quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Hora H 22 - Quando você tem medo do desconhecido, tem sempre alguém que te leva pela mão (Diário da Mirys)

E chegou o final de semana, de novo. Será que agora, finalmente, nós iríamos conversar? Será que, finalmente, eu ia ouvir o pedido de namoro ao vivo e tomar uma decisão? Porque, até então, todas as nossas conversas e todas as declarações dele tinham sido por textos. Torpedos... e-mails... bilhetes... mas eu fugia de uma conversa cara a cara. E ele esperava o “meu momento certo”.

Mas o sábado passou, eu encontrei uma desculpa plausível, e não o vi. No domingo, quando eu não teria como escapar... eu escapei! Na saída da igreja ele pediu pra conversar comigo e eu disse que tinha coisas para arrumar, pois iria para um curso, em São Paulo, na semana seguinte. Coisa de trabalho, coisa importante, coisa que não dava para ele argumentar “resolva depois, por favor”. E eu fui embora. Na verdade, eu não tinha só a mala para arrumar... eu tinha a MINHA CABEÇA para colocar em ordem!

Fui pra Sampa, de madrugada, pensando um milhão de coisas, dentro do ônibus. Por que eu insistia no que não era pra ser? Por que eu não aceitava o que estava tão explicito, na minha frente? Por que eu orava e pedia por alguém que fosse louco por mim e, quando isso acontecia, eu ficava esperando alguém gritar “pegadinha!”? Por que eu achava tão impossível assim o H se interessar por mim? Por que eu achava que, na verdade, beeeem lá no fundo, ele não me queria tanto assim e que quando ele percebesse que eu era um “pacote completo” (eu + Guigo + Nina + neuras de viúva + família minha super presente + família do Fer + gato + cachorro + papagaio), ele ia sair correndo? Bom, pelo menos, eu ia ter uma semana pra pensar...

Melhor do que tempo, em Sampa eu tinha AMIGOS!!!! Muitos e queridos amigos!!! Com quem eu poderia conversar sobre as possibilidades, ver minha vida com outros olhos, colocar tudo sob um novo prisma! E foi exatamente o que aconteceu...

Entre uma pizza e outra, uma garrafa de vinho, anéis de cebola, passeios em livrarias (amoooooooooo livrarias em São Paulo), uma batida de pernas na 25 (pra comprar lembrancinhas pras crianças – eu faço isso SEMPRE que viajo. Eu trago nem que seja um lápis novo, só pra dizer, com algo concreto, “eu me lembrei de você”)...eu fui conversando, conversando, conversando. Contei os últimos meses para os amigos mais íntimos, falei sobre as minhas questões internas, sobre as minhas orações, sobre as reações das crianças, sobre tudo!

E, na última noite em Sampa, eu fui visitar meu primo (aquele músico, que me convidou pra ver os shows dele), a esposa dele e o filhinho, ainda na barriga dela. Falamos sobre crianças, dietas, choro de bebê, noites insones (pouquíssimas, no meu caso, graças a Deus!), relacionamento pós filho e todo esse mundo novo da maternidade / paternidade que começava pra eles. E entramos no “meu assunto”. E eu descobri que além de tooooodas as “neuras” que eu tinha com relação ao H, eu ainda tinha umas “neurinhas” com relação à profissão dele. Porque, sabe como é né? Piloto de avião... toda aquela fantasia no imaginário coletivo... uma vida muito diferente... uniformes... todo mundo viajando e conhecendo e vivendo em outros cantos... Como que uma pessoa assim ia se encaixar na minha vida “normal”, de casa, filhos, trabalho, conversas no final da tarde do tipo “oi, como foi o seu dia?”???

Pra salvar a minha ilustre e pensante cabecinha, a Vã, mulher do meu primo era... comissária de bordo! Ela também vivia aquela vida do H (de um jeito diferente, mas vivia! Muito mais próxima do “mundo dele” do que do meu), ela viajava, ela estava sempre arrumada, ela usava uniforme, ela convivia com pilotos! Aquela fantasia toda era a vida dela!!! E ela me apresentou, direitinho, o que era real e o que era só fruto da imaginação (fértil) coletiva. E meu primo estava casado com ela, vivendo um relacionamento estável e feliz (tudo bem que músicos também não têm nada de vida normal, nada de rotina, nada de brincar de casinha como pessoas ordinárias como eu! Eles também fazem parte do imaginário da juventude de qualquer um, com uma vida sem ritmo, sem rotinas, sem 7 dias no mesmo lugar, cheia de aventuras. Mas, mesmo assim, ele me serviu de parâmetro). Se dava certo pra eles, também poderia dar certo pra mim!!! Tudo era uma questão de tentar e dos DOIS estarem beeeeem a fim de fazer aquele relacionamento dar certo!

Só faltava o improvável dia da minha “conversa ao vivo” com o H, para eu discutir certas coisas, apresentar meus medos, ouvir o que ele tinha pra dizer, para poder ponderar o MEU caso! Porém, no final de semana que se aproximava seria o feriado de carnaval e eu ai, como todos os anos, para uma estância com a minha família. Um retiro evangélico. Um lugar delicioso, calmo, tranquilo, com programação para as crianças o dia todo, onde eu poderia ficar a sós comigo mesma, traçar planos, tomar decisões. Um lugar onde eu poderia encontrar amigos, inclusive os da minha própria igreja de Jaú (que eu via todo domingo, mas com quem eu não conseguia conviver).

Aquela não tinha sido minha primeira opção, mas as crianças insistiram tanto, meus pais fizeram programações, meus irmãos todos iam (e eu adoro passar tempo com eles), que eu decidi passar o carnaval assim, quietinha, montando frase a frase, na minha cabeça, a conversa que eu teria com o H, na oooooutra semana. Mal sabia eu que as coisas sairiam bem diferente do que eu tinha planejado...

Cenas do próximo capítulo aqui.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hora H 21 - Só Hoje (Diário da Mirys)

(liga o som e vai: http://www.youtube.com/watch?v=fpAgEgTbRw4)

Há meses, ele gostava dela, em segredo. Há semanas, ele tinha revelado tudo e pedido para ela aceita-lo na vida dela. Mas ela era uma mocinha confusa e complicada, ela tinha passado por experiências difíceis demais, ela tinha assuntos inacabados para encerrar, ela tinha medo...

Ela tinha medo por ela, por recear não saber mais como “ter alguém”, como “ser de alguém”; medo de não saber gerenciar um novo homem na vida dos seus filhos; medo de não dar conta de ser mãe, filha, irmã, neta, nora, amiga, profissional E namorada, pois era gente demais para dividir o seu tempo; medo de não dar certo por qualquer motivo; medo de perder. De novo. Ela tinha medo de um novo “não” da vida. Ser viúva (depois de tanto tempo) parecia fichinha perto da nova experiência que se aproximava... Só porque ela já estava acostumada a ser viúva.

Ela tinha medo por ele, por trazer mais duas crianças para a vida dele (que também precisariam de atenção e amor), por ele ter que encarar o “pacote completo” que ela era, por tantas outras coisas. Mas, sobretudo, ela tinha medo por ele pelas comparações que inevitavelmente viriam com relação ao passado dela, pelos “julgamentos”, pelos pré-conceitos. Porque a morte tem esse “poder mágico” de apagar qualquer coisa de ruim, deixando na lembrança das pessoas só o que aconteceu de melhor...e ela era viúva e sabia que a concorrência dele ia ser fortíssima. Ele teria que provar ser “bom o suficiente” pra ocupar o lugar que pretendia na vida dela... por um bom tempo... para as mais diversas pessoas. Ele seria “cobrado” por isso e ela tinha medo do que ele poderia ouvir, ler, sentir...

E esse tipo de esforço extra, dedicação anormal, querer além do básico não se pede pra ninguém. Se ele quisesse, ele ficaria, ele insistiria nela, ele aguentaria, ele suportaria inclusive as crises que ela mesma teria com relação a tudo isso. Mas ele teria que querer MUITO!

Como ela não podia “pedir” por isso, ela torceu... “Tomara que ele perceba que eu preciso que ele insista. Tomara que ele perceba que não vai ser fácil, mas que ele esteja disposto. Tomara que entre as duas opções, entre me dar tempo e espaço pra eu pensar ou ficar por perto enquanto eu me organizo, ele faça a escolha certa.” Ele perguntou: fico ou me afasto um pouco? Ela não respondeu. Ele tomou a sua decisão e mandou sua resposta por torpedos, pro celular dela, numa manhã de trabalho normal, como sempre fazia...

“Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito, nem que seja só pra te levar pra casa, depois de um dia normal”

“Olhar teus olhos de promessas fáceis e te beijar a boca de um jeito que te faça rir”

“Hoje eu preciso te abraçar, sentir teu cheiro de roupa limpa, pra esquecer os meus anseios e dormir em paz”

“Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua, qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo”

“Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar, me dizendo que eu sou causador da tua insônia que eu faço tudo errado sempre”

“Sempre...”

“Hoje preciso de você com qualquer humor, com qualquer sorriso”

“Hoje só tua presença vai me deixar feliz”

“Só hoje”

E ela soube que ele percebia que ela precisava caminhar um dia de cada vez, vivendo momento a momento, desfazendo um medo por dia, sendo feliz nos detalhes. Então, ele mandou uma última mensagem dizendo que queria ser o “hoje” de todos os próximos “hojes” que ela tivesse pra viver...

Cenas do próximo capítulo aqui.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cultura chinesa (Diário do Guigo)

Depois de pedir, pedir, pedir, pedir, a MãMi nos levou pra comer comida chinesa (que a gente amaaaaaaaaaaaa!). Mas, a melhor parte é abrir o biscoito da sorte e ver o que podemos aprender:


"Se em vez de expandirmos o bolso expandirmos a mente, não seremos roubados!"



"As nossas necessidades são poucas, mas nossas carências aumentam com as nossas posses."

E foi um festival de perguntas:
"- MãMi, o que significa expandir?"
"- MãMi, o que quer dizer necessidade?"
"- MãMi, qual o significado de carência?"
"- MãMi, o que quer dizer posse?"

Eu olhei pra Nina... a Nina olhou pra mim... olhamos pra MãMi.

"- Ah!!! Entendemos!!!"
"- Profundo, né Helena?"

Hora H 20 - o tipo de cara que eu queria pra mim (Diário da Mirys)


No sábado, dia seguinte à viagem do H à minha cidade, eu também evitei a nossa conversa ao vivo, pois já tinha um compromisso marcado, em outro lugar. Nada sério, nada que se pudesse chamar, assim, de um “compromisso”... mas eu tinha marcado de ir ouvir música e beliscar alguma coisa, com a minha prima, na cidade dela. Programa delicioso para nós três (eu + Guigo + Nina), em pleno sabadão! Um amigo do Guigo (filho de uma amiga nossa) também ia. A Nina adora um sambinha (e estava começando a ensaiar os primeiros passos “evoluídos”, como ela mesma diz). Não fazia sentido desmarcar. E nós fomos!

Lugar bacana, gente feliz, comida boa, amigos divertidos, tu-do-de-bom! E, no meio de tanta gente, tinha um casal dançando, lá no cantinho esquerdo. Tudo bem, tudo bem que eles estavam no maior clima “love is in the air”, olhando um pro outro, cantando, beijando. Tuuuuuuuuuuuudoooooooo bem. Normal. Até que a menina resolveu assistir ao grupo de música e virou pra frente... e eles protagonizaram uma cena que me deixou arrasada. A menina via o show e o namorado beijava o cabelo dela, alisava o braço dela, cheirava o cabelo dela e sorria. Feliz. 100% interessado nela. Não tinha nada de apelativo ali, nem de exagero, nem de grandes beijos proibidos para menores de 18 anos. Tinha ternura, tinha envolvimento, tinha uma vontade absurda e transparente de estar junto dela, de ser dela. E eu adoro essa coisa de “pertencer”...

Eu queria aquilo tudo pra mim! Aquela ternura, aqueles beijos no cabelo, aquele abraço sem segundas intenções e sem pressa, aquele envolvimento, aquele carinho todo, aquele querer bem! Quem, em sã consciência, não ia querer???

Muita gente me dizia que eu já tinha tido a minha cota de “par perfeito”, nessa vida... outros me diziam que isso não existia mais... eu já tinha tentado começar um novo relacionamento para ver se ia dar nisso, no final, mas não tinha conseguido nem o começo... em resumo: parecia, mesmo, impossível de acontecer pra mim!

Mas eu sou teimosa e eu entrei na “fila dos relacionamentos intensos, apaixonados, envolventes, completos”, de novo. Fui lá, sem um pingo de vergonha na cara, peguei a senha e esperei a minha vez!!! “Deus, SE e QUANDO o senhor quiser, eu quero alguém assim. Meu. Alguém que me seja fiel, que ame as crianças e que seja LOUCO por mim. Só. Pra mim, já está bom. Mas, se não for pra ser assim, eu não quero nem me interessar pela pessoa... por favor, só me deixe perceber quem for feito pra ficar.”

À noite, eu estava meio pensativa. Lembrando das cenas dos beijos e cheiros no cabelo, e no sorriso do rosto do tal namorado. Não estava pra muita conversa. Mas o H mandou um torpedo, eu respondi, e nós começamos a conversar. E ele percebeu que eu não estava bem...

“Mirys, eu estou numa situação muito difícil. Eu já te falei mais do que devia, por mensagens de texto, mas nós ainda não conseguimos conversar. Você sempre foge... e eu sempre vou atrás. Eu esperei tanto tempo pra te falar tudo isso, mas não teve o efeito que eu queria. E eu não sei o que fazer. Eu, que sempre tive controle da situação, não sei o que fazer. Se eu continuo a te procurar e pedir pra te ver, corro o risco de ser considerado o cara mais chato e inoportuno do mundo. Se eu me afasto e te dou um tempo pra decidir e fazer as coisas no seu ‘timing’, corro o risco de você achar que eu não queria tanto assim ou que eu me desinteressei. Corro o risco de te perder.”

Ele tinha razão. PRINCIPALMENTE NAQUELE DIA, ele tinha razão. Se ele se afastasse, mesmo que pelo motivo mais ilustre e bem intencionado do mundo, eu IA achar que ele não queria tanto assim. Eu ia... Porque eu estava secretamente pedindo por alguém que me quisesse ALÉM do possível, além do básico, além do “vamos passar uma noite agradável juntos”. Eu queria alguém que me quisesse, de verdade...

Mas, certas coisas, a gente não fala. Quem quiser ficar, tem que perceber...

Cenas do próximo capítulo aqui.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

With love. From me. To you. (Diário da Mirys)

I know that it is hard to understand what seems inexplicable.... to face the impossible… to accept the unfair. I know. I´ve been there.

And it is difficult to see clearly when your eyes are wanting to release a river, that had been kept inside for so long. It is hard to find a purpose in all that mess.

But remember: the purpose is there! Because all the things cooperate for the good of those who truly love Him (and I know you do). All the things. All of them. Not just the part we can comprehend.

So keep going! Being the amazing person that you are, loving the ones you love, taking care of the ones who need you, showing with facts what can´t be put in words. Everyone who really matters will be with you, by your side, and they believe you.

With love. From Mi. To you.

Hora H 19 - Se Maomé não vai à montanha... (Diário da Mirys)



Sexta-feira. Depois de 150 torpedos trocados durante o dia.

H – “E aí, Mirys, que horas você vem pra Jaú?”
Eu – “Sabe o que que é... eu não vou...”
H – “Não vem? Mas você SEMPRE vem. Aconteceu alguma coisa?...”
Eu – “É que a minha amiga vizinha está precisando de ajuda com a festinha do filho, então eu sou im-pres-cin-dí-vel! Você entende, né? Não vou pra Jaú pra ajudar a fazer a tal festinha.”

Tudo bem que eu vivia ajudando minhas amigas com festas dos filhos e ADORO uma decoração “faça você mesmo”, com aquele ar de festa de antigamente, da MINHA época de criança! Se dá pra fazer em casa e ficar lindo, original e barato, é a minha cara!!! Mas... naquele final de semana? Ele já tinha pedido tantas vezes pra conversar comigo e eu ia ajudar a fazer a decoração da tal festinha bem naquele final de semana???

H – “Ah... tá... mas você vai ficar na casa dela até muito tarde? E as crianças?”
Eu – “Meu irmão vai estar por aqui, à noite. E a minha amiga tem outros compromissos, depois das 20hs. Então, eu vou organizar tudo pra festinha, lá de casa, mesmo.”

Desculpas, desculpas, desculpas. Como eu não ia conseguir conversar com o H e manter o olhar no dele, como eu não ia aguentar OUVIR todas aquelas coisas que ele já tinha me escrito, como eu não sabia como gerenciar tudo aquilo, como eu estava na maior confusão interna e não sabia o que sentia ou o que queria pra mim... eu achei mais justo com todo mundo não tomar nenhuma posição. Não fui nem pra cá, nem pra lá. Mas, eu podia ter pedido um tempo pro mundo, podia ter puxado a cordinha e pedido pra descer do ônibus dos relacionamentos. Mas não... eu fugi. Não tem outra palavra...

Fato é que eu morria de medo do H tentar me beijar. #prontofalei! Porque ele não era um estranho, porque ele me conhecia, porque frequentávamos os mesmos lugares, porque ele era diferente de todos os outros caras que eu já tinha beijado (em tantos aspectos), porque eu nunca tinha me imaginado nessa situação com ele, porque...

H – “Mirys, você demora muito pra organizar o que precisa?”
Eu – “Imagina! Adoro festa de criança e estou super acostumada! Mas, não vai dar pra arrumar tudo E ir pra Jaú. Não vai. A gente conversa em outra hora que eu possa ir praí, tá?”
H – “Mirys, mas e se EU for pra sua cidade? Você ficaria brava?”

Como eu não tinha pensado nisso?????? Não adiantava EU não ir pra jaú! Ele era maior de idade e vacinado, tinha habilitação e carro, estava ultra acostumado com viagens... Não adiantava eu não ir pra Jaú porque ELE PODERIA VIR PRA CÁ!

Eu – “Ah... não... não vai dar... porque... tem as crianças e não consigo uma babá, assim, rapidinho.”
H – “Mas você disse que o seu irmão estaria aí. Ele não pode ficar sozinho com as crianças por uma hora, pra gente conversar?”
Eu – “Ah... não... não vai dar... porque... sabe... eu vou estar muito cansada. Exausta! Exaurida! Sem forças! Não vou aguentar sair!”
H – “Tudo bem.”

Ele percebeu que era enrolação! Ele percebeu a minha voz tremida, as minhas desculpas esfarrapadas, a minha indecisão. Mas ele também percebia que eu não parava de falar com ele por torpedos, que eu gostava de ter contato, que eu estava, tipo assim, perdida. Decidido como ele só, deu uma cartada final:

H – “Mirys, eu VOU pra sua cidade. Se você puder e quiser sair pra conversar comigo, ao vivo, ótimo! Se não der, tudo bem. Ficamos nos falando por torpedos, a noite inteira, porque a gente já ia fazer isso mesmo. Mas eu não quero sair em Jaú e quero estar por perto de você, CASO você consiga me ver, ok? Sem nenhuma obrigação, eu só vou estar por aí.”

Nããããããããããooooooooooooo! Eu fiquei ansiosíssima com a possibilidade dele vir, mas parei e pensei um pouquinho: pra que? Pra que ele ia gastar cartucho com uma pessoa que só “fugia” dele? Pra que ele ia se dispor a sair da casinha dele, dirigir por uma hora, pra ficar com alguém que estaria fazendo convitinhos de aniversário de criança? Pra que ele viria até aqui, onde ele não conhecia ninguém, se tinha vários amigos dispostos a curtir a sexta, à noite, em Jaú? Pra que ele ia ter todo esse trabalho só pra conversar comigo, se, lá na cidade dele, ele conseguiria ficar com várias garotas que estavam muito mais acessíveis (eu era amiga dele, esqueceram? Eu sabia desse tipo de coisa!)? É claro que era um blefe...

Mas, umas 20:30hs, meu celular apitou. Ti-ri-ri! Mensagem! Era dele.

H - “Estou na sua cidade. Alguma sugestão de um restaurante pra onde eu possa ir, comer algo bacana e conversar com você por celular?”
Eu – “Você não está aqui... não é possível...”
H – “Estou, sim. Na rua X. Tem um McDonalds na minha direita e...”
Eu – “Não é possível!!! Por que você veio?”
H – “Mas, eu disse que viria. Eu não queria sair em Jaú e não queria ficar em casa. Eu queria conversar com você. Ao vivo ou por celular. Então, só vim ficar mais perto de você, caso eu tenha sorte e você resolva sair.”
Eu – “Mas, H, eu FALEI que não ia sair! Agora eu me sinto pressionada...”
H – “Não, Mirys. Eu não vim pressionar você! Você me avisou que não sairia. E não tem problema nenhum se não sair. Eu sabia dos riscos e fiz minha escolha: eu só queria estar mais perto. Sem pressão, ok?”

E nós passamos a noite toda no celular, perdido entre torpedos e respostas. Eu conheci alguns lugares na minha própria cidade através das descrições dele. Lugares que eu nunca tinha ido porque... sabem... eu sou mãe, tenho 2 pequenos em casa, não saio à noite... e todo aquele bla-bla-bla que vocês já conhecem! Mas, através dele, eu fui. E passeei um pouquinho!

Mais de duas horas da manhã, ele resolveu voltar pra Jaú. “Me avisa quando chegar lá, H. É que eu fico preocupada com estradas...” (por motivos óbvios). “Tudo bem, Mirys. Mas isso não é uma coisa mais de namorado, não?...”

Era. Era, sim. Isso e o fato de eu ter falado que precisava arrumar um “apelido” pra ele, porque não dava pra ficar falando (escrevendo) o nome todo dele, toda hora. Ele tem um nome compriiido, que não fica muito legal com apelidos. Como a gente sempre se falava em inglês e como, em inglês, é muito comum chamar as pessoas pelas iniciais, eu decidi: “Já sei, a partir de agora, quando a gente conversar, vou te chamar de H. É o meu apelido pra você, tá?” “Sem problema algum, Mirys. Também vou arrumar um apelido pra você. Mas... isso não é coisa de namorados, não?...”

Cenas do próximo capítulo aqui.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Hora H 18 - How could I keep the eye contact? (Diário da Mirys)

Nos dias seguintes àquele pedido de namoro escrito, o H me mandou um milhão de torpedos por dia. Exagero? Talvez... acho que, na verdade, eram só uns 200 por dia. Sério!!! A gente se falava o tempo todo, sobre tudo. E isso já acontecia há um tempinho, mas quando nós éramos “só amigos”.

Só que, agora, o tema da conversa tinha mudado e, vira e mexe, no meio de uma troca de sms, vinha uma mensagem do tipo “não consigo parar de pensar em você”. Meus sais!!!! Eu não estava preparada pra isso, pra alguém tão interessado assim em mim! Era uma delícia e eu já vinha pedindo por isso fazia tempo, mas... o H? O H sempre esteve lá, perto da minha vida, eu perto da dele, e eu nunca (smack, smack – beijo nos meus dedos, pra mostrar que é promessa prometida) tinha pensado na possibilidade e, agora...o H??????????

A ideia de discutir ao vivo sobre essa hipótese de um “nós” me assustava... A gente já tinha saído cinco vezes juntos. Naquele dia em que ele me passou o antídoto do repelente; no dia da briga da ex namorada do meu não namorado; no dia da proposta das Filipinas; no reveillon em que eu quase fiquei sozinha e mais uma vez em que ele tinha me ligado e dito que precisava muito conversar comigo. Fazia poucos dias. Eu, que achava ser só amiga dele, fui. Conversamos a noite toda, foi delicioso, mas a tal “conversa” que ele precisava ter comigo não aconteceu. HOJE, eu sei que não (porque hoje eu sei que ele queria me dizer o que estava sentindo). Mas, na noite, eu achei que ele só queria conversar amenidades, mesmo. Nem o abraço beeeeeeeeem demorado que eu ganhei quando fui entrar no meu carro, nem o olhar arrastado que eu recebi depois do beijo (no rosto) de “até breve” me fizeram perceber o óbvio...

Eu sei que eu tinha orado e pedido para me interessar só por quem tivesse alguma perspectiva de “ficar na minha vida”. Não queria ninguém pra amanhã, nem na próxima semana, que eu não era tão irracional ou ingênua assim. Só não queria investir meu tempo e emoções em alguém que não fosse pra ser... entendem? É claro que o ex me mandava mensagens, também... é claro que o moço da pausa também escrevia, diariamente... mas o H me “bombardeava” com torpedos e não tinha COMO não pensar nele!!! Pro ex, eu nunca respondia. Com o moço “não namorado” eu falava de amenidades, tipo o tempo, o trabalho, a programação (separados) do final de semana. Com o H eu falava sobre tudo: trabalho, estudos, vida, filhos, tempo, comidas, viagens, sentimentos, confusões de viúva (ele já conhecia a minha história, lembram?), sonhos, e, de repente, quando eu estava tão entretida conversando com o meu “amigo”, vinha algo do tipo “queria estar perto de você, agora” e uma tempestade se formava na minha cabecinha... O final de semana estava chegando e eu estaria em Jaú + ele estaria em Jaú + ia acabar rolando a tal conversa ao vivo + eu teria que subir no salto, manter o “eye contact” que o H tinha me ensinado a ter... só que com ele!!!!

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, após a surpresa do pedido de namoro?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, e saber que, dai pra frente, eu não poderia mais fugir dos fatos, que até então eram apenas hipóteses absurdas?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sem acreditar no que estava estampado?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, se as coisas começavam a ficar completamente explicitas?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, sabendo que agora tudo estava escancarado, pra quem quisesse ver, inclusive pra mim, que ele queria ficar comigo?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H, ciente que eu não teria como escapar mais do assunto?

Como eu poderia manter contato com os olhos do H????????? Como? Como? Como?

Não poderia.... Então, quando o final de semana chegou, eu resolvi fugir!!!

Cenas do próximo capitulo aqui!!!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Hora H 17 - Namorar? Eu??? (Diário da Mirys)



Eu estava atônita! Aquela frase me colocou em choque... “Aceite namorar comigo.” Mas eu dizia pra todo mundo que não queria namorar, não dizia? Eu repetia e repetia a ideia de que eu ia ‘só sair’ com alguém, que eu não queria relacionamentos, que era a minha fase de ‘curtir’ (já que eu nunca tinha só curtido). De tanto falar, eu já tinha convencido até a mim mesma que não queria alguém pra chamar de “meu”. Eu tinha 37 anos, tinha duas crianças, já tinha casado, já tinha ficado viúva (o que é uma experiência super intensa pra se ter nessa vida)... eu achava que era dona do meu próprio nariz e que se eu nunca mais namorasse / noivasse / casasse – tudo bem! Eu nem queria, mesmo...

OU QUERIA?????????????

Era como se, lá atrás, alguém tivesse dito “Mirys, acabaram todos os chocolates do mundo e você, NUNCA MAIS, vai comer chocolates...” O que você faz com uma notícia dessas? Chora, chora, chora, limpa o rosto, encara o fato e toca a vida pra frente e se convence de que a vida vai ser linda e saborosa, sem aquela guloseima marrom. Daí chega outro alguém, tranquilamente do meu lado, comendo...uma barra de chocolates! Ele vira pra mim e diz: “quer?”. E aí: eu quero???? Eu posso querer de novo??? Será que eu não quis SEMPRE, mas ficava enganando a mim mesma que não queria pra não sofrer (afinal, eu nunca mais teria chocolates, lembram?)???

Eu lia a frase do H e não sabia se ria, chorava, respondia, pedia ajuda aos universitários ou comprava a primeira passagem aérea pra Timbukitu e sumia do mapa... Ai, que dúvida!

Como assim, ele queria namorar comigo? Na-mo-rar!!! Fazia tempo que eu não jogava esse jogo, mas eu sabia que, desde os anos 90, ninguém mais pedia pra “namorar” outra pessoa assim, de graça, sem nunca ter nem dado um beijo... BEIJO!!! Pra namorar o H, eu teria que beijar o H!!! Aquele H da minha adolescência!!! Aquele H que conhecia meus pais, minha vida, minha história!!! Acho que eu entrei em curto...

“H., como assim? Como você quer me NAMORAR, se nunca saiu comigo? Você nem me conhece direito...”
“Mas não é pra isso que servem os namoros, pra conhecer melhor a pessoa?”
“Mas H... você nunca me beijou! Nem sabe se vai gostar...”
“O problema é o beijo? Tenho certeza que vou adorar!”
“H, não tem cabimento isso. Você não é criança. Tem 40! Eu tenho 37! Ninguém pede alguém em namoro, nessa altura da vida, sem ter saído antes...”

Ele insistia que queria namorar comigo e eu insistia que ele não devia querer. Ele não podia querer... Era muita coisa pra ser verdade! Ele devia estar enganado... só podia estar!

“H, isso não se faz assim, por torpedo. Ninguém pede pra namorar alguém, por torpedo, sem ter tido nada...”
“Mirys, você estava vendo alguém, antes, e eu não podia pedir pra você sair comigo e te pedir em namoro ao vivo. Mas, agora você está sozinha. E se esse é o problema...quando eu posso ir praí?” (lembrem-se de que eu moro em outra cidade. Perto de Jaú, mas outra cidade).
“H., para de brincadeira...”
“Mirys, não é brincadeira. Você quer que eu te peça em namoro ao vivo, eu peço. Quando posso te ver?”

Trocamos sei lá quantos torpedos naquela noite e eu (da velha guarda) disse que tinha que “pensar no assunto”... Era meio da semana e eu sabia que, na sexta, estaria em Jaú. O QUE FAZER???

Cenas do próximo capítulo aqui.


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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hora H 16 - Do jeito que você quiser começar, continuar e concluir (Diário da Mirys)



Claro que eu não li as catoooooorze mensagens do H, antes de responder! Era muita coisa e eu fiquei preocupada. E se tivesse acontecido algo? Pois, tudo bem... nós éramos amigos... nós trocávamos mensagens... nós conversávamos sobre a vida... mas CATORZE? Tinha que ter acontecido algo, tipo assim, maior! Então, eu li uma, duas, três e resolvi mandar um torpedo perguntando se estava tudo bem (explicando que eu não tinha respondido durante a noite porque tinha cochilado, enquanto colocava a Nina pra dormir). E continuei lendo, enquanto esperava a resposta dele.

A última mensagem das 14 que ele tinha me mandado, naquela madrugada, falava assim: “eu realmente devo ter perdido completamente a noção de tudo! Espero que você só veja esta mensagem de manhã, pois já passam das 4am! É que eu, como que por insanidade, queria saber se e somente eu que não consigo parar de pensar em você! Damn!”

MEUS SAIS!!!!
Eu lia o que eu lia???
Na dúvida, eu relia. Relia, relia, relia. Pra tentar me convencer de que eu, realmente, lia o que estava escrito pra mim. E quando eu estava quase me convencendo, chegou a resposta dele...

Obviamente envergonhado por ter me mandado tantas mensagens num horário em que pessoas com trabalhos normais estariam dormindo (ele é piloto de aviões e não tem horários normais pra nada = dormir, trabalhar, almoçar...). Envergonhado por ter escrito certas coisas, que ele nunca tinha me falado antes. Talvez com receio porque eu não tinha dado uma resposta imediata e positiva pra ele... então, ele deu um passo atrás.

Disse que estava tudo bem com ele, sim. Que ele só tinha saído com alguns amigos, tinha lembrado de mim, quis conversar, não estava com sono à noite e resolveu tentar contato comigo. Pediu desculpas por ter mandado tantos torpedos e... só.

PUTZ! E agora? Eu fingia que nada tinha acontecido e continuava amiga? Eu ligava e conversava? Eu encarava que ele estava querendo ficar comigo e passava a trata-lo como uma possibilidade? Mas... ELE ERA O H!!! Eu o conhecia, eu conhecia a família dele, eu conhecia os amigos dele, eu conhecia os filhos dele, eu considerava o cara inatingível, eu não conseguia assimilar que ELE queria sair comigo! Um monte de gente já tinha me alertado sobre isso, nos últimos meses (até minha prima e minha cunhada), mas eu nunca tinha visto nada de “suspeito” na nossa amizade... e, de repente, bum! E eu fiquei pensando desde quando... como... por que...

E reli os dois últimos torpedos. E tive que escolher: aceito e encaro de frente que ele está interessado OOOOOUUUUU fico com a segunda mensagem de que era só um amigo mantendo contato. Qual??? Qual??? Qual???

Na dúvida, não fiz nada! Típico...
Não respondi, não procurei, não telefonei, não fiz nem um sinalzinho de fumaça. Na-di-ca! Sabe criança quando quebra o vaso preferido da mãe, junta tudo num cantinho e coloca um brinquedo em cima pra disfarçar, esperando que ninguém veja? Pois é... sou eu! Coloquei o celular de lado, me ajeitei na cadeira e comecei a trabalhar. Compulsivamente! E toda vez que o abençoado tocava, eu pulava! Vocês podem imaginar o quanto a minha colega de sala riu nesses dias, porque eu troco torpedos com toda a minha família (9 irmãos + cunhados + pai e mãe) e com alguns amigos, sempre. Então, era um toque e um pulo, um toque e um pulo, um toque e um pulo. Ainda bem que alguém inventou computador porque se eu escrevesse relatórios à mão, teria que refazê-los vááááárias vezes...



Mas eu sou bem boa nessa coisa de fingir, de esperar passar... E alguns dias se passaram. E o H tentou contato, de novo. Coisa boba, de amigos. O pico da ansiedade tinha passado e eu pensei: “ok Miriane, sua boba. Ele quer ser SÓ seu amigo, mesmo, viu? Disfarça que você achou que eeeeeleeee pudesse estar interessado em você, sobe no salto e continua a vida! Responde como se você nuuuuunca tivesse pensado um absurdo desses.” E eu respondi. Coisa boba, de amiga. Era noite e a gente acabou trocando inúmeros torpedos (porque eu não tinha nenhum relatório pra fazer, oba!), até que:

“E o namorado, como vai?”
“Eu não tenho namorado, já te falei.”
“É verdade... eu esqueço. Vocês só saem. E o ‘não namorado’, como vai?”
“Na verdade, nem é mais ‘não namorado’. Nós conversamos e vimos que não queríamos levar a coisa toda pra um outro nível. E pra mim não dava pra continuar como estava. Então, a gente seguiu cada um pra um lado.
“Não tem mais ‘não namorado’???”

E antes que eu pudesse responder que eu ainda conversava com o moço, que ele não queria ficar mas também não queria partir, toda aquela confusão típica de finais de relacionamentos, o H pensou que eu estava sozinha. E, eu estando sozinha, ele podia agir! E eu recebi esse torpedo:



"Miriane, aceite namorar comigo. Do jeito que você quiser começar, continuar e concluir."

Cenas do próximo capítulo aqui.

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Conselho (Diário da Mirys)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hora H 15 - Catorze vezes!!! (Diário da Mirys)

No final de janeiro, comecinho de fevereiro de 2012, o H também passava por algumas importantes na sua vida. E a gente começou a conversar sempre sobre... tudo! Vida, projetos, amizades, filhos, trabalho, viagens e também sobre problemas. Eu torcia para que ele resolvesse os dele da melhor forma. Ele torcia por mim. Coisa de amigos, sabe?

Só que a gente nunca tinha sido tãããão amigo assim. A gente só se “conhecia”. A vida inteira tínhamos orbitado, um perto do outro, mas qualquer envolvimento um com a vida alheia. E eu tinha uma ideia meio “formada” dele, da minha época de novinha, quando ele era o cara mega paquerado, mega descolado, mega líder e eu era a...bom, eu era a menina muuuuuito mais nova e só. Talvez, ele me considerasse simpática. Talvez! Nem isso eu sei...

Eu só sei que EU tinha uma ideia dele como a de uma pessoa quase que inatingível, de um universo diferente do meu. Eu achava que a gente não combinava em quase nada até para sermos só amigos. Mas, a cada dia em que a gente conversava, eu desfazia uma pré-ideia (ou um pré-conceito, assim, no literal) que eu tinha dele. Engraçado isso... engraçado e curioso porque era JUSTAMENTE isso que eu vinha pedindo em oração. Eu não queria mais me envolver emocionalmente com ninguém que não tivesse uma perspectiva de futuro pra mim (pra quem acredita em Deus, ninguém que não estivesse no plano Dele pra mim). Claro que eu não esperava que alguém me pedisse em namoro sem nem ter saído comigo uma vez! As coisas não funcionavam mais assim... Claro que eu não esperava pedido de casamento em uma semanal! Óbvio que eu não pensava em casa + comida + roupa lavada, assim, pra ontem! Logicamente que não!!! Eu tinha uma noção de realidade e sabia que conhecer alguém e gostar de alguém leva tempo. Decidir-se a ficar na vida de alguém demanda sintonia, muita conversa e afinidade. E essas coisas levam tempo. Mas, nenhuma delas acontece sem VONTADE! Então, era isso que eu queria: queria me interessar por quem tivesse VONTADE DE FICAR, queria ficar com alguém que podia até não dar certo, mas que estava disposto a tentar no mesmo tanto que eu!

Desde o começo do ano, as crianças tinham mudado o final da oração delas. Uns meses depois do acidente, elas passaram a terminar todas as orações com um “manda um beijo pro papai, que está aí no céu, com você”! Fazia tanto tempo que eu ouvia aquela frase que ela nem me fazia chorar mais (a não ser em alguns dias, em que eu estivesse muito emotiva. Porque... para pra pensar nela!!! Agora, faça o link de que essa frase vinha da boca de duas crianças de 6 e 4 anos!!! Não é pra chorar, mesmo?). Mas, há umas semanas (acho que foi no Natal, a primeira vez), a frase tinha mudado para “querido Deus, manda um papai novo pra gente, por favor” (olha lá, eu, chorando, de novo!).

Do mesmo jeito que da outra vez, eu não recriminei o Guigo e a Nina por “pedirem” um pai novo. Afinal, como eu podia pedir para eles ficarem sem pai, pela vida inteira, só porque o deles, infelizmente, tinha morrido, se eu mesma adorava o meu pai e considerava uma das pessoas mais importantes da minha vida!?!? Então, eu entrei na dança com eles (porque eu sempre oro, também, depois deles, em voz alta) e comecei a frase “por favor, mande um papai novo pra gente que AME MUITO O GUILHERME E A HELENA”. E assim nós fizemos, por noites, e noites, e noites, e noites...

Numa dessas noites, no início de fevereiro, eu estava deitada com a Nina fazendo orações, pedindo pelo tal pai novo que a amasse muito, e acabei dormindo. Fazia tempo que eu não dormia assim. Exausta. Sem nem me trocar. Acordei na manhã seguinte, assustada, sem despertador, tomei um banho e fui pro serviço. Quando cheguei no trabalho, vi que meu celular estava sem bateria e coloquei pra carregar.

Tiriri!
Aquele barulhinho de que eu tinha uma mensagem tocou. Mas eu estava abrindo o computador, digitando senhas e não peguei o celular.

Tiriri!
Uns segundos...

Tiriri!
Mais uns segundos...

Tiriri!
Eu olhei pro celular e pensei: “tá, você só pode estar de brincadeira comigo...” e tiriri!!!

Ele apitou catorze vezes. Leia de novo: CA-TOR-ZE! Foram tantos “tiriris” que se eu fosse escrever um por um, aposto que alguém mais nervosinho já ia reclamar... porque... vamos combinar... catorze???? É muita mensagem para uma manhã só! Quando eu abri o celular, vi “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H”, “mensagem de H” (tá. 14 vezes. Vocês já entenderam). Ele perguntava por mim, perguntava porque eu não respondia, dizia que precisava falar comigo naquela madrugada, afirmava que ia ficar acordado até eu responder, que era importante.

Eu, amiga (e lenta!), não tinha ideia de onde ele estava, na hora em que peguei as mensagens – pleno horário útil, e achei melhor não ligar. Só respondi. Disse que tinha adormecido com a Nina e perguntei se estava tudo bem. E esperei a resposta...

Cenas do próximo capítulo aqui.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Livros Infantis... de graça!!! (Diário do Guigo)

Gente, vocês sabem que, aqui em casa, a gente é louco por um livro, uma estória, um gibi, etc e tal, né? A gente até considera o Maurício de Souza como um velho amigo, com quem a gente encontra toda hora e troca umas ideias... A Nina chama, carinhosamente, o grande CHICO BUARQUE de...Chico!

Então, a gente veio trazer uma novidade perfeita pra quem é assim como nós e acredita que ler para uma criança pode abrir um mundo IMEEEEENSO de possibilidades. O Banco Itaú, de novo, está doando livros infantis!!! É isso mesmo: d-o-a-n-d-o! Basta você acessar o site (www.itau.com.br/itaucrianca/peca_colecao.aspx), fazer seu cadastro (ou pedir para um adulto fazer) e esperar! Os livros chegam na sua casa, pra você!!!

Você não tem uma criança por perto para quem pedir os livros?... A GENTE RESOLVE!!! Peça seus livros mesmo assim, mas entre em contato conosco (nos comentários), antes. Daí, na hora de colocar o endereço, você coloca o NOSSO! Todos os livros extras que chegarem aqui em casa serão doados para a PEDIATRIA DO HOSPITAL AMARAL CARVALHO, de Jaú, ok? É um jeito pra você fazer uma ação legal por uma criança...

Bjos e bençãos.
Guigo

PS: a gente já participou e divulgou a ação do Itaú em 2010 e 2011. Este não é um post publicitário. É que a gente acha a ideia INCRÍVEL e, como toda ideia incrível, merece ser dividida!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Projeto 10 on 10 - Dividir é Multiplicar!!! (outubro/2012)

Olhando o meu post do projeto 10 on 10, de outubro do ano passado, eu percebi quanta coisa mudou... o quanto eu dividi algumas coisas, o quanto eu dividi a minha vida, o quanto eu dividi o que era importante pra mim... e o quanto eu ganhei em retorno!!!

Então, esse foi o meu "tema" escolhido pro Projeto 10 on 10: DIVIDIR É MULTIPLICAR!!!


Quando eu divido a meu canto especial,
eu multiplico a sensação de aconchego e a intimidade nessa família!


Quando eu divido as tarefas diárias,
eu multiplico o senso de responsabilidade!


Quando eu divido a folha de papel que alguém já usou,
eu multiplico o número de árvores que ainda estão de pé!


Quando eu divido o gosto pelo que eu gosto,
eu multiplico as possibilidades de coisas novas a gostar!


Quando eu divido o meu tempo,
eu multiplico a minha paciência, a minha habilidade, a minha satisfação de dar conta de um milhão de tarefas diferentes!


Quando eu divido o meu horário útil,
eu multiplico minhas áreas de atuação!


Quando eu divido os meus recursos,
eu multiplico a feminilidade, o carinho, o cuidado pessoal!


Quando eu divido as tarefas,
eu multiplico o sentimento de "posso contar com mais alguém" em váááárias pessoas que eu amo!


Quando eu divido o conscientização,
eu multiplico a noção de solidariedade e respeito ao próximo!


Quando eu divido a minha base,
eu multiplico a esperança e a fé!


E você, o que você divide??? Já reparou que você ganha muito mais, em retorno?

PS: se participou desse "10 on 10", deixe seu link nos comentários, que a gente traz pra cá, tá? Bjos e bençãos!
Fernanda - meu mundo verde e azul
Sandra = luka luluka
Renatha - menina curiosa
Ana Vi (minha amiga fotógrafa! Uhu!) - filha de José Quem mais?????

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Hora H 14 - A mulher da sua vida! (Diário da Mirys)

Eu comecei 2012 incomodada com algumas coisas que eu vinha vivendo, repensando várias áreas da minha vida, querendo definições, buscando organizar. Eu continuava naquela luta pra me encontrar, de novo - descobrir quem eu era "pós acidente", depois de ter vivido coisas que ninguém deveria, após ter a certeza de que as crianças (minha primeira opção) estavam bem.

Minha casa estava uma bagunça, meu trabalho não estava do jeito que eu queria, meus lazeres (livros, filmes, fotos) estavam beeeeem parados, o meu relacionamento não relacionamento estava indefinido. E cada dia que passava e tudo continuava igual me deixava mais...decepcionada comigo mesma!

Pra casa, eu comprei tapete, organizei espaços, doei coisas, trouxe plantas e me deliciei com flores! Eu virei "ladra oficial de flores de casamentos"! Todo casamento que eu ia (ou alguém da minha família ia), no final, quando todos já tinham ido embora, eu pegava flores e flores e trazia pra enfeitar minha casa. Afinal, as pobrezinhas seriam jogadas FORA, mesmo!!! Pelo menos, assim, elas alegrariam um outro lugar, por mais algum tempo.

No trabalho, eu fiz um pacto comigo mesma de me livrar daquele "B", no curriculum. E eu cumpri! Dos meus hobbies, eu só voltei pra fotografia... mas me joguei!!! Comecei a fotografar filho de amigo, gravidez de amiga, casamento de gente querida, aniversário de sobrinhos. Comecei a ensinar dicas e truques pro Guigo e pra Nina (até eles quebrarem - um pouquinho da - minha câmera, em junho) e ficava super feliz quando ouvia um "MãMi, olha só o que eu fiz!!!!".

Agooooora, a minha vida amorosa estava uma bagunça geral!!! Meu ex namorado (de quase 20 anos atrás!!!) tinha me mandado um torpedo, dizendo que tinha terminado com a namorada dele e me perguntando o que eu achava. O que eu achava???? Não respondi. Ele mandou mais uns 6 ou 7 torpedos dizendo, em síntese, que estava chateado por eu não ter escrito correndo de volta pra dizer que tinha achado "ótimo" ele ter terminado com a menina. Mas, que eu continuava sendo "a mulher da vida dele"! Como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, depois de vocês terem ficado tão separados e escolhido caminhos tão diferentes, depois de duas décadas???

Eu estava acostumada a ser chamada de "a mulher da vida do Fer". Aí sim, fazia sentido. Antes. Porque ele tinha casado comigo, tinha me escolhido pra mãe dos filhos dele, tinha vivido comigo até o dia do acidente, vivia proclamando aos 4 ventos que me amava. Aííííí, sim... Mas, como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não existe mais?...

E tinha o moço com quem eu saia. Que estava do meu lado, que brincava com meus filhos, que tinha sido apresentado pra toda a minha família direta (pais, irmãos, cunhados), que conhecia muitos dos meus amigos, que eu ficava esperando nas madrugadas de sextas / sábados / domingos (após o trabalho), que dizia que me amava até, mas que continuava a me ver "escondido" do pessoal dele. E ele me afirmava ou afirmava pra quem quer que perguntasse que... adivinhem... eu era "A mulher da vida dele"!!!! Só que, na prática, ele não queria ficar comigo oficialmente. Só que, nas atitudes e no discurso, ele queria viver outras coisas antes de me assumir publicamente. Problemas de quem tinha ficado muito tempo oficialmente (noivo) com alguém, antes, e acabado de descobrir a liberdade da solteirice, após anos... Eu juro que entendia! Não concordava 100%, mas entendia. Afinal, eu TAMBÉM tinha vivido por anos com alguém, antes, e também tinha acabado de descobrir minha solteirice. Eu também tinha medo. Eu também tinha outros planos. Só eu acho que se alguém encontra "A" pessoa, ela joga fora o medo, ela muda os planos, ela se arrisca. Mas, não. No nosso caso, não. Eu era "A" pessoa, mas tinha chego na hora errada. E como se pode ser "A mulher" da vida de alguém, se esse alguém não se decide POR você?...

Acabei ficando meio "de saco cheio" daquela frase, de ser "a pessoa idealmente perfeita" para um monte de gente e de não ser de ninguém! Porque ninguém demonstrava isso pra mim, que queria MESMO ficar comigo, que eu valia MESMO a pena, que apesar de todos os pesares eu era "A" pessoa certa!

Pra piorar, foi chegando perto do dia 23 de janeiro e eu comecei a entrar em pane! Na minha cabeça já não era mais inconcebível passar o dia de "aniversário" do acidente com alguém que não fosse o meu marido. Eu já não me sentia mais casada com o Fer. Mas, colocando as coisas na balança, eu me sentia fazendo uma troca... muito injusta, por sinal! Meus últimos dias 23 de janeiro eu tinha passado com uma pessoa que me adorava, que dizia não viver sem mim, que faria qualquer coisa pra estar do meu lado... e, do outro lado da balança, eu iria passar o próximo dia 23 de janeiro com alguém que estava lá, ao lado, estava bem, mas que não queria ficar. É muito, muito, muito complicado quando a sua cabeça vai parar em lugares que você não queria ir, pensa em coisas que você não queria pensar... e constata verdades que você não queria ver!

E eu fiz o que achava que tinha que fazer: larguei do moço. Não quer ficar comigo? Não fique. Sem braveza, sem neuras, sem brigas, sem chororô. Só constatações de que, na verdade, ele tinha os problemas dele pra gerenciar e não estava conseguindo fazer isso ao mesmo tempo que eu; só que eu tinha muita gente envolvida na equação (leia-se "crianças") pra ficar "tentando", até ver no que ia dar.

Na verdade, eu decidi fazer o que já deveria ter decidido fazer há muito tempo: eu seria A mulher da MINHA vida!!!! Aquela que resolve, que decide, que arruma, que quer, que luta, que curte, que VIVE!

No dia 23, eu fiquei "ilhada", pra conseguir colocar algumas coisas em dia. Eu não atendi telefonemas que diziam "eu sinto muito" (porque tudo o que eu iria responder era "eu tambem") - exceto dos meus pais e dos pais do Fer, eu escrevi a história do acidente (pra nunca mais precisar ficar contando pra quem perguntava), eu escrevi sobre o dia seguinte ao acidente (por motivos idênticos), eu coloquei meu quarta-roupas em ordem, eu doei as últimas coisas do Fer que ainda estavam por lá. E eu orei!

Mas, agora (na verdade, desde o início do ano, quando eu ouvi aquela frase da irmã do H), a minha oração era diferente. Eu não fazia análise de curriculum. Eu não pedia mais por uma pessoa que "não tivesse histórias" ou que "não me conhecesse de antes". Eu só pedia pra Deus me mostrar SE eu deveria ficar com alguém, agora, e QUEM seria aquela pessoa. Eu pedia pra ele me mostrar isso em atitudes das pessoas! Minha cunhada J diz que Deus não funciona assim... mas, eu respondi que, comigo, funciona! Ele sabe o que eu entendo, o que eu sinto, como eu vejo as coisas.

Então, minha oração ficou bem simples:

"Querido Deus, eu estou cansada de ficar sozinha e estou preocupada com as crianças quando eu 'saio' com alguém. Então, eu estou aqui, de novo, e vou esperar você me dizer SE e QUANDO eu vou ter alguém, de verdade, na minha vida. Mas, por favor, eu peço só três coisas: que ele seja fiel, que ele AME as crianças e que ele seja LOUCO por mim. Daí pra frente, é com o senhor. Amém"

Cenas do próximo capítulo aqui.

Amanhã tem blogagem coletiva - Projeto 10 on 10! (Diário da Mirys)

Quem já participou conosco, sabe que dá super certo! Quem ainda não participou está convidadíssimo!!!

Porque, amanhã, é dia 10! E, todo dia 10, aqui no Diário, tem o "PROJETO 10 ON 10"!!!

Pra participar é muito simples: é só fazer 10 fotos, em 10 horas, do seu dia 10. Se você conseguir fazer fotos de 10 horas consecutivas (e não todas juntas, no mesmo momento) é melhor. Mas o mais importante é participar!

O objetivo é muito simples: fazer você ver um dia comum, uma quarta-feira qualquer, como um dia super especial!!! Porque, quando você tem que fotografar alguma coisa, você sabe que vai deixar aquilo registrado. Então, AUTOMATICAMENTE, você vai procurar por coisas bacanas, lindas, divertidas, gostosas, do seu dia!!! E quem sabe quantas surpresas uma quarta-feira pode te reservar, heim, heim, heim???

Copie o selinho, leve pra sua página, pegue sua câmera digital e carregue a mocinha com você para todos os lugares! Ou tire fotos com o seu celular! Ou tablet! Qualquer registro vale porque qualquer um deles vai te fazer reavaliar o seu dia!!! A gente garante que você vai terminar o seu dia 10, no mínimo, mais inspirado!!!

PS 1: se você participar e publicar suas fotos (blog, facebook, etc), não se esqueça de voltar aqui e nos deixar seu link! A gente adoraria conhecer um pouquinho mais do seu dia, também!!!

PS 2: pra inspirar vocês, a gente deixa aqui os links de alguns dos nossos últimos dias 10. Pra trabalhar o meu olhar fotográfico, eu coloquei "temas" nos meus dias e tentei segui-los! Adorei o resultado!!! Mas, você não precisa fazer isso, tá? Se fizer 10 fotos "aleatórias", no seu dia 10, já vai participar!!!

Projeto 10 on 10 - setembro de 2012 - GRAÇAS!
Projeto 10 on 10 - março de 2012 - SÁBADO
Projeto 10 on 10 - fevereiro de 2012 - PALAVRAS
Projeto 10 on 10 - novembro de 2011 - BAGUNÇA
Projeto 10 on 10 - outubro de 2011 - DESEJOS
Projeto 10 on 10 - agosto de 2011 - PADRÕES
Projeto 10 on 10 - julho de 2011 - CORES

Bjos e bençãos.
E nos vemos amanhã!!!
Mirys

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