No começo era mais difícil. Desde a gestação, tinha muita gente com expectativas por perto: "- Miiiiiiireeeeeeeeees do céééééu, você vai virar mãe!!! MÃE!!!! Tá ligada???". Consequência direta de ser a primeira gestação da minha família (netos), da família do Fer (netos), do círculo de amigos, de tudo. Em todos os nossos contatos, a gente estava "disparado na liderança", como o Guigo diz hoje (será que é por isso que ele gosta taaaaanto de corrida??? Será???).
Então, todo mundo queria curtir com a gente. E o pessoal mais velho falava MUITÍSSIMO na minha cabeça (desculpem-me, "mais velhos"). Até com Maria (siiiim, a de Jesus) eu fui comparada! Porque ser mãe "é algo sagrado", porque você é "iluminada", porque isso e porque aquilo. E todo mundo dizia que minha vida ia mudar horrores, que eu iria viver para ele, que eu ia ser ABSOLUTAMENTE APAIXONADA POR ELE DESDE O PRIMEIRO MOMENTO, que agora eu iria ser só "a mãe do Guilherme". Nem nome eu teria mais...
Poxa pessoal: pega leve!!!
Euzinha, no meio de tudo aquilo não me achava nenhum supra-sumo da humanidade, nem mais abençoada, mais iluminada, mais culta, mais nada do que ninguém. Eu só era eu. Com um serzinho dentro de mim. Quando alguém vinha e me recitava toda a cartilhinária de como eu estaria "mais próxima do céu e da santidade", agora, eu brincava com uma amiga mais nova que estivesse do lado: "- Eu não acho nada disso. Eu não sinto nada assim. Nada místico do tipo óóóóóhhhhh tem um ser vivente dentro de mim e eu sou seus olhos e ouvidos ´aqui fora´. Eu só acho MUITO LEGAL!!! Acho muito legal pensar que vou ter um filho, senti-lo mexer, ver os ponteiros da balança (finalmente) mudarem. Nâo é legal??? Não é??? Eu sinto as coisas de um jeito, sei lá, mais simples..."
Mágicas e iluminações à parte, eis que o Guigo nasceu. E, sim, ele era lindo. Sim, ele era amarrotado (nasceu de cesárea porque precisou, pois tentamos o normal). Sim, ele estava todo sujo. Sim, o Fernando flutuava tanto que eu precisei amarrar uma cordinha no pé dele e a outra ponta no pé da cama, ou ele sairia pela janela voando. Mas, não... eu não estava "absoluta e irreversivelmente apaixonada" por aquele serzinho, naquele primeiro momento. ÔH, ÔH!!! A PREVISÃO FALHOU!!!! SERÁ QUE ISSO QUER DIZER QUE SEREI UMA MÁ MÃE????

Desde o começo teve muita (pensa em muuuuitaaaa) gente por perto de nós. Eu gostava disso. O Fer não. Ele ficou ciumento e vivia dizendo "o filho é nosso, Miriane. Ninguém tem que dar banho, trocar, fazer arrotar, colocar pra dormir. É NOSSA responsabilidade!". Tudo bem, era mesmo. Ninguém "tinha que" fazer nada. Mas muita gente queria! E era difícil convercer o pai da criança disso... O problema era na hora do choro. Se o Guigo fizesse "nhãm", pronto! Para o Fer isso era um sinal CLARÍSSIMO de que o menino estava com fome e eu tinha que amamentar. Graças a Deus que eu tive um filho bem bonzinho, pois ele mamava bem, dormia muito e chorava raramente. Mas quando o pobre abria a boca: "- Miriane, ele deve estar com fome!", "- Mas, Fernando... ele mamou há 40 minutos! Por 40 minutos! Impossível ele estar com fome...", "- O que mais poderia ser, Miriane? Agora, se você não quer alimentar o nosso filho...". Afê!!!!
OBS: mães de primeira viagem, não se assustem!!!! É MUITO NORMAL você (e o maridão) ficarem diferentes, nos primeiros dias ou nas primeiras semanas. As coisas não são novidade só para o bebê, mas para vocês também. E você, mãezinha, que já vai estar passando por alterações hormonais, então... a coisa vira "uó". Então, respira, aguenta firme, que todo o mau humor vai passar e vocês vão se ajeitar, de novo. Mas, no começo, é assim: ele te chama pelo seu nome inteiro e vice-versa. Sinal de braveza!...
Voltando: eu ficava bravíssima!!! Na minha cabeça, o Guigo poderia estar sujo, estar cansado, estar com sono, estar querendo se comunicar, estar descobrindo novas funções do corpinho dele (tipo falar "nhãm"). Enfim: eu tinha um milhão de outros motivos para o pequeno estar se manifestando SEM SER a necessidade de leite (que eu tinha acabado de fornecer). Na sequência, vinha a culpa: será que eu estou tão cansada que eu "não quero" amamentar meu filho agora??? Eu não queria viver "em função do" Guigo. Eu queria viver COM o Guigo. ÔH, ÔH!!! A PREVISÃO FALHOU!!!! SERÁ QUE ISSO QUER DIZER QUE SEREI UMA MÁ MÃE????
Daí que nos mudamos para o interior (que SP é linda, ótima, suprema, etc, mas não é lugar pra ninguém crescer SE os pais tiverem outra opção viável). Em termos, a lance de ser mãe ficou mais fácil. E eu era mãe. 100%. Nunca tivemos babé (até o acidente). Até os 11 meses quando dei um piti e me senti "emburrecendo"!... Eu não estudava mais, não trabalhava mais, só falava de fraldas / papinhas / frutinhas / brinquedos infantis. Socorro!!! Será que ainda existia vida inteligente dentro de mim? Vergonha... E, de novo, eu não quis ser só mãe... E voltei pro mercado de trabalho. Apesar de conciliar clientes, audiências, roupa, comida, mamadeiras, declarações de imposto de renda, muita gente (inclusive eu) me perguntava se eu não preveriria ficar só com o meu filho... ÔH, ÔH!!! A PREVISÃO FALHOU!!!! SERÁ QUE ISSO QUER DIZER QUE SEREI UMA MÁ MÃE????
E eis que as crianças vão pra escola! E adoram!!! E eu adoro (porque eu sou louca por crianças). E eu conhecia todos os amiguinhos dos meus pequenos. E sempre tinha criança em casa pra brincar. E muitas mães deixavam os dela comigo, à tarde (que eu ficava em casa), para poderem fazer coisas de gente adulta (tipo ir no médico, fazer mercado, buscar documentos). E todos me conheciam pelo meu nome. Eu virei a "Tia Mirys" da galerinha. E amava, amava, amava!!!!!! Até hoje, somos convidados para festinha de váááários amiguinhos que ficaram na nossa cidade natal e os convites vem assim: Guigo, Nina e Tia Mirys! Eu tô lá!!!! Eu não perdi meu nome... ÔH, ÔH!!! A PREVISÃO FALHOU!!!! SERÁ QUE ISSO QUER DIZER QUE SEREI UMA MÁ MÃE????
A coisa piorava quando EU era quem precisava sair (pra fazer mercado, ir no médico, comprar roupa para as crianças, pagar contas). Um pouco pela culpa de não ficar com eles (Guigo e Nina) tanto quanto eu "deveria" e outro pouco porque a resposta que eu ouvia quando pedia ajuda para certas pessoas era "se não tem outro jeito... deixa eles aqui...": eu levava os dois coitados para todo lugar!!!! A Nina já cantou (e encantou) na fila do banco. O Guigo já foi motivo de piedade alheia por estar lindo e loiro (entendam: mega branco!!!) andando sob o sol. Mas eles iam comigo!!!
Acho que era aquela vozinha interna que ficava me cobrando coisas como: "eles são SEUS filhos! Você tem que cuidar deles! Você tem que ficar com eles!!! Você já trabalha de manhã e à noite, não pode ficar com os dois, pelo menos, à tarde??? Bela mãe você é...". Resultando que, até hoje, fico com o filho de quem precisar, pelo tempo que precisar e vou achar o máximo!!! Mas, eu pedir para outras pessoas ficarem com os meus... ah... é raro!!! Eu acho que vamos atrapalhar, que eles vão dar trabalho, que a pessoa só vai aceitar por educação, enfim. Vai que eu ouça um outro: "se não tem outro jeito...". Tenho sérios problemas com isso (#@$pronto!Falei!).
Se a coisa já era toda complicada quando o super pai (siiiiim, o Fer melhorou MUITO depois!!!) por aqui, dando banho, providenciando janta (pizza! Mas, que seja!), fazendo atividades (que deixavam o quintal todo pintado. Mas, que seja!), levando para almoçar quando eu tinha audiência (no Mc. Mas, que seja!), vocês podem imaginar, agora, livre-leve-e-solta (ou seja, VIÚVA) com duas crianças para gerenciar?????!!!!!!! Só me resta ser mãe, mesmo???? Mas eu só estou na casa dos 30 ainda!!!! E se eu não quiser ser só mãe deles? ÔH, ÔH!!! A PREVISÃO FALHOU!!!! SERÁ QUE ISSO QUER DIZER QUE SEREI UMA MÁ MÃE????
E se eu quiser sair com uma amiga para conversar (chorar, chorar e chorar)?
E se eu quiser tomar um café na casa de alguém?
E se eu quiser frequentar a academia?
E se eu quiser assistir um filme no cinema?
E se eu quiser um fim de semana livre de desenhos animados, coca-cola e suquinhos, atividades infantis e brincadeiras de "que bicho é esse" dentro do carro?
E se eu quiser sair pra dançar?
Eu posso??? Posso???
Isso não vai significar que eu sou uma péssima mãe???
Porque a voz baixinha, aqui no meu ombro, continua a sussurrar: "- Tá bom, Miriane, você está com e para eles durante a semana toda. Mas, você não fica COM eles. Você gerencia. Você leva e traz da escola, decide o almoço, compra todas as necessidades, marca dentista, ajuda na tarefa, coordena o banho enquanto prepara a janta. Mas, isso não é reeeeeeeeeealmeeeeeeeeeeente ficar com eles, é?"
Aí, alguém me diz: passar a semana toda pertinho, contar histórias para dormir, limpar o banheiro às 23hs porque alguém vomitou por todo lado (sim, aconteceu ontem...), garantir café/almoço/janta, falar 1.304.503 vezes para eles dizerem porfavor/comlicença/obrigado(a), levar e buscar na escola, criar um penteado novo por dia para a mocinha ir pra escola... isso já conta alguns pontos???? Não ganharei o troféu de PIOR MÃE do mundo por, às vezes, querer ser outra coisa além de mãe deles???
"Quem já passou por esse dilema põe o dedo aqui, que já vai fechar..."
Tem muita gente participando também!
Carol - começou aqui a ideia
Cele - amiga, parceira de dor e de felicidade!!!
Mari - a mãe polvo
Li - minha amiga mãe importada!
Pri - mãe poetisa de duas!!! Show, Pri!
Sarah - mãe do Bento
Carol Garcia - que viaja e faz a gente viajar junto!!!
Karen - diretamente da Alemanha
Iza - roteiro baby
Gabriela - e suas 3 meninas lindas!
Carol - mother love database
Sandra - mãe do Elias
Camila - mãe de três e blogueira de mão CHEIA!
Ingrid - com a family around!
Ana - com balde, areia, balanço e muita coisa pra falar
Andrea - mãe 24 horas
Kelly - com seu diário de bordo
Lolo - Little girl, big attitude!
Lu - mãe da Juju que não dorme
Naiara - BIG diva!!!
Grazi - mãe de menino
Li - diversão em família
Cleide - mãe da linda Helô
Sylvia - mãe orgulhosa da Gabrielly
Ana - mãe dos gêmeos Henry e Enzo
Mariana - mãe dos trigêmeos Mathias, Carolina e Guilherme (yeeee! Outro Gui!)
Renata - do "vieste na hora exata"
Uau!!! Vou ter muita leitura pro final de semana...
Observação importantíssima: um tempo depois de o Guigo nascer (ele foi o 1o), eu fiquei, sim, ABSOLUTAMENTE E IRREVERSÍVELMENTE APAIXONADA POR ELE!!!! Assim, tudo em garrafais, enfatizando, repetindo o "mente", porque é assim mesmo que eu sinto. Pela Nina, a mesma coisa. Não me perguntem "quando" a coisa mudou, quando eu comecei a me sentir assim... não sei. Talvez umas 2 semanas depois dele nascer... talvez dois dias... Mas o fato é que eu não vivo sem ele, nem sem ela (se eu puder opinar, né Deus?!). E peço licença à Li para imitá-la: Filhos, a mamãe ama vocês dois demais da conta!!!!! Recadinho público e irreversível, como meu amor!...