quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

{ 1 + 1 = 6 } “Filha, a mamãe queria começar a namorar...”



Capítulo 8.

Então era isso: ele já gostava de mim há tempos e eu nem desconfiava, ele se declarou, me pediu em namoro por torpedo, veio atrás do que queria onde quer que eu estivesse, até que conseguiu conversar comigo. O primeiro beijo e o “namoro oficial” começaram na mesma noite, no mesmo momento, porque ele não admitia nada menos do que isso. Cinco dias depois, ele recebe uma ligação e fica sabendo que vai pra longe, muito longe, sem um prazo definido pra voltar. Cinco dias depois, ele parte...

Não tinha dado o menor tempo pras coisas “burocráticas” a se fazer, do tipo contar para os filhos que estávamos namorando. Porque isso exigia tempo (pra contar, ouvir reações, atender a eventuais reclamos, tirar dúvidas, dar conforto e segurança) e nós não tínhamos tido tempo pra nada!!! Com esses “detalhes” de morarmos em cidades diferentes, das crianças serem pequenas, da rotina trabalho/casa/escola não parar, a gente só se encontrou em algumas dessas 10 noites, após as crianças já estarem cuidadas e na cama. Tempo era um artigo em extinção!!!

Ele era o meu primeiro namorado pós viuvez; eu era a primeira namorada dele pós divórcio. Ainda por cima, como os filhos eram novos, nós tínhamos que encontrar a linguagem “deles” pra explicar uma novidade dessas. Não dava pra dizer: “seguinte, galera, MãMi tá namorando, tá? Então, não estranhem se me virem beijando alguém. Agora, peguem as mochilas e boa aula. Mamãe ama vocês!”

Mas, quando ele colocou aquela correntinha no meu pescoço, eu SABIA que o que a gente tinha era sério. Não sabia, ainda, se ia dar certo ou não. Mas a tentativa era séria. O namoro era sério. E as crianças precisavam saber!

Perambulei alguns dias pelo nosso apartamento, sem encontrar o momento certo para dar a tal notícia. Eu não queria atrapalhar as tarefas da escola, não queria falar no meio da janta, não queria interromper a sessão cineminha no sofá. Até pensei em contar como uma estorinha, na hora de ir dormir: “era uma vez uma camponesa que tinha dois filhotes lindos e morava numa casinha, no meio da floresta...” Mas ia ficar faltando um lobo e/ou uma princesa e/ou um caçador e/ou uma bruxa má e/ou um ogro! E não se faz uma boa estória de crianças sem tudo isso!!!

De repente, eu percebi que a minha dificuldade vinha do fato de que EU MESMA ainda não tinha assimilado o meu novo status de namorada. Acho que passei muito tempo sendo viúva, que era difícil imaginar a cena... eu namorava. Eu. EU! Talvez seja ridículo pra quem tem uma vida normal pensar em tudo isso ou mesmo entender. Eu sei. Um começo de namoro deveria ser uma coisa tranquila pra uma mulher de 37 anos. Deveria! Mas, não era... pra mim, não era!

Sem querer, a minha ajuda veio das próprias crianças!!! Na hora de dormir, no final das orações, eles continuavam a dizer: “papai do céu, arrume um namorado pra mamãe, mas um que ame muuuuuuuuuuuito a gente. Senão, ela não quer. Em nome de Jesus, amém”. E eu nem estava prestando atenção nisso!!!! Talvez, ELES já estivessem preparados pra novidade! Quem não estava era eu!!!

E, finalmente, na manhã de sábado, eu criei coragem. O Guigo foi tomar banho e a Nina foi pro meu quarto, pra terminar o café da manhã que o irmão tinha trazido pra minha cama. Pensei: “melhor começar por ela, mesmo! Ela é mais resolvida, mais tranquila, era mais novinha na época do acidente. Ela é menina, acredita em contos de fada, em beijos de amor, em viveram felizes pra sempre, em encontrar o homem da sua vida enquanto você colhe flores! Ela vai receber melhor a notícia.”

“Filha, a mamãe queria começar a namorar...”
Nina: “O tio Humberto, mamãe?”
Aff!!!! Ela me desmontou!!! Respirei fundo, tratei de me concentrar (lembrei que ela via meu celular lotado de mensagens do “amigo piloto do tio Math”) e continuei.

“Ele mesmo.”
Nina: “A tá. Tudo bem. Depois a gente manda um torpedo pra ele, então!”

NÃO FALEI QUE ELA IA SER ESPETACULAR????!!!!! Minha garota!!!!

Depois de fazermos um brinde e tomarmos um golinho de suco, ela completa: “MãMi... ele tem filhos? Porque ia ser bem legal ter mais irmãos...”

Cenas do próximo capítulo aqui.



7 comentários:

Fah disse...

Essas crianças deixam a gente boquiaberta! rsrs

Morena disse...

FENOMENAL!!!
O amor que dá é o amor que se recebe!!!
Perfeito começar com um papo de meninas!!!
Beijos saltitantes

Anônimo disse...

Mirys,
Esta foto aí do lado é do seu casamento?
Vocês se casaram?
Meu Deus, que lindo!
Mais romantico impossível.
Beijos
Silvia

Thais Markevich disse...

Bom, pelo jeito eles já estavam comendo as broinhas enquanto vc decidia como fazer a farinha, né???
Hahahaha Bjsssssssssss

Andrea Guim disse...

Oi, Helena!
Vim convidar pro SORTEIO que tá roalndo no meu blog Caderno de Recortes.
Bora lá participar!!!
Beijins,
Andrea

Debby disse...

OI Mirys
Que mágico.... quando a gente está engatinhando eles já estão finalizando tudo ! kkk

Lindo lindo

Muita paz e sorte sempre para vocês.

Debby :)

Um espaço pra chamar de meu disse...

Chorei de novo... afffff!!Emocionei com a sua filha... amiga, eles pescam as pequenas pistas que damos, de tudo, seja bom ou ruim... estão sempre antenados, ligados nas nossas reações.
Que lindinha ela... "depois a gente manda um torpedo pra ele..." fofa!!!
Eu imagino sua situação... é tudo muito complicado mesmo. Eu estou separada há 9 meses, não tenho a menor intenção de recomeçar nada agora e nem sei por onde começar. Coisa complicada isso!!!
Adoro sua história!! Que bom que tem um final lindo e feliz...!! Se bem que não é um final é um recomeço! Bjs!!!!