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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Hora H 12 - Filipinas. Onde??? (Diário da Mirys)

No dia seguinte daquela confusão toda, o H me ligou. Queria saber como eu estava e como tinham ficado as coisas com o moço que eu saia. Eu expliquei que iria viajar por uns dias e que, quando voltasse, decidiria tudo isso.

Na verdade, eu viajei, voltei, conversei com o moço e decidimos continuar saindo (e não namorando), mas fizemos um "combinado de fidelidade". Só eu mesma pra me enfiar nessas situações...

Mas, pra gente, na época, dava certo. Porque eu ainda não estava preparada para nada além daquilo. Porque ele ainda não tinha se organizado com a ex (noiva). Porque as crianças não sabiam e era melhor que tudo continuasse assim, mesmo - uma coisa de adultos, sem formalidades sociais, sem apresentar pra família, nada. Porque ele trabalhava muito nos finais de semana e, bem, ninguém quer ter um namorado pra chamar de seu se NÃO pode estar com ele nas noites de sexta + sábado + domingo e se ele não faz nenhuma questão de ter algo mais oficial com você. É idiotice!

Passou meu aniversário e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o casamento da minha irmã e muita gente me ligou (H inclusive). Passou o nascimento do meu sobrinho e muita gente me ligou (H inclusive). Mas a gente, eu e o H, ficava só nisso: poucos telefonemas e muitos recados via celular. E com tanta coisa acontecendo na minha vida (além das que eu citei aqui), eu acabei nunca mais saindo com ele pra conversar e nunca contei como eu tinha ficado com o moço com quem eu saia.

Até que ele me mandou um torpedo, num sábado, perguntando se eu queria sair, se já tinha programa, porque ele queria ir em tal lugar e não tinha companhia. Eu pensei que não teria mal nenhum em sair com um amigo, enquanto eu esperava o moço com quem eu saia terminar de trabalhar e ir me encontrar.

Fui com meu carro e ele foi com o dele. Conversamos por longas horas, comemos, rimos. Ele me contou sobre a vida dele (todos aqueles anos que eu tinha estado longe e tudo o que eu sabia era "o H parou de voar", "o H voltou a voar"), sobre amores, sobre desilusões, sobre as crianças dele (um casal, assim como as minhas). "E você, Mirys... e o namorado?" "Ele não é meu namorado, eu já te disse..." "Tá bom, tá bom, como vai o não namorado, então? Pelo visto vocês estão juntos, de novo." E eu contei o que tinha acontecido depois da viagem. Não contei sobre a minha crise de viúva ao ouvir uma música... mas contei que estava questionando várias coisas... minhas... tentando validar alguns sentimentos que eu não conseguia definir... enfim, tentando me encontrar.

Conversamos mais um monte, sobre várias outras coisas, até que eu perguntei do trabalho dele. Por que ele tinha parado de voar? Por que tinha voltado? Como era ficar longe das crianças dele, nessa vida maluca de piloto de avião? Eu ficava intrigadíssima com essa vida dele. Tããããão diferente da do resto dos mortais!... Porque, vamos combinar?, bombeiros, atores de cinema, astronautas, Renato Russo e PILOTOS DE AVIÃO vivem num mundo completamente diferente de nós, reles mortais! A vida deles parece tão mais interessante, tão cheia de aventuras, tão emocionante, tão mágica!!! Quem, quando criança, não quis ser nenhuma dessas alternativas acima? Quem, quem, quem????

"Então, Mirys, o trabalho vai muito bem, mas eu recebi uma proposta. Pra voar nas Filipinas. O que você acha?"

O que eu acho????? O que EU acho???? A minha opinião é importante pra decidir o futuro de alguém com uma vida tão mais intensa e faiscante do que a minha???? Me senti honrada!!! Na minha cabeça, na hora, veio uma imagem de uma praia liiiiiinda, com mar azul, uma rede estendida entre dois coqueiros, um copo de qualquer coisa gelada, uma musiquinha bacana tocando no fundo (não me pergunte de onde, na minha loucura, veio a musica! Mas veio!), um ventinho bom... e ele queria saber se eu achava que alguém deveria ir para um abuso desses! Fiz cara de rogada (eu TIVE QUE FAZER para parecer séria e não histericamente empolgada), me ajeitei na cadeira e dei minha importante opinião:

"Bom, eu acho... que tem o problema das crianças e de ficar longe delas."
"É verdade. Mas, isso eu poderia resolver assim."
"Bom, eu acho... que a saudade da família vai apertar..."
"Isso eu poderia resolver desse outro jeito."
"Bom, eu acho... que viver numa cultura completamente diferente não deve ser fácil, mas deve ser um ótimo crescimento pessoal."
"Claro. E as dificuldades eu posso resolver assim."

Eu mostrava os pontos contras (tinha????) e ele me dava uma saída. O homem tinha solução pra tudo! Incrível esse H! Tipo a minha amiga Cá (eu SEMPRE invejei a Cá pelo seu jeito meio prático / resolvido / determinado / descomplicado / masculino de resolver a vida! Eu, como legítima espécime do gênero feminino, sou um poço de indecisão e vejo miiiiiiiiiiiiiiiil detalhes, antes de dar cada passo). Acho o máximo quem consegue simplificar a vida desse jeito!

"Bom, então, se eu fosse você, eu iria. Vai ser uma grande oportunidade. E o que você acha?" (afinal, era a vida DELE e o mínimo da educação me mandava pedir a opinião DELE! Rsrsrsrs)

"Por mim, eu só vou pra lá casado. Porque não faz sentido estar do outro lado do mundo, num lugar paradisíaco, sozinho. Você não quer casar e ir comigo?"

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Eu ri.
É claro que ele "só poderia" estar brincando! É claro!

Segundos depois, o moço com quem eu saia chegou. Me deu um beijo. Me chamou pra ir embora. Eu pedi um segundo para poder acertar a conta (porque o H já tinha pago a última conta, sozinho. Dos 3!). "Não Mirys, imagina, pode deixar. Você me conhece. Eu sou da 'moda antiga'. Pode ir tranquila que eu acerto aqui."

Dei um beijo de obrigada e fui.

E a gente não se veria durante todo o mês de dezembro, até a noite de reveillon, quando...

Cenas do próximo capítulo aqui.

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

É a minha cara! (Diário da Mirys)

Na semana passada, passeando no blog da Rê (já tô ficando íntima!), eu me lembrei de uma história bacana... E deu vontade de compartilhar. Quem sabe alguém se inspira?! Já pensou que legal???

Uma vez, quando eu morava em São Paulo e ainda não era mãe, eu fazia curso de fotografia... e adorava fotografar gente... e queria muito fazer algum projeto social que envolvesse minhas paixões: foto e crianças.

Então, criei um projeto que se chamava "É a minha cara!!!" A ideia era ir num abrigo (que eu já ajudava), que mantinha crianças em situação de risco, e fazer retratos deles. Para mim era óbvio o benefício que uma simples foto poderia trazer... mas o Fer discordava... minha amiga (e convidada a ser parceira) discordava... outros amigos desincentivaram dizendo que nenhuma empresa iria colocar dinheiro num projeto assim "onde a fotógrafa só quer gastar dinheiro com filmes e revelações, usando modelos particulares"!

A ideia era fazer uma tarde de retratos com eles, levando mil apetrechos, maquiagem, roupas, tintas de rosto, etc, e depois organizar uma exposição no orfanato, mesmo, para que eles se vissem!!!

Mas, eu insisti! Sou persistente... rsrss. Fui conversar com a diretora do abrigo e levei minha amiga / parceira junto. Quando contei a ideia do projeto (morrendo de medo que ela falasse "de jeito nenhum! Vai expor as crianças!" ou outra coisa assim), ela encheu os olhos de lágrimas e disse que seria "lindo" praquelas crianças, que NUNCA tinham uma foto: nem da família, nem dos amigos, nem dos aniversários, nada.

Pra gente é tão normal, né? Temos foto de qualquer dia, por qualquer coisa. De planta, de bicho, de prédio, de gente. Mas, eles não tinham nenhuma!!! E, segundo a diretora, não tinham todos os vínculos afetivos que uma foto com mais gente traz. Nem tinham a auto estima elevada de se verem, bonitos, num pedaço de papel.

Minha sócia saiu dali convencidíssima!!! Meses depois, com a ajuda de alguns amigos pra maquiar, vestir, produzir as crianças, mais o Fer, mais o patrocínio de 2 empresas, nós fizemos a tarde de fotos. Foi mágica!!!! E revelamos tudo e fizemos uma grande exposição, no pátio do abrigo, no dia das visitas. Pedimos ingresso para aqueles visitantes que não fossem família: um produto de higiene pessoal (tão em falta no abrigo). Arrecadamos um monte de coisa!

Mas nada me fez tão feliz como o elogio e o agradecimento de um menininho de 8 anos, que tinha 90% do corpo queimado (pai bêbado e mãe desequilibrada...), por ter saído lindo na foto! Confesso que ele era o meu maior dilema: como fotografar o rosto de uma criança que é quase todo queimado e fazê-lo gostar da sua própria foto? Como deixá-lo de fora da programação e da exposição porque a gente não teria como fazer a foto sem mostrar as marcas?? Mas, deu certo!...

E aí, você também curte fotografia? Tem jeito pra coisa? Então que tal usar esse seu dom e ir alegrar o dia (e a vida) de alguém que mora perto de você que nunca vai ter a oportunidade de uma experiência dessa, de outro jeito? Procura aí um orfanato, uma pediatria de hospital onde as crianças ficam internadas, uma casa abrigo, qualquer coisa. Vai dar trabalho - já te adianto isso! Vai mesmo. Tem que pegar autorização de um por um, preparar os modelos, montar a "parafernália" do fundo das fotos, carregar um monte de roupas + perucas + acessórios. Mas, no final, vai valer MUITO a pena!!! Isso eu também te garanto!

Bjos, bençãos e um ótimo final de semana pra você!
Mirys

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O trabalho novo da mamãe (Diário do Guigo)


Oi tudo mundo!

Hoje a mãma começou o emprego novo dela, láááá em São Paulo. Pelo menos, ela achava que seria em São Paulo...

À 1h da manhã, mãma pegou um ônibus para sampa e acordou às 5:50hs, na rodoviária da Barra Funda. Uma hora depois, chegava, com o pão de queijo, cheia de planos para a semana paulistana dela, na casa da tia Baby. Conversaram um pouquinho e fizeram planos para a noite (cinema, visitas a amigos, etc). Mamãe queria muito aproveitar sua semana sozinha na capital para visitar a tia Piu, a tia Lulu, a tia Pat, a Sofia da tia Ci, a tia Pat grávida, a tia Dri e todas as outras tias da Price, etc...

Chegou no Tribunal e foi para lá e para cá, de reunião em reunião. Às 11hs e qualquer coisa, na última reunião da manhã, falaram para ela "tá tudo muito bem, tudo muito bom, mas realmente, realmente, eu queria que você estivesse... em Ituverava! Vai pra lá!". Amanhã ela tem que começar a trabalhar, EM ITUVERAVA, às 8hs da manhã!

Ela almoçou com a tia Baby (para compensar o resto da semana que vai "abandoná-la") num restaurante delicioso e foi buscar as malas. Começou a parte difícil... o ônibus andava a meio por hora... quando chegou no ponto, a mãma foi "correndo" por 4 quadras e ganhou uma bela bolha no dedo do pé... chegou no apê, trocou de roupa correndo, fechou a mala recém aberta e foi pegar um taxi. Ia dar tempo! O ônibus para Ituverava saia às 3hs (papa tinha confirmado).

Pegou o metro e, zum, rapidinho ele estava na estação armênia, uma antes da rodoviária do Tietê... e lá ficou! Até às 15:05hs!!!!!

Chegou no tietê e o ônibus para Ituverava tinha acabado de sair... então, ela comprou uma passagem para Ribeirão Preto e foi, tranquila, pois a informação é que tinha ônibus de Ribeirão para Ituverava "o tempo inteiro".


O onibus para Ribeirão atrasou na parada do posto e... "o tempo inteiro" de ônibus para Ituverava se transformou num ÚNICO ônibus, às 9hs (eram 8:10hs), que demorava quase três horas para fazer uma viagem de 40 minutos! Mãma pos um sorriso no rosto e falou "quero uma passagem para Ituverava". O homem respondeu "não aceitamos nenhum cartão, nem cheque. Só dinheiro. Custa R$ 22,00." Mãma tinha R$ 17,00... o resto tinha ficado nos metros/ônibus/taxis de sampa.

Era simples: só tirar dinheiro no caixa automático da rodoviária de Ribeirão. SE o caixa automático funcionasse!!! Então, mãma virou pedinte: foi de guiche em guiche que aceitava visa tentar trocar R$ 20,00 no visa electron por dinheiro. Três lugares toparam, mas nenhuma máquina funcionou!!!!

Bem nessa hora, liga a tia Camila (prima que mora em Ribeirão) e a mãma pediu socorro. A tia Cá achou alguém para ficar com a Maria Clara (de poucos meses), para sair correndo, passar em um caixa sacar dinheiro e levar para a mamãe, na rodoviária. Mas... nenhuma máquina naquela cidade funcionava!!!

Daí, mamãe se lembrou que o vovô sempre diz: "deixe um dinheirinho dobrado, escondido, na carteira, para emergências". Aquilo era uma emergência! O primeiro ônibus do dia seguinte não chegaria em Ituverava antes das 8hs, horário que mamãe deveria estar trabalhando! Procura daqui, procura de lá.... plim! R$ 10,00 dando sopa!!! Mamãe ia ficar sem dinheiro para o taxi em Ituverava, mas ela decidiu que pensaria nisso lá!

Comprou a passagem, avisou todo mundo que estava tudo bem, entrou no ônibus e... andou umas 10 quadras e o bus parou. Apos uma bateção de portas, o motorista avisa: "vamos mudar de ônibus. Todo mundo para o carro da frente!". Essa viagem estava começando a ficar realmente difícil...

Mas, tudo bem! E lá foi a mamãe para... o posto policial rodoviário! O onibus (o 2o) foi parado para vistoria, 3 guardas armados entraram no onibus e vistoriaram algumas pessoas. Meia hora depois, a viagem continuou. E ainda teve uma senhorinha muito "peculiar" falando que aquela era a viagem mais comprida da vida dela... E a mãma que tinha começado à 1h da manhã anterior???


Bom, meia noite, lá está ela, em Ituverava, no hotel (pediu para o motorista do ônibus deixá-la na rua próxima do hotel, para não precisar se justificar para qualquer taxista), ufa!!!!

Agora, é só começar a trabalhar, amanhã!

Bjos e bençãos

Guigo + Nina + mãma (exausta) + papa