Eu sempre tive uma ótima relação com o meu pai. Brigamos muito, quando eu era adolescente (óbvio, não?), mas, regra geral, sempre nos demos bem. E algumas das minhas melhores lembranças da vida incluem ele: os sábados que passávamos na piscina do clube a taaaarde toda (para que a minha mãe pudesse descansar do trabalho no banco + 5 / 6 / 7 filhos), as músicas criadas por ele, as estorinhas inventadas com personagens da minha família (ele, quase toda noite, deitava no chão do nosso quarto, no meio das camas, estendia as mãos para as mais novas segurarem e... lá vinha estória!). Me lembro dele dirigindo pra Campinas, para que eu prestasse vestibular. Me lembro dele fazendo faculdade de direito comigo (ele é médico!) porque, pra me incentivar, ele estudou, prestou e passou no vestibular comigo. Acho o máximo quando ele diz que "nasceu pra ser avô" e é o melhor avô que eu poderia querer para os meus filhos!
Ele (assim como a minha mãe. Mas é dia de falar nos pais!) sempre esteve por ali. Pra me ajudar, pra me incentivar, pra me dar broncas, pra me instruir, pra me corrigir. E eu nunca pensei "e se ele não estivesse?". Como se diz em inglês, "I took for granted" (eu pressupus / eu aceitei como certo) que ele sempre estaria ali. E nunca prestei muita atenção nos efeitos da figura paterna na vida de uma pessoa... até que meus filhos perderam o pai deles.
Na noite do
acidente, no velório, nas semanas seguintes, a dor era tanta, que eu só pensava em respirar, levantar, fazer o meu melhor, comer (se eu me lembrasse) e voltar a dormir. Era, literalmente, um dia de cada vez. Como as crianças eram muito novas (5 e 3 anos), elas não tinham uma dimensão exata do que tinham perdido... e nem eu. Elas não falavam nisso e eu não pensava nisso.
Até um dia em que eu deixei os dois na escola e estava dirigindo pro trabalho, quando tive um pensamento: "e quem vai levar a Helena pro altar, quando ela se casar?". Ridículo, eu sei. Eu estava pensando num futuro muito, muito distante, que talvez nem acontecesse. Eu sei. Ela poderia nunca querer se casar. Se quisesse, meu pai poderia leva-la ou
eu mesma. Eu sei. Mas, na hora, eu não raciocinei. Eu nem respirei. O choro veio como avalanche e eu só tive tempo de encostar o carro... e fiquei ali chorando, com o motor ligado, até perder as forças.
Muita gente me disse que EU mesma poderia fazer esse papel. Até poderia... esse e alguns outros. Como jogar video-game com o Guigo. Mas como ele mesmo disse, com a sabedoria dos seus 5 anos, "mamãe, você não sabe fazer isso direito. Não é coisa de meninas." E ele tinha razão! Eu até PODERIA fazer tudo e (tentar) substituir a figura paterna na vida deles. Mas... mãe é mãe e pai é pai, né? Têm importâncias diferentes, experiências diferentes à transmitir, conhecimentos diferentes. Imaginem um homem explicando para uma pré-adolescente como funciona a menstruação ou como colocar um absorvente... ele até poderia, mas seria muito mais simples e sensato, e com uma experiência de vida muito melhor, se a mãe fizesse isso! Melhor pra todo mundo: pro pai, pra mãe e pra menina.
Pois é... o inverso também acontece. Não acho que mulheres são inferiores (ou superiores) aos homens. Só acho que são diferentes! Podemos fazer de tudo nessa vida, mas seremos melhores em algumas coisas e piores em outras.
Chamem-me de antiquada, mas eu acho que ter uma figura paterna por perto é muito importante para o desenvolvimento de um ser humano. Alguém que ensine o menino a jogar futebol ou outro esporte qualquer, que oriente como trocar um pneu de carro, que instrua na arte de churrasquear, que converse sobre as dúvidas da adolescencia, que entenda o que ele sente quando se apaixonar pela primeira vez pela amiga da escola (sim... porque até nisso eu acho que homens e mulheres são diferentes). Alguém que curta, de verdade, ouvir rock pesado ou assistir uma corrida de fórmula 1 / indi / truck. Alguém que tenha gostos e preferências de... bem... de menino!
Porém, quando eu me apaixonei pelo
H, eu nem me lembrei de nada disso! Claro que queria alguém que amasse e respeitasse as crianças, mas eu o queria na minha vida POR MIM. Porque eu estava apaixonada! Simples assim.
Só que eu vejo que ele veio com esse "plus" na lista de virtudes dele. Ele é pai. Ele é pai para todos os 4 pequenos da nossa família. Do jeito dele, no ritmo dele, com o temperamento dele, ele é a figura paterna que os 4 têm. Tão diferente de mim... e QUE BOM que seja assim! Ele instrui diferente de mim, ele dá broncas diferentes das minhas, ele faz agrados diferentes dos meus. Ele prometeu ser o responsável por ensina-los a dirigir (afinal, ele é o
piloto da família!) e eles esperam ansiosos por isso! Ele joga os mais novos pro alto e ensina saltos para a mais velha, na piscina (eu jamais poderia... não tenho força pra isso). Ele me enche de agrados e carinhos e ensina os pequenos como as mulheres devem ser tratadas. Ele desafia os mais velhos num jogo de tabuleiro, de uma forma tão competitiva que uma mãe não seria capaz (a maioria, pelo menos...), e os ensina a terem atitude. Ele abraça e beija as meninas, dança com elas pela sala toda, presenteia com flores em ocasiões especiais - coisas que seriam recebidas diferentemente se viessem de mim (e eu nem teria força nos braços, mais, pra dançar com ninguém no colo).
Hoje eu vejo que essa figura paterna é importante DEMAIS na vida de todos eles. E na minha também! Porque ele me derrete quando eu flagro um abraço no caçula, na piscina, uma conversa "de meninos" com o Guigo, um beijo estalado na mais velha ou uma dança com gargalhadas da Nina. Em todos esse momentos, ele não está só criando laços com as crianças, mas comigo também. E eu vejo que acertei muito na minha escolha (mesmo que ela tenha sido, num primeiro momento, "egoísta").
E você, deu a mesma sorte? Seu marido é o pai que você esperava que ele fosse? Quais coisas ele faz para os seus filhos que você admire ou julgue importantes? E vocês, meninos, conseguem ver a importância do seu papel?