Essa série de post bem poderia se chamar “enquanto isso”, porque essas coisas foram acontecendo, na vida de outra pessoa, enquanto eu estava na fase “interlúdio”. Mas, não ficaria condizente com o final da história.... Por isso, ela vai nomeada de Hora H. Porque foi a MINHA hora. Aquela importante. E porque “H” é uma letra cheia de significado pra mim. Vocês vão entender....
Em julho do ano passado, quando já tinha se passado mais de um ano e meio do acidente que tinha me deixado viúva, eu resolvi voltar a ser e viver a Miriane. Deixar de ser só a mãe do Guilherme e da Helena, a filha, nora, irmã, prima, amiga. Eu queria ter vida além da minha família e da minha casa. Minha família (incluída, aqui, a família de coração) tinha sido bárbara comigo, durante todo o período pior do luto, quando eu me vi com duas crianças pequenas pra criar sozinha, com mudanças de emprego, de casa, de cidade, de vida pra fazer. Eles tinham sido BÁRBAROS, em todos os sentidos, com letras garrafais! Mas, por motivos óbvios, eles não iam preencher algumas áreas da minha vida, que eu sentia que precisa tirar da geladeira.
Eu precisava voltar a sair com amigas solteiras, conversar, rir, dançar, olhar pessoas ao meu redor. Eu precisava jogar a plaquinha de “CUIDADO: VIÚVA BRAVA” longe e tentar ser “só” a Mirys. Conhecer novas pessoas. Conhecer novos lugares. Abrir possibilidades. Criar novas lembranças. Mas essa era uma missão beeeeem difícil porque todas as minhas irmãs estavam casadas, nessa altura do campeonato, e a maioria das minhas amigas também tinha mais de 35 anos e também já eram casadas (ou namoravam há séculos). Ou seja, achar gente bonita, elegante, sincera E SOLTEIRA pra me fazer companhia, num sábado, à noite, era uma missão quase impossível!
E, numa noite qualquer, eu entrei no facebook (que eu nunca usava) e decidi atualizar a página do blog. Eu estava tentando usar meu tempo livre (ou seja, TODAS as noites da semana) com algo mais meu. Depois de escrever várias coisas no Diário e de postá-las no face, eu desconectei e reconectei. Na MINHA página. Fiquei uns 5 minutos e já ia sair, quando abriu aquela famosa janelinha na parte debaixo da tela do meu computador: “oi Mirys! Tudo bem? Há quanto tempo?”
Pois é... era muito tempo mesmo!!!
Conversamos um pouquinho naquele papo de “e aí, como vai a vida?”. Nada de importante. Nada de especial. Mas foi uma delícia conversar com ele porque, na verdade, a gente nunca tinha con-ver-sa-do antes. A gente se conhecia desde criança (eu com uns 2 anos, ele com uns 5) porque fazíamos parte da mesma igreja, as famílias eram amigas, coisa e tal. Mas uma diferença de quase quatro anos de idade, quando você é criança, adolescente ou está no começo da juventude é uma ENORME DIFERENÇA. Os assuntos são outros, os interesses são diversos, as conversas são diferentes. E a gente não se gostava, nem se desgostava. A gente, simplesmente, não tinha muito contato. Sabíamos tudo quer era importante da vida um do outro, por frequentarmos os mesmos lugares. Mas nunca tínhamos batido um papo assim, bacana, despreocupado, divertido.
Terminamos a conversa, mais de uma hora depois, com o clássico: “a gente se fala”. Mas, a gente não se falou... E o tempo passou.
Cenas do próximo capítulo aqui.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Conversa Difícil... (Diário do Guigo)
Ontem, voltávamos da igreja, à noite, só eu e a mãmi. Quando chegou mensagem no celular dela, eu pedi pra ler (ela estava dirigindo, né galera?!) e ela deixou. E nós começamos a conversar...
Guigo: "Mãmi, é melhor você ter só amigos, mesmo... não é?"
Mãmi: "Por que, filhote? Não seria legal se, um dia, a mamãe tivesse um namorado?"
Guigo: "Não... é melhor só ter amigos, mesmo."
Mãmi: "Mas, Guigo, por que a mãmi não pode ter um namorado, de novo, um dia?" (silêncio) "Não seria legal termos mais alguém pras nossas aventuras?..." (silêncio) "Filhote, eu quero que você sempre converse comigo, tá? Pode me dizer o que você pensa, que a mamãe vai te ouvir."
Guigo: "Mas, mãmi. Você já tem filhotes. Não é o BASTANTE?"
Andamos em silêncio, por uns quarteirões. E eu comecei a falar do Nono e de que eu adorava a casa dele, sempre com um monte de gente.
Mãmi: "Então, filhote. O Nono tem uma namorada E tem 10 filhotes! Viu? Não é legal?"
Guigo: "É, mãe. É muito legal."
Mãmi: "Então, Gui. O Nono tem filhotes E namorada. Por que que a mãmi não pode ter as duas coisas, também?"
Guigo: "Porque a namorada do Nono não se enfiou naquele carro que bateu!"
Assunto encerrado, por mais uns quarteirões. A gente nunca tinha conversado sobre isso, antes. E já vai fazer 2 anos, daqui uns dias, que somos só nós 3: eu, a mãmi e a Nina. Mas, eu nunca puxei o assunto, antes. Nem a mãmi quis forçar a conversa comigo...
Guigo: "Mãmi, eu preferia que VOCÊ estivesse naquele carro..."
Mãmi: "Que carro, Guigo?"
Guigo: "Naquele carro que bateu."
Mãmi (já pensando, nas sua cabecinha boba feminina, que eu preferia que ela tivesse morrido e o papai tivesse ficado): "Por que, filhote?"
Guigo: "Porque todo mundo sabe que você é 'piloto', mãmi. Você dirige melhor do que o papai. Você não ia ter batido o carro!"
(PS: se você ainda não conhece a nossa história e não entendeu direito esse post, clique nos ícones "início" ou "explicações" aí abaixo, que você vai parar numa página com alguns posts que nos explicam...)
Guigo: "Mãmi, é melhor você ter só amigos, mesmo... não é?"
Mãmi: "Por que, filhote? Não seria legal se, um dia, a mamãe tivesse um namorado?"
Guigo: "Não... é melhor só ter amigos, mesmo."
Mãmi: "Mas, Guigo, por que a mãmi não pode ter um namorado, de novo, um dia?" (silêncio) "Não seria legal termos mais alguém pras nossas aventuras?..." (silêncio) "Filhote, eu quero que você sempre converse comigo, tá? Pode me dizer o que você pensa, que a mamãe vai te ouvir."
Guigo: "Mas, mãmi. Você já tem filhotes. Não é o BASTANTE?"
Andamos em silêncio, por uns quarteirões. E eu comecei a falar do Nono e de que eu adorava a casa dele, sempre com um monte de gente.
Mãmi: "Então, filhote. O Nono tem uma namorada E tem 10 filhotes! Viu? Não é legal?"
Guigo: "É, mãe. É muito legal."
Mãmi: "Então, Gui. O Nono tem filhotes E namorada. Por que que a mãmi não pode ter as duas coisas, também?"
Guigo: "Porque a namorada do Nono não se enfiou naquele carro que bateu!"
Assunto encerrado, por mais uns quarteirões. A gente nunca tinha conversado sobre isso, antes. E já vai fazer 2 anos, daqui uns dias, que somos só nós 3: eu, a mãmi e a Nina. Mas, eu nunca puxei o assunto, antes. Nem a mãmi quis forçar a conversa comigo...
Guigo: "Mãmi, eu preferia que VOCÊ estivesse naquele carro..."
Mãmi: "Que carro, Guigo?"
Guigo: "Naquele carro que bateu."
Mãmi (já pensando, nas sua cabecinha boba feminina, que eu preferia que ela tivesse morrido e o papai tivesse ficado): "Por que, filhote?"
Guigo: "Porque todo mundo sabe que você é 'piloto', mãmi. Você dirige melhor do que o papai. Você não ia ter batido o carro!"
(PS: se você ainda não conhece a nossa história e não entendeu direito esse post, clique nos ícones "início" ou "explicações" aí abaixo, que você vai parar numa página com alguns posts que nos explicam...)
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
"Mãmi, eu quero o pápa!" (Diário da Nina)
Oi pessoal!
Estou sumida, né? Mas é que eu estou DE FÉRIAS!!!! E estou adorando esta ideia!!!
Então, passo por aqui só para contar para vocês a nova "fase" do Guigo. O tempo inteiro (pelo menos uma vez por dia, na última semana), ele começou a proferir uma frase que só tinha falado uma vez para a mãmi, nesse quase um ano.
Já adivinharam, não é? A frase é "mãmi, eu quero o pápa!".
Sem choro. Sem cara triste. Sem drama.
Só uma constatação. Mas, algo beeeeem constante.
Daí, que a mãmi não tem o que responder e a conversa fica assim:
"-mãmi, eu quero o pápa!"
"-ôh, filhote... eu também quero. Mas não tem nada que a mãmi possa fazer..."
E eles dois já repetiram tanto essas frases nos últimos dias, que, agora, a conversa já mudou. O Guigo fala:
"-mãmi, eu quero o pápa!" e olha para ela com carinha de cachorro abandonado... e ele mesmo já completa: "-você também quer, né mãmi? Mas, não tem nada que você possa fazer..."
E voltamos a brincar do jogo da pizza (o jogo predileto - até agora - que ganhamos no Natal!).
Estou sumida, né? Mas é que eu estou DE FÉRIAS!!!! E estou adorando esta ideia!!!
Então, passo por aqui só para contar para vocês a nova "fase" do Guigo. O tempo inteiro (pelo menos uma vez por dia, na última semana), ele começou a proferir uma frase que só tinha falado uma vez para a mãmi, nesse quase um ano.
Já adivinharam, não é? A frase é "mãmi, eu quero o pápa!".
Sem choro. Sem cara triste. Sem drama.
Só uma constatação. Mas, algo beeeeem constante.
Daí, que a mãmi não tem o que responder e a conversa fica assim:
"-mãmi, eu quero o pápa!"
"-ôh, filhote... eu também quero. Mas não tem nada que a mãmi possa fazer..."
E eles dois já repetiram tanto essas frases nos últimos dias, que, agora, a conversa já mudou. O Guigo fala:
"-mãmi, eu quero o pápa!" e olha para ela com carinha de cachorro abandonado... e ele mesmo já completa: "-você também quer, né mãmi? Mas, não tem nada que você possa fazer..."
E voltamos a brincar do jogo da pizza (o jogo predileto - até agora - que ganhamos no Natal!).
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Curtinhas! (Diário da Mirys)

Depois de vários dias jogando o CD do scene it (um jogo novo do Guigo) e vendo vários DVDs nas sessões cineminhas particulares, vou levar os dois pra escola e puxo conversa:
"- e aí, pessoal? O que fizeram de legal, hoje de manhã?"
"- mãmi, a Helena riscou o CD dela!" alerta o Guigo, indignado
"- como assim, filho?"
"- é mãmi, a Nina riscou o CD dela!"
"- qual CD, filho? O do jogo?"
"- não mãmi, o CD DELA, que fica DENTRO dela! Ela só ficava cantando a mesma música!"
OBS: na minha época, era "riscou o disco"... as coisas mudaram....
_________________________________________________________________________________

Hoje, na hora do almoço, falo apressada:
"- não posso esquecer de pegar meu número de PIS e passar para o Fá..."
"- o que é número de PIS, mamãe?", questiona a Nina
"- é um número que todo mundo que é grande e trabalha, tem. A mãmi tem, a tia Camila tem (nossa ajudante), não é tia Camila?"
"- é Helena."
Ela pensa, pensa... e vem com um exemplo:
"- tipo assim, que nem um e-mail, mamãe?"
"- não filha..."
"- ah! Já sei! Que nem um chip, então?"
Será que é isso??? O número de PIS é um chip que colocam na gente pra nos controlar??? Como não percebi isso antes???
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sábado, 11 de setembro de 2010
Conversinha particular (Diário do Guigo)

Nesse final de semana, resolvemos ir para Jaú só no sábado, de manhã.
A mãmi estava super cansada, a gente queria fazer alguma coisa por aqui, tinhamos 1.000.000 de coisas para separar para levar para Jaú para 500 pessoas diferentes... precisávamos de tempo! E ele anda tããão escasso...
Aproveitamos para sair para jantar com a tia Dani e a tia Elaine (duas novíssimas tias da nossa coleção, que já entraram para a seleção de "queridas" da Helena!), numa casa de crepes e açai (tuuuudo a ver... mas MUITO BOA!).
No sábado, mãmi e eu acordamos, enquanto a Nina estava lá, dorminhoca. Então, eu pedi para tomar um banho e convidei a mãmi para ir junto. Ela foi, toda feliz! Já estava mesmo querendo conversar comigo e achou que podia ser uma boa hora...
Mães são bichinhos complicados... nem sempre são óbvias! Elas desistem do que escolheram (por nós), falam que não querem mais aquele último pedaço delicioso de torta que elas estavam deixando pro final, fazem voltinhas para conversar com a gente "para não magoar"... enfim, são mães! Pensam na gente, primeiro. Depois, se der, pensam nelas!
Lá no finalzinho do banho, ela me perguntou:
"-filhote, e aí, como você está? Tudo bem?"
"-em que sentido, mãmi?" (ela quase surtou, no bom sentido, com a minha pergunta de adulto!)
"-em todos, filhote. Na escola, tudo bem?"
"-tudo bem, sim. Mas o fulano não gosta de mim. Ele não quer ser meu amigo. Ele disse."
"-filhote, eu acho que não... ele falou pro seu primo (que faz futebol com ele) que gosta de você, lembra? Que você é o melhor amigo dele na escola..."
"-é verdade, mãmi. Tinha esquecido."
"-e de resto, filho?..." (ela queria, na verdade, perguntar sobre o papa, porque a Helena é um livro aberto, mas eu sou... tímido! Ou introvertido. Ou qualquer outra coisa que signifique que não fico falando muito sobre mim).
"-tudo bem, mãmi."
"-e com o papa, filho? Tudo bem?"
"-tudo mãmi. Eu tenho saudade dele, mas falo com ele na oração, lembra?"
"-verdade, filhote."
"-então, mãmi, do que a gente pode brincar, agora?"
E terminamos assim....
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