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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A despedida... (Diário da Mirys)

Domingo, 24 de janeiro de 2010.

Depois de um tempo lá, sentada, ela resolveu que tinha que fazer alguma coisa. Ele tinha ido, mas outros tinham ficado. E podiam precisar dela. Seu pai e o marido da sua irmã (também médico) tinham ido ficar com o Fer. E ela foi cuidar de sua sogra. Estava preocupada com a pressão dela, com o coração, com o estado emocional, com tudo! E estava certa: sua sogra realmente precisava de ajuda. Foi até um enfermeiro ou médico da ambulância e explicou a situação. Ele disse que nada podia fazer, que eles teriam que esperar, por sabe lá quanto tempo, até uma próxima ambulância chegar, pois nenhuma das 5 que lá estavam podiam socorrer aquela senhora, naquela hora... Esperaram, a ambulância chegou, mas só poderia levar duas pessoas: sua sogra e o irmão dele foram os escolhidos. Pois ela achava que estava bem. E sua irmã, mais uma médica, poderia leva-la pro hospital... Quanta sorte ter tantos médicos na família...

No caminho, completamente em transe, ela começou a se lembrar de algumas pessoas que precisavam ser avisadas: seu sogro (meus sais, como falar isso pra ele?!), amigos mais chegados, irmãos, seu chefe/amigo...pegou o celular e ligou uma vez para cada pessoa. Com quem conseguiu falar, falou.

No hospital, pediu para ser a última a ser examinada, pois achava que estava "normal". E estava. Não precisou de remédios, calmantes, controladores de pressão, anti-depressivos, nada. Nada... E ela ficou tão brava com ela mesma!!! Não conseguia chorar, não precisava de médicos, não tinha se alterado em nada. Como? Como, com uma notícia daquelas, ela não se alterara??? Como, como, como...

Chegou a duvidar do seu amor. Da sua sensibilidade. Da sua preocupação com o outro. Da sua maternidade. Da sua humanidade, mesmo!

Lembrou de seus pequenos e pediu que a levassem pra casa de sua mãe. Nem precisou virar a esquina para já perceber a quantidade de carros estacionados em toda a rua. Passava da meia-noite e muitos amigos estavam lá... Com os olhos, buscou sua mãe, a abraçou e só ouviu: "obrigada, filha. Obrigada por ser obediente ao seu marido...". A mãe dela sabia: sabia que, se ela tivesse ido junto, ela também estaria socorrendo as pessoas, ela também correria riscos, ela também estaria em perigo. E ela pediu para ir junto com ele. 4 vezes. E ele disse não. E ela obedeceu.

Não falou com mais ninguém e entrou para ver seus pequenos, que assistiam um filminho na sala, com um de seus tios. Achou melhor só olha-los pelo vidro e não atrapalha-los. Logo dormiriam. E não precisavam dormir com uma notícia daquelas. Eles só tinham 5 e 3 anos... Como se dá uma notícia dessa a crianças tão pequenas? Contar tudo, naquela hora, parecia a pior opção. Ela resolveu gerenciar sua dor, organizar o que precisasse ser organizado, chorar se conseguisse, e contar tudo no dia seguinte.

Entregou seu celular e o celular dele para uma das suas irmãs. E pediu para avisar todos os meninos das listas. Porque ela tinha amigas grávidas e/ou com bebês em casa. Não se dá uma notícia dessas, nesse horário, para mulheres grávidas, não é? Mas, os amigos precisavam ser avisados... muitos moravam longe e precisariam viajar logo cedo, no dia seguinte, se quisessem se despedir.

Quando todos foram embora, ela deitou na sala, mas não conseguiu dormir. Ela se sentia minúscula: nem dormir, conseguia! Como meia hora podia transformar vidas... pra sempre... irremediavelmente...

Mas, o sol nasceu. E esse foi o único pensamento que ela se lembra de ter tido, depois de ter entregue os celulares e virar um "zumbi", que cumprimentava amigos, recebia abraços, falava coisas, mas nada disso era consciente. "O sol nasceu. De novo. E vai nascer amanhã. E depois de amanhã... E depois de depois de amanhã..."

O telefone tocou e como ela era a única pessoa acordada, atendeu. Era da funerária. Perguntando se o caixão ficaria aberto ou fechado. Então, a ficha dela caiu... Aberto, por favor. Ela precisava se despedir... Acordou seu pai e fez um pedido tão absurdo, daqueles que só se faz para os pais, mesmo, quando você tem certeza de que é muito amada e vai ser compreendida: pediu que ele levantasse (depois de ter passado a noite quase toda no IML) e fosse pra funerária, enfaixasse o que precisasse ser enfaixado, arrumasse o que precisasse ser arrumado, para que o caixão ficasse aberto. E seu pai foi...

Era domingo. Com um sol lindo e pacífico, daqueles típicos de domingo, quando só se espera a vida passar tranquila. Daqueles que te convidam pra ir na igreja, que envolvem deliciosos almoços de família que terminam em sorvete, que são propícios para uma tarde na beira da piscina. Mas, tudo aquilo que era tão comum em todos os outros domingos, não aconteceria nesse.

Ela foi pro velório acompanhada de alguns queridos. As crianças ainda dormiam. Ela pediu para entrar na sala sozinha e assim aconteceu. Eles conversaram, só os dois, pela última vez. E ela prometeu cuidar das pessoas que eram queridas para ele, no lugar dele, do melhor jeito que ela conseguisse. Porque, na vida, é só isso que importa: as pessoas. E, naquele momento, isso era ainda mais claro!...

Abriu as portas. Dividiu com os outros o seu amor. Abraçou muitos. Consolou vários. Até mesmo lhe perguntaram, pessoas amigas da família dele (que não a conheciam bem), mais de uma vez, quem era a viúva. Pois ela não parecia se encaixar no perfil... Cuidou e foi cuidada. Quando soube que as crianças tinham acordado, fez uma reunião de família para saber o que fazer e como contar. Pai, mãe, irmã, irmão, cunhados.

De repente, no meio daquele turbilhão de emoções, onde ela se sentia como alguém que assiste um filme e fica torcendo pra mocinha se dar bem no final, ela saiu da sala - quando voltou, leu o nome dele na porta... e o seu, logo abaixo "deixa viúva a Sra. Miriane..."

E chorou. E se contorceu de dor. E se curvou. E chorou um daqueles choros incontroláveis que dão a sensação de que vão durar pra sempre...

Viúva. Viúva... Agora ela era viúva. Com 35 anos de idade: viúva. Mãe de uma criança de 3 anos: viúva. A mais velha de vários irmãos tão novos: viúva. Alegre, alto-astral, positiva, "poliana" até: viúva. Não combinava! Simplesmente, não combinava!!!! Não combinava...

Ela nem sabe quando parou de chorar ou quem a levantou do chão onde o seu corpo se curvou e ficou. Só se lembra que toda vez que lia aquela placa, o choro voltava, incontrolável, entorpecedor, até a cabeça latejar, faltar ar nos pulmões, o corpo desistir...

Dentro da sala, ela cantava. Pra ele. Ela conversava. Ela sorria. Fora da sala, em frente àquela placa, ela não existia. Era só dor!...

Até que fizeram sua última caminhada juntos. E choveu... E parecia filme... E ela foi pra casa dos seus pais (que foi pra onde a levaram, pois ela não tinha condições de pensar) e começou a viver o resto de sua vida...

(PS: quer ler a parte feliz desta história? Está aqui, na série "era uma vez")

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A história do acidente

Jaú, 23 de janeiro de 2010.

Eles acordaram cedo, naquele sábado, como de costume. Tinham visitas da família dele em casa. Ficaram na cama por umas horas, ainda... se beijando, se abraçando, se observando, matando as saudades, colocando a conversa em dia. Ela morava em outra cidade, há um mês, por causa do novo trabalho, e ele ficava na cidade antiga. Só se viam à partir das sextas, à noite, até o domingo, à tarde.

Mas isso iria mudar: eles tinham ido pra cidade nova juntos, na semana anterior, para procurar uma casa. Aproveitaram as férias das crianças e as deixaram com a avó. E tiveram sua "semana de namorados"... Resolveram a vida: entregaram trabalhos atrasados, programaram projetos da igreja, alugaram a tal casa, matricularam as crianças numa escola próxima. Voltaram pra casa com sensação de dever cumprido. Conversando. Eles conversavam sempre. Sobre tudo! Sempre tinha sido assim: não eram só marido e mulher, eram melhores amigos.

Naquele sábado, estavam felizes e animados. A mudança sairia na próxima quarta. Era hora de despedir da cidade antiga e seguir para novos projetos. Agora, seriam só eles 4: pai, mãe, filho e filha. No lugar deles, na familia deles, no ritmo deles, na vida deles.

Então, ele quis comemorar! O que era estranho porque ela era "a social" e ele era "o reservado". Mas, ele sugeriu que se convidasse toda a família dela (que morava na cidade antiga, onde eles ainda estavam) para almoçar na casa deles, com a família dele, que já estava lá. O cardápio já estava decidido: comida chinesa pra todos - comida japonesa para ela, ele e o pai dela.

E assim se fez. Convidaram todo mundo. Pais, mães, irmãos, irmãs, cunhados, sobrinho. Quase todo mundo foi... E passaram uma tarde ótima! Brincaram, conversaram, comeram, fizeram competição de video-game, os netos ganharam historinhas contadas pelo avô, deitados na rede. Até resolveram que seria um bom dia para a estréia do brinquedo novo (de Natal) do filho: um helicóptero. E todos os meninos foram para a praça, que ficava na frente da casa, para colocar o helicóptero pra voar. Na última hora, a filha resolveu ir também, no meio daquele monte de meninos. Depois de um tempão, voltaram. E a menininha disse: "hoje é o dia mais feliz da minha vida!"

Realmente, era um dia muito muito bom. Tão bom que eles ficaram "almoçando" até às 8hs da noite. Quando ele decidiu que era hora de levar sua mãe e seu irmão de volta pra cidade deles, que ficava a poucos quilometros de distância. Trocou de roupas, deixou a roupa confortável e velhinha pendurada atrás da porta, pois voltaria muito rápido e aquela era sua vestimenta predileta para ficar em casa. Em meia hora, deixaria seus parentes na casa deles. E mais meia hora, estaria de volta. Pronto pra colocar suas roupas confortáveis, de novo, e aproveitar o restinho da noite de sábado.

Ela quis ir junto. Estava com saudades, pois eles tinham passado a semana toda separados! E eles estavam no esquema "namorados", naqueles dias: como só se viam de final de semana, ficavam grudados o tempo todo! Ela pediu várias vezes para acompanha-lo. Com as crianças. Sem as crianças. Se fossem só os 2, poderiam parar em algum lugar para namorar, na volta. Ele insistia para que ela ficasse. Ela já tinha viajado na sexta e viajaria, de novo, no domingo. "Fique Mirys. Vá pra casa da sua mãe, com as crianças, pra não ficar sozinha. Daqui a pouquinho eu já volto e passo por lá pegar vocês."

Quando ele deu um selinho nela para avisar que estava partindo (eles tinham essa coisa entre eles: nunca ir, chegar ou dormir sem um beijo. Por menor que fosse), ela fez o comentário tonto mais importante da vida dela: "Fer... você não escovou os dentes depois do almoço, escovou?" Coisa que só a intimidade de 11 anos de casamento permitia. "Ai, Mirys! Você encana com cada coisa, viu?.." Minutos depois, voltou na cozinha, para se despedir de quem estava lá - e dela, pela segunda vez. "Pronto. Escovei os dentes. Satisfeita?" "Ainda não. Agora, você me dá um beijo decente!.." E se beijaram como deveria sempre ser. E ele partiu.

Meia hora depois, na casa dos pais dela, o filho tomava banho e a filha assistia algum desenho pra crianças de 3 anos, abraçada na mãe. Quando o avô - pai dela - desceu correndo as escadas, falando muito alto pelo celular. Ele nunca fazia isso... era uma das pessoas mais calmas, e alegres, e tranquilas, e sensatas que ela conhecia. Até que ela ouviu o nome da sogra sendo falado. E disse pra sua mãe que devia ter acontecido alguma coisa... ela deixaria sua filhinha ali, seu filhinho no banho, e iria acompanhar seu pai, aonde quer que ele estivesse indo. Procuraram por outros adultos para acompanha-los, mas não encontraram. Pegaram o carro e foram pra estrada.

Eles sabiam que havia tido um acidente, mas o carro da família não estava envolvido. "Parece que foi bem perto de Bauru, Mirys. Na outra ponta da estrada. Tente avisar seu tio, que mora lá, para que ele vá até o local. Ele deve chegar antes da gente.", disse o pai dela. Ela tentou, tentou e tentou e não conseguiu avisar seu tio. Então, ligou para um grande amigo e pediu para que ele fosse até a estrada.

Um carro tinha sido abastecido num posto, no meio da estrada. E, ao invés de andar 400 metros e pegar o primeiro retorno, decidiu voltar, na contramão, por um quilometro, para chegar num distrito que existia no meio do caminho. Só que aquela era uma estrada grande. 2, 3 pistas de cada lado. Canteiro no meio. Pedagiada. Era absurdo alguém pensar em andar na contramão. Mas, aquele motorista pensou... Quando estava a poucos metros da entrada do vilarejo, ele bateu num primeiro carro, e num segundo, e num terceiro. Logo depois, 2 carros pararam no acostamento e os motoristas desceram para ajudar. O primeiro carro que tinha sido acertado só de raspão também conseguiu parar e seu motorista desceu pra ajudar. Um dos carros acertados pegava fogo... e as pessoas não conseguiam sair de dentro do veículo. Então, 3 homens tinham descido de seus próprios carros, levado seus extintores e apagado o fogo.

O marido dela ainda chegou a voltar em seu carro, pediu para seu irmão ligar para o socorro, pois as pessoas estavam feridas. Ele iria voltar para o carro queimado, tentar tirar as pessoas de dentro, junto com aqueles dois outros que estavam ajudando. Foi quando mais um veículo veio... e não viu um acidente daquele tamanho... nem os carros parados no acostamento... no meio de uma subida (depois de uma imensa descida)... e acertou a lateral do carro que estava sendo socorrido, atropelando os 3 homens que estavam salvando aquelas pessoas dentro do veículo.

Voltando para ela. Minutos depois de todo esse ocorrido, ela pegava a mesma estrada, com seu pai. Telefonava loucamente para seus tios, tentando falar com alguém. Porque se ele estivesse ferido e inconsciente, ela queria que tivesse alguém por lá, conhecido, que falasse para ele ficar tranquilo, que o acompanhasse a um hospital, que lhe avisasse que ela já estava chegando. Ela estaria ali! Com ele. É claro que ela estaria ali, com ele. Ela sempre estava com ele, nos últimos 15 anos da vida deles!

Quando passaram o posto policial, ela ligou pra emergência, para ver se tinha alguma informação. Até do lugar exato, pois ela não sabia a quantos quilometros da cidade dos pais dele o acidente tinha ocorrido. Ela só sabia que era mais pra Bauru do que pra Jaú (cidade deles). Ela perguntou pelos feridos e soube que "eram muitos". Ela perguntou por ele e foi informada que "eles não podiam precisar quem era quem no acidente e que tinham ambulâncias de três cidades diferentes socorrendo os feridos". Ela perguntou para qual hospital seria levados e o homem do outro lado da linha ficou mudo. Então, ela perguntou se ele poderia dizer, de maneira geral, qual era a situação daqueles que ele chamava de "vítimas envolvidas". E a resposta que ouviu foi "temos vítimas em todos os estados. Se é que a senhora me entende." Ela entendeu. Desligou. Quis tranquilizar seu pai: "pode ir, paizinho. Que o acidente é perto de Bauru. Mas já tem ambulâncias de 3 cidades por lá. As pessoas vão ser levadas para hospitais de Bauru, mesmo. E o meu amigo já está indo pra lá, ficar com o Fer, até a gente chegar."

Nessa hora, ela não se lembra, mas seu pai disse que ela fez uma oração, em voz alta. "Senhor, eu aceito. Se o senhor me devolver o Fer muito machucado, eu aceito. Se eu tiver que largar meu emprego para cuidar dele, por meses, eu aceito. Se eu tiver um marido sem um braço ou uma perna, eu aceito. Se ele ficar incosciente por meses, eu aceito." Deve ter sido qualquer coisa assim (porque, hoje, dois anos depois, ela não se lembra). Mas ela não incluiu em sua oração, em nenhum momento, a possibilidade de ninguém lhe devolver o seu marido. Isso não era uma opção. Qualquer outra situação, ela resolveria, aceitaria, gerenciaria. Mas, não te-lo mais, nunca mais, nem passou pela cabeça dela.

Quando estavam a quilometros do acidente, no início da descida que antecedia o local, ela já viu o "circo". Carros amassados, lá em cima da subida... carros parados no acostamento ainda com os pisca-alerta ligados... outros carros parados... caminhões bloqueavam o início da subida... ambulâncias... sirenes... gente. Muita gente. Eles pararam o carro do pai dela atrás dos caminhões e sairam correndo. Ela nem se lembra se fecharam o carro, mas ela tem a impressão de que largaram até as portas abertas. Ela avistou seu carro, parado do lado direito, com sua sogra e cunhado do lado de fora. "Paizinho, o senhor vai descobrir para qual hospital levaram o Fer e eu vou ver minha sogra". Afinal, seu pai era médico e era claro que os enfermeiros da ambulância dariam informações melhores a ele do que a uma "outra esposa agitada" que fica perguntando pelo marido, atrapalhando o trabalho deles. E ela conhecia sua sogra e seu cunhado - sabia que devido à idade dela, à doença dele, ao perfil dos dois, eles deviam estar precisando de ajuda, de alguém "forte" que dissesse "deixa que eu resolvo". Como ele fazia. Sempre. Ela queria fazer o papel que era dele, agora.

Ela chegou, viu que a mãe e o irmão dele não estavam machucados, e os abraçou. Ficaram os três abraçados, encostados no carro, orando (a mãe dele pediu que ela orasse "porque ela sempre era melhor nisso"), quando ela viu seu pai vindo correndo na direção deles. Ele corria! Deviam ser boas notícias, do tipo "vamos, rápido! Ele está no hospital X. Vamos para lá. Se apressem!". Eles abriram o abraço e encostaram os três, no carro, esperando o pai dela chegar. Foi quando, a poucos passos, ele parou de correr. Exausto. Chorando. Então, ela soube...

"O nosso menino se foi". Essas foram as palavras que mudaram a vida dela pra sempre. O pai dela abraçou os três, aquela família que também já era dele. A mãe dele gritava. As pessoas que estavam por ali, ajudando, vieram fazer parte daquele abraço, cheio de palavras de conforto. Mas, ela não conseguia respirar... Tinha muita gente ali, muito abraço, muitas vozes, mas nenhuma era ele, o abraço dele, a voz dele.

Então, ela foi mal educada como nunca tinha sido na vida. Empurrou todo mundo, explicando que não conseguia respirar, e foi se sentar, sozinha, na beirada do asfalto. Ela não conseguia chorar. Não conseguia... Ela não tinha perdido só o ar: tinha perdido o chão, as lágrimas, o sentido. Ela tinha perdido tudo. Tudo...

Foi nessa hora que ela sentiu uma mão no seu ombro. Olhou pra trás e viu seu amigo. Aquele pra quem ela tinha ligado para ele "acompanhar o Fer para o hospital e assegura-lo que ela logo estaria ali".

"G. Você viu? Era o Fer, mesmo?"
"Era, Mirys"
"E... ele ainda está aqui?"
"Está Mirys"
"Eu devo ir lá, ver?"
"Não Mirys. Não..."

E ela não foi.

(Essa história aconteceu há exatos 2 anos. Mas eu não tinha tido coragem de registrá-la, até agora. Parecia que se eu fizesse isso, ela ficaria real. Mas... ela já é real. Ela é real pra mim e pro Guigo e pra Nina há 2 anos. Nenhuma palavra que eu não escrevesse iria mudar isso. Então, resolvi compartilhar. Agora que já assimilei isso como parte da minha vida. Agora que eu ainda não entendo, mas já aceito. Para que outros tomem cuidado na estrada, para que não dirijam na contramão, nem corram, nem se distraiam trocando o som, nem "não vejam" o que acontece na sua frente... Se isso evitar que uma, apenas uma outra família passe por essa perda, já terá valido a pena.)

PS: hoje, estou fora do ar. Esta mensagem foi programada. Não vou responde-la, nem vou autorizar comentários, no dia de hoje. Hoje, o dia é meu e dos meus filhos. De celebrar a minha família LINDA que ainda está aqui. Responderei a todas as mensagens o mais breve possível, mas não hoje. Espero que entendam....

domingo, 22 de janeiro de 2012

Aquele abraço!.. (Diário da Mirys)

Eu sempre fui mais de beijos do que de abraços. Com as crianças eu até faço "ataque de beijos", aqui em casa, e nós saímos rolando. Eles riem e eu dou milhões de beijos estalados.

Mas, aprendi a valorizar um abraço. Eu nunca soube o que falar em velórios... porque não há, mesmo, muita coisa a se dizer. Quando eu não tinha muita intimidade com a familia que ficava, eu dizia "meus pêsames", "eu sinto muito" ou algo do gênero. Mas, quando era um amigo que sofria, eu era mais aberta e assumia que estava perdida: "eu não sei o que te dizer. Só vim te dar um abraço..."

Quando chegou a minha vez de ser "aquela que fica", a que sobrevive, a que vai continuar, eu entendi o poder de um abraço e a força da frase que eu achava tão vaga: "não sei o que dizer - então, só queria te dar um abraço". E eu recebi cada um daqueles abraços! E sobrevivi por meses e meses da força que eles me deram, do calor que eles me passaram, do carinho que eles transmitiram.

Mas, isso já foi há tanto tempo...

Então que, na semana que antecede o Natal, eu fui na casa de uma amiga, que também é professora da minha filha. Ela não estava e a mãe dela (a quem eu chamo carinhosamente de "tia", mas com quem nunca tinha tido maior intimidade) veio abrir a porta. Eu fiz o clássico cumprimento que qualquer um faria: eu a abracei e disse "como vai, tia? Tudo bem?". Só que ela não soltou o abraço. Ficamos assim por uns minutinhos e eu percebi que ela comeou a chorar. Discretamente, mas chorou. Eu nunca soube exatamente o que estava acontecendo com ela, naquele dia, mas percebi que ela precisava de tudo isso que eu, uma vez, tinha recebido com abraços: força, amizade, conforto, carinho, calor.

Eu nem ia dividir essa história por aqui, mas, neste sábado, eu fui levar novos documentos pra minha amiga. Ela não estava em casa, novamente. E a mãe dela me recebeu, novamente. Nos abraçamos, dissemos as palavras amigáveis e comuns de sempre, beijinho, beijinho, tchau, tchau. Mas, quando eu entrei no carro, abri o vidro e acenei pra ela, ouvi: "Mirys, muito obrigada por aquele abraço, naquele dia. Você não sabe como eu precisava dele!... Muito obrigada!"

Meu ponto é: você nunca sabe quando pode fazer a diferença na vida de outra pessoa, com um gesto tão simples. Então, não economize! Pros seus amigos, pra sua família, pros seus filhos, praqueles que você admira: AQUELE ABRAÇO!

PS: C., este texto foi escrito no dia em que eu gostaria muito de estar do outro lado do país e te dar aquele abraço, amiga! Infelizmente, não consegui... Mas, saiba que pensei em você e sinta-se abraçada, virtualmente. TJ é TJ!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Conversa Difícil... (Diário do Guigo)

Ontem, voltávamos da igreja, à noite, só eu e a mãmi. Quando chegou mensagem no celular dela, eu pedi pra ler (ela estava dirigindo, né galera?!) e ela deixou. E nós começamos a conversar...

Guigo: "Mãmi, é melhor você ter só amigos, mesmo... não é?"
Mãmi: "Por que, filhote? Não seria legal se, um dia, a mamãe tivesse um namorado?"
Guigo: "Não... é melhor só ter amigos, mesmo."
Mãmi: "Mas, Guigo, por que a mãmi não pode ter um namorado, de novo, um dia?" (silêncio) "Não seria legal termos mais alguém pras nossas aventuras?..." (silêncio) "Filhote, eu quero que você sempre converse comigo, tá? Pode me dizer o que você pensa, que a mamãe vai te ouvir."
Guigo: "Mas, mãmi. Você já tem filhotes. Não é o BASTANTE?"

Andamos em silêncio, por uns quarteirões. E eu comecei a falar do Nono e de que eu adorava a casa dele, sempre com um monte de gente.

Mãmi: "Então, filhote. O Nono tem uma namorada E tem 10 filhotes! Viu? Não é legal?"
Guigo: "É, mãe. É muito legal."
Mãmi: "Então, Gui. O Nono tem filhotes E namorada. Por que que a mãmi não pode ter as duas coisas, também?"
Guigo: "Porque a namorada do Nono não se enfiou naquele carro que bateu!"

Assunto encerrado, por mais uns quarteirões. A gente nunca tinha conversado sobre isso, antes. E já vai fazer 2 anos, daqui uns dias, que somos só nós 3: eu, a mãmi e a Nina. Mas, eu nunca puxei o assunto, antes. Nem a mãmi quis forçar a conversa comigo...

Guigo: "Mãmi, eu preferia que VOCÊ estivesse naquele carro..."
Mãmi: "Que carro, Guigo?"
Guigo: "Naquele carro que bateu."
Mãmi (já pensando, nas sua cabecinha boba feminina, que eu preferia que ela tivesse morrido e o papai tivesse ficado): "Por que, filhote?"
Guigo: "Porque todo mundo sabe que você é 'piloto', mãmi. Você dirige melhor do que o papai. Você não ia ter batido o carro!"

(PS: se você ainda não conhece a nossa história e não entendeu direito esse post, clique nos ícones "início" ou "explicações" aí abaixo, que você vai parar numa página com alguns posts que nos explicam...)

domingo, 23 de outubro de 2011

A lua da mamãe (Diário da Nina)

Todo mundo tem uma coisa preferida na vida. A da minha mãe é a lua. Mais do que as estrelas. Mais do que o sol. Mais do que as árvores. Minha mãmi gosta da lua. Sempre gostou! Ela adorava ficar com a gente, na rede, à noite, lá na casa velha, olhando o céu, balançando e olhando a lua. E músicas? Ela sabe muitas músicas de lua!!! Desde uma que a bibi Maria cantava pra ela, quando ela era do tamanhinho de uma "baby alive".

O acidente do pápa aconteceu numa noite de lua cheia. Eu não liguei uma coisa à outra, na hora. Na verdade, nem a mãmi sabia que era noite de lua cheia. Ela só saiu para encontrar meu pai... e não encontrou mais. E a gente (eu e o Guigo) só ficou sabendo no dia seguinte...

Então, duas noites depois do acidente, enquanto a mãmi conversava com a vovó alguma bobagem, na cozinha da nossa "nova casa" (a gente ficou morando com a vovó por uns dias), eu percebi uma coisa importante! Muito importante! E fui interromper a conversa da mãmi com a vovó...

(imaginem uma menina de 3 anos, puxando a saia da mãe - mania que tenho até hoje)
"Mãmi... quando o papai morreu era de noite, não era?"

A mãmi respirou fundo, abaixou e disse que, sim, era de noite. E ficou me olhando, sem entender o meu raciocínio. Ela achava que eu fosse ficar brava porque ele tinha ido embora de noite e ela só tinha me contado de dia. Mas, eu completei:

"Mãmi... e como você vai fazer agora?". E ela me olhou com um ponto de interrogação no rosto. "É, mãmi. Porque de noite, tem a lua, que você adora!"

Então, antes que isso se tornasse incompatível para a nossa mãe (a lua, a noite e o papai), nós decidimos que, agora, o papai mora na lua. E toda vez que a gente vê a lua, a gente manda um beijo pra ele! Em alto e bom tom. Mesmo 1 ano e 9 meses depois.

Agora, as duas coisas preferidas da mamãe ficam sempre juntas!...

PS da mamãe: eu já devia ter escrito esse texto, há muito tempo, porque algumas coisas devem ficar registradas (para os pequenos, no futuro, conhecerem a história deles)... mas eu não consegui. Desculpem! Agora, estou melhor.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Você não está exagerando?..." (Diário da Mirys)

Ouvi isso, ontem, e estou pensando nessa frase até agora. Vou situar você no contexto da coisa toda e você me dá sua opinião sincera? Promete???

Vamos lá. Meu pai sofreu um acidente de carro, na mesma estrada em que o pai das crianças sofreu um acidente (e faleceu...), no ano passado. Também era noite. A culpa também não foi dele (motoristas imprudentes SEMPRE existem nas estradas, pessoal! Sempre! Fiquem atentos!). As coincidências param por aí (graças a Deus).

O carro do meu pai ficou destruído (pelo que me disseram - eu não vi). O carro do Fer ficou intacto. Meu pai está vivo e milagrosamente bem (considerando o tamanho do acidente). O Fer não.

Então que, na noite de segunda, eu recebo uma informação por celular (eu moro em outra cidade) juntando, na mesma frase, as palavras "acidente + estrada Jaú / Bauru + pai". Tanto faz o meu ou o das crianças, tanto faz o resto da frase ("ele está bem"), tanto faz que O MUNDO estava com meu pai no hospital e ele já tinha sido analisado do dedão do pé ao último fio de cabelo. Meu chão sumiu... o ar faltou... a janta ficou a meio caminho da boca... e aquela sensação horrível de impotência, de falta de controle sobre a vida, voltou. Com toda a intensidade que poderia voltar!

Me descobri muito prática, muito razoável, muito sensata (pra mim, tá?). Quando percebi que não era trote, que aquilo tudo estava, sim, acontecendo (de novo), eu dei um longo respiro e tentei ser organizada. Liguei para quem podia me passar as melhores informações sobre meu pai (os médicos - amigos, filha, filho), confirmei onde estavam as crianças (com uma amiga/irmã) e se já sabiam (não), coloquei os celulares para carregar, avisei meus chefes do trabalho, vi a necessidade de ir para Jaú.

Como não havia NECESSIDADE alguma (fora o meu coração de filha), não fui. Além do que, meu pai acabou me ligando e me pedindo para não pegar a estrada à noite. Mas eu já estava decidida que não pegaria. INFELIZMENTE, por mais frio e insensível que possa parecer, os meus dois pequenos, agora, só têm a mim. Então, não posso me dar ao luxo de correr riscos desnecessários, do tipo pegar o carro correndinho e ir para uma cidade há 80 km de distância, só pra ver, com meus próprios olhos, que meu pai estava bem machucado, mas não corria risco algum.

Não fui pra Jaú, na terça, também, porque a alta médica prometida não aconteceu e meu pai dormiu mais uma noite sob observação (e mais uma vez me pediu para não pegar a estrada). Conversando com a minha cunhada, achei melhor que as crianças não fossem levadas para ver o avô, na terça(no hospital), porque eu achava que seria melhor que eu estivesse por perto quando eles soubessem da história.

Isso porque, quando aconteceu o acidente do Fer, o Guigo chegou a questionar com algumas pessoas se "era verdade" que o pai dele tinha sofrido um acidente porque "ele tinha visto o carro e o carro não tinha nem um amassadinho". Daí, eu fiquei imaginando como seria para ele ouvir que o vovô tinha sofrido um acidente, mas que estava bem, apesar do carro todo amassado (PS: o Guigo A-M-A carros e provavelmente iria perguntar dele). Como seria???

Não sou profissional da área e o Guigo está fazendo acompanhamento com uma psicóloga EXCELENTE, aqui da nossa cidade. Eu não tive dúvidas e liguei pra ela. Contei o ocorrido e perguntei como deveria proceder. Ela me instruiu a eu mesma contar a notícia (como eu tinha imaginado), na casa do avô, com o avô lá, na frente das crianças. Para não dar tempo deles criarem nenhuma fantasia na cabecinha deles, nem nada. Para mostrar que, sim, todos estamos sujeitos a acidentes (sem falar isso, né?) e temos que ser cuidadosos, mas que as histórias podem ser diferentes.

Eu fiz exatamente isso. Cheguei em Jaú, fui ver meu pai (vai que EU tivesse uma crise?!), senti um embrulho no estômago quando vi a garagem vazia, mas não tive nada demais quando o vi na cama dele, com machucados nas pernas, pés e mãos. Aparentemente, por fora, ele não tinha se machucado muito mesmo (Deus abençoe os inventores do cinto de segurança e do airbag). Só depois busquei as crianças na minha cunhada e os levei para a casa do avô.

Chegando lá, eles correram pro quarto para dar beijos, como sempre fazem. O Guigo nem percebeu os machucados e foi se jogando na barriga do meu pai (dolorida, coitado!). Quando a Helena chegou abraçando as pernas, meu pai pediu que ela tivesse cuidado com os "dodóis" dele. E ela mandou: "-O que você fez?". Ele brincou, disse que tinha caído correndo (como uma criança faria) e eles morreram de rir. E ela perguntou, de novo: "- Não, sério. O que você fez?". Ele, que já tinha amenizado a situação, contou que tinha tido um acidente na estrada, tinha batido com um caminhão, mas que, agora, já estava tudo bem. E as crianças só ficaram falando que sairiam para um aniversário comigo, se ele não queria ir junto, se podiam tomar banho na banheira dele, etc... Enfim: o vovô sofreu um acidente, mas está bem, como a gente viu com os nossos próprios olhos. Então, vamos falar de coisas legais!

Eu fui jantar com os pequenos, feliz e aliviada por causa da reação ótima deles. Eles não tinham tido nenhum sentimento ruim, nenhum medo, nenhuma inquietação (como eu tive, sabendo do acidente e não vendo o meu pai). A simplicidade de vida deles me deu inveja...

No meio do jantar, toda a família (menos meu pai e minha mãe) reunida, e eu respondendo às perguntas: "como você está?", "como ficou sabendo?", "como fez com as crianças?". E, pra última pergunta, eu contei do aconselhamento com a psicóloga, do fazer questão de estar lá no momento em que eles soubessem da notícia, da reação ótima deles. E, de uma pessoa que eu considero MUITO e sempre me dá palavras muito sensatas, eu ouvi: "você não acha que exagerou, não?"

E aí... exagerei?

PS: um dos grandes problemas de ser viúva precoce é o de (graças a Deus) não ter parâmetros ou alguém a quem imitar. Não conheço, pessoalmente, ninguém na minha situação. Então, às vezes, não sei exatamente como deveria agir, o que dá certo, o que não dá... Mas, continuo tentando! Com um sorriso no rosto (porque esse SEMPRE dá certo).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Eu já sei... (Diário da Mirys)


Outro dia 23. O 11o. Já vi esse filme antes e, definitivamente, eu não gosto do final.

É terrivel aquela sensação de "eu já sei que dia é hoje"...

7hs = eu me lembro o que estava fazendo nesse horário (namorando)...

8hs e pouco = nessa hora, ganhei o último daqueles deliciosos sorrisos com duplo sentido, sentada no sofá da sala, assistindo o Guigo jogar video-game, com o Fer...

Sei o que aconteceu às 9hs, às 10hs, às 13hs, às 17hs...

Só torço para não chegar às 20hs! Torço muito! Mas ela sempre chega. E, com ela, aquele sentimento de "eu me lembro" que me acompanhou em cada horinha do dia. Mas o sentimento das oito da noite é pior... Ganhei meu último selinho. Meu último "love you". Meu último beijo "decente" (como nós chamamos naquele trágico dia 23 de janeiro). E ele saiu para levar a uma parte da nossa família para a casa dela...

No caminho, parou para ajudar alguém. No caminho, Deus mudou meus planos. E, desde então, eu tento encontrar o meu caminho, de novo... mas é tão difícil, Fer, é tão difícil!...

Por isso, eu sei e-x-a-t-a-m-e-n-t-e como vai ser o meu dia de hoje. Porque, por mais que eu tente (e eu tento! Ah, eu tento...), eu sei decór e salteado o que se passou em cada horinha do dia 23.01 e todos os 23, depois disso, parecem ser iguais. Só que esse é na véspera do Natal!

Deus, me leva no colo, mais uma vez, por favor?...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fechar as portas. (Diário da Mirys)


Na terceira semana de janeiro, uma antes do acidente, eu estava saindo de viagem para trabalhar em Ituverava, durante a semana. Ia de carro, afinal a Jú (minha cunhada preferida!) tinha dito: "-é aniversário do João, na sexta. É justo você conseguir chegar!" Achei que ela estava certa (voltar de Ituverava pra Jaú de ônibus significava trocar TRÊS vezes de ônibus, aguardar em duas rodoviárias o horário do próximo, transformar uma viagem de 3 horas em uma de 8 horas! Eu não ia chegar pro aniversário...

Então, pedi o carro emprestado pro meu pai (porque o nosso ficaria com o Fer e as crianças), minhas irmãs gentilmente cederam, e eu fui. De carro!

Antes de sair de casa (ainda tenho a cena na minha cabeça!), foi todo mundo pro portão (Fer + Guigo filho + Nina filha + Jô e Juninho irmã e cunhado), dizer "tchau", "te amo", "boa semana". O básico. E o Fer, músico, perguntou: "-pegou uns CDs pra ouvir no caminho?" "-peguei alguns. Não os que eu queria, porque não consegui achar nenhum dos meus preferidos. Mas, peguei 1 ou 2." "-Pérai!" (um músico, de corpo e alma, não pode deixar nem ele nem ninguém ouvir "algumas" músicas porque não encontrou suas preferidas ou as melhores). Lembro-me direitinho dele, na rua, atrás do bagageiro aberto do clio prata onde eu guardava as malas, com a mão cheia de CDs, estendida pra mim. "-Espero que goste mais destes".

Saí, acenando e buzinando "a buzina da família" (todo mundo em casa faz a mesma buzina, para se identificar para os outros, na hora de chegar ou sair), aos gritinhos do Guigo e da Nina "tchau, mãma! A gente te ama!". Fui e voltei ouvindo muuuuuuitas músicas até então esquecidas no meu arquivo auditivo. No meio dos CDs tinha um do Renato Russo, gravado em inglês. Só descobri no final da viagem, então não deu para ouvir inteiro. Sempre foi louca pelo Renato Russo: cada letra, cada forma de cantar coisas banais e transformá-las em incríveis e poéticas. Algumas pessoas realmente têm o dom!...

Na volta, na sexta, coloquei o CD do Renato pra começar a viagem. Tinha que garantir que, daquela vez, o ouviria inteirinho e relembraria dos anos de faculdade. De repente, bem no final, terminou uma música e eu comecei a cantarolar a próxima, sem ela ter começado. Sabe quando você ouve, ouve, ouve e ouve um CD e já sabe decór e salteado a ordem das músicas? Pois é. Foi isso. Só que fazia ANOS que eu não ouvia aquele CD. E eu me lembrei da música, da letra da música, de tudo. Até dos "ahhhh" e "ohhhh" que, às vezes, tem em qualquer música. E olha que esse foi o primeiro CD da minha vida que eu gostei de TODAS as músicas!!!! (Dani, Badá e Nayla, by the way, muito obrigada pelo presente, em 1997!).

A música chama-se "If tomorrow never comes" e conta a história de alguém que observa seu amor, dormindo, e fica se perguntando se já deixou essa pessoa certa dos seus sentimentos por ela. "Se o amanhã nunca chegar", ele saberá que eu o amo desse jeito? "Se o amanhã nunca chegar", aquela outra pessoa saberá que foi importante na minha vida? EU já fiz a minha parte e disse isso?????? Jà demonstrei???

Claro que eu não tinha idéia do que aconteceria no dia seguinte, na minha própria vida. Claro que eu estava num momento de "namorido" com o Fer, daqueles que você passa uns dias longe e volta morrendo de saudades. Claro que, agora, muita coisa fica mais óbvia.

Mas, naquele dia, eu não pensei em nada disso. Eu só pensei se eu já tinha deixado claro, para o Fer e para as outras pessoas que eu amava, QUE EU AS AMAVA! Sim, porque isso não vale só para maridos, esposas, namorados, vale pra todo mundo!!!! Aquela pessoa do seu trabalho que é sempre gentil, merece saber que isso é legal! Aquele filho, irmão, primo que sempre te chama pra tomar um café, ir no cinema, ou aparece para bater um papo, merece saber que faz parte da sua vida e que você gosta disso! Aquele porteiro do seu prédio que todo dia te recebe com um sorriso e uma palavra bacana (mesmo que o dia DELE tenha sido péssimo, porque você não sabe porque você nunca perguntou como foi o dia DELE!), merece saber que seu comportamento é apreciado!

Ou seja: a verdade é uma só - uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, todos nós vamos embora. E, quando nós formos, as pessoas que estão no nosso cotidiano (por escolha, por força do trabalho, seja por que motivo for), saberão que foram apreciadas por nós? Ou vamos deixar "portas abertas", perdões para serem dados "depois", demonstrações de apreço para serem feitas "depois"? Quando "tivermos tempo"...

No sábado, dia 23 de janeiro, um dia depois de ter ouvido aquela música e não ter comentado nada com o Fer, ele acordou "de bem com o mundo". ELE sugeriu que aproveitássemos a passagem da mãe e do irmão dele por Jaú para fazermos um almoção de família. ELE pediu para chamarmos meus pais, meus irmãos e cunhados. E tava todo mundo lá! Que sábado delicioso! A Nina o cobrou que ele não tinha ajudado a pobre a montar um quebra-cabeças... e ele disse: "-filha, vamos resolver isso agora!". Foi pro chão e montou o abençoado jogo. Também ajudou o Guigo a passar numa fase do video-game que ele queria. Também foi pro parque em frente da nossa casa para virar criança com todos os outros "meninos" da família + Nina e colocar o helicóptero do Guigo pra voar.

Lembro-me certinho (e minha mãe também) que estava na mesa ainda, umas 5hs da tarde, conversando com minha mãe e minha sogra sobre a mudança, quando eles chegaram do parque. Ele comentou qualquer coisa com o meu pai, algum site da internet que ele ainda não tinha mostrado pro meu pai. Então, disse: "-Uma hora, não. Vamos resolver isso já. Já tá na hora de eu pagar essa "dívida"". Foi lá, pegou o notebook, sentou com meu pai na nossa frente e ficaram um tempão viajando num site da China que vende um monte de quinquilharias que deslumbram "meninos".

Na hora de sair para levar a mãe dele, na última vez em que a gente se veria (mas nenhum de nós sabia disso...), ele me deu um selinho. Eu, tranquila depois de anos de convivência e intimidade, perguntei afirmando: "-mor, você não escovou os dentes agora à tarde..." "-Ai, MIriane! Só você pra falar isso!" "-Mas é verdade... não escovou... escovou?". Ele foi colocar as malas da mãe no carro e, uns 5 minutinhos depois, voltou. Me deu mais um selinho e "-tá bom, agora?". "-não. Agora, você me dá um beijo decente". E foi...

Vocês podem ver: nada dramático, nada grandioso, nada absurdo de ser feito. Só pequenas atitudes, pequenos gestos de gentileza, de apreço, de consideração. A sensação que eu tenho, agora, é que ele foi, ao jeitinho dele, concluindo seus assuntos com todo mundo, se despedindo da melhor forma de cada um, fechando suas portas sabendo que pra trás estava deixando boas memórias, palavras e gestos de carinho. Óbvio que ele não sabia nem pensou nisso tudo. Eu que acho...

Mas isso é o que é mais importante: nós não temos que deixar para fazer ou falar algo agradável para outras pessoas quando sabemos que não estaremos mais por ali ou que nunca teremos outra chance. A idéia é viver como se cada dia fosse uma nova chance de você encerrar seus assuntos e fechar suas portas de maneira agradável, deixando lembranças felizes e boas. Nós não controlamos o tempo, nem sabemos quando vai ser nossa última oportunidade com aquela pessoa. Se você tiver outra chance com aquela pessoa: ótimo! Se não tiver, não deixou nada pra trás. Pense nisso!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Revivendo a história... (Diário da Mirys)


Oi amigos!

Tenho ficado muito feliz com as visitas, participações, comentários de vocês no nosso blog! Obrigada!!! As crianças, então, ficaram EMPOLGADÍSSIMAS! Eu expliquei que aquele "livro" que a mamãe escrevia da historinha deles, agora, estava na internet. E que livros, na internet, se chamam blogs. Eles quiseram ver - NA HORA!!! E lá fomos nós, tarde da noite da sexta-feira, tirar o pobre do tio Murillo do computer para que eles pudessem ver a "carinha" do nosso livro!

A-D-O-R-A-R-A-M!!!!

E eu fiquei feliz, feliz, feliz!!!

Só que, agora, eles querem escrever!!! Acha que pode??? E o Guigo quer escrever E ler o blog (porque, a partir deste último semestre, ele é um legítimo neto do Nono: lê tudo! Revista, gibi, livro, propaganda, telas projetadas no datashow da igreja, bula de remédio, rótulo de shampoo, placas de rua... uma loucura!!!). Até guardou uma etiqueta da roupa nova que coloquei nele, no sábado, "para o nosso blog, mami". E me deu a maior bronca, no dia seguinte, quando peguei a etiqueta, guardada sob o travesseiro dele, para jogar fora. "Mami! É do blog! O que você ia fazer?". Então, preparem-se, em breve, vocês terão uma linda foto do Guigo com uma etiqueta!!!

Confesso que eu tinha um problema "operacional" para essa nova empreitada: eu não queria escrever a partir de agora (senão vocês iam ter muitas postagens tristes e nós somos felizes! Bem felizes! E queremos deixar todo mundo feliz!!!), até porque comecei o diário das crianças quando o Guigo nasceu!!!! 6 anos atrás!!! Um dia, por pura falta de tempo para enviar um e-mail para cada um, falando as mesmíssimas coisas, eu resolvi fazer um "e-mail coletivo" para contar como o filhote estava, com menos de um mês de vida! Então... nasceu o diário (que sempre foi mais semanário) do Gui.

Mas, como recuperar as mensagens se eu mandava do meu e-mail da empresa antiga (afinal, eu mo-ra-va na minha empresa antiga)? Depois, mandei algumas coisas do e-mail do hotmail, que foi cancelado. Depois, mandei algumas coisas de Ituverava, mas, troquei de computador. E nessa troca de e-mail, servidor, computador... EU perdi as mensagens já digitadas (tenho tudo impresso! Sério!). Mas, VOCÊS teriam as mensagens!!! Ou não? Apelei e resolvi pedir para 4 amigas (que continuam nos mesmos lugares, com os mesmos servidores e computadores) SE, POR ACASO, ASSIM, COMO QUEM NÃO QUER NADA... elas teriam algumas mensagens antigas... e... elas salvaram a minha vida!!!!!!!!!!!!!!! Não sei se tinham tudo, mas a Dri me mandou as primeiras!!!! Dá para acreditar??? E ainda avisou que "claro" que ela teria tudo guardado porque adorava o que eu escrevia!!! Ela guardou as 1as mensagens por 06 anos!!!! Drics: já te disse que eu te amo, hoje? Não? Eu te amo!!!

Então, graças à Drics, à Vivi, à Michelle, à Dani, à tia aMIGa, à Thaizoca, eu recuperei os textos antigos e, agora, vocês podem ler a nossa história completa!!! Obrigada meninas!!!

Graças a vocês, eu pude me lembrar c-e-r-t-i-n-h-o da minha história, da escolha do nome do Guilherme, da escolha do apelido dele que ficou pra todo mundo (Guigo! Tá lá, postado, em julho de 2004), da história da barata (blec! eu podia me esquecer de algumas coisas!... mas, quem sabe, outra mãe de primeira viagem também passe por isso e, tendo lido minha história, ela seja mais esperta e rápida do que eu...), de um milhão de coisas!

E mais, como esse negócio de blog vicia MESMO, eu fucei, fucei, fucei e descobri um jeito de colocar tudo na ordem certa!!! Então, as mensagens escritas em 2004 estarão, a partir de agora, postadas em 2004, em seus meses corretos! Não é o máximo!!! (Cá para nós, não sou nenhum gênio: era simples esse negócio de organizar por data, mas nunca era eu quem resolvia esses problemas internéticos, lá em casa... sempre foi o Fer... acho que fiquei mal acostumada! Espero que ele tenha ficado orgulhoso de mim!...).

Bom, vou parar. Até porque meu sogro me disse que "ele sabe que eu escrevo pouco". E era uma IRONIA, gente!!!!

Bjos e bençãos! Sempre!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

E no início havia... uma história!

(text in English below)


Pois é... cedi!

Após um certo tempo ouvindo amigos e parentes dizendo "por que você não pega o diário das crianças e faz um livro?", "por que você não escreve um blog?", eu acabei pensando que começar o tal blog, na verdade, seria muito mais simples e rápido do que providenciar o livro. Então, apesar de não ter totalmente desistido de me aventurar no mundo literário, decidi começar esse diário virtual.

Vou escrevendo assim... aos pouquinhos...
Talvez algum dia vocês me encontrem mais empolgada e vejam textos grandes!
Porque escrever (e ler!) faz parte da minha "terapia" comigo mesma!!!
E ver filmes, muitos filmes. Claro!

Espero que vocês, que nos conhecem, possam se entreter com as nossas histórias, das quais vocês também fazem parte. E se inteirar da vida dos seus sobrinhos!
Espero que vocês, que não nos conhecem, possam, ao menos, se divertir! E descobrir que, toda mãe (e, por que não?, todo pai), em algum momento da vida, passa por alguma coisa muito parecida com a que você está vivendo. E possa ver que a vida é, na verdade, realmente impressionante, divertida, mágica... mas simples!

Bjos e bençãos!

Well... I confess I embraced the idea!

After some time listening to friends and relatives saying "why do not you get the 'diary of the children' (e-mails) and transform them into a book?", "why do not you write a blog? ", I just start thinking that this blog actually would be much simpler and faster than writing a book. So, despite not having completely given up on me venture into the literary world, I decided to start this virtual diary.

I am writing this ... bit by bit ...
Maybe someday you'll find me more excited and writing biiiiig texts! ´Cause write (and read!) is part of my "therapy" to myself!
And watching films, many films. Of course!

I hope that readers that know us (in person, I mean) will be entertained with our stories, of which you are also part. And ascertain the lives of your 'nephew' and 'niece'!

I hope that you readers that don´t know us can at least have fun! And find that every mother (and why not say every father), at some point in life goes through something very similar to the one you are living. And you can see that life is really, really impressive, fun, magic ... but simple!

Kisses and blessings.

Meu pai - polvo!

(Text in English below. Enjoy it!)

Lá em casa sempre houve uma argumentação entre o pápa e a mãma:

* o pápa dizia que, na vida, amigos a gente tem poucos. Que ele podia "contar nas mãos" os amigos que tinha, aqueles com quem podia contar, para o bom e o ruim; aqueles que estariam sempre lá!
* a mãma dizia que ela tinha um milhão de amigos! E amava cada um deles! E tentava se dedicar a cada um deles, da melhor forma que ela pudesse. Começando no Nono e na Vovó, até alguém que ela tivesse conhecido há poucas semanas, mas que já tivesse dado demonstrações de afinidade, que ela achasse que poderia confiar para sempre. Plim! Já entrava na conta dos amigos da mãma.

Aliás, é IMPRESSIONANTE a capacidade da mãma de fazer amigos novos. Bastam "5 minutos" e as pessoas já estão contando a vida para ela, super íntimas! E ela se dedica a cada novo membro do seu não restrito, mas amadíssimo rol de amigos! Então, ela não conseguia entender o pápa quando ele dizia que tinha "poucos, mas bons amigos".

A verdade é que eles nunca chegaram num acordo sobre isso. A mãma teimava com o pápa que, se ele parasse para fazer cálculos, iria perceber que existiam várias pessoas na vida dele com as quais ele poderia contar, que estariam lá "para o que desse e viesse", por ele. E ele insistia nos "poucos e bons", que se contava nos dedos das mãos.

E então, no dia 24 de janeiro desse ano, acho que minha mãe ganhou a "discussão": quando ficaram sabendo do acidente do papai, muitas, muitas, muitas, muitas, muitas pessoas foram para nossa cidade, se despedir dele. Muita gente que já era de lá mesmo... mas outros tantos viajaram horas para ficar conosco e falar tchau! Teve gente que sabia que não ia dar tempo de chegar e vê-lo pela última vez, mas, mesmo assim, pegou o carro e foi pra nossa cidade. Teve gente que ligou de longe (muito longe, Portugal, França, Alemanha...). Muitos, ainda, não ficaram sabendo a tempo, então inundaram a página do Orkut do papai com mensagens de amizade e amor.

É pápa... se você podia contar seus amigos nas mãos... você devia ser, no mínimo, um polvo! (Pessoal, não se esqueçam que eu sou só um menininho de 6 anos - recentemente completados - e, na minha imaginação, polvos podem ter mãos. Muitas! Pelo menos, mais do que as 2 do papai...)

Bjos e bençãos.

Guigo + Nina + Mamãe (os 3 mosqueteiros)

OBS: a todos vocês, NOSSOS AMIGOS, que de longe ou perto estiveram conosco (e ainda estão, em orações, em recadinhos de e-mail, em torpedos no celular da mamãe, em comentários neste blog), o nosso MUITO OBRIGADO! É bom saber que meu pai foi um cara assim: tão amado!


At our home there was always an argument between Mom and Dad:

* Daddy said that we have few friends in live. He could "count on their hands" who were his friends, the ones he could rely for the good and bad, those who were always there!
* Mommy said that she had a million friends! And loved every one of them! And she tried to devote to each one of them as much as she could. Beginning with grandpa "Nono" and Grandma until someone she had met a few weeks ago but had already given demonstrations of affinity, in who she thought she could trust forever. Ding! Already entered into the account of Mommy friends.

Moreover, everyone thinks it is AWESOME the capacity Mom have to make new friends. It takes only "five minutes" and people are already telling her their life story, feeling very close to her! And she is dedicated to all new members of this "not small but much beloved" list of friends! So she can´t understand Daddy when he claimed he had "few but good friends."

The truth is that they never reached an agreement on this. Mommy insisted with Daddy that if he stopped to do some math he would realize that there were several people in his life at whom he could count, who´d be there for him no matter what. And he insisted on "just few and good ones which he could counted on his fingers".

And then, on January 24 this year, I think my mother had won the "discussion". When they have known about Dad's accident, many, many, many, many, many people have gone towards us to say goodbye to him. A lot of people that was already there (in our city) ... but many others have traveled hours to speak with us and say Daddy goodbye! Some people who knew they would not have time to come and see him this one last time, traveled any way. Nevertheless, they took the car and went to our city. We had people calling from far away (meaning: Portugal, France, Germany ...). Many people were not told in time... anyway then flooded Daddy´s page on Orkut with messages of friendship and love.

"Daddy ... if you could tell your friends in the hands ... you should be at least an octopus!" (Guys, do not forget that I'm just a little boy of 6 years - recently completed - and in my imagination, octopuses can have hands. Many! At least more than 2 that my father have ...)

Kisses and blessings.

Guigo (Bill) + Nina (Helen) + Mom (the 3 musketeers)


Note: all of you, our friends, who were near or distant to us (and still are, in prayers, in email messages, in text messages in Mommy´s cellphone, in comments on this blog), our THANKS! Good to know that my father was a guy like that: so loved!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Orações (Diario da Nina)


Ituverava, 22 de fevereiro de 2010.

Bom dia, galera! (depois do pápa e da mãma muito insistirem, agora, eu consigo falar “galera” certinho!)

Desde pequenininhos (claro, porque nós já somos grandes! Lembramos a mamãe disso a toda hora), nós fazemos orações. Pelo menos, três por dia: no almoço, na janta e na hora de dormir. No mínimo!!!

Geralmente, as minhas orações eram assim: “papai do céu, obrigada por esse dia, pela nossa família, pela comida. Em nome de Jesus, amém.”

As do Guigo são bem mais evoluídas: ele pede pelo “planeta” (será que ele sabe o que é?), pelas pessoas da Arábia, pelos insetos (depende do que ele estiver estudando na escola! Rsrsrs) , pelos amigos fulano e beltrano, pelos brinquedos. Só quando ele tá com preguiça que a nossa oração fica parecida.

Mas, faz um mês, mais ou menos, que eu mudei minha oração da hora de dormir. Depois que a mãma conta as histórias, ela apaga a luz e cada um faz uma oração. A minha tinha aumentado um pouquinho e ficado mais ou menos assim: “papai do céu, obrigada por esse dia, pela nossa família, pela comida. ‘Faz’ que a gente morra logo para ir morar aí no céu, com você e o papai. Em nome de Jesus, amém.”

A mãma nunca brigou comigo, nem questionou, até porque não faço oração triste: eu faço alegre, falo amém, dou um sorriso, um beijo na mamãe e me viro para dormir. Para mim não é problema nenhum eu querer que a gente fique todo mundo junto, de novo. E a mamãe acha importante a gente dizer o que sente (mesmo que ELA não goste).

Mas ontem, para a alegria da mãma, eu parei na porta do quarto e disse: “-mãma, eu não quero morrer, não. Quero ficar A-QUI” (e apontei para o chão). A mãma acha que é porque eu gosto muito (demais mesmo) da tia Lilla e ela disse que ela não quer morrer, que ela quer ficar aqui comigo, com o tio Jú, com o Guigo, com todo mundo. Que um dia, quando Deus decidir, a gente já vai morar no céu, mesmo, pra sempre (mais ou menos a mesma coisa que a mamãe fala), então, que ela queria ficar por aqui, agora, morando com tudo mundo. Então, eu decidi que também quero ficar aqui.

E deixei a mãma numa sinuca de bico: ela não quer vibrar para não parecer que era errado eu querer ir morar com o papai ou com Deus; ela não quer fingir que não escutou, porque adorou a minha mudança; ela não quer ficar brava ou triste, até porque ela sabe que querer ficar não é gostar menos do pápa. Então, ela teve uma boa idéia (minha mãma é bem boa, às vezes!).

O Guigo orou (pelo planeta, por todas as pessoas da família nominalmente, pelos bichos que ele conseguiu se lembrar...). Eu orei e disse que não queria mais morrer, não, que queria ficar aqui. E a mãma, para não deixar a gente “esquecer” do pápa (que, afinal, continua no céu, longe de nós), orou: “papai do céu, obrigada..... (por várias coisas). E, por favor, manda um beijo pro papai, que mora aí com você. Em nome de Jesus, amém”.

Agora, essa virou a oração da nossa família de 3: agradecemos por várias coisas, pedimos o que desejamos, e mandamos um beijo para o papai, pedindo para Deus entregar. Nós ficamos felizes e lembramos dele, todo dia. Ele fica feliz, porque mandamos nossos beijos. Questão resolvida!!!

Bjos e bençãos.

Nina + Guigo + mãma

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dez dias (Diário da Mirys)


(texto em português, abaixo)

São Paulo, February 2, 2010.

Dear Friends,

I did the math: 10 days. It has been 10 days since you gave me one of the greatest proofs of friendship I could ever experienced - you came, you called and sent me messages to share with me my pain. To each and every one of you, my most intense THANK YOU!

Since that Saturday night (that does not go out of my head ...) until now, many things have happened. Good stuff! Daily doses of love and caring and understanding, came from family, friends, people I did not know, God. And I decided it was worth writing, at least to leave my story to the children registered, so they can know the full story of our family one day. Our family, made our way, with our little rules, with our joys and sorrows. So, I ask you all permission to continue to send you the "Diary of Guigo" and "Diary of Nina," telling the adventures and misadventures of that child's world (in which I am wonderfully immersed in the past 5 years).

Some may wonder: why write to friends? Does someone need to read? My dear friends: to write was not enough, I had to share with you ... as I have been doing for years, when I use some time of my day to update you with the "diaries" of my children ...

First of all because, every day, God cares for us and has shown us His unconditional love, His kindness in preparing special days and very special people to put in our way. As unbelievable as it may seem. And that can not be kept just for me! It is not the kind of thing you write for no one to read, or the kind of thing you hide in the drawer! Even in the middle of all this turmoil, God has given me clear demonstrations of His protection and care, day after day. And I needed to share this with you to be sure that no matter how big is your suffering, or how your life may seem inconsistent at some point, He is there, every minute, loving and caring!

Second of all, I wanted to write our story because, in the texts, the moments are recorded forever, love exists for always, people do not die ...

Kisses and blessings!
Mirys


São Paulo, 02 de fevereiro de 2010.

Queridos Amigos,


Fiz as contas: 10 dias. Faz 10 dias que vocês me deram uma das maiores provas de amizade que eu poderia ter experimentado – vieram, ligaram e mandaram mensagens para dividir comigo minha dor. A todos e cada um de vocês, o meu muito, muito, muito obrigada!

Desde aquela noite de sábado (que não sai da minha cabeça...) até agora, aconteceram muitas coisas. Coisas boas! Doses diárias de amor e carinho, compreensão e cuidado, vindas da família, dos amigos, de pessoas que eu não conhecia, de Deus. E eu decidi que valia a pena escrever, até mesmo para deixar a minha história e as das crianças registradas, para que elas possam, um dia, conhecer toda a história da nossa família. A nossa família: feita do nosso jeito, com as nossas regrinhas, com as nossas alegrias e tristezas. Por isso, peço licença a todos vocês para continuar a lhes enviar os “Diário do Guigo” e “Diário da Nina”, contando as aventuras e desventuras desse mundo infantil (no qual estou maravilhosamente imersa, nos últimos 5 anos).

Alguns podem se perguntar: para que escrever para os amigos? Alguém precisa ler? Queridos, não bastaria escrever, eu tinha que dividir com vocês...como venho fazendo há anos, sempre que separo um tempinho para atualizá-los com os “diários” das crianças...

Primeiro porque, por mais inacreditável que possa parecer, a cada dia, Deus tem cuidado de nós e nos mostrado seu amor incondicional, seu carinho em nos preparar dias especiais, em colocar pessoas especialíssimas em nosso caminho. E isso não se guarda só para si! Não se escreve para ninguém ler, não se esconde na gaveta! No meio de toda essa turbulência, Deus tem me dado, claramente, demonstrações de sua proteção e cuidado, dia após dia. E eu precisava dividir isso com vocês para que tenham certeza de que, não importa quão grande seja o seu sofrimento ou quão inconsistente pareça sua vida em algum momento, Ele estará lá, em todos os minutos, amando e cuidando!

Em segundo lugar, eu queria muito escrever nossa história porque, nos textos, os momentos ficam registrados para sempre, o amor subsiste, as pessoas não morrem...

Bjos e bênçãos!
Mirys

domingo, 24 de janeiro de 2010

Como falar certas coisas para crianças... (Diário do Guigo)

(texto em português, abaixo)

Jau, 24 January 2010.

There are some things in life that are harder than others. At least for you adults. We (the children) worry you for being too simple... So, that said, I´d like to tell you a story (that Mom is trying to write for two months now) ...

Yesterday, (almost) our entire family went home for lunch because the Daddy invited them: grandmothers, Nono (grandfather), uncles, aunts, me, Nina, my little cousin John. Even those who want not to eatappeared just to "be together". It was so good, so good, that we stayed at "lunch time" until 8p.m., talking, playing, enjoying the company. Hence, Daddy kissed the people good bye and went to Bauru (take grandma and our uncle Gú home). We (me, Nina and Mommy) went to grandma Mirte's house to take a bath and play longer and have some dinner. We expected to be (our) home to sleep time. Daddy was supposed to pick us up later (after coming back from Bauru).

We just stayed there. Uncle Ju and aunt Lilla appeared to sleep with us. We watch some kids movies in the (closed) living room and slept all together, at grandma´s house.

The next day someone took us (me and Nina) to aunt Nê's house (she is a sister of Uncle Ju) and we were there playing video games and watching princesses movies. You already know exactly who did what, right (me=v.g., Nina=princesses movies)?

And ... around lunchtime Mommy appeared, with Nono (her father), aunt Lilla, uncle Math and aunt Ju (Mommy think we had more people in that room but she can not remember ...). Then, Mom said she needed to talk to us. Nina stopped the movie, I "stop" the video-game and we get together in the room.

Mama put us on the couch and sat on the floor (quickly Nina jumped to Mommy´s lap). I was straight on the couch. Mom had a sad face but "put" a smile on (as she like to say) and began:

"- Puppies, Mommy needs to talk to you. Yesterday, when Daddy went to Bauru, an accident happened on the road. Our car was not hitten but other cars did. And a boy´s car was on fire. Then Dad took the fire extinguisher from our car and pzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz extinguished the fire "(imagine my mother trying to make gestures and smiles at this point)

"- So, he saved the boy, Mommy?"

"- Yes, my son, he saved the boy. But then, God saw that Dad was very cool and it was better to him to live with God ... and Daddy's gone. "

"- Dad died, Mom?"

"- Yes, son, Dad died." (the smile just ran of Mommy´s face)

"- But ... He died for real, Mommy? "

"- Yes, son, he really died."

"- So, now, we just have a mommy?"

At that time, a little birdie told me that Mommy felt tiny, alone ... she realized that now, we only had it (mom) now! And that SHE only had it, too.

But (be prepared becaus who has God has ALWAYS a "but" and the story does not end just like that...), ½ seconds, without giving Mommy much time to answer my question, we THREE started hearing "and you have a grandpa Nono!" "and you have an aunt Lilla" "and you have an uncle Junior" "and you have an uncle Math", "and you have an aunt Ju", "and you have an aunt Maiya", "and have an aunt Titina", "and you have an uncle Thiagus", "and you have a grandma Mirtes", "and you have a grandma Dina", "and you have a grandpa Almanir", "and you have an aunt Jo", "and you have an uncle Juninho", "and you have an aunt Baby", "and you have an uncle Dario", "and you have an uncle Gú", "and you have an aunt Mayanne", "and you have an uncle Mu", "and you have an aunt Mel", "and ..........."

The three of us realized that we had so many people, yet. People to take care of us! To play! To make movies sessions! For a walk! To teach! To divide our life! To laugh and to cry! AND THAT WAS SO GOOD TO HEAR AND FEEL!

So, our whole family (everyone who was there, physically, and others who were with us in their heart) said a prayer, asking God to take care of Dad, who is now in heaven. I prayed first, then Nina (very quickly because she did not open his mouth, almost all the time) and then mom.

THE END


Jaú, 24 de janeiro de 2010.

Tem algumas coisas na vida que são mais difíceis que outras. Pelo menos para vocês, adultos. E nós, crianças, às vezes, por sermos muito simples, preocupamos vocês... Quero contar uma história (que a mamãe está ensaiando escrever, há dois meses)...

Ontem, (quase) toda a nossa família foi lá em casa almoçar porque o pápa convidou: avós, nono, tios, tias, eu, a Nina, meu priminho. Quem não foi comer, apareceu depois, só para “ficar junto”. Estava tão bom, tão bom, que ficamos “almoçando” até às 20hs, conversando, brincando. Daí, o pápa deu um beijo na gente e foi pra Bauru, levar a vovó Dina e o tio Gú. Nós (eu, a Nina e a mãma) fomos para a casa da vovó Mirtes, para tomar banho, brincar mais um pouco e jantar. Dormiríamos em casa.

Acabou de ficamos por lá! O tio Jú e a tia Lilla apareceram para dormir com a gente. Fizemos sessão cineminha na sala e dormimos, todos juntos, por lá mesmo.

No dia seguinte, nos levaram (eu e a Nina) para a casa da tia Nê (irmã do tio Jú) e nós ficamos lá brincando de video-game e assistindo filmes de princesas. Vocês já sabem, e-xa-ta-men-te, quem fez o quê, né?

E... na hora do almoço, mais ou menos, a mãma apareceu, com o Nôno, a tia Lilla, o tio Jú e o tio Math (a mãma acha que tinha mais gente, mas ela não consegue se lembrar...). Então, a mamãe disse que precisava conversar com a gente. A Nina parou o filme, eu “stopei” o vídeo-game e fomos conversar na sala.

A mãma nos colocou no sofá e sentou no chão; a Nina pulou pro colo dela e eu fiquei direitinho no sofá. A mãma estava com uma carinha triste, mas “vestiu” um sorriso (como ela fala) e começou:

“- Filhotes, a mãma precisa conversar com vocês. Ontem, quando o papai foi pra Bauru, aconteceu um acidente na estrada. O nosso carro não bateu, mas outros carros bateram. E tinha um carro de um moço, que começou a pegar fogo. Então o papai pegou o extintor, foi lá e pzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz apagou o fogo” (imaginem a minha mãe tentando fazer os gestos e sorrir, nessa hora)

“- Então, ele salvou o moço, mamãe?”

“- Sim, filho, ele salvou o moço. Mas, daí, Deus achou que o papai era muito legal e era melhor o papai ir morar com Ele. E o papai foi embora.”

“-O papai morreu, mãe?”

“-Sim, filho, o papai morreu.” (acabou o sorriso da mãma)

“-Mas... morreu de verdade, mãma?”

“-Sim, filho, ele morreu de verdade.”

“-Então, agora, a gente só têm mamãe?”


Nessa hora, um passarinho me contou que a mãma se sentiu pequenininha, sozinha... que ela percebeu que, agora, a gente só tinha ela mesmo! E que ELA só tinha ela, também.

MAS (preparem-se!!! Quem tem Deus, SEMPRE tem um “mas” e a história não termina assim...), em ½ segundo, sem dar muito tempo da mãma responder à minha pergunta, nós TRÊS começamos a ouvir: “-e têm vovô Nôno!” “e têm tia Lilla” “e têm tio Júnior” “e têm tio Math” “e têm tia Jú” “e têm tia Maiyara” “e têm Titina” "e têm tio Thiagus" “e têm vovó Linda” “e têm vovó Dina” “e têm vovô Almanir” “e têm tia Jô” “e têm tio Juninho” “e têm tia Baby” “e têm tio Dario” “e têm tio Gú” “e têm tia Mayanne” “e têm tio Mú” “e têm tia Mel” “e tem...........”

Percebemos (nós três) que nós tínhamos muuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttttaaaaaaaaaaaaaaaaa gente, ainda. Gente para cuidar de nós! Para brincar! Para fazer sessão cineminha! Para passear! Para ensinar! Para dividir a vida! Para rir e para chorar! E AQUILO FOI TÃO BOM DE OUVIR E DE SENTIR!

Então, toda a nossa família (todo mundo que estava por lá, fisicamente, e outros que estavam com a gente no coração) fez uma oração, pedindo para Deus cuidar bem do papai, que agora está no céu, morando com Ele. Eu orei primeiro, depois a Nina (bem rapidinho porque ela não abriu a boca, quase o tempo todo) e a mamãe.

FIM

domingo, 12 de outubro de 2008

SURPRESA para o papai e a mamãe (Diário do Guigo)


Ufa!

Que sufoco!!!

Achei que a gente nunca fosse conseguir surpreender a mãma (que vive fazendo festas surpresas para todo mundo e, por isso mesmo, já é expert).... Mas, ela e o papa estão trabalhando taaaaaannntooooo que nem se deram conta da surpresa que nós fizemos para eles.

Há 10 anos atrás, a mãma morava em Paris (não falem muito sobre o assunto porque ela chora!) e o papa foi para lá, encontrar com ela. Eles já não se encontravam há meses... A saudade era IMENSA, mas a mãma estava adorando morar por lá e queria convencer o papa a ficar também, fazer mestrado, sei lá. Mas o papa foi mais esperto...

Ele chegou no aeroporto e... passou pela portinha do desembarque. Todo mundo que já foi para o aeroporto sabe que existe uma porta, tipo de banco, que abre quando você chega perto, que separa as pessoas que estão esperando daquelas que estão desembarcando. Só que a porta do aeroporto é fosca, não dá para ver quem vem vindo. Então, quem está esperando fica assim mesmo, mega ansioso, esperando pela próxima abertura "é agora??" "ah... não..." "é agora???" "ainda não...", até que a porta abra e você veja quem quer ver. Para ajudar, ainda existe uma barra de ferro, que dá um espaço de uns 3m de largura por uns 5m de comprimento, que é para quem desembarca ter espaço para passar com aqueles carrinhos cheios de mala, com liberdade de movimentos.

Mas... a mãma estava com tanta saudade do papa que não respeitou nadinha de nada a tal barra (pela porta era impossível entrar... só é possível sair), pulou a danadinha e foi abraçar o papa no meio do espaço para as pessoas sairem com os carrinhos. Começou a formar aquela fiiiillaaaaaa atrás deles, de pessoas emburradas, querendo sair. Daí... tcharam! Meu pai deu uma tacada de mestre: antes que a mãma falasse qualquer coisa (antes que ele mesmo falasse qualquer coisa como "oi", "tô com saudades", "tudo bem?"), ele ajoelhou no chão (ali mesmo!!! No meio da passagem dos carrinhos!!!) sacou uma caixinha do bolso e pediu a mãma em casamento. Os rostos das pessoas atrás deles (super emburradas, antes) já começou a mudar. Mas... eles estavam falando em português, no meio do aeroporto francês! Então, ninguém "entendeu" quando a mãma falou " eu quero", mas todos entenderam quando o papa levantou e eles se abraçaram. Não dizem que o amor é uma linguagem universal???

De lá para cá, já se foram 10 anos!!!

Mas, no dia 10.10.08, sexta-feira "braba", papa e mãma trabalhavam como loucos! Escritório, aulas na Barra Bonita, alunos que não saíam da nossa casa (pois era o último dia das monografias e a mãma é orientadora de um monte de gente...). Ás 23hs da noite, o papa definitivamente não queria sair "com a galera" para comemorar. Não queria nem passar na vovó para nos ver, com medo de que o pessoal inventasse algum programa de grupo.

A tia Lilla teve que apelar, ligar para ele, e "contar um pedaço" da surpresa: falou que tinha uma pizzada, na casa da vó Mirtes (onde a gente estava), e que eles precisavam ir para lá. Teve até que falar que a própria vovó Dina estava lá, para conseguir convencê-lo. E lá foram eles (com o papa emburrado com a tal da "pizzada", afinal, onde já se viu comemorar 10 anos de casado com uma pizzada??? Ele queria ir com a mãma para Paris... mas não deu...).

Quando chegaram, a mãma estava tão preocupada em não estragar a noite do papa de vez, em tentar animá-lo, que nem percebeu que tinham alguns 8 carros na frente da casa da vó Mirtes. Mas, poderiam ser carros dos vizinhos...

Quando eles entraram: SURPRESA!!!!!!! Vovó Mirtes e trupe, auxiliados por todos da família, tinham preparado uma festa (mesmo!!! jantar!!! super chique!!!) para os dois pombinhos, com direito a Torre Eifel, fotos de Paris nas caixinhas de lembrança, e tudo o mais! Por ser muito tarde, num dia ainda de semana, foram convidados só a família e os padrinhos (de casamento, das crianças, da família), mas já deu um montão de gente!

A mãma chegou de calça jeans e cabelo molhado (sem chapinha!!!! Imagine que ela iria num jantar super chique sem chapinha!!!), mas depois da surpresa, ela colocou um vestido lindo que a vó Mirtes deu (ela é tudo, não é??? Pensa em cada detalhe...) de presente de aniversário.

A tia Yaya, linda, além de ter feito todo o "cantinho romântico", com Torre Eifel e tudo, ainda mandou várias fotos para a mamãe (acima compartilhamos uma). Então, escrevemos esse diarinho...

Bjos e saudades IMENSAS de todos!!!

Guigo + Nina + mãma + papa + Caramelo + "Seleia" (nova mascote da Nina)