Nos dias seguintes àquele pedido de namoro escrito, o H me mandou um milhão de torpedos por dia. Exagero? Talvez... acho que, na verdade, eram só uns 200 por dia. Sério!!! A gente se falava o tempo todo, sobre tudo. E isso já acontecia há um tempinho, mas quando nós éramos “só amigos”.
Só que, agora, o tema da conversa tinha mudado e, vira e mexe, no meio de uma troca de sms, vinha uma mensagem do tipo “não consigo parar de pensar em você”. Meus sais!!!! Eu não estava preparada pra isso, pra alguém tão interessado assim em mim! Era uma delícia e eu já vinha pedindo por isso fazia tempo, mas... o H? O H sempre esteve lá, perto da minha vida, eu perto da dele, e eu nunca (smack, smack – beijo nos meus dedos, pra mostrar que é promessa prometida) tinha pensado na possibilidade e, agora...o H??????????
A ideia de discutir ao vivo sobre essa hipótese de um “nós” me assustava... A gente já tinha saído cinco vezes juntos. Naquele dia em que ele me passou o antídoto do repelente; no dia da briga da ex namorada do meu não namorado; no dia da proposta das Filipinas; no reveillon em que eu quase fiquei sozinha e mais uma vez em que ele tinha me ligado e dito que precisava muito conversar comigo. Fazia poucos dias. Eu, que achava ser só amiga dele, fui. Conversamos a noite toda, foi delicioso, mas a tal “conversa” que ele precisava ter comigo não aconteceu. HOJE, eu sei que não (porque hoje eu sei que ele queria me dizer o que estava sentindo). Mas, na noite, eu achei que ele só queria conversar amenidades, mesmo. Nem o abraço beeeeeeeeem demorado que eu ganhei quando fui entrar no meu carro, nem o olhar arrastado que eu recebi depois do beijo (no rosto) de “até breve” me fizeram perceber o óbvio...
Eu sei que eu tinha orado e pedido para me interessar só por quem tivesse alguma perspectiva de “ficar na minha vida”. Não queria ninguém pra amanhã, nem na próxima semana, que eu não era tão irracional ou ingênua assim. Só não queria investir meu tempo e emoções em alguém que não fosse pra ser... entendem? É claro que o ex me mandava mensagens, também... é claro que o moço da pausa também escrevia, diariamente... mas o H me “bombardeava” com torpedos e não tinha COMO não pensar nele!!! Pro ex, eu nunca respondia. Com o moço “não namorado” eu falava de amenidades, tipo o tempo, o trabalho, a programação (separados) do final de semana. Com o H eu falava sobre tudo: trabalho, estudos, vida, filhos, tempo, comidas, viagens, sentimentos, confusões de viúva (ele já conhecia a minha história, lembram?), sonhos, e, de repente, quando eu estava tão entretida conversando com o meu “amigo”, vinha algo do tipo “queria estar perto de você, agora” e uma tempestade se formava na minha cabecinha... O final de semana estava chegando e eu estaria em Jaú + ele estaria em Jaú + ia acabar rolando a tal conversa ao vivo + eu teria que subir no salto, manter o “eye contact” que o H tinha me ensinado a ter... só que com ele!!!!
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, após a surpresa do pedido de namoro?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, e saber que, dai pra frente, eu não poderia mais fugir dos fatos, que até então eram apenas hipóteses absurdas?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sem acreditar no que estava estampado?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, se as coisas começavam a ficar completamente explicitas?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sabendo que agora tudo estava escancarado, pra quem quisesse ver, inclusive pra mim, que ele queria ficar comigo?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H, ciente que eu não teria como escapar mais do assunto?
Como eu poderia manter contato com os olhos do H????????? Como? Como? Como?
Não poderia.... Então, quando o final de semana chegou, eu resolvi fugir!!!
Cenas do próximo capitulo aqui!!!
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Hora H 17 - Namorar? Eu??? (Diário da Mirys)
Eu estava atônita! Aquela frase me colocou em choque... “Aceite namorar comigo.” Mas eu dizia pra todo mundo que não queria namorar, não dizia? Eu repetia e repetia a ideia de que eu ia ‘só sair’ com alguém, que eu não queria relacionamentos, que era a minha fase de ‘curtir’ (já que eu nunca tinha só curtido). De tanto falar, eu já tinha convencido até a mim mesma que não queria alguém pra chamar de “meu”. Eu tinha 37 anos, tinha duas crianças, já tinha casado, já tinha ficado viúva (o que é uma experiência super intensa pra se ter nessa vida)... eu achava que era dona do meu próprio nariz e que se eu nunca mais namorasse / noivasse / casasse – tudo bem! Eu nem queria, mesmo...
OU QUERIA?????????????
Era como se, lá atrás, alguém tivesse dito “Mirys, acabaram todos os chocolates do mundo e você, NUNCA MAIS, vai comer chocolates...” O que você faz com uma notícia dessas? Chora, chora, chora, limpa o rosto, encara o fato e toca a vida pra frente e se convence de que a vida vai ser linda e saborosa, sem aquela guloseima marrom. Daí chega outro alguém, tranquilamente do meu lado, comendo...uma barra de chocolates! Ele vira pra mim e diz: “quer?”. E aí: eu quero???? Eu posso querer de novo??? Será que eu não quis SEMPRE, mas ficava enganando a mim mesma que não queria pra não sofrer (afinal, eu nunca mais teria chocolates, lembram?)???
Eu lia a frase do H e não sabia se ria, chorava, respondia, pedia ajuda aos universitários ou comprava a primeira passagem aérea pra Timbukitu e sumia do mapa... Ai, que dúvida!
Como assim, ele queria namorar comigo? Na-mo-rar!!! Fazia tempo que eu não jogava esse jogo, mas eu sabia que, desde os anos 90, ninguém mais pedia pra “namorar” outra pessoa assim, de graça, sem nunca ter nem dado um beijo... BEIJO!!! Pra namorar o H, eu teria que beijar o H!!! Aquele H da minha adolescência!!! Aquele H que conhecia meus pais, minha vida, minha história!!! Acho que eu entrei em curto...
“H., como assim? Como você quer me NAMORAR, se nunca saiu comigo? Você nem me conhece direito...”
“Mas não é pra isso que servem os namoros, pra conhecer melhor a pessoa?”
“Mas H... você nunca me beijou! Nem sabe se vai gostar...”
“O problema é o beijo? Tenho certeza que vou adorar!”
“H, não tem cabimento isso. Você não é criança. Tem 40! Eu tenho 37! Ninguém pede alguém em namoro, nessa altura da vida, sem ter saído antes...”
Ele insistia que queria namorar comigo e eu insistia que ele não devia querer. Ele não podia querer... Era muita coisa pra ser verdade! Ele devia estar enganado... só podia estar!
“H, isso não se faz assim, por torpedo. Ninguém pede pra namorar alguém, por torpedo, sem ter tido nada...”
“Mirys, você estava vendo alguém, antes, e eu não podia pedir pra você sair comigo e te pedir em namoro ao vivo. Mas, agora você está sozinha. E se esse é o problema...quando eu posso ir praí?” (lembrem-se de que eu moro em outra cidade. Perto de Jaú, mas outra cidade).
“H., para de brincadeira...”
“Mirys, não é brincadeira. Você quer que eu te peça em namoro ao vivo, eu peço. Quando posso te ver?”
Trocamos sei lá quantos torpedos naquela noite e eu (da velha guarda) disse que tinha que “pensar no assunto”... Era meio da semana e eu sabia que, na sexta, estaria em Jaú. O QUE FAZER???
Cenas do próximo capítulo aqui.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Hora H 16 - Do jeito que você quiser começar, continuar e concluir (Diário da Mirys)
Claro que eu não li as catoooooorze mensagens do H, antes de responder! Era muita coisa e eu fiquei preocupada. E se tivesse acontecido algo? Pois, tudo bem... nós éramos amigos... nós trocávamos mensagens... nós conversávamos sobre a vida... mas CATORZE? Tinha que ter acontecido algo, tipo assim, maior! Então, eu li uma, duas, três e resolvi mandar um torpedo perguntando se estava tudo bem (explicando que eu não tinha respondido durante a noite porque tinha cochilado, enquanto colocava a Nina pra dormir). E continuei lendo, enquanto esperava a resposta dele.
A última mensagem das 14 que ele tinha me mandado, naquela madrugada, falava assim: “eu realmente devo ter perdido completamente a noção de tudo! Espero que você só veja esta mensagem de manhã, pois já passam das 4am! É que eu, como que por insanidade, queria saber se e somente eu que não consigo parar de pensar em você! Damn!”
MEUS SAIS!!!!
Eu lia o que eu lia???
Na dúvida, eu relia. Relia, relia, relia. Pra tentar me convencer de que eu, realmente, lia o que estava escrito pra mim. E quando eu estava quase me convencendo, chegou a resposta dele...
Obviamente envergonhado por ter me mandado tantas mensagens num horário em que pessoas com trabalhos normais estariam dormindo (ele é piloto de aviões e não tem horários normais pra nada = dormir, trabalhar, almoçar...). Envergonhado por ter escrito certas coisas, que ele nunca tinha me falado antes. Talvez com receio porque eu não tinha dado uma resposta imediata e positiva pra ele... então, ele deu um passo atrás.
Disse que estava tudo bem com ele, sim. Que ele só tinha saído com alguns amigos, tinha lembrado de mim, quis conversar, não estava com sono à noite e resolveu tentar contato comigo. Pediu desculpas por ter mandado tantos torpedos e... só.
PUTZ! E agora? Eu fingia que nada tinha acontecido e continuava amiga? Eu ligava e conversava? Eu encarava que ele estava querendo ficar comigo e passava a trata-lo como uma possibilidade? Mas... ELE ERA O H!!! Eu o conhecia, eu conhecia a família dele, eu conhecia os amigos dele, eu conhecia os filhos dele, eu considerava o cara inatingível, eu não conseguia assimilar que ELE queria sair comigo! Um monte de gente já tinha me alertado sobre isso, nos últimos meses (até minha prima e minha cunhada), mas eu nunca tinha visto nada de “suspeito” na nossa amizade... e, de repente, bum! E eu fiquei pensando desde quando... como... por que...
E reli os dois últimos torpedos. E tive que escolher: aceito e encaro de frente que ele está interessado OOOOOUUUUU fico com a segunda mensagem de que era só um amigo mantendo contato. Qual??? Qual??? Qual???
Na dúvida, não fiz nada! Típico...
Não respondi, não procurei, não telefonei, não fiz nem um sinalzinho de fumaça. Na-di-ca! Sabe criança quando quebra o vaso preferido da mãe, junta tudo num cantinho e coloca um brinquedo em cima pra disfarçar, esperando que ninguém veja? Pois é... sou eu! Coloquei o celular de lado, me ajeitei na cadeira e comecei a trabalhar. Compulsivamente! E toda vez que o abençoado tocava, eu pulava! Vocês podem imaginar o quanto a minha colega de sala riu nesses dias, porque eu troco torpedos com toda a minha família (9 irmãos + cunhados + pai e mãe) e com alguns amigos, sempre. Então, era um toque e um pulo, um toque e um pulo, um toque e um pulo. Ainda bem que alguém inventou computador porque se eu escrevesse relatórios à mão, teria que refazê-los vááááárias vezes...
Mas eu sou bem boa nessa coisa de fingir, de esperar passar... E alguns dias se passaram. E o H tentou contato, de novo. Coisa boba, de amigos. O pico da ansiedade tinha passado e eu pensei: “ok Miriane, sua boba. Ele quer ser SÓ seu amigo, mesmo, viu? Disfarça que você achou que eeeeeleeee pudesse estar interessado em você, sobe no salto e continua a vida! Responde como se você nuuuuunca tivesse pensado um absurdo desses.” E eu respondi. Coisa boba, de amiga. Era noite e a gente acabou trocando inúmeros torpedos (porque eu não tinha nenhum relatório pra fazer, oba!), até que:
“E o namorado, como vai?”
“Eu não tenho namorado, já te falei.”
“É verdade... eu esqueço. Vocês só saem. E o ‘não namorado’, como vai?”
“Na verdade, nem é mais ‘não namorado’. Nós conversamos e vimos que não queríamos levar a coisa toda pra um outro nível. E pra mim não dava pra continuar como estava. Então, a gente seguiu cada um pra um lado.”
“Não tem mais ‘não namorado’???”
E antes que eu pudesse responder que eu ainda conversava com o moço, que ele não queria ficar mas também não queria partir, toda aquela confusão típica de finais de relacionamentos, o H pensou que eu estava sozinha. E, eu estando sozinha, ele podia agir! E eu recebi esse torpedo:
"Miriane, aceite namorar comigo. Do jeito que você quiser começar, continuar e concluir."
Cenas do próximo capítulo aqui.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Hora H 15 - Catorze vezes!!! (Diário da Mirys)
No final de janeiro, comecinho de fevereiro de 2012, o H também passava por algumas importantes na sua vida. E a gente começou a conversar sempre sobre... tudo! Vida, projetos, amizades, filhos, trabalho, viagens e também sobre problemas. Eu torcia para que ele resolvesse os dele da melhor forma. Ele torcia por mim. Coisa de amigos, sabe?
Só que a gente nunca tinha sido tãããão amigo assim. A gente só se “conhecia”. A vida inteira tínhamos orbitado, um perto do outro, mas qualquer envolvimento um com a vida alheia. E eu tinha uma ideia meio “formada” dele, da minha época de novinha, quando ele era o cara mega paquerado, mega descolado, mega líder e eu era a...bom, eu era a menina muuuuuito mais nova e só. Talvez, ele me considerasse simpática. Talvez! Nem isso eu sei...
Eu só sei que EU tinha uma ideia dele como a de uma pessoa quase que inatingível, de um universo diferente do meu. Eu achava que a gente não combinava em quase nada até para sermos só amigos. Mas, a cada dia em que a gente conversava, eu desfazia uma pré-ideia (ou um pré-conceito, assim, no literal) que eu tinha dele. Engraçado isso... engraçado e curioso porque era JUSTAMENTE isso que eu vinha pedindo em oração. Eu não queria mais me envolver emocionalmente com ninguém que não tivesse uma perspectiva de futuro pra mim (pra quem acredita em Deus, ninguém que não estivesse no plano Dele pra mim). Claro que eu não esperava que alguém me pedisse em namoro sem nem ter saído comigo uma vez! As coisas não funcionavam mais assim... Claro que eu não esperava pedido de casamento em uma semanal! Óbvio que eu não pensava em casa + comida + roupa lavada, assim, pra ontem! Logicamente que não!!! Eu tinha uma noção de realidade e sabia que conhecer alguém e gostar de alguém leva tempo. Decidir-se a ficar na vida de alguém demanda sintonia, muita conversa e afinidade. E essas coisas levam tempo. Mas, nenhuma delas acontece sem VONTADE! Então, era isso que eu queria: queria me interessar por quem tivesse VONTADE DE FICAR, queria ficar com alguém que podia até não dar certo, mas que estava disposto a tentar no mesmo tanto que eu!
Desde o começo do ano, as crianças tinham mudado o final da oração delas. Uns meses depois do acidente, elas passaram a terminar todas as orações com um “manda um beijo pro papai, que está aí no céu, com você”! Fazia tanto tempo que eu ouvia aquela frase que ela nem me fazia chorar mais (a não ser em alguns dias, em que eu estivesse muito emotiva. Porque... para pra pensar nela!!! Agora, faça o link de que essa frase vinha da boca de duas crianças de 6 e 4 anos!!! Não é pra chorar, mesmo?). Mas, há umas semanas (acho que foi no Natal, a primeira vez), a frase tinha mudado para “querido Deus, manda um papai novo pra gente, por favor” (olha lá, eu, chorando, de novo!).
Do mesmo jeito que da outra vez, eu não recriminei o Guigo e a Nina por “pedirem” um pai novo. Afinal, como eu podia pedir para eles ficarem sem pai, pela vida inteira, só porque o deles, infelizmente, tinha morrido, se eu mesma adorava o meu pai e considerava uma das pessoas mais importantes da minha vida!?!? Então, eu entrei na dança com eles (porque eu sempre oro, também, depois deles, em voz alta) e comecei a frase “por favor, mande um papai novo pra gente que AME MUITO O GUILHERME E A HELENA”. E assim nós fizemos, por noites, e noites, e noites, e noites...
Numa dessas noites, no início de fevereiro, eu estava deitada com a Nina fazendo orações, pedindo pelo tal pai novo que a amasse muito, e acabei dormindo. Fazia tempo que eu não dormia assim. Exausta. Sem nem me trocar. Acordei na manhã seguinte, assustada, sem despertador, tomei um banho e fui pro serviço. Quando cheguei no trabalho, vi que meu celular estava sem bateria e coloquei pra carregar.
Tiriri!
Aquele barulhinho de que eu tinha uma mensagem tocou. Mas eu estava abrindo o computador, digitando senhas e não peguei o celular.
Tiriri!
Uns segundos...
Tiriri!
Mais uns segundos...
Tiriri!
Eu olhei pro celular e pensei: “tá, você só pode estar de brincadeira comigo...” e tiriri!!!
Ele apitou catorze vezes. Leia de novo: CA-TOR-ZE! Foram tantos “tiriris” que se eu fosse escrever um por um, aposto que alguém mais nervosinho já ia reclamar... porque... vamos combinar... catorze???? É muita mensagem para uma manhã só! Quando eu abri o celular, vi “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H” (tá. 14 vezes. Vocês já entenderam). Ele perguntava por mim, perguntava porque eu não respondia, dizia que precisava falar comigo naquela madrugada, afirmava que ia ficar acordado até eu responder, que era importante.
Eu, amiga (e lenta!), não tinha ideia de onde ele estava, na hora em que peguei as mensagens – pleno horário útil, e achei melhor não ligar. Só respondi. Disse que tinha adormecido com a Nina e perguntei se estava tudo bem. E esperei a resposta...
Cenas do próximo capítulo aqui.
Só que a gente nunca tinha sido tãããão amigo assim. A gente só se “conhecia”. A vida inteira tínhamos orbitado, um perto do outro, mas qualquer envolvimento um com a vida alheia. E eu tinha uma ideia meio “formada” dele, da minha época de novinha, quando ele era o cara mega paquerado, mega descolado, mega líder e eu era a...bom, eu era a menina muuuuuito mais nova e só. Talvez, ele me considerasse simpática. Talvez! Nem isso eu sei...
Eu só sei que EU tinha uma ideia dele como a de uma pessoa quase que inatingível, de um universo diferente do meu. Eu achava que a gente não combinava em quase nada até para sermos só amigos. Mas, a cada dia em que a gente conversava, eu desfazia uma pré-ideia (ou um pré-conceito, assim, no literal) que eu tinha dele. Engraçado isso... engraçado e curioso porque era JUSTAMENTE isso que eu vinha pedindo em oração. Eu não queria mais me envolver emocionalmente com ninguém que não tivesse uma perspectiva de futuro pra mim (pra quem acredita em Deus, ninguém que não estivesse no plano Dele pra mim). Claro que eu não esperava que alguém me pedisse em namoro sem nem ter saído comigo uma vez! As coisas não funcionavam mais assim... Claro que eu não esperava pedido de casamento em uma semanal! Óbvio que eu não pensava em casa + comida + roupa lavada, assim, pra ontem! Logicamente que não!!! Eu tinha uma noção de realidade e sabia que conhecer alguém e gostar de alguém leva tempo. Decidir-se a ficar na vida de alguém demanda sintonia, muita conversa e afinidade. E essas coisas levam tempo. Mas, nenhuma delas acontece sem VONTADE! Então, era isso que eu queria: queria me interessar por quem tivesse VONTADE DE FICAR, queria ficar com alguém que podia até não dar certo, mas que estava disposto a tentar no mesmo tanto que eu!
Desde o começo do ano, as crianças tinham mudado o final da oração delas. Uns meses depois do acidente, elas passaram a terminar todas as orações com um “manda um beijo pro papai, que está aí no céu, com você”! Fazia tanto tempo que eu ouvia aquela frase que ela nem me fazia chorar mais (a não ser em alguns dias, em que eu estivesse muito emotiva. Porque... para pra pensar nela!!! Agora, faça o link de que essa frase vinha da boca de duas crianças de 6 e 4 anos!!! Não é pra chorar, mesmo?). Mas, há umas semanas (acho que foi no Natal, a primeira vez), a frase tinha mudado para “querido Deus, manda um papai novo pra gente, por favor” (olha lá, eu, chorando, de novo!).
Do mesmo jeito que da outra vez, eu não recriminei o Guigo e a Nina por “pedirem” um pai novo. Afinal, como eu podia pedir para eles ficarem sem pai, pela vida inteira, só porque o deles, infelizmente, tinha morrido, se eu mesma adorava o meu pai e considerava uma das pessoas mais importantes da minha vida!?!? Então, eu entrei na dança com eles (porque eu sempre oro, também, depois deles, em voz alta) e comecei a frase “por favor, mande um papai novo pra gente que AME MUITO O GUILHERME E A HELENA”. E assim nós fizemos, por noites, e noites, e noites, e noites...
Numa dessas noites, no início de fevereiro, eu estava deitada com a Nina fazendo orações, pedindo pelo tal pai novo que a amasse muito, e acabei dormindo. Fazia tempo que eu não dormia assim. Exausta. Sem nem me trocar. Acordei na manhã seguinte, assustada, sem despertador, tomei um banho e fui pro serviço. Quando cheguei no trabalho, vi que meu celular estava sem bateria e coloquei pra carregar.
Tiriri!
Aquele barulhinho de que eu tinha uma mensagem tocou. Mas eu estava abrindo o computador, digitando senhas e não peguei o celular.
Tiriri!
Uns segundos...
Tiriri!
Mais uns segundos...
Tiriri!
Eu olhei pro celular e pensei: “tá, você só pode estar de brincadeira comigo...” e tiriri!!!
Ele apitou catorze vezes. Leia de novo: CA-TOR-ZE! Foram tantos “tiriris” que se eu fosse escrever um por um, aposto que alguém mais nervosinho já ia reclamar... porque... vamos combinar... catorze???? É muita mensagem para uma manhã só! Quando eu abri o celular, vi “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H” (tá. 14 vezes. Vocês já entenderam). Ele perguntava por mim, perguntava porque eu não respondia, dizia que precisava falar comigo naquela madrugada, afirmava que ia ficar acordado até eu responder, que era importante.
Eu, amiga (
Cenas do próximo capítulo aqui.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Livros Infantis... de graça!!! (Diário do Guigo)
Gente, vocês sabem que, aqui em casa, a gente é louco por um livro, uma estória, um gibi, etc e tal, né? A gente até considera o Maurício de Souza como um velho amigo, com quem a gente encontra toda hora e troca umas ideias... A Nina chama, carinhosamente, o grande CHICO BUARQUE de...Chico!
Então, a gente veio trazer uma novidade perfeita pra quem é assim como nós e acredita que ler para uma criança pode abrir um mundo IMEEEEENSO de possibilidades. O Banco Itaú, de novo, está doando livros infantis!!! É isso mesmo: d-o-a-n-d-o! Basta você acessar o site (www.itau.com.br/itaucrianca/peca_colecao.aspx), fazer seu cadastro (ou pedir para um adulto fazer) e esperar! Os livros chegam na sua casa, pra você!!!
Você não tem uma criança por perto para quem pedir os livros?... A GENTE RESOLVE!!! Peça seus livros mesmo assim, mas entre em contato conosco (nos comentários), antes. Daí, na hora de colocar o endereço, você coloca o NOSSO! Todos os livros extras que chegarem aqui em casa serão doados para a PEDIATRIA DO HOSPITAL AMARAL CARVALHO, de Jaú, ok? É um jeito pra você fazer uma ação legal por uma criança...
Bjos e bençãos.
Guigo
PS: a gente já participou e divulgou a ação do Itaú em 2010 e 2011. Este não é um post publicitário. É que a gente acha a ideia INCRÍVEL e, como toda ideia incrível, merece ser dividida!
Então, a gente veio trazer uma novidade perfeita pra quem é assim como nós e acredita que ler para uma criança pode abrir um mundo IMEEEEENSO de possibilidades. O Banco Itaú, de novo, está doando livros infantis!!! É isso mesmo: d-o-a-n-d-o! Basta você acessar o site (www.itau.com.br/itaucrianca/peca_colecao.aspx), fazer seu cadastro (ou pedir para um adulto fazer) e esperar! Os livros chegam na sua casa, pra você!!!
Você não tem uma criança por perto para quem pedir os livros?... A GENTE RESOLVE!!! Peça seus livros mesmo assim, mas entre em contato conosco (nos comentários), antes. Daí, na hora de colocar o endereço, você coloca o NOSSO! Todos os livros extras que chegarem aqui em casa serão doados para a PEDIATRIA DO HOSPITAL AMARAL CARVALHO, de Jaú, ok? É um jeito pra você fazer uma ação legal por uma criança...
Bjos e bençãos.
Guigo
PS: a gente já participou e divulgou a ação do Itaú em 2010 e 2011. Este não é um post publicitário. É que a gente acha a ideia INCRÍVEL e, como toda ideia incrível, merece ser dividida!
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Projeto 10 on 10 - Dividir é Multiplicar!!! (outubro/2012)
Olhando o meu post do projeto 10 on 10, de outubro do ano passado, eu percebi quanta coisa mudou... o quanto eu dividi algumas coisas, o quanto eu dividi a minha vida, o quanto eu dividi o que era importante pra mim... e o quanto eu ganhei em retorno!!!
Então, esse foi o meu "tema" escolhido pro Projeto 10 on 10: DIVIDIR É MULTIPLICAR!!!
Quando eu divido a meu canto especial,
eu multiplico a sensação de aconchego e a intimidade nessa família!
Quando eu divido as tarefas diárias,
eu multiplico o senso de responsabilidade!
Quando eu divido a folha de papel que alguém já usou,
eu multiplico o número de árvores que ainda estão de pé!
Quando eu divido o gosto pelo que eu gosto,
eu multiplico as possibilidades de coisas novas a gostar!
Quando eu divido o meu tempo,
eu multiplico a minha paciência, a minha habilidade, a minha satisfação de dar conta de um milhão de tarefas diferentes!
Quando eu divido o meu horário útil,
eu multiplico minhas áreas de atuação!
Quando eu divido os meus recursos,
eu multiplico a feminilidade, o carinho, o cuidado pessoal!
Quando eu divido as tarefas,
eu multiplico o sentimento de "posso contar com mais alguém" em váááárias pessoas que eu amo!
Quando eu divido o conscientização,
eu multiplico a noção de solidariedade e respeito ao próximo!
Quando eu divido a minha base,
eu multiplico a esperança e a fé!
E você, o que você divide??? Já reparou que você ganha muito mais, em retorno?
PS: se participou desse "10 on 10", deixe seu link nos comentários, que a gente traz pra cá, tá? Bjos e bençãos!
Fernanda - meu mundo verde e azul
Sandra = luka luluka
Renatha - menina curiosa
Ana Vi (minha amiga fotógrafa! Uhu!) - filha de José Quem mais?????
Então, esse foi o meu "tema" escolhido pro Projeto 10 on 10: DIVIDIR É MULTIPLICAR!!!
Quando eu divido a meu canto especial,
eu multiplico a sensação de aconchego e a intimidade nessa família!
Quando eu divido as tarefas diárias,
eu multiplico o senso de responsabilidade!
Quando eu divido a folha de papel que alguém já usou,
eu multiplico o número de árvores que ainda estão de pé!
Quando eu divido o gosto pelo que eu gosto,
eu multiplico as possibilidades de coisas novas a gostar!
Quando eu divido o meu tempo,
eu multiplico a minha paciência, a minha habilidade, a minha satisfação de dar conta de um milhão de tarefas diferentes!
Quando eu divido o meu horário útil,
eu multiplico minhas áreas de atuação!
Quando eu divido os meus recursos,
eu multiplico a feminilidade, o carinho, o cuidado pessoal!
Quando eu divido as tarefas,
eu multiplico o sentimento de "posso contar com mais alguém" em váááárias pessoas que eu amo!
Quando eu divido o conscientização,
eu multiplico a noção de solidariedade e respeito ao próximo!
Quando eu divido a minha base,
eu multiplico a esperança e a fé!
E você, o que você divide??? Já reparou que você ganha muito mais, em retorno?
PS: se participou desse "10 on 10", deixe seu link nos comentários, que a gente traz pra cá, tá? Bjos e bençãos!
Fernanda - meu mundo verde e azul
Sandra = luka luluka
Renatha - menina curiosa
Ana Vi (minha amiga fotógrafa! Uhu!) - filha de José Quem mais?????
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Hora H 14 - A mulher da sua vida! (Diário da Mirys)
Eu comecei 2012 incomodada com algumas coisas que eu vinha vivendo, repensando várias áreas da minha vida, querendo definições, buscando organizar. Eu continuava naquela luta pra me encontrar, de novo - descobrir quem eu era "pós acidente", depois de ter vivido coisas que ninguém deveria, após ter a certeza de que as crianças (minha primeira opção) estavam bem.
Minha casa estava uma bagunça, meu trabalho não estava do jeito que eu queria, meus lazeres (livros, filmes, fotos) estavam beeeeem parados, o meu relacionamento não relacionamento estava indefinido. E cada dia que passava e tudo continuava igual me deixava mais...decepcionada comigo mesma!
Pra casa, eu comprei tapete, organizei espaços, doei coisas, trouxe plantas e me deliciei com flores! Eu virei "ladra oficial de flores de casamentos"! Todo casamento que eu ia (ou alguém da minha família ia), no final, quando todos já tinham ido embora, eu pegava flores e flores e trazia pra enfeitar minha casa. Afinal, as pobrezinhas seriam jogadas FORA, mesmo!!! Pelo menos, assim, elas alegrariam um outro lugar, por mais algum tempo.
No trabalho, eu fiz um pacto comigo mesma de me livrar daquele "B", no curriculum. E eu cumpri! Dos meus hobbies, eu só voltei pra fotografia... mas me joguei!!! Comecei a fotografar filho de amigo, gravidez de amiga, casamento de gente querida, aniversário de sobrinhos. Comecei a ensinar dicas e truques pro Guigo e pra Nina (até eles quebrarem - um pouquinho da - minha câmera, em junho) e ficava super feliz quando ouvia um "MãMi, olha só o que eu fiz!!!!".
Agooooora, a minha vida amorosa estava uma bagunça geral!!! Meu ex namorado (de quase 20 anos atrás!!!) tinha me mandado um torpedo, dizendo que tinha terminado com a namorada dele e me perguntando o que eu achava. O que eu achava???? Não respondi. Ele mandou mais uns 6 ou 7 torpedos dizendo, em síntese, que estava chateado por eu não ter escrito correndo de volta pra dizer que tinha achado "ótimo" ele ter terminado com a menina. Mas, que eu continuava sendo "a mulher da vida dele"! Como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, depois de vocês terem ficado tão separados e escolhido caminhos tão diferentes, depois de duas décadas???
Eu estava acostumada a ser chamada de "a mulher da vida do Fer". Aí sim, fazia sentido. Antes. Porque ele tinha casado comigo, tinha me escolhido pra mãe dos filhos dele, tinha vivido comigo até o dia do acidente, vivia proclamando aos 4 ventos que me amava. Aííííí, sim... Mas, como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não existe mais?...
E tinha o moço com quem eu saia. Que estava do meu lado, que brincava com meus filhos, que tinha sido apresentado pra toda a minha família direta (pais, irmãos, cunhados), que conhecia muitos dos meus amigos, que eu ficava esperando nas madrugadas de sextas / sábados / domingos (após o trabalho), que dizia que me amava até, mas que continuava a me ver "escondido" do pessoal dele. E ele me afirmava ou afirmava pra quem quer que perguntasse que... adivinhem... eu era "A mulher da vida dele"!!!! Só que, na prática, ele não queria ficar comigo oficialmente. Só que, nas atitudes e no discurso, ele queria viver outras coisas antes de me assumir publicamente. Problemas de quem tinha ficado muito tempo oficialmente (noivo) com alguém, antes, e acabado de descobrir a liberdade da solteirice, após anos... Eu juro que entendia! Não concordava 100%, mas entendia. Afinal, eu TAMBÉM tinha vivido por anos com alguém, antes, e também tinha acabado de descobrir minha solteirice. Eu também tinha medo. Eu também tinha outros planos. Só eu acho que se alguém encontra "A" pessoa, ela joga fora o medo, ela muda os planos, ela se arrisca. Mas, não. No nosso caso, não. Eu era "A" pessoa, mas tinha chego na hora errada. E como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não se decide POR você?...
Acabei ficando meio "de saco cheio" daquela frase, de ser "a pessoa idealmente perfeita" para um monte de gente e de não ser de ninguém! Porque ninguém demonstrava isso pra mim, que queria MESMO ficar comigo, que eu valia MESMO a pena, que apesar de todos os pesares eu era "A" pessoa certa!
Pra piorar, foi chegando perto do dia 23 de janeiro e eu comecei a entrar em pane! Na minha cabeça já não era mais inconcebível passar o dia de "aniversário" do acidente com alguém que não fosse o meu marido. Eu já não me sentia mais casada com o Fer. Mas, colocando as coisas na balança, eu me sentia fazendo uma troca... muito injusta, por sinal! Meus últimos dias 23 de janeiro eu tinha passado com uma pessoa que me adorava, que dizia não viver sem mim, que faria qualquer coisa pra estar do meu lado... e, do outro lado da balança, eu iria passar o próximo dia 23 de janeiro com alguém que estava lá, ao lado, estava bem, mas que não queria ficar. É muito, muito, muito complicado quando a sua cabeça vai parar em lugares que você não queria ir, pensa em coisas que você não queria pensar... e constata verdades que você não queria ver!
E eu fiz o que achava que tinha que fazer: larguei do moço. Não quer ficar comigo? Não fique. Sem braveza, sem neuras, sem brigas, sem chororô. Só constatações de que, na verdade, ele tinha os problemas dele pra gerenciar e não estava conseguindo fazer isso ao mesmo tempo que eu; só que eu tinha muita gente envolvida na equação (leia-se "crianças") pra ficar "tentando", até ver no que ia dar.
Na verdade, eu decidi fazer o que já deveria ter decidido fazer há muito tempo: eu seria A mulher da MINHA vida!!!! Aquela que resolve, que decide, que arruma, que quer, que luta, que curte, que VIVE!
No dia 23, eu fiquei "ilhada", pra conseguir colocar algumas coisas em dia. Eu não atendi telefonemas que diziam "eu sinto muito" (porque tudo o que eu iria responder era "eu tambem") - exceto dos meus pais e dos pais do Fer, eu escrevi a história do acidente (pra nunca mais precisar ficar contando pra quem perguntava), eu escrevi sobre o dia seguinte ao acidente (por motivos idênticos), eu coloquei meu quarta-roupas em ordem, eu doei as últimas coisas do Fer que ainda estavam por lá. E eu orei!
Mas, agora (na verdade, desde o início do ano, quando eu ouvi aquela frase da irmã do H), a minha oração era diferente. Eu não fazia análise de curriculum. Eu não pedia mais por uma pessoa que "não tivesse histórias" ou que "não me conhecesse de antes". Eu só pedia pra Deus me mostrar SE eu deveria ficar com alguém, agora, e QUEM seria aquela pessoa. Eu pedia pra ele me mostrar isso em atitudes das pessoas! Minha cunhada J diz que Deus não funciona assim... mas, eu respondi que, comigo, funciona! Ele sabe o que eu entendo, o que eu sinto, como eu vejo as coisas.
Então, minha oração ficou bem simples:
"Querido Deus, eu estou cansada de ficar sozinha e estou preocupada com as crianças quando eu 'saio' com alguém. Então, eu estou aqui, de novo, e vou esperar você me dizer SE e QUANDO eu vou ter alguém, de verdade, na minha vida. Mas, por favor, eu peço só três coisas: que ele seja fiel, que ele AME as crianças e que ele seja LOUCO por mim. Daí pra frente, é com o senhor. Amém"
Cenas do próximo capítulo aqui.
Minha casa estava uma bagunça, meu trabalho não estava do jeito que eu queria, meus lazeres (livros, filmes, fotos) estavam beeeeem parados, o meu relacionamento não relacionamento estava indefinido. E cada dia que passava e tudo continuava igual me deixava mais...decepcionada comigo mesma!
Pra casa, eu comprei tapete, organizei espaços, doei coisas, trouxe plantas e me deliciei com flores! Eu virei "ladra oficial de flores de casamentos"! Todo casamento que eu ia (ou alguém da minha família ia), no final, quando todos já tinham ido embora, eu pegava flores e flores e trazia pra enfeitar minha casa. Afinal, as pobrezinhas seriam jogadas FORA, mesmo!!! Pelo menos, assim, elas alegrariam um outro lugar, por mais algum tempo.
No trabalho, eu fiz um pacto comigo mesma de me livrar daquele "B", no curriculum. E eu cumpri! Dos meus hobbies, eu só voltei pra fotografia... mas me joguei!!! Comecei a fotografar filho de amigo, gravidez de amiga, casamento de gente querida, aniversário de sobrinhos. Comecei a ensinar dicas e truques pro Guigo e pra Nina (até eles quebrarem - um pouquinho da - minha câmera, em junho) e ficava super feliz quando ouvia um "MãMi, olha só o que eu fiz!!!!".
Agooooora, a minha vida amorosa estava uma bagunça geral!!! Meu ex namorado (de quase 20 anos atrás!!!) tinha me mandado um torpedo, dizendo que tinha terminado com a namorada dele e me perguntando o que eu achava. O que eu achava???? Não respondi. Ele mandou mais uns 6 ou 7 torpedos dizendo, em síntese, que estava chateado por eu não ter escrito correndo de volta pra dizer que tinha achado "ótimo" ele ter terminado com a menina. Mas, que eu continuava sendo "a mulher da vida dele"! Como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, depois de vocês terem ficado tão separados e escolhido caminhos tão diferentes, depois de duas décadas???
Eu estava acostumada a ser chamada de "a mulher da vida do Fer". Aí sim, fazia sentido. Antes. Porque ele tinha casado comigo, tinha me escolhido pra mãe dos filhos dele, tinha vivido comigo até o dia do acidente, vivia proclamando aos 4 ventos que me amava. Aííííí, sim... Mas, como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não existe mais?...
E tinha o moço com quem eu saia. Que estava do meu lado, que brincava com meus filhos, que tinha sido apresentado pra toda a minha família direta (pais, irmãos, cunhados), que conhecia muitos dos meus amigos, que eu ficava esperando nas madrugadas de sextas / sábados / domingos (após o trabalho), que dizia que me amava até, mas que continuava a me ver "escondido" do pessoal dele. E ele me afirmava ou afirmava pra quem quer que perguntasse que... adivinhem... eu era "A mulher da vida dele"!!!! Só que, na prática, ele não queria ficar comigo oficialmente. Só que, nas atitudes e no discurso, ele queria viver outras coisas antes de me assumir publicamente. Problemas de quem tinha ficado muito tempo oficialmente (noivo) com alguém, antes, e acabado de descobrir a liberdade da solteirice, após anos... Eu juro que entendia! Não concordava 100%, mas entendia. Afinal, eu TAMBÉM tinha vivido por anos com alguém, antes, e também tinha acabado de descobrir minha solteirice. Eu também tinha medo. Eu também tinha outros planos. Só eu acho que se alguém encontra "A" pessoa, ela joga fora o medo, ela muda os planos, ela se arrisca. Mas, não. No nosso caso, não. Eu era "A" pessoa, mas tinha chego na hora errada. E como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não se decide POR você?...
Acabei ficando meio "de saco cheio" daquela frase, de ser "a pessoa idealmente perfeita" para um monte de gente e de não ser de ninguém! Porque ninguém demonstrava isso pra mim, que queria MESMO ficar comigo, que eu valia MESMO a pena, que apesar de todos os pesares eu era "A" pessoa certa!
Pra piorar, foi chegando perto do dia 23 de janeiro e eu comecei a entrar em pane! Na minha cabeça já não era mais inconcebível passar o dia de "aniversário" do acidente com alguém que não fosse o meu marido. Eu já não me sentia mais casada com o Fer. Mas, colocando as coisas na balança, eu me sentia fazendo uma troca... muito injusta, por sinal! Meus últimos dias 23 de janeiro eu tinha passado com uma pessoa que me adorava, que dizia não viver sem mim, que faria qualquer coisa pra estar do meu lado... e, do outro lado da balança, eu iria passar o próximo dia 23 de janeiro com alguém que estava lá, ao lado, estava bem, mas que não queria ficar. É muito, muito, muito complicado quando a sua cabeça vai parar em lugares que você não queria ir, pensa em coisas que você não queria pensar... e constata verdades que você não queria ver!
E eu fiz o que achava que tinha que fazer: larguei do moço. Não quer ficar comigo? Não fique. Sem braveza, sem neuras, sem brigas, sem chororô. Só constatações de que, na verdade, ele tinha os problemas dele pra gerenciar e não estava conseguindo fazer isso ao mesmo tempo que eu; só que eu tinha muita gente envolvida na equação (leia-se "crianças") pra ficar "tentando", até ver no que ia dar.
Na verdade, eu decidi fazer o que já deveria ter decidido fazer há muito tempo: eu seria A mulher da MINHA vida!!!! Aquela que resolve, que decide, que arruma, que quer, que luta, que curte, que VIVE!
No dia 23, eu fiquei "ilhada", pra conseguir colocar algumas coisas em dia. Eu não atendi telefonemas que diziam "eu sinto muito" (porque tudo o que eu iria responder era "eu tambem") - exceto dos meus pais e dos pais do Fer, eu escrevi a história do acidente (pra nunca mais precisar ficar contando pra quem perguntava), eu escrevi sobre o dia seguinte ao acidente (por motivos idênticos), eu coloquei meu quarta-roupas em ordem, eu doei as últimas coisas do Fer que ainda estavam por lá. E eu orei!
Mas, agora (na verdade, desde o início do ano, quando eu ouvi aquela frase da irmã do H), a minha oração era diferente. Eu não fazia análise de curriculum. Eu não pedia mais por uma pessoa que "não tivesse histórias" ou que "não me conhecesse de antes". Eu só pedia pra Deus me mostrar SE eu deveria ficar com alguém, agora, e QUEM seria aquela pessoa. Eu pedia pra ele me mostrar isso em atitudes das pessoas! Minha cunhada J diz que Deus não funciona assim... mas, eu respondi que, comigo, funciona! Ele sabe o que eu entendo, o que eu sinto, como eu vejo as coisas.
Então, minha oração ficou bem simples:
"Querido Deus, eu estou cansada de ficar sozinha e estou preocupada com as crianças quando eu 'saio' com alguém. Então, eu estou aqui, de novo, e vou esperar você me dizer SE e QUANDO eu vou ter alguém, de verdade, na minha vida. Mas, por favor, eu peço só três coisas: que ele seja fiel, que ele AME as crianças e que ele seja LOUCO por mim. Daí pra frente, é com o senhor. Amém"
Cenas do próximo capítulo aqui.
Amanhã tem blogagem coletiva - Projeto 10 on 10! (Diário da Mirys)
Quem já participou conosco, sabe que dá super certo! Quem ainda não participou está convidadíssimo!!!
Porque, amanhã, é dia 10! E, todo dia 10, aqui no Diário, tem o "PROJETO 10 ON 10"!!!
Pra participar é muito simples: é só fazer 10 fotos, em 10 horas, do seu dia 10. Se você conseguir fazer fotos de 10 horas consecutivas (e não todas juntas, no mesmo momento) é melhor. Mas o mais importante é participar!
O objetivo é muito simples: fazer você ver um dia comum, uma quarta-feira qualquer, como um dia super especial!!! Porque, quando você tem que fotografar alguma coisa, você sabe que vai deixar aquilo registrado. Então, AUTOMATICAMENTE, você vai procurar por coisas bacanas, lindas, divertidas, gostosas, do seu dia!!! E quem sabe quantas surpresas uma quarta-feira pode te reservar, heim, heim, heim???
Copie o selinho, leve pra sua página, pegue sua câmera digital e carregue a mocinha com você para todos os lugares! Ou tire fotos com o seu celular! Ou tablet! Qualquer registro vale porque qualquer um deles vai te fazer reavaliar o seu dia!!! A gente garante que você vai terminar o seu dia 10, no mínimo, mais inspirado!!!
PS 1: se você participar e publicar suas fotos (blog, facebook, etc), não se esqueça de voltar aqui e nos deixar seu link! A gente adoraria conhecer um pouquinho mais do seu dia, também!!!
PS 2: pra inspirar vocês, a gente deixa aqui os links de alguns dos nossos últimos dias 10. Pra trabalhar o meu olhar fotográfico, eu coloquei "temas" nos meus dias e tentei segui-los! Adorei o resultado!!! Mas, você não precisa fazer isso, tá? Se fizer 10 fotos "aleatórias", no seu dia 10, já vai participar!!!
Projeto 10 on 10 - setembro de 2012 - GRAÇAS!
Projeto 10 on 10 - março de 2012 - SÁBADO
Projeto 10 on 10 - fevereiro de 2012 - PALAVRAS
Projeto 10 on 10 - novembro de 2011 - BAGUNÇA
Projeto 10 on 10 - outubro de 2011 - DESEJOS
Projeto 10 on 10 - agosto de 2011 - PADRÕES
Projeto 10 on 10 - julho de 2011 - CORES
Bjos e bençãos.
E nos vemos amanhã!!!
Mirys
.
Porque, amanhã, é dia 10! E, todo dia 10, aqui no Diário, tem o "PROJETO 10 ON 10"!!!
Pra participar é muito simples: é só fazer 10 fotos, em 10 horas, do seu dia 10. Se você conseguir fazer fotos de 10 horas consecutivas (e não todas juntas, no mesmo momento) é melhor. Mas o mais importante é participar!
O objetivo é muito simples: fazer você ver um dia comum, uma quarta-feira qualquer, como um dia super especial!!! Porque, quando você tem que fotografar alguma coisa, você sabe que vai deixar aquilo registrado. Então, AUTOMATICAMENTE, você vai procurar por coisas bacanas, lindas, divertidas, gostosas, do seu dia!!! E quem sabe quantas surpresas uma quarta-feira pode te reservar, heim, heim, heim???
Copie o selinho, leve pra sua página, pegue sua câmera digital e carregue a mocinha com você para todos os lugares! Ou tire fotos com o seu celular! Ou tablet! Qualquer registro vale porque qualquer um deles vai te fazer reavaliar o seu dia!!! A gente garante que você vai terminar o seu dia 10, no mínimo, mais inspirado!!!
PS 1: se você participar e publicar suas fotos (blog, facebook, etc), não se esqueça de voltar aqui e nos deixar seu link! A gente adoraria conhecer um pouquinho mais do seu dia, também!!!
PS 2: pra inspirar vocês, a gente deixa aqui os links de alguns dos nossos últimos dias 10. Pra trabalhar o meu olhar fotográfico, eu coloquei "temas" nos meus dias e tentei segui-los! Adorei o resultado!!! Mas, você não precisa fazer isso, tá? Se fizer 10 fotos "aleatórias", no seu dia 10, já vai participar!!!
Projeto 10 on 10 - setembro de 2012 - GRAÇAS!
Projeto 10 on 10 - março de 2012 - SÁBADO
Projeto 10 on 10 - fevereiro de 2012 - PALAVRAS
Projeto 10 on 10 - novembro de 2011 - BAGUNÇA
Projeto 10 on 10 - outubro de 2011 - DESEJOS
Projeto 10 on 10 - agosto de 2011 - PADRÕES
Projeto 10 on 10 - julho de 2011 - CORES
Bjos e bençãos.
E nos vemos amanhã!!!
Mirys
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Hora H 13 - sozinha em pleno reveillon (Diário da Mirys)
Tenho que confessar que eu não levei aquele pedido de casamento a sério. Claro que não! Tudo bem que um monte de gente pode achar que era "óbvio" que ele estava a fim de mim há tempos, que era "óbvio" que ele dava vários sinais, que era "óbvio" que ele só não se declarava pra mim porque sabia que eu estava vendo outra pessoa... mas, pra mim, não era óbvio. Nada disso era tão cristalino e transparente assim... Porque eu vivo num mundo à parte, eu não "vejo" certas coisas nas pessoas, porque em nenhum momento ele tinha dito "Mirys, eu estou a fim de você" (issooooooooo seria óbvio), porque nós éramos amigos! A-mi-gos!
Ainda acha que eu sou ingênua demais, lentinha demais??? Que tudo aquilo não era muuuuito surreal pra ser verdade??? Ok. Então, vamos lá: levante a mão quem já foi num barzinho com um amigo e recebeu um pedido para se casar e se mudar para as Filipinas! Vamos... levantem as mãos... não sejam tímidos... Vamos, pessoal! Quem aqui já passou por isso??? Heim??? Heim??? Heim??? Ninguém?... rsrsrsrs
Mas, na verdade verdadeira, eu acho que o maior motivo pelo qual eu não "via" tudo aquilo acontecendo do meu lado era porque eu ainda estava traumatizada. Eu ainda me sentia viúva (o que já era um grande progresso! Após quase dois anos, eu não me sentia mais casada, eu me sentia, finalmente, viúva). Eu ainda achava que o amor não era mais possível, plausível ou óbvio pra mim. Eu achava que nunca mais alguém fosse querer ficar comigo, do tipo "querer de verdade"... nem a pessoa com quem eu estava saindo queria! Me diz como pensar de outro jeito se todos os fatos ao redor te levam a pensar assim?
Mas, naquele fim de ano, essa situação começou a me incomodar. Algumas coisas mudaram de estado e eu comecei a repensar aquele meu brilhante plano de "não namorar" ninguém. As crianças conheceram e começaram a se envolver emocionalmente com o moço com quem eu saia. Ele acabou participando de uma festividade nossa e foi apresentado pra toda a minha família. Ele frequentou alguns eventos comigo. A gente acabou se beijando em público (não perto das crianças. Nunca aconteceu perto das crianças porque a gente nunca se assumiu e eu achava descabido a "mãe do Guigo e da Nina" beijar um "amigo", enquanto as mães dos amiguinhos do Guigo e da Nina só beijavam os PAIS dos amiguinhos do Guigo e da Nina. Seria uma discrepância muito grande para se explicar.). Ele foi apresentado para quase todos os meus amigos, jantou na casa de uns, foi em festas na casa de outros, conversou com mais alguns em restaurantes. E eu na vida dele? Nada. Eu conhecia os amigos da balada (porque a gente encontrava com eles) e só. Não conheci pai, mãe, irmã, irmão, sobrinho, amigo de infância, nada. Eu "não podia" ser apresentada pra ninguém, ainda. Eu entrava escondida, eu saia disfarçada. Eu só conhecia os amigos dele com os quais a gente se encontrava, à noite, quando saíamos. Pessoal sensacional, aquele! Galera super alto astral, talentosíssima, que me tratava muito bem QUANDO me via. Eles apostavam muito na gente e viviam se referindo à mim como "a namorada", mas ele logo corrigia "a gente não tá namorando". E aquilo, em alto e bom tom, é meio chato de ouvir...
Enquanto isso, o H estava trabalhando. Muito!!! Alucinadamente!!! Mas vivia me mandando torpedos e mantendo contato por e-mail. Nada comprometedor, tudo tranquilo. Vez ou outra, ele perguntava "e o namorado?". E eu explicava que ainda estava com o moço, sem muitos detalhes. Eu perguntava de alguma mulher na vida dele e ele não tinha nenhuma. E a vida seguia...
Até que chegou o reveillon de 2011/2012! Eu estava em "mini-férias" desde um pouquinho antes do Natal e andava curtindo muito as crianças, viajando um pouquinho, descansando um montão, vendo e revendo um tanto enorme de gente que eu amo. Como qualquer pessoa normal, eu usei o final do ano para rever tudo o que tinha me acontecido, o que ainda estava acontecendo comigo e fazer planos para o ano seguinte. Normal, não é? Normal e delicioso, até que você percebe que está fazendo planos sozinha. Eu podia programar viagens com as crianças, colocar os dois no carro e ir. Eu podia programar ler x livros, compra-los e começar. Eu podia programar (pela milésima vez) começar um curso de italiano, encontrar um professor e mandar bala. Mas eu não podia programar "tentar um relacionamento de verdade" sozinha... Sabe aquela máxima: quando um não quer, dois não brigam? Pois é...
Aquilo começou a me entristecer, mas eu já tinha passado por coisa muito pior. INFINITAMENTE PIOR! Então, eu resolvi fazer o que eu tinha aprendido nesse tempo todo: seguir sorrindo, fazer de conta que não era comigo, que não incomodava e tocar o barco. Fingir que eu estava feliz com taaaaanta vontade que, numa hora, até eu mesma iria acreditar. Simples assim.
E na noite do reveillon, enquanto os meus irmãos tinham programas super sensacionais pra fazer, a casa de muitos casais amigos pra visitar (quase todos os meus irmãos já estavam casados, 2 anos depois do acidente. Lembra que eu falei que deu urgência em tudo mundo? Então, todo mundo se casou e, agora, saiam com outros casais), viagens pra fazer, eu tinha... nada! Pelo menos assim, nada de especial. Nada de emocional. Claro que eu tinha as duas crianças, claro! Claro que eu visitaria minha avozinha e curtiria (sem saber) o meu último reveillon com ela, claro! Claro que eu ajudaria nas compras e elaboração das comidas, claro! Mas, enquanto minha tia cortava tomates e recebia beijinhos eventuais do marido (mega carinhoso), ao meu lado, eu... cortava tomates. E só! Sem beijo, sem abraço, sem aperto de mão, tipo aquela criança que brinca de "salada de frutas", mas nunca é a escolhida e volta pra casa sem nada...
A noite chegou, nós jantamos na casa de uma tia, um pouco mais cedo do que o tradicional (por causa da minha avó). Meus irmãos jantaram conosco e partiram para outras casas (dos sogros, dos amigos, etc e tal). A meia noite chegou e os filhos da minha tia foram para uma mega festa, num clube da cidade. Quando eu percebi era, no máximo, meia noite e quinze e eu estava no meu sensacional reveillon, ao lado de (casais!!!) parentes da minha tia + minha avó + meu tio especial + umas 6 crianças. E fim. Deixei as crianças brincarem até uma da manhã e achei que já tinha ultrapassado todos os meus limites, peguei os dois e fui pra casa dos meus pais, coloca-los pra dormir. Sentei na frente da TV e comecei a procurar um filme porque eu me recusava a dormir naquele horário!!! Começou a chover forte, muito forte lá fora. E quando eu ia começar a chorar, minha mãe apareceu na porta da sala. Engoli. "Oi mãezinha" "Filha, e as crianças?" "Já estão deitadas. Eles estavam exaustos." "Você não vai dormir?" "Não tô com sono, mãe. Vou ver um filme." Ela me deu um beijo e foi pro quarto. Talvez fosse chorar por mim, também... porque deve ser triste, muito triste, você ver a sua filha mais velha (de 10!!!), que é super social, que adora estar em meio às pessoas, naquela situação... Nem a minha nona irmã ficou sem programação. Eu fiquei.
Mas, antes que eu começasse a chorar, o celular tocou: "Mirys?" Era o H. Ele já tinha me mandado um torpedo de "feliz ano novo". Eu já tinha respondido. Éramos amigos, afinal das contas.
"E aí, Mirys, onde você está?"
"Estou na casa da minha mãe..."
"NÃO ACREDITO! Fazendo o que??? Você não foi pra lugar nenhum?"
"Fui, sim. Jantei na tia C, mas ficou tarde, as crianças ficaram cansadas e eu vim colocá-los pra dormir..."
"E eles já dormiram? Tem mais alguém em casa pra ficar com eles?"
"Sim. Meus pais também estão aqui."
"Então, eu vou te buscar para você vir na festa em que eu estou. Você conhece todo mundo, aqui, e o pessoal vai adorar te ver!"
"Mas, H... eu já estou trocada (mentira!), eu ia ver um filme na TV..."
"Mirys, você NÃO VAI passar a noite de reveillon sozinha! A festa é aqui na esquina da casa dos seus pais. Você quer que eu vá te buscar ou você vem?"
"Eu não sei..."
"Mirys, se você não vier, eu vou te buscar. E vou ficar na porta da sua casa até você sair."
"Mas está chovendo..."
"E com chuva ou sem chuva você não vai ficar sozinha. Tô indo te buscar! Tchau!"
"Peraí, H! Pode deixar que eu vou. Vou pegar um casaco do meu pai e eu vou praí, tá?"
"Ok. Vou te esperar no portão, pra você não ter que tocar a campainha e ficar na chuva..."
A minha mãe tomou um susto quando eu entrei no quarto dela, dei um beijo e avisei onde ia. "Mas agora, filha?" Antes tarde do que nunca, não é??? Peguei um casaco do meu pai (que ficou enorme e me protegia inteira) e fui. Cheguei com o cabelo um pouco molhado na festa, mas fui. Cheguei atrasada na festa, mas fui. Cheguei tão empolgada que me esqueci de cumprimentar todo mundo (e eu, realmente, conhecia todo mundo), mas fui. Acho que eu iria até se estivesse chovendo granizo e eu tivesse que atravessar a cidade à pé!
Agora, eu não estava mais sozinha! Eu tinha amigos ao redor (casais, tudo bem, mas o H não estava de casal), tinha música ao vivo (muitos dos meus amigos tocam algum instrumento e eu A-DO-RO isso), tinha comida típica de ano novo (sou louca por castanhas e damascos - e isso tinha aos montes), tinha um monte de gente de branco, tinha vinho frisante, tinha... VIDA! E aquilo me fazia tão bem!!!
Fiquei por lá até umas 4hs da manhã, quando o povo começou a ir embora. E, na hora de sair, eu fui me despedir de todo mundo, beijei a irmã do H, o cunhado dele, alguns amigos em comum... e, de repente, eu ouço sem querer uma conversa do H e da irmã dele: "Quer dizer, então, que eu vou ser cunhada da Miriane? Quem diria..."
COMO ASSIM???????
Naquela hora, as fichas que não tinham caído até então... despencaram!!!! Foram caindo dentro da minha cabeça feito uma trovoada, fazendo um barulho ensurdecedor! Eu, cunhada de alguém???? Eu, cunhada da irmã do H que SÓ TEM ELE DE IRMÃO??? Eu, alvo de interesse do H a ponto da irmã dele saber??? Eu???? Eu????? Era uma informação muito importante para ser gerenciada e eu estava... bem... em choque! Feito alguém que tem 15 anos e nunca beijou na vida, sabe? Só que eu tinha 37... E já sabia como funcionavam essas coisas! Pra você ser cunhada de alguém, você tem que ser namorada/noiva/esposa de outro alguém!!! Porque "saintes" não tem cunhadas. "Ficantes" não tem relações familiares. E eu estava sendo chamada de "cunhada"!!!
Eu só me lembrei de quantas e quantas vezes eu tinha dito para diversas pessoas "Quem? O H? IMAGINA que ele está interessado em mim! Que absurdo! Somos só amigos! Nunca tivemos nada!". E a gente nunca tinha tido nada, mesmo. Zero. Nem uma olhadinha, nem uma palavra torta, nem nada. Até o dia em que ele revelou o antídoto do meu repelente. Até lá, a gente era menos do que amigo, até. A gente só se conhecia. Como as coisas podiam ter mudado tanto?????
Cenas do próximo capítulo aqui.
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Ainda acha que eu sou ingênua demais, lentinha demais??? Que tudo aquilo não era muuuuito surreal pra ser verdade??? Ok. Então, vamos lá: levante a mão quem já foi num barzinho com um amigo e recebeu um pedido para se casar e se mudar para as Filipinas! Vamos... levantem as mãos... não sejam tímidos... Vamos, pessoal! Quem aqui já passou por isso??? Heim??? Heim??? Heim??? Ninguém?... rsrsrsrs
Mas, na verdade verdadeira, eu acho que o maior motivo pelo qual eu não "via" tudo aquilo acontecendo do meu lado era porque eu ainda estava traumatizada. Eu ainda me sentia viúva (o que já era um grande progresso! Após quase dois anos, eu não me sentia mais casada, eu me sentia, finalmente, viúva). Eu ainda achava que o amor não era mais possível, plausível ou óbvio pra mim. Eu achava que nunca mais alguém fosse querer ficar comigo, do tipo "querer de verdade"... nem a pessoa com quem eu estava saindo queria! Me diz como pensar de outro jeito se todos os fatos ao redor te levam a pensar assim?
Mas, naquele fim de ano, essa situação começou a me incomodar. Algumas coisas mudaram de estado e eu comecei a repensar aquele meu brilhante plano de "não namorar" ninguém. As crianças conheceram e começaram a se envolver emocionalmente com o moço com quem eu saia. Ele acabou participando de uma festividade nossa e foi apresentado pra toda a minha família. Ele frequentou alguns eventos comigo. A gente acabou se beijando em público (não perto das crianças. Nunca aconteceu perto das crianças porque a gente nunca se assumiu e eu achava descabido a "mãe do Guigo e da Nina" beijar um "amigo", enquanto as mães dos amiguinhos do Guigo e da Nina só beijavam os PAIS dos amiguinhos do Guigo e da Nina. Seria uma discrepância muito grande para se explicar.). Ele foi apresentado para quase todos os meus amigos, jantou na casa de uns, foi em festas na casa de outros, conversou com mais alguns em restaurantes. E eu na vida dele? Nada. Eu conhecia os amigos da balada (porque a gente encontrava com eles) e só. Não conheci pai, mãe, irmã, irmão, sobrinho, amigo de infância, nada. Eu "não podia" ser apresentada pra ninguém, ainda. Eu entrava escondida, eu saia disfarçada. Eu só conhecia os amigos dele com os quais a gente se encontrava, à noite, quando saíamos. Pessoal sensacional, aquele! Galera super alto astral, talentosíssima, que me tratava muito bem QUANDO me via. Eles apostavam muito na gente e viviam se referindo à mim como "a namorada", mas ele logo corrigia "a gente não tá namorando". E aquilo, em alto e bom tom, é meio chato de ouvir...
Enquanto isso, o H estava trabalhando. Muito!!! Alucinadamente!!! Mas vivia me mandando torpedos e mantendo contato por e-mail. Nada comprometedor, tudo tranquilo. Vez ou outra, ele perguntava "e o namorado?". E eu explicava que ainda estava com o moço, sem muitos detalhes. Eu perguntava de alguma mulher na vida dele e ele não tinha nenhuma. E a vida seguia...
Até que chegou o reveillon de 2011/2012! Eu estava em "mini-férias" desde um pouquinho antes do Natal e andava curtindo muito as crianças, viajando um pouquinho, descansando um montão, vendo e revendo um tanto enorme de gente que eu amo. Como qualquer pessoa normal, eu usei o final do ano para rever tudo o que tinha me acontecido, o que ainda estava acontecendo comigo e fazer planos para o ano seguinte. Normal, não é? Normal e delicioso, até que você percebe que está fazendo planos sozinha. Eu podia programar viagens com as crianças, colocar os dois no carro e ir. Eu podia programar ler x livros, compra-los e começar. Eu podia programar (pela milésima vez) começar um curso de italiano, encontrar um professor e mandar bala. Mas eu não podia programar "tentar um relacionamento de verdade" sozinha... Sabe aquela máxima: quando um não quer, dois não brigam? Pois é...
Aquilo começou a me entristecer, mas eu já tinha passado por coisa muito pior. INFINITAMENTE PIOR! Então, eu resolvi fazer o que eu tinha aprendido nesse tempo todo: seguir sorrindo, fazer de conta que não era comigo, que não incomodava e tocar o barco. Fingir que eu estava feliz com taaaaanta vontade que, numa hora, até eu mesma iria acreditar. Simples assim.
E na noite do reveillon, enquanto os meus irmãos tinham programas super sensacionais pra fazer, a casa de muitos casais amigos pra visitar (quase todos os meus irmãos já estavam casados, 2 anos depois do acidente. Lembra que eu falei que deu urgência em tudo mundo? Então, todo mundo se casou e, agora, saiam com outros casais), viagens pra fazer, eu tinha... nada! Pelo menos assim, nada de especial. Nada de emocional. Claro que eu tinha as duas crianças, claro! Claro que eu visitaria minha avozinha e curtiria (sem saber) o meu último reveillon com ela, claro! Claro que eu ajudaria nas compras e elaboração das comidas, claro! Mas, enquanto minha tia cortava tomates e recebia beijinhos eventuais do marido (mega carinhoso), ao meu lado, eu... cortava tomates. E só! Sem beijo, sem abraço, sem aperto de mão, tipo aquela criança que brinca de "salada de frutas", mas nunca é a escolhida e volta pra casa sem nada...
A noite chegou, nós jantamos na casa de uma tia, um pouco mais cedo do que o tradicional (por causa da minha avó). Meus irmãos jantaram conosco e partiram para outras casas (dos sogros, dos amigos, etc e tal). A meia noite chegou e os filhos da minha tia foram para uma mega festa, num clube da cidade. Quando eu percebi era, no máximo, meia noite e quinze e eu estava no meu sensacional reveillon, ao lado de (casais!!!) parentes da minha tia + minha avó + meu tio especial + umas 6 crianças. E fim. Deixei as crianças brincarem até uma da manhã e achei que já tinha ultrapassado todos os meus limites, peguei os dois e fui pra casa dos meus pais, coloca-los pra dormir. Sentei na frente da TV e comecei a procurar um filme porque eu me recusava a dormir naquele horário!!! Começou a chover forte, muito forte lá fora. E quando eu ia começar a chorar, minha mãe apareceu na porta da sala. Engoli. "Oi mãezinha" "Filha, e as crianças?" "Já estão deitadas. Eles estavam exaustos." "Você não vai dormir?" "Não tô com sono, mãe. Vou ver um filme." Ela me deu um beijo e foi pro quarto. Talvez fosse chorar por mim, também... porque deve ser triste, muito triste, você ver a sua filha mais velha (de 10!!!), que é super social, que adora estar em meio às pessoas, naquela situação... Nem a minha nona irmã ficou sem programação. Eu fiquei.
Mas, antes que eu começasse a chorar, o celular tocou: "Mirys?" Era o H. Ele já tinha me mandado um torpedo de "feliz ano novo". Eu já tinha respondido. Éramos amigos, afinal das contas.
"E aí, Mirys, onde você está?"
"Estou na casa da minha mãe..."
"NÃO ACREDITO! Fazendo o que??? Você não foi pra lugar nenhum?"
"Fui, sim. Jantei na tia C, mas ficou tarde, as crianças ficaram cansadas e eu vim colocá-los pra dormir..."
"E eles já dormiram? Tem mais alguém em casa pra ficar com eles?"
"Sim. Meus pais também estão aqui."
"Então, eu vou te buscar para você vir na festa em que eu estou. Você conhece todo mundo, aqui, e o pessoal vai adorar te ver!"
"Mas, H... eu já estou trocada (mentira!), eu ia ver um filme na TV..."
"Mirys, você NÃO VAI passar a noite de reveillon sozinha! A festa é aqui na esquina da casa dos seus pais. Você quer que eu vá te buscar ou você vem?"
"Eu não sei..."
"Mirys, se você não vier, eu vou te buscar. E vou ficar na porta da sua casa até você sair."
"Mas está chovendo..."
"E com chuva ou sem chuva você não vai ficar sozinha. Tô indo te buscar! Tchau!"
"Peraí, H! Pode deixar que eu vou. Vou pegar um casaco do meu pai e eu vou praí, tá?"
"Ok. Vou te esperar no portão, pra você não ter que tocar a campainha e ficar na chuva..."
A minha mãe tomou um susto quando eu entrei no quarto dela, dei um beijo e avisei onde ia. "Mas agora, filha?" Antes tarde do que nunca, não é??? Peguei um casaco do meu pai (que ficou enorme e me protegia inteira) e fui. Cheguei com o cabelo um pouco molhado na festa, mas fui. Cheguei atrasada na festa, mas fui. Cheguei tão empolgada que me esqueci de cumprimentar todo mundo (e eu, realmente, conhecia todo mundo), mas fui. Acho que eu iria até se estivesse chovendo granizo e eu tivesse que atravessar a cidade à pé!
Agora, eu não estava mais sozinha! Eu tinha amigos ao redor (casais, tudo bem, mas o H não estava de casal), tinha música ao vivo (muitos dos meus amigos tocam algum instrumento e eu A-DO-RO isso), tinha comida típica de ano novo (sou louca por castanhas e damascos - e isso tinha aos montes), tinha um monte de gente de branco, tinha vinho frisante, tinha... VIDA! E aquilo me fazia tão bem!!!
Fiquei por lá até umas 4hs da manhã, quando o povo começou a ir embora. E, na hora de sair, eu fui me despedir de todo mundo, beijei a irmã do H, o cunhado dele, alguns amigos em comum... e, de repente, eu ouço sem querer uma conversa do H e da irmã dele: "Quer dizer, então, que eu vou ser cunhada da Miriane? Quem diria..."
COMO ASSIM???????
Naquela hora, as fichas que não tinham caído até então... despencaram!!!! Foram caindo dentro da minha cabeça feito uma trovoada, fazendo um barulho ensurdecedor! Eu, cunhada de alguém???? Eu, cunhada da irmã do H que SÓ TEM ELE DE IRMÃO??? Eu, alvo de interesse do H a ponto da irmã dele saber??? Eu???? Eu????? Era uma informação muito importante para ser gerenciada e eu estava... bem... em choque! Feito alguém que tem 15 anos e nunca beijou na vida, sabe? Só que eu tinha 37... E já sabia como funcionavam essas coisas! Pra você ser cunhada de alguém, você tem que ser namorada/noiva/esposa de outro alguém!!! Porque "saintes" não tem cunhadas. "Ficantes" não tem relações familiares. E eu estava sendo chamada de "cunhada"!!!
Eu só me lembrei de quantas e quantas vezes eu tinha dito para diversas pessoas "Quem? O H? IMAGINA que ele está interessado em mim! Que absurdo! Somos só amigos! Nunca tivemos nada!". E a gente nunca tinha tido nada, mesmo. Zero. Nem uma olhadinha, nem uma palavra torta, nem nada. Até o dia em que ele revelou o antídoto do meu repelente. Até lá, a gente era menos do que amigo, até. A gente só se conhecia. Como as coisas podiam ter mudado tanto?????
Cenas do próximo capítulo aqui.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Hora H 12 - Filipinas. Onde??? (Diário da Mirys)
No dia seguinte daquela confusão toda, o H me ligou. Queria saber como eu estava e como tinham ficado as coisas com o moço que eu saia. Eu expliquei que iria viajar por uns dias e que, quando voltasse, decidiria tudo isso.
Na verdade, eu viajei, voltei, conversei com o moço e decidimos continuar saindo (e não namorando), mas fizemos um "combinado de fidelidade". Só eu mesma pra me enfiar nessas situações...
Mas, pra gente, na época, dava certo. Porque eu ainda não estava preparada para nada além daquilo. Porque ele ainda não tinha se organizado com a ex (noiva). Porque as crianças não sabiam e era melhor que tudo continuasse assim, mesmo - uma coisa de adultos, sem formalidades sociais, sem apresentar pra família, nada. Porque ele trabalhava muito nos finais de semana e, bem, ninguém quer ter um namorado pra chamar de seu se NÃO pode estar com ele nas noites de sexta + sábado + domingo e se ele não faz nenhuma questão de ter algo mais oficial com você. É idiotice!
Passou meu aniversário e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o casamento da minha irmã e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o nascimento do meu sobrinho e muita gente me ligou (H inclusive). Mas a gente, eu e o H, ficava só nisso: poucos telefonemas e muitos recados via celular. E com tanta coisa acontecendo na minha vida (além das que eu citei aqui), eu acabei nunca mais saindo com ele pra conversar e nunca contei como eu tinha ficado com o moço com quem eu saia.
Até que ele me mandou um torpedo, num sábado, perguntando se eu queria sair, se já tinha programa, porque ele queria ir em tal lugar e não tinha companhia. Eu pensei que não teria mal nenhum em sair com um amigo, enquanto eu esperava o moço com quem eu saia terminar de trabalhar e ir me encontrar.
Fui com meu carro e ele foi com o dele. Conversamos por longas horas, comemos, rimos. Ele me contou sobre a vida dele (todos aqueles anos que eu tinha estado longe e tudo o que eu sabia era "o H parou de voar", "o H voltou a voar"), sobre amores, sobre desilusões, sobre as crianças dele (um casal, assim como as minhas). "E você, Mirys... e o namorado?" "Ele não é meu namorado, eu já te disse..." "Tá bom, tá bom, como vai o não namorado, então? Pelo visto vocês estão juntos, de novo." E eu contei o que tinha acontecido depois da viagem. Não contei sobre a minha crise de viúva ao ouvir uma música... mas contei que estava questionando várias coisas... minhas... tentando validar alguns sentimentos que eu não conseguia definir... enfim, tentando me encontrar.
Conversamos mais um monte, sobre várias outras coisas, até que eu perguntei do trabalho dele. Por que ele tinha parado de voar? Por que tinha voltado? Como era ficar longe das crianças dele, nessa vida maluca de piloto de avião? Eu ficava intrigadíssima com essa vida dele. Tããããão diferente da do resto dos mortais!... Porque, vamos combinar?, bombeiros, atores de cinema, astronautas, Renato Russo e PILOTOS DE AVIÃO vivem num mundo completamente diferente de nós, reles mortais! A vida deles parece tão mais interessante, tão cheia de aventuras, tão emocionante, tão mágica!!! Quem, quando criança, não quis ser nenhuma dessas alternativas acima? Quem, quem, quem????
"Então, Mirys, o trabalho vai muito bem, mas eu recebi uma proposta. Pra voar nas Filipinas. O que você acha?"
O que eu acho????? O que EU acho???? A minha opinião é importante pra decidir o futuro de alguém com uma vida tão mais intensa e faiscante do que a minha???? Me senti honrada!!! Na minha cabeça, na hora, veio uma imagem de uma praia liiiiiinda, com mar azul, uma rede estendida entre dois coqueiros, um copo de qualquer coisa gelada, uma musiquinha bacana tocando no fundo (não me pergunte de onde, na minha loucura, veio a musica! Mas veio!), um ventinho bom... e ele queria saber se eu achava que alguém deveria ir para um abuso desses! Fiz cara de rogada (eu TIVE QUE FAZER para parecer séria e não histericamente empolgada), me ajeitei na cadeira e dei minha importante opinião:
"Bom, eu acho... que tem o problema das crianças e de ficar longe delas."
"É verdade. Mas, isso eu poderia resolver assim."
"Bom, eu acho... que a saudade da família vai apertar..."
"Isso eu poderia resolver desse outro jeito."
"Bom, eu acho... que viver numa cultura completamente diferente não deve ser fácil, mas deve ser um ótimo crescimento pessoal."
"Claro. E as dificuldades eu posso resolver assim."
Eu mostrava os pontos contras (tinha????) e ele me dava uma saída. O homem tinha solução pra tudo! Incrível esse H! Tipo a minha amiga Cá (eu SEMPRE invejei a Cá pelo seu jeito meio prático / resolvido / determinado / descomplicado / masculino de resolver a vida! Eu, como legítima espécime do gênero feminino, sou um poço de indecisão e vejo miiiiiiiiiiiiiiiil detalhes, antes de dar cada passo). Acho o máximo quem consegue simplificar a vida desse jeito!
"Bom, então, se eu fosse você, eu iria. Vai ser uma grande oportunidade. E o que você acha?" (afinal, era a vida DELE e o mínimo da educação me mandava pedir a opinião DELE! Rsrsrsrs)
"Por mim, eu só vou pra lá casado. Porque não faz sentido estar do outro lado do mundo, num lugar paradisíaco, sozinho. Você não quer casar e ir comigo?"
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Eu ri.
É claro que ele "só poderia" estar brincando! É claro!
Segundos depois, o moço com quem eu saia chegou. Me deu um beijo. Me chamou pra ir embora. Eu pedi um segundo para poder acertar a conta (porque o H já tinha pago a última conta, sozinho. Dos 3!). "Não Mirys, imagina, pode deixar. Você me conhece. Eu sou da 'moda antiga'. Pode ir tranquila que eu acerto aqui."
Dei um beijo de obrigada e fui.
E a gente não se veria durante todo o mês de dezembro, até a noite de reveillon, quando...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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Na verdade, eu viajei, voltei, conversei com o moço e decidimos continuar saindo (e não namorando), mas fizemos um "combinado de fidelidade". Só eu mesma pra me enfiar nessas situações...
Mas, pra gente, na época, dava certo. Porque eu ainda não estava preparada para nada além daquilo. Porque ele ainda não tinha se organizado com a ex (noiva). Porque as crianças não sabiam e era melhor que tudo continuasse assim, mesmo - uma coisa de adultos, sem formalidades sociais, sem apresentar pra família, nada. Porque ele trabalhava muito nos finais de semana e, bem, ninguém quer ter um namorado pra chamar de seu se NÃO pode estar com ele nas noites de sexta + sábado + domingo e se ele não faz nenhuma questão de ter algo mais oficial com você. É idiotice!
Passou meu aniversário e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o casamento da minha irmã e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o nascimento do meu sobrinho e muita gente me ligou (H inclusive). Mas a gente, eu e o H, ficava só nisso: poucos telefonemas e muitos recados via celular. E com tanta coisa acontecendo na minha vida (além das que eu citei aqui), eu acabei nunca mais saindo com ele pra conversar e nunca contei como eu tinha ficado com o moço com quem eu saia.
Até que ele me mandou um torpedo, num sábado, perguntando se eu queria sair, se já tinha programa, porque ele queria ir em tal lugar e não tinha companhia. Eu pensei que não teria mal nenhum em sair com um amigo, enquanto eu esperava o moço com quem eu saia terminar de trabalhar e ir me encontrar.
Fui com meu carro e ele foi com o dele. Conversamos por longas horas, comemos, rimos. Ele me contou sobre a vida dele (todos aqueles anos que eu tinha estado longe e tudo o que eu sabia era "o H parou de voar", "o H voltou a voar"), sobre amores, sobre desilusões, sobre as crianças dele (um casal, assim como as minhas). "E você, Mirys... e o namorado?" "Ele não é meu namorado, eu já te disse..." "Tá bom, tá bom, como vai o não namorado, então? Pelo visto vocês estão juntos, de novo." E eu contei o que tinha acontecido depois da viagem. Não contei sobre a minha crise de viúva ao ouvir uma música... mas contei que estava questionando várias coisas... minhas... tentando validar alguns sentimentos que eu não conseguia definir... enfim, tentando me encontrar.
Conversamos mais um monte, sobre várias outras coisas, até que eu perguntei do trabalho dele. Por que ele tinha parado de voar? Por que tinha voltado? Como era ficar longe das crianças dele, nessa vida maluca de piloto de avião? Eu ficava intrigadíssima com essa vida dele. Tããããão diferente da do resto dos mortais!... Porque, vamos combinar?, bombeiros, atores de cinema, astronautas, Renato Russo e PILOTOS DE AVIÃO vivem num mundo completamente diferente de nós, reles mortais! A vida deles parece tão mais interessante, tão cheia de aventuras, tão emocionante, tão mágica!!! Quem, quando criança, não quis ser nenhuma dessas alternativas acima? Quem, quem, quem????
"Então, Mirys, o trabalho vai muito bem, mas eu recebi uma proposta. Pra voar nas Filipinas. O que você acha?"
O que eu acho????? O que EU acho???? A minha opinião é importante pra decidir o futuro de alguém com uma vida tão mais intensa e faiscante do que a minha???? Me senti honrada!!! Na minha cabeça, na hora, veio uma imagem de uma praia liiiiiinda, com mar azul, uma rede estendida entre dois coqueiros, um copo de qualquer coisa gelada, uma musiquinha bacana tocando no fundo (não me pergunte de onde, na minha loucura, veio a musica! Mas veio!), um ventinho bom... e ele queria saber se eu achava que alguém deveria ir para um abuso desses! Fiz cara de rogada (eu TIVE QUE FAZER para parecer séria e não histericamente empolgada), me ajeitei na cadeira e dei minha importante opinião:
"Bom, eu acho... que tem o problema das crianças e de ficar longe delas."
"É verdade. Mas, isso eu poderia resolver assim."
"Bom, eu acho... que a saudade da família vai apertar..."
"Isso eu poderia resolver desse outro jeito."
"Bom, eu acho... que viver numa cultura completamente diferente não deve ser fácil, mas deve ser um ótimo crescimento pessoal."
"Claro. E as dificuldades eu posso resolver assim."
Eu mostrava os pontos contras (tinha????) e ele me dava uma saída. O homem tinha solução pra tudo! Incrível esse H! Tipo a minha amiga Cá (eu SEMPRE invejei a Cá pelo seu jeito meio prático / resolvido / determinado / descomplicado / masculino de resolver a vida! Eu, como legítima espécime do gênero feminino, sou um poço de indecisão e vejo miiiiiiiiiiiiiiiil detalhes, antes de dar cada passo). Acho o máximo quem consegue simplificar a vida desse jeito!
"Bom, então, se eu fosse você, eu iria. Vai ser uma grande oportunidade. E o que você acha?" (afinal, era a vida DELE e o mínimo da educação me mandava pedir a opinião DELE! Rsrsrsrs)
"Por mim, eu só vou pra lá casado. Porque não faz sentido estar do outro lado do mundo, num lugar paradisíaco, sozinho. Você não quer casar e ir comigo?"
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Eu ri.
É claro que ele "só poderia" estar brincando! É claro!
Segundos depois, o moço com quem eu saia chegou. Me deu um beijo. Me chamou pra ir embora. Eu pedi um segundo para poder acertar a conta (porque o H já tinha pago a última conta, sozinho. Dos 3!). "Não Mirys, imagina, pode deixar. Você me conhece. Eu sou da 'moda antiga'. Pode ir tranquila que eu acerto aqui."
Dei um beijo de obrigada e fui.
E a gente não se veria durante todo o mês de dezembro, até a noite de reveillon, quando...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Hora H 11 - o amigo, o não namorado e o quase escândalo (Diário da Mirys)
Antes que o escândalo viesse diretamente pro meu lado e completamente sem saber o que fazer, eu saí dirigindo pela cidade. Sem rumo. Sem destino. Sem pensar muito, na verdade. E quando o meu celular tocou e eu vi as mensagens não respondidas do H, me convidando (amiga!!!) pra sair, naquela noite, não tive dúvidas: liguei!
"Você tá perto de onde?"
"Do centro."
"Conhece o barzinho V? Vai pra lá que eu te encontro em 5 minutos."
Fui.
Chegamos quase juntos e ouvi um "uau, você está linda!", bem na porta. Sorri. Sentamos, ele pediu queijos (que eu ADORO e todo mundo que me conhece o mínimo sabe disso!) e alguma coisa pra bebermos, e começamos a conversar. Eu tentei disfarçar, falar sobre a vida, o trabalho, o tempo. Mas ele percebeu que eu não estava bem... que tinha algo de diferente... e eu contei.
Contei que tinha usado a dica dele, mantido o olhar e que andava praticando isso: que eu estava vendo alguém. "Então você está namorando?" "Não H, não estou namorando. Eu não quero namorar ninguém. Ele também não. A gente só está saindo... uma coisa assim mais leve... mais tranquila... mais sem compromisso..." "Mas, Mirys, você NÃO É assim. Você não 'sai' com as pessoas. Você se envolve. Você se importa." "Pois é, H... mas, agora, eu não consigo. Eu ainda me sinto casada e ainda acho que posso estar fazendo algo de errado. Mas não dava mais pra ficar do jeito que eu estava, jogando contra mim mesma. Então... parei de passar meu repelente natural de garotos e estou 'saindo' com um." "Sei..." "H, foi você mesmo que me deu a dica! Mantenha o olhar! Agora, eu consigo sentar numa mesa e manter o olhar com outras pessoas e tentar. Tentar, de novo." "Mirys... o que é que eu fiz com você?". Eu ri. Ele não.
E eu continuei contando a minha versão da coisa toda: como eu tinha começado, como eu tinha continuado a sair só com aquela pessoa com quem eu saía, como eu estava me sentindo, as coisas bacanas que ele tinha feito pra mim. Conversa de amigos, sabe? Daquele tipo que é gostoso de ter com amigos do outro sexo, porque eles sempre podem te dar "informações de bastidores", como faça isso ou faça aquilo, homens não gostam disso ou gostam muito daquilo, quando a gente diz A quer dizer A mesmo (o que, pra nós mulheres, é um mistério total!!! Como alguém pode dizer A querendo dizer A??? E o charme, e o suspense, e o adivinhar?... Homens, bah! Esses seres simples!...).
Falei, falei, até que cheguei no episódio daquela noite. Contei sobre a conversa com a minha mãe, sobre a saída "pública" na chopperia e sobre a ex namorada ciumenta. Contei sobre sair do lugar, sobre ele me seguir, sobre ela segui-lo. Contei sobre a falta de posicionamento do moço, sobre a falta de uma atitude mais enfática no bar, algo como "não, você não vai me abraçar ou beijar ou discutir a relação comigo porque nós NÃO TEMOS uma relação. Eu estou com a Miriane." Mesmo que não tivesse essa frase final (pra me preservar - ele tinha até essa desculpa). Mas a passividade dele com relação a tudo me incomodava... Quando ia continuar, meu celular tocou. Era um amigo do moço com quem eu saia.
"Mirys? Oi. Eu sou o fulano, amigo do moço."
"Oi. Prazer. Sou a Mirys."
"Mirys, eu sei que você não me conhece, mas se você não acredita no moço, eu estou te ligando pra falar que ele não saiu com aquelalouca moça, ontem. Ele não sai mais com ela e ela não se conforma."
"Tudo bem. Obrigada por ter ligado. Mas eu não falei que eu não acredito nele. Na verdade, eu nem preciso acreditar nele ou não porque eu nunca pedi fidelidade a ele e nós não temos um relacionamento no qual se espera, automaticamente, fidelidade."
Desligamos. Ligou outro.
"Mirys? Oi. Eu sou o fulano, outro amigo do moço."
"Oi. Prazer. Sou a Mirys."
"Mirys, eu sei que você não me conhece, mas se você não acredita no moço, eu estou te ligando pra falar que ele não saiu com aquelalouca moça, ontem. Ele não sai mais com ela e ela não se conforma."
"Tudo bem"
"Ah! E ele não te ligou, ainda, porque ela roubou o celular dele e a carteira. Ela pegou as chaves do carro dele, jogou longe, e saiu dirigindo o carro dela, com as coisas dele. Ele, agora, está atrás dela, só pra pegar as coisas de volta"
Oi???????????? Como uma mulher, que NÃO está saindo com um cara, consegue pegar celular, chaves do carro... e a carteira que estava no bolso de trás da calça de alguém, assim??? Sem nenhuma intimidade??? Eu não pego carteira no bolso da calça nem do meu irmão!
Não era ciúmes, mas aquela estória toda ficava, cada hora, mais maluca e incompreensível. E eu estava morrendo de vergonha porque o H estava lá, comigo, na minha frente, ouvindo (a minha parte) de todas essas conversas. Ele me conhecia. Ele sabia que eu estava num terreno totalmente diferente pra mim. Que eu nunca, jamais faria parte de uma bagunça toda dessas por opção. Que eu nunca brigaria num barzinho. Que eu não tinha ficado com alguém que não fosse 100% envolvido comigo, até então. Que aquilo tudo "não combinava" comigo...
E o celular tocou. Era o número do moço.
"Mirys?"
"Oi."
"Onde você está? Eu quero ir aí falar com você."
"Tô aqui no barzinho V."
"Eu posso ir aí?"
"O bar é público..."
Ele me garantiu que a moça não estava mais seguindo o carro dele (meus sais!), que ela não iria nesse outro lugar, dar outro escândalo. E que ele precisava me explicar certas coisas.
Quando eu desliguei, o H disse: "Mirys, esse seu namorado..." "Ele NÃO é meu namorado, H. Eu não estou namorando." "Tá bom, esse seu 'não namorado' vem pra cá? E a menina? Eu estou preocupado com você..." "Tudo bem." "Você quer que eu vá embora?" "Não, H. Você é meu amigo e vai ser bom ter alguém comigo, caso aconteça mais alguma coisa." "Mirys... você tem certeza de que quer passar por isso tudo... de que quer ISSO pra você?..."
E o moço chegou. O H se apresentou e convidou o moço pra sentar. Pediu mais um copo e ofereceu o que nós bebíamos. E o moço começou a conversar comigo e jurar de pés juntos que não tinha saído com a ex, na noite anterior. A conversa ficou mais particular, o H percebeu, levantou e ficou perto do balcão, dando um tempo e mexendo no celular. 1 minuto... 2 minutos... 5... 10... 20... O H voltou pra mesa e disse que estava indo embora. Me abraçou e perguntou, em inglês, se eu estava bem e se eu ia ficar bem. Eu disse que sim. Então, ele olhou pro moço com quem eu saia e disse:
"A Mirys é uma grande amiga minha e eu gosto demais dela. Então, trate ela direito, ok? Não vá magoa-la. Cuide direito dessa menina que ela é muito especial..."
Apertou as mãos do moço, me deu outro beijo no rosto, fez que ia... "Are you sure you want all of this?". Só respondi "Don´t worry. I´m ok." "If you need me, just call." E ele se foi.
Eu conversei o que tinha que conversar com o moço com quem eu saia. No dia seguinte eu iria viajar, mesmo, com os pais do Fer, naquela viagem anual de "avós e netos" que eu fazia questão de proporcionar aos meus filhos, e eu ficaria uns dias fora. Então, a gente teria tempo pra pensar no que queria. Expliquei que eu não sentia ciumes... eu sentia humilhação... que o excesso de atitudes dela e a falta de atitude dele é que tinham me torturado. Expliquei que EU não sabia lidar com isso.
Quando cheguei no carro, vi que tinha mensagem na minha caixa postal. Do H. De quando ele ainda estava no balcão, observando a minha conversa com o moço. Perguntando se eu estava bem e se ele podia ir embora... porque não fazia muito sentido ele ficar ali, assistindo a cena.
E eu não captei a mensagem nas entrelinhas...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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"Você tá perto de onde?"
"Do centro."
"Conhece o barzinho V? Vai pra lá que eu te encontro em 5 minutos."
Fui.
Chegamos quase juntos e ouvi um "uau, você está linda!", bem na porta. Sorri. Sentamos, ele pediu queijos (que eu ADORO e todo mundo que me conhece o mínimo sabe disso!) e alguma coisa pra bebermos, e começamos a conversar. Eu tentei disfarçar, falar sobre a vida, o trabalho, o tempo. Mas ele percebeu que eu não estava bem... que tinha algo de diferente... e eu contei.
Contei que tinha usado a dica dele, mantido o olhar e que andava praticando isso: que eu estava vendo alguém. "Então você está namorando?" "Não H, não estou namorando. Eu não quero namorar ninguém. Ele também não. A gente só está saindo... uma coisa assim mais leve... mais tranquila... mais sem compromisso..." "Mas, Mirys, você NÃO É assim. Você não 'sai' com as pessoas. Você se envolve. Você se importa." "Pois é, H... mas, agora, eu não consigo. Eu ainda me sinto casada e ainda acho que posso estar fazendo algo de errado. Mas não dava mais pra ficar do jeito que eu estava, jogando contra mim mesma. Então... parei de passar meu repelente natural de garotos e estou 'saindo' com um." "Sei..." "H, foi você mesmo que me deu a dica! Mantenha o olhar! Agora, eu consigo sentar numa mesa e manter o olhar com outras pessoas e tentar. Tentar, de novo." "Mirys... o que é que eu fiz com você?". Eu ri. Ele não.
E eu continuei contando a minha versão da coisa toda: como eu tinha começado, como eu tinha continuado a sair só com aquela pessoa com quem eu saía, como eu estava me sentindo, as coisas bacanas que ele tinha feito pra mim. Conversa de amigos, sabe? Daquele tipo que é gostoso de ter com amigos do outro sexo, porque eles sempre podem te dar "informações de bastidores", como faça isso ou faça aquilo, homens não gostam disso ou gostam muito daquilo, quando a gente diz A quer dizer A mesmo (o que, pra nós mulheres, é um mistério total!!! Como alguém pode dizer A querendo dizer A??? E o charme, e o suspense, e o adivinhar?... Homens, bah! Esses seres simples!...).
Falei, falei, até que cheguei no episódio daquela noite. Contei sobre a conversa com a minha mãe, sobre a saída "pública" na chopperia e sobre a ex namorada ciumenta. Contei sobre sair do lugar, sobre ele me seguir, sobre ela segui-lo. Contei sobre a falta de posicionamento do moço, sobre a falta de uma atitude mais enfática no bar, algo como "não, você não vai me abraçar ou beijar ou discutir a relação comigo porque nós NÃO TEMOS uma relação. Eu estou com a Miriane." Mesmo que não tivesse essa frase final (pra me preservar - ele tinha até essa desculpa). Mas a passividade dele com relação a tudo me incomodava... Quando ia continuar, meu celular tocou. Era um amigo do moço com quem eu saia.
"Mirys? Oi. Eu sou o fulano, amigo do moço."
"Oi. Prazer. Sou a Mirys."
"Mirys, eu sei que você não me conhece, mas se você não acredita no moço, eu estou te ligando pra falar que ele não saiu com aquela
"Tudo bem. Obrigada por ter ligado. Mas eu não falei que eu não acredito nele. Na verdade, eu nem preciso acreditar nele ou não porque eu nunca pedi fidelidade a ele e nós não temos um relacionamento no qual se espera, automaticamente, fidelidade."
Desligamos. Ligou outro.
"Mirys? Oi. Eu sou o fulano, outro amigo do moço."
"Oi. Prazer. Sou a Mirys."
"Mirys, eu sei que você não me conhece, mas se você não acredita no moço, eu estou te ligando pra falar que ele não saiu com aquela
"Tudo bem"
"Ah! E ele não te ligou, ainda, porque ela roubou o celular dele e a carteira. Ela pegou as chaves do carro dele, jogou longe, e saiu dirigindo o carro dela, com as coisas dele. Ele, agora, está atrás dela, só pra pegar as coisas de volta"
Oi???????????? Como uma mulher, que NÃO está saindo com um cara, consegue pegar celular, chaves do carro... e a carteira que estava no bolso de trás da calça de alguém, assim??? Sem nenhuma intimidade??? Eu não pego carteira no bolso da calça nem do meu irmão!
Não era ciúmes, mas aquela estória toda ficava, cada hora, mais maluca e incompreensível. E eu estava morrendo de vergonha porque o H estava lá, comigo, na minha frente, ouvindo (a minha parte) de todas essas conversas. Ele me conhecia. Ele sabia que eu estava num terreno totalmente diferente pra mim. Que eu nunca, jamais faria parte de uma bagunça toda dessas por opção. Que eu nunca brigaria num barzinho. Que eu não tinha ficado com alguém que não fosse 100% envolvido comigo, até então. Que aquilo tudo "não combinava" comigo...
E o celular tocou. Era o número do moço.
"Mirys?"
"Oi."
"Onde você está? Eu quero ir aí falar com você."
"Tô aqui no barzinho V."
"Eu posso ir aí?"
"O bar é público..."
Ele me garantiu que a moça não estava mais seguindo o carro dele (meus sais!), que ela não iria nesse outro lugar, dar outro escândalo. E que ele precisava me explicar certas coisas.
Quando eu desliguei, o H disse: "Mirys, esse seu namorado..." "Ele NÃO é meu namorado, H. Eu não estou namorando." "Tá bom, esse seu 'não namorado' vem pra cá? E a menina? Eu estou preocupado com você..." "Tudo bem." "Você quer que eu vá embora?" "Não, H. Você é meu amigo e vai ser bom ter alguém comigo, caso aconteça mais alguma coisa." "Mirys... você tem certeza de que quer passar por isso tudo... de que quer ISSO pra você?..."
E o moço chegou. O H se apresentou e convidou o moço pra sentar. Pediu mais um copo e ofereceu o que nós bebíamos. E o moço começou a conversar comigo e jurar de pés juntos que não tinha saído com a ex, na noite anterior. A conversa ficou mais particular, o H percebeu, levantou e ficou perto do balcão, dando um tempo e mexendo no celular. 1 minuto... 2 minutos... 5... 10... 20... O H voltou pra mesa e disse que estava indo embora. Me abraçou e perguntou, em inglês, se eu estava bem e se eu ia ficar bem. Eu disse que sim. Então, ele olhou pro moço com quem eu saia e disse:
"A Mirys é uma grande amiga minha e eu gosto demais dela. Então, trate ela direito, ok? Não vá magoa-la. Cuide direito dessa menina que ela é muito especial..."
Apertou as mãos do moço, me deu outro beijo no rosto, fez que ia... "Are you sure you want all of this?". Só respondi "Don´t worry. I´m ok." "If you need me, just call." E ele se foi.
Eu conversei o que tinha que conversar com o moço com quem eu saia. No dia seguinte eu iria viajar, mesmo, com os pais do Fer, naquela viagem anual de "avós e netos" que eu fazia questão de proporcionar aos meus filhos, e eu ficaria uns dias fora. Então, a gente teria tempo pra pensar no que queria. Expliquei que eu não sentia ciumes... eu sentia humilhação... que o excesso de atitudes dela e a falta de atitude dele é que tinham me torturado. Expliquei que EU não sabia lidar com isso.
Quando cheguei no carro, vi que tinha mensagem na minha caixa postal. Do H. De quando ele ainda estava no balcão, observando a minha conversa com o moço. Perguntando se eu estava bem e se ele podia ir embora... porque não fazia muito sentido ele ficar ali, assistindo a cena.
E eu não captei a mensagem nas entrelinhas...
Cenas do próximo capítulo aqui.
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Interlúdio 19 II - o quase escândalo (Diário da Mirys)
(PS: eu sei, eu SEI que estou no meio da saga "Hora H". Mas se eu não contar esse episódio que aconteceu na "interlúdio", ninguém vai me entender... Então, explicações feitas, vamos aos fatos).
Depois de muito tempo esperando por alguém que se encaixasse naquilo que eu achava que era o melhor pra mim (alguém sem histórias anteriores e que não me conhecesse previamente / não conhecesse o Fer), alguém apareceu. E começo de relacionamento é aquela beleza, né? Uma espera ansiosa por ligações, os primeiros encontros que você não sabe como cumprimenta (beijo? no rosto? abraço só? dúvidas, dúvidas, dúvidas), aqueles rompantes inesperados onde você acha tudo lindo! Tudo é o fino da bossa! Tudo te encanta!
Só que o nosso relacionamento era não público porque nenhum dos dois queria isso. Nós não nos denominávamos de nada (não éramos saintes - porque é muito feio, não éramos namorados - porque não queríamos, não éramos amigos - porque rolava algo além). Ficávamos meio que... escondidos! Sabe aquela coisa adolescente, do "proibido", do "só nós sabemos", do frio na barriga? Então, tinha mais isso! E eu, romântica incorrigível que sou, transformava aquilo em algo mágico...
Mas, passado um mês, eu comecei a me sentir meio "desleal" com algumas pessoas. Tipo: minha mãe! Eu dormia na casa dela, ela torcia por mim, eu falava tudo pra ela (menos isso), ela cuidava dos meus filhos pra eu "sair só dar uma volta"...e eu não tinha contado nada pra ela, ainda. NA-DA! Tudo bem que eu NUNCA estava com o moço em público: a gente se falava por telefone, por computador, e quando se via nunca tinha ninguém por perto (beeeeeeeem adolescente, eu disse!). Mas... vai que! Vai que alguém me visse e falasse algo pra minha mãe. Nem que fosse algo bacana do tipo: "estou tão feliz que vi a Mirys conversando com um mocinho!". Ela ficaria sabendo por OUTRA pessoa e não por mim! Resolvi assumir todos os meus 36 anos de idade e sentei, numa noite, na cama dela: "mãezinha, seguinte, eu vou sair hoje, sim, mas não vou ficar com minhas amigas o tempo todo. Eu estou vendo alguém..." (e me preparei pra lambada!).
Mas o "sermão" não veio. O que veio foi um sorriso e uma frase de aceitação do tipo: "eu acho que já era a hora, filha". Contei do moço, da profissão dele, de quando começamos, do nosso combinado de não sermos nada mais sério, das bagunças na minha cabeça de viúva (ainda). Só não contei que, depois de ficar com ele, eu chorava copiosamente porque ainda me sentia casada e fazendo algo errado. Não contei porque isso era meu e isso era triste. E aquela não era uma hora triste!
Saí dali leve, empolgada, em paz. Minha mãe sabia E ela concordava. Ela cuidaria das crianças pra mim, ciente, quando eu quisesse "sair com as minhas amigas"! Ah, a verdade é mesmo libertadora!
Então, ele me ligou, me propondo o de sempre - nos encontrarmos escondidos. Eu respondi que se ele quisesse ir em algum lugar, tomar alguma coisa, contanto que a gente não ficasse juntos no lugar, por mim, tudo bem (porque beijar alguém, em público, ainda era inaceitável pra mim). Ele pensou um bocadinho, mas topou. E nós fomos!
Ele pensou porque, apesar dele não ter "história" do jeito que eu queria alguém "sem história" (com ex esposa, filhos, viuvez e todo aquele melodrama que a minha vida já tinha!), ele tinha uma ex namorada. Claro! Eu não ia encontrar alguém de 30 e poucos que nunca tivesse ficado com ninguém! Claro que não! A namorada era, na verdade, noiva. Muitos anos juntos, muitos planos feitos, algumas reviravoltas da vida e eles não estavam mais juntos (há muito pouco tempo, quando a gente começou a sair). Mas tinham sido anooooos de convívio e ele achava desrespeitoso (e eu também) ficar circulando por aí, com alguém pendurado no pescoço. Tudo bem: tinha acabado e cada um ia seguir a sua vida. Mas demonstrações de afeto com outra, em público, depois de um rompimento de noivado, nos parecia pouco caso demais! Ele respeitava a menina e eu também. Por isso ele tinha topado tão facilmente a minha proposta de sermos só "pausa".
Mas, um mês tinha se passado e a criatividade (e a paciência) pra ficar se encontrando escondido já estava se esgotando. Afinal, éramos adultos! E solteiros. E pagávamos as nossas contas. Então, no problems at all, right? E lá fomos nós pro barzinho.
Lugar lotado, ficamos no balcão e pedimos alguma coisa pra comer e beber. Como a lei de Murphy impera (SEMPRE!), eu encontrei com a secretária de sééééculos do meu pai, logo na entrada! "Mirys!!! Você aqui!!!". Sorri, cumprimentei,fiquei mega aliviada por já ter avisado a minha mãe, me despedi e nós nos sentamos naqueles bancos altos, de balcão, sabe? Um de frente pro outro, mas com uma "margem de segurança" de um metro (talvez um pouco menos) entre nós. Conversamos, comemos, rimos e, quando faltavam uns 5 minutos para irmos embora, um grande amigo dele avisou que estava indo pra lá e era para ele esperá-lo. "Tudo bem, Mirys?" Ok. Combinamos esperar por mais dez minutos.
Então, ele olha pra entrada do lugar e fica branco. Tenta se esconder atrás de mim (oi???? Eu tenho 1,70 metro, mas sou magrinha!!! Não dá pra um homem se esconder atrás de mim!!!). "Me abraça?". Eu perguntei o que estava acontecendo, mas NA HORA eu já sabia: a ex dele estaria lá! Só podia ser, certo???? Certo??? Certo????
Bom... meio certo! Era uma ex, sim, mas não era a noiva. Era outra. Outra que, aparentemente, gostava dele. Outra que (eu descobri depois) gostava de um escândalo.
Eis que a moça vem, entra no espaço de pouco mais de meio metro existente entre nós, de costas pra mim, dá um meeeeega abraço nele, um beijo no rosto e... fica ali!!! Meus sais, eu não podia acreditar naquilo!!! Então, ele fala pra ela dar licença porque ele estava conversando comigo e ELA ESTAVA NO MEIO (literalmente). E ela se vira pra mim... e eu vejo que eu a conhecia! Ela tinha sido professora da minha filha! Ufa, ufa, ufa. Gente do bem, bacana, trabalhava num lugar que eu adoro, sempre tivemos um ótimo relacionamento - tudo em paz. NOT!
"Oi Miriane. Tudo bem? E as crianças, como vão?" e virando-se pra ele, manda "Você SABIA que ela tem dois filhos, né?"
"As crianças estão ótimas. E você, como vai?" eu tentei ser simpática, mas estranhava muito aquela atitude... Mas, vinha mais!
"Estou bem. Você NÃO ESTÁ MAIS EM JAÚ, né? Pra onde VOCÊS foram?", ela perguntou, parecendo interessada.
Eu achei que era tudo sóóóóó impressão da minha cabecinha (versão Pollyana mode on) e respondi, tranquila: "Não, não estou mais aqui (até porque ele JÁ sabia que eu não morava em Jaú). Arrumei trabalho em outra cidade e fui pra lá."
Daí pra frente, eu desacreditei do que aconteceu. Sei lá que bicho tinha mordido aquela menina, naquela noite, mas ela me vira do nada e manda:
"Você TAMBÉM está saindo com ele? Porque a gente tem um problema aqui... ele estava na minha casa, ontem à noite."
E eles começaram a bater boca. E todo o bar começou a olhar pra mim!!!
Tudo bem, tudo bem que eu JÁ tinha contado pra minha mãe (e, automaticamente, ela deve ter ligado pro meu pai assim que eu virei as costas), então não tinha nenhum problema se alguém comentasse com ela, no dia seguinte, "vi a Mirys, no lugar tal, com um moço". Mas daííííííí a ela ler uma manchete de jornal "Miriane se envolve em confusão em bar, sendo vítima de socos e pontapés, por invadir relacionamentos alheios. Ela permanece, em choque, no hospital local" era MUITO DIFERENTE!
A coisa começou a esquentar, o nível da conversa foi ladeira abaixo, não adiantou nada eu ter saído de perto pra ver se ele se resolvia com ela, que eu decidi ir embora. Afinal, aquele problema era DELE. Eu não tinha nada a ver com isso. Eu não era namorada dele, nem a gente tinha qualquer combinado sobre fidelidade. Mas era esquisito. ERA MUITO ESQUISITO! Depois de ter alguém que foi louco por mim, durante anos e anos, eu me dispor a entrar em briguinha de bar por um cara que eu conhecia há um mês, sobre o qual eu mal sabia, que podia ou não ter ficado com outra pessoa na noite anterior me parecia pequeno demais. Fora da realidade demais. Adolescente DEMAIS!
Não gritei (na verdade, mal falei), não entrei no meio deles, não fiz nada. Só peguei minha bolsa e disse "tchau fulano, é melhor eu ir embora". E fui pro carro. Ele veio atrás. Ela veio atrás dele, puxando a blusa dele (#vergonha alheia). Eu entrei no meu carro pra ir, ele pedia pra não ir, ela me mandava embora. Ele tentou entrar no meu carro, ela bateu a minha porta (oi????). Até que a coisa toda chegou num climax: "fulana, pare com isso. Eu não quero ficar com você. Eu quero ficar com a Miriane porque eu amo a Miriane. Miriane, eu te amo." PLIM! Tá bom pra você ou quer mais????
Depois de viver 15 anos com o seu namorado de faculdade, de casar com ele, de ter dois filhos dele, de viver uma vida de família feliz de comercial de margarina, de ouvir aquele "eu te amo" que vem cheio de significado, de história, de envolvimento, de sentimento, depois de ficar viúva e sofrer horrores por longos e intermináveis meses, depois de começar a ter esperanças de um dia, quem sabe, talvez, ter outra pessoa que gostasse de você "daquele jeito" pra vida toda... o meu primeiro "eu te amo" foi assim - num estacionamento de bar, numa briga entre dois ex-namorados, que podiam ou não ter tido uma sessão remember na noite anterior, falado pra outra mulher antes de ser falado pra mim.
Senta e ri, galera, porque, se você for pensar meeeeesmo, é triste. Então, melhor pensar que foi uma "confusão divertida" e rir... (se eu fosse carioca, soltaria um sonoro "MERMÃO", agora!)
Saí daquele lugar meio em transe. Sem saber o que pensar ou o que fazer. Eu fiz e refiz as contas: estou saindo com um cara que NÃO quer me namorar, num momento em que eu NÃO quero nada sério com ninguém, tem uma ex noiva na jogada dele, tem uma ex namorada maluca na jogada dele, não tem ninguém mais na minha jogada. E aí? Faço o que? Puxo a cordinha e peço pra descer desse ônibus??? Mas o moço disse que me amava! E amor, pra mim, é negócio sério. E aí???? Mas talvez ele tivesse saído com a ex, naquela semana. Talvez ele tivesse algo irresistível com ela. Talvez eles tivessem história. E eu não sou de ficar entrando na história de ninguém!!! Meus sais!!!
Eu não estava com ciúmes, eu não estava triste, eu não estava brava, eu não estava arrependida, eu não estava nada... eu estava CONFUSA. CON-FU-SA! Na verdade, SFANCOU - tudo beeeem embaralhado, assim, quase impossível de identificar e traduzir!
Era meia noite e eu decidi que não ia voltar pra casa dos meus pais. Logo hoje! Logo hoje que eu tinha acabado de contar pra minha mãe "tô saindo com um cara", eu ia chegar, com aquela cara de "ué" e dizer "não tô mais saindo com um cara"???? Comecei a rodar pela cidade, de carro, a esmo, sem saber o que fazer. Talvez tivesse ficado assim atéééé, sei lá, umas 6 hs da manhã do dia seguinte. Mas o celular apitou que tinha uma mensagem. Era da minha irmã (ela tem mania de fazer twitter pelo celular e manda mil mensagens, todo dia, contando todas as coisas dela - adoro!). Mas, antes da dela, tinham três mensagens não lidas. Do H.
Eu nem pensei se ele podia estar interessado em mim ou não, eu nem pensei que seria "usar" uma pessoa ligar pra ela só porque o seu outro programa tinha dado errado, eu nem pensei que eu poderia acabar envolvendo todo mundo na confusão... eu nem pensei. Nem por um minuto. A mensagem dizia: "e aí, o que vai fazer hoje? Quer tomar alguma coisa e conversar?". PERFEITO! Tudo o que eu mais queria era um amigo pra conversar e tomar alguma coisa e não pensar mais no que tinha acontecido.
"Oi H. Desculpa o horário. Só peguei suas mensagens, agora. E aí, tá na rua? Saiu com uma galera? Posso ir também?"
"Oi Mirys. Eu já tava voltando pra casa, mas se você quiser tomar algo..."
"EU QUERO!"
E fui me encontrar com ele...
Cenas do próximo capítulo aqui (daqui umas horinhas).
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Depois de muito tempo esperando por alguém que se encaixasse naquilo que eu achava que era o melhor pra mim (alguém sem histórias anteriores e que não me conhecesse previamente / não conhecesse o Fer), alguém apareceu. E começo de relacionamento é aquela beleza, né? Uma espera ansiosa por ligações, os primeiros encontros que você não sabe como cumprimenta (beijo? no rosto? abraço só? dúvidas, dúvidas, dúvidas), aqueles rompantes inesperados onde você acha tudo lindo! Tudo é o fino da bossa! Tudo te encanta!
Só que o nosso relacionamento era não público porque nenhum dos dois queria isso. Nós não nos denominávamos de nada (não éramos saintes - porque é muito feio, não éramos namorados - porque não queríamos, não éramos amigos - porque rolava algo além). Ficávamos meio que... escondidos! Sabe aquela coisa adolescente, do "proibido", do "só nós sabemos", do frio na barriga? Então, tinha mais isso! E eu, romântica incorrigível que sou, transformava aquilo em algo mágico...
Mas, passado um mês, eu comecei a me sentir meio "desleal" com algumas pessoas. Tipo: minha mãe! Eu dormia na casa dela, ela torcia por mim, eu falava tudo pra ela (menos isso), ela cuidava dos meus filhos pra eu "sair só dar uma volta"...e eu não tinha contado nada pra ela, ainda. NA-DA! Tudo bem que eu NUNCA estava com o moço em público: a gente se falava por telefone, por computador, e quando se via nunca tinha ninguém por perto (beeeeeeeem adolescente, eu disse!). Mas... vai que! Vai que alguém me visse e falasse algo pra minha mãe. Nem que fosse algo bacana do tipo: "estou tão feliz que vi a Mirys conversando com um mocinho!". Ela ficaria sabendo por OUTRA pessoa e não por mim! Resolvi assumir todos os meus 36 anos de idade e sentei, numa noite, na cama dela: "mãezinha, seguinte, eu vou sair hoje, sim, mas não vou ficar com minhas amigas o tempo todo. Eu estou vendo alguém..." (e me preparei pra lambada!).
Mas o "sermão" não veio. O que veio foi um sorriso e uma frase de aceitação do tipo: "eu acho que já era a hora, filha". Contei do moço, da profissão dele, de quando começamos, do nosso combinado de não sermos nada mais sério, das bagunças na minha cabeça de viúva (ainda). Só não contei que, depois de ficar com ele, eu chorava copiosamente porque ainda me sentia casada e fazendo algo errado. Não contei porque isso era meu e isso era triste. E aquela não era uma hora triste!
Saí dali leve, empolgada, em paz. Minha mãe sabia E ela concordava. Ela cuidaria das crianças pra mim, ciente, quando eu quisesse "sair com as minhas amigas"! Ah, a verdade é mesmo libertadora!
Então, ele me ligou, me propondo o de sempre - nos encontrarmos escondidos. Eu respondi que se ele quisesse ir em algum lugar, tomar alguma coisa, contanto que a gente não ficasse juntos no lugar, por mim, tudo bem (porque beijar alguém, em público, ainda era inaceitável pra mim). Ele pensou um bocadinho, mas topou. E nós fomos!
Ele pensou porque, apesar dele não ter "história" do jeito que eu queria alguém "sem história" (com ex esposa, filhos, viuvez e todo aquele melodrama que a minha vida já tinha!), ele tinha uma ex namorada. Claro! Eu não ia encontrar alguém de 30 e poucos que nunca tivesse ficado com ninguém! Claro que não! A namorada era, na verdade, noiva. Muitos anos juntos, muitos planos feitos, algumas reviravoltas da vida e eles não estavam mais juntos (há muito pouco tempo, quando a gente começou a sair). Mas tinham sido anooooos de convívio e ele achava desrespeitoso (e eu também) ficar circulando por aí, com alguém pendurado no pescoço. Tudo bem: tinha acabado e cada um ia seguir a sua vida. Mas demonstrações de afeto com outra, em público, depois de um rompimento de noivado, nos parecia pouco caso demais! Ele respeitava a menina e eu também. Por isso ele tinha topado tão facilmente a minha proposta de sermos só "pausa".
Mas, um mês tinha se passado e a criatividade (e a paciência) pra ficar se encontrando escondido já estava se esgotando. Afinal, éramos adultos! E solteiros. E pagávamos as nossas contas. Então, no problems at all, right? E lá fomos nós pro barzinho.
Lugar lotado, ficamos no balcão e pedimos alguma coisa pra comer e beber. Como a lei de Murphy impera (SEMPRE!), eu encontrei com a secretária de sééééculos do meu pai, logo na entrada! "Mirys!!! Você aqui!!!". Sorri, cumprimentei,
Então, ele olha pra entrada do lugar e fica branco. Tenta se esconder atrás de mim (oi???? Eu tenho 1,70 metro, mas sou magrinha!!! Não dá pra um homem se esconder atrás de mim!!!). "Me abraça?". Eu perguntei o que estava acontecendo, mas NA HORA eu já sabia: a ex dele estaria lá! Só podia ser, certo???? Certo??? Certo????
Bom... meio certo! Era uma ex, sim, mas não era a noiva. Era outra. Outra que, aparentemente, gostava dele. Outra que (eu descobri depois) gostava de um escândalo.
Eis que a moça vem, entra no espaço de pouco mais de meio metro existente entre nós, de costas pra mim, dá um meeeeega abraço nele, um beijo no rosto e... fica ali!!! Meus sais, eu não podia acreditar naquilo!!! Então, ele fala pra ela dar licença porque ele estava conversando comigo e ELA ESTAVA NO MEIO (literalmente). E ela se vira pra mim... e eu vejo que eu a conhecia! Ela tinha sido professora da minha filha! Ufa, ufa, ufa. Gente do bem, bacana, trabalhava num lugar que eu adoro, sempre tivemos um ótimo relacionamento - tudo em paz. NOT!
"Oi Miriane. Tudo bem? E as crianças, como vão?" e virando-se pra ele, manda "Você SABIA que ela tem dois filhos, né?"
"As crianças estão ótimas. E você, como vai?" eu tentei ser simpática, mas estranhava muito aquela atitude... Mas, vinha mais!
"Estou bem. Você NÃO ESTÁ MAIS EM JAÚ, né? Pra onde VOCÊS foram?", ela perguntou, parecendo interessada.
Eu achei que era tudo sóóóóó impressão da minha cabecinha (versão Pollyana mode on) e respondi, tranquila: "Não, não estou mais aqui (até porque ele JÁ sabia que eu não morava em Jaú). Arrumei trabalho em outra cidade e fui pra lá."
Daí pra frente, eu desacreditei do que aconteceu. Sei lá que bicho tinha mordido aquela menina, naquela noite, mas ela me vira do nada e manda:
"Você TAMBÉM está saindo com ele? Porque a gente tem um problema aqui... ele estava na minha casa, ontem à noite."
E eles começaram a bater boca. E todo o bar começou a olhar pra mim!!!
Tudo bem, tudo bem que eu JÁ tinha contado pra minha mãe (e, automaticamente, ela deve ter ligado pro meu pai assim que eu virei as costas), então não tinha nenhum problema se alguém comentasse com ela, no dia seguinte, "vi a Mirys, no lugar tal, com um moço". Mas daííííííí a ela ler uma manchete de jornal "Miriane se envolve em confusão em bar, sendo vítima de socos e pontapés, por invadir relacionamentos alheios. Ela permanece, em choque, no hospital local" era MUITO DIFERENTE!
A coisa começou a esquentar, o nível da conversa foi ladeira abaixo, não adiantou nada eu ter saído de perto pra ver se ele se resolvia com ela, que eu decidi ir embora. Afinal, aquele problema era DELE. Eu não tinha nada a ver com isso. Eu não era namorada dele, nem a gente tinha qualquer combinado sobre fidelidade. Mas era esquisito. ERA MUITO ESQUISITO! Depois de ter alguém que foi louco por mim, durante anos e anos, eu me dispor a entrar em briguinha de bar por um cara que eu conhecia há um mês, sobre o qual eu mal sabia, que podia ou não ter ficado com outra pessoa na noite anterior me parecia pequeno demais. Fora da realidade demais. Adolescente DEMAIS!
Não gritei (na verdade, mal falei), não entrei no meio deles, não fiz nada. Só peguei minha bolsa e disse "tchau fulano, é melhor eu ir embora". E fui pro carro. Ele veio atrás. Ela veio atrás dele, puxando a blusa dele (#vergonha alheia). Eu entrei no meu carro pra ir, ele pedia pra não ir, ela me mandava embora. Ele tentou entrar no meu carro, ela bateu a minha porta (oi????). Até que a coisa toda chegou num climax: "fulana, pare com isso. Eu não quero ficar com você. Eu quero ficar com a Miriane porque eu amo a Miriane. Miriane, eu te amo." PLIM! Tá bom pra você ou quer mais????
Depois de viver 15 anos com o seu namorado de faculdade, de casar com ele, de ter dois filhos dele, de viver uma vida de família feliz de comercial de margarina, de ouvir aquele "eu te amo" que vem cheio de significado, de história, de envolvimento, de sentimento, depois de ficar viúva e sofrer horrores por longos e intermináveis meses, depois de começar a ter esperanças de um dia, quem sabe, talvez, ter outra pessoa que gostasse de você "daquele jeito" pra vida toda... o meu primeiro "eu te amo" foi assim - num estacionamento de bar, numa briga entre dois ex-namorados, que podiam ou não ter tido uma sessão remember na noite anterior, falado pra outra mulher antes de ser falado pra mim.
Senta e ri, galera, porque, se você for pensar meeeeesmo, é triste. Então, melhor pensar que foi uma "confusão divertida" e rir... (se eu fosse carioca, soltaria um sonoro "MERMÃO", agora!)
Saí daquele lugar meio em transe. Sem saber o que pensar ou o que fazer. Eu fiz e refiz as contas: estou saindo com um cara que NÃO quer me namorar, num momento em que eu NÃO quero nada sério com ninguém, tem uma ex noiva na jogada dele, tem uma ex namorada maluca na jogada dele, não tem ninguém mais na minha jogada. E aí? Faço o que? Puxo a cordinha e peço pra descer desse ônibus??? Mas o moço disse que me amava! E amor, pra mim, é negócio sério. E aí???? Mas talvez ele tivesse saído com a ex, naquela semana. Talvez ele tivesse algo irresistível com ela. Talvez eles tivessem história. E eu não sou de ficar entrando na história de ninguém!!! Meus sais!!!
Eu não estava com ciúmes, eu não estava triste, eu não estava brava, eu não estava arrependida, eu não estava nada... eu estava CONFUSA. CON-FU-SA! Na verdade, SFANCOU - tudo beeeem embaralhado, assim, quase impossível de identificar e traduzir!
Era meia noite e eu decidi que não ia voltar pra casa dos meus pais. Logo hoje! Logo hoje que eu tinha acabado de contar pra minha mãe "tô saindo com um cara", eu ia chegar, com aquela cara de "ué" e dizer "não tô mais saindo com um cara"???? Comecei a rodar pela cidade, de carro, a esmo, sem saber o que fazer. Talvez tivesse ficado assim atéééé, sei lá, umas 6 hs da manhã do dia seguinte. Mas o celular apitou que tinha uma mensagem. Era da minha irmã (ela tem mania de fazer twitter pelo celular e manda mil mensagens, todo dia, contando todas as coisas dela - adoro!). Mas, antes da dela, tinham três mensagens não lidas. Do H.
Eu nem pensei se ele podia estar interessado em mim ou não, eu nem pensei que seria "usar" uma pessoa ligar pra ela só porque o seu outro programa tinha dado errado, eu nem pensei que eu poderia acabar envolvendo todo mundo na confusão... eu nem pensei. Nem por um minuto. A mensagem dizia: "e aí, o que vai fazer hoje? Quer tomar alguma coisa e conversar?". PERFEITO! Tudo o que eu mais queria era um amigo pra conversar e tomar alguma coisa e não pensar mais no que tinha acontecido.
"Oi H. Desculpa o horário. Só peguei suas mensagens, agora. E aí, tá na rua? Saiu com uma galera? Posso ir também?"
"Oi Mirys. Eu já tava voltando pra casa, mas se você quiser tomar algo..."
"EU QUERO!"
E fui me encontrar com ele...
Cenas do próximo capítulo aqui (daqui umas horinhas).
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
Hora H 10 - damn, damn, damn (Diário da Mirys)
Como qualquer ser humano (MULHER!!!!) normal, eu fiquei intrigadíssima com a conversa com a minha cunhada. Talvez, taaaaaaaaaaalvez, o H estivesse, mesmo, com algum interesse pro meu lado. Quem sabia???
Tinha hora que eu achava que sim, porque a gente tinha um contato até que razoável (apesar dele ter "sumido" durante setembro), ele sempre estava disposto a conversar comigo, e... afinal de contas, eu era mulher e ele era homem. Ambos sozinhos. Por que não? Mas, no segundo seguinte, eu ria sozinha daquela possibilidade impossível e ridícula do H, aqueeeeeele H, da minha adolescência, estar a fim de MIM! Claro que não, né?
E, numa (outra) noite, eu resolvi conversar com ele pela internet. Não ia, pra não dar "pano pra manga", afinal eu NÃO queria me envolver com ninguém (eu queria BEIJAR alguém, lembram?), muito menos ainda com alguém que me conhecesse de outros carnavais. Mas, não resisti quando abri o facebook e tinha a seguinte "atualização" do meu amigo: um clipe de uma música da Avril Lavigne e um pedacinho da letra (vai traduzida abaixo porque eu quero que todo mundo possa entender).
Eu pus o "tico e o teco" pra funcionar e cheguei na única e brilhante conclusão que qualquer pessoa chegaria: ele tinha postado aquilo pra alguma EX dele!!!! Claro!!! Não era óbvio? (não?... #fail... achei que fosse...)
Juuuuuuuuuuro que eu achei que fosse pra alguma EX e, em nenhum segundo, me passou pela cabeça a possibilidade de que aquela música podia ser... pra mim! Então, puxei conversa e fui logo tirando um sarrinho: "uhu, tem alguém apaixonado por aí! E então, me conta, qual das ex é a sortuda, alvo dessa música?". Ele disse que não era pra nenhuma ex (mas também NÃO FALOU que era pra mim). Eu insisti. Ele negou, de novo. Eu brinquei e falei que ficava parecendo que era pra alguma ex, sim. Ele desconversou e disse que "só gostava da música".
Nós terminamos a conversa sem maiores comprometimentos, naquele velho clichê do "a gente se fala". Eu já tinha saído com alguém que era do jeito que eu achava que tivesse que ser: alguém sem histórias fortes e que não me conhecesse anteriormente. Alguém novo. A gente não tinha nada de sério porque nenhum dos dois queria e aquele era o nosso trato: sermos pausa. E eu ia manter tudo assim, tranquilo, leve, amigos-amigos, pausas à parte... se não fosse por uma noite em que eu quase protagonizei um escândalo numa chopperia. Na verdade, quase protagonizaram pra mim!!! Mas isso é história pra amanhã...
Cenas do próximo capítulo do Hora H aqui (mas aqui tem uma explicação necessária pra você ler antes...).
PS: se você quiser ver toda a letra da música da Avril (é bem linda), clique aqui.
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Tinha hora que eu achava que sim, porque a gente tinha um contato até que razoável (apesar dele ter "sumido" durante setembro), ele sempre estava disposto a conversar comigo, e... afinal de contas, eu era mulher e ele era homem. Ambos sozinhos. Por que não? Mas, no segundo seguinte, eu ria sozinha daquela possibilidade impossível e ridícula do H, aqueeeeeele H, da minha adolescência, estar a fim de MIM! Claro que não, né?
E, numa (outra) noite, eu resolvi conversar com ele pela internet. Não ia, pra não dar "pano pra manga", afinal eu NÃO queria me envolver com ninguém (eu queria BEIJAR alguém, lembram?), muito menos ainda com alguém que me conhecesse de outros carnavais. Mas, não resisti quando abri o facebook e tinha a seguinte "atualização" do meu amigo: um clipe de uma música da Avril Lavigne e um pedacinho da letra (vai traduzida abaixo porque eu quero que todo mundo possa entender).
Damn, damn, damn (droga, droga, droga)
What I'd do to have you (o que eu faria pra ter você)
Near, near, near (perto, perto, perto)
I wish you were here (eu queria que você estivesse aqui)
Eu pus o "tico e o teco" pra funcionar e cheguei na única e brilhante conclusão que qualquer pessoa chegaria: ele tinha postado aquilo pra alguma EX dele!!!! Claro!!! Não era óbvio? (não?... #fail... achei que fosse...)
Juuuuuuuuuuro que eu achei que fosse pra alguma EX e, em nenhum segundo, me passou pela cabeça a possibilidade de que aquela música podia ser... pra mim! Então, puxei conversa e fui logo tirando um sarrinho: "uhu, tem alguém apaixonado por aí! E então, me conta, qual das ex é a sortuda, alvo dessa música?". Ele disse que não era pra nenhuma ex (mas também NÃO FALOU que era pra mim). Eu insisti. Ele negou, de novo. Eu brinquei e falei que ficava parecendo que era pra alguma ex, sim. Ele desconversou e disse que "só gostava da música".
Nós terminamos a conversa sem maiores comprometimentos, naquele velho clichê do "a gente se fala". Eu já tinha saído com alguém que era do jeito que eu achava que tivesse que ser: alguém sem histórias fortes e que não me conhecesse anteriormente. Alguém novo. A gente não tinha nada de sério porque nenhum dos dois queria e aquele era o nosso trato: sermos pausa. E eu ia manter tudo assim, tranquilo, leve, amigos-amigos, pausas à parte... se não fosse por uma noite em que eu quase protagonizei um escândalo numa chopperia. Na verdade, quase protagonizaram pra mim!!! Mas isso é história pra amanhã...
Cenas do próximo capítulo do Hora H aqui (mas aqui tem uma explicação necessária pra você ler antes...).
PS: se você quiser ver toda a letra da música da Avril (é bem linda), clique aqui.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
MUDE! (Diário da Mirys)
Dia 01 de outubro de 2012.
Segunda-feira. O fim do ano vem chegando (de novo!) e nós entramos em contagem regressiva pra dezembro chegar. E janeiro! Ah!... Em janeiro, "ano novo, vida nova". Em regra geral, só se o dia 1o de outubro for o seu aniversário (ou o aniversário de uma data especial) é que você dá bola pra ele. Caso contrário, ele passa... em branco... assim como outros quase 300 dias do nosso ano... esperando "o dia certo" chegar, pra tudo começar a ficar como você quer.
A dieta espera a próxima segunda.
A academia espera sinais de sol, piscina e mar, no dia em que começa o verão.
Aquela mudança de emprego, espera o 13o salário chegar.
O bilhetinho / cartão pra namorada espera o aniversário dela (ou, no máximo, o dia dos namorados).
Aquele avô espera a visita no final de semana.
Aquela garota incrível espera a sexta-feira, às xx horas da noite, pra receber o telefonema.
Por que estamos sempre esperando pra transformar nossas vidas naquilo que nós gostaríamos que elas fossem??? Por que a mudança de rumos, de metas, de vida nos causa tanto apavoro? Por que insistimos que nossa vida siga um "script" pré determinado por alguém, do tipo "só pode se ter filho se tiver o emprego dos sonhos antes e muito, muito dinheiro no banco", "só pode viajar pra longe, se for de avião + hotel bacana", "só pode casar se a casa estiver terminada, mobiliada, quitada"?
Tem gente que tem a vida inteira organizada, tipo planilha de excell: de tantos a tantos anos - terminar zoologia. De tantos a tantos anos - namorar sem seriedade. De tantos a tantos anos - trabalhar na empresa X, visando o cargo Y, em 4 anos. De tantos a tantos anos - investir num relacionamento. De tantos a tantos anos - ter 2 filhos (ou 1!).
E daí se a sua vida, às vezes, sair do script? E se o emprego dos seus sonhos aparecer, enquanto você ainda não terminou aquela pós que você tinha programado fazer ANTES daquele emprego? E se o primeiro filho nascer quando você estiver no 2o ano de casamento? E se aquela pessoa incrível aparecer enquanto todos os seus amigos estão solteiros, enquanto você não terminou a faculdade, enquanto você não fez uma viagem de formatura (porque "todo mundo" faz uma viagem com os amigos - solteiro)?
Se você fez um plano pra sua vida, se quer fazer tudo como todo mundo, pra ter as mesmas experiências, pra se encaixar, pra contar as mesmas estórias numa rodinha, numa sábado à noite, ok! Mas, pra mim, se uma oportunidade impar, cai de paraquedas, no seu colo, e você deixa de aproveita-la porque... bem.... ainda não era a hora pra ela acontecer, então não está "ok". Estão "não ok"! Pra que ter uma vida igual a de todos se a sua, por uma oportunidade rara do destino, pode ser muito melhor? Só pra se moldar? Acho bobeira...
Não tem coisa mais gostosa do que receber um presente que vem assim, mesmo, de presente, de graça, sem obrigação nenhuma de ser ou acontecer! Você não ganha porque "é o dia de ganhar presentes". Você ganha porque alguém te ama, porque alguém lembrou de você, porque sim. Simplesmente porque sim!
Me diz se tem coisa melhor do que amigos (ou filhos, ou netos, ou qualquer outra pessoa querida) que chegam de surpresa, na sua casa, para uma visita sem compromisso? Ou aquela roupa linda que serve em você, antes do verão chegar? Ou receber bilhetes, torpedos, cartas, e-mails PRA VOCÊ, no meio de uma semana qualquer, sem nenhuma combinação prévia ou expectativa de que isso fosse acontecer?
Se a vida te deu a chance de fazer algo incrível, mas fora do script "comum"... MUDE!!! Faça diferente, ame diferente, trabalhe diferente, seja diferente! Nade contra a correnteza, nem que seja só por exercício (como dizia Cazuza). Mudar o plano pré programado e VIVER momentos únicos só pode te fazer bem!
E não espere a "data certa"! Porque você tem prazo de validade (sinto te dizer...), mas você não sabe quando ele chega. Então, mude e mude hoje!!! Apareceu aquele emprego que vai te desafiar (mesmo que seja diferente do dos seus amigos)? Arrisque! Ficou grávida no começo de um casamento / emprego / projeto de vida (e a gravidez vai mudar seus planos)? Curta! Se apaixonou pela pessoa mais incrível que você já conheceu (mas pensava ficar solteiro por xxx tempo, ainda)? SE JOGUE!!!
Se não aguenta o tranco, mude aos poucos... mas mude! É bobagem esperar que a sua vida seja diferente e sensacional, se você fizer tudo igual a todo mundo, se você não mudar! Tolo é aquele que espera a mudança, se ele mesmo continua a fazer tudo do mesmo jeito. E, vou te contar um segredo: coisas incríveis e surpreendentes não tem data certa pra acontecer!!! Caso tivessem, não seriam surpreendentes (e, dificilmente, seriam incríveis...).
Por isso, hoje é uma segunda, dia 1o de outubro. Mas poderia ser uma quinta, um domingo ou, até mesmo, um sábado. Podia ser o meio de algum mês. Não importa. Poderia ser Natal, ano novo, seu aniversário. Não faz diferença. O importante é você perceber as oportunidades incríveis que estão do seu lado e abraça-las com todas as suas forças, se elas te parecerem algo fantástico para se manter por toda a vida. A vida te convidou a mudar de rumos? MUDE! Quem sabe hoje, logo hoje, seja o primeiro grande dia da sua existência???
Segunda-feira. O fim do ano vem chegando (de novo!) e nós entramos em contagem regressiva pra dezembro chegar. E janeiro! Ah!... Em janeiro, "ano novo, vida nova". Em regra geral, só se o dia 1o de outubro for o seu aniversário (ou o aniversário de uma data especial) é que você dá bola pra ele. Caso contrário, ele passa... em branco... assim como outros quase 300 dias do nosso ano... esperando "o dia certo" chegar, pra tudo começar a ficar como você quer.
A dieta espera a próxima segunda.
A academia espera sinais de sol, piscina e mar, no dia em que começa o verão.
Aquela mudança de emprego, espera o 13o salário chegar.
O bilhetinho / cartão pra namorada espera o aniversário dela (ou, no máximo, o dia dos namorados).
Aquele avô espera a visita no final de semana.
Aquela garota incrível espera a sexta-feira, às xx horas da noite, pra receber o telefonema.
Por que estamos sempre esperando pra transformar nossas vidas naquilo que nós gostaríamos que elas fossem??? Por que a mudança de rumos, de metas, de vida nos causa tanto apavoro? Por que insistimos que nossa vida siga um "script" pré determinado por alguém, do tipo "só pode se ter filho se tiver o emprego dos sonhos antes e muito, muito dinheiro no banco", "só pode viajar pra longe, se for de avião + hotel bacana", "só pode casar se a casa estiver terminada, mobiliada, quitada"?
Tem gente que tem a vida inteira organizada, tipo planilha de excell: de tantos a tantos anos - terminar zoologia. De tantos a tantos anos - namorar sem seriedade. De tantos a tantos anos - trabalhar na empresa X, visando o cargo Y, em 4 anos. De tantos a tantos anos - investir num relacionamento. De tantos a tantos anos - ter 2 filhos (ou 1!).
E daí se a sua vida, às vezes, sair do script? E se o emprego dos seus sonhos aparecer, enquanto você ainda não terminou aquela pós que você tinha programado fazer ANTES daquele emprego? E se o primeiro filho nascer quando você estiver no 2o ano de casamento? E se aquela pessoa incrível aparecer enquanto todos os seus amigos estão solteiros, enquanto você não terminou a faculdade, enquanto você não fez uma viagem de formatura (porque "todo mundo" faz uma viagem com os amigos - solteiro)?
Se você fez um plano pra sua vida, se quer fazer tudo como todo mundo, pra ter as mesmas experiências, pra se encaixar, pra contar as mesmas estórias numa rodinha, numa sábado à noite, ok! Mas, pra mim, se uma oportunidade impar, cai de paraquedas, no seu colo, e você deixa de aproveita-la porque... bem.... ainda não era a hora pra ela acontecer, então não está "ok". Estão "não ok"! Pra que ter uma vida igual a de todos se a sua, por uma oportunidade rara do destino, pode ser muito melhor? Só pra se moldar? Acho bobeira...
Não tem coisa mais gostosa do que receber um presente que vem assim, mesmo, de presente, de graça, sem obrigação nenhuma de ser ou acontecer! Você não ganha porque "é o dia de ganhar presentes". Você ganha porque alguém te ama, porque alguém lembrou de você, porque sim. Simplesmente porque sim!
Me diz se tem coisa melhor do que amigos (ou filhos, ou netos, ou qualquer outra pessoa querida) que chegam de surpresa, na sua casa, para uma visita sem compromisso? Ou aquela roupa linda que serve em você, antes do verão chegar? Ou receber bilhetes, torpedos, cartas, e-mails PRA VOCÊ, no meio de uma semana qualquer, sem nenhuma combinação prévia ou expectativa de que isso fosse acontecer?
Se a vida te deu a chance de fazer algo incrível, mas fora do script "comum"... MUDE!!! Faça diferente, ame diferente, trabalhe diferente, seja diferente! Nade contra a correnteza, nem que seja só por exercício (como dizia Cazuza). Mudar o plano pré programado e VIVER momentos únicos só pode te fazer bem!
E não espere a "data certa"! Porque você tem prazo de validade (sinto te dizer...), mas você não sabe quando ele chega. Então, mude e mude hoje!!! Apareceu aquele emprego que vai te desafiar (mesmo que seja diferente do dos seus amigos)? Arrisque! Ficou grávida no começo de um casamento / emprego / projeto de vida (e a gravidez vai mudar seus planos)? Curta! Se apaixonou pela pessoa mais incrível que você já conheceu (mas pensava ficar solteiro por xxx tempo, ainda)? SE JOGUE!!!
Se não aguenta o tranco, mude aos poucos... mas mude! É bobagem esperar que a sua vida seja diferente e sensacional, se você fizer tudo igual a todo mundo, se você não mudar! Tolo é aquele que espera a mudança, se ele mesmo continua a fazer tudo do mesmo jeito. E, vou te contar um segredo: coisas incríveis e surpreendentes não tem data certa pra acontecer!!! Caso tivessem, não seriam surpreendentes (e, dificilmente, seriam incríveis...).
Por isso, hoje é uma segunda, dia 1o de outubro. Mas poderia ser uma quinta, um domingo ou, até mesmo, um sábado. Podia ser o meio de algum mês. Não importa. Poderia ser Natal, ano novo, seu aniversário. Não faz diferença. O importante é você perceber as oportunidades incríveis que estão do seu lado e abraça-las com todas as suas forças, se elas te parecerem algo fantástico para se manter por toda a vida. A vida te convidou a mudar de rumos? MUDE! Quem sabe hoje, logo hoje, seja o primeiro grande dia da sua existência???
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