Eu comecei 2012 incomodada com algumas coisas que eu vinha vivendo, repensando várias áreas da minha vida, querendo definições, buscando organizar. Eu continuava naquela luta pra me encontrar, de novo - descobrir quem eu era "pós acidente", depois de ter vivido coisas que ninguém deveria, após ter a certeza de que as crianças (minha primeira opção) estavam bem.
Minha casa estava uma bagunça, meu trabalho não estava do jeito que eu queria, meus lazeres (livros, filmes, fotos) estavam beeeeem parados, o meu relacionamento não relacionamento estava indefinido. E cada dia que passava e tudo continuava igual me deixava mais...decepcionada comigo mesma!
Pra casa, eu comprei tapete, organizei espaços, doei coisas, trouxe plantas e me deliciei com flores! Eu virei "ladra oficial de flores de casamentos"! Todo casamento que eu ia (ou alguém da minha família ia), no final, quando todos já tinham ido embora, eu pegava flores e flores e trazia pra enfeitar minha casa. Afinal, as pobrezinhas seriam jogadas FORA, mesmo!!! Pelo menos, assim, elas alegrariam um outro lugar, por mais algum tempo.
No trabalho, eu fiz um pacto comigo mesma de me livrar daquele "B", no curriculum. E eu cumpri! Dos meus hobbies, eu só voltei pra fotografia... mas me joguei!!! Comecei a fotografar filho de amigo, gravidez de amiga, casamento de gente querida, aniversário de sobrinhos. Comecei a ensinar dicas e truques pro Guigo e pra Nina (até eles quebrarem - um pouquinho da - minha câmera, em junho) e ficava super feliz quando ouvia um "MãMi, olha só o que eu fiz!!!!".
Agooooora, a minha vida amorosa estava uma bagunça geral!!! Meu ex namorado (de quase 20 anos atrás!!!) tinha me mandado um torpedo, dizendo que tinha terminado com a namorada dele e me perguntando o que eu achava. O que eu achava???? Não respondi. Ele mandou mais uns 6 ou 7 torpedos dizendo, em síntese, que estava chateado por eu não ter escrito correndo de volta pra dizer que tinha achado "ótimo" ele ter terminado com a menina. Mas, que eu continuava sendo "a mulher da vida dele"! Como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, depois de vocês terem ficado tão separados e escolhido caminhos tão diferentes, depois de duas décadas???
Eu estava acostumada a ser chamada de "a mulher da vida do Fer". Aí sim, fazia sentido. Antes. Porque ele tinha casado comigo, tinha me escolhido pra mãe dos filhos dele, tinha vivido comigo até o dia do acidente, vivia proclamando aos 4 ventos que me amava. Aííííí, sim... Mas, como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não existe mais?...
E tinha o moço com quem eu saia. Que estava do meu lado, que brincava com meus filhos, que tinha sido apresentado pra toda a minha família direta (pais, irmãos, cunhados), que conhecia muitos dos meus amigos, que eu ficava esperando nas madrugadas de sextas / sábados / domingos (após o trabalho), que dizia que me amava até, mas que continuava a me ver "escondido" do pessoal dele. E ele me afirmava ou afirmava pra quem quer que perguntasse que... adivinhem... eu era "A mulher da vida dele"!!!! Só que, na prática, ele não queria ficar comigo oficialmente. Só que, nas atitudes e no discurso, ele queria viver outras coisas antes de me assumir publicamente. Problemas de quem tinha ficado muito tempo oficialmente (noivo) com alguém, antes, e acabado de descobrir a liberdade da solteirice, após anos... Eu juro que entendia! Não concordava 100%, mas entendia. Afinal, eu TAMBÉM tinha vivido por anos com alguém, antes, e também tinha acabado de descobrir minha solteirice. Eu também tinha medo. Eu também tinha outros planos. Só eu acho que se alguém encontra "A" pessoa, ela joga fora o medo, ela muda os planos, ela se arrisca. Mas, não. No nosso caso, não. Eu era "A" pessoa, mas tinha chego na hora errada. E como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não se decide POR você?...
Acabei ficando meio "de saco cheio" daquela frase, de ser "a pessoa idealmente perfeita" para um monte de gente e de não ser de ninguém! Porque ninguém demonstrava isso pra mim, que queria MESMO ficar comigo, que eu valia MESMO a pena, que apesar de todos os pesares eu era "A" pessoa certa!
Pra piorar, foi chegando perto do dia 23 de janeiro e eu comecei a entrar em pane! Na minha cabeça já não era mais inconcebível passar o dia de "aniversário" do acidente com alguém que não fosse o meu marido. Eu já não me sentia mais casada com o Fer. Mas, colocando as coisas na balança, eu me sentia fazendo uma troca... muito injusta, por sinal! Meus últimos dias 23 de janeiro eu tinha passado com uma pessoa que me adorava, que dizia não viver sem mim, que faria qualquer coisa pra estar do meu lado... e, do outro lado da balança, eu iria passar o próximo dia 23 de janeiro com alguém que estava lá, ao lado, estava bem, mas que não queria ficar. É muito, muito, muito complicado quando a sua cabeça vai parar em lugares que você não queria ir, pensa em coisas que você não queria pensar... e constata verdades que você não queria ver!
E eu fiz o que achava que tinha que fazer: larguei do moço. Não quer ficar comigo? Não fique. Sem braveza, sem neuras, sem brigas, sem chororô. Só constatações de que, na verdade, ele tinha os problemas dele pra gerenciar e não estava conseguindo fazer isso ao mesmo tempo que eu; só que eu tinha muita gente envolvida na equação (leia-se "crianças") pra ficar "tentando", até ver no que ia dar.
Na verdade, eu decidi fazer o que já deveria ter decidido fazer há muito tempo: eu seria A mulher da MINHA vida!!!! Aquela que resolve, que decide, que arruma, que quer, que luta, que curte, que VIVE!
No dia 23, eu fiquei "ilhada", pra conseguir colocar algumas coisas em dia. Eu não atendi telefonemas que diziam "eu sinto muito" (porque tudo o que eu iria responder era "eu tambem") - exceto dos meus pais e dos pais do Fer, eu escrevi a história do acidente (pra nunca mais precisar ficar contando pra quem perguntava), eu escrevi sobre o dia seguinte ao acidente (por motivos idênticos), eu coloquei meu quarta-roupas em ordem, eu doei as últimas coisas do Fer que ainda estavam por lá. E eu orei!
Mas, agora (na verdade, desde o início do ano, quando eu ouvi aquela frase da irmã do H), a minha oração era diferente. Eu não fazia análise de curriculum. Eu não pedia mais por uma pessoa que "não tivesse histórias" ou que "não me conhecesse de antes". Eu só pedia pra Deus me mostrar SE eu deveria ficar com alguém, agora, e QUEM seria aquela pessoa. Eu pedia pra ele me mostrar isso em atitudes das pessoas! Minha cunhada J diz que Deus não funciona assim... mas, eu respondi que, comigo, funciona! Ele sabe o que eu entendo, o que eu sinto, como eu vejo as coisas.
Então, minha oração ficou bem simples:
"Querido Deus, eu estou cansada de ficar sozinha e estou preocupada com as crianças quando eu 'saio' com alguém. Então, eu estou aqui, de novo, e vou esperar você me dizer SE e QUANDO eu vou ter alguém, de verdade, na minha vida. Mas, por favor, eu peço só três coisas: que ele seja fiel, que ele AME as crianças e que ele seja LOUCO por mim. Daí pra frente, é com o senhor. Amém"
Cenas do próximo capítulo aqui.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Doe Palavras!
Pessoal, num dia que estou pra lá de chatinha, descobri uma coisa muito legal... de fazer PELOS OUTROS!!!
O Hospital Mario Penna está com um projeto super bacana para ajudar, estimular e incentivar os seus pacientes de câncer: o projeto "doe palavras".
É bem simples: você entra no site www.doepalavras.com.br ( fácil, né?), escreve um texto curtinho e manda. Eles colocam sua mensagem de ânimo e força num telão, para todos os pacientes.
FAÇA SUA PARTE! NÃO CUSTA NADA! E DURA SÓ UM MINUTINHO!
Eu já mandei a minha de hoje....
Bjos e bençãos!
O Hospital Mario Penna está com um projeto super bacana para ajudar, estimular e incentivar os seus pacientes de câncer: o projeto "doe palavras".
É bem simples: você entra no site www.doepalavras.com.br ( fácil, né?), escreve um texto curtinho e manda. Eles colocam sua mensagem de ânimo e força num telão, para todos os pacientes.
FAÇA SUA PARTE! NÃO CUSTA NADA! E DURA SÓ UM MINUTINHO!
Eu já mandei a minha de hoje....
Bjos e bençãos!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Eu morri também... (Diário da Mirys)

Há algum tempo atrás, quando ainda morava em Ituverava e ia (3hs) e voltava (mais 3hs) todo final de semana para Jaú, dirigindo, eu tive a deliciosa companhia da Melina, por diversas vezes. A Mel (como - acho que só eu - eu insisto em chamá-la) também tem um grande amor: o Fer. O Fer dela! Claro...
Então, a gente tava no meio da estrada e o celular dela tocava. "-Oi Fer". Com tanto carinho. Nem que fosse pra discutir, depois. Mas o primeiro "oi Fer" era carregado daquilo que ela sentia de verdade. E eu, secretamente, morria de inveja (boa!) dela, mesmo quando eles discutiam (o que era raríssimo, diga-se de passagem).
Não sei bem o porquê, mas, um belo dia, durante a viagem, ela começou a me contar da história dela com o Fer dela. Foi uma delícia para mim! Juro!!!!! TEm gente que poderia achar isso meio "mórbido", triste, "transferência de situações" ou qualquer loucura dessas. Eu só achava lindo! Acho LINDÍSSIMAS HISTÓRIAS DE AMOR (Bell, me lembrei taaanto de você ao escrever essa frase!...). E a história deles era assim: de amor. Com encontros e desencontros, detalhes que faziam toda a diferença, momentos de paixonite total e de braveza, saudades marcantes (afinal, eles moram em estados diferentes!!!) e reencontros emocionantes! Claro que não vou contar nenhum episódio aqui porque essa história pertence a eles dois e não a mim. Então, se vocês quiserem saber, vão ter que perguntar a ela (ou esperar ela postar um comentário!).
Mas fato é que cada coisinha que a Mel me contava da história dela, me lembrava a minha com o meu Fer. Ás vezes, porque a gente tinha passado por coisas bem parecidas (beeeeem antes, pois a Mel tem 3 anos de relacionamento... eu tinha 15!), às vezes, porque eu já fazia o final do capítulo da história dela na minha cabeça e era surpreendida por um desfecho que não tinha pensado, às vezes, porque... sim. Simplesmente porque sim. É paizinho... essa frase é válida, em alguns momentos da vida ("-porque sim não é resposta, mocinha!"). O resultado era que eu me lembrava da minha história. O nome dos participantes... talvez... sei lá...
E, numa tarde dessas, no meio do caminho, eu falei algo para a Mel que, só naquela hora, eu percebi que era verdade: não foi só o Fer que morreu. Eu morri também. Pelo menos, uma parte de mim...

Tinham coisas minhas que SÓ ELE sabia. Assim como tinham as dele...
Tinham vontades minhas que SÓ ELE entendia. Assim como tinham as dele...
Tinham histórias minhas que SÓ ELE tinha passado junto...
Tinham bobagens que eu fiz que SÓ ELE tinha presenciado...
Tinham acertos, também, que SÓ ELE tinha visto...
Tinham neuras que SÓ ELE tinha escutado...
Tinham defeitos que SÓ ELE conhecia...
Então, é isso. Quando alguém te fala, num altar, que os dois vão ser um, creia! Pode até ser que vocês façam coisas separadas, tenham interesses divergentes, frequentes lugares diferentes, de vez em quando. Essa frase não quer dizer que você será grudada na outra pessoa. Só quer dizer que, agora, a HISTÓRIA de vocês vai ser escrita assim: em conjunto. Que alguém vai te conhecer (ou, pelo menos, deveria) tanto que você vai ser capaz de se comunicar com o olhar. Que vocês vão virar uma equipe: e ela não é feita de atletas todos iguais, mas complementares, que vão se conhecer ao máximo para que essa equipe seja a melhor possível (desculpe-me, benzinho... sei que você não gostava muito quando eu falava que éramos um time... mas, agora, eu penso mais ainda assim! E viva o nosso time!). Que aquela conversa supostamente banal do tipo "como foi o seu dia" vai, aos pouquinhos, escrever a história de vocês.

Assim, quando alguém que faz parte de você desse jeito morre, ele não morre sozinho. Você morre junto. Pelo menos, uma parte de você....
Miss you so much...
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O que eu faço com os planos que eu sonhei?... (Diário da Mirys)
Uma vez, o Fer escreveu uma música que dizia assim: "você fez muitos planos pra nós dois" - e era verdade. Eu tinha feito, mesmo! "Tinha", só naquela época, não! Fiz MUITOS planos para nós (2, 3 ou 4) mesmo e, às vezes, quando estou um pouquinho distraída, ainda faço... Nem que seja só por um segundinho, até voltar pra realidade...

Ainda hoje, eu estava a mil por hora, terminando um relatório. Terminei! Ufa! Mas ainda tinha outros 2 para começar. Então, resolvi me dar uns minutinhos e dar uma olhadinha na UOL. Assim... como quem não quer nada... só fui lendo os tópicos das chamadas... pra distrair. E, de repente, vi uma foto de um mergulho com legenda da "Ilha Maurício". Pensei, assim sem raciocinar, "poxa, será que o Fer não gostaria de ir?". Daí, raciocinei...
E, como um filminho rápido, por mais que eu não quisesse, me vieram à memória as imagens de nós dois, na lua de mel, em Fernando de Noronha (meu 1o e único lugar de mergulho, até hoje). Lembrei que adoramos! Lembrei que as cores eram impressionantes! Lembrei que tinha um tubarão dormindo lá embaixo (que eu não vi, ufa!), que todo mundo só falava dele. Lembrei do barco... lembrei do Fer...

Lembrei, por fim, de váááários outros planos que fizemos do tipo "vamos mergulhar de novo, um dia?" e que nunca mais poderei realizar. Não com ele... O que devo fazer então? Ir sozinha?
Foi difícil começar o outro relatório...

Ainda hoje, eu estava a mil por hora, terminando um relatório. Terminei! Ufa! Mas ainda tinha outros 2 para começar. Então, resolvi me dar uns minutinhos e dar uma olhadinha na UOL. Assim... como quem não quer nada... só fui lendo os tópicos das chamadas... pra distrair. E, de repente, vi uma foto de um mergulho com legenda da "Ilha Maurício". Pensei, assim sem raciocinar, "poxa, será que o Fer não gostaria de ir?". Daí, raciocinei...
E, como um filminho rápido, por mais que eu não quisesse, me vieram à memória as imagens de nós dois, na lua de mel, em Fernando de Noronha (meu 1o e único lugar de mergulho, até hoje). Lembrei que adoramos! Lembrei que as cores eram impressionantes! Lembrei que tinha um tubarão dormindo lá embaixo (que eu não vi, ufa!), que todo mundo só falava dele. Lembrei do barco... lembrei do Fer...

Lembrei, por fim, de váááários outros planos que fizemos do tipo "vamos mergulhar de novo, um dia?" e que nunca mais poderei realizar. Não com ele... O que devo fazer então? Ir sozinha?
Foi difícil começar o outro relatório...
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
4 meses depois: as coisas dele... (Diário da Mirys)
4 meses se passaram... 4 meses... ainda parece que foi ontem... ainda parece que não aconteceu...
Mas aconteceu e eu preciso organizar algumas coisas na minha (nossa) vida. Dentre elas, desmontar o guarda-roupas dele. Ai meus sais... alguém me faz dormir por uns anos e só acordar em 2020?...
Não dá pra reclamar: tive quatro meses. 120 dias para colocar a cabeça em ordem, pensar direitinho, separar as coisas com cuidado, ME organizar pra essa tarefa. Até comentei com o meu pai, há um tempinho: "-preciso desocupar a casa...". E ele, brincalhão como sempre, me provocou: "-por que? O proprietário está te pedindo, por acaso?" (o proprietário, no caso, é ele. E a minha mãe.) "-esquenta não, filhota. Quando der, você tira..."
E eu adiando...
Na verdade, sabia direitinho porque estava adiando: não queria ninguém comigo nessa hora e tenho a sensação de que, em Jaú, nunca consigo ficar sozinha (de verdade, assim, fisicamente). Se falo que vou buscar pão, alguém vai junto. Vou no cinema, alguém oferece companhia. Vou na casa de uma amiga (não vou, mas queria sair), alguém se prontifica a dirigir pra mim... Por um lado, adoro essa rede de apoio INCRÍVEL que tenho. Por outro lado, queria respirar... sozinha... e não tem como dizer isso para os outros sem chatear ninguém... (por isso, levei uns meses para escrever esse texto, como se fosse no dia exato).
Eu não sabia o que ia acontecer comigo na casa. Talvez chorasse. Talvez não. Talvez tivesse a pior crise de choro da minha vida. Talvez, como muitas vezes fiz com o Fer (e ele odiava!), ficasse muito nervosa e... risse! E em nenhuma dessas hipóteses eu queria alguém de testemunha...
Então, no dia 23 de maio, um domingo, fui para a escola dominical na igreja, dei um jeitinho de mandar as crianças para casa com os meus pais (eu ia pra casa dele, mesmo!), peguei a chave da minha ex-casa (que já tinha "roubado" das coisas da minha mãe, na noite anterior) e... fui pra lá.
Tinha voltado praquela casa três vezes, antes dessa. Na 1a, fui eu e a "torcida do são paulo" (na minha família, só pode ser do são paulo!!!) pegar umas coisas minhas. Para abrir a porta do MEU guarda-roupas, tive que fechar um pouquinho a porta do quarto. Sentei no chão e chorei...: atrás da porta, estava a roupa que ele estava usando naquele sábado, quando decidiu ir pra Bauru e nunca mais voltou. Era uma roupa caseira, daquelas beeeem confortáveis. A roupa ficou lá. Esperando ser vestida de novo. E eu chorei pelo primeiro plano que percebi ter ficado incompleto na nossa vida!... Fiquei imaginando ele tirando aquelas peças, colocando outras mais "de sair", pensando (certamente!!!!!) que queria voltar rápido para vestir as confortáveis e ficar em casa, lagarteando, de novo... Ele adora ficar em casa...
Na 2a vez, fui eu e o Juninho (pobre cunhado! Passou cada uma comigo nos primeiros dias...). Assim, de surpresa. A gente tava na rua, fazendo outras coisas, e eu disse: "-preciso passar lá pegar uma coisa minha". Ele, como bom homem, se "desesperou" ("-não quer ir chamar uma das suas irmãs?", "-você vai ficar legal?"). Eu expliquei pra ele a história das roupas-atrás-da-porta e que já tinha tirado tudo de lá. E ele foi. Só que eu tinha uns livros pra pegar, no escritório. E as coisas do Fer, do estudo da semana anterior, estavam lá: meio abertos, meio fechados, meio com páginas marcadas. Respirei e continuei. Quando olhei para o lado vi uma caixa, enorme, de livros do escritório de advocacia da avó dele, que ele tinha ido ajudar a desmontar naqueles últimos dias. Tinha trazido a caixa pra casa, pra doar para a faculdade e ficar com outros. Surtei! Não ia ficar com mais aquela "pendência". Catei uma caixa (pesadérrima) e fui em direção à porta. Meu pobre cunhado pegou a outra (mais pesadérrima) e me seguiu, quarteirão abaixo, até chegarmos à faculdade de direito. Fui na secretaria, fui mega educada com todos (distribuindo bom-dias e sorrisos, à exaustão, que era para não pensar), deixei as caixas no chão, expliquei calmamente o que eram, pedi se eles poderiam selecionar (que eu não tinha tido tempo pra isso), sorri, agradeci e fui embora. Chorei na casa da minha mãe, longe do Juninho (não ia jogar mais essa pra cima dele, não é?).
A 3a ida à minha ex-casa foi a mais tranquila. Entrei, abri duas malas vazias no chão dos quartos, peguei as roupas das crianças e as minhas, fechei as malas e saí. Simples assim. Sem nem respirar!
Mas, eu sabia que aquela 4a vez ia ser a mais cheia de lembranças de todas. Fui pra lá "fujida", desliguei todos os celulares (o meu e os outros que tinham deixado comigo, de 1000 operadoras diferentes, que era para todo mundo poder me achar, se eu precisasse...), abri a porta do guarda-roupas dele e fiquei lá. Cheirei as roupas. Elas tinham cheiro de guardadas (obrigada, mais uma vez, querido Deus!). Olhei as gravatas. A roupa do nosso casamento ali pendurada (tão estreitinha... ele era tão magrinho, 11 anos atrás... e a gente vivia brincando que o casamento tinha dado um up grade nele!). Os sapatos na cômoda. Gavetas e caixas de coisas íntimas. Dele. Só dele. Daí, eu mesma entendi melhor porque queria ir sozinha: por respeito a ele, também! Se eu morresse, não ia querer minha mãe, sogra, amiga, amigo, tendo que mexer nas minhas coisas, ver o que era o quê pra poder separar o que ficava e o que não, meus pequenos segredos tão expostos assim. Se eu uso creme para celulite, apesar de todo mundo achar um disparate enorme, o problema é só meu. E do meu cônjuge (que saberia disso). E só. E, nesse caso, eu era o cônjuge. Tinha que cuidar dele...
Encontrei coisas que me trouxeram lembranças...
Encontrei coisas que nem me lembrava de termos guardado...
Encontrei coisas que nem sabia que existiam...
Encontrei coisas que ele tinha preparado para nós e não deu tempo de me mostrar (só de me avisar pela internet, numa daquelas noites em que eu estava no hotel, em outra cidade, por causa do trabalho)...
E encontrei tudo sozinha! Foi muito melhor assim...
Ninguém me julgou. Nem a ele. Seus pequenos segredos morreram comigo e os meus com ele. Conforme o combinado.
Coloquei tudo na mala (enorme), fechei, tive uma dificuldade imensa de levar para o carro, coloquei no porta-malas. Fui pra casa da minha mãe. Almocei. Fui pra Ituverava, à noite. Coloquei as crianças na cama. Só quando fui descarregar o carro é que percebi que "ele", de alguma forma, tinha vindo conosco. Que meu marido, agora, se resumia a uma mala de recordações. E só. Não me sobrou mais nada.
E eu sentei e chorei por horas, naquela madrugada...
Mas aconteceu e eu preciso organizar algumas coisas na minha (nossa) vida. Dentre elas, desmontar o guarda-roupas dele. Ai meus sais... alguém me faz dormir por uns anos e só acordar em 2020?...
Não dá pra reclamar: tive quatro meses. 120 dias para colocar a cabeça em ordem, pensar direitinho, separar as coisas com cuidado, ME organizar pra essa tarefa. Até comentei com o meu pai, há um tempinho: "-preciso desocupar a casa...". E ele, brincalhão como sempre, me provocou: "-por que? O proprietário está te pedindo, por acaso?" (o proprietário, no caso, é ele. E a minha mãe.) "-esquenta não, filhota. Quando der, você tira..."
E eu adiando...
Na verdade, sabia direitinho porque estava adiando: não queria ninguém comigo nessa hora e tenho a sensação de que, em Jaú, nunca consigo ficar sozinha (de verdade, assim, fisicamente). Se falo que vou buscar pão, alguém vai junto. Vou no cinema, alguém oferece companhia. Vou na casa de uma amiga (não vou, mas queria sair), alguém se prontifica a dirigir pra mim... Por um lado, adoro essa rede de apoio INCRÍVEL que tenho. Por outro lado, queria respirar... sozinha... e não tem como dizer isso para os outros sem chatear ninguém... (por isso, levei uns meses para escrever esse texto, como se fosse no dia exato).
Eu não sabia o que ia acontecer comigo na casa. Talvez chorasse. Talvez não. Talvez tivesse a pior crise de choro da minha vida. Talvez, como muitas vezes fiz com o Fer (e ele odiava!), ficasse muito nervosa e... risse! E em nenhuma dessas hipóteses eu queria alguém de testemunha...
Então, no dia 23 de maio, um domingo, fui para a escola dominical na igreja, dei um jeitinho de mandar as crianças para casa com os meus pais (eu ia pra casa dele, mesmo!), peguei a chave da minha ex-casa (que já tinha "roubado" das coisas da minha mãe, na noite anterior) e... fui pra lá.
Tinha voltado praquela casa três vezes, antes dessa. Na 1a, fui eu e a "torcida do são paulo" (na minha família, só pode ser do são paulo!!!) pegar umas coisas minhas. Para abrir a porta do MEU guarda-roupas, tive que fechar um pouquinho a porta do quarto. Sentei no chão e chorei...: atrás da porta, estava a roupa que ele estava usando naquele sábado, quando decidiu ir pra Bauru e nunca mais voltou. Era uma roupa caseira, daquelas beeeem confortáveis. A roupa ficou lá. Esperando ser vestida de novo. E eu chorei pelo primeiro plano que percebi ter ficado incompleto na nossa vida!... Fiquei imaginando ele tirando aquelas peças, colocando outras mais "de sair", pensando (certamente!!!!!) que queria voltar rápido para vestir as confortáveis e ficar em casa, lagarteando, de novo... Ele adora ficar em casa...
Na 2a vez, fui eu e o Juninho (pobre cunhado! Passou cada uma comigo nos primeiros dias...). Assim, de surpresa. A gente tava na rua, fazendo outras coisas, e eu disse: "-preciso passar lá pegar uma coisa minha". Ele, como bom homem, se "desesperou" ("-não quer ir chamar uma das suas irmãs?", "-você vai ficar legal?"). Eu expliquei pra ele a história das roupas-atrás-da-porta e que já tinha tirado tudo de lá. E ele foi. Só que eu tinha uns livros pra pegar, no escritório. E as coisas do Fer, do estudo da semana anterior, estavam lá: meio abertos, meio fechados, meio com páginas marcadas. Respirei e continuei. Quando olhei para o lado vi uma caixa, enorme, de livros do escritório de advocacia da avó dele, que ele tinha ido ajudar a desmontar naqueles últimos dias. Tinha trazido a caixa pra casa, pra doar para a faculdade e ficar com outros. Surtei! Não ia ficar com mais aquela "pendência". Catei uma caixa (pesadérrima) e fui em direção à porta. Meu pobre cunhado pegou a outra (mais pesadérrima) e me seguiu, quarteirão abaixo, até chegarmos à faculdade de direito. Fui na secretaria, fui mega educada com todos (distribuindo bom-dias e sorrisos, à exaustão, que era para não pensar), deixei as caixas no chão, expliquei calmamente o que eram, pedi se eles poderiam selecionar (que eu não tinha tido tempo pra isso), sorri, agradeci e fui embora. Chorei na casa da minha mãe, longe do Juninho (não ia jogar mais essa pra cima dele, não é?).
A 3a ida à minha ex-casa foi a mais tranquila. Entrei, abri duas malas vazias no chão dos quartos, peguei as roupas das crianças e as minhas, fechei as malas e saí. Simples assim. Sem nem respirar!
Mas, eu sabia que aquela 4a vez ia ser a mais cheia de lembranças de todas. Fui pra lá "fujida", desliguei todos os celulares (o meu e os outros que tinham deixado comigo, de 1000 operadoras diferentes, que era para todo mundo poder me achar, se eu precisasse...), abri a porta do guarda-roupas dele e fiquei lá. Cheirei as roupas. Elas tinham cheiro de guardadas (obrigada, mais uma vez, querido Deus!). Olhei as gravatas. A roupa do nosso casamento ali pendurada (tão estreitinha... ele era tão magrinho, 11 anos atrás... e a gente vivia brincando que o casamento tinha dado um up grade nele!). Os sapatos na cômoda. Gavetas e caixas de coisas íntimas. Dele. Só dele. Daí, eu mesma entendi melhor porque queria ir sozinha: por respeito a ele, também! Se eu morresse, não ia querer minha mãe, sogra, amiga, amigo, tendo que mexer nas minhas coisas, ver o que era o quê pra poder separar o que ficava e o que não, meus pequenos segredos tão expostos assim. Se eu uso creme para celulite, apesar de todo mundo achar um disparate enorme, o problema é só meu. E do meu cônjuge (que saberia disso). E só. E, nesse caso, eu era o cônjuge. Tinha que cuidar dele...
Encontrei coisas que me trouxeram lembranças...
Encontrei coisas que nem me lembrava de termos guardado...
Encontrei coisas que nem sabia que existiam...
Encontrei coisas que ele tinha preparado para nós e não deu tempo de me mostrar (só de me avisar pela internet, numa daquelas noites em que eu estava no hotel, em outra cidade, por causa do trabalho)...
E encontrei tudo sozinha! Foi muito melhor assim...
Ninguém me julgou. Nem a ele. Seus pequenos segredos morreram comigo e os meus com ele. Conforme o combinado.
Coloquei tudo na mala (enorme), fechei, tive uma dificuldade imensa de levar para o carro, coloquei no porta-malas. Fui pra casa da minha mãe. Almocei. Fui pra Ituverava, à noite. Coloquei as crianças na cama. Só quando fui descarregar o carro é que percebi que "ele", de alguma forma, tinha vindo conosco. Que meu marido, agora, se resumia a uma mala de recordações. E só. Não me sobrou mais nada.
E eu sentei e chorei por horas, naquela madrugada...
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quarta-feira, 4 de agosto de 2004
Minha 1a "abandonada" de filho (Diário da Mirys)
Olá pessoas!!!
Tudo bem? Desta vez, não deu para esperar o domingo para escrever o "resumo da semana" para vocês porque já aconteceram tantas coisas importantes para pais de primeira viagem ... e eu tive que escrever antes (quase escrevi ontem, à noite, mesmo. Na verdade, hoje de madrugada!).
Na segunda, eu tive que ir ao médico, no meio da tarde, para uma consulta de rotina. Tudo bem que a consulta (retorno) era rapidinha - duraria 1/2 hora, no máximo - mas, como eu moro em São Paulo, tudo dura muuuuuiiiiitoooo mais do que deveria.
Pois bem, amamentei o filhote, antes de sair, para garantir que o Fê ficaria tranquilo, nas próximas duas horas. Mesmo assim, retirei um pouquinho de leite e deixei na geladeira, para uma emergência (certa de que jogaria o leite fora, quando voltasse). Peguei um ônibus, o metrô, andei 2 quadras, esperei, fui consultada, andei 2 quadras, peguei o metrô, um ônibus e voltei... em 3 e 1/2 hs!!!!! Mesmo assim, estava tranquila porque o Gui costuma dormir de 4 a 6hs. Quando entrei em casa, parecia que um terremoto tinha passado por aqui!!!!!
Logo que saí, o Guilherme chorou e o Fê achou que ele estava com fome (ele SEMPRE acha isso!!! Não existem cocôs, sustinhos, vontade de ser pego no colo, no "dicionário de bebês" dele...).
Foi para a cozinha, esquentou água numa panela para esterelizar algumas colheres (ele só iria usar uma para dar o leite, mas esterelizou várias, "just in case"....), esquentou água em outra panela para aquecer a mamadeira (onde estava o leite), e tinham mais duas panelas no fogão, com água, que eu não sei para que serviram. Isso é só para vocês terem uma idéia do sufoco que ele passou!!! Imaginem o resto da casa (eu só contei do fogão...). No final, acho que foi uma ótima oportunidade para os dois se virarem sozinhos! Vai que eu precise sair...
Na terça, o Fê foi para Jaú para ajudar a Jú com uns processos e a tia Baby veio ficar conosco. Como ela só chegou no fim do dia e eu tinha dentista, não tive dúvidas: levei o Gui junto. E vocês sabem que ele se comportou SUPER bem???? As enfermeiras ficaram loucas por ele e ele ficou "conversando" com todas elas.
"- Aproveita, viu filho?! Daqui a pouco, você vai querer muito ter várias mulheres concentradas em você, mas não vai conseguir..."
Eu fiquei orgulhosa do pequeno: eu, na cadeira, sendo "torturada" e ele, no carrinho, olhando para o teto, para as auxiliares, para o dentista, falando " - a... e... a...", super comportado!!!!
Bjos e sauda
Miry`s (e Fê e Beibo Gui)
Tudo bem? Desta vez, não deu para esperar o domingo para escrever o "resumo da semana" para vocês porque já aconteceram tantas coisas importantes para pais de primeira viagem ... e eu tive que escrever antes (quase escrevi ontem, à noite, mesmo. Na verdade, hoje de madrugada!).
Na segunda, eu tive que ir ao médico, no meio da tarde, para uma consulta de rotina. Tudo bem que a consulta (retorno) era rapidinha - duraria 1/2 hora, no máximo - mas, como eu moro em São Paulo, tudo dura muuuuuiiiiitoooo mais do que deveria.
Pois bem, amamentei o filhote, antes de sair, para garantir que o Fê ficaria tranquilo, nas próximas duas horas. Mesmo assim, retirei um pouquinho de leite e deixei na geladeira, para uma emergência (certa de que jogaria o leite fora, quando voltasse). Peguei um ônibus, o metrô, andei 2 quadras, esperei, fui consultada, andei 2 quadras, peguei o metrô, um ônibus e voltei... em 3 e 1/2 hs!!!!! Mesmo assim, estava tranquila porque o Gui costuma dormir de 4 a 6hs. Quando entrei em casa, parecia que um terremoto tinha passado por aqui!!!!!
Logo que saí, o Guilherme chorou e o Fê achou que ele estava com fome (ele SEMPRE acha isso!!! Não existem cocôs, sustinhos, vontade de ser pego no colo, no "dicionário de bebês" dele...).
Foi para a cozinha, esquentou água numa panela para esterelizar algumas colheres (ele só iria usar uma para dar o leite, mas esterelizou várias, "just in case"....), esquentou água em outra panela para aquecer a mamadeira (onde estava o leite), e tinham mais duas panelas no fogão, com água, que eu não sei para que serviram. Isso é só para vocês terem uma idéia do sufoco que ele passou!!! Imaginem o resto da casa (eu só contei do fogão...). No final, acho que foi uma ótima oportunidade para os dois se virarem sozinhos! Vai que eu precise sair...
Na terça, o Fê foi para Jaú para ajudar a Jú com uns processos e a tia Baby veio ficar conosco. Como ela só chegou no fim do dia e eu tinha dentista, não tive dúvidas: levei o Gui junto. E vocês sabem que ele se comportou SUPER bem???? As enfermeiras ficaram loucas por ele e ele ficou "conversando" com todas elas.
"- Aproveita, viu filho?! Daqui a pouco, você vai querer muito ter várias mulheres concentradas em você, mas não vai conseguir..."
Eu fiquei orgulhosa do pequeno: eu, na cadeira, sendo "torturada" e ele, no carrinho, olhando para o teto, para as auxiliares, para o dentista, falando " - a... e... a...", super comportado!!!!
Bjos e sauda
Miry`s (e Fê e Beibo Gui)
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