquilo, leve, amigos-amigos, pausas à parte... se não fosse por uma noite em que eu quase protagonizei um escândalo numa chopperia. Na verdade, quase protagonizaram pra mim!!! Mas isso é história pra amanhã...

Cenas do próximo capítulo do Hora H aqui (mas aqui tem uma explicação necessária pra você ler antes...).

PS: se você quiser ver toda a letra da música da Avril (é bem linda), clique aqui.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Hora H 6 - Keep the eye contact! (Diário da Mirys)


Estávamos em agosto de 2011, eu era viúva desde janeiro de 2010, e desde então, eu nunca mais tinha namorado com ninguém. Nem namoro de um dia ou uma noite! Os meses tinham se passado e eu tinha cuidado das crianças, mantido a família o mais próxima possível, curtido meus amigos e seus filhos, tentado ser uma boa mãe / filha / irmã / amiga / madrinha / etc e tal.

Eu não era esposa, namorada, noiva, sainte, ficante, caso, nada! De ninguém! E não ser alguma coisa, de alguém, depois daqueles meses todos, tinha começado a me incomodar. E eu achei, em maio ou junho de 2011, que era hora de começar a abrir algumas gavetas. Mas como isso era difícil!!!

Como eu tinha perdido toda a prática nesse negócio de sair, olhar, ser olhada, criar relacionamentos, eu decidi começar pela estaca zero e fiz o que achava que deveria fazer: pedi! Eu orava e orava, apresentando pra Deus todo o "curriculum" da pessoa que eu queria pra mim. Mas sempre terminava com o "SE e QUANDO" Ele quisesse... e como é duro esperar por esse "se" e esse "quando"...

Ainda ia demorar algum tempo pra eu ter a minha crise final, lá do outro lado do mundo, chegar na beira do abismo e falar: "tá! Agora vai!". E, como eu disse que essa saga poderia se chamar "Enquanto Isso", ao invés de "Hora H", tenho que dizer que ENQUANTO eu estava nas minhas crises de "ninguém me ama, ninguém me quer", o H estava por perto e, naquele sábado, tinha nos chamado pra dançar! Eu e a M, minha amiga. Ela aceitou! De cara! E eu pensei "por que não?". E fomos!

Eles (que estavam no mesmo carro) me seguiram até em casa, eu guardei o meu carro, entrei no carro dele e fomos, os 3, passear pela graaaaaaande Jaú. Me senti vivendo num mundo "à parte". Para onde quer que eu olhasse, eu não conhecia ninguém!!! Ou, se conhecesse, era algo do tipo: "nossa! A fulana! Ela estudou com a minha irmã (10 anos mais nova!!!!!), no pré primário!". Pois bem, a fulana do pré primário era, hoje, uma menina linda, de uns 20 e poucos anos, com aqueles cabelos / corpo / rosto / atitude que só as pessoas de 20 e poucos anos têm. E isso me lembrava que eu, EUZINHA, já tinha mais de 30!!! Aff... E como, na minha cabeça, NINGUÉM OLHAVA PRA MIM, eu devia estar com 30 anos...e um bagaço!

Eu olhava no espelho e me via igual. Não tinha engordado, nem emagrecido. O cabelo continuava lindo, leve e solto. As mesmas roupas de sempre me serviam. Nem uma ruguinha. Só a olheira (essa abençoada) é que tinha aparecido... mas nada que um corretivo não resolvesse. Em síntese, o espelho me dizia que eu NÃO estava tão mal assim. Mas eu tinha certeza de que ele mentia pra mim!!! Ah, espelho, seu danadinho!... Tentando me enganar, é?

Quando a gente estava chegando no estacionamento, eu louca pra entrar e dançar até não poder mais (há anooooos eu não fazia isso!), a M reclamou que estava "com uma imensa dor no pé, insuportável mesmo, e precisava ir pra casa naquele momento". Eu e o H insistimos, dissemos que ela não tinha falado nada disso antes... mas ela quis porque quis ir pra casa. E nós fomos levá-la. Depois que ela desceu, o H perguntou: "e a gente, Mirys? Nós vamos?". E lá fui eu sabotar a minha noite, de novo... "H, não vai ficar chato você sair só comigo pra dançar?... Sei lá... Todo mundo conhece todo mundo em cidade pequena... Nós nunca saímos juntos, antes, e alguém pode imaginar coisas..." Mas ele me interrompeu e salvou minha noite: "Mirys, nós somos AMIGOS! E eu não tenho problema nenhum em sair pra dançar com uma AMIGA. Então, por mim, não tem nada de complicado. Se você não quiser sair por você, eu entendo e te levo pra casa. Mas, por mim, a gente tinha falado que ia dançar, a gente vai dançar. Com a M ou sem. Zero neuras, tá bom?"

Eu respondi "tá bom". Se ele estava tão tranquilo assim, eu também deveria ficar. Até porque, nunca tinha havido absolutamente nada entre a gente. Nem uma paquera, nem uma conversa "torta", nem um olhar dúbio. Nada. Éramos amigos! E as pessoas podem sair pra dançar com os seus amigos, não podem?

E nós dançamos, e conversamos, e ouvimos uma banda ótima, e... eu passei a noite "em branco", de novo! Ninguém, ninguém mesmo nem olhou pra mim!!! Ninguém passou do meu lado e "esbarrou" na minha mão. Ninguém veio me perguntar "de onde me conhecia". Ninguém me seguiu até o bar. Nada. Zero. Niente. Minha vida amorosa estava tão seca quanto o deserto do Saara, sob o sol do meio dia. O único que tinha chego perto de mim foi o H, que, quando queria falar comigo, vinha falar no meu ouvido, só por causa da altura da música do lugar... Pra não deixar a minha moral ir parar no dedão do pé, eu fingia que estava bem e fazia piadinhas de mim mesma pras amigas. E ia que ia!!!

Depois de uma certa hora, decidimos ir embora. Ele pagou a conta, nós fomos por carro e finalmente conseguimos conversar, fora do barulho ensurdecedor.

H: "Mirys, hoje eu descobri. Eu sei qual é o repelente que você usa."

Eu fiquei roxa, azul, amarelo, verde limão, rosa caqui e comecei a procurar o primeiro buraco no chão para me enterrar como avestruz e não sair mais dali até o domingo, à noite!!! A piadinha do repelente era pras MENINAS!!! Com "A" no final da palavra!!! Era só pra descontrair pras amigas e não ter que ouvir todo um tratado dos "porques" de eu não estar saindo com ninguém... Eu sabia que fazia algo de errado, mas não sabia o que era e, honestamente, não sei se estava preparada pra saber. Mas o H não se importou e continou:

H: "O seu repelente, Mirys, é o "eye contact". Você não olha! Você não mantém o olhar! Vários caras passaram do seu lado, hoje, e teriam ficado com você SE VOCÊ TIVESSE OLHADO PRO LADO! Mas você só via a banda, em cima do palco. Você parecia anestesiada. Mais de um passou e quase, mas quase mesmo te beijou. Mas você nem percebeu... percebeu?"

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Foi assim que eu me senti. Em branco! Passada! Em alfa! O tempo parou e eu só conseguia pensar: "eu NÃO sou feia! Eu NÃO estou com olheiras terríveis, cabelo desgranhado e magra demais! Eu NÃO sou desinteressante! EU EXISTO! As pessoas olham pra mim! PRA MIM!!! Eu só estou fazendo um pequeno erro... só um!... Eu não olho!..."

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E, naquele branco, com a cabeça girando de tantas ideias juntas, eu só sei que o H. me levou pra casa. Parou na porta. Desligou o carro. Se ajeitou no banco e continuou a conversar comigo. "Mirys, você precisa olhar para as pessoas. E, se alguém te olhar, você tem que manter isso! Keep eye contact."

"H, desculpa, tá tarde, as crianças estão sozinhas (hello???? Na casa dos meus pais, com 12 pessoas, nunca, ninguém está sozinho!), meu pai pode estar preocupado, amanhã tem igreja, eu preciso entrar. Beijo. Tchau." (leia tudo CORRENDO porque foi assim que eu falei). Falei, pulei do carro, abri e fechei o portão de casa com uma rapidez impressionante e entrei. Repetindo meu novo lema: "keep eye contact! keep eye contact!" e me perguntando por que cargas d´água EU não tinha percebido isso antes??????

Enquanto isso, lá no carro, ficava um moço completamente desnorteado, acostumado a ter total domínio sobre sua vida emocional (lembram-se das minhas amigas, que eu contei aqui?), sozinho, sem entender nada do que estava acontecendo. Algumas mosquinhas me contaram, depois, que ele queria ter me beijado naquela noite. Que ele olhou pra mim. Mas, eu não olhei de volta.... eu nem percebi!...

Cenas do próximo capítulo aqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Hora H 5 - Finja que está feliz que, uma hora, você fica! (Diário da Mirys)

Quando minha amiga M me ligou, convidando pra sair com ela, eu já estava praticando a auto sabotagem: "não, obrigada", "não, eu sou mãe", "não, eu tenho responsabilidades amanhã, de manhã", "não, eu estou cansada", "não, eu não tenho mais idade para ir em barzinhos, à noite, ficar de bobeira, vendo a vida passar e ouvindo boa música". Eu queria sair. Eu sabia que eu PRECISAVA sair de casa. Mas, quando aparecia um convite, eu me sabotava e arrumava alguma desculpa pra não ir...

A minha sorte é que a M é minha amiga da época de faculdade e, láááá naqueles dias, nós tínhamos uma frase que usávamos quando uma ou outra estava "borocochô": "não tá feliz? Então, FINGE QUE VOCÊ ESTÁ! Mas finge com vontade, finge pra valer, finge pra todo mundo acreditar que você está feliz. Porque, uma hora, você fica!" Anos e anos se passaram e a frase se resumiu a uma olhar pra cara da outra, perceber que a outra não estava bem, e dizer: "Finge, amiga! Que, uma hora, você fica!".

Naquela noite, eu voltava de uma festa de um tio bem velhinho, cheia de crianças, cheia de parentes do Fer. Eu não estava no menor clima de "baladas". Eu tinha atravesado duas vezes (ida e volta) a estrada onde o acidente tinha acontecido (e só aquilo já me deixava beeeeeeeem baixo astral). Mas, a M usou aquela frase comigo, no telefone. E me convenceu a chegar em casa, colocar uma roupa linda e sair para ver a vida passar, de escrever um roteiro pra mim ao invés de ficar só admirando os que passavam na TV.

Só que... lembram que eu sou uma fraude? Pois é... Cheguei nos meus pais, coloquei as crianças já dormindo nas camas, não coloquei vestido, não fiz maquiagem, não passei perfume, não me arrumei. Só tomei um banho rápido, voltei pra dentro da calça jeans que eu estava antes, coloquei uma blusa preta mas rendada, chacoalhei os cabelos e fui para o tal barzinho.

Chegando lá, a Má, nossa outra amiga que estava sendo esperada, já tinha avisado que não ia. Então, seríamos só nós três, mesmo: eu, a M e o H. Mais o lugar super agradável (que existe há anooooos em Jaú e eu nunca tinha ido). Mais a música deliciosa. Mais as bebidas e as comidas. E muita conversa pra colocar em dia. Eu não sentava pra conversar com ela, desde antes do acidente, ou seja, há pelo menos um ano e 7 meses.

Conversamos, os três, a noite toda! Sobre a vida, sobre encontros e desencontros amorosos, sobre as voltas que o mundo dá, sobre viagens, sobre profissões, sobre planos novos para rumos incertos, sobre QUASE tudo. Porque eu já não estava mais na fase de falar da viuvez! Aquilo que era muito vivo e presente, ainda, pra mim, já não era para os outros. Eu percebia que os dias tinham se passado, os meses tinham se transformado em anos, a vida de todo mundo seguia em frente e eu não queria atrapalhar, voltando na mesma tecla do poço sem fundo em que você cai quando perde alguém tão cotidiano de uma forma tão abrupta. Pra que?

Eu não queria mais ficar usando a tal plaquinha de "sou viúva", pendurada no pescoço. Não queria mais ser apontada na rua! Por pouco eu não tinha virado "ponto de referência", daquele pior jeito que muitos gordinhos reclamam de ser (do tipo: "tá vendo aquele gordinho de blusa cinza? Então, vá até o gordinho e vire à esquerda!"). Ser viúva fazia parte da minha história, mas eu não queria que aquilo me definisse, mais! Então, eu fingia estar feliz, eu fingia que não doía mais, eu fingia que podia falar, normalmente, sobre outros homens, como se solteira eu fosse.

De repente, o H pediu licença e saiu. Deve ter ido ao banheiro, sei lá. Mas aquele foi o momento perfeito para duas meninas fo-fo-ca-rem!

M: "Mi, me diz... e de amores?"
Eu: "Vixi, M... tá zero!"
M: "Sério? E o ex (número 4), não te procurou mais?"
Eu: "O ex???? Nunca mais eu vi..."
M: "Confessa, vai... você tá saindo com ele!"
Eu: "Não! Não estou!"
M: "Mas estava..."
Eu: "Não, M! Não estava! Nunca saí com ele, nem com ninguém, depois do acidente!"
M: "Amiga... você pode contar pra mim..."
Eu: "M, é sério! Não sai com A-B-S-O-L-U-T-A-M-E-N-T-E ninguém, até hoje! Não beijei, não abracei, não flertei, nada!"

E, como aquele papo já estava começando a me deixar mal (afinal, QUEM gosta de ouvir, da própria boca, que não foi alvo de nenhum homem, nos últimos 18 ou 19 meses???? Quem, em sã consciência???). Então, eu comecei a tirar sarro de mim mesma, de novo:

M: "IMPOSSÍVEL!!! Como assim, você não ficou com ninguém???"
Eu: "Sabe o que é M? É que eu devo usar algum tipo de repelente, que mantém todos os homens quilômetros e quilômetros de distância de mim!"

E nós duas demos muitas risadas, como era pra ser, mesmo. Afinal, aquela frase estava virando um lema pra mim. Toda vez que eu queria fazer alguém rir e mudar de assunto, usava a estória do repelente. Mas, eu só usava a frase com mulheres ou com homens do tipo "irmãos", que não tinham a menor probabilidade de nunca, nunquinha da Silva, se interessarem por mim!!! Porque eu estava sozinha. Fato. Mas não era nem louca de fazer propaganda negativa pra mim mesma!!!

Mas, a M era mulher, amiga e era divertido falar aquilo pra ela!

Eu: "Sabe o que é M? É que eu devo usar algum tipo de repelente, que mantém todos os homens quilômetros e quilômetros de distância de mim!"
H: "Ah é?"

Quando eu olhei, o H já estava atrás de mim. E até hoje eu não sei qual pedaço da conversa ele ouviu...

H: "E então, pessoal... vamos sair pra dançar?"

Cenas do próximo capítulo aqui.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carta para minha filha (Diário da Mirys)



Nina:

Hoje, de manhã, você completou 6 anos. Seis anos é muita coisa, filha! Pode parecer uma bobagem, vindo de alguém que já viveu 37 deles (eu), mas eu sei o quanto você já fez e viveu, nesse tempo! O quanto você me ensinou...

Porque, antes de você, eu era só "mãe de menino". E isso era super divertido, mas era mais bagunçado, sabe? E, de repente, numa madrugada de setembro, nós ficamos, pela última vez, só eu e você (na minha barriga) conversando, enquanto os meninos dormiam na minha cama. Eu te contei todos os planos que eu tinha traçado, para todos os nossos próximos dias... que boba eu era! Você entrou para a família e tudo mudou!

A partir daquele dia, eu descobri que ser "mãe de menina" era um conceito completamente diferente!!! Porque você é totalmente feminina, filhota. Coisa que eu mesma nunca fui... Desde sempre você fazia beicinho, charminho, chorava em 2 segundos - de escorrer lágrima - se algo não saísse como você queria. E eu me perguntava: "como alguém tão pequenininho pode saber que, assim, com dengos, ela consegue o que ela quer?" Mas você sabia, mocinha! Você sabia bem mais do que isso... Praquela sua maneira feminina de ser, eu "inventei" um dos lemas da nossa família (que virou lema, também, lá na sua escola antiga, e que muitos dos nossos amigos usam, até hoje): "na nossa família, a gente não chora. A gente conversa!". Perdi a conta de quantas e quantas vezes, eu tive que olhar pra você, quando tentava me contar algo, em lágrimas, e dizer: "respira, filha. Respira. Isso. Agora fala."

Mas não se engane, filhotinha: chorar era seu jeito de fazer charme. Só! Porque você sempre foi uma das crianças mais felizes que eu conheço e está sempre, sempre rindo! E ah! Como eu amo esse seu sorriso!... Antes, bem banguelinha; depois, cheio de dentes brancos, que você exibe orgulhosa; a partir deste ano, com a sua primeira janelinha! Amei todos eles! Mesmo quando você insistiu em ser igual a mim sorrir de boca fechada. Seu sorriso, pequena, salvou meu dia por diversas vezes... Porque ele é contagiante, ele é gigante, ele ilumina a vida de quem estiver por perto, ele é lindo.

Com você, filha, minha vida ficou muito mais complexa e interessante, ganhando cores + brilhos + laços + babados! Quando eu achava que estava pronta pra ir para qualquer lugar, você me "cobrava" usar vestidos, brincos, saias, maquiagem, secador, bolsas, chapinha. E como isso me fez bem!!! A sua insistência me fez "tentar" essas opções e eu descobri que eu me via diferente (e o mundo me via diferente, também!!!), quando eu me arrumava. Nem que fosse só um bocadinho... Mas, o melhor eram os seus olhinhos brilhando e os elogios que você me dava, quando me via mais cuidada! Você aumentou minha auto-estima, pequena, e fazer isso, por uma mulher, é dar poder em suas mãos! Se eu voltei a achar que posso conquistar o mundo, filha, grande parte disso eu devo à você.

E eu te paguei, sempre, com beijos, abraços e carinhos. Muitos beijos! Muitos abraços! Muitos carinhos! Porque eu sou assim mesmo: beijoqueira. Rsrsrs. Também fiz tudo isso com o seu irmão e faço com todas as crianças que eu amo, na minha vida. Mas, você, filhota, você retribuiu! Toda-santa-vez!!! Acho (e espero!) que NÃO vai chegar o dia em que você vai dizer: "pará, mãe. Não me beije aqui, na frente dos meus amigos." Talvez seu irmão, um dia, me fale isso. Ele é homem. Homens não gostam muito de beijos, em algumas fases da vida. Normal. Mas eu tenho você, filhota, e nós poderemos trocar beijos e mais beijos até ficarmos beeeeeeeeem velhinhas! Porque, se Deus quiser, eu vou te ver ficar velhinha, filha...

Essa é a minha oração constante, pequenininha: que eu possa ver vocês crescerem, fazerem seus círculos de amigos, terem suas famílias, mimarem seus netos. Sim, filhota, eu sou exagerada: eu quero ver os SEUS netos. Quero ver você cuidando e curtindo cada um deles. Se eu vou conseguir? Não sei... ninguém sabe... mas essa é a minha oração!

Eu não oro porque eu tenho medo de você ficar sozinha, filha, pois eu não tenho mais medo disso. Quando você ficou órfã de pai, aos 3 anos, eu tive muito, mas muito medo mesmo de ir embora, também. Eu achava que vocês não sobreviveriam sem mim! Mas Deus me ensinou, nesses três últimos anos, que vocês só não vivem sem Ele. E se vocês estiverem com Ele, vocês estarão bem (independentemente de quem mais esteja ao seu lado). Então, hoje eu oro para que vocês sempre tenham Jesus em seus corações... e para que eu fique aqui, vendo vocês viverem a vida que Ele planejou pra vocês (essa é a parte egoísta da minha oração... mas, fazer o que? Eu sou humana).

Obrigada, filha, por ter me ajudado a insistir e insistir em um "final feliz" pra nós (ainda que esse seja só o "meio" da história)! Obrigada por me fazer ver, antes de qualquer outra pessoa, o projeto que existia para a nossa família! Obrigada por me falar "eu te amo", até quando eu não merecia ouvir! Obrigada por se sentir toda orgulhosa quando alguém fala que, por fora, nós somos muito parecidas... isso faz eu me sentir enorme!

Que nessa sua vida, filhotinha, você possa continuar a distribuir amor por aí! Que a sua solidariedade não se resuma aos "presentes sociais" do seu aniversário ou à divisão das coisas que você mais gosta com os seus irmãos. Que essa sua doçura continue, que seu coraçãozinho transborde de ternura pelos outros, que seus beijos sejam infinitos, que seus desenhos e textos tenham cada vez mais palavras de carinho, que suas ligações aos seus avós e tios sejam frequentes, que seus vínculos com seus amigos sejam cada dia mais estreitos, que todo mundo continue a querer estar do seu lado porque você exala alegria!

Espero que você nunca pare de cantar e dançar, em qualquer lugar, por qualquer motivo! Espero que a sua teimosia continue, mas só pras coisas boas. Espero que sua inteligência seja sempre assombrosa pra mim!

E espero, acima de tudo, que você continue a me ensinar que viver pode ser mais simples, mais alegre, mais sonhador do que eu acho. E continue a me mostrar que muitas coisas são melhores até mesmo do que estar em Paris e que uma delas é estar deitada do seu lado, na sua cama, dentro de um abraço seu!

Eu te amo, filhota!
Que Deus te abençoe hoje e sempre!!!!
sua MãMi

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Escreva!!! E tenha certeza de que eles sabem... (Diário do Guigo)

A mãmi voltou de viagem, domingo. Cheia de saudades, de beijos, de histórias, de lembrancinhas.

Passou o dia colocando os assuntos em dia com todo mundo... e ouvindo um monte de elogios da gente! Nos comportamos bem, fomos obedientes, fizemos as tarefas sozinhos, não reclamamos de nada, tiramos notas boas na escola. Um espetáculo!!!

Além disso, deixamos mil recadinhos no quarto dela + desenhos e desenhos pra dizer "bem vinda de volta"!!!

Mãmi: "- Ah, filhote! Eu amo você! Você me faz a mãe mais feliz do mundo, sabia?"

Eu: "- Sabia. Sabia, sim. Você deixou escrito no meu quarta-roupas, esqueceu???"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Refletindo (Diário da Mirys)




Alegria te mantém doce...

Desafios te mantém forte!...

Tristezas te mantém humano...

Falhas te mantém humilde...

Conquistas te mantém reluzente!



Acho que tenho um pouco de tudo isso.... E você?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Hora H 1 - o pedido (Diário da Mirys)

Quando a gente espera, a vida pode nos surpreender.

E algo inesperado pode surgir de onde você menos imagina.

Tornando algo que era, até então, inimaginável, numa possibilidade.

Foi isso que aconteceu....



Cenas do próximo capítulo aqui.

sábado, 21 de julho de 2012

Interlúdio 9 - sobre elogios (Diário da Mirys)

No começo, bem no começo, é normal as pessoas quererem “te alegrar”, te deixar pra cima, então eu ouvi muitos “você é/está/ficou linda!”. Qualquer calça jeans + camiseta já arrancava “uau”s, pela casa da minha mãe e das minhas amigas. Espetáculo!!!

Foi bom, muito bom... até porque eu SABIA que NÃO estava linda! Não estava. Fato! Pós acidente, eu ganhei inúmeras espinhas (pelo rosto e pelo corpo). Segundo meu médico, o stress tinha que sair por algum lugar (porque eu não estava me descabelando, me jogando na comida, emagrecendo, nada... então, eu TINHA que ter alguma válvula de escape porque a situação era altamente estressante. A minha pele foi minha válvula de escape...). Eu tinha olheiras que poderiam muito bem ser chamadas de “bochecheiras”, tão grandes elas eram. Eu estava abatida. Eu estava desencantada com a vida. Eu estava triste, oras bolas. Eu estava tristíssima!

Mas eu me esforçava muuuuuuuuuuuuuito para não parecer tão triste assim! Afinal, no meio do furação, tinham duas crianças, lembram? E elas precisavam ver a mãe bem para que elas também ficassem bem. Então, eu segurava minha onda, vestia o meu melhor sorriso, inventava coisas para preencher o dia, me esforçava ao MÁXIMO do que me restava de forças para parecer “aceitável”, pelo menos. Então, era um alívio ouvir que eu estava bonita. Era mentira, eu sabia. Mas, considerando que eu não estava sob condições normais de temperatura e pressão, eu não estava tão mal assim e podia me dar algum crédito!

Só que, depois de um tempo, esse negócio de “você é/está/ficou linda” pra qualquer moleton, começou a soar como piada. Ou, na melhor das hipóteses, como um chavão! Até porque, em 99% das vezes, eu ouvia isso de MULHERES!!! É, na casa da minha mãe, nós somos em DEZ mulheres! Mais minhas amigas, mais minhas tias e primas. Pronto! Eu tinha um exército de mulheres me dizendo que eu era a última bolacha do pacote!!! Mas... quem quer ser bonita só pra opinião feminina??????

Irmãs, mãe, tias, primas, sogra, amigas: me desculpem, do fundo do coração, mas a opinião de vocês era “café com leite”, tá? E eu cheguei a dizer isso pra algumas delas....

Só que eu tinha um problema crônico de continuar me sentindo casada e, sendo casada, eu só encarava opiniões masculinas sobre o meu aspecto físico como sendo “um elogio de um amigo” e nada mais. E você (homem amigo opinante) tem que ter muuuuuitaaaaa intimidade com um casal para poder falar pra mulher do seu amigo que ela está bem. E eu só não me senti COMPLETAMENTE INVISÍVEL para o universo masculino porque alguns desses amigos nossos, muito íntimos, me fizeram feliz...

Tudo bem que eles não contavam nem 0,00000000001 como futuros namorados (porque eles eram meus amigos e só!), mas é muito mais legal ouvir um “você está linda”, com um timbre de voz mais grave. Oh se é!!!

Alguns desses elogios me marcaram e, de certa forma, me fizeram mudar de direção e cuidar um pouco mais de mim...

1 – num dia de palestras, eu coloquei a boa dupla jeans + camisa branca, mas achei que faltava algo. Coloquei um colar de pérolas e pintei as unhas de vermelho (no ônibus, em sampa! #alouca). Saindo do curso, um amigo me disse: “pense em mim como a Whoopi Goldberg, no filme Ghost... porque me pediram pra te dizer que você está linda!” E eu voltei chorando pelo metrô (decidida a sempre pintar minhas unhas de vermelho, onde quer que me desse vontade!). P., nunca poderei te agradecer a injeção de ânimo daquele dia!

2 – numa tarde, num boteco qualquer de sampa, conversando com um amigo/irmão de longa data, falávamos sobre homens e sobre o fato de eu ainda estar sozinha. Que eu achava que estava feinha, largada, descuidada, sei lá (eu tinha intimidade pra tanto, tá?). E ele me perguntou se poderia dar a opinião masculina dele, ignorando o fato de ser meu grande amigo. “Manda” (acho que eu até fechei os olhos pra esperar o direto no estômago que eu ia tomar....). “Mirys, você tá ótima! Você está com um corpaço e, quando você sorri, seu rosto fica lindo. Se eu fosse solteiro, eu pegava!”. Eu gargalhei!!! P., love you and you know it!

3 – eu termino de me arrumar pra uma festa, sem a menoooooor vontade de fazer maquiagem, nem nada. A Nina insiste e eu passo um baton e acentuo o olho com um lápis. Quando vamos encontrar nossos amigos que nos dariam carona, um deles me olha de cima a baixo, sorri e diz “Você vem sempre aqui?”. O meu sorriso foi instantâneo. Me lembrei do Joe, no friends “how you doing?....” (friendsmaníacas me entenderão). Eu entendi que algumas mudanças, mesmo que pequenas, DEVEM ser feitas. M., você não tem ideia de como aquela sua frase fez mudar o jeito que eu via a mim mesma! Obrigada!

4 – no meio de um culto (inadequado... eu sei!), um amigo me manda um torpedo. “Esse vestido ficou ótimo pra você. Impressionante... você continua linda!”. O “continua” da frase me marcou. Graças ao R., eu comecei a usar mais vestidos...

E eu esperava o dia (será?) em que ouviria isso de alguém que TIVESSE algum interesse por mim....

Cenas do próximo capítulo aqui

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Interlúdio 8 - a viúva e a plaquinha de neon

Ser viúva é andar com uma plaquinha pendurada no pescoço, com letras luminosas em neon rosa, setinhas apontando pra você, e uma sirene acoplada. Funcionando! A todo vapor! Ser viúva numa cidade razoavelmente pequena é tudo isso... em cima de um carro alegórico, com um locutor beeeem estridente dizendo “pamonhas, pamonhas, pamonhas, pamonhas de Piracicaba” “viúva, viúva, viúva, viúva de Jaú”!

Se você acha que estou exagerando e que não era bem assim, meu amigo, deixa eu te contar: você só pensa desse jeito porque você não estava do lado de cá! Do lado de cá, a coisa é bem mais complexa e desagradável... Eu cheguei a ser apontada no shopping, gente que eu não conhecia veio se apresentar pra mim (“você que é aquela moça que o marido morreu naquele acidente?”), comentavam sobre mim nas rodas de amigos das minhas amigas... Exagero meu? Imagina... Eu também pensava assim, que eu não era tãããão importante... Até que um moço, que eu nunca tinha visto antes, se apresentou pra mim, numa fila de um restaurante. “Você que era mulher daquele cara do acidente enorme da estrada, há um mês atrás?” “Sim, sou...” (eu já tenho os olhos puxados pra baixo, então eu já tenho cara de cachorrinho abandonado que caiu do caminhão de mudança... imaginem a minha cara, NA HORA... eu estava preparada para mais um pouco de solidariedade do tipo “tadinha...”) “Vou te contar, viu? Cara estúpido! Não tinha nada que querer ir ajudar os outros! Se tivesse ficado no carro dele e continuado a viagem, agora ele estaria com a família dele. Quanta idiotice...”

Mas o que me deixava mais inconformada, mesmo, era a famosa frase: “tadinha, tão bonita, tão inteligente, tão novinha, não merecia ficar viúva...” Por que???? Quem é feia, burra e/ou mais velha merece????? Ser viúva, agora, é questão de “merecimento”??? Perdi a conta de quantas e quantas vezes eu ouvi essa mesmíssima frase... E eu nem tinha uma resposta pra ela....

Até que um dia, a minha filha, no auge dos seus 4 anos, me perguntou “o que era viúva” (quando mais uma pessoa veio me falar a frase acima). Eu expliquei que era quem era casado, mas que o marido ou a mulher tinha morrido. “Ah... tipo você?” “Isso filha, tipo eu.” Só que a Nina estava naquela fase de começar a ler e escrever e achava o má-xi-mo palavras novas!!!! Então, eu comecei a ser apresentada assim, pros amigos novos dela: “Essa é a minha mãe Miriane. Ela é viúva, sabia?” E lá ia eu sorrir e explicar pra mais uma criança o que era ser viúva!... Mas, não pensem vocês que a Nina se incomodava com isso, não. Pra ela era só uma palavra nova... de novo, o problema (quando ele existia) era meu, não dela... E eu queria que fosse assim, que eles lidassem com tudo da forma mais “natural” possível...

Como nós acabamos nos mudando de casa algumas vezes, depois do acidente, era comum eu ser “anunciada” nos lugares novos como “essa é a Miriane / mãe do Guilherme / mãe da Helena, e ela é viúva. Acredita?”. Lógico que tudo acontecia ANTES de eu chegar (um ano ou dois, depois, alguém que participou do anuncia sempre te conta!). Então, eu chegava, todo mundo sorria, eu sorria e seguia com a vida. Mas eu SABIA que, quando me virava pra ir, muita gente comentava sobre a situação (e eu confirmei, depois, quase todos os cochichos que eu jurava que ouvia). E, invariavelmente, uns meses depois, alguém vinha comentar comigo... “quando me contaram que VOCÊ era A viúva, eu quase não acreditei... você parece tão alegre...”.

Até que chegou um dia, em que eu me revoltei e cansei de usar a tal placa com as letras em neon! Já ia fazer 2 anos e eu resolvi jogar aquela placa fora, arremessa-la de um precipício, fazer uma fogueirinha com ela e dançar ao redor!!!! Mas acabei trocando por outra.... (mais engraçada, pelo menos ;) )


Cenas do próximo capítulo aqui

terça-feira, 17 de julho de 2012

Interlúdio 5 - fórmulas pra se viver.... (Diário da Mirys)

Durante esse tempo todo de viuvez (mais de dois anos e meio depois dela, eu ainda não me acostumo com esse termo...), eu ouvi muita coisa, muita gente com "fórmulas prontas" para criação de filhos, para minha vida pessoal, para como lidar com todas as mudanças que estavam ocorrendo. Ouvi muitos "eu SEI o que você está sentindo...", "eu SEI o que você está passando...", "eu, no SEU lugar, faria tal coisa...", "você DEVE fazer isso ou não fazer aquilo porque é isso que DEVE ser feito nessas situações", "o MAIS RAZOÁVEL (ou, pior, "o CORRETO") a se fazer é...".

Mas, como saber o que é "razoável", numa situação que não tem nada de razoável??? Como usar a mesma "fórmula secreta" da felicidade e da postura em sociedade para todas as pessoas existentes no mundo, sendo que as vidas delas eram tãããão diferentes da minha? Como dizer o que alguém deve ou não fazer (realizar, desejar, sentir, querer) quando você não está vivendo a vida dela???

Pra alguns mais íntimos, com quem eu tinha mais liberdade, eu me dei ao direito de falar "não". Com todo o amor do mundo e um sorriso no rosto, eu disse: "não, você NÃO sabe o que eu estou sentindo ou passando. E não, você NÃO pode nem imaginar! E graças a Deus por isso, porque você NÃO tem que viver o que eu vivo". Algumas vezes, fui compreendida... outras vezes, não. E confesso que, até hoje, algumas pessoas ainda insistem em me dizer que eu "deveria" fazer certas coisas ou que eu deveria fazê-las de certo modo (diferente, obviamente, do que eu faço), mais normal, mais comum, mais aceito. Não as recrimino, não censuro, não me oponho... eu tento explicar a minha versão, mas só. Não espero que os outros entendam o que nem eu mesma consigo expressar... (como o fato de me sentir "casada", mesmo depois de mais de 2 anos do acidente que me deixou viúva).

Na minha visão, algumas coisas eram inabaláveis, sólidas, certas:
* eu tinha um Deus e eu Ele tinha (tem) um plano BOM pra minha vida. Melhor do que o meu. Eu creio assim.
* eu tinha (tenho) duas crianças para criar, que já tinham perdido o pai. Não seria justo, com eles, que perdessem a mãe, também, para a tristeza, para a desistência, para a auto-piedade.
* a vida é curta. É linda, é deliciosa, é complexa demais e é curta. Então, deixe claro HOJE praqueles que você se importa, que você se importa.
* não vou deixar de sentir o que eu tiver que sentir (seja felicidade ou tristeza) porque alguém me disse que ELE não faria assim. A vida é minha, o ônus e o bônus são meus! Estando dentro do que EU acho razoável, dentro da MINHA experiência de vida, se não estiver machucando ou ofendendo ninguém (filhos incluídos), eu VOU fazer.
* ninguém (a não ser que a pessoa tenha passado pela mesma experiência que eu, tão intensa, tão aterradora, tão devastadora, tão marcante) vai entender as loucuras de uma viuvez precoce.

Nada além...

PS: um dia, uma grande amiga, me ligou pra conversar um pouquinho e me contou um caso de uma moça, do prédio dela, que tinha passado pela mesma experiência do que eu. E, como sempre acontece, aqueles mais próximos a ela acabavam "julgando" as atitudes que ela tinha. Até que um dia, alguém veio comentar sobre uma atitude daquela viúva com a minha amiga. "Você não acha um absurdo???". A resposta foi brilhante: "Eu acho que o que ela passou foi insuportável, humanamente falando. A partir de agora, ela pode fazer o "absurdo" que ela quiser porque ela tem IMUNIDADE". A partir de então, sempre que eu me cobrava de alguma coisa, eu me lembrava: pra E., eu sou assim - imune! Porque a E. não precisou entender. Ela soube respeitar!


Cenas do próximo capítulo aqui.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carta para Luanda (Diário da Nina)

Ás vezes, a gente faz coisas beeeeeem diferentes, na escola! Como estudar sobre lugares distantes (tipo Luanda), conhecer o que tem nesses lugares, seu povo, seus animais, suas comidas...
E entende um pouco dos problemas desse povo...
E pode tentar solucionar! Eu, por exemplo, já fiz minha parte e "respondi" o pedido de Luanda. E você, o que faz para modificar o mundo???

sábado, 7 de julho de 2012

Delicadeza ou malandragem??? (Diário do Guigo)

Ontem, foi dia de reunião de pais, na escola. A mãmi pode conversar com a professora, ver minhas provas, analisar meus trabalhos, mas só leva embora o boletim. Nada mais.

Então, verificando minhas provas, ela viu isso, no final de uma delas! Sacou a câmera da bolsa (já que não podia levar a prova pra casa) e clique!!!
Estava ela, com seu coração puro (e inflado) de mãe, pensando ter em casa o menino mais amoroso, delicado, cuidadoso, carinhoso DO MUNDO, quando a professora chega por trás e faz o seguinte comentário:

"- Você viu isso?"

"- Vi, sim. O Guigo é assim, sempre. Super amoroso. Me beija e me abraça o tempo inteiro. Uma criança tão bacana..."

"- Será? Na hora em que eu vi o recado, eu perguntei pra ele: o que foi, Guigo? Quer garantir uma nota boa comigo, é?"



E saiu rindo... deixando a mãmi na maior dúvida DO MUNDO!!!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Não lavo mais o carro!!! (Diário da Mirys)

(leia correndo porque foi assim que aconteceu)

Estaciona o carro. Pega elevador. Todo mundo pro banho!!! Mamãe prepara as tarefas. Roupas separadas. Sai do banho, enxuga e veste. Arruma cabelos. Supervisiona tarefas. Vamos pessoal, ânimo!!! Traz água porque os "tarefeiros" tem sede. Embrulha presentes. Confere tarefas. Guarda material da escola. Pega elevador. Todo mundo pro carro!!!

E, no meio da correria, ela para no vidro de trás do automóvel:






E, agora, me diz: QUEM É QUE TEM CORAGEM DE LEVAR O CARRO PRA LAVAR, NO FINAL DE SEMANA???? QUEM?????


terça-feira, 19 de junho de 2012

Curtinhas Boas do Final de Semana (Diário da Nina)

Estamos saindo da festinha totalmente improvisada do Guigo (daqui a pouco a mamãe volta pra contar sobre isso) e eu falo:

"- Olha que essa festa do Guigo foi muito legal!"
"- Foi mesmo, né filha? Então a gente precisa agradecer a vovó Dina porque foi ela que programou tudo.", responde a mamãe.
"- Olha que essa vovó Dina é um ESPETÁCULO!!!", exclamo, estalando os dedos na boca, como uma legítima bisneta de italianos falando "máquê!".

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No churrasco, domingo, o tio Z, marido da tia Yaya, que está gravidíssima de 5 meses da minha primeira prima (EEEEEEHHHHHHH!!!! Soltem rojões!!!! Finalmente mais uma menina pra turma dos netos!!!), vira pra minha mãe e diz:

"- Mirys, me diz onde vende o livro que eu quero comprar, viu?"

Minha mãe fica com aquela cara de "ué" porque o sonho dela é escrever um livro, um dia (talvez transformar esse blog num livritcho bacanitcha, que todo mundo leia, ria e leve uma vida mais leve. Ah... minha mãe... essa sonhadora!...).

Ressabiada, ela pergunta: "- Qual livro, Z?"
"- O livro de como criar crianças. Porque você DEVIA escrever um! Você é a melhor mãe que eu conheço e as suas crianças são as mais bem educadas. Eu vivo falando com a Yayá que queremos fazer exatamente como você!"

PS: alguém vai buscar a minha mãe lá na lua?????? Porque ela saiu flutuando!... Mas, vamos combinar? Que coisa MAIS FOFA DO MUNDO foi essa, tio Z????

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Ontem, dia do aniversário do Guigo, ele pula do carro pra entrar na escola, vai na janela e antes que a mamãe consiga pensar em dizer qualquer coisa (ela SEMPRE diz coisas, na porta da escola), ele manda:

"- Nem vem, mami! Porque eu te amo mais! Te amo MUITO MAIS! Te amo muitíssimo!!!"

E lá foi minha mãe pra lua, de novo!...